A radicalização matou a rede social — e pessoas no mundo real

por Guilherme Felitti

De vez em quando, o algoritmo do YouTube acerta. Na semana passada, o site me indicou um vídeo do New York Times detalhando como a Arábia Saudita preparou a morte do jornalista Jamal Khashoggi numa embaixada na Turquia, dos voos feitos em aviões oficiais com legistas ao uso de um dublê de corpo semelhante a Khashoggi para simular que o dissidente tinha saído do prédio onde foi brutalmente morto.

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A internet de hoje não foi feita para conversar

por Guilherme Felitti

Nas últimas décadas, houve um movimento de trocar cartas com pessoas aleatórias no mundo. Muito antes de existir o PayPal, a plataforma de pagamento, existia o penpal (“amigo de caneta”, em tradução livre). Alguém fazia a intermediação (escolas de inglês, por exemplo) e você saía escrevendo e recebendo cartas de um sujeito em outro país, talvez do outro lado do mundo. Era uma forma ótima de treinar o inglês (por isso as escolas de inglês entravam na jogada). Eu tive uma penpal italiana chamada Anna. Troquei três cartas com ela até que um dia o diálogo terminou, mas a lembrança continua forte.

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Celulares com telas dobráveis estão chegando. O que eu ganho com eles?

A Samsung anunciou nesta quarta-feira (20) a tradicional renovação anual do seu celular topo de linha, o Galaxy S10. Mas, ao contrário dos anos anteriores, desta vez outro modelo se destacou: o Galaxy Fold, primeiro da marca com tela dobrável. De repente, toda a indústria parece estar se movimentando no sentido de tornar realidade celulares com telas que dobram ao meio. Por quê? E quem pediu por isso? Conversei com alguns especialista para entender a nova tendência.

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Ficar bem informado sem depender de redes sociais e do WhatsApp é possível. Veja como

Alguém pergunta como se informar por outras fontes que não sejam o Facebook. No Twitter, viraliza uma mensagem de um guru da extrema-direita perguntando se você “já cancelou sua assinatura na grande mídia”. (Sem surpresa, o nome do usuário contém um sapo e o endereço da rede social Gab.) Nunca tivemos tanto acesso à informação, o que por um lado é ótimo. Por outro, a avalanche de notícias, reportagens, mensagens no WhatsApp e posts em redes sociais vem com muito entulho no meio: boatos, informações não verificadas, erros intencionais cometidos para confundir e desunir.

Soa a chover no molhado um guia que apresente alternativas de informação a quem está condicionado a consegui-la apenas via feed do Facebook, timeline do Twitter e/ou grupos do WhatsApp. Elas sempre estiveram ali e continuam a existir: jornais, revistas, publicações sérias. Só que, às vezes, é preciso dizer o óbvio. Para reforçar, relembrar.

Não é só possível informar-se sem depender das redes sociais. É preferível que nos informemos por meios que têm algo a perder com erros e imprecisões, como os jornais, e que tenham motivações minimamente claras. Por mais que o seu amigo que sabe a verdade que a Globo não mostra insista que o Diário do Zapzap é onde está a informação confiável, isso está longe de ser verdade.

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Qual será a gota d’água que te fará sair do Facebook?

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No final de 2018, Ryan Mac do BuzzFeed News publicou uma lista com todos os vacilos do Facebook ao longo do ano. “Literalmente apenas uma grande lista dos escândalos do Facebook em 2018” era o título da matéria, que elenca mais de 30 tópicos. Fazendo uma conta simples, ela revela que o Facebook protagonizou ou viabilizou alguma coisa errada uma vez a cada dez dias.

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A tecnologia aprende com os cigarros e os cassinos

por Guilherme Felitti

Janeiro de 1964. O Surgeon General, o chefe de uma das divisões de saúde pública do governo norte-americano, conduziu um estudo para revisar mais de 7 mil pesquisas que investigavam os efeitos nocivos do cigarro na saúde humana. O esforço resultou em um relatório chamado Fumo e Saúde: Relatório de Comitê de Aconselhamento do Cirurgião Geral (em tradução livre), que concluía que fumantes tinham chances de 9 a 20 vezes maiores de ter câncer no pulmão que os não fumantes. Para a gente parece óbvio. Na época, não era.

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Bicicletas e patinetes nas calçadas, carros autônomos na vizinhança e a inevitabilidade do Algoritmo

por Rob Horning

Em uma famosa imagem dos protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, um homem confronta uma fila de tanques de guerra para protestar contra um governo autoritário que declarou lei marcial em parte para afirmar seu controle sobre o espaço público. Em 2018, no Arizona, Estados Unidos, outro homem se impôs:

Charles Pinkham, 37, estava parado na rua em frente a um veículo da Waymo, em Chandler, em uma noite de agosto, quando foi abordado pela polícia.

“Pinkham estava muito intoxicado e seu comportamento variava de calmo a agressivo e agitado durante o meu contato com ele”, escreveu o policial Richard Rimbach em seu relatório. “Ele afirmou que estava cansado dos veículos da Waymo rodando em sua vizinhança e aparentemente achou que a melhor ideia para resolver o problema era ficar parado na frente desses veículos.”

Seu protesto não foi inteiramente em vão:

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Viés da distinção: por que você toma decisões terríveis em sua vida

por Nir Eyal

Lá estava eu, olhando para uma enorme parede de telas de TV. Cada uma deles mostrava exatamente a mesma cena — uma bela flor desabrochando lentamente para revelar cada pétala, pistilo e estame em detalhes requintados de super alta definição. Era, francamente, sexy. Mas era a hora de eu tomar uma decisão. (mais…)

A Amazon quer que todos sejamos consumidores o tempo inteiro

por Drew Austin

Todos os dias, o imperativo de perceber a si mesmo como um consumidor cresce em toda uma gama de experiências e instituições: nos shoppings e nos centros de negócios que substituíram praças e parques públicos; nas escolas e hospitais, onde as ofertas são criadas não para o bem-estar social geral, mas para a escolha individual do consumidor e o que cada um pode pagar; e nas academias de ginástica, onde exercícios, nutrição e outras formas de bem-estar foram redefinidas como escolhas pessoais de estilo de vida. (mais…)

O iPhone deixou de ser um smartphone caro para ser coisa de gente rica

Na apresentação dos novos iPhone Xs, Xs Max e Xr, Phil Schiller, o chefão do marketing da Apple, disse que a empresa quer “alcançar o maior número possível de pessoas com essa incrível tecnologia”. Brinca-se na indústria que a Apple tem o “campo de distorção da realidade”, um poder de retórica capaz de subverter a razão e convencer mesmo os mais céticos a engolirem esse papo marqueteiro. Nesta quarta (12), o encanto foi quebrado. O iPhone ficou caro demais. (mais…)

Elementos da crítica tecnológica

por Mike Pepi

Nota do editor: Mike Pepi mora em Nova York e é escritor freelancer de arte, cultura e tecnologia.


Minha tentativa de sintetizar os últimos anos do emergente campo da crítica tecnológica em um conjunto de princípios gerais recorrentes. Essas ideias pertencem a muitos pensadores diferentes. A contribuição aqui é principalmente destilá-los até o ponto essencial e juntá-los em um único lugar. Meu próximo passo é fornecer uma seção “leia mais” para textos e uma seção “problemas e exemplos”. (mais…)

O Facebook não vai curá-lo do vício no Facebook e Instagram

O Facebook anunciou, nesta quarta-feira (1), que começou a disponibilizar um novo recurso no Facebook e Instagram que informa o usuário do tempo gasto em cada aplicativo e lhe dá ferramentas para limitar o uso deles. À primeira vista, parece uma atitude nobre e bem intencionada. Provavelmente não é. (mais…)

Como ajustar o brilho do smartphone para não importunar outras pessoas

Quando você está em um ambiente escuro, qual a melhor configuração para o brilho da tela do smartphone? Se você respondeu “no máximo”, errou. (mais…)

Android e iOS deveriam oferecer relatórios sobre como usamos os nossos apps

Em 2018, as empresas de tecnologia estão sofrendo uma pressão enorme, vinda de todos os lados — inclusive de acionistas —, para que tornem seus produtos menos viciantes. É uma demanda tardia e muito válida, mas difícil de ser convertida em soluções práticas que realmente ajudem os usuários. (mais…)

Pessoas estão tirando as cores da tela do smartphone para usá-lo menos

Tristan Harris trabalhou no Google como uma espécie de especialista em ética do design e, desde que saiu de lá, ganhou notoriedade com a falas, artigos e sua iniciativa Time Well Spent, que tenta dissuadir empresas de tecnologia de fazerem seus produtos viciantes. A última dica de Harris (ele já deu várias) é inusitada, mas parece funcionar: usar o smartphone com a tela em preto e branco. (mais…)