Os ritmos da sociedade são muitos e, quando comparados, não raro se revelam descompassados. Seguíssemos à risca o da indústria de tecnologia, por exemplo, todo mundo estaria de celular novo a cada 12 meses. Ainda que a frequência de lançamentos do setor não tenha diminuído — pelo contrário, está acelerando em alguns casos, como o do Moto G —, parece que as pessoas estão passando mais tempo com seus aparelhos antes de sentirem a necessidade de trocá-los. Será só uma impressão equivocada ou esse movimento está mesmo ocorrendo?
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O grande filósofo da nossa geração, Alexandre Magno Abrão, o Chorão, já alertava no final dos anos 1990 que o jovem no Brasil nunca é levado a sério. Então, quando a atriz e fenômeno teen Larissa Manoela resolveu tocar em temas como a cultura dos influenciadores digitais e o vício em celulares em seu novo longa metragem, Modo Avião, o mínimo que alguém interessado nesses assuntos poderia fazer era prestar atenção. Assim o fiz.
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por Benjamin Schneider
Um repórter entra numa loja da Baixa Manhattan para explorar um “experimento curioso em entretenimento público”. Ele é levado a um espaço parecido com um estúdio banhado por luzes coloridas. Música estranha emana de alto-falantes invisíveis enquanto membros da equipe com vestimentas que lembram togas distribuem brinquedos, caleidoscópios e balões, cujo propósito permanece desconhecido. “Estamos tentando derrubar todas as convenções de entretenimento”, proclama o carismático jovem fundador do lugar a título de explicação — com exceção do ingresso superfaturado, o repórter descobrirá mais tarde.
Esta cena não ocorreu no Museu do Sorvete, no Snark Park, no 29 Rooms ou em nenhum dos atuais espaços fotogênicos e multissensoriais de lazer urbano. Na verdade, nem sequer aconteceu neste século. Aconteceu em 1968, quando um repórter da revista Time foi a um evento psicodélico de curta duração no SoHo chamado Cerebrum. Tal qual seus descendentes contemporâneos, o Cerebrum era difícil de categorizar, mas acabou por ser descrito com um termo abrangente hoje familiar. “Qualquer definição que tenha — e talvez não possa ter uma”, escreveu o repórter da Time, “o Cerebrum é uma experiência”.
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por Guilherme Felitti
Este Tecnocracia começa bem lúdico. Transcreverei duas notícias publicadas por um veículo de massa e um trecho de ensaio falando sobre a chegada de uma nova tecnologia e você vai pensando sobre o que o sujeito está falando:
1. “A tecnologia fez algum bem? Acabou com algum mal, mitigou alguma tristeza? É de alguma consequência que você, de Nova York, deva saber na terça-feira em vez de quarta-feira que Jones amassou o nariz de Thompson no Congresso na segunda-feira? Algum dinheiro a mais é ganho ou perdido pelos especuladores de algodão em Nova Orleans e Nova York por que eles sabem das variações de ambos os mercados em cinco minutos, não mais cinco dias, antes que sua operações passem a valer?”
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por Guilherme Felitti
A história mais popular envolvendo tecnologia fora da linha de frente na II Guerra Mundial explica como um matemático britânico chamado Alan Turing criou uma metodologia capaz de decifrar os códigos alemães e como a Inglaterra conseguiu reverter um quadro ruim nos campos de batalha a partir dos códigos interceptados.
A chamada “Bletchley bombe”, a máquina construída por Turing e sua equipe no Bletchley Park, automatizava e acelerava a quebra das mensagens codificadas pelo sistema Enigma dos nazistas. A bombe é a mais conhecida máquina de guerra, mas não é a única. Do outro lado do oceano Atlântico, os Estados Unidos também estavam correndo para desenvolver uma máquina capaz de calcular rapidamente trajetórias balísticas — os arcos descritos por projéteis e balas do momento em que eles saem da arma ao impacto. Humanos demoravam, em média, 30 horas para completar uma trajetória balística. Como os exércitos precisavam de dezenas por dia, o jeito era procurar alguma forma de automatizar.
Em 1942, o professor John Mauchly, da Moore School of Engineering, na Filadélfia, propôs a construção do que chamou de “calculadora eletrônica”: um hardware que usasse tubos a vácuo, a tecnologia mais moderna da época, para calcular. No ano seguinte, o governo aprovou o projeto e financiou o chamado Project PX. Só em novembro de 1945, quando a guerra já tinha terminado, o projeto foi concluído e ganhou o nome de Electronic Numerical Integrator and Computer, o Eniac.
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por Drew Austin
Cada vez mais os livros não têm capas: o rápido crescimento de tablets e e-readers fez com que mais livros fossem lidos em telas que não enfatizam a capa como um identificador visual e um delimitador físico. Uma capa já representou a individualidade tangível de um livro, sua discrição. Agora, nas telas, as capas persistem como imagens retangulares vestigiais, ornamentando de maneira supérflua resultados de busca ou PDFs. Essa mudança de ênfase significa que os leitores se envolvem mais diretamente com os próprios textos, em vez de julgar os livros por suas capas, como adverte o clichê? Cinquenta Tons de Cinza e livros de autoajuda ganharam popularidade em aparelhos pós-capa. Estamos finalmente livres para ler o que realmente queremos, seguros em saber que ninguém pode nos julgar?
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Nesta terça (30), a Huawei retorna oficialmente ao mercado de celulares brasileiro. Diferentemente da última tentativa, em 2014, desta vez ela chega com credenciais de respeito: é segunda maior fabricante de celulares do mundo e traz embaixo do braço um dos aparelhos mais desejados do momento, o P30 Pro. Antes que você se anime, adianto que não será barato (este texto será atualizado com valores e datas logo mais). Mas, para além dos aspectos mercadológicos e técnicos, este celular traz uma discussão filosófica sobre fotografia.
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por Andressa Soilo
A “pirataria” digital está em nossas vidas há 20 anos graças, especialmente, a Shawn Fanning e seu aplicativo de compartilhamento de arquivos pioneiro, o Napster. Nesse período, suas formas de se expressar com os usuários e com a lei têm se mostrado dinâmicas. Assim, habitar a distribuição do entretenimento passa a ser um jogo de xadrez. É sobre essa habitação que este texto trata. Sobre uma habitação negociada, especialmente, a partir do tempo.
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por Guilherme Felitti
De vez em quando, o algoritmo do YouTube acerta. Na semana passada, o site me indicou um vídeo do New York Times detalhando como a Arábia Saudita preparou a morte do jornalista Jamal Khashoggi numa embaixada na Turquia, dos voos feitos em aviões oficiais com legistas ao uso de um dublê de corpo semelhante a Khashoggi para simular que o dissidente tinha saído do prédio onde foi brutalmente morto.
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A Samsung anunciou nesta quarta-feira (20) a tradicional renovação anual do seu celular topo de linha, o Galaxy S10. Mas, ao contrário dos anos anteriores, desta vez outro modelo se destacou: o Galaxy Fold, primeiro da marca com tela dobrável. De repente, toda a indústria parece estar se movimentando no sentido de tornar realidade celulares com telas que dobram ao meio. Por quê? E quem pediu por isso? Conversei com alguns especialista para entender a nova tendência.
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Alguém pergunta como se informar por outras fontes que não sejam o Facebook. No Twitter, viraliza uma mensagem de um guru da extrema-direita perguntando se você “já cancelou sua assinatura na grande mídia”. (Sem surpresa, o nome do usuário contém um sapo e o endereço da rede social Gab.) Nunca tivemos tanto acesso à informação, o que por um lado é ótimo. Por outro, a avalanche de notícias, reportagens, mensagens no WhatsApp e posts em redes sociais vem com muito entulho no meio: boatos, informações não verificadas, erros intencionais cometidos para confundir e desunir.
Soa a chover no molhado um guia que apresente alternativas de informação a quem está condicionado a consegui-la apenas via feed do Facebook, timeline do Twitter e/ou grupos do WhatsApp. Elas sempre estiveram ali e continuam a existir: jornais, revistas, publicações sérias. Só que, às vezes, é preciso dizer o óbvio. Para reforçar, relembrar.
Não é só possível informar-se sem depender das redes sociais. É preferível que nos informemos por meios que têm algo a perder com erros e imprecisões, como os jornais, e que tenham motivações minimamente claras. Por mais que o seu amigo que sabe a verdade que a Globo não mostra insista que o Diário do Zapzap é onde está a informação confiável, isso está longe de ser verdade.
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No final de 2018, Ryan Mac do BuzzFeed News publicou uma lista com todos os vacilos do Facebook ao longo do ano. “Literalmente apenas uma grande lista dos escândalos do Facebook em 2018” era o título da matéria, que elenca mais de 30 tópicos. Fazendo uma conta simples, ela revela que o Facebook protagonizou ou viabilizou alguma coisa errada uma vez a cada dez dias.
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por Guilherme Felitti
Janeiro de 1964. O Surgeon General, o chefe de uma das divisões de saúde pública do governo norte-americano, conduziu um estudo para revisar mais de 7 mil pesquisas que investigavam os efeitos nocivos do cigarro na saúde humana. O esforço resultou em um relatório chamado Fumo e Saúde: Relatório de Comitê de Aconselhamento do Cirurgião Geral (em tradução livre), que concluía que fumantes tinham chances de 9 a 20 vezes maiores de ter câncer no pulmão que os não fumantes. Para a gente parece óbvio. Na época, não era.
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por Rob Horning
Em uma famosa imagem dos protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, um homem confronta uma fila de tanques de guerra para protestar contra um governo autoritário que declarou lei marcial em parte para afirmar seu controle sobre o espaço público. Em 2018, no Arizona, Estados Unidos, outro homem se impôs:
Charles Pinkham, 37, estava parado na rua em frente a um veículo da Waymo, em Chandler, em uma noite de agosto, quando foi abordado pela polícia.
“Pinkham estava muito intoxicado e seu comportamento variava de calmo a agressivo e agitado durante o meu contato com ele”, escreveu o policial Richard Rimbach em seu relatório. “Ele afirmou que estava cansado dos veículos da Waymo rodando em sua vizinhança e aparentemente achou que a melhor ideia para resolver o problema era ficar parado na frente desses veículos.”
Seu protesto não foi inteiramente em vão:
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