Ficar bem informado sem depender de redes sociais e do WhatsApp é possível. Veja como

Pessoa lendo jornal em papel.

Alguém pergunta como se informar por outras fontes que não sejam o Facebook. No Twitter, viraliza uma mensagem de um guru da extrema-direita perguntando se você “já cancelou sua assinatura na grande mídia”. (Sem surpresa, o nome do usuário contém um sapo e o endereço da rede social Gab.) Nunca tivemos tanto acesso à informação, o que por um lado é ótimo. Por outro, a avalanche de notícias, reportagens, mensagens no WhatsApp e posts em redes sociais vem com muito entulho no meio: boatos, informações não verificadas, erros intencionais cometidos para confundir e desunir.

Soa a chover no molhado um guia que apresente alternativas de informação a quem está condicionado a consegui-la apenas via feed do Facebook, timeline do Twitter e/ou grupos do WhatsApp. Elas sempre estiveram ali e continuam a existir: jornais, revistas, publicações sérias. Só que, às vezes, é preciso dizer o óbvio. Para reforçar, relembrar.

Não é só possível informar-se sem depender das redes sociais. É preferível que nos informemos por meios que têm algo a perder com erros e imprecisões, como os jornais, e que tenham motivações minimamente claras. Por mais que o seu amigo que sabe a verdade que a Globo não mostra insista que o Diário do Zapzap é onde está a informação confiável, isso está longe de ser verdade.

Tweet de um cara informando os telefones de cancelamento da assinatura de grandes jornais brasileiros.
Este desserviço teve 5,5 mil retuítes e mais de 20 mil curtidas. Imagem: Twitter/reprodução.

O que se segue é uma proposta de roteiro para ser um cidadão bem informado, para saber o essencial que alguém minimamente interessado precisa da sua comunidade, do seu país e da sua área de atuação, escrito por alguém que tem alguma bagagem em comunicação — eu! O guia traz apenas indicações da internet, ou seja, não considera TV e rádio, embora essas duas mídias sejam vitais e devam estar no cardápio de todos.

Complementos e questionamentos nos comentários são bem-vindos.

O básico: assine jornais

Isto talvez soe esquisito, mas existe um tipo de empresa especializada em fornecer notícias apuradas, bem redigidas e com responsabilidade. Elas produzem um negócio chamado “jornal”. Antigamente era em papel e saía, em média, uma vez por dia. Hoje, está na internet, em sites na web e apps para celulares e tablets.

Assine um jornalão nacional (Folha, Estadão ou O Globo). Se não morar em São Paulo ou no Rio de Janeiro, sedes desses jornais, assine também um local, da sua cidade.

Essas duas fontes são suficientes para cobrir o básico do que você precisa saber do Brasil e da sua cidade. É caro? Se tomarmos a renda média do brasileiro, sim. Mas se houver condições, o valor de duas assinaturas de jornais se torna uma pechincha perto da maioria das alternativas. Pense no tempo que se perde com informações duvidosas, futilidades e distrações, mentiras deslavadas nos grupos de WhatsApp…

Existem publicações generalistas que não cobram pelo acesso e mantêm excelentes padrões de qualidade. Para citar alguns, temos o paradigma desse tipo, o inglês The Guardian. No Brasil, o G1 e as versões locais da BBC News e do El País. Embora o jornalismo custe caro e os modelos de negócio que podem propiciar a gratuidade ao leitor estejam emperrando, algumas empresas fazem malabarismos que lhes permitem abrir o conteúdo sem prejuízo.

Não basta assiná-los, é preciso lê-los. Muito antigamente, as pessoas tinham o hábito de acessar sites diretamente, sem a mediação de redes sociais ou buscadores. Apesar de uma prática antiga, ela continua sendo muito eficaz.

Crie o hábito de entrar direto no site dos jornais, pelo menos uma vez por dia. O fato de estar pagando ajuda, pois cria um vínculo mais forte com a publicação. Outra medida que pode ajudar é colocar os endereços dos jornais nos favoritos do navegador. Qualquer que seja a estratégia, é preciso um esforço no início — e só no início, porque depois fica natural, automático.

Em vez de depender de um algoritmo, você lê uma seleção feita (por enquanto) por pessoas, com a sensibilidade de organizar visualmente o que de mais importante está acontecendo no momento. O filtro passa a ser o seu, que, ao passar os olhos pelos destaques do dia, escolhe ler o que chama a atenção ou julga mais importante, sem deixar de, no mínimo, passar os olhos pelas chamadas das demais notícias.

Importante: não se contente com os veículos que você assina. Vez ou outra, acesse outros jornais concorrentes. É salutar ter acesso a diferentes pontos de vista, nem que você fique apenas nas capas desses sites.

Duas observações importantes antes de passarmos ao próximo passo.

Primeiro, fique sempre alerta aos vieses na cobertura. Durante as últimas eleições, por exemplo, testemunhamos jornais e redes de TV renomados fazendo coberturas explicitamente inclinadas ao candidato que acabou vencendo o pleito. Parcialidade não é um problema (não existe imprensa imparcial) desde que você esteja ciente de que há uma inclinação e para que lado.

A segunda observação é prestigiar publicações menores, como as independentes e as versões brasileiras de publicações de fora. Elas trazem frescor, audácia e fôlego novo ao noticiário, abordando pautas marginais que, por vários motivos, quase sempre ficam fora do radar dos grandes jornais. As que eu acompanho e recomendo são: Agência Pública, Ponte, revista piauí e The Intercept — além dos já citados El País e BBC News.

Para se aprofundar

Jornais tradicionais focam no factual. Quase todos têm colunistas que ajudam a interpretar o que está acontecendo, mas nem sempre esse material é didático o suficiente para quem caiu de paraquedas ou não acompanha o assunto em questão desde o início.

Nos últimos anos, surgiu um tipo de publicação que lá fora chamam de “explainers”. Eles não publicam factuais como os jornais, mas partem deles para explicar o que está acontecendo de maneira mais detalhada. No Brasil, o Nexo se destaca nessa área. Lá fora, a Vox (em inglês) é uma boa pedida.

Print da tela de revistas disponíveis para ler no GoRead.
Imagem: GoRead/Reprodução.

Revistas com periodicidade semanal ou mensal são valiosas nesse sentido. Além de leituras aprofundadas, elas contam com o benefício do tempo para resumir o período entre as duas últimas edições com os assuntos mais resilientes e de maneira mais consolidada.

É uma delícia ler no papel, mas custa muito caro. A boa notícia é que, se você assina um plano de internet móvel pós-pago ou controle, tem à disposição um punhado de revistas gratuitamente em formato digital, como Veja, Exame, Carta Capital e Você S/A.

Na Vivo, tem o GoRead; na Claro, o Claro Banca; na TIM, o TIM Banca Virtual. Basta fazer o cadastro seguindo as orientações da sua operadora e baixar o respectivo aplicativo.

Especialidades

Subindo a nossa pirâmide nutricional da informação, temos as publicações especializadas, de interesse pessoal ou profissional. Aqui, imagino que você já conheça alguns veículos, então o trabalho é listá-los e criar o hábito de visitá-los regularmente.

Se esses sites fornecerem um feed RSS (entenda o que é isso), você pode baixar um aplicativo como o Feedly ou o Flipboard e cadastrar os seus sites favoritos nele. Assim, será sempre lembrado quando eles publicarem novidades de uma maneira tão cômoda quanto a das redes sociais, mas sem os defeitos delas e um algoritmo opaco definindo o que é ou não relevante. Novamente, com o RSS, o filtro é você.

Dependendo do volume de conteúdo publicado por essas fontes, o RSS fica inutilizável. Se for o caso das suas, considere acrescentar esses sites mais prolíficos aos que visita regularmente, junto aos dos jornais citados acima.

Outra ótima fonte de informações são as newsletters, principalmente as que têm curadoria humana. O grande barato dessas é que, geralmente, quem faz a curadoria é alguém muito entendido da área, então você recebe mastigado um resumo de tudo de relevante que está acontecendo nela. Eu sigo (e pago, embora seja gratuita) a Farol Jornalismo, especializada em jornalismo. É uma fonte inestimável de conteúdo da minha área de atuação e o valor mensal, para recompensá-los pelo trabalho e apoiá-los, é irrisório perto do que eu recebo em troca.

O Manual do Usuário também tem uma newsletter semanal gratuita, com um resumo do que acontece na tecnologia pessoal e muitas indicações de leitura para o fim de semana. Assine-a aqui ou no formulário no rodapé desta matéria.

Outras recomendações de newsletters especializadas: InternetLab (políticas de internet), Meio (generalidades), Norte (tecnologia), Pinguins Móveis (tecnologia móvel) e Seu Dinheiro (finanças).

Redes sociais?

De todas as redes sociais, para mim a única que acrescenta algo a essa proposta de dieta informacional é o Twitter, com algumas importantes ressalvas.

O Twitter é uma ótima fonte de bastidores, contexto e pequenas doses de informação que, longe de substituirem os jornais, ajudam a ficar por dentro de assuntos que ainda estão se desenvolvendo.

O grande problema do Twitter é a sua “relação custo/benefício”: há muito ruído e informação ainda em processo de apuração, o que transforma a timeline em um negócio caótico.

Para amenizar isso, recomendo a criação de listas para segmentar seus interesses e perfis seguidos. No computador, acesse o Twitter por apps que permitem visualizar múltiplas colunas ao mesmo tempo, como o Tweetdeck (web, para quem usa Windows) ou o Tweetbot (macOS).

O Manual do Usuário publica, diariamente, notícias, threads e alertas de tecnologia. Siga o @manualusuariobr no Twitter.

Print do Tweetbot com três listas segmentadas abertas em colunas.
Tweetbot organizado em listas.

Tem outra: o uso do Twitter pode viciar. Como toda rede social, ali também há incentivos equivocados e obsessão por “engajamento” que, na real, funcionam como armadilhas para capturar a nossa atenção. Por isso, é bom se policiar. A minha sugestão: se não precisar do Twitter para o trabalho, desinstale o aplicativo do celular. Acesse pelo navegador web, onde a qualidade da experiência é pior, ou deixe para fazer isso quando estiver no computador, caso tenha acesso fácil a um ao longo do dia.

O que mais?

Muito cuidado com aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Telegram. Grupos muito grandes e/ou com desconhecidos ou aqueles em que te colocam sem que você tenha pedido, devem ser encarados com um pé atrás. No caso do Telegram, certifique-se de seguir canais que identificam os responsáveis pelo conteúdo.

O Manual do Usuário tem um canal no Telegram, onde publica notinhas diárias do que acontece na tecnologia. Acompanhe.

Em todo caso, sempre procure pela fonte da informação. Se quem a enviou não souber dizer ou tergiversar, desconfie. Se for algo de seu interesse, busque validá-la em outros meios. Para conteúdos políticos e outros polêmicos, agências de checagem como Aos Fatos e a Agência Lupa fazem um bom trabalho.

Por fim, podcasts são acessíveis, quase sempre gratuitos e têm aquela vantagem do distanciamento temporal das revistas. O Estadão Notícias é diário e aborda temas importantes do país com comentários de especialistas. O Nexo tem alguns — o diário Durma com essa e o semanal Politiquês. Da revista piauí vem o ótimo Foro de Teresina, publicado sempre às quintas-feiras.

Foto do topo: Kaboompics.com /Pexels.

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32 comentários

  1. Eu abandonei os telejornais por uma razão: só noticiam tragédias! Exultam bandidos e denigrem a imagem da polícia. Não sou policial e sei que há excessos em abordagens e manipulação de cenas de crimes. O que estou dizendo é que no Brasil, bandido é tratado como vítima da sociedade e que deve ser invejado por burlar o sistema, enquanto o trabalhador , que dá duro durante a semana, é ignorado. Mario Ferreira dos Santos já nos alertava sobre isso em seu livro “A Invasão Vertical do Bárbaros”. Fora que vários veículos considerados “tradicionais” já não fazem mais jornalismo, só militância. Eles não noticiam, doutrinam. O me irrita que não assumem a sua ideologia, posando de isento.
    fica difícil seguir essa imprensa marrom, mesmo sabendo que nenhuma é imparcial. O melhor é ler de tudo um pouco. Seja conservador ou progressista e de preferência, a fonte da informação noticiada. Nisso o Twiter ajuda muito.

  2. nossa, indicar Folha, Estadão, Globo…eles não fazem jornalismo, fazem proselitismo político e propaganda de seus intere$$es, distorcem absolutamente tudo, mentem diariamente, ESCONDEM notícias…

    para lembrar apenas um caso, na época que os professores do Paraná ficaram em greve por uns 3 meses no governo do Richa, e sofreram todas aquelas barbaridades e violências, essa mídia aí praticamente não mostrava…mas mostrava manifestações que ocorriam na França, por exemplo

    o Estadão então, sempre absolutamente ilegível, de tão alienados ideologicamente que são, isso desde antes da internet, quando ainda dava pra ler a Folha, mas não o Estadão

    se for para ler a mídia tradicional é preferível ler os estrangeiros (El País, BBC, etc), embora com ressalvas são incontestavelmente menos parciais que a mídia brasileira

    eu vejo as notícias pelos sites independentes e de esquerda, via Feedly, e invariavelmente sou melhor informado que meus colegas que se “informam” no carro via CBN e Jovem (Klu Klux) Pan, ou à noite pelo “jornal” da televisão

    1. Como já disse a outros leitores: não coloco a mão no fogo por esses jornalões nem acho que eles fazem um trabalho irretocável. Mas eles fazem jornalismo sim, e de um tipo que blog partidário algum, seja de esquerda ou direita, jamais fez. O trabalho que a Folha vem fazendo na cobertura do laranjal do PSL, por exemplo, é destacado.

      É preciso estar aberto a outras fontes e ter em mente que não existe imparcialidade na comunicação. E, sim, tomar cuidado com veículos ultra partidários que se alinham com a situação, como a Jovem Pan e a Record.

  3. O Ghedin estuda. Lê. Pesquisa. Se informa. Estuda mais ainda. Aí vem um cidadão citar “isentões” como sinônimo de “jornalismo sério”.

    Precisamos de mais artigos como esse, só que o povo tem que se ajudar também né???

  4. Parabéns pelo trabalho! É um ótimo guia introdutório, pois mesmo se a pessoa não confiar na imprensa hegemônica empresarial, é preciso ter atenção ao viés da cobertura midiática, entendendo as relações com outros agentes do capital e consciente do oligopólio que existe no Brasil. Por isso é preciso digerir outras narrativas pela imprensa independente e formular uma argumentação mais consistente sobre os fatos. Não adianta menosprezar a mídia e consumir informação apenas por boatos de grupos de whatsapp. Outro fato é que, por conta do recurso instant view, o Telegram é ótimo para assinar canais e ler dentro do próprio app alguns dos veículos citados, como BBC Brasil e El País.

  5. Fontes de notícias a Folha? Estadão? O Globo? Veja? Carta Capital? The Intercept? É sério?

    Canais que têm praticamente todas as pseudo-matérias publicadas desmentidas pelas vítimas de seu jornalismo marrom? E acredite, não é em função de esses canais serem declaradamente anti-governo (e todos sabemos os motivos por trás disso). É por desinformarem e mentirem na cara dura mesmo.

    E já que tu falou em Twitter, concordo que existe muito ruído e conteúdo totalmente questionável, porém também existem fontes de conteúdo bastante interessante (como por exemplo o perfil @isentoes, que investiga e traz compiladas muitas informações sobre os valores gastos pelo governo federal), que tal complementar a matéria e sugerir aos assinantes para que sigam os perfis oficiais dos ministérios e dos ministros (estes são apenas alguns exemplos de pessoas que são diariamente bombardeadas pelas mentiras e desinformações dos já referidos canais)?

    Gosto, assino e leio o Manual do Usuário a vários anos… então, por esse motivo, me sinto no direito de expressar opinião contrária à tua Ghedin.

    Um abraço e sucesso!

    1. Obrigado pelo comentário, Juliano! Você tem todo o direito de se expressar aqui :)

      Nenhum jornal ou publicação acertará em 100% das vezes. E, em alguns casos, mesmo as indicações que fiz no texto podem ter escorregado em alguma abordagem, em falhas de apuração ou até por motivos escusos que não temos como comprovar, mas que soam esquisitos.

      Ainda assim, são boas fontes. Porque essas publicações têm algumas características que permitem contrapô-las e cobrar por responsabilidades. A Folha, por exemplo, tem uma ombudsman que com frequência critica pesadamente a cobertura do jornal. Todos eles têm expedientes e matérias assinadas. Todos eles, em grande medida, ouvem o outro lado antes de publicar qualquer coisa. Fazem jornalismo, em resumo.

      Agora, esse @Isentoes. Te faço apenas uma pergunta: quem é o responsável? Isso, para mim, já é um grande sinal de alerta. Mas ok. Entrei agora no perfil do cara e tem um tweet dele agradecendo o apoio do Nando Moura, o maluco que disse, dia desses, que Stálin ganhou dois prêmios Nobel da paz (??), sem falar em outros absurdos impublicáveis. “Irmãos de batalhas”, diz os Isentões a respeito de Moura. Dá para levar a sério?

    2. Ghedin, tem um puta trampo para escrever um texto importante como este, com o propósito de abrir a cabeça das pessoas, e o cara vem com o Isentões como indicação. É complicado.

    1. Bem interessante mesmo, você conseguiu ficar sem checar sites de noticias? Como é o seu dia a dia nesse sentido ?

      1. Faço checagem involuntária porque, quando estou no PC, tenho o hábito de digitar url de certos portais tal como tenho o hábito de abrir a geladeira só por abrir.

        Não fico muito grilado com isso também.

  6. Parei de ler na sugestão pra assinar Folha, Estadão e Globo.
    Mas quero deixar registrado que não tenho perfil em nenhuma rede social.
    Nem WhatsApp!
    É Telegram e nada mais

      1. Os Pingos Nos Is, de seg a sex, das 18h30 às 20h na Jovem Pan, principalmente, além dos sites Terça Livre e Renova Mídia.

          1. Deve ser o mesmo tipo de jornalismo da Folha. Só que ao contrário. Jornalismo morreu, meu caro.

          2. Se é o contrário, tudo bem? Ghedin, continue mantendo o Manual do Usuário apolítico. Não alienado. Apolítico, sem partidarismo. Tenho notado essas pinceladas aqui e ali nos seus textos, o que eu não via antes… Falo de valorizar a isenção, cada vez mais rara hoje em dia.

          3. @ Régis

            Em momento algum disse que o contrário seria tudo bem. Para mim, seria igualmente problemático.

            Desculpe, mas não posso manter o Manual “apolítico”. Não com a proposta que ele tem, de ser opinativo e crítico. A política está na base de tudo, tecnologia incluída. Jamais farei campanha para um lado ou outro aqui, mas a abordagem nunca será neutra — aliás, nunca é, independentemente do que lhe digam.

    1. Eu acho engraçado esse termo “jornalismo investigativo”… Redundante, na vdd. Pois, para mim,todo jornalista que se preze e honre seu diploma, é investigativo.
      Inclusive existe uma associação chamada ABRAJI que não sei o sentido que faz ela existir

      1. Não é redundante, é uma área bem específica e importante do jornalismo. Você consegue identificar investigação nos sites e blogs de tecnologia brasileiros, por exemplo? Eles dão serviço e notícia, quase nada de investigação. É extremamente difícil e arriscado investigar porque mexe com gente que está fazendo coisa errada e que, em geral, tem muito a perder (e a esconder). Tente ser um jornalista investigativo em uma cidadezinha do interior. Dependendo do lugar, os caras simplesmente te matam e o resto da imprensa, chapa branca, nem noticia.

  7. Podia ter indicado o youtube
    Entre ler jornais e revistas superficiais, continuo mal informado, mas mais inteligente com livros e documentários

    1. Complementando o Ghedin, o Youtube é como qualquer outra rede social: um concentrador de conteúdos.

      As agências e jornais citados pelo Ghedin tem canais por lá, assim como até emissoras e empresas jornalisticas como BBC, Folha, Cultura e DW.

      Uma coisa que sempre esqueço de comentar: uso o Youtube logado e tenho menos problemas de influencia de conteúdo pois fecha minha bolha. Se eu deixar o Youtube deslogado, infelizmente as métricas do Youtube me fariam não usar ele.

  8. Embora desde que o Google acabou com o Reader, as opções tenham diminuído e migrado para outras fontes. eu acrescentaria a boa e velha assinatura de feeds. Alguns veículos de notícias, apesar do crescimento do Facebook, ainda disponibiliza o feed completo. É assim, aliás, que sigo o seu site. Acho até que o fato de leitores RSS estarem agonizando, merece uma boa matéria.

  9. Este usuário Bernardo Kuster é um ULTRA FANÁTICO PELO ASTRÓLOGO OLAVO DE CARVALHO. Bernardo também é conhecido por ser ULTRA FANÁTICO CRISTÃO, destes malucos que chamam todos de comunistas, inclusive o Papa.

  10. Deletei meu twitter, que mantinha desde 2007, por causa do lixo acumulado. Além do guia prático acompanho o Diocast, do diolinux, o passadorama, o xadrez verbal, e o radiofobia classics… Ah e o eterno Papotech. Sinto falta do podsemfio, da Bia Kunze…

  11. Como falou, “não existe imprensa imparcial”.

    Isso gerou todo este problema do jornalismo marrom (fake news é jornalismo marrom), dado que ao que me aparenta, pessoas não querem mais hoje notícias. Só querem ver (e se sentir com) o seu problema de vida resolvido.

    Se antes jornais locai falavam dos buracos nas ruas e do atraso em alguma obra pública ou serviço, hoje as pessoas notam a ineficiência disto, isso quando não fica exposto que o jornal local tem ligações diretas ou indiretas com os políticos locais também.

    E “pessoas comuns” (peço desculpas por este termo, mas é uma forma de tentar segregar quem como nós separa a informação das pessoas que não tem essa separação) querem a praticidade.

    Esse “manual de boa informação” vai servir para muitos de nós, é falar com iguais. O ruim é falar com o Tio do Pavê que hoje virou o Tio do Zap (emoji de arminha).

    Enquanto não aprendermos como ter a didática para lidar com esta gente, vamos enxugar gelo.

    1. Sobre jornalismo local: tenho um certo trauma e preconceito criado, dado que conheço as peças daqui da cidade e as relações.

      Difícil achar alguém que tenha algum respeito, dado que os que tinham ou faleceram ou saíram do jogo jornalístico.

  12. Parabéns pelo ótimo guia, Ghedin! Creio que eu já estava ciente da maioria do conteúdo apresentado aqui, mas ainda assim o valor e o esmero das informações condensadas valeu a leitura.

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