Notinhas

Comentários, links e vídeos diários.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

O Procon-SP irá exigir que a Apple entregue o carregador de parede que deixou de vir na caixa do iPhone aos compradores que pedirem por ele. A mudança, que alcança todos os modelos à venda, segundo a Apple foi feita em prol do meio ambiente.

O Procon-SP argumenta que o carregador é peça essencial para o uso do produto e que a Apple não demonstrou os alegados ganhos ambientais que justificariam a remoção do acessório, não informou adequadamente os clientes dessa alteração e não respondeu se o uso de um carregador de terceiro pelo cliente poderá ser usado como argumento de recusa para eventuais reparos. O Procon-SP também cobra um plano de reciclagem/logística reversa da Apple para acessórios e aparelhos antigos, o que traria ganhos ao meio-ambiente. Essa novela ainda vai longe. Via Procon-SP.

A grande discussão (rolando no nosso grupo do Telegram, aliás) é se cabe ao Procon-SP/Estado interferir nessa discussão. O que você acha?

Mais um login e senha de um banco de dados de cidadãos brasileiros do Ministério da Saúde estava dando sopa por aí. Desta vez, as credenciais vazadas davam acesso a um sistema que armazena dados cadastrais de todos os brasileiros. Os registros vazados contêm dados como CPF, nome completo, endereço e telefone de 243 milhões de brasileiros — número maior que o da população porque, segundo a reportagem do Estadão, há informações de pessoas que já morreram. Via Estadão (com paywall).

Chegou a vez da Apple escolher os melhores apps de 2020 em suas plataformas. Escolhas estranhas, para dizer o mínimo.

  • Para iPhone, Wakeout!, um app que ajuda o usuário a se movimentar ao longo do dia, com exercícios simples e fáceis, do tipo que dá para fazer em qualquer lugar. Chama a atenção a nota baixa (2,8) na App Store. Lendo os comentários, a bronca dos usuários é pelo fato do app ser “gratuito”, mas só funcionar mediante a assinatura de R$ 47,90/mês.
  • Para iPad, Zoom. Ok, faz sentido, foi um app super influente em 2020, mas, como lembrou Nilay Patel, estranho o melhor app do ano para iPad não suportar recursos nativos do iPadOS, como redimensionamento e multitarefa.
  • Para macOS, Fantastical. Este é uma unanimidade, sempre com recursos de ponta e aquela atenção aos detalhes que se espera dos melhores aplicativos. Na última grande versão, migrou do modelo de pagamento único para assinatura, o que decepcionou alguns usuários.

A lista ainda tem os melhores jogos e algumas categorias extras. Via App Store/Apple.

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A Salesforce anunciou a compra do Slack por US$ 27,7 bilhões — a maior aquisição já feita pela empresa. O Slack, a quem não está familiarizado, é uma ferramenta de comunicação para empresas primariamente por texto, com uma busca e relatórios poderosos e que aceita robôs que se integram a outros serviços e auxiliam os funcionários humanos a desempenharem suas tarefas. Tipo o antigo IRC, mas com mais recursos e aplicativos pesados.

O Slack, fundado em 2010 por Stewart Butterfield, é um queridinho do setor, mas vem sofrendo nos últimos anos com a concorrência ferrenha do Microsoft Teams, lançado em 2017. Em número de usuários, o Slack tem 12 milhões (dado de um ano atrás) contra 115 milhões da Microsoft. Em julho deste ano, o Slack fez uma reclamação formal da Microsoft à Comissão Europeia, acusando-a de abusar da sua posição com o Office para embutir o Teams e ganhar mercado. Desde que abriu seu capital em abril de 2019, as ações do Slack nunca ultrapassaram o preço do IPO. Agora, sob as asas de outra gigante (a Salesforce vale US$ 219 bilhões), talvez se torne mais competitiva. Via New York Times (em inglês, com paywall).

A repercussão daquela notícia de que o Microsoft 365 atribui uma “pontuação de produtividade” aos funcionários, acessível ao empregador, pegou mal. Graças a ela, a Microsoft anunciou mudanças no produto. Jared Spataro, VP corporativo de Microsoft 365, disse em um post que os nomes dos funcionários serão removidos, e que daqui em diante a “pontuação de produtividade somente agregará dados no nível da organização”, ou seja, que “ninguém na organização conseguirá acessar dados de como um usuário específico está usando apps e serviços no Microsoft 365.” Via Microsoft (em inglês).

Até dias atrás, IPTV era assunto das páginas policiais dos jornais. Agora, repetindo um movimento comum na história de institucionalizar inovações criadas à margem da lei, opções legalizadas de IPTV começam a aparecer.

Primeiro veio a Claro Box TV. Nesta terça (1), a Directv Go chegou ao país — um serviço da Vrio, que já operava aqui com a marca Sky. O preço-base do Directv Go é de R$ 59,90/mês, e dá direito a 90 canais, incluindo os de TV aberta, ao vivo (Globo, SBT, Record), canais de esportes (ESPN, Sportv, Fox Sports), de filmes e vários daqueles que, até então, só estavam disponíveis na TV a cabo, além de alguns conteúdos sob demanda. E ainda dá para acrescentar pacotes, como HBO (com promoção de lançamento que dá cinco anos de gratuidade enquanto a assinatura for mantida), Brasileirão (Premiere) e Telecine, entre outros. Via Gizmodo Brasil.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

A Qualcomm anunciou nesta terça (1) o Snapdragon 888, seu novo SoC topo de linha que deve equipar os principais celulares Android de 2021. A maior novidade este ano é a inclusão do modem 5G no chip (especificamente, o Snapdragon X60), elemento que seu antecessor, o Snapdragon 865, não tinha, a despeito de chips menos potentes da mesma leva contarem com o recurso, caso do 765G.

Neste ano a Qualcomm mudou o padrão no nome do seu melhor chip. Pela lógica, deveríamos estar falando do Snapdragon 875, certo? David Ruddock, editor-chefe do site Android Police, tem uma teoria do porquê disso: a China. “Oito é um número da sorte na cultura chinesa e o oito repetido três vezes é considerado um número de boa sorte,” explicou no Twitter. “Eles [Qualcomm] acreditam que isso ajudará a vender mais celulares.” A cerimônia de abertura da Olimpíada de 2008, por exemplo, aconteceu no dia 8/8, às 20h08 (ou 8h08 PM).

Outros detalhes do Snapdragon 888 — e talvez a confirmação ou não da teoria do oito — serão revelados amanhã. Via QualcommEngadget (em inglês).

Início de dezembro sempre nos traz as listas dos mais populares nos serviços de streaming. Nesta terça (1), Spotify e YouTube divulgaram as suas, e é sempre curioso ver como o Brasil sai na foto quando ela é ampla assim, colocando todo mundo no enquadramento.

No Spotify, o top 10 de artistas mais ouvidos só tem brasileiros, sete deles do sertanejo — 1º: Marília Mendonça; 2º: Henrique & Juliano; e 3º: Gusttavo Lima. O podcast mais ouvido do ano na plataforma foi Horóscopo Hoje (do qual eu nunca tinha ouvido falar), seguido pelo Café da Manhã da Folha e, em terceiro, o Primocast, da má-influência financeira Thiago Nigro.

Na lista de “vídeos em alta” do YouTube tem Fla-Flu, youtubers manjados, e-sports e humoristas. E um daqueles canais de vídeos “faça-você-mesmo” de algum país aleatório do leste europeu traduzido automaticamente para o português. Neste ano, devido à pandemia, o YouTube não produziu o Rewind, aquele vídeo-retrospectiva que desde 2010 constrange a todos quando vai ao ar.

A moeda do Facebook ainda não foi lançada, embora haja rumores de que isso possa acontecer em janeiro de 2021. Hoje, ela ganhou um novo nome: diem, em substituição ao libra. A troca é uma tentativa de desvincular a moeda do Facebook e, com isso, apaziguar reguladores, preocupados com os impactos negativos que uma moeda controlada pelo Facebook poderia causar. Via Reuters.

Chocante a história relevada pelo Canaltech, nesta terça (1), de brasileiros que baixaram filmes piratas por torrent e receberam cartas extrajudiciais cobrando R$ 3 mil pelo ato.

Os filmes que motivaram a cobrança foram Hellboy, Invasão ao serviço secreto e Rambo: Até o fim, todos da Millenium Media, baixados entre o final de 2019 e começo de 2020. O escritório de advocacia responsável é o Kasznar Leonardos Advogados, do Rio de Janeiro, que representa a empresa britânica Copyright Management Services.

É grave porque não há qualquer previsão legal para esse tipo de cobrança. E, como mostrado recentemente nesta matéria aqui no Manual, esse tipo de pirataria para consumo próprio, sem intenção de lucro, não é criminalizada no Brasil.

Chama a atenção, também, o papel do Tribunal de Justiça de São Paulo, que determinou à Claro que repassasse uma lista com dados detalhados de +70 mil clientes que baixaram cópias piratas do filme, lista essa compartilhada em uma planilha do Google Drive sem qualquer tipo de proteção.

O advogado Rafael Lacaz Amaral, do Kasznar Leonardos Advogados e um dos responsáveis pela ação, disse ao Canaltech que a indenização de R$ 3 mil tem caráter educativo: “O objetivo é conscientizar as pessoas de que existe um investimento sendo feito na produção e, também, na proteção destas obras, o que acaba levando à responsabilização de quem violou os direitos de autor,” disse. Um assédio flagrante desse tipo parece mais uma tentativa de lucrar com base em intimidação — seria desnecessário dizer, em qualquer outro contexto, que é desproporcional cobrar R$ 3 mil por um filme pirateado que, se muito, custa R$ 15 para alugar.

O Google tem uma votação popular, feita todo ano, para eleger o melhor app para Android. No Brasil, o app escolhido pelo povo foi o Resso. Não conhece? É o streaming de músicas da ByteDance, a dona do TikTok, lançado oficialmente em março. Vai vendo…

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

O Spotify está testando stories em algumas das suas playlists especiais, como a de Natal. Ainda tem app sem stories? Via Engadget (em inglês).

As operadoras de telefonia brasileiras estavam tranquilas com a guerra ideológica quixotesca do governo federal contra a participação da Huawei no 5G do Brasil. Cometeram o mesmo erro de muitos: o de acreditar que a loucura cessaria quando a conta ficasse cara. Mas aí não seria loucura, certo?

Acendeu-se o alerta nas operadoras após a famigerada reunião entre diretores da Anatel e membros do Ministério da Comunicação com o presidente Jair Bolsonaro, na última terça (24), aquela que antecedeu o disparate de Eduardo Bolsonaro no Twitter que gerou uma crise diplomática com a China. Agora, o governo prepara um decreto com base em normas recentes do Gabinete de Segurança Institucional que exclua a Huawei sem citá-la, um esquema manjado em fraudes de licitações.

Com a realidade batendo à porta, as operadoras se manifestaram publicamente em defesa da Huawei. E não sem justificativa: algumas estimativas calculam em US$ 200 bilhões o custo de trocar toda a infraestrutura da Huawei em uso no Brasil por equipamentos de outras empresas, sem falar que exclui-la do 5G encareceria e atrasaria ainda mais a chegada da tecnologia. E ninguém, com exceção da ala ideológica do governo federal, quer isso.

Dia desses, por coincidência, li uma bela definição de ideologia escrita por Judith Williamson no livro Decoding Advertisements, de 1978 (tradução livre):

Só é ideologia enquanto não a percebemos como tal. E como ela se torna “invisível”, o que a mantém oculta de nós? O fato de que estamos ativos nela, de que não a recebemos de cima: nós constantemente a recriamos. Ela opera através de nós, não em nós. Não somos enganados por alguém “enfiando” falsas ideias: a ideologia funciona de maneira mais sutil. Ela é baseada em falsas suposições.

Isso ajuda a entender o raciocínio do atual governo, aquele que se elegeu prometendo governar “sem ideologia”.

Os Estados Unidos, a quem o governo federal do Brasil tenta agradar com a oposição à China e outros movimentos de vassalagem, não mede esforços para prejudicar a Huawei sob a alegação — ainda não provada — de espionagem. Que os mesmos Estados Unidos espionavam a presidente do Brasil há menos de uma década, ninguém diz nada. Via Telesíntese (2).

Alguns sites usam cabeçalhos e/ou rodapés fixos, ou seja, que permanecem visíveis quando o usuário rola a página. Ainda não encontrei uma aplicação boa desse recurso — sempre me incomoda, em parte porque raramente funciona bem.

Para páginas longas, que demandam muitos minutos a serem lidas, tenho à mão o bookmarklet Kill Sticky. Com um clique, ele remove todas as partes fixas de uma página naquela sessão. A instalação é simples — basta arrastar o botão/atalho para a barra de favoritos do navegador — e ele funciona em qualquer navegador. Quando precisar, basta um clique e problema resolvido. Veja o vídeo acima para entender melhor.

A primeira fase do open banking, sistema que promete dar ao usuário poder sobre seus dados em bancos e instituições financeiras para levá-los a concorrentes a fim de obter condições mais vantajosas, deveria começar nesta segunda (30). A pedido do setor, porém, a estreia foi adiada para 1º de fevereiro de 2021. A principal justificativa é que faltou tempo, devido à pandemia e outras regulações, como a do Pix, para adaptar a infraestrutura ao open banking. Via Folha.

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