Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

WikiCity. Mais um modo criativo de navegar (ou sobrevoar) a Wikipédia. Cada verbete é um prédio em uma cidade formada pelos 100 mil verbetes mais acessados da enciclopédia. Aos bélicos de plantão, tem um modo alternativo em que você pilota um avião e pode destruir (?) os prédios/verbetes.

Esta página foi intencionalmente deixada em branco (em inglês). Uma prática do impresso transporta para o digital.

Website Spec. O que um site precisa ter? Este repositório, criado para humanos e “agentes” de IA, faz esse trabalho de compilação e justificativas. A lista é longa!

Jim’s TrueType QR Code Font. Uma fonte real (TrueType/OpenType) que renderiza qualquer palavra entre colchetes como QR Code. Não entendi muito bem, mas funciona (aponte a câmera para o exemplo na própria página) e ainda dá para baixar a fonte nos links do rodapé.

Pac-Hunt. O clássico Pac-Man, mas você é o fantasma em vez do “come-come”.

Olle Watch. Esta empresa desenvolveu uma placa e uma plataforma de software para transformar o clássico Casio A158W em um relógio inteligente. Driblar as limitações da tela é um grande desafio, que eles têm conseguido superar. Um vídeo de terceiros mostrando o relógio com o “coração” da Olle Watch.

TinyRetroPad. Saudades do bom e velho Bloco de Notas do Windows? Aquele que abre rápido e só exibe texto puro? Este aplicativo traz de volta aquela experiência em um executável de apenas 2,73 KB.

Duas fotos de uma publicidade de ponto de ônibus. À esquerda, a normal, com uma mulher usando óculos da Meta. À direita, a mesma mulher em um “raio-x” desenhado, com a mensagem “We're always watching” embaixo.
Fotos: Hyperallergic/Reprodução.

De acordo com o site Hyperallergic, o grupo ativista londrino Everyone Hates Elon (“todo mundo odeia o Elon) fez esta intervenção em um anúncio de ponto de ônibus dos novos óculos de pervertidos inteligentes da Meta criados em parceria com a pessoa famosa Kylie Jenner.

A depender do ângulo da pessoa que vê o anúncio, a foto de Kylie se transforma em um “raio-x” do seu crânio e a mensagem passa a ser lida como “Estamos te observando o tempo todo”. Tipo aquelas “imagens 3D” para crianças.

Tudo nessa história é maravilhoso, do nome do grupo ativista ao vandalismo cirúrgico e a referência nada sutil ao clássico Eles vivem, filme de John Carpenter lançado em 1988, onde um par de óculos especiais revela mensagens subliminares por trás de anúncios publicitários.

O Everyone Hates Elon tem um histórico de intervenções do tipo.

Samsung: ceda seus dados de saúde para treinar a IA ou excluiremos todos eles

Empresas embriagadas de IA gostam de alardear seus milhões ou bilhões de usuários. O que elas não contam é que a maioria é forçada a usar tais recursos. Pense no resumo de IA que a busca do Google retorna, queira você ou não.

A Samsung parece ter avançado nessa tática. Segundo o How-To Geek, o aplicativo Samsung Health vai excluir os dados de saúde dos usuários da nuvem da empresa — impossibilitando a sincronia entre dispositivos —, a menos que eles concordem em cedê-los para o treinamento e modelagem de IAs.

O novo botão de consentimento vem ativado por padrão, fica enterrado nas configurações do aplicativo. Ele exibe esta mensagem quando alguém tenta desativá-lo (tradução livre):

Retirar-se deste acordo?

Você não poderá sincronizar dados de saúde com sua conta Samsung e seus dados de saúde serão excluídos, a menos que sejam retidos de acordo com a lei aplicável. Se a retenção for necessária, nós os excluiremos assim que o período de retenção exigido terminar.

A Samsung coleta quatro tipos de dados no Health:

  1. Saúde e bem-estar: dados biométricos, nutricionais, medidas corporais e de sono.
  2. Medicamentos: incluindo prescrições e dosagens.
  3. Exames clínicos e tratamentos.
  4. Ciclo menstrual.

Uma mensagem no site da Samsung (em inglês) avisa que pessoas podem ter acesso a esses dados para revisá-los.

***

Grande rival da Samsung, a Apple também se prepara para tornar a Apple Intelligence, seu conjunto de ferramentas de IA generativa embebido nos sistemas operacionais, obrigatória a partir das versões 27.

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Três Quatro novos recursos horríveis da Meta em menos de um mês

Este comentário do Bruno, no Bluesky:

Instagram inaugura ferramenta que rouba todo o dinheiro da sua conta bancária e mata sua família. Saiba como desativar 👇

O Instagram (ainda) não faz isso. A brincadeira dele faz referência à notícia recente de que fotos de perfis abertos no Instagram poderiam ser usadas para gerar novas imagens no WhatsApp com a Meta AI, IA generativa da Meta, dona do Instagram. A imprensa repercutiu e destacou nos títulos o “Como desativar”.

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O greenwashing descarado da Ecosia — agora com IA

por David Gerard

Ecosia é um mecanismo de busca que vive alardeando suas credenciais verdes. Na prática, é o Bing repaginado com anúncios próprios por cima. Todo o dinheiro vem desses anúncios.

O grande argumento de venda da Ecosia é que esses anúncios pagam pelo plantio de árvores. Até aí, tudo bem.

Só que a Ecosia tem um extra. Uma IA. Peraí, como assim?

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O LineageOS agora tem um instalador web. O projeto avisa, porém, que ele não faz o processo completo, e que ainda é preciso seguir as instruções da wiki do seu dispositivo. Ainda assim, deverá facilitar um bocado nas grandes atualizações anuais. Na mesma nota, informam que o trabalho no LineageOS 24, baseado no Android 17, está “progredindo lindamente”.

O clube de descontos para quem assina o Manual do Usuário

Um benefício meio oculto (por culpa minha) da assinatura do Manual do Usuário é o nosso clube de descontos.

Não é dos mais robustos, mas foi construído com carinho e atenção, composto por produtos e serviços que uso e/ou recomendo.

O bom do clube é que, se você estiver prestes a comprar ou assinar alguma coisa dali, corre o (bom!) risco do desconto compensar o valor da assinatura do Manual.

Alguns exemplos:

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Limitando não apenas o tempo de tela, mas o espaço de tela  outraspalavras.net

Laura J. Martin (traduzida por Antonio Martins) faz uma reflexão da internet, quase sempre tida como um “não-lugar”, como uma tecnologia que afeta o espaço físico e os nossos corpos (original em inglês):

A conectividade constante acostumou nossos corpos à postura defensiva de rolar a tela, ao movimento involuntário da mão abrindo-se em direção a uma notificação, à onipresença da vibração. O problema não é apenas quanto tempo passamos online. É como nos movemos nos espaços que construímos para a vida online e que tipo de liberdades perdemos.

Se a rede acompanha o corpo pela casa, que espaços podemos construir para permitir que o corpo fique sozinho? O que significaria limitar não apenas o tempo de tela, mas o espaço ocupado pelas telas?

[…]

O problema, começo a pensar, não é apenas usarmos nossos celulares no banheiro. É imaginarmos que socializar, produzir conhecimento, fazer política e ser criativo possa ser feito fora do espaço físico. Cometemos o mesmo erro com a IA generativa que cometemos com a internet, quando a tratamos como um lugar nenhum em vez de um lugar. Deixamos de reconhecer que o virtual opera dentro — e não além — do mundo espacial e material.

Tenho pensado muito nesse assunto, acredito que por influência do pessoal do Tecnosfera, do curso de Geografia da UFPR, de quem me aproximei em 2025.

Nos últimos meses, implementei alguns experimentos na tentativa de expor essa materialidade oculta da internet. Lembro-me de dois:

  • Deixar o celular offline o tempo todo e só ligá-lo quando preciso fazer alguma coisa, invertendo o padrão de conectividade.
  • Dentro de casa, deixar o celular em um cômodo específico, ligado à tomada pelo cabo. Se preciso dele, desloco-me a esse lugar e faço o uso ali. Como eram os telefones fixos de antigamente.

Alguma outra ideia?

Obrigado pela dica, Bruno!

Por que o WhatsApp consome tanta bateria do celular?

A escassez faz aumentar nossa atenção aos detalhes. Reflexo evidente de que convivo com poucas, uma das que têm me intrigado é a minúscula capacidade da bateria do meu celular.

Ela já não era das maiores quando nova e, quatro anos depois, reduzida a ~82% da capacidade original e mais exigida pelas grandes atualizações de software anuais, hoje exige algum planejamento nas vezes em que sei que passarei um longo período longe de tomadas.

Não chega a ser um problema porque trabalho em casa. Ainda assim, às vezes me vejo no papel de babá de bateria.

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Empregos não morrem facilmente  textosobretela.com

Eduf, em seu blog:

Qual é o real salário dos nossos empregos? Significado? Manutenção do teatro social? Gerenciamento de insegurança? O rendimento de alguém pode ser algo tão subjetivo como não passar vergonha e não ser considerado inútil. Mesmo que o emprego acabasse efetivamente, encontraríamos algo similar. Ou “pagaríamos” para tê-lo de volta.

A tecnologia abala apenas o nível econômico — obviamente importante, mas não único. O dia em que máquinas realmente desmontarem os incentivos psicológicos e políticos por trás do trabalho, aí sim, teremos algo que poderemos chamar de morte em vez de “aceleração”.

Em tudo que toca, o “nível econômico” se torna prioritário, hegemônico, totalizante. Gente que pode se dedicar ao que satisfaz, como o Eduf (e eu!), consegue essa quase utopia por uma mistura de teimosia, (muita) sorte e por abdicar — ao menos em parte — do “nível econômico”. E, ainda assim, dinheiro continua sendo uma preocupação constante.

Seria ótimo se a tecnologia acabasse com esse nível econômico. Poderíamos nos dedicar às coisas que nos preenchem e aos trabalhos essenciais de forma não alienante, em vez de encararmos o trabalho como pressuposto para se ter um teto e não morrer de fome.

(Por falar no Eduf, ele encerrou a newsletter Texto sobre Tela, onde o texto que comento foi publicado. Seu blog continua no ar, porém.)