Jellyfin 12

Após várias versões de testes, o Jellyfin 12 foi lançado nesta segunda (7). Esta é a aplicação para o servidor, que outros dispositivos acessam para exibir os vídeos, músicas e outras mídias digitais armazenados. Ela também conta com um cliente acessível pela web.

O versionamento mudou e esta nova tem um punhado de alterações de quebra (“breaking changes”) e cuidados pré-instalação. Super recomendável ler todo o anúncio da nova versão — está em inglês; uma tradução automática deve bastar.

Todos esses obstáculos vão desaguar em muitas correções e melhorias. Nas visíveis, destacam-se o suporte a múltiplas versões de um mesmo episódio, melhorias para livros e quadrinhos digitais e recomendações, suporte a plugins que expandem a pesquisa e o leiaute moderno como novo padrão. O registro de alterações é quilométrico.

Wire Loop 
keithcirkel.co.uk

Dos game shows mais chatos da televisão para o seu computador ou celular, no jogo Wire Loop você precisa levar o disco de um ponto a outro sem tocar no fio, o mais rápido possível. Inclui um criador de níveis.

O Projeto Asahi, que tem por missão viabilizar distribuições Linux em computadores pós-2020 da Apple, anunciou no domingo (6) o suporte à família de chips M3. Ainda há limitações importantes, como a falta de aceleração 3D e a incapacidade de fazer o sistema dormir, mas funciona. Devido a elas, o suporte fica oculto atrás do “modo especialista”.

LibreOffice bate recorde de downloads após declarar não ter recursos de IA

O LibreOffice 26.8, lançado em 26/8, tornou-se a atualização mais popular do software, uma alternativa livre ao Microsoft Office disponível há quase duas décadas. Em uma semana, o instalador foi baixado mais de 1 milhão de vezes — sem contar as atualizações via repositórios de distribuições Linux.

Alguém poderia dizer que as melhorias no sistema de escrita e na tipografia são uma sensação entre ONGs, órgãos governamentais e escritórios que usam o LibreOffice. Coloco as minhas fichas em um “não recurso”, porém: a declaração de que o LibreOffice não traz recursos de inteligência artificial generativa devido à (falta de) privacidade da tecnologia.

Um dia depois de celebrar o recorde de downloads e a ampla repercussão, a The Document Foundation (TDF), que gere o software, detalhou o posicionamento em um post intitulado “Sim, não ter IA é um recurso agora”.

O texto, assinado por Italo Vignoli, diz que a TDF “não rejeita a inteligência artificial de pronto”, mas que a tecnologia ainda não atende a uma lista exaustiva de princípios para ser incluída como padrão. Os tais princípios são:

  • Execução controlada pelo usuário.
  • Nenhum conteúdo pode deixar o computador sem autorização.
  • Sem telemetria de qualquer natureza.
  • Sem dependência de um único fornecedor.
  • Sem comprometimentos ao formato [de arquivos].
  • Totalmente opcional.

Por ora, a TDF recomenda plugins da comunidade para integrar IA ao LibreOffice.

O posicionamento distinto da TDF “não tem quase qualquer relação com a tecnologia”, prossegue o texto antes de cutucar rivais que pularam de cabeça na IA. Para a fundação, a IA “justifica aumento de preços e intensifica a manutenção de todos os documentos dentro da própria infraestrutura” da empresa, que depende da venda de assinaturas.

O detalhamento da The Document Foundation pode decepcionar quem entendeu a declaração no lançamento do LibreOffice 26.8 como um manifesto anti-IA.

Quaisquer que sejam os motivos, o caso do LibreOffice 26.8 responde a uma dúvida que eu e outros temos desde 2023: se todo o mercado agora oferece IA embutida em softwares de toda sorte, será que não há espaço para alternativas *sem* IA se destacarem? Aparentemente, sim.

Após consultar seus advogados, “zedeus”, criador e mantenedor do Nitter, anunciou que o projeto será retomado e as instâncias voltarão a operar em breve. Dentro de uma semana, mais detalhes serão compartilhados.

O Nitter é um “front-end” (interface) alternativa para o X. Em 25/8, o projeto recebeu uma notificação extrajudicial do X e, no mesmo dia, anunciou o encerramento das atividades. Que bom que essa decisão foi revertida. Vai, Nitter!

A semana do Manual (30/8–5/9/2026)

OpenAI: GPT-6 é totalmente uma Inteligência Artificial Geral, caras

por David Gerard

A OpenAI anunciou a mais nova e levemente atualização de seus modelos de chatbot, o GPT-6 Astra.

Trata-se de uma tímida atualização do GPT-5. Quase chamaram de GPT-5.7, mas a Anthropic tem feito um bom marketing do seu novo modelo Fable como um “hacker de bolso”, então a OpenAI precisava fazer barulho.

Ah, e o GPT-6 Astra atingiu a inteligência artificial geral! Aparentemente.

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Novo Audacity 4 parece bom demais

O aguardado Audacity 4.0.0 finalmente foi lançado. A nova grande versão do editor de áudio parece boa demais: uma atualização que moderniza a interface e a experiência de uso, traz novos recursos úteis e tudo isso sem desrespeitar o legado do software.

Digo “parece muito boa” porque ainda não testei, só vi o site (lindão) e o vídeo de apresentação. E gostei do que vi!

As mudanças em ferramentas básicas diminuem o engessamento na edição que existia até o Audacity 3.X. Ações comuns, como arrastar trechos de áudio antes ou depois de outros trechos, a ferramenta “gain envelope” e a novíssimas ferramenta de divisão (“split tool”) economizarão muitas horas na vida de quem trabalha com áudio no Audacity.

A interface ficou bonitona, algo inédito na história do Audacity. O novo padrão é escuro, alinhado à categoria de softwares de edição multimídia, mas os tradicionalistas têm um tema baseado no do Audacity 3.X como alternativa. Ícones bonitos, apresentação de filtros redesenhada e pré-definições de leiaute (“workspaces”) completam o pacote.

Debaixo do capô, o Audacity 4.0.0 migra para o framework Qt 6, o que ajuda na modernização da interface e deixa o software mais “em casa” em sistemas operacionais modernos. A retrocompatibilidade com projetos do antigo Audacity está garantida. É difícil encontrar pontos negativos nesta atualização. Espero manter essa opinião após passar um tempo mexendo nela.

O Audacity 4.0.0 continua livre e de código aberto (licença GPLv3) e disponível para Linux (AppImages para x86 e ARM), macOS (Apple Silicon e Intel) e Windows (x86 e ARM). Baixe-o aqui.

Gráfico satírico mostrando a relação entre posts em um blog e posts sobre a configuração do blog em blogs.
Gráfico: Rakhim Davletkaliyev/Reprodução.

Sempre dou risada com esse gráfico do Rakhim Davletkaliyev (em inglês). O eixo Y traz a quantidade de posts em um blog; o X, a quantidade de posts sobre configurações elaboradas de blogs (pense na galera que usar gerador estático de sites ou, pior, desenvolve um próprio).

Vejo-me ali no topo do eixo Y, começo do X: “Configuração de WordPress de 2004”, mesmo este Manual sendo um pouco mais novo (2013).

Homem faz uma pseudo-distro Linux exclusivista em vez de terapia

Eu evito dar palco para gente esquisita (no mau sentido) aqui no Manual. Abro a exceção para linkar um post de julho do DHH, dinamarquês sócio da 37Signals (do Basecamp), criador do Omarchy e de um blog cheio de ideia errada sobre imigrantes e pessoas não brancas.

Ele materializou o meme do “homens fazem [ação estúpida e/ou difícil] em vez de terapia”. Literalmente. Este homem fez uma pseudo-distro Linux exclusivista em vez de terapia. E se orgulha disso! Tá lá no blog dele:

Estudos mostraram que o exercício, por exemplo, é um tratamento mais eficaz do que a terapia (e produtos farmacêuticos!) para lidar com tais episódios [depressivos]. Mas estou mais interessado no papel que a construção de competências pode ter em afastar os demônios.

E, em parte, por causa deste meme.

Já falei disso antes, mas continuo voltando ao fato de que a ordem é ao contrário. Que se engajar em uma busca educacional no Linux, em história ou no reparo de motocicletas é, na verdade, uma alternativa incrivelmente eficaz à terapia!

Parabéns pela descoberta, DHH, continue assim. Claramente está funcionando.

DHH voltou aos holofotes por ter levantado US$ 12 milhões de outros figurões da tecnologia para uma fundação meio suspeita criada em torno do Omarchy, o que gerou reações negativas de funcionários e clientes das empresas envolvidas, como a 1Password.

Um truque legal da extensão e aplicativos do Wallabag

Escolher um serviço do tipo “para ler depois” implica em escolher certos recursos. O nosso Readeck é sensacional na web e tem aplicativos para Android e iOS bem ruins. O Wallabag, que aposentamos no PC do Manual devido à redundância, tem uma versão web chinfrim e aplicativos ruins, mas o do Android funciona é menos pior que o do Readeck. E funciona suave em telas E-Ink.

Por isso, quando recebi meu tablet Android com tela E-Ink, subi uma instância do Wallabag no servidor de casa e passei a usá-lo. Abri mão da versão web bonitona do Readeck para ter um aplicativo para Android decente. Escolhas.

O uso contínuo do Wallabag revelou algumas surpresas que desconhecia. A melhor delas está nos aplicativos.

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Airplane Mode, um simulador de voo comercial em tempo real 
games.amc.com

O gênero “simuladores” nos video games é bastante prolífico, o que implica num punhado de jogos que simulam atividades um tanto monótonas. Vide Airplane Mode, um simulador de voo de um ponto de vista inusitado: você é um passageiro que embarca em um voo comercial de seis horas, em tempo real, na classe econômica. O vídeo de divulgação parece um paródia — mas o jogo é real. Para macOS e Windows.

Filtro contra ligações indesejadas na Vivo é liberado de graça para todos os clientes

Em 17 de agosto, a Anatel publicou um despacho decisório (nº 82/2026) com diretrizes para sistemas de bloqueio contra ligações indesejadas no nível da rede. Um bom resumo no TeleSíntese.

Até então e ainda hoje, a Vivo é a única das quatro grandes operadoras que atuam no Brasil que conta com o recurso, que, com a decisão da agência reguladora, passou a ser gratuito. A operadora usa uma tecnologia padronizada que funciona tão bem que órgãos e empresas legítimos tiveram problemas devido à má implementação das suas centrais telefônicas.

O anti-spam da Vivo foi ativado automaticamente para todos os clientes. Se por acaso a sua linha não tiver sido contemplada, ative-o manualmente seguindo este guia do Tecnoblog.

ReKindle 
rekindle.ink

Um site recheado de serviços para ser acessado pelo Kindle e outros tablets com tela E-Ink. Basta abrir o site para notar o porquê do direcionamento a essas telas. Tem até jogos! (Alguns serviços dependem de assinatura.)