Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

Como diamantes são feitos? Uma história interessante (em inglês) em um site lindíssimo. Dica: segure o dedo ou cursor sobre o diamante 3D para movimentá-lo.

É hora de falar do meu writerdeck (em inglês). Veronica pegou um notebook antigo e o transformou em uma máquina de escrever digital desconectada da internet. (Se preferir, tem em vídeo também.)

Is AI profitable yet? Um monitor dos gastos e receita das empresas de IA de vanguarda. É uma corrida do ouro: a única lucrativa é a que vende pás e picaretas (Nvidia).

Placedog. Um banco de imagens livres do bicho de estimação favorito de todo mundo: cachorros[carece de fonte].

Historic WordPress. Cópias do painel administrativo e do tema padrão das primeiras versões do WordPress, incluindo o wp-admin mais bonito de todos (2.5).

Kill Yr Substack. Uma extensão que substitui links do Substack (incluindo de domínios próprios) por cópias salvas no Archive.org. Para Chrome e Firefox; instalação manual.

Markerhighlight.js. Uma biblioteca JavaScript para gerar marcações em textos. Marcações do tipo analógicas mesmo — destacar com marca-texto, circular em vermelho etc.

WhatCable. Aplicativo gratuito e FOSS, para macOS, que identifica as características de cabos USB-C e as exibe em inglês coloquial. (Você sabia que cabos USB-C variam muito? É mais um padrão não padronizado.)

Escolhas do editor

Na abertura da Build 2026, a Microsoft fez jus à natureza do evento — focado em desenvolvedores — e anunciou, entre outras coisas, um punhado de novidades para tornar o Windows 11 mais palatável a esse público. A linuxificação do Windows segue a pleno vapor, agora com coreutils nativo e suporte a contêineres no Windows Subsystem for Linux (WSL). De resto, muita coisa envolvendo “agentes” de IA — o grande tema deste ano —, incluindo suporte nativo ao OpenClaw.

1 ano com Dvorak e reflexão sobre sistemas racionais  danielysilva.com.br

A Daniely está aprendendo a digitar em um teclado padrão Dvorak, que se supõe mais racional, embora — como ela aponta — decisões racionais sempre carreguem um quê de emoção:

É muito difícil testar uma proposta alternativa e racional, justamente por não ter sido largamente adotada. A escolha de uma alternativa sempre envolve um novo padrão que prevalece sobre outras propostas; a exemplo, alternativamente ao Dvorak, há o Colemark e o Nativo, que se propõem ainda mais racionais, ao passo que ao Esperanto há o Ido e a Interlingua. Portanto, escolher uma alternativa racional é também uma decisão emocional, que pode envolver a coesão, a disponibilidade e a narrativa contada pela proposta.

Costumo resistir a mudanças drásticas. Aproveito o tema para compartilhar como fiz as pazes com o teclado do notebook, em QWERTY mesmo (“como nossos pais”).

Durante muito tempo tive aquela pira de digitar mais rápido, de usar (ou sonhar acordado) com teclados mecânicos, toda aquela paranoia induzida por sites e canais de “produtividade”.

Desesncanei quando me dei conta que o que eu faço não é digitar, é divulgar ideias. A digitação é apenas o meio que tenho à disposição para tal. Não há vantagem em digitar rápido e eu nem digito tanto a ponto de justificar investimentos de tempo, dinheiro ou esforço nisso.

Foi aí que aposentei o teclado mecânico e voltei ao do notebook — mesmo quando estou usando o monitor externo.

Até toparia brincar com um Dvorak, mas com a mesma despretensão com que aprenderia um novo idioma: não para substituir o português, mas sim pela curiosidade e eventuais acidentes felizes no desenvolvimento de uma nova habilidade.

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Wipr 2 expande o bloqueio de anúncios do Safari para todos os outros apps

Ícone do Wipr 2.O Wipr 2, bloqueador de anúncios para o Safari criado pela Kaylee Serena (o que eu uso), ganhou um novo recurso que expande seu funcionamento por todo o sistema, o Filtr.

Desenvolvido ao longo dos últimos dez meses, ele faz uso de uma nova tecnologia da versão 26 dos sistemas operacionais da Apple, o Filtro de URL. Segundo Kaylee, ela permite “bloquear requisições da rede em todo o sistema sem acessar o tráfego da rede e com mais detalhamento que soluções antigas”. Ela diz que trata-se do primeiro aplicativo a fazer uso do Filtro de URL.

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Acessos ao buscador sem IA do DuckDuckGo triplicaram desde o Google I/O

Desde o anúncio do Google da “maior reformulação da caixa de busca da sua história, no dia 28/5, os acessos à variante sem IA do buscador do DuckDuckGo (DDG) triplicaram — e continuam aumentando, segundo a empresa.

O endereço é noai.duckduckgo.com. Se preferir, há extensões gratuitas para Chrome e Firefox.

O DuckDuckGo convencional pode ser configurado como um buscador sem recursos de inteligência artificial. Para isso, acesse as configurações de IA e desmarque as três opções.

Não é como se o DuckDuckGo fosse uma empresa anti-IA. O buscador tem um equivalente ao “AI Overviews” do Google, o Search Assist, que por padrão aparece “às vezes”, ou seja, “quando é altamente relevante” segundo critérios não divulgados.

Outra iniciativa em IA é o Duck.ai, uma interface para grandes modelos de linguagem (LLMs) de terceiros: Anthropic (Haiku 4.5), OpenAI (GPT-5 mini, GPT-4o mini e gpt-oss 120B), Meta (Llama 4 Scout) e Mistral (Small 4). O diferencial dessa interface é uma configuração mais privada. As conversas são anonimizadas pelo DDG, a retenção do conteúdo é limitada e elas não são usadas para treinar modelos de IA.

FIB16 em Belém (PA): Um passeio visual

Tive a oportunidade de participar de mais uma edição do Fórum da Internet no Brasil, o FIB16, desta vez em Belém (PA). O evento, organizado pelo NIC.br, reúne pessoas de diferentes setores para debater assuntos quentes e/ou importantes relacionados à internet no país.

O meu FIB16, porém, foi um pouco diferente. A exemplo da edição passada, em Salvador (BA), vim aqui contratado pelo NIC.br para conduzir o podcast de entrevistas Nós da Internet. Optei por ficar menos dias desta vez, o que adensou o cronograma das entrevistas e me privou de acompanhar as mesas. (Dica que vale para mim: todas foram transmitidas e estão disponíveis no YouTube.)

Para não passar o evento em branco neste Manual, pensei em registrar em fotos os ambientes e momentos do FIB16 e os bastidores do Nós da Internet.

Fazia muito tempo (mesmo) que não fotografava qualquer coisa além de eventos familiares. Ignorem ângulos estranhos, luzes estouradas e cores esquisitas. Notei que esqueci tudo que sabia de fotografia — o que, verdade seja dita, nunca foi muita coisa.

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IPO da SpaceX funciona como uma fraude de criptomoeda, porém com IA

por David Gerard

colaborou Amy Castor

Já vimos esse filme antes.

Antes da nossa guinada para IA, escrevemos sobre fraudes de criptomoedas. Uma oferta inicial de moedas criptográficas (ou “criptos”) começa com um white paper cheio de baboseiras impossíveis. Ninguém se importa porque toda a proposta de valor é “número que sobe”.

A cripto é lançada, o preço dispara e os insiders fazem uma puxada de tapete (“rug pull”), despejando suas participações nos otários e derrubando o preço, depois sumindo com o dinheiro. Os investidores iludidos terminam segurando a batata quente.

A SpaceX está fazendo uma fraude estilo criptos, mas no mercado de ações real. O documento S-1 é o white paper. O IPO, marcado para meados de junho, é a puxada de tapete.

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A minha mochila no FIB16, em Belém (PA)

Um pedido: Seções como esta, das mochilas, dependem da participação de quem lê o blog. Mande a sua. Não usa mochila? Mande a sua mesa de trabalho e/ou a tela inicial do seu celular. Quer ver mais mesas? Acesse o arquivo.

Durante o Fórum da Internet no Brasil (FIB16), em Belém (PA), carreguei uma mochila ao centro de eventos com itens básicos para passar o dia lá, fazer o trabalho que foi contratado para fazer e, quando sobrou algum tempo livre (o que foi raro), dar uma olhada neste Manual do Usuário.

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Indigo une Bluesky e Mastodon no mesmo aplicativo

Ícone do aplicativo Indigo: roxo, com um círculo branco no meio e o topo da letra “i” recortado dentro do círculo.Tive a oportunidade de experimentar o Indigo antes do lançamento — no último dia 12 —, um aplicativo de rede social que unifica as linhas do tempo do Bluesky e Mastodon.

A dupla de desenvolvedores, Aaron Vegh e Ben McCarthy, tem experiência no assunto. É deles também o aplicativo Croissant, mais antigo, que permite publicar ao mesmo tempo no Bluesky, Mastodon e Threads. Vistos em conjunto, é como se o Indigo fosse uma evolução do Croissant — também dá para postar no Bluesky e no Mastodon ao mesmo tempo pelo Indigo.

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Como desativar os novos recursos de IA do WordPress 7.0

A principal novidade do WordPress 7.0, lançado nesta quarta (20), seria a colaboração em tempo real. Já na reta final, após as versões beta, Matt Mullenweg, líder do projeto, adiou o recurso e promoveu a integração com LLMs a destaque da versão.

(A liderança do Matt foi um show de horrores, com adiamentos, novas demandas com prazos surreais e, como sempre, muitos dedos apontados. “O que há de errado com o WordPress?”, pergunta-se a única pessoa com poder para mudar os rumos do WordPress.

Se você não vê valor ou teme uma infusão de IAs generativas em seu site, blog ou loja virtual (um receio plausível, devo dizer), felizmente há como desativar toda essa nova parte de IA. Se tiver acesso ao arquivo wp-config.php, adicione esta linha:

define( 'WP_AI_SUPPORT', false );

Se o arquivo estiver fora do seu alcance, instale o plugin Turn Off AI Features.

Você não imagina o meu alívio em acompanhar essa novela do lado de fora. No início de maio, migramos este Manual do Usuário para o ClassicPress, uma tábua de salvação que descobri em 2022 e que, seis anos depois, segue firme e forte. Como não amar a ideia do software livre?

Cobrança de tokens no GitHub Copilot aumentará custos em até 150 vezes

por David Gerard

Há anos sabemos que os fornecedores de chatbots de IA operam com grandes perdas. A OpenAI gastava US$ 2,35 para cada US$ 1 de receita em 2024, e só piorou desde então. A Anthropic continua aumentando seus preços. Sabíamos que um dia os preços subiriam bastante.

Mencionamos em abril como a Microsoft estava migrando todos os clientes do GitHub Copilot para a cobrança por uso.

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Ainda pensando no Google I/O

O Google apresentou “agentes de IA” capazes de fazer o trabalho da pessoa em inúmeros cenários, nenhum deles muito crível para gente de verdade. (Quem precisa de IA para organizar uma festinha na rua?) No TechCrunch, Sarah Perez assina uma boa crítica dessa utopia questionável que o Google tenta nos vender.

Do meu lado, penso que estamos vivemos um “Dia da Marmota” daquele recurso do Google Now, de ~2012, que avisava via notificação que o portão de embarque de um voo havia mudado. Como se essa informação não estivesse na sua cara o tempo todo dentro de um aeroporto. Há 15 anos o Google usa diferentes tecnologias, cada vez mais complexas e caras, para tentar sanar problemas com que nenhum ser humano jamais se deparou.

Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

Singularity (6min31s). O novo curta dos estúdios Blender, do renomado editor 3D de código aberto. Achei bonitinho.

The AI Resist List (em inglês). Um banco de dados de iniciativas de resistência contra o império da IA. Entre os criadores do site está a jornalista Karen Hao, que está lançando no Brasil seu último livro, O império da IA, pela editora Rocco.

Fits on a floppy. Um manifesto para softwares pequenos (no sentido de: ocupam pouco espaço na memória). A página em si traz um joguinho semi-oculto em que você tem que clicar nos disquetes voadores. Para quem tem menos de 30 anos, “disquetes” são os botões de salvar. Dica do Rafael.

Cidades paralelas. Literalmente quais cidades estão na mesma latitude. Um salve à galera de Pretória (África do Sul) e Windorah (Pretória), “vizinhas” de latitude de Curitiba.

Mapa-múndi em hexágonos. O mapa é dinâmico e renderizando com um código de apenas 10 KB.

Weather Replay. Um histórico da previsão do tempo no mundo todo, desde a década de 1940, com base em dados do observatório Copernicus, da União Europeia. (Funciona em cidades brasileiras e de qualquer outro país também.)

Where Now? Uma espécie de “Foursquare pessoal”, este app marca os pontos de interesse onde você esteve — e tudo local. As marcações podem ser manuais ou automáticas. Gratuito, para iOS.

Sabe qual o custo manter o Manual do Usuário no ar?

Ao longo dos anos, fui enxugando os custos operacionais do Manual do Usuário por necessidade e também porque gosto de eficiência onde ela faz sentido. (E economizar sem prejuízos quase sempre faz sentido, né?)

Hoje, o gasto mensal para manter o site rodando é de ~R$ 100. Sim, cem reais. A maior parte dele se refere a becapes e o restante são renovações de domínios. E… bem, é só isso mesmo.

(Há, evidentemente, gastos variáveis, como os impostos de ações publicitárias e investimentos para viabilizar ideias malucas. Eu gosto de ideias malucas.)

Todo o resto da receita do Manual é gasta com pessoas. Vem daí o meu “pró-labore” e contribuições para quem ajuda a manter o projeto no ar.

Para você ter uma ideia, 68% dos gastos nos últimos seis meses foi para comissões pagas a essa galera linda que faz o projeto acontecer. E toda essa grana veio das assinaturas pagas por, no momento, cerca de 320 pessoas.

***

Por isso, estou pedindo mais uma vez para que, caso você esteja com uma folga no orçamento, considere assinar o Manual. Além de ajudar na manutenção do projeto, você ainda recebe alguns mimos. (O link deste parágrafo detalha as vantagens de quem assina.)

Só existe um plano: a partir de R$ 9/mês ou R$ 99/ano. Se quiser contribuir com mais, agradeço muito. Se ficar no mínimo, agradeço igualmente.

Para assinar na periodicidade mensal, escolha um dos três planos/valores nesta página e proceda com o pagamento. O sistema aceita cartão de crédito, Apple/Google Pay e boleto bancário.

Para fazer a assinatura anual, envie um Pix de pelo menos R$ 99 para a chave pix@manualdousuario.net, colocando o seu e-mail na mensagem, para estabelecermos contato.

E, importante dizer, você pode cancelar a assinatura a qualquer momento, sem dar justificativa. Se tiver dificuldades, eu te ajudo.

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Se a grana anda curta e você não pode assinar no momento, tudo bem também. O Manual nasceu e morrerá como uma publicação aberta a todos, sem paywall nem discriminação com leitores não pagantes.

Muitíssimo obrigado pela força!

PS: Se você tem um site de conteúdo e se interessou por esse custo mensal baixíssimo, a Célere, agência da qual sou sócio, faz exatamente esse (e outros) trabalho de otimização. Fale com a gente.

Google quer ser a interface para a web

A abertura do Google I/O deste ano (vídeo-resumo de 35 minutos) mostrou um Google menos envergonhado no processo de transformação da web em insumo para suas IAs.

A busca virará (ainda mais) um ChatGPT turbinado, e também o balcão de todas as lojas virtuais, e o YouTube usará fragmentos de vídeos para criar páginas com respostas.

Note que em todas essas novidades, o Google/YouTube se transforma em curador e interface do conteúdo da web, sem atribuição ou com o mínimo necessário. Você não acessará mais sites, você acessará o Google — e lá ficará. Do outro lado da mesa, quem se diz “produtor de conteúdo”, é na verdade fornecedor de conteúdo para plataformas. Sempre foi para a Meta (Instagram), o TikTok e o YouTube; agora o é também para o Google, mesmo que involuntariamente (eu!).

Tudo isso consiste em uma uma traição total de tudo que o Google já representou (e foi) um dia. Talvez as pessoas gostem porque a web, coitada, já sofre há muito com os incentivos perniciosos e a influência destrutiva do próprio Google, mas nada é tão ruim que não possa piorar.

Em tempo: o PC do Manual oferece o SearxNG, um meta-buscador web que mostra dez (ou mais) links azuis de sites da web. É de graça. Use e divulgue.