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Post livre #296

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha na segunda-feira ao meio-dia.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Jornalistas de todo o Brasil dão as mãos em campanha de financiamento

Produzir e distribuir jornalismo de qualidade em redes digitais depende de financiamento. E para encurtar a distância entre quem pode contribuir financeiramente e quem precisa desses recursos para fazer jornalismo no Brasil, 26 organizações independentes de todas as regiões do País estão unidas pelo segundo ano em campanha no Dia de Doar para o Jornalismo. A data tem como objetivo estimular a generosidade e inspirar pessoas a doar para aquilo o que elas acreditam.

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quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Metáfora do corpo e da presença

Nossas relações sociais, emoções, experiências e percepções sobre o mundo são constantemente remodeladas por bilionários. Estes delimitam novos espaços a serem habitados, assim como ampliam o repertório do que entendemos como “presença”. Nossos modos de existir, seja em gravidade zero ou a partir da ausência de carne e osso, são atualizados por quem detém recursos de produção tecnológica de ponta — fenômeno que ocorre com mais intensidade nos últimos anos.

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De volta ao Android (agora sem Google)

Abri os arquivos do Manual do Usuário para recuperar algumas datas. O último celular Android que testei com meu número pessoal foi um Galaxy S5 New Edition, em janeiro de 2016. O último Android em que dei uma olhada foi um Moto G7 Play, em maio de 2019. Faz uma semana que, após quase seis anos usando apenas iPhone no dia a dia, voltei a usar um Android, mas não qualquer Android: é um sem o Google, ou “degoogled”.

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Twitter testa botão “não curti”

O Twitter está trabalhando em um botão “não curti”, similar aos do Reddit e YouTube. A pesquisadora Jane Wong flagrou a tela de apresentação do recurso no app do Twitter e, pelo que se lê ali, a abordagem pega características do YouTube (não exibe o total de votos negativos) e do Reddit (em vez de um joinha para baixo, o botão deve ser uma seta).

O Twitter explica que os votos não são públicos e o autor do post não fica sabendo quem desaprovou sua obra. O objetivo, ainda de acordo com a rede social, é ajudá-la a “priorizar conteúdo de mais qualidade a você — e a todos no Twitter”. Como é um teste que sequer foi confirmado oficialmente pelo Twitter, ninguém sabe quando ou mesmo se esse recurso chegará ao grande público. Via @wongmjane/Twitter (em inglês).

WhatsApp Web ganha editor de figurinhas nativo

Se você tem um computador e gosta de fazer figurinhas para o WhatsApp, boa notícia: o Facebook implementou um editor de figurinhas direto no WhatsApp Web. (Ele chega também aos apps para macOS e Windows na semana que vem.) Para ativá-lo, clique no ícone do clipe, selecione Figurinha e escolha uma imagem salva no seu computador. Via G1.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

O novo Winamp vem aí

Mencionei o retorno do Winamp na última Achados e perdidos, e acho que vale retomar o assunto antes da ~revelação para comentar o site institucional do app.

O site é a antítese do que o Winamp era e o motivo da sua adoração. O app clássico era rápido, ágil, direto ao ponto. Esse site é lento e sequestra a rolagem do mouse. A primeira impressão é péssima. Pelo menos ainda dá para baixar a última versão do Winamp clássico (5.8).

O que você leu de bom?

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Suécia quer proibir mineração de criptomoedas na UE para atingir metas do Acordo de Paris

As autoridades máximas de regulação financeira e ambiental da Suécia pediram, em carta aberta, para que a União Europeia proíba a mineração de criptomoedas que operam na lógica de “proof of work”, como bitcoin e ether, a fim de que as metas do Acordo de Paris sejam atingidas pelo bloco continental.

Entre abril e agosto deste ano, o aumento no consumo energético na Suécia para minerar criptomoedas foi de “várias centenas de por cento” e já equivale ao consumo energético de 200 mil casas, escreveram na carta Erik Thedéen, diretor da Autoridade Supervisora Financeira da Suécia, e Björn Risinger, diretor da Agência de Proteção Ambiental do país.

O aumento se explica por dois fatores. Primeiro, o banimento da mineração na China, que era um polo de “produção” de cripmoedas. Segundo, pela farta oferta de energia renovável a preço baixo dos países nórdicos.

A reclamação da Suécia põe em xeque um argumento comum dos pró-criptomoedas, de que não há problema no consumo excessivo de energia desde que ela venha de fontes renováveis. Erik e Björn explicam que a mineração representa um “custo de oportunidade”, pois a energia que poderia ter usos na indústria, em transportes ou doméstico é desviada para o bitcoin e outros criptoativos. Via Euronews (em inglês).

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Lei mais rígida contra a big tech avança na Europa

Um comitê do Parlamento Europeu aprovou na manhã desta terça (23) o rascunho de uma série de novas regras, o chamado Digital Market Act (DMA), a fim de regular a atuação das grandes empresas de tecnologia classificadas como “porteiras” (“gatekeepers”). O objetivo é oxigenar a competitividade no setor e impedir que as grandes empresas esmaguem rivais — como têm feito até agora.

Há várias coisas boas ali. A Electronic Frontier Foundation, com poucas ressalvas que devem ser resolvidas durante o processo legislativo, gostou do que leu. Destaques:

  • Proibição de segmentar anúncios com base em dados pessoais salvo com o consentimento explícito do usuário. Para menores de idade, a proibição é total.
  • Mecanismo que proíbe empresas “porteiras” de fazer aquisições de empresas nascentes que podem se transformar em rivais no futuro.
  • Interoperabilidade de dados entre aplicativos de mensagens e redes sociais. (Aquilo que comentei nesta coluna.)
  • Multas que podem chegar a 20% da receita global da empresa em caso de descumprimento do DMA.

A definição de empresa “porteira” consiste em faturar pelo menos € 8 bilhões por ano na Área Econômica Europeia e ter valor de mercado de € 80 bilhões ou mais; oferecer um serviço de plataforma em pelo menos três países europeus e ter no mínimo 45 milhões de usuários; e ter mais de 10 mil negócios como clientes. O texto diz que os critérios não são exaustivos, e que a Comissão Europeia poderá classificar outras empresas como “porteiras” quando elas “atenderem certas condições”.

Todas as culpadas habituais se encaixam aí: Alphabet (do Google), Facebook, Apple, Amazon, Microsoft. Também deve sobrar para plataformas de varejo, como Zalando e Alibaba, e marketplaces como o Booking.com, segundo a Bloomberg.

Com o consenso alcançado, agora o DMA será redigido em forma de lei e levado ao plenário, em dezembro. Correndo tudo bem, já no início de 2022 começará a negociação com os estados membros da União Europeia e com a Comissão Europeia. Via Parlamento Europeu (em inglês), EFF (em inglês), Bloomberg (em inglês).

Ex-engenheiro do Facebook explica por que levar a criptografia de ponta a ponta ao Messenger e Instagram é uma ideia ruim

Em 2019, o Facebook anunciou que levaria a criptografia de ponta a ponta, até hoje presente apenas no WhatsApp, a seus outros mensageiros — Instagram e Messenger — em 2022. Nesta segunda (22), a empresa avisou que a mudança levará mais tempo e só será implementada em 2023. Motivo? Para “fazer a coisa direito”, segundo Antigone Davis, diretor global de segurança do Facebook. Grupos de defesa da criança alegam que a mudança dificultará o combate ao assédio e outros abusos contra menores que ocorrem nessas plataformas. Via BBC News (em inglês).

No Twitter, David Thiel, ex-engenheiro de segurança do Facebook (trabalhou lá entre setembro de 2015 e março de 2020), deu uma (agora não tão rara) visão de dentro. “A direção decidiu mover todas as mensagens dentro das propriedades do Facebook em um sistema E2EE [criptografado de ponta a ponta] em um cronograma absurdamente acelerado. […] O esforço foi anunciado sem qualquer ‘roadmap’ de como alcançá-lo”, escreveu.

Nessa época, disse David, os sistemas automatizados do Facebook para coibir assédio e abusos contra menores “estavam operando com efetividade menor que 10%”. “Estava claro que a maior parte dos estragos escapava da detecção”, disse Thiel. A direção do Facebook sabia disso e mesmo assim avançou, o que levou a demissões na equipe de segurança infantil. “É um trabalho inimaginavelmente difícil e a perspectiva de piorar 90% nele é super desmoralizante”, disse.

David demonstra o caráter apressado do anúncio com a falta de direcionamento (qual sistema/tecnologia usar?) e a indiferença aos desafios peculiares de cada plataforma. O WhatsApp, que tem criptografia de ponta a ponta desde 2016, é um serviço muito diferente do Messenger e do Instagram. Vale uma citação completa aqui:

O WhatsApp não recomenda pessoas para fazer amizade e interagir. Ele não hospeda grupos secretos de tamanho infinito. Ele não oferece uma pesquisa global de cada usuário. Ele não agrupa pessoas por localização ou instituições como escolas.

Enquanto isso, o Facebook tenta pegar redes sociais existentes, fundi-las e criar novas. Isso levou a situações absurdamente inapropriadas (incluindo, literalmente, recomendar vítimas a seus abusadores), em particular quando combinado à sincronia de contatos [do celular] e ao rastreamento de pixels “offsite” [em outras propriedades que não são do Facebook].

Colocar a criptografia de ponta a ponta sem mudar o modelo sempre foi uma ideia ruim. Então é óbvio que ela foi adiada, e continuará sendo. Ninguém — defensores da privacidade ou da segurança infantil — deveria se contentar com as coisas como elas estão.

David se diz favorável à criptografia de ponta a ponta, mas quando o objeto muda de uma plataforma de conversas privadas entre pessoas conhecidas para um modelo de rede social, seu entusiasmo se enfraquece. “Esses sistemas [criptografados de ponta a ponta] são mais seguros e funcionam melhor quando separados da descoberta, dos algoritmos de recomendação e dos incentivos do marketing.” Via @elegant_wallaby/Twitter (em inglês).

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