Gab, a rede social dos conservadores, testa os limites da liberdade de expressão

Sapo mascote da rede social Gab.

Uma rede social recém-lançada chamada Gab vem ganhando manchetes por promover a liberdade de expressão sem limites e se posicionar como um refúgio àqueles desconfortáveis com as políticas de convivência de outras redes sociais, em especial o Twitter. Manual do Usuário conseguiu acesso (no momento, apenas mediante convite) e foi conferir o que rola lá dentro.

Por dentro do Gab

Por duas semanas, o Manual do Usuário acompanhou alguns perfis mais populares, inclusive de brasileiros (que ainda são poucos), a fim de entender o que se passa no Gab. As mensagens que você verá espalhadas ao longo da reportagem foram colhidas nesse período.

O funcionamento é simples e lembra muito o Twitter, só que com um limite de caracteres maior (300 contra 140) e botões para promover ou afundar conteúdo — upvote e downvote, como no Reddit, outra rede social já estabelecida.

Segue-se outros perfis e se é seguido a exemplo do Twitter, ou seja, de forma assíncrona. Há replies (respostas às mensagens de outros participantes) e suporte a GIFs, via um botão do Giphly, mas não ao envio de imagens, nem mesmo estáticas, a partir do dispositivo do usuário.

Outra curiosidade notada é que muitos participantes brasileiros não usam o Gab com regularidade. Perfis populares no Twitter e que já contam com uma base de seguidores considerável no Gab às vezes passam dias, até semanas sem atualizações. Pode ser a falta de um app, porém. No momento, o Gab só funciona via web.

Página inicial da rede social Gab.

Ao propor uma liberdade de expressão sem limites, o Gab joga para os usuários a responsabilidade de lidar com abusos. São oferecidos filtros de palavras-chave e de usuários a fim de eliminá-los da sua experiência na rede. Além disso, as poucas diretrizes proíbem apenas pornografia, ameaças de violência e terrorismo e a divulgação de informações pessoais alheias sem consentimento (“doxing”). Ignorá-las pode resultar em suspensão e até banimento.

No geral, é um site… ok, redondo, bem feito e com atualizações regulares, anunciadas pelo perfil @gab. E que parece estar crescendo organicamente: em pouco mais de dois meses no ar, já conquistou o interesse de 100 mil pessoas, boa parte ainda aguardando um convite, e chegou à marca de um milhão de mensagens publicadas, ou “gabs”, como são chamadas ali.

Mensagem ofensiva publicada no Gab.

Há muito a parte técnica deixou de ser uma barreira para quem deseja se aventurar com uma nova rede social. Ello e Peach, para citar duas recentes, exemplificam a verdadeira dificuldade atual: engajar e manter as pessoas usando o produto depois que o fator novidade acaba. Quais as cartas na manga do Gab para não ter o mesmo destino dessas duas, já esquecidas pela maioria?

Os limites da liberdade de expressão

O Gab foi criado pelo norte-americano Andrew Torba. Simpatizante das ideias de Donald Trump, ao BuzzFeed ele justificou sua rede pelo fato de que as outras estabelecidas, especialmente Twitter e Facebook, teriam inclinação política à esquerda e, assim, dariam tratamento diferenciado ao que é notícia e às classificações do que é assédio e quais assuntos são tendência, cerceando a liberdade de expressão.

Mensagem ofensiva publicada no Gab.

Em alguns aspectos, é uma acusação curiosa. Entre todos os problemas do Twitter, um dos mais graves é a sua incompetência (ou o descaso) em lidar com as inúmeras denúncias de discursos de ódio, assédio, agressões e ameaças. Se você defende alguma causa minoritária e entra na mira de um grupo conservador, a rede pouco faz para protegê-lo. E, sendo parte da situação, seja como plataforma ou mediadora, é algo que se espera dela.

No Facebook existe uma atenção maior a esse aspecto, mas ela é inconsistente. Algumas semanas atrás, o Gizmodo norte-americano denunciou que os tópicos de tendência, recurso presente apenas em alguns países, estariam sendo manipulados nos Estados Unidos por editores humanos a fim de suprimir notícias favoráveis ao candidato republicano à presidência Donald Trump. Paralelo e anterior a isso, temos a controversa política de conteúdos proibidos, que deixa passar páginas repletas de discursos de ódio contra pessoas ou grupos, mas é implacável com a veiculação de mamilos femininos.

A premissa do Gab está na liberdade de expressão sem limites. Falar da rede é tocar nesse assunto, invariavelmente. Isso dificulta a abordagem, pois trata-se de tema mais amplo e complexo.

Mensagem ofensiva publicada no Gab.

À luz da legislação vigente (ao menos aqui no Brasil), a liberdade de expressão não é absoluta. Leis infraconstitucionais funcionam nesse sentido e a própria Constituição de 1988, embora resguarde a liberdade de expressão como direito fundamental, livrando o discurso de censura ou licença prévia, coloca condições e exceções a ele no mesmo artigo e em outros subsequentes, a saber: a vedação do anonimato, o direito de resposta, o direito a ações indenizatórias, o direito à honra e à privacidade.

O último ponto é o que nos traz à discussão do Gab. Há cerceamento da liberdade de expressão quando se pretende ofender, incitar a violência ou humilhar um terceiro?

Não tenho a intenção de esgotar o assunto. É importante, por outro lado, no mínimo apresentar o debate que contorna o Gab, a liberdade de expressão e como optamos por nos relacionarmos com os outros, online ou não, principalmente quando está em jogo o bem estar e o respeito mútuo.

Em um paper sobre o tema, os doutores em Direito Riva Sobrado de Freitas e Matheus Felipe de Castro abordam a liberdade de expressão segundo dois paradigmas, o do Estado Liberal e o do Estado Social. O primeiro admite a liberdade de expressão idealizada pelo Gab, ou seja, irrestrita. Não cabe, por essa ótica, o conceito de discurso de ódio. “Quanto aos ofendidos pelo discurso,” explica a dupla, “eles deverão tolerar as ofensas em nome da afirmação da democracia.” Eles escrevem:

Dessa forma, dentro da perspectiva liberal/burguesa, as liberdades em geral, e em especial a Liberdade de Expressão, devem ser fruídas sem restrições, justificando inclusive a exclusão social de setores subalternos da sociedade. Em face dos argumentos apontados haveria, no que se refere à Liberdade de Expressão, plena justificativa para a proteção do discurso do ódio, discriminatório que é na sua essência, ainda que pudesse significar a exclusão social de grupos sociais minoritários.

Por outro lado, encarada pelo prisma do Estado Social, a liberdade de expressão deixa de ser absoluta e se compatibiliza com outros direitos fundamentais. Essa configuração pega carona no que os autores chamam de época “pós-socialista”, a partir da década de 1990, quando se somam aos direitos trabalhistas e às ações governamentais de redistribuição de renda, o reconhecimento das desigualdades, a reparação de outros tipos de injustiças e a busca por democracias mais pluralistas. Voltando a eles:

Portanto, para o Estado contemporâneo, a Liberdade de Pensamento tem caminhado juntamente com a defesa da dignidade desses segmentos minoritários. Dessa forma, o paradigma estatal de intervenção, dentro de uma perspectiva de inclusão, seria ideologicamente incompatível com a proteção do discurso do ódio, na medida em que tal manifestação é em essência segregacionista e tem por objetivo humilhar e calar a expressão das minorias.

Mensagem ofensiva publicada no Gab.

Não há uma fórmula universal de aplicação desses preceitos pelas sociedades contemporâneas. Cada país tem uma tradição, um lastro que, em muito, se reflete na maneira de enxergar a liberdade de expressão. Nos Estados Unidos, berço do Gab, impera a perspectiva liberal. Na Alemanha e, como já visto, no Brasil, a perspectiva social.

A Lei 7.716/89, por exemplo, tipifica o racismo. O caso de Siegfried Ellwanger, escritor brasileiro condenado no início dos anos 2000 pelo crime de racismo devido à publicação de livros antissemitas, é emblemático no sentido de estender o entendimento do que se considera discriminação racial e um reforço na compreensão da postura adotada no Brasil. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal e, mesmo sem unanimidade (sete votos contra três), os ministros mantiveram a negativa ao pedido de habeas corpus que havia sido negado em segunda instância.

Para quem é o Gab?

Mensagem ofensiva publicada no Gab.

No Gab, além de ofensas gratuitas, há muitas reclamações sobre a falta do app, teorias conspiratórias contra outras redes sociais e a mídia, e uma rivalidade acirrada com o Twitter — o perfil de Torba, @a, é um dedicado clipping da desgraça do Twitter, de fazer inveja, na forma, a muito assessor de imprensa.

No Twitter, usuários simpatizantes do Gab exibem o emoji do sapo na frente dos seus nomes indicando seus perfis na outra rede. É como o emoji do fantasma, usado para se referir ao Snapchat. O sapo é o logo/mascote do Gab e há uma intrincada associação com o meme Pepe the Frog, alçado da noite para o dia, a partir de uma matéria do The Daily Beast, à condição de símbolo da ala mais conservadora do espectro político norte-americano.

The Deplorables, montagem de Donald Trump incluindo Pepe the Frog entre conservadores.
Montagem publicada por Donald Trump incluindo Pepe the Frog.

Visitar a aba “Popular” do Gab, que extrai o conteúdo que mais repercute em toda a rede, não traz variações de conteúdo. O público desbravador, os primeiros usuários, parecem ter um perfil uniforme e intimidador.

A minha entrada lá, inclusive, foi fruto de um episódio sintomático: quando Milo Yiannopoulos, banido em julho do Twitter por ofensas racistas contra a atriz Leslie Jones, voltou a usar o Gab após um breve hiato, a rede distribuiu 10 mil convites — o meu, entre eles — para comemorar.

gab1

No rodapé da página de diretrizes do Gab, o texto termina assim:

Bem-estar

Tente ser agradável e gentil com o outro. Somos todos humanos.

Embora Torba garanta que “qualquer um é bem-vindo para se expressar no Gab” e que a rede não é para algum grupo específico, é difícil encontrar, nesse momento, qualquer coisa que fuja de declarações furiosas contra grupos minoritários e/ou marginalizados.

Não há discordâncias nem conflitos, todos os participantes seguem os mesmos princípios e têm as mesmas ideologias. O Gab é um local onde se prega para convertidos — de conservadores para conservadores. A rede parece uma câmara de eco repleta de pessoas iguais com as mesmas ideais reacionárias. Nesse sentido, o Gab é um vislumbre do que o Facebook está se transformando: no filtro (não tão) invisível definitivo.

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114 comentários

  1. Texto tendencioso, propaganda cinza contra a rede gab.com. Esse texto apenas destaca indivíduos opinando contra elementos esparços de uma ideologia, não sabemos se são conservadores ou apenas gente insatisfeita com a agenda esquerdista, no Gab há grupos e expressão de todo tipo, inclusive de extremistas nunca silenciados nas outras redes. A proposta do autor de liberdade de expressão com “limites” revela apenas seu desejo por calar dissidentes, silenciar ideias discordantes, pois como ilustra o perfil “Ódio do bem” no Twitter, com exemplos diários de ameaça explícita de morte e agressão de esquerdistas contra toda oposição à sua ideologia doentia e nunca sofrem banimento nem censura alguma, a liberdade de expressão de qualquer um deveria se limitar, autor, quando a do outro começa.

  2. Só pelos CHAVÕES o carinha que escreveu a matéria se entregou: Discurso de ódio, Teorias da Conspiração, Grupo Conservador…. Se você tirar os chavões de um Esquerdista o cérebro dele não pega nem no tranco. Por matérias tendenciosas como esta não é de se admirar que os jornais estão falindo, grupos como a Abril estão demitindo em massa. Primeiro quase não temos mais jornalistas honestos, temos militantes que apenas querem promover um posição ideológica, ou incompetentes mesmo. Façam um favor ao Brasil deixe este pessoal falir por falta de audiência, talvez assim eles criem vergonha na cara e passe a divulgar informações mais imparciais. Comentários assim é que eles chamam de “discurso de ódio”. A verdade é que este movimento de reação é uma tentativa natural da inteligência em sobreviver, porque ninguém aguenta mais este politicamente correto, esta patrulha do pensamento. Eles ficam desesperados porque sabem que são bolhas de sabão, basta um sopro para eles serem destruídos.

  3. Texto escrito por um esquerdista. O que raras pessoas dizem é que o tal Politicamente Correto é na verdade maoísmo. Um maoísta falar de direitos humanos é a piada mais macabra que existe. Nada mais ofensivo e odiento do que um maoísta falar em defesa de grupos minoritários e marginalizados e acusar cristãos e conservadores de fazer discurso de ódio. Na verdade Estado Social é Estado Socialista e por tabela é totalitário. Ah, quem faz discurso de ódio é a Esquerda, viu?

  4. Rodrigo, a minha opinião, apesar de parecer simplória, é bastante objetiva: “Liberdade de expressão não tem limite”.

    Se vamos proibir tudo que seja ofensivo, devemos começar pela verdade, pela critica de arte, até mesmo o manual do usuário poderia ser enquadrado por uma review não muito favorável quanto a uma empresa ou produto.

    1. Neto, você realmente não vê diferença entre crítica e ofensa? Entre uma pessoa pública e alguém marginalizado? Entre alguém que dá a cara a tapa e alguém que só quer viver com dignidade e lhe tem isso negado? Eu quero crer que sim, porque aí podemos discutir esse ponto melhor.

      A conversa não é sobre proibir a crítica, nem mesmo a ofensa, mas sobre o ponto em que ela é prejudicial aos envolvidos e à coletividade. Você reclamar da conduta de um político é diferente de ficar zoando alguém aleatório só pelo fato de ser obeso, por exemplo. Eu criticar um produto ruim aqui, com argumentos e expondo meu ponto (como já fiz, aliás), é diferente de abrir o editor do Manual e escrever que produto X é uma bosta porque é.

      O que me intriga e entristece é que essa liberdade de expressão liberal, ou irrestrita, reveste de legitimidade atitudes que, antes de ilegais ou reprováveis, são gratuita e deliberadamente cruéis com o outro por motivos irrelevantes, quando não inexistentes. Isso vai contra a própria ideia de civilização, que se constitui, entre outros fatores, quando reprimimos uma força maior que nos é natural em prol da coletividade. Me é muito custoso constatar que em 2016 ainda há quem defenda, e é muita gente, esse estado caótico onde a força (não só a física, mas a social, financeira e outras tantas) tem mais peso sobre o fato de sermos todos humanos — diferentes, mas ainda assim com traços fortes que nos conectam uns aos outros.

    2. Neto, você realmente não vê diferença entre crítica e ofensa? Entre uma pessoa pública e alguém marginalizado? Entre alguém que dá a cara a tapa e alguém que só quer viver com dignidade e lhe tem isso negado? Eu quero crer que sim, porque aí podemos discutir esse ponto melhor.

      A conversa não é sobre proibir a crítica, nem mesmo a ofensa, mas sobre o ponto em que ela é prejudicial aos envolvidos e à coletividade. Você reclamar da conduta de um político é diferente de ficar zoando alguém aleatório só pelo fato de ser obeso, por exemplo. Eu criticar um produto ruim aqui, com argumentos e expondo meu ponto (como já fiz, aliás), é diferente de abrir o editor do Manual e escrever que produto X é uma bosta porque é.

      O que me intriga e entristece é que essa liberdade de expressão liberal, ou irrestrita, reveste de legitimidade atitudes que, antes de ilegais ou reprováveis, são gratuita e deliberadamente cruéis com o outro por motivos irrelevantes, quando não inexistentes. Isso vai contra a própria ideia de civilização, que se constitui, entre outros fatores, quando reprimimos uma força maior que nos é natural em prol da coletividade. Me é muito custoso constatar que em 2016 ainda há quem defenda, e é muita gente, esse estado caótico onde a força (não só a física, mas a social, financeira e outras tantas) tem mais peso sobre o fato de sermos todos humanos — diferentes, mas ainda assim com traços fortes que nos conectam uns aos outros.

    3. Se é para ser simplório, lhe respondo: “Liberdade se responde com liberdade. Sua liberdade de me ofender é minha liberdade de ser agressivo fisicamente com você”

    4. Se é para ser simplório, lhe respondo: “Liberdade se responde com liberdade. Sua liberdade de me ofender é minha liberdade de ser agressivo fisicamente com você”

  5. A questão do reacionarismo deveria mesmo ser rechaçada por direita e esquerda (e pelos conservadores tb), porque não se trata apenas de ser um pensamento contrário, mas por ser algo inócuo e, principalmente, autodestrutivo…

    Pelos fragmentos pescados pelo Ghedin (q talvez possam ter incomodado os q se manifestaram contrários ao post), o q se vê é justamente isso! Pode não representar a maioria dos participantes da rede, mas ainda assim qual o sentido de alguém, por exemplo, “dedicar a vida a exterminar toda ideia marxista desse país”?

  6. O problema não está nas redes, nem (acredite!) no comportamento das pessoas, que é típico do ser humano seja no real ou virtual. O ser humano é da selva. O problema são os donos ou gestores dessas redes. Quando se tem grande poder em mãos, caso do Facebook, e tendências autoritárias, é muito grande a tentação de fazer as coisas funcionarem sob a sua ótica. É o que o Facebook, assumidamente de esquerda, está fazendo. A resposta veio com o Gab, assumidamente de direita. E assim segue a humanidade, criando suas bolhas.

    (Em tempo: movida pela curiosidade, criei um perfil no Gab também para conhecer… e logo nos primeiros dias veio uma mensagem de alguém me chamando de “comunista”. Não sei de onde veio essa conclusão, já que não uso as redes para me posicionar politicamente. E outra: seria impossível eu ser “comunista”, pois meu avô veio para o Brasil justamente para fugir do regime. Os parentes que lá ficaram morreram todos antes dos 30 anos.)

    1. Talvez o problema identificado, se é q foi possível identificar, é o fato de vc ser mulher… daí chamá-la de comunista sem embasamento me parece fazer sentido.

      1. Essa esquerda bandinda, narco-traficante, e PUTA de GEORGE SOROS, tem medo que a massa abandone o FOICEBOOK, não é mesmo? reclamavam tanto da censura e agora quer “DEMOCRATIZAR A MÍDIA E AS REDES”.
        FUCK ZUCK!!

  7. Minha nada grande contribuição pra discussão é dizer que não havia percebido que era um sapo. Achei que era alguma coisa relacionada com chave de rosca. Isso porque o desenho é verde…

  8. Ótimo post! Não conhecia a rede e se ela se transformou numa espécie de reduto de odientos, se é q se pode compreender assim a questão, não acho negativo, pq sou favorável à liberdade de expressão. O q me preocupa é parte substanciosa da esquerda ter desistido do diálogo como a primeira via do consenso e, desse modo, os radicais ganharam espaço a arremataram muita gente inteligente. Infelizmente uma série de discussões estão travadas por gente realmente engajada em turvar debates importantes e necessários (gênero, aborto, violência contra minorias, direitos humanos etc). Daí q as redes sociais q poderiam ajudar, parece terem se tornado palco de múltiplas formas de ameaça e agressões, fazendo o diálogo se impossível.
    Agora achar q Twitter e Facebook tem posicionamento de esquerda ou progressista é o fim da picada… Pelo q vejo e noto, a preocupação deles (dos donos) é com lucro e expansão tão somente… O q vem a reboque disso não parece preocupar, haja visto Twitter ser central de aliciamento de terroristas e Facebook permitir conteúdo agressivo e violento e implicar com mamilos…

  9. O modo de pensar dessas pessoas realmente me fascina. Se você é a favor das ideias você é o máximo se não você deve ser exterminado, escoria etc. Cada vez mais esse isolamento de “pensamentos” gera essas aberrações que a gente vê na internet e infelizmente no dia-a-dia.

  10. O modo de pensar dessas pessoas realmente me fascina. Se você é a favor das ideias você é o máximo se não você deve ser exterminado, escoria etc. Cada vez mais esse isolamento de “pensamentos” gera essas aberrações que a gente vê na internet e infelizmente no dia-a-dia.

  11. Uma pena essa abordagem de que qualquer um com opiniões diferentes do ideal esquerda/progressista é potencialmente racista, mal educado e provavelmente deve sofrer alguma ação penal.

    Já foi evidenciado há tempos que o Facebook censura opiniões não progressistas. Particularmente não vejo nenhum problema com isso, desde que fique bem claro a verdade: informação será manipulada em favor de determinados ideais da rede em questão.

    Fora isso, é interessante que na época atual, em que a censura a qualquer opinião não progressista é extremamente perseguidora e em muitos casos até de agressão física, ainda existam pessoas com coragem para fazer diferente.

    1. Não é assim que as pessoas “do meio” tratam. O problema aqui é que o jeito que muitos que se dizem de direita / liberal agem de forma que justamente é rotulado como racista / mal educado. A própria matéria diz sobre isso: mostra que muitos comentários são vociferações preconceituosas (se estiver errado, o ideal é trazer para cá os comentários que não sejam assim).

      Claro, partindo do pressuposto que preconceito é no caso como a terminologia usada lá é tratada pelos usuários e com a finalidade de segregação, de renegar o outro.

    2. Vc acreditar q a discussão se limita a isso faz vc, paradoxalmente, chegar justamente no lugar em q lamenta termos chegado…

      1. Não acredito que se limita a isso, mas, o fato do Ghedin trazer isso ao MdU foi exatamente por isso. Uma pena, entretanto é a realidade.

  12. Eu me considero liberal e definitivamente anti-esquerda, e não me senti em nada ofendido ou notei ser tendencioso o texto, pelo contrário, dá pra notar que o que se tentou foi justamente evitar posicionamento.

    Pessoal tá exaltado demais mesmo…

    1. Tá claro que o tom é anti-conservador e desenha um espantalho. Artigo fraco de análise e com algumas informações pertinentes.

  13. Estamos ficando em bolhas e aos poucos estamos criando muros morais. O cara da direita odeia o cara da esquerda. O cara da esquerda odeia o cara da direita. Não existe meio, centro… a propósito, até eu tinha feito um questionamento sobre isso no canal do MdU: https://disqus.com/home/discussion/channel-manualdousuario/a_estupidez_dominou_a_internet/

    O problema da liberdade é que muitas vezes as pessoas confundem o conceito de liberdade com o de “pode tudo”. Sempre falo isso: se ir pelo princípio básico do termo, liberdade é “pode tudo”. Mas em um contexto social, o princípio é: “minha liberdade não significa o fim da sua liberdade”.

    Sobre os comentários no Gab, o que noto é que as pessoas hoje buscam algum lugar para vociferar seus preconceitos e não querem ser incomodados quanto a isso. Tem horas que até eu tenho minhas vontades de xingar meio mundo de forma preconceituosa – não nego isso. Mas sei que isso tem uma consequência: a pessoa alvo do meu preconceito não me verá de forma confiável. E talvez outras pessoas ao meu lado também não verão com bons olhos isso. Apenas pessoas que sejam simpáticas ao que “boto para fora”. E não sei se isso é o que quero.

    Fora em que estamos em uma época no mundo de conflitos sociais. Quem está confortável do jeito que está não quer perder o seu direito e conforto, por isso age de forma intimidatória contra qualquer um que ameace seu status. Seja ele um “classe média que odeia nordestinos” ou um “pobre funcionário público que odeia almofadinhas do sul brasileiro”.

    Eu preferiria ter deixado este assunto “por debaixo dos panos”, pois expor nas condições atuais no final dá mais audiência, e por consequência aumento da possibilidade de mais atitudes negativas online. Sei lá.

    O fato de ver logo de cara três comentários criticando a matéria, sendo que a mesma não ofende o site ou seus usuários, mas sim apenas questiona as atitudes dos mesmos, mostra que temos um problema que não deveria ter sido mexido desta maneira. Não por mal.

  14. Belo texto. No final das contas, o Gab é só mais uma das “bolhas ideológicas” formadas nas redes sociais, com a diferença que é especifica em sua proposta. (Nesse sentido, será que veremos algo do tipo, mas voltado aos progressistas?)

    1. “Nesse sentido, será que veremos algo do tipo, mas voltado aos progressistas?” Torço sinceramente para que não. Essa polarização já tá muito tensa.

      1. Torna-se ruim quando há todo um sistema preparado e arquitetado para te calar. Quando chega nesse ponto deixa de ser apenas divergência de opinião para ser simplesmente uma ditadura de pensamento único! Entendeu a diferença, Frederico?

  15. Rapaz, esse tema é bem complexo mesmo. Por exemplo, a questão da liberdade de ofender. Quem decide se algo é ofensivo ou não é quem recebe a mensagem ou é quem transmite? Em alguns casos é bem evidente que trata-se de uma ofensa, mas e se eu me sentir ofendido por um assunto que o autor acha irrelevante? Devemos proibir a pessoa de falar sobre aquilo porque eu me ofendo ou eu devo me retirar para não me sentir ofendido?

    Isso vai longe e duvido que um dia se chegue a alguma conclusão definitiva…

    1. Prefiro simplificar:

      Ofensa é quando você qualifica algo de forma a renegar este em benefício próprio, ego, conceitos pessoais ou preconceitos. Isso usando frases básicas.

      Ofensa é um tapa na cara, é uma violência psicológica, é uma forma de denegrir alguém só porque não gosta, não vai com a cara.

      Para definir se é ou não ofensivo, é fácil: basta ver se a pessoa está qualificando com agressão. Os posts pinçados do Ghedin mostrando alguns preconceitos comuns no Gap ou as frases ditas por Trump são exemplos.

      Se as pessoas buscam a não-violência, o ideal é que não haja nenhum tipo de violência, seja ela física ou psicológica. A partir do momento que se permite uma violência, você dá a deixa para o revide, a vingança. Isso uma hora se volta contra o violentador, de forma mais violenta ainda.

      Quantas pessoas já não mataram outras por causa de bullying sofrido?

      1. Mas ainda fica a dúvida/questionamento do Rics: Quem define se a pessoa qualificou com agressão?
        Pessoalmente, isso é menos difícil. Exemplifico: sempre chamo minha filha de de “xara”, diminutivo de “xaropinha”. É evidente que quem ler um pai escrevendo um “xaropinha” para a filha, vai achar que foi ofensivo. Já quem me vir falando isso para ela, vai saber que é em tom amoroso, carinhoso, e simplesmente uma forma carinhosa de chamá-la. Quem decide se isso é uma violência psicológica?? Ela? Eu? Você?

        1. Obviamente existem desvios, mas acredito que o ofendido deva ser ouvido. Se ofendemos alguém sem nos darmos conta, o mínimo a ser feito é ouvir o que essa pessoa tem a dizer: por que ela se ofendeu, que parte do nosso discurso causou dano, por aí. Nem sempre se chegará a um consenso, mas o diálogo é um primeiro passo importante em busca dele.

          Essas relações de poder têm raízes mais profundas. É muito fácil para alguém numa posição privilegiada falar em liberdade de expressão irrestrita porque, no dia a dia, pouca coisa nos atinge — falo por mim, branco, cis, hetero etc. Colocar-se no lugar do outro, exercer a empatia, é o mínimo.

          E, para que fique claro, não há problema em questionar direitos e ideias, inclusive de minorias ou grupos marginalizados. O problema está na abordagem, em como tocar no assunto.

          1. Concordo que o ofendido deva ser ouvido, e que tudo seja resolvido de forma pacífica e que essa seja a melhor forma de resolução de conflitos (de qualquer tipo!).
            Mas levemos isso mais a fundo. Quando alguém tece um comentário, muitas vezes não maldosamente, vou dar um exemplo bobo (e que confesso não sei se aconteceria, mas foi o que me veio a mente):
            Em algum lugar, nas profundezas da Web (mas não na deepWeb!), alguém (digamos que seja eu) vê uma foto de uma pessoa de uma cultura diferente da sua (digamos, sei lá, o Buda), e tece um comentário, no Disqus, falando sobre esse Buda, algo como “Nossa, eu não teria a paciência dessa pessoa, de ficar olhando para o nada por horas e horas!”. Faço esse comentário em tom (na minha cabeça) de admiração.
            Mas por algum motivo, o Buda se sente ofendido e, por isso, resolve me processar.
            Evidente que exagerei (muito) e que não conheço nada da cultura Budista (escrevi imaginando que o Buda seja um tipo de líder, e não necessariamente uma entidade Divina – e já me desculpo se ofendi alguém!!), mas nesse caso, quem estaria certo? Eu? O Buda? Nenhum?

          2. Tou no trem por isso fica ruim de responder, mas resumindo por enquanto: Para algo ser ofensivo, a intenção fica notória.

          3. Notória para quem? Para quem “ofendeu”? Para quem foi “ofendido”? Para um terceiro que nada tem a ver com a “ofensa”?

          4. Cara, se você ofende alguém, você tem uma intenção e ela fica clara de alguma forma no texto.

            Por exemplo, se eu falar ou você falar para mim “você é um idiota” , isso é uma ofensa em um princípio básico. E existem diversas formas de ofender alguém, seja direta (como o dito), ou com ironia, menosprezo e tudo mais. O tom de voz, o contexto da palavra, tudo mais.

            Quando se ofende políticos, quando ofende um “contrário” na internet (vide novamente os comentários no Gab). Isso é objetivo: não é que alguém subentendeu que aquilo é ofensivo, mas sim que aquilo foi claramente feito com intuito de ofender. Isso é social, é do entorno.

            Se a pessoa não se incomodou com a frase proferida, ela pode fazer o que bem entender. Políticos e muitos inescrupulosos por aí fazem isso quase que direto e no final quem sofre é as pessoas “normais”, que vivem suas vidas seguindo as regras morais vigentes.

          5. Aqui embaixo, o Marcos Balzano falou uma coisa que de certa forma, mostra meu ponto:
            “O grande problema são, na definição de Cardoso, os floquinhos, aquele tipo de pessoa que se ofende com tudo, sempre tenta defender uma minoria as vezes inexistente.”
            O que eu quero dizer, quando falo que ficou a dúvida do Rics, é justamente isso. Vemos muito por ai, especialmente nas InterWebs, pessoas que se sentem ofendidas com qualquer cosia. Exemplo (mais um tosco! hehehe): Minha esposa coloca uma foto no Facebookson dela, mostrando como eu levei o café da manhã na cama para ela, num dia qualquer, a troco de nada, apenas pq eu sou um marido exemplar! No mesmo momento, a página dela é invadida por feministas que se sentiram ofendidas, reclamando que a mulher é forte, e que não precisa de café na cama levado por homens. Minha esposa, por consequência, entende que está sendo chamada de fraca, e se sente ofendida.
            E aí, quem foi ofendida?
            Claro que o exemplo é grotesco e extremista, mas existem casos mais sutis, onde a ofensa não é tão clara, onde os limites são pequenos, onde a falta de conhecimento causa isso. Nesses casos, quem decide o que é ofensa ou não?
            Veja que não estou dizendo, em nenhum momento, que os usuários exemplificados do Gab são ou não ofensivos, estou apenas propondo que se pense no que é ou não ofensivo.

          6. Para esta resposta, peço que leia as respostas que o Ghedin passou ao Balzano sobre “escutar o outro”, a do “floquinho” também, e volte aqui. :)

            Vivo esperando e procurando…. ah, tu tá aí já! :)

            Então, vamos partir do seguinte principio: mesmo uma situação absurda, o ideal é ouvir quem se sentiu ofendido primeiro (as feministas), já que elas teoricamente que começaram a situação que provocou sua esposa. Cabe a sua esposa decidir seguir a condição colocada pelas feministas (o que imagino que não será provável), ou responder para tentar explicar a elas que ela tem o direito de fazer o que bem entender, como também aceitar o café na cama que você ofereceu. Se elas continuarem incomodando e não aceitaram a opinião da sua esposa, o contexto é outro e isso recaí em diversas formas de repúdio. Ignorar, usar a lei, etc.

            Elas se sentiram ofendidas pois o contexto social delas é outro. O que me pergunto é: “o que elas fazem investigando o post de sua esposa?”. Não me cabe ser uma situação comum, e acho que você está indo no “ad absurdum” (não sei como se escreve isso :p). A não ser que sua esposa seja alguém famoso.

            Estou tentando colocar situações mais comuns, estas expostas no texto do Ghedin e em parte dos comentários. O problema não é um pessoal “de esquerda” falar que o pessoal “de direita” está errado (e vice-versa).

            O problema é chacotear, “zoar”, diminuir o “outro” lado pois ele age diferente do que VOCÊ pensa.

            Vamos pinçar lá um comentário que o Ghedin pegou do Gab:

            “Estou com uma Nordestina do meu lado falando no telefone para todo mundo ouvir… essas p*** parece que nasce com alto falante na garganta!”

            Cara, ou isso vem de uma piada do antigo Zorra Total, da Praça, do Pânico ou de alguma pessoa comum, seja ela de esquerda ou direita. Isso é obviamente preconceituoso, partindo do pressuposto que “todo nordestino fala alto”. Mesmo como piada, hoje só pessoas que avaliam esta sem amarras sociais (usando os velhos preconceitos de sempre) é quem ri delas.

            Quem não lembra da menina que foi processada porque escreveu que “Nordesisto deveria morrer”? Ela literalmente perdeu a vida social depois da exposição do caso dela. É o certo? Ela ofendeu. O peso da ofensa dela (que foi um dos primeiros mais expostos nas mídias) custou a vida social dela.

            Esse é o ponto: o que define a ofensa é o peso e o alvo a ser atingido. Se a pessoa ignora as ofensas, não teria o porque de fazer todos estes comentários. Mas as pessoas hoje se incomodam. E tem seus porquês. Palavras tem peso e valor. Se quem ofende não vê isso, é porque ou ignora ou porque realmente quer ver o peso das palavras incomodando alguém.

            Hoje todos se incomodam com tudo. Estamos em outra época social e precisamos pensar antes de fazer algo em público. As vezes acho que isso é fruto dos nossos exageros pós-ditadura (anos 80-90) misturado com a “vontade de ser ‘top'”

          7. Concordo em grande parte com o que você escreveu.
            Acho que já ficou claro tanto para você o que eu quero dizer, quanto para mim, o seu ponto de vista! Minha intenção não é que você concorde com o meu ponte de vista, e sim que seja entendido. Bem como entendi o que você disse! Neste ponto: SUSUSUSUCESSO (by Sabdão Sertanejo).

            “Hoje todos se incomodam com tudo.”
            Verdade, hoje é cada dia mais difícil viver em “contextos diferentes” por conta disso. Hoje, me parece que não se tenta respeitar as diferenças, e sim, impor seus pensamentos. É claro que, como em toda regra, há exceções, e imagino que talvez isso nem seja uma regra.
            É cada dia mais difícil conviver entre os “esquerdistas” e os “de direita”. Se você tem algumas ideias de esquerda e outras de direita, você é quase que um ser de outro planeta. Se você acha que a Dilma deveria ter sido impedida, mas que não é por isso que o PT é um partido terrível e que deva ser acabado, você automaticamente vira um alienado político, um maluco, talvez.
            Imagino que isso se deva aos extremistas, e acho que tudo que é extremo é ruim (ih, fui extremista!). Talvez eles estejam “falando mais alto” que “os outros” e por isso só ouvimos eles.
            Isso se repete no futebol, na tecnologia (Androids vs IPhones vs Windows Phone vs …), sexualidade (gays vs heteros vs bi vs trans vs…) e em tantas outras coisas.
            O mundo precisa de mais pessoas de “coluna do meio”. As que passeiam entre os lados sem se sentir mal. As que entendem que o outro não é melhor nem pior que si, é apenas diferente. E que essa diferença é o que traz soluções melhores para todos os problemas!

            Chega, acho que filosofei demais! hehehe

          8. Mas é isso mesmo.

            Em tempos, o ponto de falar que é ruim é justamente onde o contexto se encaixa, ou a forma que é exposta.

            Humilhar uma pessoa por que ela fala alto no ônibus acho que não serve para ela parar de falar alto no ônibus. Muitas vezes as pessoas acabam fazendo o contrário e falando ainda mais alto no ônibus do que o normal só por causa disto.

            Falo por mim: eu me sinto ofendido facilmente. Tanto que estou em um tratamento psicológico. No entanto como opinião pessoal, espero que o ideal é que as pessoas não ofendam as outras, ou no mínimo saibam usar as palavras em contextos adequados.

            Outra também é saber o que fazer no entorno. Digo por mim: hoje nem entro no Meio Bit por exemplo pois não gosto de ler por lá. Me incomoda.

            É muito mais fácil eu fazer isso do que ficar xingando o autor dos textos que me incomodam nos comentários.

            O ponto é que ao mesmo tempo entendo de alguma forma aqueles que ficam provocando o autor nos comentários: eles também querem ser ouvidos de alguma maneira. Eles querem atenção, eles querem ser entendidos também. Que sejam entendidos por este autor. Mas a partir do momento que você vê que o assunto se esgota, que ele não muda a posição, de que adianta? (Isso cabe na sua situação exposta no caso da esposa).

            Duas situações que vi e cabem nesta conversa. Uma é atual: a Bela Gil fez uma entrevista à revista Trip e falou que não se incomoda com as memes que fazem em cima dela. Bacana, né? O ponto é que o marido dela se incomoda um pouco. De fato, é compreensível, afinal, memes muitas vezes chacoteiam a situação para diminuir.

            Outra é um pouco mais antiga e complexa, inclusive soando absurdo: há um ou dois anos atrás, uma menina que é defensora da cultura afro implicou com um duo musical chamado “Os Mulheres Negras”.

            Foi uma discussão meio besta: o argumento a favor do “Os Mulheres Negras” (um duo feito por um dos filhos do autor Abjurama) é que o grupo é antigo (vem dos anos 80-90), o nome do grupo era para justamente homenagear e discutir sobre a raça (há músicas sobre) e até hoje nenhum grande nome da cultura negra implicou com o nome do grupo. O argumento a favor da menina defensora é que “homens não deveriam pegar nomes assim para criar grupos musicais”, “existe um branco no dueto”, e é uma humilhação às mulheres negras ter dois homens em um grupo músical chamado Os Mulheres Negras.

            É difícil, mas compreensível. O ruim é que do jeito que a defensora da cultura tratou o assunto, é meio que uma violência contra o dueto. Algo que foi similar e teve atuação da mesma defensora foi quando fizeram um ataque ao ato de “blackface”, quando um branco se tinge de negro para fazer um ato teatral. Isso foi literalmente criminalizado por este grupo de defesa da cultura afro, transformando quem fazia blackface em vilão dos negros.

            Esse é ponto: o problema é os extremos, tanto de quem ofende, quanto de quanto os ofendidos fazem. É algo difícil de lidar.

            Mas de qualquer forma, é sempre válido o que o Ghedin falou: antes de tudo escutar o outro lado.

          9. Ouvir é sempre muito importante mesmo! Bom senso, é isso que falta!
            PS: O caso da minha esposa foi fictício, não ocorreu o fato! :)

          10. Cara, esse seu texto fala perfeitamente o que eu penso, principalmente o paragrafo final. A maioria das pessoas que conheço ou são extremistas ou evitam contato com os assuntos que normalmente geram briga por causa dos extremos e eu realmente passeio por todos os assuntos pois sou viciado em conhecimento e não quero que a moral me pare (prefico troca-la pelo bom senso que)

          11. Cara, esse seu texto fala perfeitamente o que eu penso, principalmente o paragrafo final. A maioria das pessoas que conheço ou são extremistas ou evitam contato com os assuntos que normalmente geram briga por causa dos extremos e eu realmente passeio por todos os assuntos pois sou viciado em conhecimento e não quero que a moral me pare (prefiro troca-la pelo bom senso que nunca me falhou).

            Esse texto deveria ser compartilhado, nunca vi aguem falar algo assim em nenhum lugar.

          12. Rapaz! Olha que assim eu vou pensar que sou escritor! hahahah
            Obrigado pelo elogio! :)

          13. Seu exemplo me lembrou de quando apareceram s primeiros podcasts no Brasil. Houve casos de ouvintes de Rio e SP elogiando o sotaque de nordestinos e recebendo de volta reclamação, porque “eu não tenho sotaque”. Eu continuo adorando os sotaques nordestinos e continuo com receio de elogiar e desagradar.

          14. Vivemos pisando em ovos! Um elogio pode ser tomado como ofensa! Tá errado isso! Mas eu continuo tentando elogiar. O mundo precisa de elogios!
            Em tempo, pelo menos para mim, fica mais difícil elogiar quem está próximo que quem está distante! Não sei pq! :/

          15. É ótimo ver esta linha de conversa! :)

            Acho que é porque como temos diferenças culturais entre cada região no país, achamos que “nós não temos sotaque e eles tem”. Por isso que eles se sentiram ofendidos.

          16. Falou tudo e falou bonito, xará…
            A propósito, excelente matéria.

        2. A pergunta é: “por que xaropinha?”

          Mesmo em tom amoroso, se você usa um termo para definir negativamente sua filha, você cria uma forma futura de deixa-la traumatizada.

          1. Mas eu não uso para definir negativamente minha filha.
            Vou deixá-la traumatizada com o quê? Com o fato dela ter um pai carinhoso?

          2. sim, entendo. eu chamo minha mulher de ‘bobona’ e ela me chama de ‘bobão’. hehehehe

          3. Se sua filha não interpreta negativamente, tudo bem. Isso é entre vocês dois. O ponto é se uma hora você trata ela publicamente desta forma e fica notório algum constrangimento.

            Acho que agora consegui ser mais claro.

          4. A “geração mimimi” é a nossa, a da filha dele já vai ter superado isso!

          5. Geração de pessoas hipersensíveis que se incluem em demandas genéricas com vitimismo e argumentação incessante.

          6. Quantos anos você tem? Eu pergunto porque, talvez, se for mais novo você não terá lembranças de como era o Brasil antes da “geração mimimi”, das minorias ganharem voz e espaço. Quando piada com negros passava na TV como se fosse a coisa mais normal do mundo e as mulheres eram submissas. Quando “gay” era ofensa e havia uma repulsa sistemática contra qualquer pessoa que não fosse hetero. Quando pobreza era condição inescapável fora ganhar na loteria. Quando qualquer coisa diferente do padrão da mídia era estigmatizada e mal vista.

            Se você tem menos de 20 anos, está perdoado, mas tente pesquisar um pouco o contexto do “mimimi”. Se tem mais, aí o caso é mais grave, mas recomendo o mesmo.

          7. 30 e estava me referindo ao caso do André apenas, nem li o Post. As discussões me atraem mais, mas vou voltar pro uol

          8. Uma sugestão: Leia mais os posts e entre na discussão para aprender mais. Será sempre bem vindo. Aí tu deixa para lá os comentários ácidos no uol.

        3. Eu parto do principio, em algo direcionado, algo só é ofensivo, se um dos interlocutores considera ofensivo. Agora na internet. Tudo pode ser ofensivo, por não ser possível incluir todo contexto que a frase pode ter. Aí, acho que fica deverás difícil poder controlar isso. Qualquer coisa dita, fora do contexto pode ser ofensivo. Eu não simpatizo com várias coisas, e acho realmente difícil engolir certas coisas.

          O grande problema são, na definição de Cardoso, os floquinhos, aquele tipo de pessoa que se ofende com tudo, sempre tenta defender uma minoria as vezes inexistente.

          1. Olha, eu não leio tanto o Meio Bit para estar por dentro das gírias internas, mas “floquinho”, lendo assim, soa bastante ofensivo por relativizar ou minimizar o que o outro sente.

          2. Também não sou grande leitor, mas acho que o termo se encaixa bem, há vários jovens que acham que são um floco de neve, único e especial, os SJWs

          3. Baseado nos textos dele, eu poderia dizer o mesmo do Cardoso, que ele é um floquinho. É como o narcisismo: a caracterização depende de quem julga. Aos olhos de alguém, eu e você somos “floquinhos”, todo mundo pode ser. Esses SJW têm seus motivos, provavelmente são admirados por uns na mesma medida em que são odiados. O lance está em aceitar esse tipo de diferença, algo que não se alcança ofendendo assim, gratuitamente.

          4. Este princípio fica falho pois parte do pressuposto que “a vítima é a culpada pela ofensa recebida”.

            Uma ofensa, como eu já disse, é uma violência contra o outro, e ela pode estar embutida na forma de como é emitida a informação a este outro. Geralmente, tal informação precede de pré-conceitos errados e que servem apenas para definir uma situação para ser aceita como ela é, separando A de B. Geralmente lida com subjetividade.

            “A é feio e B é bonito”. Isso é subjetivo. Beleza muitas vezes é mais subjetiva (um fato sem unanimidade) do que objetiva (algo unanimo). E isso também é mais a haver com considerações sociais do que com fatos científicos (acho – ainda não vi pesquisas públicas sobre o que seria a beleza :p ).

            Pegando o que o Ghedin falou, temos que partir da seguinte condição, considerando-a neutra:

            – Dois interlocutores não se conhecem.
            – Eles começam uma conversa.
            – Por não se conhecerem, o assunto é superficial.
            – Um fala algo que o outro não gosta, e este se sente ofendido. O primeiro pede desculpas e tenta entender o porque.

        4. Quando leio todas as frases das pessoas acima/abaixo não sei onde vai aparecer, vejo que o mundo ta mais preocupado com ofender ou não alguém, do que viver… a internet trouxe velocidade nas informações, mas trouxe liberdade de expressão. Não ha diferencia contextual em ofender alguém na rua ou na internet, a lei que se aplicaria ao caso é a mesma, a diferença pode ser a entonação como o Andre Guilhon colocou. Isso realmente pode mudar tudo quando LEMOS e não OUVIMOS. O mundo está um lugar muito chato de se viver… eu ouvi muitos e muitos na escola onde estudava me chamarem de magrelo, secura, grilo, narigudo, bozo e tanto outros que nem me recordo mais… nunca esqueci e nem por isso processei alguém, ou fiz algo negativo. É ruim com toda força sim, passar pelo tal “bullying” que na época nem existia essa palavra, eu só fiz o que qualquer um faria, reportei a diretoria que tomou uma atitude. Não peguei armas, não ameacei matar ninguém, não bati nem fiz nada, só resolvi o problema com palavras. O direito de falar não pode ser cerceado em hipótese alguma, tanto quanto o direito de processar alguém ao se sentir ofendido. O meio termo disso chama-se bom senso, educação e cultura (não a de homem pelado no meio de criancinhas ou o “cú é lindo”). Cultura que temos de procurar viver bem, feliz, batalhar pelo nosso sucesso.

      1. Ownti, ti lindo, mal contla bein oooown
        E se precisa, é só chamar, os ursinhos carinhosos estão ai pra te ajudar

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