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Vida longa ao celular

Celular com a tela quebrada na mão de uma pessoa vestindo casaco escuro, na calçada.

Os ritmos da sociedade são muitos e, quando comparados, não raro se revelam descompassados. Seguíssemos à risca o da indústria de tecnologia, por exemplo, todo mundo estaria de celular novo a cada 12 meses. Ainda que a frequência de lançamentos do setor não tenha diminuído — pelo contrário, está acelerando em alguns casos, como o do Moto G —, parece que as pessoas estão passando mais tempo com seus aparelhos antes de sentirem a necessidade de trocá-los. Será só uma impressão equivocada ou esse movimento está mesmo ocorrendo?

O primeiro e principal indício dessa possível mudança comportamental foi a retração global registrada no setor em 2018, a primeira desde a introdução do iPhone original, mais de uma década antes, tido como o marco fundacional da era do smartphone moderno. A consultoria IDC, que contabilizou queda de 4,1% nas vendas naquele ano, definiu-o como “o pior da história”. No Brasil, o tombo foi ainda maior, de 6,8%, e a estimativa para 2019, embora positiva (+2,5%), deverá ficar abaixo das projeções iniciais, segundo Renato Meireles, analista de mercado em mobile phones & devices da IDC Brasil.

Meireles explica que a IDC faz pesquisas regulares com consumidores e fabricantes, e que as percepções desses dois públicos divergem. Na última realizada com os consumidores, no segundo semestre de 2019, 42% deles manifestaram a intenção de trocar de celular nos próximos seis meses. Mas é como diz o ditado: “querer não é poder”, ou seja, nem sempre a intenção se realiza. As fabricantes, que têm os dados de vendas, trabalham com uma janela de troca muito maior. À IDC, elas disseram que os consumidores brasileiros costumam trocar de celular a cada um ano e meio ou dois anos.

“Por isso que são duas visões diferentes: para as fabricantes o tempo de troca aumenta, mas a intenção do consumidor é querer trocar [de celular] antes. O preço que vai ser o principal divisor de águas, a barreira que o consumidor vai encontrar quando for às compras”, diz Meireles.

O ritmo forte de vendas da década passada dificilmente se repetirá devido a alguns fatores estruturais, em especial o fato de que mais da metade da população brasileira já tem celular. (É sempre meio maluco pensar nisso, mas em algumas indústrias e/ou regiões é a falta literal de pessoas que limita o crescimento.) Há ainda bolsões a serem explorados, como a fatia de 20% dos brasileiros que têm celulares “low-end”, classificados pela IDC como aqueles abaixo de R$ 699. O desempenho ruim é um motivador para que esse público troque de aparelho e, dentro do possível, ascenda de categoria. Outros ainda menores, como a parcela da população que ainda usa feature phones, também tendem a desaparecer com o tempo.

A indústria, do seu lado, fica com o ouvido no chão para detectar e incorporar aos produtos os principais desejos dos consumidores. É por isso que vemos somente celulares com telas gigantes à venda — o atributo, que nem era citado na pesquisa da IDC em 2018, despontou como um dos mais importantes na do ano passado, puxado pelo aumento do consumo de vídeo por streaming. Além disso, recursos avançados que antes estreavam em celulares topos de linha para só chegarem aos modelos mais baratos meses depois, hoje debutam nesses. A linha Galaxy A, relançada pela Samsung em 2019, veio recheada de inovações que, só depois, apareceram nos Galaxy S e Note. Incidentemente, o ticket médio dos celulares tem aumentado mais do que o volume de vendas unitárias. Compra-se menos ou a mesma quantidade de antes, mas por preços mais elevados.

Essa estratégia tem terreno para prosperar. De acordo com uma pesquisa da consultoria Millward Brown encomendada pelo Google, 49% dos brasileiros que saem às compras para trocarem de celular fazem isso motivados a terem um aparelho mais moderno. De resto, 33% das compras são motivadas por quebra, 13% são em razão de perda ou furto, 3% são presentes e 2% são aparelhos adicionais.

Embora no país faltem pesquisas específicas que validem a hipótese da extensão do tempo de uso de um mesmo aparelho, lá fora elas existem e confirmam a tendência. A Hyla Mobile, dos Estados Unidos, acompanha o mercado de “trade-in”, que negocia celulares de segunda mão. Há anos, de acordo com seus relatórios, o tempo que o consumidor norte-americano passa com um mesmo aparelho tem aumentado. Em 2017, esse tempo médio era de 2,5 anos, com o iPhone durando mais do que celulares Android; em 2019, pela primeira vez as duas categorias ultrapassaram a barreira dos três anos.

Nos EUA, celulares topos de linha são mais comuns — lá, o iPhone tem praticamente metade do mercado. Essa relação é um possível indicador de que quanto mais próximo o celular de alguém é dos topos de linha, menor a tentação de trocá-lo. E quando os topos de linha e até alguns “intermediários premium” ficam muito bons, passar anos com um deixa de ser um estorvo ou algo indesejável. Em alguns casos, a satisfação é tamanha que gera situações quase inacreditáveis.

É o caso do Frederico Maranhão, arquiteto e urbanista de Brasília (DF) e dono de um Moto Maxx, da Motorola. Quando comprou o aparelho, achou que “com certeza eu passaria mais de dois anos; três, muito provável; quatro, ainda daria; cinco, acho que não imaginava porque nunca fiquei tanto tempo com um telefone”. O Moto Maxx o acompanha desde 2015.

Detalhe da câmera do Moto Maxx.
Moto Maxx na época do seu lançamento. Foto: Rodrigo Ghedin.

Tamanha longevidade não vem sem transtornos. Entrevistá-lo foi um desafio porque ele não conseguia me ouvir na ligação, provavelmente devido aos danos acumulados do Moto Maxx. Resolvemos o problema trocando áudios por app de mensagens. A bateria, que na época da aquisição foi o fator determinante na escolha do modelo, está deteriorada e precisa ser recarregada mais de uma vez ao dia. E o visual, que ao sair da caixa era todo invocado, com um acabamento todo especial, hoje evidencia a idade do produto — “às vezes me sinto meio ‘mendigo’ nos grupos de amigos; é meio estranho”, confessa Maranhão.

Embora tenha o desejo de trocar seu combalido Moto Maxx, não é como se fosse uma urgência. “Entro nesses sites de promoções direto e já cheguei a boletar o Galaxy S9, mas aí fico na dúvida se não deveria ir para um modelo mais barato. Por enquanto, o Moto Maxx me atende, porque não sou um heavy user”, diz.

Dono de um iPhone 5S comprado em 2016, Paulo Ewerton, engenheiro de software de Campina Grande (PB), está mais tranquilo com o seu celular, sem pretensões de substitui-lo já. “Para o meu uso, está funcionando de boa, apesar de sentir lentidão em alguns aplicativos”, disse. “Não vou gastar uma grana em um celular novo se o que eu tenho está de bom tamanho”.

Para muita gente que fica com o mesmo celular por mais tempo, não se trata de uma opção, mas de necessidade. Afinal, estamos no Brasil, onde o dinheiro é curto e o crédito, caro. Situações pontuais escancaram a sensibilidade do nosso mercado: em 2017, as vendas de smartphones dispararam 9,7%, o segundo melhor desempenho da história, graças à liberação do saldo do FGTS feita pelo governo Temer. “Praticamente 80% do valor destinado a FGTS foi para consumo”, lembra Meireles.

Talvez esta seja uma boa oportunidade de confrontar a forte publicidade das fabricantes, que hoje veiculam anúncios em horário nobre na TV aberta, e o alto investimento em inovações de design com maior apelo estético que funcional, com percepções mais realistas, como diz Ewerton: “Ficar bastante com um celular é uma espécie de ‘ir contra a maré’ do que o mercado espera, de que você precisa ter sempre o equipamento mais recente como forma de não perder nenhuma característica. Se o aparelho está te atendendo suficientemente bem para sua necessidade, não as que você acha que pode querer por causa de uma propaganda, acho que não tem por que trocar”.

Maior longevidade, só que nas mãos de outra pessoa

Três pessoas consertando celulares em uma bancada e, ao lado, pilha de caixas de celulares refabricados prontos.
Foto: Yesfurbe/Divulgação.

Outro reflexo do aumento da vida útil dos aparelhos está no mercado de seminovos, ou “refabricados”, no jargão do setor. A Yesfurbe foi criada em 2018 para atacar esse nicho, com a promessa de “criar uma forma de tornar acessível celulares modernos e desejados, mas com preço menor do que é vendido originalmente”, de acordo com Danilo Martins, sócio diretor da empresa.

Ao receber um aparelho, a Yesfurbe o submete a um processo de análise, substituição de peças defeituosas, testes diversos e higienização. Ao final, seu estado é classificado como excelente, muito bom ou bom, ele é embalado e posto à venda no e-commerce. Os celulares refabricados pela Yesfurbe custam em média 30% menos que suas contrapartes novas e têm seis meses de garantia. A empresa espera vender 20 mil aparelhos em 2020.

Por ano, 100 milhões de celulares são descartados, diz Martins. E sendo o celular um aparelho delicado e difícil de reciclar, iniciativas que aumentem a longevidade dos aparelhos já fabricados são boas não só para o bolso dos consumidores, mas para o meio ambiente também. Não sejamos ingênuos; não é como se esse reaproveitamento ou mesmo a extensão da vida útil dos celulares para dois ou três anos vá fazer muita diferença, mas é (um pouquinho) menos pior, ou menos insano, que as trocas anuais. Em mais um exemplo de descompasso nos ritmos do mundo, quanto mais veloz o do consumo, menos fôlego sobra à natureza. Qualquer redução, ainda que longe de salvadora, ajuda.

Foto do topo: Daniel X. O’Neil/Flickr.

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16 comentários

  1. O meu é um LG X POWER comprei em janeiro de 2017 está funcionando normalmente e ainda tá com a bateria boa só troquei a tela porque tinha quebrado.

  2. Eu poderia dizer que a durabilidade se relaciona diretamente com a qualidade do material e também do cuidado da pessoa, mas não é regra. Como disse ali embaixo, tenho aqui funcionando bem um Nexus 4, de 2012, e um Lumia 710, de 2011. Eles funcionam conforme podem, levando em conta o sistema e hardware. Um amigo ainda usa o Lumia 520 que dei pra ele, pois, se funciona WhatsApp (mesmo que sem atualização) e dá pra fazer ligação, escutar música, ver algum vídeo em um app tipo YouTube, pq não daria para usar?
    E é um aparelho low end raiz, assim como o 710 era o low end da época, e o Nexus 4 um aparelho barato.
    Um outro amigo tem o Moto X de primeira geração, de 2013, e funciona bem. Todos esses mencionados já tiveram as baterias trocadas, fora isso nada mais. Agora, pega o 6p com qualidade ruim de materiais, ou o Xperia xz que é lento, travado, e quase impossível de trocar de rom. Percebe-se que, em certa faixa de tempo, as empresas criaram aparelhos menos duráveis. De 2013 a 2017 a maioria dos aparelhos eram pouco duráveis, salvo exceções. Em 2013 os aparelhos eram bons, em 2014 já não mais, vide problemas com o LG G3, Moto X2, os Xperia Z2 e Z3, os S5 da vida, e os intermediários nem se fala. Em 2015 tinha LG G4 com problema, nexus 5x e 6p idem, os moto X com problemas de desligamento, aquecimento, baixa qualidade de materiais, iPhones 6 e 6s que começavam a apresentar os problemas de lentidão que viriam mais pra frente, o Xperia Z5 torradeira. Em 2016 já houve uma melhora, com o S7 durando até hoje, iPhone 7 também apesar de não poder molhar de verdade, chinesas mostrando aparelhos bons como oneplus e Xiaomi, mas teve LG G5 problemático, Lumias 950 idem, Motorola lançando moto Z sem bateria, Pixel 1 se mostrando protótipo, Xperia xz abandonado e com hardware defasado (não tanto quanto o G5). A partir de 2017 é que realmente poucos aparelhos apresentaram problemas, tendo o restante amadurecido.
    Fiz todo esse role pra dizer que os aparelhos até 2013 duraram, duram até hoje, e que os que foram lançados a partir de 2017 irão durar mais, mas os que foram lançados entre 2013 e 2017, principalmente os de 2014 e 2015, não vão durar tanto quanto imaginávamos, basta ver como estão hoje. E eles são a evolução dos de 2013 pra trás, e olha no que deu. Agora, com aparelhos de 2017 em diante, acredito que o consumo que já diminuiu irá diminuir ainda mais, basta ver que há pessoas ainda usando aparelhos como iPhone 8 e X, Galaxy S8 e Note 8, LG G6 e V30, Huawei P10 e Mate 10, Xiaomi Mi6 e MI Mix 2, Pixel 2 XL, entre outros, todos com materiais bons, e que não são tão defasados em sua maioria, somente em design alguns, de resto estão 100% utilizáveis.

  3. O meu fui verificar e comprei em fevereiro de 2018, então já já completa dois anos.
    É um Zenfone 4 Max pro e a bateria continua ótima, mas infelizmente deixei cair e quebrou a tela e tive que trocar.
    Se não quebrar pretendo utiliza-lo por um bom tempo.

  4. Nossa, me identifico muito com gente que tenta utilizar ao máximo o aparelho antes dele ficar inservível. Porém gostaria de saber dos que comentaram aqui – que possuem o mesmo celular há pelo menos 4 anos – como é a autonomia da bateria de vocês? Quantas vezes carregam ao dia? Já fizeram substituição da bateria para aumentar a longevidade?

    1. O consumo de bateria realmente é um grande revés. Caso a internet (Wi-Fi ou roaming) ou bluetooth permaneçam ligados constantemente, é necessário carregar meu telefone a cada 8 horas.

      Pela experiência com todos os telefones que tive, trocar a bateria ajuda sim na longevidade, uma vez que até os níveis de carga ficam voláteis com o passar do tempo, com a medição da energia armazenada inconsistente.

    2. Substituí a bateria do meu duas vezes. Na primeira vez, o celular já estava desligando repentinamente lá pelos 40%, 50%, especialmente com usos que demandavam mais do aparelho, como a câmera. Eu não tinha nenhuma experiência em abrir celulares, então comprei muitas ferramentas e fui na cara e na coragem. Mas, graças aos excelentes passo-a-passo do iFixIt e a vídeos do YouTube, deu tudo certo, e consegui substituir a bateria uma bateria genérica comprada no AliExpress.

      Só que, depois de uns três meses com a bateria genérica que funcionava bem, num belo dia o celular simplesmente desligou. Ao abri-lo, encontrei o cabo da bateria estourado, e tive que instalar novamente a bateria original. Acabou que ela, após meses sem uso, havia degradado ainda mais; depois disso, eu praticamente tinha que andar com o celular conectado a um powerbank, enquanto esperava chegar uma nova bateria, dessa vez original, comprada no eBay. Ainda tive o azar de ter pego uma época que encomendas internacionais estavam demorando muito, então fiquei uns dois ou três meses nessa situação.

      Mas depois que chegou, troquei (e abrir o celular já estava cada vez mais fácil), e estou com a bateria até hoje, ainda razoável, mas já começando a mostrar os sinais da idade (o Accubattery reporta 81%, e às vezes o celular já desliga em uns 15%). Eu costumo carregar umas duas ou três vezes por dia, mas como fico boa parte do tempo em casa, é mais porque não gosto de deixar a bateria abaixo de 40%. Ainda assim, se eu ficar todo o dia na rua, preciso levar um carregador para dar uma carga em algum momento, ou usar em modo de economia de bateria.

  5. Lamentavelmente, as pessoas se rendem ao apelo consumista da indústria, onde elas preferem fechar os olhos para os problemas sociais e ambientais, e alimentar esse mercado apenas para se “encaixarem” com as tendências do momento junto com as outras pessoas “normais”, que diga-se de passagem, são tendências superficiais.

    Tenho um telefone Nokia Asha 303, de 2012, que mantenho funcionando plenamente e funcionalmente intacto, já que a aparência não tem como salvá-lo do tempo.

    A população, apesar de confiar cegamente dados confidenciais como documentos, cartão de crédito, etc em seus aparelhos, se fazem valer da desculpa de não serem tecnologicamente inclinadas para não procurar entender os méritos e o funcionamento básico de seus dispositivos.

    Estabeleci para mim mesmo os critérios que um celular precisa para me atender, e justamente por isso, carrego por 8 anos o meu telefone, que se conecta com a internet, ainda possui razoavelmente uma gama de aplicativos disponíveis e vários serviços como Mapas, email e redes sociais ainda utilizáveis.

    Por volta de 2016, me foi presenteado um smartphone Moto G para fazer uso do Telegram, uma vez que ligações diretas e SMS eram um incômodo para quem quisesse entrar em contato comigo. E até hoje ele também está comigo, e o que pode ser mais impressionante ainda, é que eu sequer o utilizo com frequência. Meu Nokia Asha ainda continua sendo meu telefone principal, e utilizo a tecnologia bluetooth thetering no Moto G para capturar dados de pacote e receber novas mensagens no Telegram. Basicamente um sombra do meu Nokia onde ele cobre os casos que meu telefone principal já não tem mais atuação, e que talvez um dia substitua.

    Infelizmente, pras pessoas que não sabem realmente o que querem para si mesmas, e como aproveitar ao máximo os seus telefones, números de pixels em câmeras, identificador digital ou dados genéricos como números de cores ou memória RAM são usados para mensurar e precarizar suas necessidades e dispositivos atuais, respectivamente.

    Enquanto não houver consciência social, os males da destruição expressiva do ambiente no processo de manufatura de eletrônicos, exploração de trabalho em condições insalubres, o lixo eletrônico que apenas se acumula e degrada ainda mais o solo, e a ideia de que o celular é apenas um objeto descartável, será preponderante.

  6. que dados interessantes! saber q furto ou roubo de celular representam apenas 13% da motivação de troca dão a medida do sensacionalismo q envolve a questão qdo falam dela por aí. a maioria troca pela novidade q compreendo estar mais ligada ao ímpeto consumista. o meu samsung s6 acabou de quebrar de um jeito q, presumo, não tem mais concerto. ele apagou totalmente e não dá o menor sinal de vida. ele é (ou era) de 2016 e já tinha feito uma troca de bateria nele q, diga-se, é dificílima, tanto q não me arrisquei eu mesmo fazer. depois de muito considerar, acabei optando por s9 (aparelho de 2018, q recebeu atualizado de android, provavelmente a última, mas q ainda dá conta do recado), a muito contragosto por conta da experiência ruim q tive com a samsung, mas a urgência na troca era maior. espero conseguir dar um destino ao s6 (mesmo q não receba nada por isso). quem mora em sp tem como descartá-lo em local adequado e seguro, mas ainda muito limitado.
    achei ótima a iniciativa de reparar aparelhos e vendê-los. espero q essa empresa consiga fazer isso da maneira mais ampla possível. e bem q poderia haver leis incentivando empresas assim. os deputados dormem no ponto…

    1. Esqueci de comentar que instalei o Android Go no Moto G2 e a rom LineageOS. Ate que tusdo funciona bem.

    2. Tô nesses 13%, tinha um moto X que foi roubado (na verdade o ladrão acabou fazendo um favor pois o bichinho já tava nas últimas). Agora tô com o Moto G5 que comprei para substituí-lo há 3 anos e bastante feliz, ao menos o zap ainda funciona.

      O que segura meu consumismo é justamente a insegurança. Imagina gastar uma nota num telefone topo de linha e sair com medo na rua? Ao menos esse moto G5 eu saio sem me preocupar tanto se o “novo dono” aparecerá ou não.

  7. Ao ler a matéria não tive como não lembrar do FairPhone (https://www.fairphone.com/en/).

    A proposta de um aparelho fácil de reparar (que inclusive acompanha uma mini chave de fenda na caixa) vai na contramão da indústria.
    Resta ver se existem consumidores suficientes para esse tipo de iniciativa se manter e gerar alguma mudança no padrão de consumo e trocas frenéticas de aparelhos.

    Eu sou dono de um Samsung Galaxy S8 que está completando 2 anos e me vejo “tentado” a todo momento por novos lançamentos. Mas o aparelho ainda é excelente e teoricamente não existe motivo para troca.

    1. O FairPhone é bem legal, né? Uma pena venderem só na Europa. Acho que é uma limitação do próprio modelo, que não “escala” muito — em seis anos, eles venderam apenas 175 mil unidades dos dois primeiros modelos. E o pior é que o impacto das ideias deles no restante da indústria tem sido modesto.

      Em um mundo ambientalmente consciente, o ritmo da FairPhone seria o padrão: um celular novo a cada 2–3 anos com suporte garantido por pelo menos 5 anos.

  8. Me identifiquei muito com esta reportagem. Esses dias percebi que o meu celular atual, comprado em 2015, já representa mais da metade do tempo que uso smartphones. Percebi também que antes eu durava menos de um ano com celular, seja por roubo, perda, defeito ou um porque alguém da família repassava o seu celular para mim.

    Realmente, o fato de meu celular atual, um Nexus 6P, ter sido um flagship em sua época, faz com que eu tenha aguentado tanto tempo com ele. Mas a principal razão foi porque eu mesmo passei fazer a manutenção do meu celular. Este modelo, apesar de várias qualidades, foi relativamente infame, devido a alguns problemas recorrentes, como os bootloops (que renderam até indenizações coletivas nos EUA a donos de aparelhos defeituosos), dos quais felizmente não sofri, e a péssima vida útil de sua bateria, que em pouco mais de dois anos fica quase inutilizável. Atualmente, depois de ter trocado a bateria duas vezes, estou sofrendo com uma lentidão que parece ser causada por desgaste da sua memória flash, que li que é de má qualidade.

    Eu acredito que um bom celular deve durar pelo menos 3 anos, e que esse período é razoavelmente responsável para se pensar em trocar de celular. Mas acabou que fiquei 4 anos com esse aparelho até comprar um novo na black friday chinesa, um Xiaomi Mi 9 que ainda estou esperando chegar da China. Vou aposentar o Nexus com quase 4 anos e meio, e espero que o Xiaomi seja igualmente duradouro.

    1. Tive um Nexus 6p, assim como 2 5x, 2 5 (o vermelho é maravilhoso) entre outros. Tive problemas de desempenho no 5x e 6p, onde o 5x com certa idade (menos de 1 ano do meu uso) já apresentava lentidão, entendi que por ter apenas 2 gb de ram não dava pra pedir muito, mas ele tinha desempenho inferior ao 5, fazendo as mesmas coisas. Li também que os jogos eram muito pouco otimizados para o Snapdragon 808, que teve poucos modelos que o usaram, e por isso qualquer aparelho com snapdragon 625 rodava jogos de uma forma melhor. No caso do 6P senti o que você disse, ele ficou lento em 2017 e não tinha o que eu fizesse para que ele voltasse a ser tão rápido, nenhum reset funcionava. Durou pouco mais de 2 anos completos. Meu Nexus 4 tá aqui, funcionando perfeitamente, já até instalei o Firefox OS e o Ubuntu nele para experimentar, e voltei para o Android para emprestá-lo à um amigo. Tá normal, rápido na medida do possível, dá pra usá-lo tranquilamente principalmente depois que troquei a bateria, que nunca foi boa mas poderia ser pior. Quando peguei ele para usar de verdade, como aparelho único, usava no 4g tranquilamente, carregava sem fio no trabalho, ouvia música, navegava por apps, isso com o sistema original, depois que coloquei uma CM ele melhorou até a câmera. Um aparelho de 2012 que não trouxe estresse que aparelhos de 2015 trouxeram. Outro aparelho que tá aqui, funcionando bem no limite do aceitável é um Lumia 710, claro, sem apps como insta, o whats ainda funciona bem mesmo sem atualização, é um aparelho que para emergência funciona, e a navegação na web é normal. Tudo depende de saber cuidar, também.

  9. Até o começo desse ano tava usando um iPhone 5, desde 2017. Troquei pelo 6 da minha irmã. Caiu, rachou a tela, minha irmã comprou outro pra ela e fiquei com esse. Pra mim, o único problema mesmo é a tela. Ele roda muito bem. Apesar de que já achei apps que precisam do iOS13, mas foram só dois.

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