Relatório da moderação de comentários (maio e junho de 2025)

Em maio, mudei o fluxo de registro dos casos de moderação de comentários. No anterior eu escrevia em um arquivo *.txt na área de trabalho; no novo, já salvava direto em um rascunho de post no blog.

Resultado: esqueci completamente do relatório de maio.

Talvez seja melhor assim, ou seja, publicá-los com periodicidade bimestral. Temos tido pouca confusão nos comentários, o que por um lado é bom, mas por outro é reflexo de uma diminuição do volume total de comentários ao longo de 2025.

Dos casos do bimestre maio–junho, chamo a atenção ao 202505-9, em que mudei de postura após engajar no debate com o leitor que (na minha avaliação posterior) saiu um pouco da linha. Creio que a conversa, publicada na íntegra ali embaixo, e a minha justificativa sejam suficientes como minha “defesa”.

***

Caso 202505-8, 5 de maio

Post: [Órbita] [en] O Linux não é (só) melhor, é também mais DIVERTIDO

Comentário:

Nunca é bom generalizar. Você tem uma experiência boa com Linux? Ok, parabéns e seja muito feliz.
Agora sobre a tal superioridade e modernidade que você escreveu, na minha opinião parece apenas voltada a sua realidade. Na minha realidade, o Linux atrapalha o workflow.

Solução, caso 202505-8

Exclusão do comentário. Enviei este e-mail ao autor:

Oi [nome],

Excluí seu comentário (abaixo).

Concordo contigo que experiências individuais não podem ser extrapoladas a todos e, embora eu esteja com o JoaoM na comparação entre Linux e Windows, é algo discutível.

O motivo da exclusão foi o tom do comentário, que achei confrontativo. Pesou o clima, sabe?

Espero que compreenda.

Abraço,

***

Caso 202505-9, 8 de maio

Post: O grupo de WhatsApp do Manual do Usuário

Comentários:

Leitor A: Participei por um tempo, mas preferi sair. Tem uma galera muito legal, tive boas conversas com a maioria e muito aprendizado. Vale muito a pena por isso. Mas também tem algumas pessoas que se ofendem por tudo, e você precisa prestar muita atenção no que vai dizer para não incomodar os sensíveis. Essa sensibilidade demasiada me fez sair.

Leitor B: O público desse site/blog é praticamente uma bolha dessas de Interne. Quando vc “fura” ela acontece isso.
Não percebeu aqui msm na seção de comentários? Rs

Leitor A: Sim, todo espaço na internet é uma pequena bolha; aqui não seria diferente. Mas essa sensibilidade demasiada no grupo de WhatsApp, eu acho prejudicial à socialização entre adultos no ambiente virtual. No meu caso específico, não houve ofensas nem desrespeito; foi um relato de um caso pessoal que, de alguma forma, incomodou alguém que pediu ao Ghedin para reclamar do meu jeito de falar em privado. Achei isso infantil. E como foi a segunda vez, percebi que estava incomodando e achei melhor sair.

Mas tirando isso, o grupo é muito bom. Há pessoas muito safas e um compartilhamento de ideias bem legal. Pena que não é um espaço que aceite ironias, hipérboles e ferramentas que fazem parte da comunicação em língua portuguesa, mesmo que sem desrespeitar ninguém.

Eu: Não foi só uma pessoa, Leitor A. O primeiro toque foi por iniciativa própria minha, salvo engano.

Acho injusto você dizer que “não é um espaço que aceite ironias, hipérboles e ferramentas que fazem parte da comunicação em língua portuguesa”, porque não foi esse o problema.

O grupo tem mesmo uma sensibilidade maior que a média. Eu mesmo me acho sensível. Talvez seja esse o ingrediente que faz dele (e deste Manual) um lugar legal na internet? ✨

Leitor A: “Não foi só uma pessoa, Leitor A”

Sei disso. Você me disse no dia. Por isso mesmo falei “algumas pessoas” no meu comentário. Tanto sei que, por ser apenas um, achei melhor sair pra manter o ambiente como a maioria gosta.

“Acho injusto você dizer que […] porque não foi esse o problema.”

Até onde sei, foi. Já que não ofendi ninguém e estava apenas dando um relato de algo engraçado que aconteceu em outro grupo. Inclusive, a maioria das pessoas riu e reagiu positivamente ao meu relato, mas alguns, que não falaram na hora, preferiram “enredar” em privado.

“Talvez seja esse o ingrediente que faz dele (e deste Manual) um lugar legal na internet? ✨”

Penso que não. Em minha visão, ser demasiado sensível a palavras prejudica a comunicação. Vivemos em uma sociedade plural, com regiões, sotaques, estilos de vida e de fala bem diferentes. Penso que é importante entender o contexto e, desde que não seja algo ofensivo e/ou criminoso, simplesmente ignorar. Achei inclusive que você se prestou a um papel bobo ao ter que intermediar a situação; poderia ter sugerido que as pessoas falassem comigo diretamente, até mesmo no grupo, e resolvido a questão. Mas, como aconteceu a segunda vez, segui o ditado e, incomodado, me retirei.

Tudo certo. Sem ressentimentos. Comentei aqui porque o tema veio a calhar e por achar que vale a pena avisar os colegas para não serem chamados à atenção também.

Leitor C: Sobre o seu último parágrafo, Ghedin: discordo. Tanto que esse tem sido o motivo que me afastou da área de comentários.

Eu: @ Leitor C: Infelizmente não dá para agradar a todos 😕

Leitor D: Vários motivos que vão na mesma linha do que vc citou tem me afastado daqui.

Mas ao ler o seu relato, vejo que não vou mesmo entrar em grupo de WhatsApp.
Obrigado pelo relato.

Outra conversa no mesmo post, relacionada às trocas acima:

Leitor E: Pelos comentários aqui tem um pessoal reclamando que os outros são sensíveis demais por reclamar… E tão aqui reclamando disso/ameaçando sair da comunidade/frequentar menos o ambiente… Só eu detectei a ironia nisso tudo?

Leitor F: Não, não tem ironia nenhuma. Não percebi nenhuma tentativa de inflamar o ambiente ou se vitimizar e, além disso, o próprio Ghedin está interagindo com o tema.

Por que desvalidar a opinião dos colegas?

Leitor E: Não de inflamar o ambiente, mas acompanha comigo: o pessoal “se sensibilizou” porque a comunidade é “sensível demais”.

Tipo, alguém te dá um toque na boa porque algo que você falou não pegou bem e, em vez de aproveitar o momento para uma introspecção, o pessoal já vai pro “é, essa comunidade é sensível demais, vou sair daqui, valeu”. Pior, tem que voltar aqui direto (não é só de agora nesse post) pra reclamar que o manual é uma “bolha” com o povo “sensível demais” e eu, ao apontar isso, sou acusado de desvalidar a opinião dos colegas, pois só a deles conta, certo?

A abordagem correta da comunidade, para não ser taxada de bolha ou sensível seria aceitar todo e qualquer discurso?

Solução, caso 202505-9

Exclusão dos comentários, que ficaram no ar por (muito) tempo, quase 24h. Decidi exclui-los enquanto respondia, de madrugada (estava com insônia), ao comentário do Leitor F, e graças às palavras do Leitor E. (Obrigado, Leitor E!)

Não cheguei a postar este último comentário, que seria em resposta ao Leitor F, mas fica aqui o registro:

Só estou interagindo para apontar o “outro lado”, o lado do Manual, diante de acusações que considero injustas. Não encare as minhas respostas como um reconhecimento das críticas.

Concordo com o Leitor E, e vou além: acho muito deselegante serem colocadas aqui, em um post que apresenta as coisas boas da comunidade no WhatsApp a fim de promover o principal meio de financiamento do Manual. Para ser bem sincero, eu nem sei por que deixei esses comentários no ar…

***

Caso 202505-10, 22 de maio

Post: [Órbita] Por que a comida no Brasil fica cada vez mais cara se a safra está cada vez maior?

Comentário:

Não dá pra comentar sem ser banido ou cair no próximo relatório de moderação de comentários.

Solução, caso 202505-10

Comentário foi barrado no filtro do sistema e excluído de lá. Dispensável elaborar qualquer justificativa, né?

***

Caso 202506-11, 27 de junho

Post: [Órbita] O que você está vendo, ouvindo, lendo, jogando, curtindo, assistindo…? (27/6/2025)

Comentário:

Drogas, lícitas e ilícitas. Existe mais alguma coisa boa além disso ?

Solução, caso 202506-11

Exclusão do comentário. Não que o tema seja tabu, mas não tem a ver com o propósito da conversa e poderia, facilmente, desvirtuá-la. Eu sugeriria ao autor (que não deixou e-mail válido) que abrisse uma conversa sobre o assunto…

***

Caso 202506-12, 30 de junho

Post: Nomadismo digital com um carro elétrico: Um guia de sobrevivência para as estradas brasileiras

Comentário:

“Eu não queria colocar um centavo no bolso daquele cidadão dono da empresa, mas, infelizmente, nenhuma outra companhia oferece um serviço com a mesma qualidade e preço no Brasil.”

parei de ler aqui. o cara tem a vida imensamente facilitada, com algo que antes era impossível, por um baixo preço, e vem com ideologia.

Solução, caso 202506-12

Deselegante com o autor convidado. (E quem comenta sem ler?) Não mandei e-mail porque é leitor reincidente e fiquei com preguiça.

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13 comentários

  1. É legal que pela verborragia a gente já sabe quem é o Leitor A

  2. Nossa, Guedin, li alguns comentários e achei super tranquilos, nada demais. Isso me fez pensar sobre essa questão da regulação das redes e também sobre a decisão do STF a respeito do Marco Civil da Internet. Fico me perguntando: será que, a partir disso, começaremos a ver conteúdos sendo retirados simplesmente por serem considerados “fora do tom” ou “deselegantes”?

    Acho totalmente válida a remoção de deep fakes, fake news e, claro, de conteúdos criminosos como pornografia infantil. Mas quando começamos a moderar comentários com base em impressões subjetivas, como o que é ou não é adequado, não corremos o risco de virar juízes da opinião alheia?

    1. Acho totalmente válida a remoção de deep fakes, fake news e, claro, de conteúdos criminosos como pornografia infantil. Mas quando começamos a moderar comentários com base em impressões subjetivas, como o que é ou não é adequado, não corremos o risco de virar juízes da opinião alheia?

      Sim! Por isso moderação e liberdade de expressão são tão difíceis de equilibrar. E também por isso que nunca posicionei o Manual como um “espaço democrático”, apesar de fomentar comentários e estar aberto ao contraditório. Diferente das grandes plataformas sociais, que se dizem porta-vozes da liberdade de expressão. Num contexto diferente (no Facebook, por exemplo), acho que nenhum dos comentários acima seria barrado.

  3. Agora que estou vendo que o debate sobre o grupo de WhatsApp foi excluído. Como não houve mais respostas, não fui ver mais. Mas a ideia era justamente apresentar um contraponto, um alerta, já que as pessoas têm entonações distintas na forma de se comunicar. Isso é tão verdade que mais pessoas concordaram e comentaram. É uma pena que o blog não aceite visões diferentes de enxergar o mesmo ponto. A prova maior disso é o caso 202505-8, que foi injustamente “punido” por trazer uma outra visão, com respeito.

    Acho que o Rodrigo devia separar melhor o que é ofensivo, o que é ódio gratuito, quem são os famosos “trolls” e quem realmente gosta da comunidade, apoia financeiramente e só traz uma visão diferente. Mas, se quer colocar todo mundo na mesma bolha, tudo bem. Mas que é uma pena, é.

  4. Eu achei super tranquilo o caso 202505-8. O cara foi bem educado, não tentou inflamar nada.

    Mas, entendo que o blog pertence ao Ghedin e ele tem seus critérios.

    1. Num achei super tranquilo não. Cara, a primeira regra é bem básica:

      Quando você se comunica via internet, tudo o que vê é uma tela, mas atrás dela existem pessoas de carne e osso, com sentimentos. Sempre tenha isso em mente antes de mandar um comentário. Quando estiver respondendo alguém, questione-se: “Eu diria isso na cara da pessoa?” Se a resposta for “não”, reconsidere sua resposta. Em outras palavras, tente não ser desagradável.

      Qnd a pessoa fala “ok, parabéns e seja muito feliz”, na minha opinião é um escárnio desnecessário que não falaria na cara da pessoa…

  5. Não entendi o ponto do comentário Caso 202505-8, 5 de maio

  6. Tem um comentarista reincidente do manual e que é fã do Musk? Cadê a bolha de esquerda que você prometeu, Ghedin?

  7. Achei que pegou pesado moderando o primeiro comentário, pegou muito pesado, achei o comentário super tranquilo.

  8. você quer dizer que reincidentes não merecem respeito?
    hum, curioso.
    sua opinião é a mesma para reincidentes criminais? (curiosidade real, já que vc tb é formado em direito).

    1. Não quis dizer isso.

      Não mandei e-mail naquele caso (e em outros) porque o reincidente *sabe* que está sendo desagradável, *sabe* que o comentário dele será rejeitado aqui e, ainda assim, aperta o botão “Publicar”.

      O e-mail à pessoa que tem um comentário barrado serve a um propósito bem específico: dar ciência da minha motivação para a remoção a fim de que, no futuro, a pessoa pense melhor se seu comentário está adequado ao ambiente e às regras de convivência. Após dezenas de e-mails do tipo, acho que ou a pessoa não quer entender, ou continua fazendo de pirraça. Em qualquer dos casos, o e-mail de aviso deixa de fazer sentido, concorda?

  9. “Leitor A” ainda tá nesse negócio?
    Ômi, se liberte. Piega da gota

  10. Sinceramente, eu não vi nada demais no tom do Caso 202505-8, 5 de maio.