Do Galaxy J aos novos Galaxy A: a evolução do smartphone intermediário da Samsung

Foto de divulgação do Galaxy A70.

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Não é exagero dizer que a linha Galaxy J, da Samsung, é um grande sucesso da empresa sul-coreana. Em 2017, no Brasil, os incontáveis aparelhos da linha venderam 20 milhões de unidades, o que correspondeu a 42% dos smartphones vendidos no país. Os dados são da consultoria IDC. Apesar do bom desempenho, em 2019 a Samsung revitalizou a linha Galaxy A e lançou a Galaxy M, vendida exclusivamente via internet, a fim de substituir a Galaxy J. Diz o velho ditado que “em time que está ganhando, não se mexe”, mas o exemplo da Samsung mostra que se mexe no time sim se o placar estiver apertado do outro lado do mundo.

A grande quantidade de celulares da linha Galaxy J sempre intrigou a imprensa especializada e, em alguma medida, confundiu consumidores mais detalhistas. Em 2018, fiz um levantamento e descobri que havia 18 modelos da linha à venda no Brasil, com preços que variavam de R$ 300 a R$ 1,7 mil.

Ao consumidor mais sensível a preços, em busca de um intermediário, instalava-se um grande dilema: qual smartphone Samsung levar? A nomenclatura não ajudava muito. Havia um número que procedia o “J” — Galaxy J5, Galaxy J7 — e, na maioria dos casos, um “sobrenome” — Galaxy J5 Neo, Galaxy J7 Prime — que, embora tivesse alguma lógica, não era uma óbvia. Para complicar ainda mais, as promoções do varejo tornavam relativamente comum cenários em que modelos distintos eram vendidos a preços similares, eliminando um fator de diferenciação que costuma funcionar em outras categorias de produtos, o famoso “quanto mais caro, melhor”.

Foto de divulgação do Galaxy J7.
Foto: Samsung/Divulgação.

Nada disso importava, afinal, com os Galaxy J vendendo muito. De acordo com a Samsung, a linha foi pensada para consumidores das classes C e D com idades entre 18 e 35 anos.

Todos esses bons números poderiam dar a impressão de que a vida do Galaxy J seria longeva. Não foi. A marca acabou aposentada no início de 2019 para dar lugar à renovada linha Galaxy A e à estreante Galaxy M. Para entender essa mudança, que à primeira vista parece não fazer sentido, precisamos ir ao outro lado do mundo, mais precisamente à China e à Índia, países de dimensões continentais que concentram, somados, 36,4% da população mundial.

As ameaças do Oriente

Ambos os mercados, chinês e indiano, têm suas peculiaridades. Diz-se que a China é uma espécie de “Galápagos da tecnologia”: o fato de o governo impor sérias restrições à atuação de empresas estrangeiras e a grande infusão de capital resultante do “boom” econômico das últimas décadas criaram as condições para que empresas de tecnologia locais surgissem e crescessem a ponto de rivalizarem em inovação, qualidade e escala com as grandes multinacionais, como a Samsung. Já a Índia vive uma explosão digital em um momento de estagnação da indústria de telefonia móvel, cenário que atraiu empresas chinesas e as tradicionais no Ocidente, além de uma leva de locais (Micromax, Lava e Jio), para uma guerra acirrada por novos consumidores ávidos por aparelhos bons e baratos.

Fabricantes chinesas com estratégias mercadológicas agressivas, como Xiaomi, Huawei, Oppo e Vivo (não confundir com a operadora que atua no Brasil), apostaram em celulares intermediários com configurações avançadas a preços quase de custo para ganharem o consumidor doméstico e o indiano. Deu certo: entre 2017 e 2018, a hegemonia dessas marcas nos dois países foi praticamente absoluta nos rankings de vendas das consultorias globais. A Samsung ainda é a maior fabricante de smartphones do mundo, mas na China, por exemplo, sua participação de mercado é pífia. Ela e a Apple, as duas únicas não chinesas que aparecem no ranking da consultoria Counterpoint referente a 2018, chegam a 10% de mercado somadas — e a Samsung responde por apenas 1% do volume total.

O avanço global da Huawei, atual segunda maior fabricante de celulares do mundo, em especial na Ásia e na Europa, e a espécie de renascimento por que passou a Xiaomi nos últimos dois anos, além do surgimento de uma série de marcas e submarcas menores, devem ter acendido o sinal de alerta na Samsung. Para 2019, o plano da fabricante foi revitalizar as suas linhas de entrada e intermediária, inclusive trazendo recursos novos que, até então, eram primeiro apresentados nos topos de linha (Galaxy S e Galaxy Note) para só depois “escorrerem” aos aparelhos mais baratos.

Foi aí que se desenhou a derrocada da linha Galaxy J e o reposicionamento da Galaxy A e lançamento da Galaxy M. Comparados aos celulares intermediários das marcas chinesas de preços similares, os Galaxy J deixavam a desejar: o acabamento era pior e os componentes, mais fracos ou defasados. Esta opinião se manifestava em análises de sites especializados, mesmo quando um Galaxy J agradava pelo desempenho e outros fatores objetivos.

A estratégia Galaxy A

Foto de divulgação dos Galaxy A30 e A50.
Foto: Samsung/Divulgação.

O novo plano da Samsung para conter as marcas chinesas ascendentes passava pelo sucesso dos novos Galaxy A. Ele teve início no dia 25 de fevereiro de 2019, quando a fabricante anunciou os Galaxy A30 e A50, os primeiros da nova fornada de intermediários bons de briga. Três dias depois, eles começaram a ser vendidos na Índia.

Os dois modelos lembram mais o Galaxy S10 do que os Galaxy J que vieram para substituir: eles têm telas enormes que ocupam quase toda a parte frontal e design com entalhe para a câmera frontal, recursos avançados como a câmera tripla e o sensor de digitais na tela (no A50), tecnologia de tela AMOLED e, o mais importante, preços competitivos — no Brasil, foram lançados por R$ 1.599 (A30) e R$ 1.999 (A50). Quando chegaram ao país, em abril, a dupla veio acompanhada do restante da família, os Galaxy A10 (R$ 999), A20 (R$ 1.299) e A70 (R$ 2.499). O Galaxy A80, com um engenhoso mecanismo que permite usar a câmera principal para fazer selfies, chegou em julho pelo preço sugerido de R$ 3.999.

Note, porém, que preços sugeridos de lançamento não costumam ser “respeitados” por muito tempo pelo varejo. O Galaxy A30, por exemplo, já é facilmente encontrado na faixa dos R$ 1 mil no varejo, um desconto de mais de 30%. O Galaxy A10, modelo mais simples, está na faixa dos R$ 600, valor que o coloca como alternativa a maioria dos antigos Galaxy J de entrada.

Um rápido resumo de cada modelo:

Galaxy A10

É o mais simples de todos, com tela HD+ (720×1520 pixels) de 6,2 polegadas, apenas 2 GB de RAM, 32 GB de memória interna, acabamento em plástico, apenas uma câmera atrás (e outra frontal) e, no que talvez seja a sua maior deficiência, ausência de um mecanismo de autenticação biométrica, ou seja, nada de sensor de impressões digitais. (Ele oferece o desbloqueio por reconhecimento facial, porém é o sistema antigo e pouco confiável do Android.) A bateria tem 3.400 mAh. No Brasil, está disponível nas cores azul, preto ou vermelho.

Galaxy A20

A tela cresce um pouco (6,4 polegadas), mas mantém a mesma resolução, o que acaba sendo ruim — a mesma quantidade de pixels para cobrir uma área maior resulta em menor definição. O acabamento ainda é em plástico. Fora isso, o Galaxy A20 tem uma série de melhorias em relação ao A10: ganha o sensor de digitais nas costas, tem mais RAM (3 GB), mais bateria (4.000 mAh) e uma segunda câmera atrás com lente grande angular. Também disponível em azul, preto ou vermelho.

Galaxy A30

O Galaxy A30 é uma espécie de divisor de águas dentro da linha: a resolução da tela aumenta (FHD+, ou 1080×2340 pixels) e seu acabamento é mais sofisticado, sem plástico. Ele também traz duas câmeras atrás, uma delas com melhor resolução que as do A20, e o software traz alguns recursos inteligentes, como modos de cena automáticos e detector de piscadas. Nas cores azul, branco ou preto.

Galaxy A50

O Galaxy A50 adentra ao território dos “super médios”, com recursos herdados diretamente do então topo de linha da Samsung, o Galaxy S10: leitor de impressões digitais na tela e câmera tripla nas costas. As memórias também são maiores — 4 GB de RAM e 64 GB internos. Nas cores azul, branco ou preto.

Galaxy A70

O telão de 6,7 polegadas é a característica definidora do Galaxy A70. A bateria acompanha o aumento de tela e é a maior da linha, com capacidade de 4.500 mAh, bem como as memórias, que aqui são de 6 GB (RAM) e 128 GB (interna). Nas cores azul, branco ou preto.

Galaxy A80

O topo de linha, Galaxy A80, não tem câmera frontal, o que permite que a tela ocupe toda a extensão frontal sem entalhe ou qualquer outro recorte. O segredo está em um mecanismo engenhoso que traz a câmera tripla de trás para a frente quando se quer tirar uma selfie. Neste caso, um vídeo vale mais que palavras:

O Galaxy A80 tem 8 GB de RAM e 128 GB de memória interna. No Brasil, está disponível nas cores preto ou rosê.

Na prática

Mesmo lançados há pouquíssimo tempo e não sendo tão urgentes no Brasil, os efeitos da nova linha Galaxy A já se fazem sentir no varejo daqui. Alguns sites que monitoram o interesse dos consumidores no varejo online já trazem modelos desta linha em seus rankings mais recentes. Deve estar contribuindo para esse sucesso, também, a forte campanha de marketing da Samsung, que conta até com inserções em horário nobre na TV.

É difícil chegar a um consenso em uma linha que, embora enxuta comparada às — literalmente — dezenas de aparelhos da Galaxy J, ainda assim já nasceu com estes modelos distintos. De qualquer forma, em conjunto, a recepção dos novos Galaxy A tem sido bastante positiva. A imprensa especializada avaliou bem os modelos, ressaltando a qualidade do acabamento, os recursos avançados em faixas de preço mais acessíveis e a inovação. Evidentemente, alguns detalhes como as câmeras simples dos Galaxy A10 e A20 foram criticadas, mas levando em conta o conjunto, pode-se dizer que a nova aposta da Samsung substitui muito bem os antigos aparelhos Galaxy J.

E o Galaxy M?

Lançada um pouco antes e também primeiro no mercado indiano, a linha Galaxy M foi inspirada por um modelo de negócio: o da venda direta e exclusiva via internet. São aparelhos similares, embora com menos recursos inovadores, aos da nova linha Galaxy A e, segundo a Samsung informou na época, “criados do zero no país [Índia] para os jovens millennials”. Apesar do foco naquele mercado, os Galaxy M também foram lançados no Brasil.

Este artigo foi patrocinado pela KaBuM!. A pauta foi definida em conjunto e a KaBuM! revisou o texto antes da publicação.

Foto do topo: Samsung/Divulgação.

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5 comentários

  1. Minha impressão é que eles subiram MUITO o preço da linha S, e colocaram a linha A naquela região de preço. Vejam só: em 2016, o S7 foi lançado por 3800. Corrigindo pela inflação, não chega a 3900. É o preço de lançamento do A80 citado na matéria. Enquanto a linha S foi para a casa do 5k.
    Tenho o S7 até hoje (comprado em 2017). Não pretendo trocar de celular tão cedo, pois ele me atende bem. Mas hoje eu não conseguiria mais me manter na linha S, migraria para A.

  2. Eu substituí um S8 por um A70 e não tenho do que reclamar. O aparelho vem me atendendo muito bem e confesso que foi até uma surpresa. O único contra é o sensor de digitais que é um pouco lento, mas mesmo assim, nada que faça subir pelas paredes. A não ser que você coloque uma película na tela, aí ele fica impraticável.
    Mesmo assim, é um aparelho muito bom para quem não quer gastar mais de 2k em um top de linha.

    1. Se não me engano vi ele em promoções por 1700 ou menos. É um aparelho muito bom e pra quem curte assistir coisas ou editar coisas a tela grande é excelente.

      1. Melhor que o S8 o A70 não é. Ele é um aparelho muito bom, mas não é a prova d’água, por exemplo. Algumas outras opções também ficaram de fora. O leitor de digital do S8, mesmo naquela posição intragável é muito mais rápido que do A70, que é lento e se colocar película na tela, ele praticamente não lê mais sua digital.
        Porém, não encontrei outro S8 com o mesmo valor do A70. Se encontrar, o S8 ainda é um aparelho melhor. Com relação a câmera, ela me atende bem. Mas não sou especialista em fotos e meu uso é basicamente escanear documentos, fotografar anotações, etc.

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