O Android 14 QPR3 Beta 2 ativou, nos celulares da linha Pixel 8, um recurso similar ao Dex, da Samsung — uma interface diferente, propícia para uso com teclado e mouse, quando o celular é conectado a um monitor externo.

Ainda é cedo para saber se isso será um recurso do vindouro Android 15. Seria legal se sim. Para alguns perfis, como aqueles que conseguem se virar com um tablet no lugar do notebook, um celular do tipo talvez servisse para tudo. Via Android Authority (em inglês).

A Samsung atualizou alguns celulares e tablets para torná-los compatíveis com o Auracast, uma tecnologia Bluetooth para emitir áudio de fontes distintas para múltiplos destinatários. Algumas TVs da marca também já são compatíveis.

(Imagine uma TV em um bar, por exemplo, emitindo seu som para os fones de ouvido de alguém que queira acompanhar a narração, ou receber nos seus próprios fones a tradução simultânea de uma palestra.)

No site oficial, tem um breve vídeo mostrando alguns casos de uso e outros materiais. Via Samsung, Bluetooth (ambos em inglês).

Google paga dezenas de bilhões a rivais para manter buscador como padrão

A linha de defesa do Google no processo que os EUA movem contra a empresa por monopólio do mercado de buscas, é que as pessoas usam o Google porque é o melhor buscador.

Nesta segunda (13), uma testemunha do Google deixou escapar que a empresa repassa à Apple 36% do que fatura com buscas no iPhone, iPad e Mac, em troca de ter seu buscador como padrão nesses dispositivos.

Segundo o relato da Bloomberg, o advogado do Google reagiu visivelmente à revelação do percentual, que deveria ser confidencial.

Em outro processo, este movido pela Epic Games, descobriu-se que o Google pagou à Samsung US$ 8 bilhões em quatro anos (desde 2020) para manter seu buscador, assistente de voz e loja de apps como padrões nos dispositivos Android da empresa sul-coreana.

Essas revelações colocam em xeque a principal linha de defesa do Google. Afinal, se o buscador é tão bom quanto a empresa diz, por que abrir mão de (literalmente) dezenas de bilhões de dólares para assegurá-lo como padrão em navegadores e dispositivos de terceiros?

Parece até… estratégia monopolista. Será?

Para colocar a situação em perspectiva: a Microsoft faturou ~US$ 11,6 bilhões com publicidade (a maior parte no Bing) no ano fiscal de 2022. Nem se a empresa oferecesse 100% da receita do Bing à Apple o acordo seria vantajoso à dona do iPhone, comparado ao que ela tem com o Google — que rende à Apple, segundo estimativas, US$ 18–20 bilhões por ano, ou 14–16% de seu lucro operacional anual.

A revelação também pega mal à Apple, que já faz algum tempo explora a privacidade como um diferencial dos seus produtos. Pode até ser, desde que isso não deixe uma grana alta na mesa. Via Bloomberg (em inglês).

TV conectada vira espaço de vigilância para publicidade segmentada

Esta matéria do Brazil Journal, escrita por Josette Goulart, traz dados fascinantes do mercado de TVs conectadas.

Segundo o Kantar Ibope, 60% dos domicílios brasileiros já conta com uma TV conectada. A Samsung estima que 74% do tempo de uso da TV é gasto com streaming e apenas 26% com TV linear. Mais que isso, 1/3 das TVs só acessam streaming.

A Samsung trouxe ao Brasil, há dois anos, sua divisão de anúncios para extrair receita dos 15 milhões de TVs que a fabricante tem no país. Os anúncios aparecem na tela inicial e no Samsung TV Plus, um app/canal de streaming gratuito.

Segundo a reportagem:

[…] a empresa consegue saber até mesmo se o televisor estava ligado quando determinada propaganda passou no intervalo do Fantástico, na Globo, ou do Programa do Ratinho, no SBT. (Ou seja, nem mesmo a medição da audiência da TV será a mesma daqui para a frente.)

Por enquanto, é possível escapar dessa vigilância assustadora usando caixinhas de streaming — ainda que, na maioria dos casos, troca-se uma empresa bisbilhoteira por outra.

No futuro, não é loucura imaginar que a receita com publicidade cubra os custos de um chip 5G e o consumo de dados para streaming.

O Google ainda parece estar atordoado com o atropelo da OpenAI e seu ChatGPT. Duas reportagens nos últimos dias mostram desavenças internas e dificuldades em lidar com as novas e sérias ameaças que rondam a empresa nesses tempos de inteligências artificiais.

Em uma, da Bloomberg, a reportagem conversou com alguns funcionários e ex-funcionários do Google para mostrar como o lançamento desastrado do Google Bard ignorou diversos alertas e pedidos por um adiamento, do setor de ética a funcionários comuns.

O Google jogou no lixo anos de trabalho em salvaguardas e cuidados no uso de IA frente a uma ameaça corporativa. Não que seja surpresa, mas o episódio dá uma dimensão do que realmente importa dentro dessas empresas.

A outra, do New York Times, revela o “pânico” que se instalou dentro do Google em março diante da notícia de que a Samsung estaria cogitando trocar o Google pelo Bing, da Microsoft, como motor de busca padrão em seus celulares. Estima-se que essa parceria renda US$ 3 bilhões por ano ao Google.

Bônus: uma música viral, com vocais de Drake e The Weekdn criados por uma inteligência artificial, colocou o YouTube (que é do Google) em um dilema existencial: ao tirar do ar a canção, a pedido da Universal (gravadora que representa Drake), o Google diz implicitamente que trabalhos derivativos de IAs ferem direitos autorais, abrindo um precedente que coloca em risco as suas próprias IAs. Se não fizer nada, compra briga com a indústria fonográfica. No The Vergeum ótimo artigo acerca desse assunto.

Quando falamos de atualizações de segurança para sistemas operacionais modernos, em geral falamos de correções preventivas ou para falhas ainda não exploradas.

O pacote de março do Android do Google, porém, foge à regra.

A mais grave (CVE-2023-21036) é uma que atinge os celulares Pixel e permite recuperar as imagens originais de prints (“screenshots”, imagens da tela) alterados pela ferramenta nativa de edição do Android (“Markup”).

Ela afeta todos os Pixel 3 em diante, o que significa que todos os prints com informações sensíveis ocultadas pela ferramenta nativa do sistema nos últimos cinco anos estão vulneráveis.

Na prática, o Android dos celulares Pixel estava compartilhando a imagem original, editada, mas contendo o histórico de edição. Esse histórico pode ser recuperado, e é aí que mora o perigo.

Por mais que a falha tenha sido corrigida, as imagens que estão por aí não se beneficiam dessa correção.

O site acropalypse é uma prova de conceito que demonstra como a falha age. (Esta imagem do criador da ferramenta, Simon Aarons, é uma boa explicação.)

No mesmo pacote, o Google revelou uma falha (CVE-2023-24033) em modems Exynos, da Samsung, que (teoricamente) permite que atacantes tomem o controle do celular fazendo uma ligação telefônica especial.

Ainda não se sabe se essa falha pode ser explorada no mundo real. Na dúvida, a recomendação é para desativar os recursos de ligação via Wi-Fi e 4G (VoLTE) até que as correções sejam liberadas.

Problema: aparentemente, alguns celulares em certas operadoras impedem a desativação do recurso, como demonstrou este usuário do Reddit.

Via Pixel Envy, @ItsSimonTime/Twitter, ArsTechnica (todos em inglês).

Pessoas que compraram o novo Galaxy S23 têm reportado um consumo enorme da memória de armazenamento com o sistema-base. Um usuário no Twitter, dono de um Galaxy S23 Ultra de 512 GB, mostrou o sistema ocupando 57 GB.

Esse valor é quase quatro vezes o que o mesmo Android 13 ocupa num Pixel 7 do Google (~15 GB). No meu iPhone SE, o iOS 16.3 e os “dados do sistema” ocupam 26,5 GB. O macOS Ventura, um sistema para computadores, 32,9 GB.

O Ars Technica especula que a duplicidade de aplicativos da Samsung (de baixa qualidade) e acordos que pré-instalam aplicativos de terceiros (Facebook, Microsoft Office e sabe-se lá o que mais) podem ser os culpados.

Será por isso que a Samsung está oferecendo “upgrade” de memória de armazenamento? (Compre a versão de 128 GB, leve a de 256 GB, por exemplo.) A promoção vale até 5 de março. Via @alexmaxham/Twitter, Ars Technica (ambos em inglês).

Não é a primeira vez que o espaço consumido pelos arquivos do sistema em celulares vira polêmica. No Brasil, em 2017 a Apple foi condenada a pagar multa de R$ 100 mil e a readequar suas peças publicitárias devido à mesma questão, em uma ação movida pela Proteste. A diferença de espaço perdida pelos usuários, porém? Três giga bytes. Via Gazeta do Povo/leiaisso.net.

por Cesar Cardoso

Depois de quatro betas, a Samsung finalmente deu uma data para o OneUI 5 estável: ainda em outubro, quase certamente começando pelo S22. Nas mudanças, além das trazidas pelo Android 13, outras na tela de bloqueio, widgets empilháveis e mais privacidades.

Enquanto isso, tem beta do OneUI 5 para o Galaxy Z Flip 3.


Pinguins Móveis é uma newsletter semanal documentando e analisando a marcha do Linux por todos os cantos da eletrônica de consumo — e, portanto, das nossas vidas. Inscreva-se aqui.

A Connectivity Standards Alliance (CSA) anunciou nesta terça (4) o lançamento da especificação final do padrão Matter, uma tentativa da indústria de padronizar a comunicação entre dispositivos de internet das coisas.

Mais de 550 empresas fazem parte da CSA, incluindo titãs da indústria — Amazon, Apple, Google e Samsung. A promessa do Matter é permitir que dispositivos de empresas distintas aderentes ao padrão conversem entre si. Ele confia em duas tecnologias, o bom e velho Wi-Fi para a comunicação com a internet, e o novo Thread, que cria uma rede mesh de alta eficiência e confiabilidade para que os dispositivos se comuniquem localmente.

Dessa forma, com o Matter você poderá ter, por exemplo, uma lâmpada inteligente Philips Hue e uma fechadura “smart” da Aqara na mesma casa, conectando ambas ao mesmo sistema e podendo controlá-las a partir de um único aplicativo da Apple ou do Google.

Algumas empresas anunciaram que seus atuais produtos receberão atualizações para se tornarem compatíveis com o Matter. Espere, também, uma avalanche de lançamentos destacando a compatibilidade com o padrão nos próximos meses.

A falta de interoperabilidade entre soluções de IoT é vista pela indústria como um gargalo na adoção dessas tecnologias. Se o Matter resolverá o problema, só o tempo dirá. Via CSA, The Verge (ambos em inglês).

O período de degustação do Apple TV+, o streaming da Apple que já acumula algumas produções bem legais, como Ruptura, é de sete dias, mas quem tem uma TV da Samsung elegível (modelos vendidos a partir de 2018) ou um dispositivo da Roku, como o Roku Express, ganha três meses grátis.

A oferta pode ser aproveitada até 28 de novembro e só vale para quem nunca assinou o Apple TV+. Via Roku, Samsung (em inglês), MacMagazine.