O que o VAR do futebol nos diz sobre a IA
Eu exagerei nos jogos da Copa Mundo masculina deste ano. Foi sensacional. Estava em Paris, onde o torneio tomou conta de tudo: dos bares às brasseries, passando pelos celulares das pessoas no metrô. À noite, dava para ouvir gritos de comemoração vindos de quarteirões de distância, não importava onde você estivesse — pela França sempre que ela jogava, claro, mas também pela Argentina e por Messi ou por qualquer golaço. Também dava para ouvir muitas vaias (o jogo da França contra o Paraguai nas oitavas de final foi rico nesse quesito) e boa parte dessas vaias, hoje, é direcionada ao VAR, o assistente de vídeo.
O VAR esteve no centro de pelo menos três (quatro? cinco?) polêmicas no noticiário esportivo da Copa e de uma grande polêmica em outras editorias, com o cartão vermelho de Folarin Balogun, do time dos Estados Unidos, que Trump descaradamente pressionou a FIFA a reverter. Temos esse já histórico imbróglio do Balogun tingido de corrupção, mais o VAR dando cartão amarelo a um jogador suíço por simulação, a Inglaterra marcando um gol depois que a bola de um tiro de meta bateu na câmera aérea e o VAR calou-se, um gol do Egito anulado contra a Argentina porque o VAR determinou que uma falta havia sido cometida aproximadamente três horas antes de Mostafa Ziko colocar a bola na rede e, meu favorito absoluto, um gol da Croácia que teria empatado um jogo contra Portugal nos momentos finais super tensos e emocionantes anulado porque os sensores dentro da bola indicaram ao VAR que ela havia, de fato, roçado sutilmente na cabeça de um jogador — algo que o árbitro não viu porque simplesmente não havia como ver —, mudando assim o cálculo do impedimento a favor de Portugal.
Quanto mais assisto a esses jogos parando bruscamente para uma intervenção tecnológica prolongada e muitas vezes confusa, quanto mais leio a enxurrada de reclamações em redes sociais e colunas raivosas e ouço os entendidos do esporte reclamando, mais eu comparo o VAR com aquela outra intervenção tecnológica onipresente e amada pela elite: a inteligência artificial. Digo, está na cara. E eu acho que vale muito a pena perguntar que papel essa construção sociotécnica tão impopular (assim como a IA, o VAR é ao mesmo tempo uma tecnologia, um sistema, um produto e um símbolo cultural) está realmente cumprindo. O que o VAR de fato faz, versus o que seus administradores dizem que ele faz? A quem o VAR realmente serve? E, por último, mas não menos importante: por que o VAR persiste se tanta gente o detesta?
Essas são, claro, o tipo de pergunta que costumamos fazer sobre IA por aqui e começar a respondê-las pode revelar como a IA se relaciona com a cultura para além dos gramados.
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Para os afortunados ignorantes, VAR é o sistema semi-automático pelo qual um árbitro revisa vídeos e dados — agora incluindo informações coletadas por sensores embutidos na bola — para auxiliar decisões-chave de arbitragem em campo durante uma partida. A maioria dos torcedores odeia o VAR do fundo da alma.
Não sou nenhum grande estudioso de futebol, mas até eu sei que o VAR causou um bafafá enorme quando foi introduzido e que esse bafafá nunca realmente sumiu.
Depois de ser testado pela liga nacional de futebol da Holanda, o VAR foi incorporado às grandes ligas há cerca de uma década e adotado formalmente pela International Football Association Board, o principal órgão normativo do futebol, em 2018. O comunicado divulgado pela IFAB na época anunciava que “a filosofia do VAR é ‘interferência mínima, benefício máximo’, que visa reduzir injustiças causadas por ‘erros claros e óbvios’ ou ‘incidentes graves não vistos’”. Um fator determinante foi, segundo dirigentes da IFAB e da FIFA, a discrepância crescente entre o que o árbitro conseguia ver em campo e o que o público em casa e nas arquibancadas via com acesso a imagens em alta definição e replays no celular.
“Com o 4G e Wi-Fi nos estádios, o árbitro é a única pessoa que não consegue ver exatamente o que está acontecendo e ele é justamente o único que deveria conseguir”, disse Lukas Brud, secretário-geral da IFAB, à Wired em 2018, falando da origem do VAR. “Sabíamos que precisávamos proteger os árbitros de cometerem erros que todo mundo consegue ver na hora.”
O VAR foi, em outras palavras, uma intervenção tecnológica criada para responder a outro avanço tecnológico. Os dirigentes do esporte julgaram necessário promover e proteger a integridade do seu produto (os direitos de transmissão, que rendem bilhões de dólares por ano à FIFA, à Premier League e afins) com inovação. Dá para entender a lógica: se os telespectadores vissem repetidamente que uma falta marcada claramente não existiu, o jogo correria o risco de perder credibilidade e, eventualmente, público.
Mesmo assim, o VAR foi veementemente combatido por Sepp Blatter, ex-presidente da FIFA, durante toda a primeira metade dos anos 2010, mas foi abraçado e aprovado por seu sucessor, Gianni Infantino, depois que Blatter caiu em meio a um escândalo de corrupção. Desde então, é um ponto de discórdia constante e muito detestado.
As críticas ao VAR são muitas. Segundo seus detratores, o VAR atrapalha o ritmo de um jogo em que ritmo é essencial, causando interrupções enquanto os árbitros analisam o lance. Reclamam que o VAR ainda erra com frequência apesar dessas paradas e que é usado de forma inconsistente e enviesada, apesar de toda a promessa central de criar uma autoridade tecnológica infalível sobre as decisões em campo. O VAR promete eliminar o erro humano, agilizar processos decisórios, colocar tecnologia de ponta a serviço da justiça e da equidade. E, no entanto, o que ele alcança, na prática, é fazer as pessoas gostarem menos daquilo que ele nominalmente foi criado para melhorar.
Em uma pesquisa com 7 mil torcedores de futebol publicada em março de 2026, 91% dos entrevistados disseram que o esporte é melhor sem o VAR e 81% disseram preferir assistir às partidas sem a tecnologia. Para 92%, o VAR mata a “alegria espontânea” de comemorar um gol. Apenas 2% concordaram com a afirmação de que “o VAR torna o futebol mais agradável”. Desde sua implementação na Premier League inglesa, pesquisas do YouGov têm apontado consistentemente que a maioria esmagadora dos torcedores acha que o VAR “funciona mal”.
Em outras palavras: é um sistema onipresente de automação e vigilância, adotado e mantido por quem está no poder com promessas de progresso e melhoria, apesar de inspirar profunda aversão entre aqueles a quem supostamente serve (jogadores e torcedores). Seus números de aprovação estão no fundo do poço. Ele até tem sua própria sigla instantaneamente reconhecível. O VAR é, sem sombra de dúvida, a IA generativa do mundo da bola.
Além disso, segundo a surpreendentemente robusta literatura acadêmica sobre o VAR, o sistema nem chegou a ter grande impacto no jogo em si. Em um artigo publicado em abril de 2026 na revista Intelligent Sports and Health, o economista Seife Dendir analisou dados de 15 mil partidas disputadas antes e depois do VAR e constatou que “o VAR parece não ter tido nenhum efeito sobre gols, cartões vermelhos ou pênaltis” (ênfase do autor).
Dendir também observa que:
Os resultados indicam que, entre dez estatísticas de partida, a única mudança robusta envolveu os impedimentos, que caíram entre 0,5 e 1,2 por partida no período pós-VAR. Para as demais estatísticas, o impacto estimado do VAR não é estatisticamente significativo ou robusto […]. Concluímos que o VAR, de modo geral, não afeta os aspectos básicos do jogo no futebol profissional.
Dendir usa suas descobertas para argumentar que as pessoas não deveriam odiar tanto o VAR, já que ele não está realmente mudando a natureza do esporte praticado em campo, mas dá para argumentar essencialmente o oposto também: o VAR pode até interromper partidas, tirar a beleza do “jogo bonito” e atrair o ódio da maioria dos torcedores, mas ao menos não está fazendo nada particularmente relevante também.
Então, afinal, o que o VAR está fazendo?
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No primeiro aspecto, já tocamos: em teoria, ele ajuda a proteger a credibilidade das ligas responsáveis pela arbitragem das partidas de futebol, bem como suas fontes de receita. É um produto que as ligas estão vendendo. O VAR pode ser visto como uma grande demonstração performática de que as ligas de futebol estão usando toda a tecnologia e poder ao seu alcance para tornar o jogo o mais justo e bem-apitado possível. Num cenário altamente tecnológico, o VAR oferece uma solução tecnológica que executivos e burocratas podem apontar como prova de que “fizeram alguma coisa” para acompanhar a evolução ao redor. Mesmo que os torcedores não gostem. De novo, é difícil não enxergar paralelos entre a implementação do VAR e a adoção generalizada e de cima para baixo da IA, ordenada por gestores tomados por FOMO em empresas da Fortune 500 nos últimos três anos, muitas vezes com pouco efeito ou até efeitos prejudiciais para a companhia, como reportagens recentes têm revelado.
É mais do que isso. O VAR também é o que Dan Davies chamaria de um “ralo de responsabilidade” (“accountability sink”). Mesmo que o VAR, segundo as estatísticas, não funcione muito melhor do que os árbitros humanos por conta própria, ainda assim é um sistema que as ligas podem exibir como esforço para desviar qualquer crítica de que as partidas são mal apitadas ou injustas. A culpa não é da FIFA se o atacante suíço Breel Embolo foi expulso de campo por simular uma falta, uma infração cometida por literalmente qualquer outro jogador em campo naquele dia e em todos os outros; a culpa é do VAR.
Dessa forma, o VAR se esforça para passar a impressão de que quem o implementa — FIFA, Major League Soccer, Premier League, seja quem for — é neutro e livre de vieses.
O que não é verdade. Como qualquer outro modo de arbitragem, o VAR é, ele mesmo, um sistema profundamente marcado por vieses. Ele deveria ser acionado apenas quando certas condições são atendidas e apenas em certas circunstâncias, mas como e quando acionar o VAR continua sendo, inevitavelmente, uma decisão enviesada. Existe um documento extenso listando todas as regras do VAR, chamado Protocolo do VAR, que precisa ser interpretado, o tempo todo por uma equipe de humanos invisíveis, fora das telas. No polêmico caso de Folarin Balogun (vídeo), antes de Trump e a cúpula da FIFA entrarem em campo e baguncarem tudo, o árbitro assistiu a imagens em câmera lenta da chuteira do atacante batendo na perna do zagueiro bósnio; desacelerada e exibida de forma artificial, a imagem parecia terrível, o que provavelmente contribuiu para o cartão vermelho — decisão considerada exagerada logo depois de modo quase unânime.
Ou vejamos o já citado jogo Egito × Argentina. Numa sequência extraordinária, um jogador egípcio roubou a bola de um argentino, o Egito levou a bola ao ataque, driblou a defesa argentina e marcou um gol de placa, como dizem por aí. O VAR foi acionado e anulou tudo (vídeo).
Enquanto isso, no mesmo jogo, um lance parecido em que um jogador argentino deu o que pareceu ter sido uma entrada forte em Salah, do Egito, e iniciou uma jogada que terminou em gol no outro lado do campo (vídeo), não teve interferência. O VAR sequer foi acionado; o árbitro de vídeo invisível decidiu que não valia a pena revisar.
E, de alguma forma, os sensores dentro da bola que “despertaram” ao roçar no cabelo de um jogador croata (vídeo) não detectaram, de jeito nenhum, quando ela bateu no cabo da câmera aérea, permitindo que a Inglaterra recuperasse a posse e marcasse seu primeiro gol contra a até então líder Noruega (vídeo).
Há inúmeros lances em praticamente qualquer partida que poderiam justificar uma intervenção do VAR. Cabe ao ser humano decidir. O VAR, em outras palavras, não eliminou o viés, apenas o deslocou no campo e, talvez, o tenha escondido do campo de visão.
Essa decisão do VAR em Egito × Argentina provavelmente gerou a maior indignação sustentada da Copa (embora os suíços também tenham ficado bastante revoltados), com o técnico egípcio Hossam Hassan alegando que o jogo foi roubado, que a FIFA queria ver a Argentina — que tem em seu time o maior astro do mundo, Lionel Messi — avançar em vez da seleção norte-africana:
“Não vimos respeito nem jogo limpo”, disse ele. “Um pênalti [a nosso favor] foi anulado, nem sequer foi checado pelo VAR, e nosso segundo gol foi, surpreendentemente e por algum motivo, anulado […] Todos vimos a camisa puxada [por Alexis Mac Allister] e nem isso foi checado pelo VAR.”
Isso alimenta a crítica de longa data de que a FIFA favorece a Europa e as equipes com jogadores-estrela, que ela favorece o público e o lucro. E é difícil descartar a fala de Hassan. Assisti a vários desses jogos, além de Senegal × Bélgica, que ainda nem mencionei. Foi uma partida e tanto, com o Senegal na frente quase o tempo todo. A Bélgica fez uma virada épica, mas Senegal se estabilizou e o jogo parecia caminhar para os pênaltis quando o VAR, de forma controversa, concedeu um pênalti para os belgas nos minutos finais da prorrogação.
Reparem para qual lado pendeu a maioria das decisões do VAR descritas acima: para a Argentina de Lionel Messi, para o Portugal de Cristiano Ronaldo, para os tradicionais europeus da Bélgica em detrimento do pobre Senegal, para a Inglaterra em vez da Noruega. Para os times com estrelas e/ou torcidas ricas, para a Europa. É por isso que esta Copa do Mundo, do contrário fascinante, tem tido dificuldade de se livrar das teorias da conspiração, das acusações de manipulação, do cheiro de corrupção (tudo bem que a FIFA está sempre tentando disfarçar o cheiro de corrupção). O Athletic descreveu as equipes que sobraram como “as quatro finalistas dos sonhos da FIFA” e há muitas teorias entre os torcedores sugerindo que isso foi proposital. Uma delas é chamada literalmente de “VAR-gentina”. E a FIFA tem ajudado bastante, demonstrando que está bem disposta a colocar o dedo na balança quando há motivação financeira suficiente (suspendendo o cartão vermelho de Cristiano Ronaldo de antes da Copa para deixar o astro jogar na estreia) ou quando o presidente dos EUA manda (Trump ligando para Infantino para revogar o vermelho de Balogun).
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Acredito que os próprios árbitros manipularam jogos ou torceram por algum time em particular? Não. Mas acho, sim, que quando fica evidente qual resultado uma estrutura de poder prefere, as decisões na zona cinzenta e os vereditos tecnológicos supostamente neutros tendem a pender para esse lado. Não é à toa que o VAR é malvisto como cúmplice — às vezes até motor — desse tipo de manobra. Por sua mera existência continuada, apesar da rejeição dos torcedores, e por sua aparente função de executar a vontade da FIFA, o VAR é um instrumento sutil de poder.
A ironia disso tudo é que, mais uma vez, se dependesse dos torcedores e jogadores — se as pesquisas forem confiáveis —, o VAR provavelmente seria abolido de vez ou pelo menos reformado profundamente. Até vozes normalmente favoráveis à tecnologia criticam o VAR; a newsletter Big Technology publicou um texto condenando o VAR, argumentando que “a automação está piorando a Copa do Mundo”.
Concordo. Com frequência, tanto com o VAR quanto com a IA, o uso da tecnologia se torna tão invasivo que acaba apagando sua própria razão de ser; seu propósito diluído a ponto de se perder. Acelerar e desacelerar as imagens para tentar extrair intenção de pixels? Voltar o jogo para reavaliar uma decisão porque uns caras num terminal de vídeo enxergaram uma falta no replay? Usar sensores capilares de ponta para determinar se a bola roçou ou não em um fio de cabelo humano? Para que serve tudo isso? Quem, além da FIFA, encontra satisfação nesse processo ou em seus resultados? O que isso tem a ver com futebol ou com o que nos leva a jogar e a assistir às partidas?
O VAR fez pouco para agilizar ou tirar o viés da arbitragem do jogo. Em vez disso, inseriu nela um novo conjunto de interesses e vieses que servem a funções e partes diferentes. Ele tem poucos pontos favoráveis e, se você perguntar aos torcedores, muitos contras.
Se você é torcedor e detesta o VAR, aqui vai um convite rápido: pense em como a IA generativa está afetando outras áreas e práticas que consideramos essenciais. Afinal, a IA, assim como o VAR, está se intrometendo — muitas vezes desnecessariamente, às vezes de forma absurda, às vezes de forma desastrosa — em áreas centrais da atividade humana, contra a vontade da maioria e para o benefício de poucos. Educação, artes, escrita, jornalismo: tudo inundado de IA. E por quê? Para que executivos, gestores e oportunistas possam espremer um pouco de lucro, saciar seu FOMO ou exercer algum poder. Um grande número de estadunidenses rejeita a IA com uma veemência que qualquer torcedor do Liverpool entenderia bem. O que o VAR está fazendo com o futebol, a IA está fazendo com tantas outras coisas.
O VAR, assim como a IA, é vendido como algo inevitável, como se fosse uma característica inescapável do mundo moderno. Não é. É um sistema técnico implantado por uma associação esportiva afogada em escândalos. Então talvez valha a pena considerar, como exercício de reflexão: e se simplesmente o desligássemos?
Publicado originalmente na Blood in the Machine em 13/7/2026. Tempos verbais foram adaptados na tradução para adequar o texto à publicação pós-Copa do Mundo.
Achei forçada essa conexão, só pegou dois assuntos em alta para criticar como se tivesse uma narrativa em comum fora serem novidades tecnológicas . Tenho críticas ao VAR, a FIFA e IA…mas são histórias que vieram de lugares diferentes.
O VAR sempre teve resistência dos torcedores, porque é indiscutível a quebra de dinâmica em checagem de gols por exemplo. Um gol sem checagem de VAR é uma experiência muito melhor, mas não foi implementado para deixar o jogo mais legal. A ideia é reduzir erros crassos com menos intervenção, a custa desse impacto na dinâmica.
Nunca foi prometido que acabaria com lances interpretativos (mão na bola, força da entrada, atrapalhar o goleiro, etc…), nem que não existiriam mais erros de arbitragem ou debates. A única promessa tecnológica nesse sentido foi o impedimento e – não é de hoje que estão discutindo se o impedimento milimétrico deveria valer, mas até mudar é uma regra clara – simplesmente foi resolvido por tecnologia.
A Copa do Mundo sempre foi cheia de polêmicas graves de arbitragem – o texto argumentar pontos não comprovados (bater no fio da câmera), polêmicas de bastidores (caso Balogun) e uma discussão de regra (toque irrisória na bola) – para jogar isso tudo no VAR é só usar tecnologia de assunto comum e espantalho e relacionar com IA. Não foi nem a primeira Copa com VAR, foi a terceira e não existia uma única dúvida se deveria ter tido nessa.
O VAR não é obrigatória mas foi implementado por todas as ligas grandes, algumas mais a contragosto e com menos intervenção, como a Inglaterra por exemplo não tem na segunda divisão e usa de forma menos agressiva no seu campeonato.
Existem similaridades com IA, por ser uma tecnologia e muita gente não querer, mas os incentivos e problemas são completamente diferentes.
O paralelo é um pouco forçado, mas concordo com o autor de que o VAR piorou o espetáculo e não trouxe mais justiça aos lances polêmicos. Como respondi abaixo ao Guilherme, nos jogos a que assisto (brasileiros e Copa do Mundo), as interferências extrapolam em muito os possíveis erros crassos, além das interrupções intermináveis.
Ontem, por exemplo, vi um pedaço de Remo × Santos, pela Copa do Brasil. Na metade do primeiro tempo, um jogador do Santos disparou em direção ao gol e foi parado com falta pelo zagueiro do Remo. O árbitro de campo deu cartão amarelo, aí foi chamado pelo VAR porque poderia ser cartão vermelho devido ao atacante santista estar indo em direção ao gol e o zagueiro do Remo ser o último homem. Discutível, porque havia outro zagueiro pouca coisa atrás na cobertura. O amarelo virou vermelho e eu fui dormir.
O Santos, que até aquele momento estava pressionado pelo Remo, ganhou por 1 × 0.
É só um exemplo de como as decisões em campo não têm peso, mesmo em lances interpretativos. É raro um árbitro de campo ignorar sugestões do VAR, mesmo em lances interpretativos — que, para mim, não deveriam ser objeto de intervenções do VAR.
(Eu odeio o VAR, heheh 😁)
Eu como espectador de futebol, eu fico indignado por uma questão: Por que em todos os outros esportes o TREINADOR é o único que pode acionar a revisão por vídeo (vôlei, basquete, judô, NFL e até mesmo o Futsal que é regulado pela FIFA) e no Futebol, é um outro juiz que está a quilômetros de distância do estádio, sentado em uma sala com ar-condicionado que pode pedir a revisão.
Se o VAR fosse igual ao Suporte de Vídeo regulado pela FIFA no Futsal (que será visto nas partidas finais da Liga Cland… Nacional de Futsal), não teríamos tanta briga e confusão, pois é o treinador que pode acionar e o juiz verá as imagens que ele quer e decide, sem ter um outro buzinando no ouvido dele…
https://ge.globo.com/sp/ribeirao-preto-e-regiao/futebol/noticia/2025/09/19/desafio-de-video-no-futebol-estreia-nesta-sexta-no-brasil-saiba-tudo-sobre-a-ferramenta.ghtml já está em fase de teste esse tipo de solução, talvez cheguem num meio termo em algum momento (como é na NBA).
No Rugby, o próprio juiz pode acionar o chamado TMO (TV Match Officer) um árbitro para checar jogadas polêmicas, como faltas mais sérias e trys… O TMO também pode chamar a atenção do árbitro para alguma questão… Nesse cao, o TMO possui acesso às mesmas câmeras que geram as imagens para a TV e pode as analisar de maneira independente da transmissão da TV…
Essa é uma solução que ainda é potencialmente bem interessante, já que em geral não é tão questionada, pois todo mundo vê nos telões do estádio e na transmissão de TV o que o TMO está analisando…
A questão passa a ser se queremos a justiça na letra dura da lei, ou se o quase vai valer…
Nós, vascaínos, já sabíamos disso há 4~5 anos, mas de forma muito mais sucinta:
Aí você olha as estatísticas de todos os anos que o VAR foi implementado no Brasil, o time com maior favorecimento veste verde.
O mas engraçado que o discurso era outro:
“Quero ver se o Flamengo ganha alguma coisa quando o VAR chegar”.
Fecho aqui o meu clubismo.
SRN.
Gostei bastante do texto e principalmente da menção à pesquisa da efetividade do VAR. O paralelo com a adoção massiva de LLM foi interessante para levar outros pontos de adoção de certas tecnologias sem apelar pra um discurso quasi ludista.
acho que esse foi o texto mais equivocado já publicado por aqui, hein?
I’ll bite: por quê?
Me pareceu bastante razoável.
parece que quem escreveu o texto caiu de paraquedas no tema e pensou na forma mais tosca possível de conectar dois tópicos para ver se conseguia concatenar algo minimamente relevante.
Com ou ser VAR, a regra do futebol é quase sempre bastante subjetiva e sujeita ao viés humano que, por um acaso, é o mesmo que opera o VAR. O resto é teoria da conspiração.
O único recurso de IA que efetivamente foi usado na copa era do impedimento semi-automático, que meio que acabou com qualquer dúvida nesse aspectos (afora os pontos em que a regra original do futebol é naturalmente controversa, como o ponto de considerar em impedimento jogador com o pé à frente). É óbvio que o uso do VAR poderia ser melhor, mas perto que era a arbritragem antes dele é de doer ter que ler isso. É só pensar nos erros de arbitragem esdruxolos na copa de 2010 e de 2002 e vc vai entender do que eu to falando.
Bom, tivemos erros esdrúxulos na Copa de 2026 também, como os apontados no texto. Impedimento por a bola ter tocado no cabelo de um jogador!?
Ah, e ele não diz em momento algum que o VAR é IA. Ele apenas faz um paralelo entre as duas tecnologias, que fica explícito neste trecho:
Não, nenhum erro dessa copa foi esdrúxulo. Longe disso. Se o problema é a bola tocar no cabelo e estar impedido é que a regra precisa ser reescrita e não pq o cara acha que o VAR é o novo elemento de vigiar e punir.
Erro esdrúxulo é bola entrar mais de um metro e o juiz não dar o gol, vide alemanha e inglaterra em 2010.
A coreia do sul só chegou na semi-final de 2002 por causa da complâncencia da arbritagem.
Isso se falar no gol de mão em 1986.
Isto vai virar ou já virou discussão futebolistica, mas aquele gol anulado do Egito com a suposta falta que tinha supostamente acontecido no período Cretaceo não foi esdruxula? E depois acontecendo igual com a Argentina e não foi usado o mesmo parâmetro!!!
Se não foi não o que poderia ser então?
Aquilo foi um erro e ponto. Mas afirmar qualquer coisa além disso beira o conspiracionismo.
Entendi então, a régua do que é absurdo ou não está na sua mão.
Obrigado.
Ou seja, o VAR erra.
mas alguém disse que não erra, ainda mais em lances interpretativos? Aí vc tá argumentando com espantalho.
@ Guilherme Henrique Vicente
É a promessa do VAR, ora. Se não for para isso, por que ele existe? E, como esse e outros incontáveis exemplos apontam, é uma promessa furada pois impossível — como você mesmo disse, muitas regras do futebol são subjetivas/interpretativas. Quando o VAR chama o árbitro para revisar um lance, essa subjetividade está ali presente. Acabamos na mesma (arbitragem parcial), só que com paradas demoradas e momentos de clímax anulados.
Eu *acho* que o VAR poderia ser melhor — sem alterar o seu funcionamento — se as suas intervenções se restringissem a erros crassos, evidentes, do árbitro em campo. Ainda que isso também seja subjetivo, diminuiria a quantidade de intervenções e deixaria o jogo mais dinâmico e divertido.