Samsung: ceda seus dados de saúde para treinar a IA ou excluiremos todos eles

Empresas embriagadas de IA gostam de alardear seus milhões ou bilhões de usuários. O que elas não contam é que a maioria é forçada a usar tais recursos. Pense no resumo de IA que a busca do Google retorna, queira você ou não.

A Samsung parece ter avançado nessa tática. Segundo o How-To Geek, o aplicativo Samsung Health vai excluir os dados de saúde dos usuários da nuvem da empresa — impossibilitando a sincronia entre dispositivos —, a menos que eles concordem em cedê-los para o treinamento e modelagem de IAs.

O novo botão de consentimento vem ativado por padrão, fica enterrado nas configurações do aplicativo. Ele exibe esta mensagem quando alguém tenta desativá-lo (tradução livre):

Retirar-se deste acordo?

Você não poderá sincronizar dados de saúde com sua conta Samsung e seus dados de saúde serão excluídos, a menos que sejam retidos de acordo com a lei aplicável. Se a retenção for necessária, nós os excluiremos assim que o período de retenção exigido terminar.

A Samsung coleta quatro tipos de dados no Health:

  1. Saúde e bem-estar: dados biométricos, nutricionais, medidas corporais e de sono.
  2. Medicamentos: incluindo prescrições e dosagens.
  3. Exames clínicos e tratamentos.
  4. Ciclo menstrual.

Uma mensagem no site da Samsung (em inglês) avisa que pessoas podem ter acesso a esses dados para revisá-los.

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Grande rival da Samsung, a Apple também se prepara para tornar a Apple Intelligence, seu conjunto de ferramentas de IA generativa embebido nos sistemas operacionais, obrigatória a partir das versões 27.

Estes homens bregas com óculos ridículos querem que você também os use

A Meta, mesma empresa que afirmou em 2021 que hoje você estaria vivendo no “metaverso”, vendeu alguns poucos milhões de óculos com câmeras para pervertidos e, de repente, o novo futuro vislumbrado pela mente doentia de Mark Zuckerberg é da gente usando óculos com câmeras e “inteligência artificial”.

Sim, os CEOs do Vale acreditam que a melhor maneira de mitigar a compulsão por telas a 20 cm do rosto é colocar telas a 20 mm dos olhos.

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Tive a oportunidade de ver ao vivo a “tela de privacidade” que a Samsung colocou no Galaxy S26 Ultra, em uma loja da marca em um shopping qualquer de Curitiba. Ela tem dois níveis de escurecimento e, em qualquer deles, a tela perde bastante brilho para a pessoa usando o dispositivo (de frente para ele; veja este vídeo) e, embora eu estivesse sem óculos, fiquei com a impressão (e não só eu) de que a queda na resolução com a tela de privacidade ativada é perceptível (para alguns, até com o recurso desativado).

Para mim, o grande destaque dado pela Samsung a um recurso tangencial sustenta uma tendência salutar que percebi anos atrás: a compra de um celular é similar à de uma geladeira.

Protege+ do BC / Galaxy Z TriFold / A tela LCD que parece a do Kindle

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. Recomendo que você dê uma olhada no arquivo de links para descobrir mais links. É bem legal!

Protege+ do Banco Central, 1:01

BC Protege+: Banco Central lança serviço contra fraudes na abertura de contas, Banco Central.

Meu BC.

Galaxy Z TriFold, 3:23

Apresentando o Galaxy Z TriFold (vídeo).

A tela LCD que parece a do Kindle, 4:38

TCL Tab NXTPAPER 11 Gen 2 chega ao Brasil com tela que agrada fãs de Kindle TudoCelular.

Conversa no Órbita.

Primeiras impressões do Android (e do Galaxy A55)

Foto de cima de um celular Galaxy A55 em uma mesa de madeira, na tela inicial, com papel de parede preto e alguns ícones.

Meu salto do iPhone para o Android teve um empecilho: passar o eSIM de um para outro. É uma situação peculiar, pois tenho um plano Vivo Easy e, nessa modalidade, a operadora não oferece uma maneira de você mesmo fazer a migração.

Segundo a Aura, a “IA” (chatbot) da Vivo, preciso ir a uma loja física para fazer a troca. Como faziam os sumérios.

O entrave não me impediu de configurar o Galaxy A55. Comento as primeiras impressões em lista:

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Usar o ChatGPT consome uma garrafa d’água de 500 ml; e daí?

Das óbvias às delirantes, é longa a lista de preocupações com a inteligência artificial surgidas desde o final de 2022, quando o ChatGPT tomou do metaverso ou dos NFTs o título de “tecnologia do futuro”.

Tenho pensado muito a respeito de uma delas: o uso excessivo de energia e água, necessários para dar conta da sede insaciável de big techs e startups por mais dinheiro1.

Qual o custo ambiental de terceirizar tarefas ingratas ao ChatGPT, como escrever relatórios que ninguém lê ou gerar uma imagem de feliz aniversário àquela tia, com quem você não fala há seis anos, no grupo da família no WhatsApp?

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Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

A F-Droid fez a limpa em seus repositórios e arquivou 316 aplicativos que se encontram abandonados. Eles continuam disponíveis, mas não por padrão: é preciso ativar a opção de exibir apps arquivados. / f-droid.org (em inglês)

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A Samsung colocou à venda no Brasil o Galaxy Ring, seu “anel inteligente”, pela bagatela de R$ 3.499. Meio caro, né? / g1.globo.com

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Já é lugar comum aquele dado de que gerar lero-lero com o ChatGPT consome uma garrafinha d’água, por isso achei legal o Washington Post juntar uns cientistas, debruçar-se em pesquisas e trazer dados mais concretos. O consumo de água varia de acordo com a região/matriz energética. Nos EUA, o pior lugar analisado foi o estado de Washington, onde gerar um e-mail de 100 palavras com o GPT-4 consome 1.468 ml de água. (O texto é bem legal e cheio de gráficos bacanas.) / washingtonpost.com

Números enormes

Os diversos modelos de iPhone já respondem por 40% das vendas da Trocafone, marketplace brasileiro de celulares usados. Em 2023, o percentual dos celulares da Apple era de 25%. / mobiletime.com.br

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A Samsung sentiu o bafo de rivais chinesas na corrida das TVs conectadas e anunciou que as suas contarão com 7 anos de atualizações para o Tizen, sistema operacional próprio que equipa as TVs. A nova política vale a partir de alguns modelos lançados em 2023. / businesskorea.co.kr (em inglês)

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A Autoridade Holandesa de Proteção de Dados aplicou uma multa de € 290 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) à Uber na segunda (26), por transferir dados de motoristas europeus aos Estados Unidos sem os devidos cuidados com a privacidade. / oglobo.globo.com

Recursos do Android que causam inveja a quem usa iPhone

Mão segurando um celular Android, com os logos do Google e do Android.

Desde 2015, meu celular principal é um iPhone. Nessa quase uma década, acompanhei com atenção os movimentos da única alternativa viável, o Android do Google.

Em que pese minha preferência pelo iOS, há boas ideias do lado de lá que eu gostaria que fossem copiadas pela Apple.

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Project Afterlife 

O Think Tank Team, um pequeno enclave da Samsung no Vale do Silício, gera ideias futuristas em várias áreas da tecnologia. Uma delas, o Project Afterlife, tenta dar vida nova ao 1,7 celular sem uso em cada casa estadunidense com um design engenhoso, um aplicativo simples com três funções e os sensores de movimento do próprio celular.

Seria melhor se usássemos o mesmo celular por mais tempo, mas na impossibilidade disso, é melhor que nada.

O Android 14 QPR3 Beta 2 ativou, nos celulares da linha Pixel 8, um recurso similar ao Dex, da Samsung — uma interface diferente, propícia para uso com teclado e mouse, quando o celular é conectado a um monitor externo.

Ainda é cedo para saber se isso será um recurso do vindouro Android 15. Seria legal se sim. Para alguns perfis, como aqueles que conseguem se virar com um tablet no lugar do notebook, um celular do tipo talvez servisse para tudo. Via Android Authority (em inglês).

A Samsung atualizou alguns celulares e tablets para torná-los compatíveis com o Auracast, uma tecnologia Bluetooth para emitir áudio de fontes distintas para múltiplos destinatários. Algumas TVs da marca também já são compatíveis.

(Imagine uma TV em um bar, por exemplo, emitindo seu som para os fones de ouvido de alguém que queira acompanhar a narração, ou receber nos seus próprios fones a tradução simultânea de uma palestra.)

No site oficial, tem um breve vídeo mostrando alguns casos de uso e outros materiais. Via Samsung, Bluetooth (ambos em inglês).

Google paga dezenas de bilhões a rivais para manter buscador como padrão

A linha de defesa do Google no processo que os EUA movem contra a empresa por monopólio do mercado de buscas, é que as pessoas usam o Google porque é o melhor buscador.

Nesta segunda (13), uma testemunha do Google deixou escapar que a empresa repassa à Apple 36% do que fatura com buscas no iPhone, iPad e Mac, em troca de ter seu buscador como padrão nesses dispositivos.

Segundo o relato da Bloomberg, o advogado do Google reagiu visivelmente à revelação do percentual, que deveria ser confidencial.

Em outro processo, este movido pela Epic Games, descobriu-se que o Google pagou à Samsung US$ 8 bilhões em quatro anos (desde 2020) para manter seu buscador, assistente de voz e loja de apps como padrões nos dispositivos Android da empresa sul-coreana.

Essas revelações colocam em xeque a principal linha de defesa do Google. Afinal, se o buscador é tão bom quanto a empresa diz, por que abrir mão de (literalmente) dezenas de bilhões de dólares para assegurá-lo como padrão em navegadores e dispositivos de terceiros?

Parece até… estratégia monopolista. Será?

Para colocar a situação em perspectiva: a Microsoft faturou ~US$ 11,6 bilhões com publicidade (a maior parte no Bing) no ano fiscal de 2022. Nem se a empresa oferecesse 100% da receita do Bing à Apple o acordo seria vantajoso à dona do iPhone, comparado ao que ela tem com o Google — que rende à Apple, segundo estimativas, US$ 18–20 bilhões por ano, ou 14–16% de seu lucro operacional anual.

A revelação também pega mal à Apple, que já faz algum tempo explora a privacidade como um diferencial dos seus produtos. Pode até ser, desde que isso não deixe uma grana alta na mesa. Via Bloomberg (em inglês).

TV conectada vira espaço de vigilância para publicidade segmentada

Esta matéria do Brazil Journal, escrita por Josette Goulart, traz dados fascinantes do mercado de TVs conectadas.

Segundo o Kantar Ibope, 60% dos domicílios brasileiros já conta com uma TV conectada. A Samsung estima que 74% do tempo de uso da TV é gasto com streaming e apenas 26% com TV linear. Mais que isso, 1/3 das TVs só acessam streaming.

A Samsung trouxe ao Brasil, há dois anos, sua divisão de anúncios para extrair receita dos 15 milhões de TVs que a fabricante tem no país. Os anúncios aparecem na tela inicial e no Samsung TV Plus, um app/canal de streaming gratuito.

Segundo a reportagem:

[…] a empresa consegue saber até mesmo se o televisor estava ligado quando determinada propaganda passou no intervalo do Fantástico, na Globo, ou do Programa do Ratinho, no SBT. (Ou seja, nem mesmo a medição da audiência da TV será a mesma daqui para a frente.)

Por enquanto, é possível escapar dessa vigilância assustadora usando caixinhas de streaming — ainda que, na maioria dos casos, troca-se uma empresa bisbilhoteira por outra.

No futuro, não é loucura imaginar que a receita com publicidade cubra os custos de um chip 5G e o consumo de dados para streaming.

O Google ainda parece estar atordoado com o atropelo da OpenAI e seu ChatGPT. Duas reportagens nos últimos dias mostram desavenças internas e dificuldades em lidar com as novas e sérias ameaças que rondam a empresa nesses tempos de inteligências artificiais.

Em uma, da Bloomberg, a reportagem conversou com alguns funcionários e ex-funcionários do Google para mostrar como o lançamento desastrado do Google Bard ignorou diversos alertas e pedidos por um adiamento, do setor de ética a funcionários comuns.

O Google jogou no lixo anos de trabalho em salvaguardas e cuidados no uso de IA frente a uma ameaça corporativa. Não que seja surpresa, mas o episódio dá uma dimensão do que realmente importa dentro dessas empresas.

A outra, do New York Times, revela o “pânico” que se instalou dentro do Google em março diante da notícia de que a Samsung estaria cogitando trocar o Google pelo Bing, da Microsoft, como motor de busca padrão em seus celulares. Estima-se que essa parceria renda US$ 3 bilhões por ano ao Google.

Bônus: uma música viral, com vocais de Drake e The Weekdn criados por uma inteligência artificial, colocou o YouTube (que é do Google) em um dilema existencial: ao tirar do ar a canção, a pedido da Universal (gravadora que representa Drake), o Google diz implicitamente que trabalhos derivativos de IAs ferem direitos autorais, abrindo um precedente que coloca em risco as suas próprias IAs. Se não fizer nada, compra briga com a indústria fonográfica. No The Vergeum ótimo artigo acerca desse assunto.