Outra semana no Linux
Às vezes sou picado pelo bichinho do software livre. Acompanho há décadas a indústria da tecnologia de consumo e, mergulhado nesse universo, é difícil não se desiludir com seus monopólios, práticas questionáveis e abusos normalizados. Embora o desprezo pelas big techs esteja mais popular, estamos longe de mudanças práticas universais porque… convenhamos, essas custam caro. Tente convencer alguém a trocar o WhatsApp pelo Signal, por exemplo.
No final de julho, a minha febre de software livre atingiu temperaturas perigosas. Vi-me, mais uma vez, instalando uma distribuição Linux com o intuito de me livrar do macOS, o primeiro passo para sair do jardim murado que é o ecossistema da Apple; achava estar à porta de uma utopia digital, mais ou menos como aquele sonho do homem moderno de largar tudo e viver no mato, do que a natureza dá.
Adianto que, tal qual das outras duas vezes, o sistema do pinguim não durou muito. Alguns dias, para ser exato. Apesar do fim precoce, foi bom enquanto durou e a experiência deixou ensinamentos valiosos.
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Meu notebook, um MacBook Air com chip M1, da própria Apple, é muito bom, mas peculiar. Ao contrário dos da AMD e Intel, esse chip não é amigável a sistemas operacionais de terceiros. Só é possível instalar outro graças à dedicação de uma galera insana que desvendou o código fechado do chip da Apple com engenharia reversa — o projeto Asahi. Fato é que funciona, com ressalvas.
A distribuição de referência do Asahi Linux é o Fedora. Há alguns meses, descobri que uma equipe do Debian, batizada Debian Bananas Team, adaptou os pacotes do Asahi para o projeto. Fui de Debian Testing com o ambiente gráfico Plasma 6.6, do KDE.

A instalação é diferente da de computadores convencionais, de outras marcas, com chips AMD ou Intel. Em vez de preparar um pen drive, é preciso rodar um script dentro do macOS. Ele faz alguma mágica para tornar o computador apto ao Linux, redimensionar a memória de armazenamento e, por fim, instalar o sistema alternativo e defini-lo como padrão.
É um pouco intimidador, em especial a parte em que o script pede para reiniciar a máquina segurando o botão de ligar para entrar no seletor do sistema operacional. Aparentemente acontece algo ruim se esse passo não for executado à perfeição. De resto, o script é muito bem escrito e senti segurança durante o processo. Correu tudo bem e, no fim, a tela de login do Debian/Plasma se revelou a mim em toda a sua glória.
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Você se lembra daquele papo da Apple de que seus computadores com 8 GB de RAM (memória temporária) equivaliam a 16 GB de outros computadores? Detesto ser o mensageiro de más notícias, mas parece que é verdade.
Em mais de quatro anos usando este notebook no macOS, com seus parcos 8 GB de RAM, não me recordo de um aplicativo ter travado por falta de memória, mesmo em sessões exigentes, com mil aplicativos abertos ou editando vídeos.
Já nos poucos dias em que estive a bordo do Debian, a situação era recorrente, acontecia algumas vezes por dia, muito acima do ideal, que é zero.

Era abrir do LibreWolf (navegador, um derivado do Firefox) e o Thunderbird (e-mail e agenda) ao mesmo tempo que um dos dois travava. Justiça seja feita, ambos são devoradores de RAM em qualquer sistema operacional. Quando os usei no macOS, porém, nunca travaram.
Dado que memória está custando dois rins no momento (obrigado, IA), é imprescindível fazer mais com menos, e o macOS faz coisas impossíveis com o que tenho aqui.
Comentei esse episódio com o pessoal no grupo do Manual e soube que era necessário aumentar a partição swap (de troca). Acho que conseguiria fazer isso, apesar do receio de transformar o notebook em um peso de papel. Revendo os prints que tirei para ilustrar este relato, percebi em um deles que o sistema estava sem swap. Limitação do Linux em chips Apple? Algum equívoco no script de instalação (não me lembro disso nele)? Burrice do BIOS (bicho ignorante operando o sistema, euzinha)? Sei lá, só sei que isso explica muita coisa. Lição aprendida e peço desculpas pelo erro crasso no experimento.

De qualquer modo, o sufoco com os 8 GB de RAM foi a gota d’água, mas não o único motivo que me fez regressar ao macOS. Outros golpes duros que me desnortearam: o sensor de digitais que não funciona e — o pior — a incompatibilidade com o monitor externo, ligado por uma dock USB-C/Thunderbolt.
Eu uso o teclado e o trackpad do notebook e, vez ou outra, a tela dele também. À minha mesa, substituo a tela embutida pelo monitor externo, mais espaçoso e na altura dos olhos. Não estou mais na idade de abdicar da boa postura; as consequências são quase imediatas e dolorosas. Acreditei nos primeiros dias, ainda inebriado por estar vivendo o ~sonho do Linux próprio, que poderia levar uma vida na telinha do notebook, com o pescoço dobrado. Mudei de ideia dois dias e um torcicolo depois.
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O sistema em si, o Debian Testing, funciona bem. LibreWolf e Thunderbird têm seus problemas (de interface, de padronização; principalmente o Thunderbird), mas dão conta do recado. Outros aplicativos que uso no dia a dia, como editor de texto simples (KWrite), gerenciador de senhas (KeePassXC) e visualizador de imagens para edições básicas (Gwenview), achei ótimos. Já os conhecia de outros carnavais e continuam tão bons quanto me lembrava. Tudo que uso em linha de comando no terminal do macOS está disponível no Linux.

Ao contrário da última tentativa, não fiz a insanidade de começar com o Debian “pelado” (instalação mínima) e ir instalando os pacotes um a um. Fui com o pacote padrão que, não sei se isso vale para tudo ou é algo do Debian para computadores da Apple, veio bem enxuto, com poucos aplicativos pré-instalados.
Mesmo a arquitetura diferente (arm64), incompatível com aplicativos compilados para a dominante (amd64), não chegou a ser problema. O único contratempo que notei foi com o Thunderbird, que não tinha a versão normal disponível para arm64 nos repositórios do Debian nem no Flathub, um popular repositório de aplicativos em um formato agnóstico, que funciona em qualquer distribuição Linux. Tive que me contentar com a ESR, de suporte estendido, que só recebe novidades uma vez por ano.
O poder do notebook fez uma diferença notável em comparação à tentativa anterior de usar Linux no dia a dia, conduzida em um computadorzinho fraco que, depois, virou meu servidor doméstico. (Ironicamente, rodando um Debian 12 “headless” e dando conta do recado com folga.) A rolagem das janelas, por exemplo, que no computador fraco era irregular, funcionou suave. O trackpad da Apple, tido como o melhor da indústria, também funciona bem, embora alguns comportamentos sejam melhores no macOS. O clique sem apertá-lo nem sempre funciona no Plasma; se você fizer um “micro-movimento” e mover o mouse durante a execução do clique, o sistema reconhece o movimento e o clique falha. O macOS prevê e corrige esse equívoco. Parece bobagem, mas acontece muito e a somatória de ocorrências que frustra.
O KDE Connect supriu parte dos recursos de Continuidade que a famosa integração entre os dispositivos Apple entrega. Com o iPhone, ele é bastante limitado e só funciona com o aplicativo aberto no celular. É recomendável usá-lo com um celular Android, o que seria demais para mim. (Não o Android, mas mudar dois sistemas ao mesmo tempo.)

Um recurso do Dolphin (gerenciador de arquivos) muito maneiro é abrir o terminal no diretório exibido no rodapé da janela. Basta apertar a tecla F4. Quando voltei ao macOS, procurei por algo similar. Existe um atalho no teclado configurável que faz quase isso: ele abre uma janela do terminal no diretório/pasta que está selecionado no Finder, não no que está aberto. É diferente o bastante para ser meio inútil. Talvez exista um atalho ou Apple Script para fazer do jeito do Dolphin.
Uma velha contenda que tenho com outros sistemas que não o macOS manifestou-se outra vez: os atalhos no teclado. A experiência adquirida na semana anterior a bordo do Linux me salvou de uma agonia desmedida, a de não conseguir digitar reticências (…) nem travessões (—). Bastou ativar a tecla de Composição. Pena que ainda não consigo fazer as aspas bonitinhas com ela. Não sei se sou eu ou o KDE Plasma.
Gastei um bom tempo no editor de atalhos das configurações do Plasma, adequando-os às minhas manias, tentando não alterar muitos deles. Estava disposto a aprender — ou a familiarizar-me com — o “jeito Linux” de usar computadores. E com bastante paciência, o que acho que faltou nas outras tentativas.
Era esperado (e de fato foi) que eu ficasse mais lento para fazer as coisas que faço na minha rotina. Fui do jeito lento mesmo, dando voltas enormes que no macOS, para mim, faço sem pensar, esperançoso de que o tempo e a prática me dariam a desenvoltura que exibo no macOS. Não deu tempo, mas tudo bem.
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Antes de me sentar para escrever este relato, reli os dois anteriores e me surpreendi ao notar que concluí ambos com mensagens similares. Em dezembro de 2012 (!), após uma semana no Ubuntu 12.10, escrevi:
Daria para viver com o Ubuntu? Sim. Muita gente consegue, aliás, embora a maioria dos que entrevistei trabalhe com informática e, portanto, talvez não se enquadre no perfil do “usuário leigo”, o escopo desse experimento — com exceção da parte do XAMPP, todas as demais atividades que fiz foram bem… convencionais. Há dificuldades, algumas ainda casca grossa que te levarão a pesquisas tediosas no Google e comandos ininteligíveis no terminal, mas a situação já é bem melhor que algum tempo atrás.
E na mais recente, em janeiro de 2024 com o Debian 12:
Sim, daria para usar Linux no computador como único sistema operacional sem (muito) perrengue. Algumas tarefas são mais intuitivas e/ou funcionam melhor aqui, outras não, mas boa parte dos desconfortos e estranhezas desta semana decorreram do computador fraco que usei ou da minha falta de familiaridade com o sistema.
Sim, daria para viver com Linux no computador. Para mim, porém, essa vida continua sendo uma utopia, um desejo irracional pautado na emoção, porque para o meu perfil de uso, nível de conhecimento e familiaridade, o macOS é mais negócio — com ou sem Liquid Glass, uma mudança que causou um desgosto enorme por aqui.
O futuro segue sendo uma incógnita. Ou não.
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Para abrir espaço ao Debian, tive que formatar o macOS e deixá-lo com o mínimo de espaço recomendado pelo Bananas Team. Preparei-me bastante, num nível quase paranoico, a fim de preservar meus arquivos e configurações. Correu tudo bem. Esta talvez tenha sido a maior lição que levo comigo: a de que, na prática, é fácil pisar fora do jardim murado da Apple, que existe uma porta de saída, mesmo que lá fora não seja tão agradável.
Me diverti com o seu relato e também fiquei triste pois sofro do mesmo problema.
Atualmente eu decidi trocar meu iphone13 pelo galaxy s10e (lineageos + microg).
O que motivou mais foi a questão de ter um celular pequeno!
Tenho feio a migração aos poucos. App por app, não numa sentada só configurando mil e uma coisas. Foi da configuração do sistema, loja(s) de app, podcasts, musica… até chegar em banco(tudo funcionando por enquanto), aplicativo de autenticação microsoft(pro trabalho clt), whatsapp(inevitável). Próximos apps serão os relacionados ao gov.br.
macOS vou seguir usando por motivos de trabalho(desenvolvedor), desempenho do apple silicon, até que isso seja possível com o linux. pra mim não faz sentido trocar essa plataforma sendo que os preços não justificam compra de notebooks ultra power gamers carérrimos, mais caros que um MacBook Pro M1 Pro (meu caso), e não chegou perto do que o macOS entrega de desempenho.
Aqui sigo ensaiando um passo de cada vez a saída do jardim murado. Meu homelab me ajuda com um serviço de calendário, notas e lembretes, que se integram bem ao Mac e ao android. pra mim, isso é meio caminho andado.
Uso o KDE connect android+macOS a pouco tempo, e me surpreendeu no quanto funciona bem. Uso também o LocalSend, resolve bem.
AH, fiquei curioso. O que voce tem no seu homelab com Debian 12 headless? Qual é a especificação do seu modesto notebook antigo?
Também tenho um aqui, só que com o Debian 13 headless.
Faz muito tempo que não instalo um OS mas pelo que lembro a definição da partição swap é mesmo indispensável quando a memória é apertada e recomendada mesmo quando ela folgada.
Mas parece que sua maior barreira é a integração com hardware complementares da Apple. Aí acho que não tem jeito e vc só descobre mesmo quando usa. Uma possibilidade é usar o linux como opção de acesso remoto em hardware apple defasado, onde o hardware complementar não seja importante
Ghedin, você usa Linux com um bom PC, tipo um Thinkpad ou Avell.
Mac não foi feito pra Linux, e você tá vendo a pior combinação. Eu tenho um computador aqui da Tuxedo com Arch e ele roda suave e redondo.
Devido ao fator “dinheiro” 💸🥲
É, acho que mais do que tudo, o Ghedin está dando um salto bem radical, porque todo o hardware dele está no ecossistema Apple, o mais duro de sair. Saindo dali, as águas do Linux são ainda mais turbulentas kk
Apesar de ser um debian-ista, no caso do Mac eu tentaria a versão do Fedora. Acho que essas arestas que você encontrou estão mais bem-aparadas ali.
Boa sorte.
Infelizmente as limitações de hardware são do Asahi, ou seja, também afetam o Fedora. Já o swap talvez o Fedora preveja mesmo. No próximo experimento, tento o Fedora :)
Eu tenho um notebook com processador AMD da Acer, o Acer Aspire 3 de 12 GB de ram e o Windows estava travando muito nele, instalei o Linux nele o Zorin OS 18.1 e está muito bom, o desempenho está excelente consigo ate rodar jogos da Steam nele com qualidade, acho que hoje está um pouco melhor de migrar pra Linux do que estava a tempos atrás, meu PC de mesa de 2018 com Processador I3 de 6ªgeração e só 4GB de ram eu instalei o Linux Mint 22.3 e está atendendo bem e até minha esposa está conseguindo usar legal, eu suspeito que o hardware da Apple que você usa não roda bem, alias, esse é o problema do Linux ele não é bom em todo tipo de Hardware, é sofrivel tentar usar Linux em Hardwares NVIDIA ou qualquer outro Hardware cujos drives são altamente proprietarios e nada open sources.
vai ter post sobre o thinkpad com linux que vc comentou no post do vício de tela?
Não. Foi um período breve e ele já não está mais comigo.
No Finder, tu pode abrir um Terminal na pasta atual através da Barra de Caminho: o clique secundário em qualquer pasta que apareça no caminho, incluindo a pasta atual, dará a opção de “Abrir no Terminal” a pasta clicada. Para mostrar a Barra de Caminho, caso ela não esteja visível, basta clicar em “Mostrar Barra de Caminho” no menu “Visualizar” ou apertar ⌘⌥P. Se existe forma de abrir um Terminal na pasta atual usando o teclado, eu desconheço.
Ahh, legal! Seria melhor com uma combinação de teclas, mas isso já ajuda.
A propósito, não gosto da Barra de Caminho aparecendo o tempo todo. Em vez disso, seguro a tecla Option para exibi-la temporariamente.
Sou de um tempo em que para usar uma distro você precisava conhecer todo seu hardware, e pesquisar se era compatível. Os brinquedinhos da Apple são projetados para ficar no cercadinho deles. Tenho um velhinho ThinkPad T430. Tudo funciona. O Mint LMDE7 roda liso. E não, não tenho iPhone, pq não estou no cercadinho. Por hora eu estou com um Xiaomi 14T, que me serve bem. Mas estou namorando um FairPhone, pra poder brincar com vários sistemas nele.
Melhor ir de Pixel, permite abrir o bootloader e fechar o bootloader quando quiser. Ruim de outros sistemas é que você perde o pagamento por aproximação e gov.br
E essa é uma das explicações para o lance dos 8GB… Afinal de contas, se você deixa o seu kernel e todo o sistema rodado para o que tá na sua máquina, é bem fácil falar isso… Hooks não necessários que são removidos, drivers e bibliotecas que não são necessários que são retirados…
Cara, tive 2 pixel, em um rodei o CalyxOS e o /e/os da Murena. No outro fui de GrapheneOS. São ótimos hardware.
Acho que não precisamos usar esse tom condescendente aqui, né? “Brinquedinho”, “cercadinho”… não somos crianças birrentas.
Concordo com o termo, mas que a Apple criou seus jardins murados, é verdade…
Aqui não é uma questão da qualidade ou respeito ao usuário…
Seria mais interessante para a Apple comprovar o poder de seus sistemas em um ambiente onde você pudesse intercambiar as peças.
É que em nenhum momento isso foi uma questão aqui. Até cito no texto o famoso “jardim murado” da Apple.
Apple Silicon foi a coisa mais incrível que a Apple já fez desde o iPhone. Além de ser muito bem projetado e eficiente, eles controlam “praticamente” a cadeia completa, do hardware ao software. Uma empresa trilionária com controle total, comparado um punhado de desenvolvedores que fazem uma gambiarra pra dar opção a um hardware completamente fechado. Se existe alguma vitória nesse “confronto”, eu prefiro acreditar que é do desafiante :)
Como vc tava com o freio de mão puxado durante seu passeio no Linux, entendo a frustração. Uma pena, seria legal que essa experiência fosse mais “lisa”, ansioso pro próximo relato.
PS: Swap é uma coisa que “leigos” não deveriam ter que se preocupar, talvez esse seja um bom feedback para quem fez o script de instalação.
Fui usuário Apple por quase 10 anos. Um iMac, dois Macbooks (White e Air), iPad, iPhone, Apple TV. No início foi aquela maravilha. Que sistema bonito e fluído. Tudo redondo. O grande diferencial da Apple e seu ecossistema é que ele funciona muito bem! Fiquei viciado. Porém, com o tempo, o campo da distorção da realidade foi acabando. O baque foi quando o iMac e os MB não receberam os novos sistemas. O iMac e White ficaram no El Capitan, o Air, no Big Sur. Esses equipamentos certamente conseguiriam rodar pelo menos as duas próximas versões, só que não. A Apple matou um hardware que ainda davam um bom caldo. Uma vantagem é que eram intel. Então entrou na jogada a possibilidade de instalar o bom e competente Linux pra salvar, mas acabei vendendo. Hoje a coisa é diferente e complicada. Como os novo chips da Apple, agora é torcer para um dia, quem sabe, o Asahi Linux estar usável a ponto de ser instalado sem malabarismos e inconsistências. Por isso que desisti da Apple. Não da pra comprar algo que ficará obsoleto um dia, tendo um baita hardware. Hoje uso o Debian em meu ThinkPad e em um PC de mesa. Não deixa nada a desejar. O fluxo de trabalho não foi alterado e arrisco a dizer que entrega tanto quanto os equipamentos da maçã. Não sou muito exigente, talvez seja por isso. Por fim, mudar não é fácil. Acabamos criando resistência. No seu caso, acredito que mesmo sendo o M1, ainda dá pra fazer muita coisa. Eu me preocuparia quando ele deixar de receber novas versões do macOS. Aí sim é uma boa oportunidade de pensar num hardware compatível com alguma distro Linux e mergulhar de cabeça ou então juntar uma fortuna e comprar um equipamento que tenha suporte ao sistema mais novo.
Ótimo ponto. Tive uns 3 Mac Pro com chip Intel e infelizmente eram muito frágeis, e ficaram ainda mais com o decorrer dos anos… Acho que M1 ainda envelhece bem, mas o dia que parar, já era… De qlqr forma, possuir um dispositivo que seja meu e possa configurar, usar da forma como entender e não ficar preso às decisões do fabricante é algo único e fantástico no Linux. Não gostou de uma atualização da interface gráfica? Instala outra. Modifica a sua. Crie uma, olha que irado!
Irado pra quem tem tempo, eu pago pra não ter que me preocupar porque alguém com doutorado em design gastou 20 anos projetando algo que funciona
A parte irada que eu estava me referindo não é especificamente sobre pessoas sem tempo para fazer isso, é o fato de qualquer pessoa *poder* construir. Essa já é uma vantagem clara que um ambiente aberto tem sobre um ambiente fechado, independente do aspecto financeiro.
Sim, e tá tudo bem. Ambos os mercados podem coexistir. Cada um tem seu nicho de usuário.
Concordo totalmente. MacOS é muito muito muito melhor que Linux. Apple está 10 anos na frente, no mínimo. Não dá pra arrastar arquivos pra janela de “escolher arquivo” no Linux. Está começando agora os sistemas “atomic” (todo Mac já é atômico desde 2020), vai mais uns 10 anos até ser padrão. Eu fui pesquisar sobre o pop_os, é fork do ubuntu, o que acontece se o pop_os acabar? Tem que formatar e reinstalar muita coisa, boa sorte. E se eu quiser ir do ubuntu pro debian? Mesma coisa. Tudo é muito difícil. No Mac dá pra apagar a partição do sistema, instalar sistema de 5 anos atrás e todos os programas vão funcionar, nada muda. No meu PC antigo eu ia instalar Linux, tudo tão difícil que fui de Windows mesmo, é o ChatGPT que vai mexer nele, então tanto faz. Foi muito tranquilo. Mas o Mac é melhor em todos os sentidos.
Acho que não é bem assim. O macOS tem suas facilidades e chegou a um estágio bem bacana na usabilidade sim, maaaassss não é essa Brastemp toda não. Se der problema, e pode dar, talvez seja necessário instalar novamente. Já tive essa experiência e confesso, ah se não fossem os backups. Quanto as distros Linux, realmente não é pra qualquer um. Requer aprender para dominar e fazer funcionar bem, apesar que já existem distribuições que entregam muita facilidade, basta querer aprender e sair da zona de conforto imposta pela Apple e a MS.
Não existe a possibilidade de dar problema desde 2020
Não é isso que vejo com frequência em fóruns especializados sobre macOS. Tá bem distante dessa afirmação.
Não tem nada que formatar possa resolver ou fazer porque o sistema vai ser sempre o mesmo. E o sistema sendo o mesmo, se tiver qualquer problema é só remover o arquivo defeituoso. Se o sistema não for o mesmo ele nem dá boot.
Tudo bem Bernardo, pode continuar a usar seu Mac e os demais vão continuar a usar o que quiserem. Bom fim de semana!
Que falta faz o botão “risos” nessa plataforma
Caso um dia migre de vez, mas precise de algo do macos de vez em quando, é relativamente fácil rodar o macos dentro do Linux, com o Quickemu. Passei a fazer isso esses tempos para testar como ficam certas coisas no mac e, tirando a inexistência de aceleração GPU (praquelas decorações), fiquei surpreso em como roda bem (precisa de RAM).
“Não estou mais na idade de abdicar da boa postura”
Eu lendo isso todo torto, sem idade de abdicar da boa portura também, kkkrying.
Enquanto a Apple não fizer mudanças que te causem incômodo no uso, como as que a MS fez no Windows 11 (Liquid Glass e que tais não são nada perto de propagandas, bloatware e updates que quebram funções), as tentativas de migrar pra Linux vão falhar, pq que nenhum incômodo moral (rejeição às big techs) vai suplantar o incômodo físico por muito tempo.
Isso é um ponto justo
Man vende esse MacBook, compra um notebook usado na OLX instala o Debian Stable. Vai sobrar uma grana na sua mão. Eu uso um note assim, nunca travou, nunca ficou sem memória e está em funcionamento comigo há 5 anos.
O Marcus Mendes se auto intitula o “edge case humano”. Será que o Ghedin tá tentando tomar esse título dele? Ehehe
Brincadeira…
Para os próximos experimentos, você poderia tentar no modo normal e não no modo difícil.
Como no caso do Android, no qual trocou um iPhone pequeno por um Galaxy A gigante.
De qualquer maneira, que venham os próximos! Gosto muito desses experimentos.
Não tem por que você usar Linux no Mac por enquanto…. Quem sabe quando o suporte ao hardware for encerrado, assim pode dar uma sobrevida ao aparelho transformando em outra ferramenta. Mas por enquanto não, relaxa um pouco.
Ah sim, não foi por necessidade ou insatisfação com o macOS, longe disso. É que vi que era possível, aí bateu o comichão e só sosseguei depois de tentar, hehehe.
Uma pena essa situação da memória RAM vs Swap ter sido uma pedra no caminho. Eu caí nisso com o Linux Mint em um notebook Dell – mas que sigo usando.
Arrisco pensar que isso está mais relacionado ao fluxo de instalação (e decisões de quem o fornece) do que ao usuário.
No caso do Mint descobri que, se não me engano, ao criar partições manualmente (aonde eu queria ter “/home” separado) ao invés de deixar o sistema decidir e fazer tudo do jeito dele, ele opta por nem criar um Swap, assumindo que sou eu quem o faria.
Acontece que Swap é essencial no mundo atual se há apenas 8GB de RAM. Inclusive, métodos de Swapping fazem parte da magia da gestão de memória do MacOS (entre outras coisas, claro).
Fora do Linux não lhe será útil, mas fica a mensagem para possíveis navegantes de que criar um “Swap File” é extremamente simples e sem perigos. É feito “sob demanda”, e fixá-lo no boot é uma etapa separada. Tudo com comandos muitos simples. Hoje em dia, me parece que não há ganhos em que o Swap seja uma partição distinta (talvez mérito dos SSDs terem alta velocidade?), o que simplifica muito o processo.
Mas seguirei pensando que, em distros e instaladores que tem a intenção de terem uso fácil, criar Swap deveria ser garantido – ao menos com 8GB de RAM.
No macOS é assim também, o swap é um arquivão salvo na mesma partição dos arquivos. É realmente inexplicável que a instalação padrão da distro não o crie.
Tentou o zram?
Nem sei o que é isso, rs.
Então, o zram é um recurso do Linux que permite cria uma área de memória virtual compactada na própria memória RAM. Ele comprime os dados antes de guardá-los, o que ajuda a usar melhor o espaço disponível sem precisar recorrer ao swap no disco rígido. No caso do Debian, basta um “apt install zram-tools” e pronto. O problema com o swap acabou.
@Wendell, acabei de perceber que eu preciso mais de Zram do que Swap no meu notebook Dell. Quando fui estudar e configurar a Swap que o Mint não criou, vi sobre ele, mas não me aprofundei, e agora na comparação com MacOS é que caiu a ficha.
Inclusive, meu computador de trabalho é um ótimo MacBook (graças ao meu empregador), e na minha rotina de uso o consumo de memória é obsceno. Mas a parte declarada como “compressed” está lá, linda e forte!
Oi Rodrigo, muito interessante o seu relato. A instalação padrão do Debian usa por default um particionamento automático que sim, inclui uma partição de swap, desde sempre.
O que você usou, um script do time que está desenvolvendo suporte ao Apple M1, não é a instalação padrão da distro, e é direcionada a usuários “avançados”. Pelo que eu entendi do código do https://bananas.debian.net/install, ele baixa o script de instalação do Asahi por baixo dos panos. O instaldor do Asahi Linux aparentement não cria uma partição de swap mesmo. Tanto o Bananas quanto o Asahi são, na minha visão, experimentos em andamento, então não dá pra esperar o mesmo nível de polimento dos releases oficiais.
Minha interpretação quanto a sua experiência é de que seu maior apego não é ao software, é ao hardware e os costumes que você adquiriu usando ele por tanto tempo, ao ponto de que você consegue superar graves decepções no software (ex: Liquid Glass) desde que eles não afetem o hardware.
Pelo seu relato, o maior problema foi o MacBook. Pode ser um hardware tão mágico quanto os fãs de Apple juram que é, mas o suporte a linux dependendo de umas gambiarras parece frágil demais
O chip do MacBook, eu diria. Porque o hardware é fenomenal, independentemente do sistema. É (ou era) impossível achar um equivalente de outra marca que não custasse o dobro do que paguei por esse aqui, em 2022.
No início do ano brinquei com um ThinkPad T14. É bem decente, mas uma regressão notável a quem está acostumado com um MacBook. O equivalente, acho eu, seria a linha X1 Carbon, mas aí é caro demais.