O que importa: números enormes ou experiência de uso?

Moto X antigo e novo, comparados.

Quando se fala em gadgets, especificações costumam tomar um pedaço do debate. Antigamente isso fazia algum sentido: com processadores, memórias e outros elementos não tão avançados, qualquer ganho era importante. Hoje? Não mais. O iPhone está aí para provar: tem 1 GB de RAM e usa um SoC com processador dual core rodando a 1,3 GHz e, ainda assim, não sofre com problemas de desempenho. Pelo contrário. O diabo é enfiar isso na cabeça do consumidor.

O novo Moto X é um exemplo de reação a essa sede por números. O original, do ano passado, tinha um Snapdragon S4 Pro enquanto todos os demais eram lançados com a versão 800. Ainda que, por dentro, ambos fossem muito parecidos, a menção a “S4” criou um bloqueio em boa parte dos consumidores em potencial, aquela consciente desses nomes. Alguns sites “especializados” entraram na onda e colocaram o Moto X no segmento intermediário, mesmo ele oferecendo uma experiência de uso melhor que os topos de linha incontestáveis.

O mesmo vale para a tela. A do antigo, de 4,7 polegadas com resolução de 720p, era um “sweet spot”: grande o bastante para ver vídeos e jogar com conforto, pequena para não sacrificar portabilidade e uso com uma mão.

Na nova versão do Moto X, tudo isso é passado. Ela adota o Snapdragon 801, idêntico aos dos outros topos de linha atuais, e vem com um telão de 5,2 polegadas. A Motorola, no evento de apresentação do modelo em Chicago, EUA, disse ter ouvido os consumidores na hora de atualizar seus smartphones. O povo quer telão e números enormes, independentemente do que eles signifiquem na prática. Edson Bortolli, diretor de produtos da Motorola Brasil, resumiu o sentimento ao novo (e bom!) blog do Pedro:

O consumidor queria spec (especificações) também. Ele queria ouvir “o meu é quad core”.

Passam-se os anos, muda a plataforma, essa maluquice continua. Antigamente era a síndrome dos giga hertz em processadores desktop, lembra? Hoje, é núcleo. Ironia: o Moto X original, com dois núcleos, deixava vários de quatro núcleos, como o irmão menor, o Moto G, no chinelo. A própria Qualcomm reconhece isso — embora, nesse caso, seja para rebater as ofertas octa (!) core de Samsung e Mediatek:

Acho uma pena essa corrida ensandecida por números apenas pelos números. A força bruta coloca a otimização e o cuidado, com software e hardware, em segundo plano. Para que se dar ao trabalho de otimizar qualquer coisa se sobra processamento? Não é apenas preciosismo; sistemas bem projetados, fechados hermeticamente com zelo acima da média são trabalhos fascinantes, prezam eficiência e, não raro, funcionam melhor — eis o antigo Moto X, ou o iPhone, como provas. O novo não deve ser, em absoluto, pior que o antigo, mas ao ceder à pressão do mercado (e não dá para culpar a Motorola por fazer isso), parte do seu encanto se perde.

Calum McDougall, diretor de marketing da marca Xperia, da Sony, falou à Trusted Reviews sobre as telas QuadHD que começam a aparecer com mais frequência em smartphones — está no G3, da LG, e nos Galaxy Note 4 e Edge, da Samsung. Para ele, bobagem. Além do olho humano não detectar diferenças entre as duas resoluções em telas de até 8 polegadas, o quádruplo de pixels na tela impacta a autonomia da bateria.

Neste momento estou olhando para três telas: iPhone 5, Galaxy S5 e G3. Não dá, mesmo, para dizer que a do G3 tem maior definição.

Como bom senso não vende celular, @Ricollo, um leaker que segundo o PhoneArena tem um bom histórico de acertos, disse no Twitter que o sucessor do Xperia Z3 terá, sim, tela QuadHD. Afinal, nossos olhos podem não notar diferença, mas a percepção, ela nota. Até diferença que não existe.

https://twitter.com/Ricciolo1/status/507867176468881408

Foto do topo: The Verge.

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44 comentários

  1. Só comentando, muito bom saber do novo blog do Pedro, mas .. onde diabos tem RSS ali no Yahoo? Que horror viu, usabilidade ZERO! Pena :(

  2. Desde que o ser humano é cerumano ele tem esse negócio com potência e coisas grandes. Não importa que você diga que um motor 1.4 Turbo anda mais que um 2.0 de 4 anos atrás ou mesmo a maneira folgada de motoristas quem colocam seus SUV’s no trânsito como os donos da rua denunciam o problema. Como disse o @DavidMSS:disqus é a questão que começou no pênis.

    Falando em partes anatômicas, enche o saco lembrar da guerra do clock, amd x intel, e etc.

    Eu não gosto de telas imensas, mas quando vejo um sony “compact” saindo com 4.6 me sinto derrotado. É… o meu é quad core e o teu não, coisa de 12 anos que vai pra sempre em nosso imaginário.

    Sobre o moto x: era bom mesmo. era melhor que muito top. Mas é como um carro: “cadê os recursos sexy de um celular top?” não tinha. virou o rei do intermediário. (pesa que a cam era realmente fraca)

    Sobre algumas pessoas que pensavam que pelo preço ele era ruim: Derrota do cerumano, parte 2.

    1. Mas sabe o que acho? Que vai chegar um ponto (creio que já até chegou) em que as telas vão estabilizar e, talvez, comecem a diminuir novamente. Vejam a Samsung: só aumentou 0,3 polegada do S3 para o S5 e o Note 4 nem aumentou. Pensei que iriam lascar uma tela com ‘umas’ 6,0 polegadas nele mas não. A LG que tem insistido no aumento (G2 para G3). Sony e Nokia têm seus phablets mas nos smartphones top, ficam ali nas 5′ e 5,2′. No passado longínquo, os aparelhos eram imensos, grossos e muito pesados. A Nokia lançou 8860 e 8260 que eram lindos, leves e finos. Foram sucessos. Claro que não acho que eles voltem àquele tamanhinho mas não acho que continuarão a crescer até chegar nas 10′. Por mais que o povo curta acessar internet e redes sociais neles com o relativo conforto que as telas grandes são capazes de oferecer, ninguém se aventuraria a ir pra balada com um iPad phone ou Galaxy Tab S 10,5′ debaixo das axilas…

  3. Guedin,
    Me permite levantar 1 bola no assunto “uso”? Leio muito pouco sobre, mas debato bastante ele com minha esposa, cunhado e irmã (todos fãs incondicionais da Apple). Inicialmente digo que passei pelo mundo Apple no Iphone 4 (ótimo), depois Note 2 (minha paixão), depois s4 (odiei), moto G (MUITO bom) e atualmente Nexus 5 (excepcional). Não sinto saudades de Iphone e desejaria muito ter certas funcionalidades do note num Android tão leve quanto o do Nexus, ainda que possa suprir algumas coisas neste via apps. Entretanto, o que me decepciona nos dois, Apple (Iphone) e Samsung (Note 3 e 4) são os botões físicos de home. Sim! É muito mais produtivo ser como é nos Nexus e cia, botão capacitivo na tela. A situação piora muito por que o iphone não tem um botão multi tarefa e a Samsung adotou o famigerado agora. Duplo clique no botão home? É muito contra producente. Exagero? Vejo muita gente de Iphone voltando para a home e procurando o app ao invés de alternar entre os mesmos. E o (famoso) vicio Samsung de apertar mil vezes o “voltar” até que se chegue na home para só depois selecionar o app desejado?!? Pode ser subjetivo essa questão, eu sei, mas não considero que seja. Então por que utilizar leitor de impressão digital para desbloquear a tela? Óbvio que é sacal digitar 4 números. É teimosia burra da apple e da Samsung manterem o arcaico botão. Vejamos outras posturas de, “dar o braço a torçer”. Teclado swype é coisa de outro mundo, óbvio, tanto é que WP e IOS atualizaram-se para usufruírem de tal recurso. Tela grande é algo satisfatório. Existe um limite? Não sei, mas a referência sempre será o ser humano e suas medidas antropométricas. Em tempos de 4G, consumo excessivamente alto de conteúdo, de informações de conexões pessoais e profissionais, manter a tela em 4” é pouco, tanto que iphone 6 terá telas de 4,7” e 5,5” como apontam os rumores. Acho que Samsung e Apple têm expertise para dar soluções alternativas mais produtivas que o botão home e ausências mínimas de botões, porém, é a Google, na minha opinião, que tem sido vanguardista em tecnologia.

  4. Números, números, números… Acho difícil vencer essa lógica batida de que 4>2. O consumidor médio não tem noção da diferença que faz um sistema otimizado frente a um hardware parrudo. Pegando essas experiências, em questão de rapidez e fluidez, a maioria dos Windows Phones se saem bem melhor em hardwares inferiores do que a sua contraparte Android. O Lumia 520, com seu Dual Core de 1GHz e RAM de 512Mb dava uma surra em muito smartphone mid e high end.
    Outro exemplo de que otimização deve ser a palavra chave é o meu surrado Galaxy Tab 2. A experiência com a rom original da Samsung era sofrida, cheguei ao ponto de quase abandoná-lo. No entanto, quando coloquei o Cyanogenmod o aparelho virou outra coisa; rápido, fluído e bem mais agradável até de se olhar.

  5. “Alguns sites “especializados” entraram na onda e colocaram o Moto X no segmento intermediário, mesmo ele oferecendo uma experiência de uso melhor que os topos de linha incontestáveis.”

    Talvez eu tenha usado pouco, mas depois do Nexus 5, fiquei dois dias com o Moto X, até voltar ao iPhone 5s, e ODIEI a experiência.

    Achei a tela péssima, demais saturada, o formato “gordinho” e desempenho bom, longe do excelente. Como um smartphone intermediário, achei justo. Mas bem abaixo do que eu preciso num celular high-end.

    1. A câmera é um dos poucos pontos baixos do Moto X, mesmo. Não a achei tão ruim assim (faz até fotos bonitas, se as circunstâncias colaboram), mas… é, fica a desejar comparada às de alguns Lumias, iPhone e Galaxy S.

      Eu curti muito o Moto X, mais do que outros teoricamente melhores (os topos de linha da Sony, Samsung e LG). Usei ele por quase um mês e não tive quaisquer problemas com desempenho. O formato “gordinho” é uma proeza: ergonômico e compacto, mesmo com uma tela de 4,7 polegadas. A tela é AMOLED, natural ser saturada e, sim, eu também prefiro cores mais neutras, mas não chegou a ser um deal breaker para mim.

      No fim, achei o Moto X tão high-end quanto Nexus, Galaxy S, Xperia Z e outros.

  6. Rodrigo, desculpe perguntar aqui mas qual é o link direto para sua área de reviews? O que tem na página inicial, não abre.

  7. Ghedin,
    Achei o texto muito interessante,
    de questionamentos pertinentes e muito verdadeiros. Acho apenas que faltou informar
    as dimensões do novo Moto X, pois, sem elas, nos faltam parâmetros de ergonomia
    que bem sabemos eram excelentes no primeiro moto X mas que podem sim estar
    satisfatórias para o atual modelo e sua tela de 5,2”. Seguem as dimensões:
    139,71mm (altura) por 71,99mm (largura). O antigo (tela de 4,7”) tinha 129mm x
    65mm. A título de comparação também, o xperia z2 e z3 (telas de 5,2” também) têm,
    respectivamente, 146mm x 73mm e 146mm x 72mm. Daí percebemos que só pelas
    dimensões o trabalho da Motorola foi louvável, fora o design do produto e,
    sem titubear e sem tê-los em mãos, percebo ser melhor, mais condizente e
    mais humano.

  8. Sem dúvida o custo-benefício do Moto X (2014) é bem favorável, mas o que me preocupa mesmo é essa bateria que quase não progrediu ao tamanho do aparelho. Será que vai aguentar em relação aos concorrentes que utilizam baterias de maior capacidade?

    Ando seriamente pensando um comprar um Lumia 1520 só por esse fator. A tela é grande, mas também quebrou todos os recordes no teste de bateria do GSMarena.

    De qualquer forma, tenho que parabenizar o excelente texto Rodrigo Ghedin.

  9. “Na nova versão do Moto X, tudo isso é passado. Ela adota o Snapdragon 801, idêntico aos dos outros topos de linha atuais, e vem com um telão de 5,2 polegadas.”

    É uma pena ver que ‘só é top de linha se tiver números’ é a mentalidade do mercado, mas o que eu acho uma grande vantagem é que nesse caso o modelo novo não teve nenhum aumento no preço de lançamento, mesmo tendo specs brutas. Se o cuidado com os detalhes do Moto X original persistirem, a Motorola passa a concorrer em dois mercados: no dos números (Leia-se: samsung e LG) e no da experiencia (Nexus, e com sorte, iPhone).

    PS: Achei os auto-falantes dele muito feios, mas o conjunto em si vale a pena.

  10. No caso da tela… Hoje com mais de 40 e atacado pela presbiopia… estou reconsiderando o meu tamanho de tela ideal…. rsrs

    Antes 4.3 do meu velho SII para 5, 5 e alguma coisa……

    E sobre especificações de processamento, tenho minhas duvidas se a grande maioria sabe realmente o que os números representam e com isso se realmente se importam….

    A corrida de números é apenas mais um motivo apresentado pelos fabricantes para justificar a troca, como foi com os megapixels das máquinas fotográficas uma hora chega ao grande publico o que realmente interessa….

    Abs e Ghedin e parabéns pelo trabalho!!!!!

  11. Fazer julgamentos envolve um bom trabalho, por isso o nosso cérebro adora atalhos. Complicado mudar essa cultura em certos nichos e cabeças. Sim, por um lado é uma pena eles cederem, mas precisaram se adaptar. Até a Apple. Precisamos de mais críticos e mídia debatendo isso se quisermos ver alguma mudança (parabéns por fazer sua parte!). De qualquer forma, não acho que cederam tanto assim. Já se vê nas interwebs aquelas tabelas de comparação de especificações e por elas nota-se que o novo Moto X ainda está em “desvantagem” em alguns *números*. Pela época do lançamento eles poderiam ter adotado tecnologias ainda mais “marketeiras”, até o Qualcomm 805 (e o slot SD no X). E pelo que andei lendo, a preocupação com detalhes, otimizações e experiência se mantiveram. Eu concordo com o tamanho da tela, mesmo assim daria uma chance. Acho que alguns outros pequenos aspectos do design também poderiam ser melhorados, mas, hey, temos som estéreo, couro e ficou até mais fino! E esse preço por 32Gb, heh! Bom, tenho um Moto X e fico muito satisfeito em saber que quase todas as novas funcionalidades de software serão portadas para ele também, isso me faz ter uma impressão de maior longevidade para os equipamentos deles. Os novos acessórios retrocompatíveis também. Se ela continuar seguindo essa linha, próximo ano devo comprar o futuro novo Moto X.

    1. O SD é outro caso bem lembrado. Overrated. 90% das pessoas que conheço enfiam o SD no celular e esquecem da existência dele para todo o sempre. Eu incluso….

  12. Eu tô em duvida entre o antigo e o novo Moto X.
    O antigo tá saindo por 899, ano passado meu primo pegou ele na black friday por 999.
    Tô com medo de comprar ele e logo sair uma promoção do novo.
    Prefiro o tamanho do antigo mas o novo tem 32GB haha que dilema.

    1. É um dilema! Fiz uma rápida pesquisa e parece que os primeiros descontos agressivos no Moto X original surgiram no início do ano, cinco meses depois de lançado. (Veja os primeiros comentários: http://www.bondfaro.com.br/celular-e-smartphone–smartphone-motorola-moto-x-xt1058-desbloqueado.html#fb-comments)

      R$ 899 é um preço bem bom, e o Moto X original ainda é um puta smartphone. Ele deve durar menos tempo que o novo (suporte a atualizações e hardware mesmo), mas pela diferença do preço, acho que ainda vale a pena sim.

      1. Mas por esse preço ,quando a gente clica, avisa que não tem estoque. Onde vocês acharam site que vende realmente por 899 e tem ele no estoque?

        1. O próprio site da Motorola Brasil tava com desconto. 900 e alguma coisa.
          Só não verifiquei se tava em estoque.

  13. Rodrigo acho bom separar dois pontos importantes em relação a esse tema:

    1 – Especificações melhores não significa melhor desempenho, o A7 usado como exemplo é um processador realmente poderoso. Em outras palavras, se ele fosse colocado para rodar o mesmo software que um Snapdragon 800, ele teria um desempenho similar: a capacidade de cálculos por segundo deles é equivalente independentemente dos números.

    Um bom exemplo desse contexto é a época de transição de single-core para dual-core com Pentium D e Core 2 Duo: rodando exatamente o mesmo software (Windows, no caso) o desempenho de um Core 2 Duo com números modestos era muito superior.

    Hardwares com números inferiores podem ser superiores “a priori” por questões de arquitetura.

    2 – Existe a questão de quão bem um software funciona, bom desempenho em hardware com pouco poder de fogo. Se colocássemos uma ROM da Samsung em um iPhone 4S, é provável que o desempenho seja muito pior que do iOS. Nesse caso, ao usar um software melhor eu preciso de menos hardware para obter uma boa experiência.

    Um bom exemplo simples disso é instalar Windows em MacBooks: a bateria dura menos com Windows. Nesse caso, temos um software que não gerencia muito bem os recursos do computador perdendo desempenho.

    Soarei arrogante, mas o problema é que há muita gente falando do que não sabe. Além disso, o cenário se complicou muito: na época desktop, só tinha Windows com processador x86. Agora, há vários tipos de arquiteturas de processador, vários SOs e o Android ainda é modificado pelos fabricantes.

    A questão do Moto X, por exemplo. não é tanto otimização de software como dizem. Segundo o Anandtech, o SoC da Motorola por ter processadores auxiliares, consegue se manter em um clock mais alto que dos concorrentes. Ou seja, o X8 realmente tem muito poder de fogo, provavelmente traria bom desempenho nas demonizadas versões de Android da Samsung.

    Não que essa discussão realmente importe, mas poderíamos simplesmente pensar assim: o Moto X funciona bem como qualquer outro high-end, então beleza. Seja lá qual forem os motivos, não é uma questão muito relevante para o usuário comum.

    1. Não sei se deixei escapar alguma coisa, mas o seu comentário meio que reforça meu argumento. O X8 do Moto X é super poderoso, concordamos nisso. A crítica que fiz no texto é de que por ter o nome comercial de “Snapdragon S4” e ter um processador dual core enquanto todos os concorrentes da mesma faixa tinham quad core, a percepção do público e de parte da imprensa mudou: classificaram-no como um intermediário. (Sinto que o preço, por mais surreal que seja, também contribuiu para isso.)

      A multiplicidade de arquiteturas e sistemas acentua esse problema. Muitos fãs do Android malham o iPhone por ser “só” um dual core de 1,3 GHz. Na prática, faz diferença? Nunca senti o iPhone 5 lento, ou problemático. É tão ou mais rápido que smartphones Android com quatro, oito núcleos rodando em frequências duas vezes maiores.

      1. Sim, era mais uma curiosidade sobre como as coisas são intricadas quando falamos do desempenho dos smartphones. Muito mais complicado do que na época em que deveríamos escolher uma nova placa de vídeo para o PC.

        Muitas pessoas dizem o ponto forte do X seria a otimização de software do Android, mas nesse caso o hardware também é bom (como o A7) apesar de não parecer olhando apenas os números. Além de permitir recursos específicos, os cores adicionais também possibilitam mais poder de fogo para os núcleos “tradicionais”. O Moto X é bom pelos pontos 1 e 2, mas alguns acham que é apenas pelo ponto 2 subestimando o trabalho que a Motorola fez em hardware.

        De qualquer forma, o argumento central está certo como você exemplificou com o iPhone. Nesse caso, o argumento é até mais forte pois estamos falando de SOs diferentes. Eu pago muito mais em um Mac porque prefiro o OS X, é até ridículo argumentarem que eu poderia comprar um Windows melhor por menos. O que importa o hardware se ele não roda o software que eu quero?

      2. Rodrigo, você tem iPhone 5 (aliás, quantos e quais aparelhos possui, só por curiosidade? Se não quiser, não precisa responder, caso ache indevida minha pergunta)? Sobre a provocação dos adeptos de Android com o fato do iPhone ter ‘só dual core’ e ‘pouca RAM’, isso é fato. Brandem o argumento como se fosse uma arma letal numa guerra encarniçada, onde já não houvesse mais sequer rifles com baionetas.

        1. Sim, Marcos, tenho e uso como celular principal um iPhone 5. Além dele, tenho também um Nexus 4 e um Lumia 920 — e um Galaxy 5 que, a essa altura, não serve mais para muita coisa.

          1. rá, eu sabia. acompanho teus blogs desde essa época.
            desses 3 que vc usa hoje qual considera o melhor?

          2. Li ‘Galaxy S5’ e pensei “Que heresia” mas depois vi que era o modelo antigão…
            Rodrigo, seria tolice supor que você considera o iPhone como o melhor dos que têm? Chego a essa conclusão pelo fato de que você o usa como principal. Não acha a tela ‘pequena’? Internet e redes sociais são ‘executáveis de boa’ numa tela que é considerada minúscula perto dos Androids tops?

          3. Antes dele usei o Nexus 4 por um ano (estou com o iPhone faz 9 meses). Adaptei-me bem à tela e prefiro esse tamanho por ser mais cômodo usá-lo com uma mão só, embora achei o tamanho do Nexus 4 ok também. O grande trunfo do iPhone é o iOS: o sistema é mais fluído e os apps, melhores — mesmo aqueles que têm versões para iOS e Android costumam ser mais funcionais e bem feitos no primeiro.

          4. O iPhone é mais fluido mesmo numa comparação, por exemplo, com um Moto X ou Nexus 5, que são elogiados pelo Android puro?

          5. Também prefiro telas pequenas, embora me sinto derrotado nessa questão.

            um detalhe. tenho um Nexus 4. Estou sendo obrigado a usar Cyanogem porque a ROM principal do Google (vou frisar: ROM DO GOOGLE) tem um bug que, quando fico muito tempo no wifi de um local especifico e saio dele, o 3G não volta. Só reiniciando. (Esse bug está relatado no forúm do próprio google inclusive, com vários usuários com o mesmo problema)

            Aqui na empresa temos alguns Moto x que de tempos em tempos sofrem com problemas de conflito com o servidor Exchange. Resolve apagando e instalando novamente a conta. mass……. é chato…. bem chato e isso me custa horas.

            o fato é que estou tentando voltar pro iOS, mesmo sabendo de bons pontos positivos do Android. Consistência e a forma old school de lidar com novas versões fazem diferença.

            Então, Android puro não é exatamente uma garantia de que não teremos problemas

          6. Desconhecia esses problemas e, de fato, deve ser bem chato. Havia mencionado o Android puro porque tanto se fala na fluidez deles.

          7. São super fluidos de fato…. isso não posso reclamar. Mas é uma faca de dois gumes…. se por um lado são rápidos, por outro tem bugs irritantes que versões do Android modificadas por outros fabricantes não tem.

  14. Esse de fato é o grande problema da fartura de recurso: a programação mal otimizada. Mas o novo Moto X, por ter um Android praticamente limpo como o anterior, não deve sofrer com isso. Mas achei que a tela não precisava crescer tanto assim.

    1. Nossa, eu já ‘discuti’ muito specs e também já ouvi muita gente fazer o mesmo. E não é só com celulares não, vejo isso muito nas Casas Bahia e Ricardo Eletro: os caras vendem um celeron tosco com 6 GB de RAM barato como se fosse melhor que um i3 com 4 GB. Nas propagandas mesmo, eles não falam o processador, HD, fonte, nada. Só a RAM. E o consumidor leigo vai, olhas os números e compra o que tem os maiores.

      Anos atrás eu fazia o mesmo, quando o Moto X foi lançado eu (e uma galera) comentei no Gizmodo: “Já nasceu morto”, hoje eu tenho um Moto X e é só felicidade.

      1. “Anos atrás eu fazia o mesmo, quando o Moto X foi lançado eu (e uma
        galera) comentei no Gizmodo: “Já nasceu morto”, hoje eu tenho um Moto X e
        é só felicidade.”

        Eu tinha um pensamento parecido para com o Android há uns tempos atrás, rsrsrs.

        Mas gostei bastante do que vi e já tô decidido a pegar esse Moto X de 2ª geração. Já fiz as contas aqui e vendendo meu 4S (que comprei em 2012 por R$1.450) consigo 60% do valor pra comprá-lo (taí uma vantagem que o iPhone sempre vai ter, valorização).

        Gosto bastante iOS, já tenho muitos apps, mas pra ter o último modelo de iPhone no Brasil tá complicado. Recomeço de boa no Android.

        1. Verdade cara, eu também sou ex-dono de iPhone, tinha um quando ninguém sabia o que era, mas é difícil manter isso com a obsolencia programada da apple e o custo brasil.

  15. É aquela velha história: “My cock is much bigger than yours”.

    Às vezes uma especificação monstruosa não faz sentido (Colocar uma tela com QuadHD numa telinha que traz a vantagem de gastar mais bateria) mas às vezes sim (41mp numa câmera pra um zoom melhor).

    Pra mim a experiência de uso é bem mais atraente além de inovações úteis como a do Moto X com o comando de voz a qualquer momento, do iPhone e aquele sensor de digitais que reconhece o dedo independente da posição…

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