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Efeitos da pandemia: Eletrônicos já estão 30,7% mais caros no Brasil

Mulher bem vestida segurando um iPhone em um shopping.

Os efeitos da pandemia do SARS-Cov-2, o novo coronavírus, reverberarão em nossas vidas por um bom tempo. O que alguns chamam de “segunda onda”, a dos impactos na economia, já começam a ser sentida: os preços de produtos eletrônicos estão mais caros.

Após ler comentários no grupo fechado do Manual do Usuário no Telegram (somente para assinantes) de que preços de componentes de computadores já estariam mais caros, chamei a Novelo para fazermos uma análise um pouco mais ampla, com base em dados públicos do comparador de preços Zoom.

Foram analisados 55 produtos de 8 categorias — câmeras fotográficas, fones de ouvido, impressoras, notebooks, smartphones, tablets, TVs e video games. O Zoom permite filtrar as listagens pelos produtos mais buscados, critério que usamos para selecionar objetos da análise. Você pode baixar o arquivo CSV neste link. Os valores foram coletados no dia 7 de abril.

As nossas descobertas:

  • Dos 55 produtos, 47 estavam com o preço mais alto no dia da coleta dos dados — ou 85,4% deles.
  • O aumento médio dos preços atuais em relação ao ponto mais baixo dos últimos seis meses (período máximo que o Zoom exibe) foi de 30,7%.
  • A categoria que mais encareceu foi a dos fones de ouvido: 54,5%.
  • A que apresentou menor diferença foi a das TVs: 17,4%.
  • Demais categorias:
    • Câmeras fotográficas: +26,7%.
    • Impressoras: +35,1%.
    • Notebooks: +36,3%.
    • Smartphones: +22,3%.
    • Tablets: +32,7%.
    • Video games: +31,9%.
  • O produto que mais encareceu foi o par de fones de ouvido sem fio genéricos TWS i7s: em novembro de 2019, ele custava R$ 15; agora, não sai por menos do que R$ 31, aumento de 106%. Na sequência, aparecem o headset Edifier W800BT (+82,5%) e a câmera Canon EOS Rebel SL2 (+91,8%).
  • Na outra ponta da tabela, o que teve a menor variação foi o video game Xbox One S de 500 GB, de apenas 0,7%. A smart TV da Samsung RU7100 de 50″ variou 3,3% e o celular Galaxy A51, também da Samsung, 4,7%.
  • Nenhum produto estava na mínima histórica no dia da coleta dos dados.

É uma amostragem pequena e deve-se levar em conta o fato do Zoom agregar lojas distintas, que podem, em diferentes momentos, terem feito promoções que lhes tiraram muita margem de lucro. (Considere, por exemplo, que o período analisado inclui a Black Friday; apesar das críticas, muitos produtos ficam com descontos únicos na ocasião.)

Ainda assim, todas as categorias estão em máximas históricas, a maioria dos produtos está mais cara e o aumento médio dos preços atuais para as mínimas do período (30,7%) é significativo. Alguns fatores entram nessa conta, como as fábricas parando por falta de peças importadas da China ou contenção do contágio da COVID-19 e o encarecimento do dólar, que fechou nesta quarta-feira (8) valendo R$ 5,14.

Leia também: Foxconn de Jundiaí (SP) não libera funcionários na pandemia mesmo batendo recordes de produção

Foto do topo: JÉSHOOTS/Pexels.

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14 comentários

  1. Esta um absurdo os preços de equipamentos de informática, os Ryzen 7 2700 ou 2700x, que em Janeiro se comprava por uns 990 até 1100 reais vc não acha hoje por menos de uns 1800 se achar por 1500 desconfie pois pode ser usado….placas mãe a mesma coisa sem falar nos novos processadores da nova geração que é de chorar quando você vê os preços… queria fazer um upgrade mas sem chance, vou ficar com meu I5 mesmo até as coisas se acalmarem.

  2. Estava de olho em um smartphone novo, agora que as lojas físicas estão fechadas, o preço no e-commerce está maior (no caso dos eletroportáteis) , com certeza esse não é o melhor momento para comprar um celular novo. Enfim, espero que os preços fiquem mais justos após essa pandemia de covid-19.

  3. Pelo pouco, quase nada, que sei de varejo e e-commerce acho que quando está acabando/acabou o estoque eles aumentam bastante o preço para dar uma contida nas vendas até abastecerem.
    Acredito que nessa situação atual boa parte deve está aproveitando essa onda do corona para encarecer mais os produtos , pois as pessoas não tem alternativa se não comprar e amenizar o tempo que estão de quarentena.

    Isso não deve ser só em eletrônicos, mas em produtos essenciais como botijão de gás. Parece que está meio complicado adquirir aqui na região onde moro.

  4. Fones de ouvido custando mais na pandemia é basicamente a oferta/demanda trabalhando. Muitas pessoas não tinha fones de ouvido/headsets em casa e precisaram ir às compras quando foram colocadas em home office.

    Isso só prova que o sistema atual é de soma zero.

      1. Pois é… Eu não dava a mínima pra webcam. Comprei hoje a 920 e paguei 400 reais na Dell, o menor preço que encontrei. E pra entrega daqui 21 dias.

  5. Estava montando um computador e “namorando” alguns preços. Vi muitos produtos “esgotados” e agora estão de volta com preço maior

    1. No meu caso, pensei em pegar um note gamer (geralmente tem telas IPS Full HD), mas os preços subiram tanto que decidi esperar a AMD lançar os ryzen 4000 pra notebook. Enquanto isso comprei uma pasta térmica nova pra passar no processador.

      A hora agora é de conservar o que se tem.

    2. Cara isso é pura sacanagem de algumas lojas. A grande maioria dos produtos (equipamentos fotograficos) que estava pesquisando foram dados como esgotado da noite para o dia (olha que eram marcas não tão populares ou mesmo caros demais para o público em geral) e o preço simplesmemte disparou. Não é justificável ospreços exorbitantees que estão sendo praticados, como uma câmera que custava 6.500 passou a custar 16.000?

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