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Especiais

A cabine de home office da Stefanini

Uma mulher abraça uma criança em um ambiente doméstico. Ao fundo, uma cabine azul da Stefanini.

A pandemia da COVID-19 levou milhões de brasileiros ao famigerado regime “home office”. Não demorou muito para que esse contingente descobrisse que, apesar das óbvias vantagens de trabalhar em casa, o modelo também tem desvantagens. Com o mercado aquecido e essas desvantagens aparecendo, a indústria começou a atacá-las. Primeiro, focou nos problemas mais imediatos, como a falta de equipamentos que resultou em picos de vendas de notebooks, webcams esgotadas e uma alta generalizada de preços. Agora, na segunda onda, estão aparecendo remédios mais sofisticados que prometem curar dores específicas de empregados e de empregadores. Em alguns casos — e sem muita surpresa —, mais as do empregador que as do empregado.

A Stefanini, um conglomerado de soluções de tecnologia da informação e transformação digital com sede em Jaguariuna, interior de São Paulo, viu uma oportunidade na pandemia. A empresa lançou uma vertical para soluções de trabalho remoto, ou home office: a Stefanini@Home. Ela é dividida em duas partes: em uma, oferece contratação rápida de profissionais especializados de diversas áreas para trabalharem alocados em empresas-clientes, mas atuando de casa; e na outra, uma solução de infraestrutura baseada em móveis modulares para clientes interessados em oferecê-los a seus próprios funcionários1.

O Home Booth, estrela da parte estrutural da Stefanini@Home, foi anunciado em meados de agosto. Trata-se de uma cabine individual, a ser colocada na casa do funcionário, e que, segundo a descrição já apagada do site da Stefanini, é definida como um “[C]onjunto completo de tecnologia, equipamentos e toda a estrutura para um ambiente de trabalho privativo e funcional dentro da própria casa”. O projeto foi criado em parceria com dois estúdios de design, NOAK e Minimal Design.

A cabine tem 1,6 metro de profundidade, 1 m de largura e 2,2 m de altura. Numa comparação pouco lisonjeira, é o dobro de espaço que alguém tem no assento de classe econômica em um avião comercial. Segundo a Stefanini, a cabine oferece como vantagens ao funcionário “privacidade instantânea, eliminação de ruídos, além de um ambiente de trabalho funcional e ergonômico”. Ela é climatizada e conta com isolamento acústico.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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A solução conta ainda com uma camada de software gerencial alimentada por um aparato tecnológico que permite o monitoramento remoto — e assustadoramente completo — do funcionário. É aqui que as coisas ficam (mais) estranhas. A cabine tem biometria facial para login, monitora os horários de login, logout, todo o tráfego da internet e uso do computador, e gera relatórios automáticos da jornada de trabalho do funcionário, incluindo os aplicativos usados e índices diversos de desempenho. Tudo isso fica disponível irrestritamente ao supervisor/empregador.

A cabine da Stefanini foi anunciada à imprensa no dia 17 de agosto. Sites de negócios em tecnologia, como o gaúcho Baguete, e do setor moveleiro, caso do eMóbile, veicularam a notícia sem grande alarde. A princípio, parecia só mais uma ideia entre tantas outras que a Stefanini, uma empresa com milhares de funcionários e incontáveis verticais para atender o maior número possível de outros negócios, joga aos montes na parede para ver se cola. Ou assim se pensava.

Parece que ninguém lá dentro anteviu que a reação do público à cabine Big Brother poderia ser bastante negativa. Foi exatamente o que aconteceu. “Trabalhar dentro de um banheiro químico é o futuro”, disse um leitor do Baguete. “Pensei que era uma piada”, respondeu outro no eMóbile. Nas redes sociais do Manual do Usuário, a notinha sobre a cabine viralizou e, nela também, as reações foram majoritariamente negativas (“É muito louco pensar que a gente já vive numa distopia”) e/ou de incredulidade (“Meu deus do céu, não é zoeira”).

No dia 26 de agosto, um dos leitores que acompanhava a repercussão do caso alertou que o site da Stefanini havia mudado, removendo menções ao Home Booth, e que as postagens sobre a cabine nas redes sociais da empresa haviam sido apagadas. De fato, era como se a tal cabine jamais tivesse existido, mas o cache do Google na ocasião ainda guardava a versão do dia anterior, quando o site da Stefanini@Home exibia fotos do Home Booth e o listava como um dos “diferenciais” da solução remota.

Print do site da Stefanini no Safari, mostrando a cabine Home Booth com um descritivo ao lado.
Site da Stefanini@Home antes da remoção da cabine Home Booth. Imagem: Stefanini/Reprodução.
Comparativo do site da Stefanini, antes e depois. Antes, havia um bloco extra de texto falando do Home Booth.
Comparativo antes (acima) e depois do site Stefanini@Home. O bloco de texto que explicava a cabine Home Booth sumiu. Imagem: Stefanini/Reprodução.

“Achei que era Black Mirror”

“Achei que estava dentro de um episódio de Black Mirror.” Esta foi a primeira frase que Louise Marie Campolim de Oliveira, psicóloga clínica e gestora de RH com 20 anos de experiência, me falou. Recorri a algumas fontes para tentar entender se havia um ângulo positivo na solução da Stefanini que estava escapando do público que se manifestou tão ferozmente contra a tal cabine de home office.

Para Louise, o Home Booth da Stefanini reproduz na casa do funcionário ambientes comuns em alguns setores profissionais, como o dos call centers, que funcionam à base de disponibilidade ininterrupta, atuação quase mecânica dos funcionários e metas bem definidas de desempenho. “Ali faz um certo sentido, mas em outras categorias, que diferença faz começar a trabalhar às 8h ou às 10h?”, diz ela, ressalvando que mesmo em locais onde a cobrança por horários e desempenho faz sentido, empregadores costumam cometer abusos injustificáveis — como exemplo, ela cita a “pausa do banheiro”, que é exatamente o que o nome sugere.

A cabine da Stefanini não é (era?) oferecida com destinação a um público específico. Nos materiais que resistiram à remoção pós-repercussão negativa, há um vídeo oculto no canal no YouTube da Orbitall direcionado a call centers — a Orbitall é uma subsidiária da Stefanini especializada nesse setor —, mas no site Stefanini@Home e no vídeo original, que foi publicado pelo Manual do Usuário nas redes sociais e aparece abaixo, não é especificado um público-alvo. A narradora do vídeo apresenta o Home Booth como “a revolução do trabalho remoto”, sem distinguir categorias. No comunicado enviado à imprensa, a Stefanini dizia que “[a] nova oferta visa atender demandas de diferentes indústrias, como as de bens de consumo, serviços financeiros, saúde, seguros, varejo ou born digitals”.

Fabricio Barili, mestrando em ciências da comunicação pela Unisinos e bolsista da CAPES, vê uma dinâmica retrógrada na ideia de criar um ambiente apartado e fortemente monitorado para o funcionário em sua própria casa, algo que remete ao panóptico, um modelo de prisão em que os prisioneiros se sentem vigiados constantemente por não saberem quando os vigilantes, em uma torre central, estão de fato de olho neles. O modelo foi criado pelo inglês Jeremy Bentham no final do século XIX e seu conceito, analisado em contextos sociais pelo francês Michel Foucault nos anos 1960 e 1970. “A origem dela [vigilância panóptica no ambiente de trabalho] vem muito do chão de fábrica, onde você tinha um ponto central do qual todos os funcionários eram observados”, explica Fabricio.

O pesquisador brasileiro lembra que se antes havia um objeto ou símbolo da vigilância — no caso do panóptico clássico, a torre central —, a modernidade tratou de encolher e até esconder esse símbolo. Eu seu mestrado, Fabricio estuda o monitoramento de funcionários via softwares de vigilância, um tipo de aparato que tenta a todo momento se mascarar, se ocultar. A vigilância distribuída, um conceito formulado por outra pesquisadora, Fernanda Bruno, diz que hoje pequenos dispositivos são espalhados a fim de tornar a vigilância quase invisível, imperceptível ou uma espécie de lugar comum para nós.

A cabine da Stefanini seria uma espécie de retrocesso na execução por não fazer questão alguma de se esconder. Embora isso pudesse trazer mais transparência, no sentido de que o funcionário saberia estar sendo vigiado sempre que dentro da cabine, outras formas obscuras de vigilância, potencialmente mais problemáticas, podem se manifestar ali. O funcionário não sabe quais dados estão sendo analisados e nem com que finalidades. A câmera que habilita o login por biometria facial, exemplifica Fabricio, poderia ser usada para monitorar bocejos e outras expressões faciais do funcionário a fim de avaliar seus níveis de desempenho e cruzá-los com outras métricas. Parece ficção científica, mas é perfeitamente viável — quando na graduação, o próprio Fabricio desenvolveu, com colegas, um software que reconhecia quando a pessoa estava com sono apenas analisando o tempo das suas piscadas.

“É toda uma volta ao aumento da performance do funcionário pautada por vigilância”, prossegue, “por dispositivos que não entram em contato direto com o funcionário. É quase um exoesqueleto, um casulo inteligente, com uma camada de software que o monitora o tempo inteiro”. Nesse sentido, uma solução do tipo precisaria explicitar três aspectos para ser minimamente transparente: 1) o escopo da vigilância (para que os dados serão usados e o que será coletado); 2) como ela impactará o funcionário, ou seja, se a vigilância pautará bonificações ou punições; e 3) se a empresa por trás da solução agregará esses dados para encontrar otimizações que podem prejudicar o próprio funcionário, como descobrir mercados onde o custo da mão-de-obra é menor e voltar-se a eles em detrimento de outros mais caros/com menor desempenho. Todos, aparentemente, estão ausentes ou, se não, não foram devidamente comunicados pela Stefanini.

Duas cabines da Stefanini, lado a lado: uma cinza/verde, outra azul/cinza.
Foto: Stefanini/Divulgação.

Mesmo no contexto em que a Stefanini apresenta o Home Booth como uma “revolução” — o do home office provocado pela pandemia —, para Louise a ideia não se sustenta. Ela lembra que atuava em uma grande empresa no primeiro semestre, quando a pandemia chegou e impôs o desafio do trabalho remoto. A ideia de proporcionar um ambiente de completo silêncio e concentração ininterrupta em casa, idealizado por muitos gestores, talvez não seja a ideal porque mesmo dentro das empresas isso já não acontecia, graças aos escritórios abertos (“open office”) e aos barulhos e interrupções frequentes.

“Um dos gerentes falou: ‘E se na hora em que a pessoa estiver trabalhando dentro do quarto um passarinho entrar pela janela?’ Isso é loucura”, diz a psicóloga. “Não estamos trabalhando em uma fábrica, onde as pessoas apertam botões. É um trabalho mental. As pessoas precisam ter oxigênio dentro do cérebro”. Para ela e Fabricio, o monitoramento incisivo do funcionário pelo empregador pode ser resquício de culturas laborais datadas. “Aquela cultura antiga, a de que ‘é o olho do dono que engorda o boi’”, explica Louise, que classifica essa visão como míope e triste.

Fabricio levanta outro aspecto relevante na discussão da cabine: o do espaço físico. “Pensando em um apartamento nas grandes cidades, não vejo essa cabine dentro de um de 60–80 metros quadrados”. A cabine torna-se um problema — literalmente — maior porque, embora seja usada no máximo 44 horas por semana, o máximo permitido pela legislação brasileira, ela ficaria exposta e ocupando espaço na residência do funcionário o tempo todo. O pesquisador acredita que algo assim até poderia até funcionar para quem vive em um apartamento ou casa espaçosa, mas, se voltarmos a um dos públicos potenciais para a cabine, o dos call centers, isso está longe de ser realidade por tratar-se de uma categoria mal remunerada2 e, portanto, mais inclinada a viver em lugares apertados ou compartilhados com outras pessoas.

Pergunto a ambos se conseguem ver alguma vantagem na cabine da Stefanini. “Vi [a cabine] como um retrocesso”, responde Louise. “Estou colocando uma câmera no funcionário para ver se ele pisca, espirra. Não consegui ver absolutamente nenhuma vantagem”.

Para Fabricio, a cabine é mais uma tentativa de avançar a diluição da fronteira que separa as vidas privada e profissional, divisão já fragilizada por políticas como BYOD3 e o uso endêmico do celular pessoal, motivado pelo WhatsApp, para atividades profissionais. As vantagens do trabalho remoto, como o tempo economizado com deslocamentos, podem ser neutralizadas pela tentação do empregador em acionar o funcionário fora do seu horário regular. Fabricio teme que, embora a cabine da Stefanini tenha sofrido uma forte rejeição agora, ela possa em algum momento voltar reconfigurada e, aí sim, ganhar espaço. “Talvez não como um trambolho simbolizando a vigilância, mas nada impede que [a vigilância] volte em uma linha de equipamentos de escritório, como mouse e teclado, pequenos dispositivos funcionais para o usuário que tornam a vigilância invisível, tirando a pressão de estar sendo vigiado”.

O que diz a Stefanini

O Manual do Usuário tentou, insistentemente, falar com a Stefanini para ouvir seu lado da história, entender a motivação para a criação e os casos de uso que a empresa imagino para o Home Booth e explicar por que o removeu do seu site e redes sociais. Após diversos contatos por e-mail, telefone e mensagens de texto com a assessoria, na segunda (31) uma assessora ligou e prometeu que a empresa disponibilizaria um porta-voz para entrevista. Na terça (1º), porém, a mesma assessora enviou um e-mail com um curto posicionamento e, ao ser questionada se a entrevista aconteceria, respondeu que “neste momento não conseguiremos”. O posicionamento, na íntegra, diz o seguinte:

A Stefanini acompanhou as discussões pelo Twitter, respeita as opiniões e certamente avaliará algumas sugestões referentes à oferta.

Em paralelo, havia agendado uma entrevista com Leonardo Navarro, co-fundador do estúdio NOAK, um dos parceiros da Stefanini na concepção do Home Booth. Na véspera da nossa conversa, agendada havia uma semana, recebi um e-mail dele dizendo que “após alinhamento com a Orbitall/Stefanini, fomos recomendados a não comentar sobre a cabine HO Booth”.

Foto do topo: Stefanini/Divulgação.

  1. A Stefanini é uma empresa B2B, ou seja, tem como clientes outras empresas, não o consumidor final.
  2. Segundo levantamento do site Vagas, o salário médio da categoria é de R$ 1.090/mês.
  3. Sigla para “bring your own device”, ou “leve o seu próprio equipamento”. Trata-se de uma política que permite e incentiva os funcionários a usarem suas próprias ferramentas pessoais (computadores, celulares) no trabalho.

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29 comentários

  1. Mini senzazala. Cubículo 1970 para explorar os nerds que não se revoltam nunca. 😂 Ah! Esqueceram de mencionar que tem um jeitinho brasileiro no salário também, lá é 70+30.

  2. Pois eu bem que queria uma cabine dessa, tão inconveniente quanto o barulho da rua, são as obras realizadas no local onde moro, e que claro, não podem parar, o proprietário precisa concluir suas novas casas…rs.
    Barulho de martelos, furadeiras, serras elétricas, cachorro, gato, criança, buzina e por aí vai. Estou amando trabalhar em home office e creio que acabar com toda essa barulheira seria um ganho muito bom em todos os sentidos, e para não enlouquecer dentro da cabine, pausas. Nem as tais cortinas acústicas me livraram do barulho. Talvez custe um valor astronômico, aí fica difícil…rs

  3. Stefanini é uma conservadora, uma mera atravessadora de mão de obra, não surpreende com essa nova “baia” de controle do seu “gado”, porque é assim que eles tratam os funcionários. Foram os piores dias de minha vida profissional. Nunca mais! Nunca! E sempre que posso dar aulas aviso aos alunos: “se preparem para nunca passar nas mãos dessas stefaninis da vida” !

  4. O momento realmente exige ação por parte das empresas para se adequar, muitas pessoas que antes trabalhavam no “office” e precisariam passar a trabalhar no “home” tinham que receber alguma atenção, por exemplo muitas pessoas hoje não tem computador, moveis adequados, impressoras etc. em casa disponíveis assim para virar uma estação de trabalho.
    Ai a Stefanini que deve ser uma das maiores empresas do Brasil em outsourcing que poderia ajudar nisso com n soluções diferentes, foi direto na mais tosco e ridícula possível, parece que faltou o analista de “vai dar merda” na hora de aprovar a ideia.

  5. De onde tirou a orientação deste site quanto a leitura de 3 minutos? É serio?
    Mesmo em uma leitura diagonal consegue-se tal (depende do objetivo da lei-
    tura).

  6. Além de todo o controle sobre as pesssoas que estão trabalhando em casa, com todos os desafios que a situação coloca, a proposta ignora as diferentes realidades. A primeira imagem de uma mulher abraçando uma criança é problemática, pois insinua que filhos são um grande impedimento para a produtividade. Esta proposta horrível ainda desconsidera as diversas dinâmicas familiares que ocorrem no espaço doméstico.

  7. Opinião pessoal sobre o produto: Não foram felizes no conceito. A idéia de um “casulo de privacidade” é boa, mas o próprio conceito de “vigilância dos superiores” é que é o principal pecado. Trazendo o produto como um instrumento para a concentração, isolamento de estímulos externos que algumas profissões podem aproveitar melhor ,ele pode ser um produto viável. Se vc tiver espaço em casa, precisar de um isolamento acústico para gravar um podcast, uma vídeo Aula ou conferência, o conceito é válido. Porém a questão da vigilância ia ser um problema até se não tivesse a “caixa” na história… Imaginem que fosse um software, que ligado a uma webcam controlasse seus horários,seu “grau de concentração” , sua navegação na internet, pausas, etc? O conceito de por tudo isso numa “cela individual” é que torna isso mais chocante, mas o âmago da questão é a vigilância e o controle excessivo sobre a “produtividade” do empregado… Focada nas horas trabalhadas ao invés do resultado obtido. Já trabalhei numa empresa que tentou aplicar software de controle de tarefas, que em parte era útil pra acompanhar processos e metas, mas com um gestor que visava o velho conceito de “produtividade máxima por trabalho sem pausas”… Não deu certo, já que o tempo investido para controlar os processos tomava o tempo de produção real.

  8. Tem um filme que o pessoal da Stefanini pre-ci-sa ver! Super alinhado com a visão deles: se chama “Tempos Modernos”, do Charles Chaplin.
    Mesmo Mindset!

  9. É foda que tipo, isso é necessário no brasil. Quem é gestor sabe que a maioria dos funcionários em home office faz mais home do que office. Poucas são as excessões. Esse produto é bem pensado para o brasileiro “trabalhador”. Uma pena que a empresa não tido corrones para manter a proposta. Mas eu entendo, um desses “trabalhadores” ia acabar acionando a justiça trabalhista e algum juiz que ganha 70 mil por mês ia dar ganho de causa, afinal, quem paga é o patrão, o poderoso, o empresário, o rico, o inimigo. Coitadinho é do trabalhador, só quer ficar em casa recebendo sem trabalhar.

    1. André, qual a sua base para todas essas generalizações? As suas acusações são muito fortes, então presumo que tenha alguma pesquisa ou indicador de fonte confiável para respaldá-las, e não esteja apenas fazendo inferências a partir de um ou poucos casos anedóticos.

    2. Exceções é com ç
      Se vc pensa assim, talvez o real problema não esteja nos seus funcionários, pode ser o processo de contratação que falhou, trazendo as pessoas erradas, ou os gerentes que não sabem trazer o melhor da equipe.
      Existem muitos estudos sobre isso.
      Confere com a organização mundial do trabalho.

    3. Tipico comentario de Gestor com sindrome de vira-lata que acha que o brasileiro não trabalha. Nem errisco chutar em dizer em quem votou. Ja trabalhei com gestor comedia assim, ninguem trabalha so quem trabalha é ele.

  10. Já tinha comentado com algumas pessoas, sobre esses problemas de vigilancia excessiva, invasão de privacidade… bem como esse sentimento de que a empresa tem vergonha da casa e ambiente de seus funcionários…

    Sei que não é fácil, que todos precisamos trabalhar… mas de um ponto de vista mais extremos é simplesmente não tolerar, e até mesmo não trabalhar para essa empresa!

  11. pra mim, de partida, um troço como esse deveria ser ilegal (caso já não seja). colocar isso na casa da pessoa e fazê-la trabalhar como se estivesse noutro espaço, não sei, mas parece imcompatível com a CLT. cara, por mais que uma pessoa aceite q isso seja posto na casa dela, há implicâncias. eu vejo muita margem para processos caso a pessoa desenvolva alguma doença por conta desse confinamento ou vejo muita margem para formas de assédio q talvez nem sejam novidade, mas q possam surgir nesse ambiente. essa coisa me parece outro traço da precarização do trabalho. conceber isso, por mais q se pense em segurança, num formato de cabine… só falta fazer com uma trava q abre em determinados horários pra vc sair… tb vejo nessa reclusão artificial um favorecimento a pensamentos suicidas. não vejo absolutamente nada de bom saindo de uma coisa como essa. me causa repulsa, inclusive.

    1. só falta fazer com uma trava q abre em determinados horários pra vc sair

      Já sabemos o que vai ter na versão 2.0

      1. Aproveita e coloca um alto-falante enorme com microfone remoto
        Assim o “gestor de metodologias ágeis” vai lá e te “motiva”

        Versão 2.1

  12. No final, realmente parece uma tentativa desastrada de trazer um produto desenhado para a realidade antiga para o contexto da pandemia.

    Seguindo a linha da tecnocracia sobre home-office, essa indignação mostra outro traço de desigualdade que é o tratamento dos profissionais mais e menos qualificados no Brasil. No caso, pessoal do call-center ao qual era originalmente destinado o produto versus o programador/advogado/designer/etc.

    No contexto deles, isso me parece um avanço, já que seria uma “solução” para o barulho infernal desses lugares quando ficam em prédios comuns. Apesar de ser no escritório, é uma linha de produção, com controle de pausas e monitoramento rígido de produtividade tanto pelos softwares como pelos supervisores, que são muitos, justamente para cuidar de perto. Além da questão de segurança, que eles precisam guardar smartphones e caderno/caneta fora do local por questões de segurança da informação.

    O modelo atual já é essa caixa para muitos, mas como isso fica longe do público, não incomoda o consumidor. Parecido com os nossos produtos feitos do outro lado do mundo em condições precárias, mas que são vendidas em belas lojas minimalistas.

  13. Verdade isso eles nao fizeram. Tive que bancar com escrvaninha. Cadeira. Minha interner de pouca mega. Ainda recebendo e mails dizendo que nao iam ajudar com nada. Nem as cadeiras que usavamos , ficaram tudo pra trás. Como se diz, se queres trabalhar da seu jeito , ou rua.

  14. Pra m8m isso voltou o tempo da escravidao. Ou melhor ela nunca acabou. Ja passando por pandemias. Estresse de ficar em casa. Ainda ter olho te vigiando o tempo todo. Creio todos tem suas responsabilidades. Nao precisa de mais uma chatisse pra deixar a pessoa mais tensa. Porque nao paga o que estamos gastando em casa. Luz mais alta. Computador ligado direto. Precisamos e do olho de Deus nos olhando. Nao um robotico.

  15. A repulsa que eu sinto por essa ideia da Stefanini (e pela empresa em si, conheço os bastidores de longa data) é tão grande que, se botar esse banheiro químico de faria limer na minha frente, ele vai voando sozinho até a Lua.

  16. Uma ideia dessa só poderia ter vindo de uma empresa brasileira. O Brasil é um país onde o conceito de trabalho ainda é essencialmente retrógrado, onde se cultiva a ideia de que é preciso monitorar o funcionário. A grande maioria das empresas ainda não entendeu que funcionario feliz produz mais e que não se deixa ninguém feliz, monitorando como se faz com um presidiário (para utilziar o exemplo dado na matéria).

    Ainda temos um loooongo caminho a percorrer antes de chegarmos num nível civilizado de condições de trabalho. Que tal essas empresas fazerem o que fazem outras empresas no exterior para colaboradores que trabalham remotamente e isso muito antes da pandemia: pagar um bom plano de Internet, oferecer bons computadores e periféricos (mouse, teclado, monitores, etc.), mobília como escrivaninha e cadeiras?

    1. Verdade isso eles nao fizeram. Tive que bancar com escrvaninha. Cadeieira. Minha interner de pouca mega. Ainda recebendo e mails duzendo que nao iam ajudar com nada. Nem as cadeiras que usavamos ficou tudo pra trás. Como se duz, se queres trabalhar da seu jeito ou rua.

  17. A Stefanini é uma empresa extremamente obscura no tratamento com os seus funcionários. Trabalhei lá por pouco tempo e fiquei sabendo de diversos relatos de abusos rotineiros. Um projeto como esse é a epítome do que é a empresa: obcecada por controle e por extrair até a última gota de força de trabalho do funcionário.

    1. Eu ia dizer isso. Eu fiz uma entrevista uma vez na sede da empresa em POA (no Tecnopuc) e fui basicamente tratado como um imbecil. 1h sentado numa cadeira esperando alguém aparecer pra iniciar a entrevista. Iniciada a entrevista o recrutador estava com o CV errado. O gerente que estava com ele pediu que ele fosse buscar o CV e enquanto isso ele iria me entrevistar “tecnicamente” – o que na verdade foi apenas uma série de perguntas sobre comportamento e 2 perguntas em inglês – quando o recrutador chegou com o meu CV o gerente dispensou ele e eu, dizendo que já sabia tudo o que precisava (!) sobre mim. Por algum motivo escrevi uma redação (!!) em inglês sobre o mercado de trabalho de TI e porque eu queria trabalhar na empresa e fui mandado pra casa já sabendo que não tinha sido selecionado (mesmo assim, tive que entregar a redação hahaha).

      Essa entrevista só não foi pior do que a que eu fiz na Warren (a do app mesmo).

      No Baguete tem um comentário que resume tudo: não me surpreende vindo de quem vem.

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