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Post livre

Post livre #237

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.

96 comentários

  1. Saudações terráqueos

    Alguém aí sabe de um “anti anti-adblock” que se integre com o uBlock Origin?
    Eu sei que o Nano Defender se integrava ao uBlock Origin, porém não achei mais nada a respeito além de tutoriais com links quebrados ;-;

    1. Deixa eu ver se entendi, você quer um adblock que bloqueie os ads que o adblock anterior não bloqueou?

      Voce pode desabilitar o javascript no ublock, ou usar ele com um bloqueador de Scripts como o ghostery. Só aí já bloquearia 99% dos ads na internet.

      1. Olá Pierre, obrigado pela atenção
        Sabe aqueles avisos de “desative o bloqueador de anúncios e reinicie a página para ver o conteúdo”? Quero uma extensão que bloqueie isso (que funcione com o uBlock Origin) :/

  2. Pessoal,
    Alguém costuma fuçar no seu smartphone trocando a ROM original por uma custom rom? Tenho um Mi A2 Lite que veio com Android One e está rodando Android 10, mas venho percebendo que o desempenho e a autonomia da bateria piorou no Android puro. Ao que parece a Xiaomi errou a mão nessa atualização.

    1. eu costumo mexer, o que vc quer fazer? trocar a rom?

      primeiro vc precisa desbloquear o bootloader, depois instalar um recovery, e aí sim mudar a rom

      1. Já estou com o bootloader desbloqueado e com o recovery instalado, quero saber se quem trocou de ROM, se valeu a pena. Pois o meu roda o Android One, mas é como falei: percebi que a bateria não rende como antes, mesmo estando nova e também a Xiaomi não corrigiu alguns bugs.

        1. eu tenho um redmi note 7, saí pra havoc e depois voltei pra MIUI justamente pela bateria, pois não estava durando nada e na MIUI ela dura o dia todo.

          1. Entendi.
            Fico meio assim, pois alguns dizem que a melhor ROM atualmente para o meu A2 Lite é um port da MIUI, mas ela vem com alguns bloatwares, o Android One já é limpo, sem anúncios e apenas alguns aplicativos do Google que podem ser desinstalados. E tem a questão de o smartphone não ficar mais criptografado, acredito que fique mais vulnerável por conta disso e do bootloader desbloqueado.

        2. (vou responder aqui pq no outro não dá mais)

          eu tenho usado a xiaomi.eu, veja se tem pro seu dispositivo, ela tira todas as tranqueiras da versão chinesa e as propagandas da rom

          e tente instalar a orange fox, é um recovery que vc pode colocar senha pra utilizar

    2. Tenho um Mi A2 e troquei a ROM dele justamente por causa desses problemas do Android One.

      Tô usando a MIUI e não me arrependo, bateria e desempenho muito bons. Até parece que comprei um novo aparelho.

      1. E aí, cara.
        Me diz uma coisa: você instalou a versão europeia da MIUI? Ou a versão chinesa?

        1. Foi a versão européia, não existe a versão global oficial pro Mi A2. Acredito que você não irá se arrepender da troca.

  3. Preciso de uma ajuda.
    Tem sobrado um dinheiro esses tempos e queria investir melhor, alguém tem alguma indicação de curso ou material que explique sobre, bem básico, só como avaliar um fundo, ver as taxas, fazer as contas e se possível sem a bullshitagem de primo rico e afins? E sem alguém querendo que eu vire day trader no final tbm rs.
    Valeu pessoas.

    1. Eu gosto dos canais do Eduardo Cavalcanti e do Fábio Holder no YT, não sei se eles tem vídeos explicando esse bê-a-bá de taxas e contas (tirei muitas dessas dúvidas com a própria corretora onde tenho conta, eles são bem solícitos), mas eles são ótimos para ter uma noção de como avaliar os ativos e defendem o buy and hold, que, para mim, é a melhor filosofia de investimentos em renda variável.

    2. Eu assino a newsletter gratuita do Clube dos Poupadores. Costuma trazer artigos sobre educação financeira e investimentos sem ficar vendendo cursos toda hora. Eles ganham dinheiro vendendo e-books, mas não limitam o acesso ao conteúdo do site se você não comprar nenhum.

  4. Voltei ao trabalho presencial essa semana, depois de 6 meses de home office, e tô descobrindo o fantástico mundo das marmitas.

    O refeitório da empresa colocou divisórias de acrílico pra separar os lugares nas mesas. Essas divisórias criaram cabines de refeição menores que as da Stefanini, e ainda abafam o som externo. Então, esquece bater aquele papo com o coleguinha no almoço.

    O negócio me deu uma claustrofobia que nem sabia que tinha, além de todo o risco envolvido do covid que existe apesar de tudo. Como não quero entrar em falência pedindo comida todo dia, decidi fazer minha própria comida em casa e levar.

    Cara, marmita era um negócio que eu tinha um baita preconceito – coisa de burguês safado ex-faria limer -, mas é legal você sempre comer sua própria comida, sabendo de onde vem e feito do jeito que você gosta. Dá meio que um orgulho de ter feito sozinho algo gostoso pra comer.

    E, de quebra, passei a socializar mais com pessoas do andar que também trazem comida. Parece que marmita é um instrumento eficiente de socialização assim como o cigarro, mas sem a parte das doenças.

    1. Marmita é muito melhor que comer fora ou pedir de restaurante mesmo! Mais saudável, econômico e ainda socializa — só vantagens.

      Explica para mim esse preconceito que você tinha? Não me orgulho de dizer que há muito tempo fazia a associação inversa (talvez influenciado pelos “bóias frias”, trabalhadores rurais que levam marmita para o campo e come a refeição fria, pois não têm onde esquentá-la), mas associar marmitas a burgueses safados… fiquei genuinamente curioso com essa ideia.

      1. Meu preconceito vinha exatamente dessa associação aos boias-frias e de uma situação mais pessoal. Quando morava com meus pais, tinha ódio daquele cheiro azedo de comida nos potes de plástico que não saíam nem com reza braba.. Até hoje evito guardar comida requentada na geladeira por causa do cheiro (e sim, demorei pra descobrir os potes de vidro, hahahah). Acho que isso acabou alimentando o preconceito com marmita.

        E, sobre o burguês safado, foi um meme daquela cena do esporro do Mathias nos playboys do filme “Tropa de Elite” (tô no trabalho, então não consigo linkar a cena no Youtube), além dos infames “faria-limers” que comem todo dia em restaurantes caros e acham que é status deixar 50~60 reais num almoço nos Outbacks da vida todo dia enquanto dá pra abrir 3 botões da camisa na barriga pagando 20 reais no self service da esquina.

        Trabalhei por muitos anos no eixo Av.Paulista – Faria Lima – Morumbi – Alphaville, polos de escritórios de grandes empresas em SP, e conheci vários desses tipos. Mas, como ganhava um salário miserável e ainda tinha muitos gastos fixos, ficava no quilão e reservava os Outbacks pra quando o VR virava.

        1. Já que é livre, um comentário de apreciação: acompanho muita coisa, newsletter, podcast, canal do YouTube, etc mas o Post Livre é uma das coisas favoritas da semana – aquela de clicar correndo quando sai. Realmente a comunidade é um dos pontos altos do MdU, faz sentido estar na promoção da assinatura.

          1. Que ótimo, Leonardo. Essa comunidade sempre foi muito receptiva desde o início, me sinto seguro e falar abobrinhas aqui.

        2. Ahhh, havia entendido errado seu primeiro comentário — como se o burguês safado/farialimer fosse quem consumisse marmitas, daí seu preconceito com elas. A outra interpretação faz muito mais sentido, haha

    2. Interessante essa perspectiva da marmita como instrumento socializante a la cigarro.

      Você é time a marmita toda num único pote ou fragmenta as coisas por conta de saladas frescas e ovo?

      1. Cada um no seu quadrado. Detesto fazer mistureba de comida.

        Até ontem, estava levando um pote pra cada coisa, mas como era muita louça pra lavar depois, comprei um maior com divisórias.

      2. Bicho, fumante é uma criatura bizarra de sociável quando o assunto é cigarro. A pessoa pode ser um porre conversando com você sobre qualquer coisa, mas experimenta pedir um cigarro ou um isqueiro. Ela vira sua amiga de infância em questão de segundos.

        Isso e o fato deles conseguirem fumar na chuva são duas coisas que eu estudaria se estivesse na NASA.

    3. comer no local de trabalho faz conhecer diversas pessoas, se não fosse por isso, não conheceria diversas pessoas do prédio em que trabalho

    4. todo mundo ficava de olho na minha marmita no refeitório, pq era bem caprichada e variada! eu gostava de levar ao invés de comprar qualquer coisa no mercado pra comer ou mesmo sair pra comer. mas a copa na firma foi diminuindo de tamanho e foi ficando meio chato de frequentar. acho q esses espaço deveriam ser mais bem planejados na empresa. para as pessoas poderem comer sossegadas e com algum conforto. fora isso, eu tb achava legal socializar ali. conversar um pouco, já q ia pouco a escritório. nunca tive preconceito, mas notava q tinha gente q achava q era coisa de pobre, sei lá. o pior é q, na real, pra uma certa classe trabalhadora, especialmente essa q não se acha pobre, apesar de ser, o ideal mesmo era a marmita pela economia q ela representa. agora, nesse contexto, ficou imposssível frequentar a copa… acho q tem q ser um por vez ali e só.

      1. Então, eu era desses que achava que marmita era coisa de pobre, mas como falei, era por causa do entorno mais “elitista” que trabalhei desde cedo. Vi muita gente que não tinha nem onde cair morta, mas tava sempre com terno e gravata engomadinhos de grife, ia em restaurantes exclusivos pra gerentes e achava a palavra “marmita” uma ofensa pior que falar da mãe. Tudo isso por status, pelo cargo no crachá.

        Mesmo comer em refeitório era algo que torcia o nariz por conta de estar inserido nessa cultura. Só de uns 2 anos pra cá, na empresa que trabalho hoje, tomei um choque de humildade. Aqui, diretor senta do lado do estagiário no bandejão pra comer e batem papo numa boa.

        Não me orgulho nem um pouco de ter esse espírito de Bia Doria incrustado, mas tive sorte de perceber cedo o quão babaca eu estava virando.

    5. Felizmente eu consigo fazer o trajeto trabalho-casa-trabalho na minha cidade (gasto em média 10 minutos), então consigo fazer almoço quase sempre ou requentar em casa mesmo.

    6. Dependendo do lugar, de acordo com o que comi ano passado, tem PF de R$ 13,14, 15, 16 bons, mas ai é sorte de encontrar um bom restaurante. Nos lugares que você citou com certeza deve ser complicado encontrar nesses preços.
      Eu prefiro almoçar em restaurantes pela praticidade, mas depende de onde estou trabalhando. Só a variedade de saladas, “misturas” no PF para mim é uma vantagem, mas a desvantagem é todo dia almoçar fora e exagerar no gasto. Se pedir suco ai dá mais de 20 que já pesa bastante no orçamento.

      O que eu não gosto da marmita e que dependendo do quanto ela fica na geladeira, no outro dia ao esquentar fica parecendo uma pasta…todos unidos rsrs. Talvez aquelas marmitas que tem divisórias seriam uma solução nesse caso.

      Também pedia marmita por telefone e como era feito no dia ficava mais gostoso das que eu preparava raramente.

    7. Marmita é vida! Mas uma das vantagens que alguns apontaram aqui para mim é uma desvantagem: eu não gosto de socializar quando estou comendo, gosto de ficar quieta e curtir alguns minutos em silêncio no meio do meu dia sem ter que interagir com ninguém…

  5. Venho esperando a tela e-ink colorida faz muito tempo, desde a primeira vez em que vi uma tela e-ink. Li agora uma noticia no gizmodo ou tectudo falando de uma empresa que vai talvez finalmente decolar com uma dessas.

    Eu prevejo que um dia a tela e-ink colorida substituirá todas essas malditas telas brilhantes que me deixaram quase cego aos 40. Se tem uma coisa que pode realmente aposentar o papel, é a tela e-ink. Vocês imaginam? Fotos e arte visual em geral. Museus preservando quadros ao trocar os originais por telas. Praticamente o fim da impressão de fine art. Fim das malditas impressoras jato de tinta!

    Enfim, comam e-ink, faz bem para os olhos!

    1. sou ignorante sobre e-ink, mas até onde sei a resolução dessas telas é bem ruim, né? Afinal, são partículas “físicas” (em vez de pixels), o que torna a tela um aparato mecânico, mais do que eletrônico. (certo?)

      talvez elas possam substituir essas telas de publicidade que a gente vê em metrôs e similares, mas acho difícil substituírem nossos usos cotidianos

      sobre museus: não vai rolar. Nada substitui o trabalho original. (até porque se fosse o caso isto já aconteceria hoje)

      1. Sim, dpi para partículas e ppi para pixels. Os kindles melhores oferecem 300ppi, que é o que se usa em impressões de qualidade e é suficiente para olhos comuns. Supoe-se que com 600ppi já seria impossível distinguir diferenças. Também é preciso notar que a Amazon não é realmente ativa na evolução dessas telas, o negócio deles é outro.

        Sem dúvida reproduzir o relevo da tinta num quadro e-ink será impraticável por muitos anos ainda, mas já se trocam originais por cópias de modo furtivo e a gente nem sabe, olha só isso: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/04/museu-em-londres-lanca-um-desafio-ao-trocar-telas-originais-por-copias.html

        1. mas isso é uma brincadeira (e eventualmente até pode funcionar como performance), mas não faz sentido como prática permanente (pelos motivos que explicitei abaixo)

    2. Hmmm, não sei se isso pode um dia acontecer. Da parte técnica, não duvido que talvez evolua para esse cenário em que a troca tenha mais vantagens que desvantagens, mas outros fatores como a imutabilidade e a independência de uma fonte de energia do papel podem pesar a seu favor.

      No caso da arte, então, a originalidade é uma característica exclusiva. Se substituir quadros por cópias fosse “aceitável” dentro do contexto de museus, eles já teriam feito isso há muito tempo com impressões de alta qualidade. Em que o e-ink seria melhor ou mesmo aceitável nesse cenário? As pessoas se deslocam a museus porque só lá têm a chance de apreciar o original. Se fosse só para ver as pinturas, uma busca no Google Imagens já resolveria.

      1. Mesmo com todo o cuidado do mundo não será possível exibir os quadros do Picasso para sempre já que mesmo a luz adequada dos museus vai lentamente estragando a imagem. Podem ser feitas cópias a mão por especialistas, mas acho que provavelmente um dia será mais barato usar algum tipo de tela eletrônica, talvez nem seja a tecnologia e-ink de hoje, mas algo próximo, com a vantagem de poder replicar em qualquer lugar do mundo. Só gente com muita grana vai poder por os olhos num original, e daqui há alguns séculos, nem mesmo essa gente.

        1. se fosse o caso, já faríamos isso com a tecnologia gráfica disponível

          no mundo dos museus faz pouco ou nenhum sentido exibir reproduções — elas existem em situações muito específicas, como em ampliações expressivas ou como complemento ou forma de contextualizar outras obras. O contato com a materialidade da obra é essencial numa exposição: do contrário, a própria exposição é desnecessária como evento.

  6. Ideia: Um aplicativo que quando a pessoa joga o celular na parede e o aplicativo identifica que o celular foi destruido, todas as contas da pessoa são apagadas sumariamente.

    1. Talvez não relacionado, mas isso me lembrou uma coisa que ocorreu com uma amiga minha: ele tinha um iPhone 7S e foi assaltada, quando o ladrão viu que era um iPhone – e que não seria possível repassar o bem – ele esfacelou o telefone contra a calçada e ameaçou ela tipo “da próxima vez, tenha algo que eu possa roubar”. Um amigo passou pela mesma coisa com um iPhone, só que com menos sorte, além de perder o telefone esfacelado na calçada ainda tomou uma coronhada na cabeça.

      Isso é coisa do RS ou é geral no Brasil?

      1. meu ex-padrasto foi parado por ladrões, ele estava a pé e eles de carro, roubaram o celular dele (um iphone) andaram uns 15-20 metros de carro, pararam e jogaram o celular pela janela, felizmente só deu um arranhão, mas meu tio que estava com ele não teve a mesma sorte, realmente teve o celular levado (android)

        o caso foi no RJ, então não é exclusivo do RS

        1. mas, olha, eu ficaria mais com medo se começassem a exigir a senha do iCloud

          1. (isso seria potencialmente até roubo de identidade, não só do celular)

      2. Já ouvi histórias parecidas de amigos de SP, e conhecidos em outros estados.

        Acho que a única exceção é o RJ, porque lá você primeiro é morto, depois te roubam.

      3. não é possível

        sério?

        agora eu fiquei com medo (porque além de ter um iPhone, ele é velho, o que torna a possibilidade de ser repassado menor ainda)

      4. Já ouvi histórias de ladrões que obrigam a vítima a desbloquear o celular e entregar a senha do iCloud durante o assalto. Isso sim me preocupa um bocado.

        1. Senha do iCloud é “comum” de se pedir mesmo, mas acho que ainda daria pra rastrear o telefone ou mesmo travar ele à distância, não (se a vítima correr pra casa, por exemplo)?

          Eu acho que o risco de roubar um iPhone não compensa o roubo e, quando os ladrões fazem isso sem saber, acabam ficando brabos e descontam no telefone (menos mal, eu diria).

      5. cara, apesar de ser algo muito chato isso (e perigoso), chega a ser cômico o cara ficando pistola (desculpe o trocadilho) com vc por conta da marca do seu aparelho. nunca fui assaltado, quase uma vez apenas e só escapei por sorte, mas esse tipo de coisa me faria rir ou ficar desolado vendo o aparelho ser quebrado na minha frente.

        mas digo q uma vez roubaram o iphone de um chefe muito folgado q eu tinha e, confesso, achei bom. mereceu…

      6. Não é diretamente relacionado, mas é interessante que eu estava pensando em outra linha de raciocínio sobre isso – mais sobre privacidade, gente que fala bobagem demais na internet ( o/ ) ou que usa a internet depois de ficar bêbado, espiões, criminosos (já falei que acho que criminosos fazem melhor uso do anonimato…), etc…

    2. Vi todos os comentários abaixo e foi inevitável me lembrar desse esquete que vi semana passada, do comediante canadense Ryan George. Não sei se alguns aqui já conhecem: https://www.youtube.com/watch?v=caKJds7N1Co

      Para dar um pequeno contexto – e também recomendo que explorem o canal, ele ganhou notoriedade fazendo uma série de esquetes para o Screen Rant chamado Pitch Meetings, onde ele (sempre interpretando todos os papéis, é uma marca registrada) faz um roteirista tentando vender para um produtor (um tanto tapado) de algum filme que já conhecemos. É a chance para tirar sarro de várias premissas absurdas e furos de roteiro que tendemos a ignorar pelo bem da diversão, hehehe. Outro recente que acho muito bom é “como seria se tivéssemos apocalipse zumbi no lugar da pandemia”.

  7. Em relação à nota sobre a utilidade (e importância) do uso do modo anônimo/privado dos navegadores, publicada no Bloco de Notas 20#31 (da semana passada), alguém mais se perguntou: se o caso relacionado tivesse sido do assassinato de uma mulher, a dica “quando estiver pesquisando formas de assassinar sua madrasta, por exemplo, é uma boa usá-lo para não deixar rastros à perícia” seria dada? Por que será que a violência contra o homem costuma ser tratada de forma impensada, despreocupada e até jocosa, sem o mesmo cuidado com que (devidamente) costuma ser tratada a violência contra a mulher? Um homem vítima de um crime *sem chance de defesa* é “menos vítima” do que uma mulher vitimada pelo mesmo crime, simplesmente por ser homem, e, por isso, merece menos cuidado e empatia?

    1. Imagino que esteja se referindo aos casos de feminicídio, Isaac. Acho eu que eles causam mais comoção e indignação pelo “motivo” da morte, que é o simples fato da vítima ser mulher. Nenhum homem, incluindo o pastor Anderson do Carmo, morre apenas por ser homem — esse é um dos nossos privilégios, o de não morrermos simplesmente por sermos quem somos.

      A crítica à maneira como abordei o assunto é válida, mas balizá-la por esse ângulo do “e se fosse uma mulher?” leva a discussão para um lado esquisito. O gênero da vítima, nesse assassinato, não tinha relevância alguma.

      1. Rodrigo, eu discordo de que “o gênero da vítima, nesse assassinato, não tinha relevância alguma”. Pode não ter tido na motivação, mas certamente teve nas formas escolhidas pra fazê-lo: primeiro através das tentativas de envenená-lo, tentando causar-lhe uma morte sem chance de defesa ou forte resistência física – que normalmente é esperada de um homem em outras circunstâncias -; não conseguindo matá-lo dessa forma, depois elas escolheram um assassino homem – com mais chances de vencer uma eventual resistência física da vítima -, com uso de arma de fogo – meio mais eficaz pra acabar rapidamente com a resistência física de um homem – e através de um ataque surpresa – que dificulta a reação até mesmo de um homem treinado.

        “Nenhum homem”, em nenhuma circunstância, “morre apenas por ser homem”? Eu também discordo. Quantos homens não morrem em atividades (p. ex.: intervenções em incidentes com materiais perigosos ; mineração manual em minas subterráneas ) e circunstâncias (p. ex.: confronto armado direto contra facções criminosas ou exércitos inimigos ) que a sociedade praticamente reserva unicamente aos homens? Fora o número de homens mortos em assaltos, que é absurdamente maior do que o número de mulheres vítimas do mesmo crime, e sabe por quê? Porque os assaltantes sabem que os homens são mais propensos a reagir no momento em que tentarem se evadir do local do crime. Independente se a vítima esteja decidida a jamais reagir, se ela for um homem, a chance de perder sua vida é absurdamente maior do que se fosse uma mulher, simplesmente pelo preconceito do assaltante com seu gênero.

        Sinceramente, eu não quis levar a discussão para “um lado esquisito”. Não tenho intenção alguma de relativizar, minimizar ou ignorar questões de violência de gênero. Eu só realmente acho que, se o caso relacionado tivesse sido do assassinato de uma mulher e alguém desse – mesmo que “de brincadeira” – a dica “quando estiver pesquisando formas de assassinar sua madrasta, por exemplo, é uma boa usar o modo anônimo/privado do navegador para não deixar rastros à perícia”, qualquer mulher teria razão em se sentir desconfortável/incomodada com isso e fazer uma crítica válida sobre a forma (impensada, despreocupada, jocosa) como foi abordado o assunto. Por que motivo eu, na mesma circunstância, não tenho o direito de me sentir da mesma forma e fazer uma crítica igualmente válida sem que ela seja interpretada como um mero argumento de “ângulo [errado] do ‘e se fosse uma mulher?’” que “leva a discussão para um lado esquisito”? Simplesmente por eu ser homem?

        1. Os métodos usados nesse caso, falhos ou bem sucedidos, teriam o mesmo desfecho sendo a vítima homem ou mulher. De qualquer maneira, não vejo como isso tem relevância na conexão que você está tentando fazer.

          Homens morrem mais por uma série de fatores culturais, mas, reitero, nenhum homem morre apenas por ser homem, por estar em casa e, do nada, sua parceira dar um tiro na cabeça dele por ciúme ou alguma ideia torta de posse sobre ele. Nem toda mulher que morre assassinada é vítima de feminicídio — acho que isso lhe escapa, daí a confusão. Uma que seja vítima de latrocínio, por exemplo, não se encaixa nessa definição.

          Você diz que “não tenho intenção alguma de relativizar, minimizar ou ignorar questões de violência de gênero”, mas, e me desculpe, Isaac, é exatamente o que você está fazendo. Como disse no primeiro comentário, a crítica ao tom do meu comentário é válida, mas fazê-la em cima do gênero da vítima é uma deturpação bizarra, porque, reforço mais uma vez, o gênero da vítima não tem qualquer relevância nesse caso.

          Eu nem de longe sou a melhor pessoa para te explicar isso, portanto só me resta indicar que procure conversar com feministas ou mesmo ler materiais gratuitos na internet. Aliás, um bom ponto de partida talvez seja a lei seca mesmo — desde 2015, o feminicídio é previsto expressamente no Código Penal (art. 121, § 2°, VI). Dá um Ctrl + F por “hominicídio” e, sem surpresa, você não encontrará nada.

          1. Com o perdão de entrar na discussão e já ir contrariando, mas ultimamente tenho tido pensamentos na mesma linha do Isacc.

            Explico: antes de tudo, deixar claro que sim, é compreensível que feminicídio, crimes sexuais, atitudes machistas acabam definindo uma linha sobre morte e/ou danos às mulheres. Dado também que nos últimos anos há mais pesquisas acadêmicas e ações para combater os crimes de feminicídio e relacionados. Na verdade, há muita coisa cultural que vi de perto que ainda serve como barreira e acaba ainda maltratando as mulheres – inclusive em locais onde ela deveria ter mais proteção, como delegacia da mulher (não cabe comentário aqui). Há a questão do patriacardo, de manutenção cultural de ideias que ainda renegam as mulheres (e gêneros diversos).

            Mas acho que onde o Isacc quer chegar não é diminuir isso.

            Dá um Ctrl + F por “hominicídio” e, sem surpresa, você não encontrará nada. Na verdade joguei o termo no buscador preguiçoso que uso e achei algumas coisas, boa parte geralmente de “gente de direita”. Então, podemos dizer que há gente que sente esta linha de pensamento se formando e está na frente arregimentando pessoas.

            Acho que onde o Isacc quis chegar é naquele seu comentário que tu fez no twitter/mastodon sobre “pesquise sobre”… No que de fato também no fundo achei jocoso – apesar de eu ter rido mais da inocência da pessoa em pesquisar por “barra pesada online”, mas depois caído a ficha que a moral daqueles que pesquisaram não é diferente da moral de quem apoia milicianos.

            De fato, noto que hoje um homem que morre “por ser homem” não é que não exista, mas se for parar para fazer um paralelo com “feminicídio” (a morte da mulher por ela ser esposa / amante / alvo sexual / mulher / etc… – dado que homens tratam mulher como posse ou relegada ), talvez a morte do Anderson na qual a Flordelis planejou seja uma forma de “hominicídio”. Afinal, está matando um homem por ele ter sido homem talvez. Isso quem vai dizer no final é a Justiça (apesar de eu não confiar na mesma). Dado também que há relatos de outras tentativas de assassinato ao mesmo (e me pergunto como ele não saiu desta).

            No caso, paralelos de “hominicídio” seriam no caso as mulheres que planejam matar os maridos / amantes / etc… por causa de bens materiais, interesses, ciúmes (salvo engano ainda há disto). “Viúvas Negras” no caso, a imagem desta persona que ao casar com alguém, tempos depois o marido falece e ela fica com os bens.

            Tem horas que acho que o problema da discussão do feminismo acaba se esbarrando no fato que ela supervaloriza muita coisa no universo feminino e ignora que homens também tem sentimentos, e dado que a discussão sobre feminismo acabou também se superestimando, ela trava qualquer tentativa de questionar a mesma apenas pelo fato de que questionar o feminismo seria questionar a vítima, não dando direito a uma réplica / tréplica; renega alguma coisa que possa estar oculta em um crime de feminicídio que o descaracterize (isso falando de militância online – sinceramente me devo a conhecer pessoalmente militantes feministas para ter melhor posição).

            E complementando, entendo que o feminismo é uma forma de tentar corrigir o peso causado por uma cultura que priorizou o homem, mas ao mesmo tempo tenho a sensação que esta divisão causada está gerando mais problemas do que soluções – pois ignora que para cada tentativa de mudar-se uma cultura outrora dominante, há outras formas de fazer ela continuar dominante caso alguém tente muda-la na força.

          2. @ Ligeirinho

            “(…) talvez a morte do Anderson na qual a Flordelis planejou seja uma forma de ‘hominicídio’. Afinal, está matando um homem por ele ter sido homem talvez.”

            De onde você tirou isso? Segundo a denúncia do Ministério Público, Flordelis matou Anderson por vingança porque ele mantinha o controle das finanças da família. Novamente: o gênero dele não tem qualquer relevância no caso.

            “No caso, paralelos de ‘hominicídio’ seriam no caso as mulheres que planejam matar os maridos / amantes / etc… por causa de bens materiais, interesses, ciúmes (salvo engano ainda há disto). ‘Viúvas Negras’ no caso, a imagem desta persona que ao casar com alguém, tempos depois o marido falece e ela fica com os bens.”

            É inegável que esse tipo de crime aconteça, mas: 1) se a causa é herança/bens materiais e interesses, não estamos falando de um paralelo ao feminicídio, ou um “hominicídio”; e 2) qual a proporção desses crimes em relação aos de feminicídio? Em 2019, uma mulher foi assassinada por isso a cada 7 horas. Se você tiver um dado de “hominicídios” que se equipare a isso, mostre, pois eu desconheço.

            E quanto à crítica ao feminismo, não se trata de um grupo centralizado e, portanto, coeso. Óbvio que algumas feministas passam do ponto, pisam na bola, mas isso não deveria ser usado de argumento para deslegitimar as demandas delas. O problema não são as feministas; o problema são os homens que, apesar delas, continuam matando mulheres.

          3. Rodrigo, de fato, os métodos usados nesse caso não têm relevância no que motivou o meu primeiro comentário. Eu só os destaquei pra refutar sua afirmação de que “o gênero da vítima, nesse assassinato, não tinha relevância alguma”. Como espero ter deixado claro, o gênero da vítima teve relevância, sim, na escolha dos métodos. E dizer que “os métodos usados nesse caso, falhos ou bem sucedidos, teriam o mesmo desfecho sendo a vítima homem ou mulher” apenas corrobora o meu argumento, visto que, pra serem eficientes em ambos os casos, necessariamente eles teriam que ser “nivelados por cima”; ou seja, teriam que ser métodos capazes de evitar a defesa ou vencer a resistência física de um homem — geralmente mais fortes (fisicamente) que as da mulher.

            Desde o meu primeiro comentário, tenho tentado ser claro no que motivou minha insatisfação com a sua nota, e em nenhum momento eu relativizei, minimizei ou ignorei questões de violência de gênero algum – falar sobre as violências sofridas por um gênero, quando não em contraposição às violências sofridas pelos outros, não é relativizá-las, minimizá-las ou ignorá-las. Se eu estiver errado, por favor, me mostre exatamente onde e por quê.

            “Uma deturpação bizarra” é justamente o que me parece que você tem tentado fazer — inconscientemente, eu espero: mudar o alvo da minha crítica de o que você escreveu para as mulheres.

            Você cismou de que minha crítica é feita “em cima do gênero da vítima [do assassinato]”, quando, na verdade, é feita a partir do gênero da vítima da sua dica infeliz.

            Em meu questionamento inicial, eu inverti o gênero da vítima do assassinato pra poder fazer o mesmo com o gênero da eventual vítima da sua dica e te deixar claro, exemplificado, o quão insensível e até irresponsável seria publicar tal informação num contexto de violência contra a mulher. E pensei que você entenderia que o mesmo cuidado e empatia devia valer também num contexto de violência contra o homem, assim como no de qualquer outro gênero.

            Apesar da minha crítica ao que você escreveu, em nenhum momento eu minimizei ou pus em dúvida seus conhecimentos em leis e questões de gênero tão basilares. Usar desse subterfúgio seria tão ridículo e improdutivo pra discussão quanto dizer que, até 9 de março de 2015, nenhuma mulher morria por ser mulher, por estar em casa e, do nada, seu parceiro dar um tiro na cabeça dela por ciúme ou alguma ideia torta de posse sobre ela, e ainda desafiar quem duvidasse disso a dar um Ctrl + F por notícias com “feminicídio” antes da data mencionada e provar o contrário.

          4. @ Isaac

            Seu comentário inicial, objetivamente, diz o seguinte: o comentário no Bloco de notas foi infeliz; se fosse uma mulher a vítima, o mesmo teria sido feito?

            Respondendo objetivamente: sim, teria.

            Daí você continuou batendo nessa tecla de que o gênero da vítima (homem) teve peso no assassinato, o que eu refutei. Os métodos usados seria igualmente eficientes ou falhos — seu argumento de que eles não davam chance de defesa por homem ser “mais resistente” carece de qualquer sustentação. Se conseguir me apontar de onde o tirou, agradeço.

            Quando diz que o que te incomodou foi “falar sobre as violências sofridas por um gênero, quando não em contraposição às violências sofridas pelos outros”, você mistura assuntos desconexos. Repito, pela enésima vez, que o fato da vítima ser homem, nesse caso, não teve qualquer relevância. E, também de novo, que feminicídio não é o mero assassinato de uma pessoa do gênero feminino, é o assassinato de uma pessoa por ela ser do gênero feminino, um problema que não tem paralelo no masculino.

            E, por fim, recorrer à legislação e ao debate de gênero não é subterfúgio, são as ferramentas de que disponho para tentar demonstrar, até agora sem sucesso, por que acho a sua crítica, da maneira que foi posta, equivocada. Equívoco, aliás, que parece se estender ao funcionamento da sociedade — obviamente que já existia feminicídio antes de 2015; a lei acompanha a sociedade, e não o contrário, e se esse tipo de crime passou a ser previsto expressamente, é porque se tratava de um problema relevante e que merecia maior atenção de todos, incluindo legisladores.

            Isaac, se você acompanha o Manual, deve saber que nossos espaços para comentários são sempre receptivos. Porém, há limites. Não consigo ver, após tantas trocas, um consenso. Por isso, pelo bem do espaço e da nossa relação, proponho encerrarmos esse debate aqui. Da minha parte, atentarei mais à maneira como abordo assuntos delicados, mesmo quando é apenas para dar contexto a outros que nos são mais caros, e também fico na esperança de que nossa troca faça com que você reflita melhor sobre essas questões de gênero e a questionar a falsa equivalência entre feminino e masculino que, aparentemente, você carrega consigo.

    2. @Isacc e @Ligeirinho tudo bem? O @Ghedin explicou muito bem toda a situação e a discussão já está encerrada, mas como mulher eu peço licença para dar minha contribuição ao debate, mesmo eu não tendo domínio sobre o tema, mas vou falar de acordo com minhas leituras e perspectiva feminina.

      Seguindo o que já foi divulgado sobre as investigações do caso Flordelis, parece que a motivação foi financeira, pois o pastor Anderson controlava as finanças do ministério de louvor da pastora. A razão para o crime ser essa já invalida o paralelo dele com feminicídio e vou explicar o motivo. Sobre os métodos usados, envenenamento e forjar um latrocínio, nada indica que tenham sido escolhidos por ele ser homem e assim oferecer mais ou menos resistência, mas sim para ocultar os mandantes do crime.

      Pela lei brasileira, feminicídio é um qualificador para o crime de homicídio, ou seja, é o ato de matar uma mulher por ela ser do sexo feminino, envolver violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Mas por que tratar de forma diferente esse crime pela vítima ser mulher?

      Nesse tipo de crime, a grande maioria é cometida pelo parceiro ou ex-parceiro. O que acontece é que o homem vê a mulher como objeto, como posse dele, sem vontade própria. Ciúme, término, traição, rejeição por não querer sair com o homem ou outras situações parecidas geram a fúria do sujeito, que pode agredir ou até matar a mulher. Por isso que é dito que a mulher é morta por ser mulher, o gênero influencia na “motivação” do crime.

      As situações onde “o homem é morto por ser homem” que você citou, bem, você concorda que são bem diferentes das que eu citei acima, certo? São situações de trabalho, de violência urbana, etc. A “motivação” (não sei se essa é a melhor palavra) é diferente dos casos de feminicídio. No caso, feminicídio é ainda mais cruel se a gente pensar que antes havia uma relação entre as partes (namorados, maridos…) e envolvem o livre arbítrio da mulher: permanecer em um namoro ou casamento, sair ou não com um homem, etc… Enfim, é um tema muito complexo e triste.

      Imagino que você trouxe essa questão para o PL porque está aberto a ouvir outras perspectivas, então peço de verdade que procure saber mais sobre o tema. Trago este link do UOL que explica mais algumas coisas: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2018/08/21/o-que-e-feminicidio-entenda-a-definicao-do-crime-que-mata-mulheres.htm mas tem muito material na internet.

      PS.: tentei escolher os termos mais adequados, mas se dei algum deslize no vocabulário, por favor, me avisem.

  8. Qual a opinião de vocês sobre o fim da estabilidade para servidores públicos?
    Eu sou contrário e explico.
    Nasci e cresci em cidade pequena até meus 20 anos e sempre vi acontecer perseguições aos servidores que se colocaram contra o prefeito vencedor durante o período eleitoral e a única coisa que mantinha essas pessoas nos empregos era a estabilidade.
    Um outro exemplo que podemos citar de aparelhamento é o do Crivella e “seus guardiões”, coisa que um funcionário concursado não teria que fazer e poderia alegar o princípio da legalidade para tal sem sofrer nenhuma consequência. Logo, apesar de ficar indignado com os altos salários do judiciário e forças armadas eu penso que essa parcela invisível do funcionalismo e que mantém minimamente os serviços irão sofrer.
    Outro ponto é que os funcionários que hoje fazem parte do serviço público em sua maioria são pessoas analógicas vivendo em um mundo digital, por isso acredito que nos próximos 10 anos o perfil deles irá mudar e, com certeza, a eficiência também.
    Qual a visão de vocês quando a isso?

    1. eu concordo com o fim da estabilidade, mas creio que deva ser bem pensado isso, por exemplo, dar estabilidade de 2 anos e nos próximos 3 fazer medições de desempenho anuais, e só aí sim, caso realmente demonstre pouca efetividade no trabalho poder ser demitido, caso contrário, não pode.

      mas enfim, sou contrário a muitas coisas também, hehe, por exemplo, gostaria que todo e qualquer cargo só pudesse se aposentar com as leis do INSS, independente se é político ou das forças armadas

      1. Mas pelo que parece, o objetivo não é melhorar o serviço não, mas legalizar o corte de custos através de demissões no caso de déficit. O que é uma pena.
        E sobre o INSS eu também concordo que deveria ser igual para todos.

      2. Desculpa, mas é muito “murismo” essa de “precisamos melhorar a avaliação dos servidores” porque é óbvio que precisamos. É como uma passeata contra a corrupção (inócua, uma vez que ninguém é a favor da corrupção).

        Estabilidade é o que mantém o estado funcionando. Imagina na pandemia se os médicos do SUS não tivessem estabilidade? Estariam todos tendo que receitar/medicar com (hidroxi)cloroquina e dizendo que isolamento não funciona sob pena de perderem seus empregos. Mais adiante, imagine professores sem estabilidade numa escola estadual/municipal com os pais adeptos do “escola sem partido”? Uma reclamação sobre uma aula de história dizendo que nazismo não é de esquerda e o governador/prefeito pode demitir o professor e contratar uma pessoa de “notório saber” (lei aprovada no governo Temer, aliás) que seja alinhada com a sua ideologia.

        Claro que existem ilhas no funcionalismo, como o judiciário, mas a imensa maioria do servidor público é mal remunerado, sucateado e estressado com uma carga de trabalho muito grande, vide os Correios. Quase todas as carreiras públicas já são celetistas e o teto de aposentadoria já foi instaurado para as carreiras públicas faz algum tempo.

        A reforma administrativa, tal qual a trabalhista e previdenciária, são apenas um desmonte sistemático do estado de bem estar do Brasil que, espertamente, os liberais camuflam com palavras que a população não entende mas acha que estão certas como “boa gestão” e “avaliação de desempenho”.

        1. sobre o segundo parágrafo: concordo com vc, não tinha parado pra pensar nesse ponto, mas creio que deveria existir um conselho pra avaliar as demissões.

          sobre o último parágrafo: me lembrou do meu professor falando sobre a reforma tributária, que deve ser feito muito pensado, pois um erro e poderia fazer o Brasil quebrar

          1. Indo mais além daquele exemplo, POA hoje 338 pacientes internados em UTI (e mais 25 suspeitos). Ontem bateu recorde de internações em UTI com 347. O sistema aqui suporta 383 pacientes em UTI com COVID19. A cidade passou dos 25 mil casos e bateu em 720 mortes. com mais de 4 mil casos ativos. O governo do estado diz que a cidade tem “risco médio” na pandemia (!) e autorizou a volta às aulas na educação infantil a partir de semana que vem. Ainda que a maioria dos municípios seja contra essa retomada, existe uma pressão muito grande do setor privado da educação para que as aulas sejam retomada e seja estancada a debandada de alunos dessas redes. A única entidade que está fazendo voz contrária a volta às aulas é exatamente o CPERS [1] (sindicato dos professores do RS), mesmo sob ameaça velada do governo do estado de exonerar professores em estágio probatório e contratados. Sem estabilidade (e sem sindicato) é bem provável que o governo estaria sem nenhuma entidade com força pra questionar os absurdos dele).

            SObre a reforma tributária, eu não sei muito, mas imagine que a reforma tributária do RS, proposta pelo governador, vai elevar a alíquota nos produtos da cesta básica (!). Parece mentira, mas o governadora diz que isso é bom pra todo mundo porque vai diminuir o preço de outras coisas – que ele não disse quais – com o tempo.

            [1]: A FAMURS também está, no último levantamento feito, ~95% dos prefeitos do estado do RS eram contra a volta às aulas, mas os motivos são outros: eles temem que as mortes oriundas da volta às aulas recaia politicamente sobre ele e acabe com a eleição de novembro.

        2. Paulo, vou te responder aqui pq não foi possível no outro comentário:

          entendo, infelizmente não tem como mesmo ser só por questão de desempenho, existe muita politicagem no meio (na verdade existe em tudo, mas enfim).

          e sobre a reforma tributária: eu gostaria que os produtos de cesta básica fossem isentos de impostos, não sei se seria possível, mas creio que isso iria ajudar muito a população

          1. Pensei na sua questão de existir um conselho sobre demissões. Quem iria integrar esse conselho e como seriam escolhidos esses integrantes? Se você fizer como no STF, vai demorar até ter uma diversidade de pessoas lá dentro. Se você deixar elas empregadas via concurso, vai criar uma “casta” dentro do serviço público. Se você deixar tudo como CC/FG o problema da perseguição vai seguir. Ainda, esses nomes serão conhecidos amplamente? Imagine a pressão política que uma pessoa num conselho desses sofreria em municípios, principalmente.

            Sobre o tempo mínimo, existe o estágio probatório onde a exoneração é facilitada. Acho que o tempo de 3 anos é um tempo tranquilo para você avaliar o desempenho dessa pessoa. Ainda assim, a maioria das carreiras tem avaliação de desempenho anual e dispositivos que permitem exoneração em caso de reiteradas falhas de desempenho. O problema é que falta regulamentação para isso.

            Um exemplo clássico de como seria o serviço público em caso de não existir estabilidade é o que ocorreu com o próprio governo do Bolsonaro, onde ele demitiu tantas pessoas que acabou demitindo quem demitia e contratava, congelando uma parte do ministério da Casa Civil (ele também congelou a parte de licitações e o Geap).

            Indo mais além da questão inicial, o ministro Paulo Guedes disse que é “inadmissível” que o salário de entrada dos servidores públicos seja alto (perto do teto) porque isso não ocorre na iniciativa privada. O que ele ignora é que a iniciativa privada não tem plano de carreira e nem teto de salário e que os funcionários públicos não tem aumento garantido e nem reposição salarial – os servidores estaduais do RS estão com salários congelados desde 2013 por exemplo – e é exatamente por isso que os salários iniciais são altos. Sem falar que a ideia do serviço público deveria atrair as melhores e mais preparadas pessoas para a função, não o oposto.

            Enfim, é tudo muito errado nesse governo e o Paulo Guedes parece encarnar o que temos de pior em todos os setores. Pensar nisso já me coloca em depressão.

    2. Apesar dos abusos, no geral também sou contra o fim da estabilidade. Abre-se um flanco enorme para que todo o funcionalismo público vire “guardiões do [governante da vez]”.

    3. Cada vez menos interessante estudar para conquistar uma vaga estável e mais negócio conquistar a amizade do prefeito.

      Imagine uma repartição pública tocada só por comissionados. A cada mudança de gestão, muda-se todo o método, todos os projetos, começa-se tudo outra vez, troca-se todas as prioridades e joga-se fora quase tudo o que foi feito por que agora são novos donos e é preciso imprimir a sua marca.

      1. Isso rolou na PMPA quando o Marchezan assumiu. Porto Alegre era conhecida (e reconhecida) por usar Linux e outros SL/CA em todos os serviços públicos. Primeira coisa que o prefeito atual fez foi demitir quem podia e que era “adepto” do Linux e trocar tudo por Windows – pagando licenças, claro. Segunda coisa foi cancelar o fomento mínimo pro FISL acontecer na cidade.

        Agora imagine isso rolando na saúde? É o cenário que se desenha …

        1. Não sabia dessa troca de sistemas que o Marchezan promoveu, mas nem fico surpreso.

          1. O Sartori fez a mesma coisa no estado. Acho que hoje em dia apenas o Banrisul mantém Linux. Só que o “gringo” fez com menos alarde, enquanto o Marchezan chamava de “sistema comunista”.

    4. sou servidor público e o fim da estabilidade me preocupa pelos seguintes motivos:

      1. como o caso que você relata, conheço muitos bons profissionais honestos, eficientes e responsáveis cujos chefes adorariam demitir pois esses funcionários são os primeiros a apontar irregularidades. Com o fim da estabilidade, a corrupção será invencível.

      2. já existem instrumentos para demissão de servidores que se recusam a fazer seus trabalhos, são ineficientes, desonestos ou irresponsáveis: basta aplicá-los.

      3. com o fim da estabilidade haverá um Queiroz em cada repartição do Brasil.

      a reforma administrativa deveria ir no sentido contrário: fortalecer a burocracia do Estado, garantindo aos servidores autonomia e segurança cada vez maior contra atos de corrupção. Isto deveria ser associado a um maior controle social da burocracia: servidores apontam irregularidades dos mandatários do poder e a população aponta irregularidades dos servidores por meio de conselhos e instrumentos de governança participativa.

      Bolsonaro e Guedes farão o contrário: vão precarizar o funcionalismo para poder demitir aqueles que denunciam a corrupção.

    5. Sou servidor federal estatutário e, portanto, estável. Já vi muita gente encostada no serviço público, portador e motivo daquele estereótipo que muita gente tem sobre funcionários públicos que com certeza são beneficiados pela impossibilidade de demissão. E, sendo um cara que rala pra caramba, sempre fiquei puto em ver esses encostos, o que acredito que seria resolvido pelo fim da estabilidade.

      Por outro lado, um dos pilares da administração pública é (ou deveria ser) a impessoalidade, coisa que infelizmente não existe nos gestores públicos. Já fui perseguido por uma chefia imediata por discordar (e efetivamente descumprir) ordens que feriam tanto minha ética pessoal como os princípios do serviço público, ao comprometer o atendimento à população ou, não raro, preterir um outro cidadão por motivos diversos.

      Apesar dos males que causa ao proporcionar que gente sem caráter receba por um serviço que não está prestando, tenho vivência suficiente (12 anos de carreira) para afirmar que esses são minoria e que uma boa parte dos servidores hoje é composta por gente correta que, caso a estabilidade acabe, ficará à mercê não apenas dos caprichos do governante da vez mas também de chefias inescrupulosas que se aproveitam da posição que ocupam.

      Essa reforma, infelizmente, não ataca o cerne do problema que são os cargos mais altos da administração e também do judiciário, que têm salários surreais e benefícios imorais. Aliás, quer exemplo mais absurdo que os dos juízes, desembargadores, etc. que, ao serem alvo de processos administrativos e/ou disciplinares, têm como “punição” a aposentadoria compulsória?!

      A maioria dos cargos do serviço público compõe, como o Paulo já disse antes, uma carreira sucateada e mal remunerada.

    6. Sou suspeito para dizer algo, visto que empregado público (em tese não possuo estabilidade, mas virtualmente, sim). Sigo a posição dos demais colegas, a estabilidade ainda é o único colete que protige bons funcionários de serem perseguidos (ainda mais, quantos casos de assédio moral já vi por comissionados). A propagando liberal de “ineficiência” do estado funciona bem e a população comprou esse viés há muito tempo, no entanto.
      Infelizmente não vejo nenhum bom prospecto pro país, só destruição ladeira abaixo.

    1. eu achei muito interessante, pois em apenas um aplicativo vc tem diversos serviços agregados, isso é ótimo para as pequenas plataformas que não tem como desenvolver robustos serviços

      1. Não tenho nada contra, a principio, mas fiquei pensando que plataforma de streaming não teria como desenvolver um aplicativo minimamente funcional? Uma plataforma, por menor que seja, precisa lidar com servidores de conteúdo, licenças de direitos autorais, ter suporte/disponibilidade e ainda propaganda para se vender.

        O lado negativo que eu enxergo é que isso serve apenas para centralizar ainda mais as opções dentro da Amazon e criar um ecossistema onde as pessoas sejam incapazes de entender o que estão consumindo e enxerguem tudo como Amazon.

    2. Louco pensar que tudo isso começou com pirateiros fazendo aplicativos tipo y Family Cinema”.

      Tem uma profusão de “IPTV” rodando por ai que uma hora algum dos grandes teria que fazer algo.

      1. Eu realmente não sei se o alvo são as IPTV ou o Netflix e a vindoura concorrência com o Disney+. Acho que a IPTV é um problema regional – Brasil – apenas.

        1. Não estudo isso, mas chuto que o problema é além do regional. Não duvido que isso na verdade seja uma “pulverização” de tecnologias – não é mais um grande servidor que “serve” os canais, mas menores e em diferentes partes.

          Imagino que isso comece a virar um problema futuro – empresas querem a grana da audiência.

  9. Quero falar aqui pq o tecnocracia é na minha opinião o melhor podcast que escuto:
    – não tem vinheta de abertura.
    – o Guilherme é objetivo: sabe de onde está partindo, o que vai te mostrar no caminho e onde quer te levar.
    – fica claro que ele pesquisou e estudou sobre o que está falando.
    – todo episódio me acrescenta algo e me faz refletir sobre o assunto.
    – o tempo que os episódios duram é o suficiente pra não ficar cansativo.
    – não tem aquele clima chato de podcast de mesa de bar que o pessoal vai do nada pra lugar nenhum.

    Então aproveito pra perguntar se vcs conhecem outro podcast que preencham esses requisitos.

    1. Sem vinheta acho difícil encontrar. Dos mais objetivos, entre os que ouço esporadicamente, os de jornais costumam ser assim — Nexo, Estadão, G1 e tal —, ainda que sejam mais reportagem, sem opinião (fora quando recebem algum convidado).

      Não sei se acompanha algum desses; se não, de repente pode ser que sejam do seu agrado.

    2. Acho que o Sinapse (Pedro Loos) e o Autoconsciente (Regina Giannetti) cumprem esses requisitos.

    3. Capitão, agradeço as gentis palavras. Dois podcasts que você pode curtir, ambos com profunda pesquisa, objetividade e, infelizmente, abertura: Reply All (já citado no Tecnocracia) e Agora, Agora e mais Agora, minha obsessão recente. Um pesquisador português conta histórias muito detalhadas sobre figuras relevantes da política histórica portuguesa. Abs,

    4. Também concordo com você em tudo. No caso do tempo do podcast foi aumentando, mas para mim está bom. O clima é realmente muito bom, quando menos você espera já acabou.

      Eu acompanho ouvindo, pelo celular no Podcast Addict, e vou lendo no post (transcrição) para eventualmente seguir os links citados.
      O Guia prático e Tecnocracia são parâmetros de ótimos podcast para mim. Aqueles com vinhetas, músicas de fundo e com mais de 1 hora de duração eu passo longe rsrs.

      Esses dias eu ouvi BBC News Que História! episódio “As famílias ‘alugadas” do Japão” para conhecer mais sobre essa história peculiar .

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