Inteligência artificial no banco dos réus

Foto em close do site da OpenAI, destacando o logo da empresa, com um texto institucional embaixo, desfocado.

Um escritório de advocacia da Califórnia, processou a OpenAI e o Google por infringirem direitos autorais e a privacidade no treinamento dos seus chatbots, ChatGPT e Bard.

Em outra ação, a comediante e escritora Sarah Silverman e outros escritores processaram a OpenAI e a Meta pelo mesmo motivo. Aqui, a alegação é de que as empresas usaram cópias piratas de seus livros, de repositórios como Z-Library e Biblotik, para treinarem os algoritmos do ChatGPT e LLaMA.

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Um advogado do Twitter enviou uma carta à Meta ameaçando processar a empresa pelo lançamento do Threads. Diz o texto que ex-funcionários do Twitter, contratados pela Meta, teriam desviado propriedade intelectual para criar a nova rede social.

Só que, segundo Andy Stone, diretor de comunicação da Meta, ninguém da equipe de engenharia do Threads já trabalhou no Twitter. Via Semafor (em inglês).

Atualização (7/7, às 8h30): A fonte anônima do Semafor agora tem nome e cargo. A nota foi atualizada.

O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu nesta terça (4) que a Meta precisa da autorização explícita dos usuários europeus para rastrear e processar dados pessoais para personalização de anúncios, rejeitando todos os artifícios e contorcionismos jurídicos que a empresa usava desde a entrada em vigor do GDPR — a lei de proteção a dados pessoais da UE —, em 2018, para sustentar suas práticas comerciais abusivas.

No TechCrunch, Natasha Lomas aproveitou o feriado nos Estados Unidos para pegar no pé de Zuckerberg e companhia: para os europeus, 4 de julho passa a ser o dia da independência — do capitalismo de vigilância norte-americano. Via TechCrunch, Fortune, noyb (todos em inglês).

A FTC abriu um processo contra a Amazon nesta quarta (21). O órgão, espécie de Cade dos Estados Unidos, acusa a Amazon de enganar consumidores a fim de forçá-los à assinatura do Prime e de dificultar seu cancelamento. Esse procedimento, segundo reportagem do site Insider, é conhecido dentro da Amazon como “Ilíada”, referência ao trabalho homérico exigido do consumidor que não quer mais o Prime. Via FTC (em inglês).

A Comissão Europeia (CE) abriu um processo antitruste contra o Google por abuso de poder no mercado de publicidade. O comunicado à imprensa explicita que o resultado almejado pelo bloco continental é separar os negócios de publicidade do Google, o mesmo desfecho que os Estados Unidos desejam no processo similar aberto contra a empresa em janeiro. O comunicado da CE é didático, com detalhes e até infográficos para demonstrar os abusos cometidos pelo Google. Via Comissão Europeia (em inglês).

A União Europeia multou a Meta em € 1,2 bilhão (~R$ 6,5 bilhões). O motivo é a transferência de dados de usuários europeus do Facebook para os Estados Unidos. Além da multa, o bloco deu seis meses para que a Meta cesse a transferência de dados entre Europa e EUA.

É a maior multa já aplicada pela União Europeia com base no Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês). Andrea Jelinek, chair do Conselho de Proteção de Dados Europeu (EDPB), disse que “a multa sem precedentes é um forte sinal para empresas de que infrações sérias têm consequências de longo alcance”.

Em resposta, executivos da Meta fizeram objeções à decisão em um post no site da empresa. “A capacidade dos dados serem transferidos pela fronteiras é fundamental para o funcionamento da internet aberta global”, escreveram.

E… talvez a Meta tenha um bom argumento aqui? Embora o EDPB tenha fundamentado a decisão no artigo 46(1) do GDPR, que permite a transferência de dados a outros países desde que haja salvaguardas apropriadas e remédios legais estejam disponíveis (leia-se: evitar a espionagem estrangeira), dizendo que a Meta foi negligente “no mais alto nível”, a punição determinada pode, sim, inviabilizar o funcionamento do Facebook na Europa.

A Meta vai recorrer. A empresa espera, porém, que as tratativas entre EUA e União Europeia a respeito de um acordo de transferência de dados, iniciadas em 2022, sejam formalizadas antes do fim do prazo de seis meses. Um acordo do tipo, conhecido como Privacy Shield, foi invalidado pela suprema corte europeia em 2020 após ser questionado por um ativista austríaco, Max Schrems. Via EDPB, Meta, New York Times e Ars Technica (todos em inglês).

Não é só o Congresso Nacional que tenta regular as plataformas digitais. Em paralelo, os outros poderes tentam influenciar o debate legislativo e agir por conta própria.

A decisão proferida pelo ministro Alexandre de Moraes nesta quarta (10), contra o Telegram, parece uma interferência arbitrária. Leia na íntegra (PDF).

Leitura leiga e inicial do texto não encontra fundamentação jurídica. Moraes refere-se a decisões do próprio Supremo, ao famigerado inquérito das fake news que corre no STF e a certa “imoralidade” para justificar a ameaça de suspender o Telegram por 72 horas, caso a empresa não se retrate da mensagem lamentável enviada a seus usuários na terça (9).

Em tons mais republicanos, a presidente do STF, ministra Rosa Weber, pautou o julgamento das ações que contestam a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, o da responsabilidade das plataformas por conteúdo gerado por usuários, para a próxima quarta (17). O resultado pode embolar o meio-campo da votação do PL 2630/20, o PL das fake news, ainda sem data para ir à votação.

O governo federal, por sua vez, tem usado a Senacon (ligada ao Ministério da Justiça) para agir contra as investidas irresponsáveis das big techs, como Google e Telegram. A justificativa da prensa dada no Google, por exemplo, de que ela feriria o Código de Defesa do Consumidor, é classificada por alguns especialistas como “malabarismo jurídico”.

Por fim, o adiamento da votação do PL das fake news, que pegou a todos de surpresa, deixa-nos todos apreensivos. O primeiro fatiamento, anunciado nesta terça (9), que separa o assunto da remuneração dos jornais pelas plataformas, não é ruim — era um tema estranho ao texto original e grande, importante demais para estar no PL 2630/20. Merece, de fato, uma lei própria e um debate à parte. O que virá depois, porém, é uma incógnita. Via Poder360, Folha de S.Paulo.

Telegram protege criminosos, não a liberdade de expressão, ao recusar colaboração com a Justiça

Botão translúcido do logo do Telegram, flutuando inclinado contra um fundo escuro.

No despacho em que determinou o bloqueio do Telegram em todo o território brasileiro, o juiz federal Wellington Lopes da Silva, do Espírito Santo, afirmou que o aplicativo “se limitou a negar o fornecimento dos dados requisitados sob alegação genérica de que ‘o grupo já foi deletado’”.

Desde a noite de quinta-feira (26), o aplicativo está inoperante no país. A medida é extrema, mas não é ilegal. Ela é prevista no Marco Civil da Internet (MCI), no artigo 11, III.

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O Telegram está bloqueado no Brasil. Acordei sem acesso ao aplicativo. O bloqueio foi determinado pela Justiça após o Telegram não colaborar com a investigação do ataque em Aracruz (ES), de novembro de 2022, que deixou quatro mortos. Havia um pedido, não cumprido, para que o Telegram entregasse os dados completos de neonazistas que agiam na plataforma à Polícia Federal. O assassino, com 16 anos à época, participava de grupos antissemitas no Telegram. Via G1.

O governo federal entregou, na quinta (30/3), suas sugestões para o projeto de lei 2.630/2020, o PL das fake news, relatado na Câmara pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP). Leia a íntegra (PDF).

O texto propõe a criação de uma entidade autônoma de fiscalização, prevê a responsabilização das plataformas por infrações (o chamado “dever de cuidado”) e mexe (mas não exclui) na imunidade parlamentar nas plataformas digitais.

Inspirado na regulação europeia da matéria, o texto acabou em cima do muro no que diz respeito à constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet (MCI), que isenta as plataformas digitais de serem responsabilizadas por não removerem conteúdo salvo por decisão judicial.

Também nessa semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) fez uma audiência pública para ouvir especialistas antes de julgar a constitucionalidade do artigo 19 do MCI. A maioria dos quase 50 expositores manifestaram apoio à legalidade do dispositivo. O ITS-Rio acompanhou os debates e montou um “placar”.

Os links ao lado trazem análises e detalhamentos desses eventos: Aos Fatos, Poder360, Núcleo (2)

O atentado golpista de 8 de janeiro deu fôlego novo à ideia de regular as redes sociais no Brasil.

A reação imediata do governo Lula foi apresentar uma medida provisória (MP) que obrigasse as empresas do setor a removerem conteúdo golpista de redes sociais por iniciativa própria.

Hoje, não funciona assim. Embora as empresas possam remover conteúdo ilegal, isso é uma discricionariedade. O artigo 19 do Marco Civil da Internet (MCI), de 2014, determina que elas só são obrigadas a agir por ordem judicial.

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As três ameaças ao Google

Homem pardo, de óculos de grau, vestindo um paletó e uma camisa azul, gesticula com a mão direita. Ao fundo, painel azul forte com o logo do Fórum Econômico Mundial.

A história do Google é daquelas raras em que uma boa ideia é executada de maneira brilhante na hora certa. O buscador web do Google, lançado ao público em 1997, desencadeou uma revolução.

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O Telegram questionou uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e não suspendeu o canal do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Os advogados do aplicativo disseram, em petição, que faltou embasamento legal ao pedido e que ele “implica em censura”. Seria uma decisão “desproporcional”. A audácia dessa galera… Via O Globo.

Atualização (14h): O STF aplicou uma multa de R$ 1,2 milhão ao Telegram por descumprir sua determinação. Via O Globo.

Atualização (16h08): Em nova decisão, o STF restabeleceu as contas de Nikolas em seis redes sociais — incluindo o Telegram. Via O Globo.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês) e oito estados norte-americanos processaram o Google nesta terça (24). A acusação? Monopólio do mercado de publicidade digital.

A ação pede para que o Google seja obrigado a se desfazer das suas áreas de publicidade, frutos de aquisições que, hoje, posicionam o Google em todas os estágios da compra e venda de anúncios digitais.

Os procuradores afirmam que o Google embolsa 30% de cada dólar gasto com anúncios digitais, o que prejudica anunciantes e consumidores.

Ações desse tipo costumam levar anos até a sentença. Esta é encarada com seriedade, pelo escopo e pelo embasamento, tido como sólido. O Google já respondeu, obviamente negando as acusações. Via CNN, Platformer, Google (todos em inglês)._

A reação das instituições aos eventos em Brasília deste domingo (9), quando terroristas bolsonaristas invadiram as sedes dos três poderes e depredaram-nas, foi imediata.

À noite, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou requerimentos da Advocacia Geral da União (AGU) e do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e determinou uma série de medidas para conter e desmobilizar os terroristas e responsabilizar os culpados pela arruaça na capital federal.

Entre as medidas, Moraes determinou a suspensão de perfis de golpistas no Facebook, Instagram, TikTok e Twitter, com a preservação integral dos seus conteúdos, e que as empresas de telecomunicações guardem por 90 dias os registros de conexões de quem esteve na Praça dos Três Poderes e no Quartel-General do Exército, no Distrito Federal.

Expediente similar foi usado nos Estados Unidos para identificar e processar os golpistas que, em 6 de janeiro de 2021, promoveram evento similar ao brasileiro deste domingo. Por lá, o Google sozinho repassou dados de geolocalização de quase 6 mil dispositivos ao FBI.

Essa história, aparentemente, não chegou às correntes de “zap” que insuflaram os nossos golpistas a cometerem um dos atos mais deprimentes da história da República. Via STF, Núcleo.