Um dia ruim para a Netflix

Cena de Stranger Things 3 em que os heróis da série estão abatidos no shopping olhando para uma nova ameaça.

A Netflix começou digitalizando as vídeo locadoras. Não os filmes em si, mas o espaço físico mesmo. Os clientes alugavam filmes em DVDs e a empresa os distribuía via Correios. Mas foi só quando alguém lá dentro teve a sacada de que poderia ir além e remover o último elemento físico do negócio, o disco de DVD, que ela deslanchou. Afinal, a digitalização total era uma ótima ideia, tão boa que surpreende que estúdios fornecedores de conteúdo e donos das plataformas onde a Netflix roda tenham demorado tanto para copiá-la.

(mais…)

Nada novo nos novos iPhones

Duas pessoas tirando foto com um iPhone 11 vermelho.

“Vou comprar o iPhone 11 Pro por inércia, por estar fechada no ecossistema, falta de tempo/energia para pesquisar por alternativas melhores ou executar os movimentos para migrar e porque meu iPhone de dois anos quebrou bem na hora (há um mês)”, escreveu a jornalista norte-americana Casey Johnston enquanto a Apple anunciava a safra 2019 de iPhones. “Não tenho ideia de que recursos ele tem”.

O relato dela representa uma teoria que a estabilidade do número de iPhones vendidos ano após ano desde meados desta década meio que confirma: a de que pouca gente compra celulares da Apple após compará-los minuciosamente às melhores ofertas da Samsung, Motorola, [insira uma marca Android aqui]. A maioria dos que compram iPhone fazem isso porque… bem, porque é um iPhone. Modelo? O mais recente que o orçamento permitir.

(mais…)

O clube dos fundadores arrependidos

Prints do novo Microsoft To Do; um deles exibe a torre de TV de Berlim como plano de fundo, imagem característica do antigo Wunderlist.

Em 2010, o desenvolvedor alemão Christian Reber iniciou uma busca por parceiros para uma empreitada digital: criar um pequeno aplicativo de listas de tarefas. Um ano depois, com um sócio e investimentos de grupos locais, ele deu à luz o Wunderlist, fruto da startup recém-criada 6Wunderkinder.

O Wunderlist poderia ter sido apenas mais um entre os milhares de apps do gênero que infestam lojas de aplicativos, mas ele se destacou por antecipar recursos úteis ainda raros e pela execução impecável. Em 2015, já com 13 milhões de usuários, a Microsoft comprou o app. O valor exato da transação jamais foi revelado, mas segundo o Wall Street Journal foi algo entre US$ 100 e 200 milhões. Até aquele momento, a 6Wunderkinder havia levantado US$ 35 milhões em capital de risco. Não foi um saída do nível de um Google ou Facebook da vida, mas deve ter rendido uns bons trocados para fundadores e investidores.

As duas partes, Microsoft e 6Wunderkinder, na época garantiram que nada mudaria de imediato no Wunderlist e que a nova casa, com recursos quase infinitos e um batalhão de profissionais de primeira classe, ajudaria a aperfeiçoar o app. Dois anos depois, a Microsoft anunciou que o Wunderlist seria descontinuado para dar lugar a um novo app criado do zero, o Microsoft To-Do, para ser integrado a outros produtos da empresa. Até hoje o já não tão novo app continua pior que o abandonado em muitos aspectos e apesar da sentença de morte dada ao Wunderlist, ele segue — junto aos seus usuários mais fiéis — em uma agonizante espera pelo dia em que um funcionário da Microsoft puxará o fio do servidor que o mantém funcionando.

(mais…)

Um rolê na loja física do AliExpress no Brasil

Pessoas em frente à loja pop-up do AliExpress.

A digitalização do varejo barateou custos e expandiu a seleção de produtos disponíveis ao consumidor, vantagens que criaram gigantes do setor como a Amazon nos Estados Unidos e o Alibaba na China, e que têm norteado as decisões das empresas mais antigas que melhor se adaptaram à nova realidade, caso emblemático do fenômeno brasileiro Magazine Luiza. Apesar disso, lojas nativas digitais e bem sucedidas no ambiente virtual têm experimentado, com objetivos diversos, o caminho inverso, materializando-se no mundo físico.

No último sábado (7), fui conferir a recém-inaugurada loja pop-up do AliExpress, o grande marketplace digital chinês e uma das lojas estrangeiras favoritas dos brasileiros. Ela foi montada no Shopping Mueller, no Centro Cívico em Curitiba (PR), cidade escolhida por ser a sede do Ebanx, fintech local parceira que processa todos os pagamentos no AliExpress feitos a partir do Brasil.

(mais…)

Bloco de notas #6

Notas curtas e curiosidades do mundo da tecnologia que publicaria no Twitter se o Twitter fosse uma rede legal. (Não é.)

***

Nos Estados Unidos, o Google foi condenado a pagar uma multa de US$ 170 milhões [New York Times, em inglês] por abusos praticados no YouTube. O serviço de vídeos coletou dados pessoais de menores de 13 anos sem o consentimento dos pais e os usou para veicular anúncios segmentados.

Mais importante que a multa, o YouTube se comprometeu a implementar mudanças significativas que começam a valer no início de 2020 [YouTube, em inglês]: cessar a coleta de dados pessoais de vídeos destinados ao público infantil, independentemente de quem os assista; desativar comentários e notificações em canais infantis; e cessar a veiculação de anúncios personalizados com base em dados pessoais em vídeos infantis (anúncios continuarão sendo exibidos com base em outros critérios [@manualusuariobr/Twitter, em português], porém). A definição do que é um vídeo infantil ficará a cargo dos donos dos canais, mas o YouTube empregará uma inteligência artificial para, em paralelo, classificar vídeos infantis automaticamente como tais.

(mais…)

TikTok é um filme repetido com final ruim

Montagem com um print de divulgação e o logo do TikTok.

Não tenho — nem pretendo ter — conta no TikTok. De fora já dá para saber que se trata de um filme repetido, com o mesmo enredo de outras redes sociais estabelecidas que a antecederam. E, spoiler: o final não é feliz.

Para você que tem mais de 30 anos e pouco contato com jovens, o TikTok é uma rede social criada pela ByteDance que lembra o Snapchat e o finado Vine, no sentido de que é composta por vídeos curtos, boa parte deles com ênfase em entretenimento. Como um leitor que tem conta lá resumiu, “não tem nada sério, reclamação, nada, é só bobiça, 24h de bobiça, e TODO MUNDO fazendo bobiça”.

(mais…)

Bloco de notas #5

Imagem de divulgação do Fairphone 3.

Notas curtas e curiosidades do mundo da tecnologia que publicaria no Twitter se o Twitter fosse uma rede legal. (Não é.)

***

Um smartphone feito com matéria-prima acompanhada desde a origem, muita reciclagem, que fiscaliza e tenta melhorar as condições de vida dos funcionários de chão de fábrica e feito para durar por anos graças a uma engenharia modular que permite trocar peças defeituosas ou defasadas sem se desfazer das demais. Esta é a premissa da fabricante holandesa Fairphone que, nesta semana, lançou a terceira versão do seu smartphone [TechCrunch, em inglês]. A expectativa do fundador e ex-CEO da Fairphone, Bas van Abel, é de vender 200 mil aparelhos por ano e, mais importante que isso, trazer à luz os problemas que sua empresa ataca. O Fairphone 3 será vendido apenas na Europa pelo preço sugerido de € 450 (cerca de R$ 2 mil).

→ A indústria da tecnologia está intimamente ligada à da mineração, que degrada o planeta e, não raro, submete sua mão de obra a situações desumanas. Falamos deste assunto em um Guia Prático no início do ano.

(mais…)

Cuidado para não virar o vovô Simpson gritando para nuvens

Quadro d'Os Simpsons em que a notícia de jornal do vovô Simpson gritando com a nuvem aparece.

por Guilherme Felitti

Este Tecnocracia começa bem lúdico. Transcreverei duas notícias publicadas por um veículo de massa e um trecho de ensaio falando sobre a chegada de uma nova tecnologia e você vai pensando sobre o que o sujeito está falando:

1. “A tecnologia fez algum bem? Acabou com algum mal, mitigou alguma tristeza? É de alguma consequência que você, de Nova York, deva saber na terça-feira em vez de quarta-feira que Jones amassou o nariz de Thompson no Congresso na segunda-feira? Algum dinheiro a mais é ganho ou perdido pelos especuladores de algodão em Nova Orleans e Nova York por que eles sabem das variações de ambos os mercados em cinco minutos, não mais cinco dias, antes que sua operações passem a valer?”

(mais…)

Algoritmo do YouTube impulsionou canais de extrema-direita nas eleições de 2018

Ícone do YouTube em meio a chamas.

O YouTube tem uma área nobre em sua interface para promover vídeos que estão viralizando. Chamada “Trending” lá fora, aqui no Brasil ela atende por “Em alta”. Os critérios para que um vídeo seja destacado ali são vagos, resultado da opacidade do algoritmo que monta as listas de vídeos automaticamente. Uma análise inédita do Manual do Usuário e The Intercept Brasil mostra como o YouTube contribuiu para o sucesso de candidatos de extrema-direita nas eleições brasileiras de 2018. Além disso, ela revela incongruências entre os vídeos promovidos e as políticas do próprio YouTube.

A empresa de data analytics Novelo analisou todos os mais de 17 mil rankings “Em alta” veiculados pelo YouTube no Brasil durante o segundo semestre de 2018. (O YouTube libera um novo ranking do tipo a cada 15 minutos.) Os resultados mostram que dos dez canais que mais cresceram no total de aparições nos rankings “Em alta”, metade era de extrema-direita e de apoio ao candidato que viria a eleger-se presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).

(mais…)

Bloco de notas #4

Notas curtas e curiosidades do mundo da tecnologia que publicaria no Twitter se o Twitter fosse uma rede legal. (Não é.)

***

O Google propôs um novo modelo de privacidade na web [Google, em inglês] como alternativa aos cookies pervasivos que rastreiam e monitoram usuários atualmente. A retórica terrorista do anúncio beira o inacreditável: “Primeiro, o bloqueio de cookies em larga escala destrói a privacidade das pessoas ao encorajar técnicas obscuras como o fingerprinting.” Parece um gângster dizendo que pagar pedágio é ruim, mas que sofrer as consequências do não pagamento seria pior. Confiar a nossa privacidade ao Google equivale ao proverbial “deixar a raposa cuidando do galinheiro”.

(mais…)