Algoritmo do YouTube impulsionou canais de extrema-direita nas eleições de 2018

Ícone do YouTube em meio a chamas.

O YouTube tem uma área nobre em sua interface para promover vídeos que estão viralizando. Chamada “Trending” lá fora, aqui no Brasil ela atende por “Em alta”. Os critérios para que um vídeo seja destacado ali são vagos, resultado da opacidade do algoritmo que monta as listas de vídeos automaticamente. Uma análise inédita do Manual do Usuário e The Intercept Brasil mostra como o YouTube contribuiu para o sucesso de candidatos de extrema-direita nas eleições brasileiras de 2018. Além disso, ela revela incongruências entre os vídeos promovidos e as políticas do próprio YouTube.

A empresa de data analytics Novelo analisou todos os mais de 17 mil rankings “Em alta” veiculados pelo YouTube no Brasil durante o segundo semestre de 2018. (O YouTube libera um novo ranking do tipo a cada 15 minutos.) Os resultados mostram que dos dez canais que mais cresceram no total de aparições nos rankings “Em alta”, metade era de extrema-direita e de apoio ao candidato que viria a eleger-se presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).

O “Em alta” do YouTube é uma espécie de “trending topics” da plataforma. De acordo com o próprio YouTube, ele “ajuda os espectadores a ver o que está acontecendo no YouTube e no mundo” destacando vídeos que “podem interessar a vários espectadores”. Há vídeos previsíveis, como músicas novas e trailers de filmes muito aguardados, mas também “surpreendentes, como um vídeo viral”, explica o site.

Rankings “Em alta” são gerados em cada país onde o YouTube está disponível. Para um vídeo ser destacado em um deles, o YouTube lista algumas características desejáveis, como “atrair uma grande variedade de espectadores” e serem “surpreendentes ou novos”. Também consta na lista “[vídeos que] não são enganosos, sensacionalistas ou induzam a cliques”. Outros sinais são mais objetivos, como número de visualizações, velocidade da geração de visualizações (a “temperatura” dele) e quanto tempo faz que o vídeo foi enviado.

Um ranking “Em alta” é composto por 50 vídeos e gerado a cada 15 minutos, o que resulta em 96 rankings diários. Um vídeo pode perfeitamente ser mantido em dois ou mais rankings, desde que continue atendendo aos requisitos do algoritmo. (Note que um dos sinais é a idade do vídeo; quanto mais velho, menores as chances de figurar em um ranking.)

Nas interfaces do YouTube, a sessão “Em alta” ocupa posições destaque, sempre aparecendo entre as primeiras opções dos principais menus da interface:

Localização do "Em alta" no YouTube para computadores e no app para iOS.
Imagens: YouTube/Reprodução.

Outro detalhe importante é que o algoritmo, como é praxe na indústria, não é público, logo não pode ser auditado. Análises como esta da Novelo são feitas “raspando” dados públicos e, embora elas ajudem a entender os resultados, são incapazes de desvendar a lógica que leva ao que é exibido pela plataforma.

A ascensão da extrema-direita

O canal que mais apareceu no “Em alta” no segundo semestre do ano passado foi o Folha Política. Notório produtor de fake news a favor de políticos de direita, ele foi de zero aparições no ranking em julho e agosto para um pico de 2.747 em outubro, mês das eleições, e 2.556 em dezembro, último mês da análise. O canal está ligado ao site Folha Política, do casal Ernani Fernandes Barbosa Neto e Thais Raposo do Amaral Pinto Chaves, que também administravam a rede de dezenas de páginas e perfis falsos que o Facebook derrubou em outubro do ano passado por comportamento inautêntico. O Folha Política já recebeu verbas do deputado federal Fernando Francischini (PSL-PR) e do PRTB, partido do vice-presidente Hamilton Mourão.

Print dos vídeos mais populares do canal Folha Política.
A maioria dos vídeos mais populares da história do canal Folha Política foram publicados no segundo semestre de 2018. Imagem: YouTube/Reprodução.

O padrão do crescimento dos canais de extrema-direita se repete: até julho e agosto, eles eram irrelevantes – não tinham tido nenhuma aparição no ranking. A partir de setembro, explodem. Foi o que aconteceu com o bolsonarista Giro de Notícias, apresentado por Alberto Silva com mais de um vídeo por dia contendo notícias enviesadas comentadas por ele. Foi o segundo canal que mais cresceu, com 2.899 aparições no ranking em outubro e 2.521 em dezembro. O quarto maior crescimento foi o Mega Canais 2.0, que já chegou até a ser punido e desmonetizado pelo Google por violar as diretrizes do YouTube. Segundo a nova versão do canal, lançada em maio deste ano com o nome Mega Canais News, a desmonetização se deu pelo uso indevido de material de emissoras de TV.

O comentarista político conservador do Estadão, José Nêumanne Pinto, também decolou de zero aparições até outubro para o pico de 2.268 em dezembro. Foi o sétimo na lista dos que mais cresceram. E os noticiosos BrasilAgora e Seu Tube, que basicamente compartilham apenas conteúdo noticioso pró-Bolsonaro, tiveram o oitavo e o novo maior crescimento, respectivamente.

Fora do ranking – mas ainda com um crescimento assombroso – estão outros dois importantes influenciadores de direita. O canal d’O Antagonista deu um salto de 247 aparições em julho ao pico de 2.481 em outubro (foi o 17º canal que mais cresceu). E o Morning Show, da rádio JovemPan, teve em julho 541 aparições no “Em alta” e fechou o ano com 1.518.


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Do outro lado do espectro político, à esquerda, há apenas um representante entre os dez maiores crescimentos: é o terceiro lugar, ocupado pelo canal do doutor em Filosofia pela USP e professor titular da UNESP, Paulo Ghiraldelli, basicamente com vídeos-comentários do noticiário político. Teve zero aparições entre julho e setembro e chegou ao pico de 2.432 em dezembro. Junto com Ghiraldelli, o único outro canal de esquerda entre os 100 que mais apareceram no ranking é o Aquias Santarem – CRITICA BRASIL, que saiu de zero aparições em julho para o pico de 1.487 em dezembro. O CRITICA BRASIL se apresenta com um formato noticioso que emula telejornais, com cenário virtual, blocos e, eventualmente, até comentaristas. Ele é apresentado por Aquias Santarem, que não se limita à exposição de notícia e costuma tecer comentários críticos ao agora governo Bolsonaro. Segundo a página de Santarem no Facebook, ele é formado em Filosofia pela UFAM.

Já à direita, há 15 entre os 100 com maiores crescimento, sendo que oito estão entre os dez principais. A lista abaixo traz a posição no ranking dos que mais cresceram, nome do canal e total de aparições nos rankings “Em alta”:

  • 1. Folha Política, 9.071.
  • 2. O Giro de Notícias, 8.678.
  • 4. MEGA CANAIS 2.0, 8.616.
  • 7. José Nêumanne Pinto, 4.149.
  • 8. BrasilAgora, 2.497.
  • 9. Seu Tube, 4.034.
  • 12. Folha do Brasil, 2.041.
  • 16. O Antagonista, 9.683.
  • 49. Universo, 11.282.
  • 53. Diego Rox Oficial, 8.480.
  • 55. O Jacaré de Tanga, 5.345.
  • 59. CRISTALVOX, 15.662.
  • 65. Morning Show, 6.538.
  • 69. André Guedes, 3.229.
  • 73. MBL – Movimento Brasil Livre, 7.582.

Sensacionalismo impune

Miniaturas dos vídeos mais populares do canal Troom Troom PT.
Miniaturas dos vídeos mais populares do Troom Troom PT. Imagem: YouTube/Reprodução.

Em números absolutos, o canal que mais apareceu no ranking no segundo semestre do ano passado foi o “Troom troom PT”, uma fábrica obscura de virais que emplacou 160 vídeos 15.992 vezes no ranking. Ele não tem nada a ver com política: à primeira vista, parece um canal de faça-você-mesmo. Um olhar mais atento, no entanto, revela que seu forte são as pegadinhas envolvendo a ingestão de coisas estranhas que as personagens fabricam em cena. Os maiores sucessos do canal (imagem acima) apelam para o caça-cliques, com imagens apelativas que não correspondem ao conteúdo do vídeo. Algo que, vale lembrar, o YouTube diz que não permite.

Ninguém sabe quem são os criadores do canal (o e-mail de contato é um @gmail.com). Suspeita-se que os vídeos sejam filmados e publicados na Ucrânia e, como o “PT” no nome sinaliza, ele tem variações em outros idiomas. Os personagens em cena não falam. Em vez disso, uma narração sobreposta conta a “história”, o que facilita a criação de versões para públicos que falam idiomas diversos.

Os vídeos do Você Sabia?, segundo lugar em números absolutos com 15.780 aparições no “Em alta”, seguem um padrão: curiosidades aleatórias narradas sobre muitas imagens de arquivo, muito similar àqueles segmentos que entupiam o “Domingo Legal” e outros programas de variedades na TV aberta dos anos 1990. O vídeo em destaque no canal Você Sabia? na publicação desta matéria, por exemplo, era um típico click-baiting: “NASA confirma que ASTEROIDE destrutivo pode atingir a terra em OUTUBRO??”, notícia que já foi desmentida.

Print da capa do canal Você Sabia? com destaque ao vídeo sensacionalista de um asteroide que colidirá com a Terra.
Vídeo sensacionalista é destaque na capa do canal Você Sabia?. Imagem: YouTube/Reprodução.

Há outros vídeos do Você Sabia? incongruentes com a política do YouTube para o “Em alta”. São click-baits como o vídeo de um suposto “último dinossauro ainda vivo” e apelações como “SEREIAS, CRIATURAS DO MAR – CASOS E HISTÓRIAS REAIS !!”. Além do desempenho acima da média neste quesito, ele também é um dos maiores do Brasil em total de inscritos. Na data da publicação desta matéria eram 26,9 milhões, número que faz dele o terceiro maior do país por esta métrica.

Na mesma linha do Você Sabia?, o canal Fatos Desconhecidos aparece em quarto lugar com 15.476 vezes nos rankings do YouTube. Sobra conteúdo apelativo no mesmo formato “Domingo Legal dos anos 1990”. O vídeo sobre o sumiço do voo MH370 da Malaysia Airlines, por exemplo, tem como imagem um disco voador sobre o avião. Também há, entre os vídeos mais populares, balelas do tipo “5 truques para você controlar a mente de qualquer pessoa” ou “7 sinais que você REENCARNOU – E Se For Verdade?” Vídeos cujo título termina em “E Se For Verdade?” flertam com teorias conspiratórias, como “Papa Francisco é o papa do fim do mundo – E SE FOR VERDADE”.

Miniatura de vídeo do canal Fatos Desconhecidos sugerindo que disco voador teria relação com sumiço de avião comercial.
Imagem: YouTube/Reprodução.

O terceiro, com 15.662 aparições no ranking, é de política: o CRISTALVOX, do advogado Leudo Costa. Relativamente pequeno, o canal tem 289 mil inscritos e nenhum grande hit. Só um de seus vídeos quebrou a barreira dos milhões. Sua estratégia é o volume: Costa tem uma produção maciça e consistente de vídeos, quase sempre “lives” de mais de uma hora com o advogado falando sozinho.

Até setembro, véspera das eleições, o canal era desconhecido e não havia figurado nem no top 20 do YouTube — até ser descoberto pelo algoritmo. No período eleitoral, explodiu: a cada dez vídeos publicados, sete entraram no ranking “Em Alta”. No total, 383 vídeos do canal receberam o empurrão do Google para ampliar sua audiência.

Bolsonaro, do zero ao topo

Antes de agosto, Bolsonaro era apenas mais um no bolo próximo ao zero, longe dos vídeos que estavam bombando na época. Ele começou a despontar no início daquele mês e teve o maior pico do semestre no dia 6 de setembro, quando sofreu o atentado a faca. Dali até a sua vitória no segundo turno, no dia 28 de outubro — quando alcançou o segundo maior pico —, ele manteve a liderança em uma crescente.

Mesmo após as eleições e a natural perda de interesse em política, o termo “Bolsonaro” se manteve em destaque nos vídeos escolhidos pelo algoritmo do YouTube, com um volume que supera de longe o dos demais termos ou candidatos e muito superior ao observado no período anterior à corrida eleitoral.

Ao todo, 248.652 vídeos com o termo “Bolsonaro” no título estiveram no “Em alta” no semestre, publicados por 488 canais. Muitos dos hits vêm de contas obscuros, como a Bolsonaro TV, que emplacou vídeos mais de seis mil vezes no “Em Alta”. Os 15 canais de direita que mais cresceram representam 3,1% do total de canais que tiveram vídeos com “Bolsonaro” no ranking, mas responderam por um a cada cinco vídeos do tipo — no total, 47.243.

Gráfico de menções a termos políticos nos vídeos que apareceram nos rankings "Em alta" do YouTube no segundo semestre de 2018.
Clique para ampliar em uma nova aba. Gráfico: Novelo/Divulgação.

Em todo o segundo semestre, apenas dois outros termos se destacaram. Um deles foi “Haddad”, que despontou em meados de setembro, quando foi confirmado como candidato do PT em substituição a Lula. Em outubro, após passar à disputa do segundo turno com Bolsonaro, Haddad cresceu ainda mais, embora jamais tenha ultrapassado o adversário em aparições nos rankings.

O outro termo é “Lula”, que tem vários pequenos picos ao longo de todo o semestre, reflexo da sua conturbada trajetória. Um deles ocorreu já em julho, quando o Superior Tribunal de Justiça negou 143 pedidos de liberdade ao ex-presidente. Outro é no fim de agosto, quando o TSE barrou sua candidatura com base na Lei da Ficha Limpa. E a última em novembro, quando Lula depôs à Justiça Federal do Paraná no processo do sítio de Atibaia.

Mas a disparidade dos números absolutos é grande: foram promovidos 83.962 vídeos com “Lula” e 51.314 com “Haddad”. Com Bolsonaro, foram 248.652.

Moldando a nova política

O YouTube tem vários sistemas de recomendação de vídeos. Uma delas é a dos “vídeos relacionados”, que indica ao espectador conteúdo parecido (e quase sempre mais extremista). A outra é o autoplay, que roda automaticamente um vídeo parecido no final do que acabou de ser assistido.

O “Em alta” é diferente – principalmente porque é dedicado aos vídeos recentes, que estouram no momento. Não se sabe qual a relação entre essas duas partes do sistema – e o Google não explica –, mas é mais provável que o mesmo algoritmo ou dois muito similares operem em ambos os mecanismos de indicações.

Em essência, um algoritmo nada mais é que um conjunto de instruções criado para resolver um problema computacional. Em plataformas de conteúdo, como o YouTube e o Facebook, algoritmos complexos classificam infindáveis sinais personalizados de cada usuário a fim de determinar quais conteúdos são mais adequados para mantê-lo vendo vídeos ou rolando a timeline. É um sistema que se retroalimenta, ou seja, quando detecta sinais que indicam preferência por certo tipo de conteúdo, o algoritmo provê mais conteúdo daquele tipo, identificado por sinais que tampouco são conhecidos do grande público.

O algoritmo não é um ente autônomo ou neutro. Objetivos bem definidos moldam a construção do algoritmo e, embora eventualmente consequências não previstas se manifestem, no geral ele entrega o que foi feito para fazer. A explosão de vídeos apelativos no YouTube decorre de um objetivo bem definido. Em 2014, a direção da empresa estabeleceu como meta que os usuários assistissem a um bilhão de horas por dia na plataforma. Na época,
funcionários alertaram sobre a ascensão de canais extremistas e a viralização de informações falsas, mas foram ignorados. Em 2016, o YouTube atingiu sua meta.

No início de agosto deste ano, o jornal The New York Times publicou uma grande reportagem sobre a influência do YouTube na radicalização de extrema direita no Brasil. Embora não seja um fenômeno restrito ao país, os jornalistas Max Fisher e Amanda Taub escolheram o Brasil por ser o segundo maior em uso do YouTube e ter um caso para estudo recente e acentuado — a eleição de Jair Bolsonaro e a de muitos políticos adeptos à sua ideologia para cargos legislativos e para governadores.

A análise deles se embasa em estudos como o da pesquisadora Zeynep Tufekci, que chamou o YouTube de “um dos instrumentos de radicalização mais poderosos do século XXI”, e de Jonas Kaiser e Yasodara Córdova, da Universidade de Harvard, e Adrian Rauchfleisch, da Universidade de Taiwan, que programaram um servidor para se passar por um brasileiro que acessa o YouTube e aceita as recomendações do algoritmo milhares de vezes.

O trio descobriu que “após os usuários assistirem a vídeos de política ou até mesmo entretenimento, as recomendações do YouTube com frequência favoreciam canais de inclinação à direita e conspiratórios”, diz a reportagem. “Mais importante, usuários que assistiam a um canal de extrema-direita eram quase sempre apresentados a muitos outros”. Yasodara Córdova explica como isso funciona.

Outros pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, liderados por Virgilio Almeida, analisaram transcrições de milhares de vídeos e milhões de comentários. Eles descobriram que os canais de direita no Brasil viram suas audiências se expandirem muito mais rapidamente do que outros, desequilibrando o conteúdo de cunho político disponível na plataforma de vídeos.

A reportagem do New York Times afirma que mudanças no algoritmo do YouTube fizeram as menções positivas a Bolsonaro explodirem, bem como as das teorias conspiratórias que o então pré-candidato veiculava. O descompasso com as primeiras pesquisas de intenção de voto sugere, ainda segundo o jornal, que a plataforma não estava exatamente refletindo tendências políticas, mas moldando-as através de seu algoritmo.

A nossa análise, baseada no “Em Alta”, reflete o conteúdo que viraliza no YouTube. E os números desse ranking corroboram teorias de que o YouTube foi “armorizado”, ou seja, transformado em arma por uma parcela dos atores políticos que até então não encontrava espaço em mídias tradicionais salvo se como alvos de chacota ou exemplos do absurdo.

Entramos em contato com o YouTube Brasil pedindo explicações sobre a aparição de vídeos de canais sensacionalistas nos rankings “Em alta” e o crescimento do Folha Política nesses rankings durante o período eleitoral. A empresa disse, por meio de sua assessoria, que o conteúdo destacado no ranking “é avaliado individualmente com base nas nossas regras”. E mandou o link para uma carta de Susan Wojcicki, CEO do YouTube, que afirma que o ranking foi criado para refletir o conteúdo que os usuários podem achar interessante e que a empresa tem filtros para impedir determinados vídeos (como conteúdo adulto ou de violência) de aparecerem no ranking.

O YouTube também informou, pelo Twitter, que implementará no Brasil até o fim do ano uma atualização que reduz as recomendações para vídeos que “passam perto” de violarem suas diretrizes e que “desinformam de uma maneira potencialmente danosa”.

A planilha com os dados obtidos pela Novelo pode ser acessada neste link. Abrimos o acesso na esperança de que leitores e colegas da imprensa consigam fazer outras análises e extrair mais informações dos dados.

Esta matéria foi publicada originalmente no The Intercept Brasil com uma edição levemente diferente. O Manual do Usuário vende a publicação antecipada de algumas de suas pautas a outros veículos, resguardando o direito de republicá-las posteriormente.

Montagem do topo: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

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28 comentários

  1. “Segundo a página de Santarem no Facebook, ele é formado em Filosofia pela UFAM.”

    Não vou negar que fiquei surpreso com essa parte, pois faço filosofia na UFAM. Irei perguntar na secretaria do curso e entre os professores se conhecem esse sujeito – quem sabe ele tenha se formado a muito tempo atrás, então pode ser difícil saber algo sobre ele.

  2. Desculpa Rodrigo mas você está fazendo aqui o mesmo que o PdH(Papo de Homem) fez lá e que outros também estão fazendo. Que é transformar um site atemporal em fonte qualitativa de esquerda… Ah e do contrário sites com viés tecnológico nem se importaria

  3. Parabéns pelo texto Guedin. Como sempre você é muito informativo e detalhado nos artigos que escreve.
    Forte abraço de alguém que te acompanha desde a época do WinAjuda.

  4. E canais de esquerda? Há algo que mostre que canais de esquerda que tinham um bom público tiveram queda significativas de visualizações?

      1. É um volume grande de dados. Demos este enfoque nos canais de extrema-direita porque foi algo que se destacou muito no início da análise.

        Ah, e uma distinção importante: todo o levantamento feito pela Novelo diz respeito às aparições de vídeos nos rankings “Em alta”. Não diz respeito a total de visualizações dos vídeos ou de inscritos.

        Continuarei analisando os dados e, se surgir algo dissonante que mereça uma nova reportagem — independentemente do lado do espectro político que afete —, será feita.

          1. Não. Eu soube desse levantamento da Novelo por este post. Aí, conversando com o Guilherme, ele sugeriu abrir os dados e algumas anotações que já tinha feito para que eu escrevesse alguma coisa aqui no Manual. Foi só aí que esse padrão de canais de extrema-direita que cresceram muito no “Em alta” surgiu e ganhou corpo. (A princípio, a ideia da pauta era fazer uma espécie de raio-x do algoritmo do “Em alta” do YouTube.) Quando essa história política despontou na apuração, ofereci a pauta ao Intercept e eles toparam publicar.

  5. Não tiro o mérito dos dados mas me soa bem incômodo algumas coisas como o trecho: “Outro detalhe importante é que o algoritmo, como é praxe na indústria, não é público, logo não pode ser auditado.”

    Assim como celulares de uma certa empresa considerados a panaceia da privacidade mas com código de fechadinhoe mas que jamais são criticado nesse bloginho tão imparcial como o YouTube.

    iPhone tem a ver com política? Não, mas só um exemplo com a sua busca por inimigos e bonzinhos só faz sentido porque você quer.

    O mundo mesmo é feito por hipócritas!

    1. Calma, cara :)

      Quando digo “Outro detalhe importante é que o algoritmo, como é praxe na indústria, não é público, logo não pode ser auditado”, obviamente a Apple está incluída na definição, pois é parte desta indústria.

      Você mesmo disse que iPhone não tem a ver com política e que não tira o mérito dos dados, então não sei qual é a razão deste comentário crítico, nem o motivo de me acusar de hipócrita. Se o parâmetro é código aberto, o Google não se sai muito melhor que a Apple. Ou você tem o código-fonte do YouTube aí? Acho até que a postura do Google é mais abjeta, porque eles capitaneiam projetos de código aberto, mas fecham as partes que funcionam como diferenciais competitivos. Isso é evidente no Android. Que empresa consegue lançar o Android sem as porcarias proprietárias do Google? Pois é, só a Amazon, e daquele jeito capenga que é o FireOS.

      Note, ainda, que o Manual do Usuário é um blog autoral, opinativo, então é natural que minhas opiniões interfiram na maioria dos posts publicados aqui. (Não foi o caso deste, que tem um perfil de reportagem, sem opinião explícita.)

      Se quiser falar no privado do motivo que te deixou irritado comigo (o que até hoje eu não sei), mande um e-mail.

      1. Sinceramente não vi hipocrisia. E realmente a Apple é criticada aqui. Acho que falta a todo mundo hoje a habilidade de se conviver com a divergência.

  6. Versão Século XXI do “abaixo a Rede Globo”. A esquerda não pode simplesmente perder uma eleição porque caiu em descrédito absoluto: o culpado é o algoritmo.

    1. Parece-me haver muitos casos no mundo e evidências internas para desqualificar essas investigações das eleições de 2018 como ressentimento da esquerda. Erdogan na Turquia, Salvini na Itália (agora foi chutado do governo, mas ainda assim), Trump nos Estados Unidos, além do Brexit no Reino Unido. Há um levante extremista à direita — e isso inclui Bolsonaro — e é parte do jornalismo entender como esses fenômenos se desenham.

      Creio que esta matéria é mais uma peça neste quebra-cabeça. Sim, sempre houve tentativas de manipulação eleitoral e ciclos em que um lado do espectro político se sobressai, o que não significa que o atual seja correto, tolerável ou, arrisco dizer, normal, dado o extremismo da retórica dos eleitos e a aversão deles às instituições que os elegeu. Bolsonaro virou presidente questionando o tempo todo a lisura das urnas eletrônicas, por consequência a idoneidade do processo eleitoral. Isso não é normal, tampouco saudável.

      Sobre este tema, recomendo fortemente a leitura do Como as democracias morrem, do Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, publicado no Brasil pela Zahar.

        1. Aí precisamos discutir qual a sua régua de esquerda.

          Exceto nos extremos, é nebuloso definir o que é um meio de esquerda ou direita, muito condicionado a opinião da pessoa em relação a políica. Muita gente vai discordar dessa afirmação de que a mídia global tem um viés esquerdista.

          Só dá para definir isso comparativamente, já que um meio de esquerda em outro país e época é muito diferente do que temos no Brasil em 2019.

          1. Muita gente vai discordar, concordo com isso. E também me pego pensando sobre essa questão de como medir o espectro esquerda-direita e definir o que é o que. Mas, vá lá, troca por “progressista”.

        2. No mestrado, eu tentei propor uma metodologia sistemática para identificação de viés na mídia.

          A ideia não era pegar nada abrangente como o que as pessoas chamam de esquerda/direita, mas verificar a diferença ao abordar candidatos diferentes.

          Falando das eleições de 2014, comparei as notícias de alguns meios (Folha, Carta Capital, G1, etc…) e comparei a diferença na abordagem entre elas. Por exemplo, Estadão falava muito mais do PSDB que os demais. A Veja falava muito da Dilma, mas falava mal. A Carta Capital, por outro lado, nem citava os candidatos “não-PT”.

          Isso era diagnosticado em comparação com a média (mediana para ser mais exato), meios outliers eram classificados como enviesados. É uma metodologia limitada ao confronto entre candidatos, mas pelo menos é sistemático.

          1. Faz muito sentido. Mas aí vamos falar de grupos adversários na corrida pelo poder, e não necessariamente de ideologia.

      1. Desculpa Rodrigo mas você está fazendo aqui o mesmo que o PdH(Papo de Homem) fez lá e que outros também estão fazendo. Que é transformar um site atemporal em fonte qualitativa de esquerda… Ah e do contrário sites com viés tecnológico nem se importaria

  7. Fiquei curioso pra saber os motivos que levaram o “Morning Show” a ser considerado como um canal de extrema-direita. Não estou querendo dizer que o canal não é assistido por pessoas de direita, ou que é influenciador de direita. Mas o programa está longe de ser 100% sobre política, e os vídeos relacionados ao assunto, até onde eu acompanho o programa, sempre dão espaço pra opiniões divergentes (até entrevista com Guilherme Boulos eles fizeram uns dias atrás). Eu não conheço os outros canais da lista, mas pelo que foi falado na matéria, são canais que espalharam fake news e notícias pró-Bolsonaro e, por isso, foram classificados como extrema-direita. Não é uma métrica que se aplicaria ao Morning Show, a meu ver.

    1. Não enquadramos o Morning Show como de extrema-direita, apenas como de direita — ainda que o Morning Show dê espaço para gente da laia daquele Caio Coppolla, que caberia na definição de extremista sim.

      Os canais do José Nêumanne Pinto, do Estadão, e d’O Antagonista também têm essa distinção.

  8. Ghedin,

    Te acompanho desde a época do Gizmodo, inclusive comprei o ebook “Montando os Blocos” do Windows 8. E ainda tô aqui, mesmo sem comentar, acompanhando o seu trabalho. E fico muito feliz em ver esse seu trabalho em conjunto com o The Intercept. Parabéns e continue seu excelente trabalho!

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