Como o Twitter fomenta o ódio e instiga o que há de pior em nós

Montagem com o Pe. Fábio de Melo no palco segurando o pássaro (logo) do Twitter em uma das mãos.

Nem os representantes divinos no plano terreno serão poupados no Twitter. Na quinta-feira (8), o padre cantor e tuiteiro de carteirinha Fábio de Melo abriu a rede social para reclamar da saída de presos condenados por filicídio no Dia dos Pais. Foi execrado. No dia seguinte, ele anunciou sua saída do Twitter. Em sua última mensagem lá, o padre disse:

Agradeço muito o carinho que sempre recebi aqui. Eu me divertia muito com vocês. Obrigado pelos amigos que fiz. Rezem por mim. 🙏

Há tempos o Twitter deixou de ser uma rede social ágil e divertida para se transformar em muitas coisas ao mesmo tempo que, somadas, criam um ambiente extremamente inóspito. Uns poderiam dizer que ele apenas reflete a natureza humana e que, com mais gente usando o serviço e a polarização crescente em lugares como o Brasil, essa transformação é consequência, não causa. Mas sabemos, pelo menos aqui no Manual do Usuário, que a tecnologia jamais é neutra. Se atribuir ao Twitter todos os males contemporâneos é um exagero, a César o que é de César: casos como o de Fábio de Melo e outros tantos mais graves de gente menos famosa evidenciam os estragos que decisões tomadas pela direção do Twitter podem causar a qualquer usuário do serviço.

Da interface caótica às ferramentas limitadas para conter abusos, passando pela aplicação sem critérios das regras da própria plataforma, ferve ali um caldo grosso que periga inviabilizar o debate público e, no fim, dar razão a quem grita mais alto.

Uma unanimidade

Em meados de julho de 2019, o Twitter virou a chave do seu novo visual da versão web para computadores. Ele estava em testes havia alguns meses e podia ser acessado opcionalmente. Tornou-se obrigatório. Na prática, o que a rede social fez foi unificar a fundação dos seus apps: a mesma versão acessada pelo celular é a que aparece agora nos computadores dos usuários e ela também serve de base para alguns aplicativos móveis.


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Nos dias que se seguiram à obrigatoriedade do novo visual do Twitter, reclamações na timeline foram incessantes e praticamente unânimes. O desagrado causado pelo novo Twitter, com suas fontes e elementos enormes e desproporcionais, baixíssima densidade de informações na tela e bugs diversos, parece ter sido generalizado.

Isso não é novo. Do Orkut ao novo Twitter de 2019, passando por múltiplas iterações do Facebook, mudanças visuais e funcionais em aplicativos que usamos todos os dias sempre inflamaram os ânimos dos usuários. O pensamento condescendente (e o que costuma ocorrer) nos diz para ter paciência, porque a gente acaba se acostumando. De fato nos acostumamos, mas isso não significa que o novo seja de fato melhor que o antigo. Na maioria dos casos não há escolha e a julgar pelo histórico e interesses das empresas que controlam essas plataformas, há motivos de sobra para suspeitar da benevolência por trás de mudanças drásticas.

Usar os aplicativos oficiais do Twitter é um tormento. Mesmo antes da interface mais recente, eles já despertavam um ódio inexplicável e nos estimulavam a agir de tal modo que de outra forma, sem essa influência, provavelmente não agiríamos. Eu me transformo em uma pessoa pior quando uso os apps oficiais do Twitter por alguns dias seguidos. O fenômeno é quase palpável de tão visível. Depois, com o devido distanciamento, sinto-me mal novamente, desta vez remoendo as coisas que escrevi e as respostas que dei ali dentro.

É um sem fim de números, de anúncios apelativos, de ruído de gente que não sigo e de quem não tenho interesse em saber absolutamente nada aparecendo na tela para disputar a minha já fragilizada atenção naquele ambiente. Um dilema particular que enfrento é deparar-me com tweets do Felipe Neto toda vez que acesso o Twitter por um app oficial. Toda. Vez. Eu não sei o que fiz ao Twitter para merecer isso, mas se o objetivo deles é me castigar por qualquer malfeito, colocar esses tweets não solicitados diante dos meus olhos assim que abro o site ou app é extremamente efetivo. É uma versão leve — mas nem por isso agradável — do que imagino seja o purgatório.

Print do Twitter mostrando um tweet do Felipe Neto.
Livrai-me deste mal, padre. Imagem: Twitter/Reprodução.

A mudança do layout do Twitter foi embasada em razões técnicas, mas parece também atingir alguns objetivos importantes aos negócios, como o de colocar mais slots de anúncios em contato com o usuário. Pode ser só impressão, mas parece que as quantidades de anúncios exibidos e locais possíveis de inseri-los aumentaram na nova interface à custa do conforto do usuário. E ela consolida a timeline algorítmica, que volta a ser exibida mesmo quando o usuário opta por vê-la em ordem cronológica.

“Comecei a notar como quando eu acessava o Twitter pela manhã, eu ficava mais explosivo, mais agressivo, mais propenso a ser grosseiro com as pessoas. Reclamão mesmo”, relembra Luciano Ribeiro, 32 anos, de São Paulo (SP). Ele trabalha em uma publicação online, o que faz do Twitter parte da sua rotina profissional. “Há um caráter imediato, uma ansiedade que surge quando você vai vendo as respostas e vai reagindo cada vez mais rápido pra não perder o timing das coisas”, explica. “E tudo se intensifica, ao meu ver, quando me engajo mais e mais em motivos de revolta (que não faltam atualmente, vamos convir). A rede também parece estimular esse comportamento, só me alimentando com aquilo que me deixa indignado”.

No caso de Ribeiro, os efeitos nefastos do Twitter se somaram a uma crise de burnout/depressão. Afastar-se o ajudou: “Não sei se há uma relação direta, mas de fato, depois que reduzi meu consumo de Twitter após esse evento, meu estado mental melhorou bastante”.

O estudante de jornalismo Tynan Barcelos, 22 anos, de Campo Bom (RS), também percebe mudanças drásticas de humor desengatilhadas pelo Twitter: “Diversas vezes tu está com um humor ‘A’, entra no Twitter, dá uma rolada na timeline, e sai com um humor ‘Z’. É um desequilíbrio muito assustador”.

Ataques coordenados

Simplesmente usar o Twitter é capaz de gerar grande desconforto, mas algo pior pode ocorrer ali dentro: tornar-se alvo de ataques de grupos coordenados ou de hordas agressivas difusas. Se o desconforto interno já é ruim, receber uma enxurrada de xingamentos, hostilidades e até ameaças, além do óbvio medo de que algumas dessas sejam cumpridas, azeda o clima a ponto de motivar abandonos da plataforma, como o do padre Fábio de Melo.

Há estudos que apontam que as redes sociais nos deixam mais deprimidos e afloram sentimentos extremos, como a raiva e a indignação, que por sua vez “engajam” melhor na internet. Na terminologia das redes sociais, “engajar” significa instigar os usuários a executarem alguma ação na plataforma. A mera atribuição de sucesso ao agir denota um descompasso com a comunicação — o consumo passivo é tido como ruim e indesejado. Não basta ler, assistir ou ouvir, ou seja, informar-se; é preciso que as pessoas cliquem, curtam, respondam, retuítem, pois só assim a roda continua a girar. Como as redes sociais são plataformas que não produzem conteúdo, é preciso que alguém faça o trabalho de abastecê-la, preferivelmente de graça. E como os conteúdos extremistas repercutem mais, as redes recompensam melhor quem se joga nos absurdos e com isso fecha o ciclo vicioso que faz do Twitter, do Facebook, do Instagram — dê o nome que quiser — ambientes radioativos capazes de estragar o dia de alguém que os acesse.

Não é à toa que nos últimos anos o Twitter virou a ferramenta de comunicação favorita de políticos populistas, teóricos da conspiração e neonazistas, além de ter virado um dos vetores ideais para perseguições, doxxing, bullying e linchamentos virtuais de toda sorte. Tudo isso é sintomático.

As redes sociais, o Twitter em especial, são facilmente “armorizadas”, ou seja, transformadas em armas por grupos de interesse. Isso gera situações como o ataque coordenado por temas banais e a ascensão de hashtags absurdas que emplacam nos trending topics com a participação de robôs ou pequenos grupos coordenados. Com a ênfase que os trending topics têm nas interfaces dos apps oficiais, a lógica deles se subverte e o que deveria refletir a realidade passa a moldá-la. Há tanta coisa que o Twitter poderia fazer no combate a esse problema, como identificar perfis automatizados/robôs. Nada é feito, porém, se tiver como resultado diminuição no “engajamento” e, consequentemente, no faturamento.

Casos como o do padre Fábio de Melo chamam a atenção pela notoriedade do afetado, mas sobram histórias de gente menos famosa vítimas de ataques em massa no Twitter.

No mesmo dia em que o padre anunciou sua aposentadoria como tuiteiro, a jornalista Tai Nalon se viu alvo de ataques coordenados no Twitter por conta de um piada simples, dessas que o Twitter recebia bem até alguns anos atrás. Não mais. “Influenciadores da direita encontraram o tweet, jogaram para seus seguidores sem contexto e assim começou a chuva de xingamentos”, contou ela ao Manual do Usuário. “Só me acendeu o sinal amarelo, na realidade, quando comecei a receber mensagens particulares no Instagram de homens me convidando para ‘me dar um trato'”.

Nalon diz que usar o Twitter tem sido um desgaste há pelo menos três anos, “quando alguns grupos extremistas organizados começaram a se dar conta de que, ao atuarem em bando com xingamentos e doxxing, poderiam interditar o debate nas redes”. Por conta do seu trabalho à frente do Aos Fatos, publicação de checagem de fatos parceira do Facebook no Brasil, ela e sua equipe já receberam ameaças de morte. O episódio recente da piada foi o primeiro motivado por um comentário pessoal. Nalon contou que até o momento “nenhuma ação foi tomada pelas plataformas [Twitter e Instagram]”.

A omissão do Twitter

Há uma frase clichê, dessas que infestam o LinkedIn e outros becos escuros da internet, que diz que “se você não está pagando, então você é o produto”. Ela é discutível, mas aponta para questionamentos interessantes de serem feitos sempre que uma grande empresa de capital aberto toma decisões que parecem — e, não raro, são — ruins ao usuário. Qual é o objetivo? A quem ela quer agradar?

A impressão que fica é a de que o Twitter trabalha exclusivamente para satisfazer seus clientes. Não, não eu, você, o padre e a jornalista; os anunciantes. A hipótese ganha força ao constatarmos quem paga a conta: no segundo trimestre de 2019, resultado mais recente disponível na publicação desta matéria, 86,4% da receita do Twitter veio da publicidade e a empresa lucrou pelo sexto trimestre consecutivo após anos derrapando em números irregulares e prejuízos sucessivos.

Só que a fórmula do lucro inclui ingredientes como passar pano para neonazista, fazer a egípcia para abusos explícitos e colocar as externalidades do bom desempenho financeiro na conta da saúde mental e da segurança física de uma parcela dos usuários. Não por acaso, é a mesma usada por todas as outras grandes plataformas de redes sociais bem sucedidas, do Facebook ao YouTube.

Jack Dorsey, cofundador e CEO do Twitter, é famoso por conceder entrevistas desconexas, pregar hábitos saudáveis no mínimo questionáveis e apontar problemas óbvios no produto da sua empresa — ele já manifestou, por exemplo, que acha que o botão “curtir” é um erro. Quando um caso de violação flagrante das regras envolvendo poderosos explode, porém, faz-se um contorcionismo intelectual inacreditável para justificar o injustificável e poupar o infrator de quaisquer consequências. Este padrão se repete no Brasil. Nos meses que precederam as eleições de 2018, as ameaças e ataques à equipe do Aos Fatos se intensificaram. Nalon lembra que “os ataques foram insuflados por influenciadores, e plataformas como Facebook e Twitter retaliaram alguns perfis pequenos, mas dificilmente vão atrás de quem efetivamente impulsiona os ataques”.

Dorsey vive filosofando sobre o serviço que comanda enquanto o mundo arde em chamas com o Twitter servindo de gasolina. Refletir é essencial, mas agir também.

Recentemente, alguns usuários de diversas partes do mundo mudaram seus perfis no Twitter para a Alemanha. Motivo? Leis locais que datam do pós-II Guerra Mundial e que foram atualizadas em 2017 para contemplarem redes sociais exigem que elas removam conteúdo nazista em até 24 horas sob pena de serem multadas em até € 50 milhões. Embora a legislação não elimine por completo esse tipo de conteúdo do Twitter alemão, “é bem verdade que há menos conteúdo nazista disponível aqui [na Alemanha em relação aos Estados Unidos]”, disse Jillian York, diretor geral para a liberdade de expressão da Electronic Frontier Foundation na Alemanha, à reportagem da CNBC.

Se na Alemanha é possível, por que não replicar o trabalho feito lá por força legal ao restante do mundo?

Paliativos

Apesar do potencial destrutivo do Twitter, o serviço ainda é uma boa fonte de informações em tempo real, o que configura uma situação curiosa: vista com algum distanciamento, é como se a direção do Twitter estivesse seriamente disposta a destruir o produto, ou as características que o tornam valioso em primeiro lugar.

Para evitar linchamentos virtuais, muitos empregam a autocensura, excluindo o histórico de tweets ou se omitindo de tecer comentários quaisquer no serviço. Para Nalon, “a autocensura é a melhor [estratégia], sem dúvida, mas isso não contribui para debates que precisam ser travados em público”. Ela usa filtros de notificação, recurso que oculta comentários de contas recém-criadas ou não verificadas por e-mail ou telefone, mas afirma que a eficácia deles é limitada: “[Os filtros] não são tão eficazes quando uma horda vem te atacar, porque muitos aparecem nas respostas”, conta.

O problema não é exclusivo do Twitter: “O Instagram também não tem nenhuma ferramenta funcional que bloqueia marcações de gente desconhecida em posts”, explica.

Para quem o problema é sentir-se mal acessando o Twitter, o problema maior são os apps oficiais. Vinha usando eles para monitorar curtidas e retweets (a mudança na API limou a exibição de curtidas no Tweetbot) e para compor fios (ou “threads”, se você é dos anglicismos), algo que, justiça seja feita, é mais fácil por ali do que no Tweetbot. Só que não dá mais. De verdade — e não digo isso como hipérbole —, para mim a experiência oficial do Twitter virou um negócio insustentável. O custo é muito alto.

Em um mundo ideal, o Twitter trabalharia para melhorar o produto para o usuário. Não vivemos nesse mundo. O que nos cabe, por ora, é buscar por caminhos alternativos mais saudáveis para conseguir extrair valor do Twitter. Cabe aqui uma analogia com a mineração: é como se os tesouros do Twitter estivessem, agora e cada vez mais, encrostados em camadas mais profundas do solo, o que demanda mais trabalho, maior gasto energético e muita paciência de quem precisa ou acha válido o esforço para desenterrá-los, além de cuidado para não ser soterrado pelo chorume que escorre com cada vez mais força das paredes.

Desde 2012, o Twitter tem feito um trabalho incansável para centralizar o uso da sua plataforma nos apps oficiais a fim de exibir anúncios. Fuja desses apps. Não por causa dos anúncios, mas pela apresentação e elementos da interface que fomentam o nervosismo, a indicação e pouco fazem para combater padrões de uso danosos.

Hoje, a única maneira de acessar o Twitter sem perder a sanidade — e digo isso quase literalmente — é por apps de terceiros. Sem surpresa, este caminho tem se revelado cada vez mais difícil de seguir.

Print do Tweetbot.
Só o Tweetbot na causa. Imagem: Tweetbot/Reprodução.

Em agosto de 2018, o Twitter martelou o penúltimo prego no caixão (falta proibi-los de vez) nos apps de terceiros que replicam as funcionalidades nucleares dos oficiais: mudanças em uma API acabaram com notificações push e atualizações automáticas da timeline. Quatro apps, Talon, Tweetbot, Tweetings e Twitterrific, uniram-se para pedir uma revisão das mudanças. Foram solenemente ignorados.

Combalido e sem algumas funções a menos, o Tweetbot, minha escolha pessoal, segue funcionando para o básico. Não há contadores na tela operando como gatilhos para ansiedade e outras sensações ruins. Nele, posso colocar uma lista qualquer como timeline principal (no macOS; no iOS, não). Muito antes dos apps oficiais, já era possível deixar perfis que sigo mudos. Tudo isso com um design de bom gosto, notificações pontuais (nada de “@fulano está tuitando sobre #hashtaginútil”) e, acima de tudo, respeito por quem o usa. No Tweetbot, o Felipe Neto jamais aparece do nada na minha frente.

Se você usa Android, uma boa pedida é o Talon, que a exemplo do Tweetbot também é pago. E no computador tem o gratuito TweetDeck, do próprio Twitter. Por algum milagre, o Twitter mantém o TweetDeck atualizado e infinitamente menos odioso que os apps oficiais. Por enquanto.

E, obviamente, em casos mais extremos não resta alternativa que não sair. Como fez o padre Fábio de Melo. “Já percebi, porém, que não importa muito tomar cuidado, já que algumas pessoas serão atacadas independentemente do que dizem ou fazem”, diz Nalon, que segue no Twitter apesar de tudo. “Eu posso comentar que o tempo está nublado, que sempre vai vir uma mensagem de algum desconhecido falando que ‘é porque a extrema imprensa só serve pra criticar, sua comunista'”.

Foto do topo: Suelen Miranda/Wikimedia Commons. Montagem: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

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27 comentários

  1. O Twitter é um bom exemplo do que a humanidade sem qualquer regulação e medida que freie seus impulsos é capaz de se transformar

  2. O perfil do Twitter é esse, ser efêmero e rápido. A interface é pensada para que todo mundo “fale” o máximo que puder, da forma ágil e direta possível! Acabamos comprando essa necessidade do imediatismo, e infelizmente não fomos feito pra lidar com tanta informação desse jeito e “manipulada”!

  3. No fim do ano passado eu resolvi dar uma parada nas redes sociais, eu vejo que a ‘necessidade’ de postar algo todo dia, ou mesmo, olha o que os outros estão fazendo, sumiu. Por ironia do destino meu celular quebrou a duas semanas e eu estou achando isso incrível. Quando quero falar com alguém tenho 3 opções, email, messenger(já que tem um site só pra isso m.me) ou o velho olho no olho. Assim eu vejo que as relações mais importantes continua, pois no facebook nunca adicionei desconhecidos, apenas familia e poucos amigos, logo não tem gente estranha mandando mensagem ou grupos da faculdade.

    A coisa mais estranha e boa foi que pensava muito no que iria fazer se meu celular quebrasse de vez. Agora eu penso que tenho mais tempo livre e os dias não são tão atarefados. Não tem ligação de bots e marketing. \o/

    Ps.: Usei mais o twitter em 2014-2015 depois parei, sem nenhum motivo especial.

  4. A minha sensação é que as redes sociais nunca ofereceram uma etiqueta de internet. Quando eu comecei a usar fóruns na Internet, você acessava as regras primeiro. Quando eu comecei, eu fazia muita merda, mas recebi uma notificação bem grande, de um moderador que usava a foto do Darth Vader. Nunca mais vacilei naquele fórum.

    Eu até hoje tenho uma certa ansiedade de dar uma opinião, principalmente política. Eu reconheço que já falei muita merda, e que estou disposto a mudar de opinião. O problema é que, tanto na vida real quanto na vida virtual, eu sinto que sou menosprezado por ter uma opinião “inferior”. É raríssimo eu receber uma explicação, mastigada ou não, sobre um ponto de vista diferente. Para não ser assim, é necessário domínio do que está falando, algo que é muito raro, e educação, coisa mais rara ainda.

  5. Realmente sinto um peso ao acessar o Twitter todas as manhãs. É um uma enxurrada de coisas não legais, de tweets de gente que não sigo, de radicais pros dois lados. Muito ruído.
    Ultimamente, venho tentando reduzir o uso da rede, ou deixar apenas algumas colunas com listas no tweetdeck – além de manter um perfil privado com pouquíssimos seguidores. Lá é minha bola só com gente que conheço e me importo.

    1. O problema é que nesta época, todo mundo queria que não levasse a sério piadas (assim nascendo o CQC… e o resultado, bem… colhemos nos dias atuais…).

  6. Rodrigo, excelente artigo!
    Por favor, se puder, fale num artigo sobre o feed do app do Google, no Android. Não sei se é só comigo, mas ele só traz notícias trágicas e ou que incitem ódio (e também notícias vazias sobre celebridades).
    Valeu!

    1. Você desativou a personalização do Google? Ouvi falar que quando os serviços de personalização são desativados é que isso acontece (talvez ele passe a exibir o que o algorítimo considera que pode interessar a maioria das pessoas — e, de fato, infelizmente notícias sensacionalistas tendem a ter mais apelo).

      1. Sim, eu havia desativado, mas depois ativei novamente, mas continua as mesmas matérias (embora, algumas coisas do meu gosto pessoal, também são incluídas).

  7. Eu encontrei uma forma de continuar a usar o Twitter:

    – Deixei de seguir todo mundo, ou seja, não tenho mais timeline
    – Organizei os perfis em listas
    – Uso o TweetDeck no desktop

    Dessa maneira tenho as listas em ordem cronológica e sem propagandas.

    No telefone, apaguei o aplicativo do Twitter e criei favoritos no Safari apontando pras minhas listas.

    A próxima etapa é testar o Tweetbot pra ver como se sai.

    1. Apaguei meus comentários bem antigos e deixei de seguir todo mundo que seguia antes (mais de 1.000 pessoas).
      Atualmente só sigo 100 pessoas/sites e não interajo com a maioria. Minha meta é que o Twitter volte s ser minha timeline de notícias. E só!
      O chato é que até isso a imprensa conseguiu estragar. Várias reportagens e chamadas enviesadas que tiram o interesse de se aprofundar no assunto. Tempos sombrios!

  8. O ambiente tóxico não é mais exclusividade das redes sociais. Os portais de notícias como O Globo, G1, Estadão, Folha, Veja, Brasil 247, Carta Capital, etc. também estão contribuindo para ansiedade e depressão de seus leitores. Não é mais função desses canais só de informar o cidadão mas criar uma percepção do mundo conforme suas narrativas (e a percepção é a pior possível). Eu parei de acessar todos esses portais faz duas semanas e eu me sinto uma pessoa menos ansiosa e com muito mais energia pra fazer outras coisas pessoais.
    Eu era frequentador assíduo do Orkut, nunca tive Twitter ou Instagram e tenho conta no Facebook que nunca dei atenção e deve fazer anos que não entro lá.

    1. A gente vive em um ambiente tóxico hoje, então é difícil noticiá-lo de outro modo. Ainda acho que os jornais levam vantagem em retratar o mundo de uma maneira que instigue menos o ódio. Sim, sempre tem uma manchete ou tirada, principalmente de colunistas, que desperta a vontade de xingar até a quinta geração de quem escreveu, mas no geral é muito melhor acompanhar as notícias por jornais do que por jornais + redes sociais ou apenas por redes sociais.

      Sobre isso, aliás, recomendo este outro material do Manual: Ficar bem informado sem depender de redes sociais e do WhatsApp é possível. Veja como.

  9. Eu adotei um esquema que avalio ter se provado eficaz para, pelo menos, aumentar a qualidade do meu feed principal e reduzir meu desconforto de uso. Deixei de seguir perfis de marcas ou personalidades públicas e só passei a seguir gente que eu realmente conheça (e interaja!) na vida real. Pelo menos assim, o recorte temático me fica bastante orgânico e eu me sinto mais a vontade de iniciar uma interação (e também mais comedido, já que meu interlocutor é alguém fisicamente conhecido). Entretanto, para não perder o conteúdo interessante gerado pelos perfis rodados artificialmente, separei-os por listas temáticas: tecnologia, economia, política, humor e sátira, arte e filosofia etc.. Dá para adicionar perfis nas listas sem ter que seguí-los. Dessa forma, eu apenas consumo esse conteúdo artificial, que costuma ser mais ruidoso do que o orgânico, sob demanda e de forma mais moderada e seletiva (há uma grande diferença entre, consciente e decididamente, abrir uma lista de conteúdo temático e já, prévia e artesanalmente, categorizado, do que deixar o algoritmo do twitter mastigar e digerir para você, secreta e interesseiramente, a decisão sobre que conteúdo consumir, rolando um infinito ruidoso e inevitável de caracteres, tematicamente caóticos, até uma desapercebida e, provavelmente induzida, exaustão crítica). Não resolve ainda o problema dos anúncios forçados, nem também, se mantido o perfil como público, me protege de ataques sectários (que, que bom, nunca sofri), o que é uma pena. Tampouco anula o efeito estressor e viciante das redes (vira e mexe, desativo o perfil para me concentrar melhor em projetos importantes da vida real ou só para colocar a cabeça no lugar mesmo). Ainda assim, acredito que foram contra-medidas eficazes para melhorar a qualidade do meu feed e minha experiência de uso, em relação ao que era anteriormente.

    1. Eu também fiz uma lista de pessoas que conheço e interajo pessoalmente e me ative a ela. Melhora mesmo o uso, mais ainda se for por um app que não o oficial (uso o Tweetbot, mas dá para fazer o mesmo no TweetDeck).

  10. Comecei a usar o Twitter ano passado eu achava a rede social bem legal no começo. Pois tinha saído do Facebook que já tava defasado. Depois de um ano de uso se eu entrar um vez por mês é muito depois das eleições o twitter virou um inferno, também percebi aumento nos anúncios na versão web. O app do twitter para android é muito ruim usei poucas vezes excluir do nada travava.
    Ainda não tenho Instagram pensei em criar mas depois de ler alguns artigos neste blog que conheci por acaso há pouco tempo e um documentário chamado Privacidade Hackeada você para e pensa será que eu quero participar disso?
    Uma das coisas que mais tem nas três redes sociais em comum é a fofoca todo mundo quer saber uma novidade de fulano e sicrano, risos. E quando você não tem ou não usa você fica de fora dessa bolha que é alimentada 24 horas. Para mim é a melhor coisa de não usar essas redes está de fora é muito bom e não querer saber da vida do outro ou o que o outro tá fazendo também.

  11. Usava muito o Twitter desde 2009 e era a minha rede social preferida. Meu principal foco era o consumo rápido de notícias, seguindo perfis sobre o Palmeiras, tecnologia e política. O ponto final da minha relação com o Twitter foi a invasão de anúncios patrocinados e o feed personalizado. Se houvesse uma opção de pagar cinco reais por mês por um feed limpo, em ordem cronológica inversa e com aplicativos sem os botões “comentar, curtir, retweetar” eu pagaria facilmente e voltaria a usar muito a plataforma. Infelizmente, esse não é o caminho que se apresenta, então a saída foi parar de seguir todo mundo, entrar bem de vez em quando só para ver um ou outro perfil e em breve deletar a minha conta – Facebook e Instagram já foram pro saco, só falta Twitter e LinkedIn.

  12. Ótimo Ghedin! O que eu tenho feito no Twitter é, não entrar em discussões e se entrar ignorar as respostas e outra é não ler o que pessoal está respondendo em determinado tuíte. Dessa forma tem melhorado para mim o uso dessa rede social que gostamos para se manter atualizado. Estou pensando em parar de seguir algumas contas também.

    Acredito que aos poucos vamos criando maneiras de usar as redes sociais sem ficar irritado com o que vemos. Não é fácil e, para jornalista está mais difícil ainda.

  13. Uso o twitter direto via web, geralmente regulando os filtros ao máximo e silenciando quaisquer perfil de propaganda.

    Admito que meu erro é entrar em conversas e gerar coisas inúteis. Só que tenho que botar na cabeça que virou vício estar online conversando, mesmo sendo um papo sem sentido.

    Em compensação, como meu “Fred” montei de forma bem consciente e tento sempre travar o modo de exibição para ” mais recentes “, ao menos a qualidade do feed que tenho é razoável. Geralmente silencio “inutilidade” e bloqueio (e denuncio) seguidores ou arrobas encrenqueiras.

    É uma forma de aprender separar joio do trigo.

    1. Creio que este é o ponto que este texto traz.

      Se o ambiente social permite a proliferação de comportamentos tóxicos, a culpa é do ambiente (teoria das janelas quebradas).

      Quando é permitido que comportamentos negativos se proliferam em um ambiente, é difícil combater posteriormente.

      Lembro-me que quando por um tempo ajudei o gizmodo com uma brincadeira com a interação nos comentários, tempos depois notei que tanto o que eu fiz contribuiu para a manutenção de comentários ruins ao ambiente, e desde então foi difícil a recuperação.

      O Ghedin, desde o início do MdU, sempre fora prestativo neste ambiente, regulando diretamente usando seu comportamento como exemplo.

  14. Impecável. Obrigado pelo texto, Ghedin. Apesar dos pesares o Twitter era meu refúgio de rede social na web, mas está ficando cada dia menos proveitoso e a nova interface me distanciou ainda mais. Espero que o passarinho azul mude logo novamente.

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