Como o produtor de conteúdo Startup da Real trabalha

Foto do personagem Nelson "Big Head" Bighetti, da série "Silicon Valley".
Nota do editor: Nesta seção, a cada 15 dias entrevisto profissionais de diferentes áreas a respeito de produtividade e da relação deles com a tecnologia. Veja os anteriores.


  • Nome: Startup da Real. [Nota do editor: A foto acima também não é verdadeira.]
  • Cidade onde mora: Por causa do anonimato, não posso falar a cidade.
  • Emprego atual: Trabalho em uma startup e faço todo o trabalho de produção de conteúdo do Startup da Real: newsletter, podcasts, mídias sociais, livro, textos, imagens.
  • Computador: MacBook Pro de 15 polegadas.
  • Celular: iPhone XS.
  • Gadget favorito: iPad Mini 3. Acabei vendendo, mas eu gostava muito dele. Era uma das peças de tecnologia que mais me empolgava em usar.

Como você chegou onde está?

Minha formação é Sistemas de informação. Trabalhei por mais de dez anos com tecnologia e grande parte da minha carreira com consultoria privada para órgãos públicos. Deixei essa carreira para trás e fui estudar empreendedorismo fora do país. Quando voltei, os negócios que tentei não foram para frente. A necessidade de pagar as contas me fez procurar um novo emprego. Juntando a experiência em TI com os recentes estudos em empreendedorismo, acabei entrando em uma startup onde consigo juntar um pouco dessas duas habilidades. Também cursei Física por três anos e Filosofia por um ano, mas pela rotina de trabalho precisei deixá-las de lado.

Comecei a fazer piadas no twitter com o perfil e acabou que as pessoas gostaram e se identificaram.

Como é um dia típico de trabalho seu?

Quando eu trabalhava no escritório, tinha uma rotina mais sólida. Acordava cedo para ler um pouco, fazer café e ir para academia antes do horário de trabalho — na época, cursava Filosofia à noite. Hoje eu trabalho de home office, então existem algumas coisas diferentes. O normal é acordar antes das 8h, para conseguir cuidar do Startup da Real e adiantar algumas coisas do perfil. Quando o relógio bate 8h, eu me conecto ao chat da empresa e começo a definir com a equipe o andamento das atividades do dia.

Como passo o dia em casa sem ninguém para interromper, acaba sendo bem fácil me concentrar e fazer o que precisa ser feito, removendo a necessidade de muitas técnicas para organização. Para agenda — reuniões e compromissos — uso o Google Agenda; toda a parte do trabalho da equipe é organizada via Trello; e os arquivos e materiais estão no Google Drive. Também usamos o Hangouts Chat, o comunicador corporativo do Google.

Passo o dia inteiro no computador e o celular tem pouca influência no meu dia. Acabo usando mais quando preciso fazer alguma coisa pessoal fora de casa e acabo recebendo as notificações pelo telefone para resolver algum problema pontual. Celular eu uso basicamente para Twitter e Instagram do @startupdareal. Fora isso, não uso tanto assim.

A melhor parte da rotina é poder cozinhar todos os dias, almoçar comida de qualidade e sem pressa. Também posso tirar um cochilo na hora do almoço e manter um pouco da qualidade de vida sem me preocupar com deslocamentos.

Alguma história curiosa ou engraçada que já aconteceu enquanto trabalhava?

Não consigo pensar em nada no momento, mas tem um fato curioso que acontece no escritório da empresa onde trabalho. O escritório fica na beira da praia em Florianópolis (SC) e o pessoal comprou alguns botes para apostar corrida na água, remando, na hora do almoço. Como fico de home office e vou bem pouco ao escritório, a primeira vez que vi um story disso acontecendo eu fiquei algumas horas rindo do absurdo.


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Você dá muita atenção à produtividade? Se sim, de que maneiras práticas isso se traduz em sua rotina?

Por muitos anos, tive quase obsessão pelo assunto. Testava métodos, fazia listas, mapas mentais, pomodoros e tudo o que eu encontrava sobre o assunto. Mas com o passar do tempo, percebi que na maioria dos casos essas técnicas acabam criando uma complexidade que mais atrapalha do que ajuda. Em alguns casos, para problemas específicos, elas podem ser funcionais, mas no geral sentia que gastava mais tempo e energia cuidando dos métodos do que trabalhando. Existia a percepção de produtividade, mas, na prática, o tempo gasto era ainda maior. Hoje não uso basicamente nada.

Qual o seu lifehack (atalho/dica/facilitador) favorito?

É quase uma sequência da pergunta anterior. Entendi que a melhor forma de me manter produtivo é dizendo não para o que realmente não quero fazer. Meu lifehack hoje é ter “não” como resposta para tudo, a menos que seja algo que realmente me dê uma grande vontade de fazer.

Você consegue se desconectar de vez em quando?

Antes do projeto do Startup da Real, já vivia uma vida bem menos conectada. Não usava computador em casa, assistia a muitos filmes e séries sem precisar tocar no aparelho, mas o Startup da Real acabou mudando isso. Como muito do meu engajamento acontece junto com algum acontecimento, existe esse impulso de ficar verificando e respondendo. Preciso resolver isso. No mais, aos finais de semana e fins de noite tento ficar com minha esposa e não usar tanto tecnologia.

Quais aplicativos não saem da tela inicial do seu celular?

Eu uso poucos aplicativos, para ser honesto. O que tem na minha tela inicial é o Twitter, por causa do Startup da Real; o Instagram, pelo mesmo motivo; e o chat da empresa para alguma emergência.

Você tem algum projeto paralelo? Se sim, fale um pouco sobre ele.

A pergunta aqui fica curiosa porque estou falando basicamente sobre o meu projeto paralelo. Startup da Real é um projeto que começou com um perfil no Twitter criticando com humor os problemas do empreendedorismo de startups e acabou crescendo. Hoje tem uma newsletter paga, um livro que está na segunda edição e também perfil no Instagram. Existe receita e muito trabalho pra manter tudo rolando.

O que você está lendo no momento?

Eu tenho lido livros de gastronomia ultimamente. Na minha mesa tem Ramen fusion cook book, do Nell Benton; Simply Ramen, da Amy Kimoto-Kahn; Let’s make ramen, de Hugh Amano e Sarah Becan; Ivan ramen, de Ivan Orkin; e Japanese soul cooking, de Tadashi Ono e Harris Salat.

Pratica atividade física (qual?) e/ou tem algum cuidado especial com a saúde?

Hoje em dia eu treino levantamento de peso. Faz alguns anos que pratico powerlifting, mas agora tenho treinado também levantamento de peso olímpico.

Que conselhos você daria a alguém interessado em seguir carreira na tua área?

Produção de conteúdo é uma área mais trabalhosa e menos glamurosa do que parece. Os resultados demoram bastante para chegar e muitas vezes tudo isso é bem desanimador. O melhor conselho que alguém pode dar é para apostar na consistência. Manter-se fazendo tudo o que precisa fazer, olhando para frente, entendendo que todo trabalho, cada vídeo, texto, tuíte, postagem no Instagram ou seja lá qual for o meio trabalhado, vai somando para virar algo maior e mais sólido no futuro.

Manter-se consistente e fazendo o que precisa fazer é o melhor conselho para quem produz conteúdo para internet.

Startup da Real é produtor de conteúdo. Encontre-o no Twitter, Intagram e Medium.

Foto do topo: Warner/Divulgação.

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9 comentários

  1. Eu me identifiquei bastante com o perfil do startup da real. Mas depois que ele virou um militante político de esquerda lá no twitter, eu sai fora.

      1. Normalmente nerd são assim per se, ligeiro. Alguns fogem da curva quando abraçam causas mais sociais e/ou tem contato com pessoas de fora dessa bolha amalucada de classe média/alta de onde a maioria desses nerds vem. Mas não é a regra (pelo contrário).

          1. Pior que uma olhada nos stories do próprio @StartupDaReal vai te mostrar isso. O pessoal acha que ele é “de esquerda” só porque ele é contra algumas maluquices do atual neoliberalismo maluco.

            Chega a ser distópico ler o que o pessoal escreve.

        1. O cara defende o livre mercado, capitalismo e startupismo.

          Ser de esquerda virou uma panaceia ultimamente.

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