Sobre podcasts, jornalismo de tecnologia e o ano de 2019

No último Guia Prático do ano, um especial. Nesta edição, Rodrigo Ghedin, Guilherme Felitti do Tecnocracia e os amigos do Gizmodo Brasil, Guilherme Tagiaroli e Giovanni Santa Rosa, se reunem para conversar sobre podcasts (um “meta-podcast”!), jornalismo de tecnologia, o que aconteceu em 2019 e o que esperamos de 2020. Bônus: participações especiais de amigos que ajudaram a fazer o Manual do Usuário este ano.

Links citados no programa

Em 2019, a briga para manter os monopólios se tornou explícita

Roger McNamee é um dos sujeitos mais impactantes do mercado de tecnologia de quem você nunca ouviu falar. No seu primeiro trabalho na área, no começo da década de 1980, ele liderou investimentos na Electronic Arts. Quando foi trabalhar em um dos fundos mais tradicionais do Vale do Silício, o Kleiner Perkins, McNamee se envolveu em investimentos feitos em um navegador chamado Netscape e em uma loja online chamada Amazon. Ambos os negócios se tornaram gigantescos, mas é sempre bom frisar que quem começou o frenesi financeiro da internet foi o Netscape, o primeiro navegador gráfico para usuário final da história.

O histórico de acertos do McNamee era tão sólido que ele fez o que qualquer um com naquela posição faz em sua área: para que trabalhar para os outros se eu posso colher os frutos todos para mim? Em 1999, ele fundou a Silver Lake Partners com outros sócios e passou a farejar o mercado atrás de negócios com potencial.

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O fator nostalgia do Motorola Razr; as “soluções” de Google e redes sociais para anúncios políticos mentirosos

Neste Guia Prático, Rodrigo Ghedin, Giovanni Santa Rosa e Alessandro Feitosa Jr. falam do fator nostalgia que a indústria com frequência usa para chamar a atenção e vender mais. O novo Razr da Motorola é o último e dos melhores exemplos: adapta o visual do passado com tecnologia de ponta e, apesar dos problemas e preço elevado, tem chamado muito a atenção.

No segundo bloco, falamos de anúncios políticos em redes sociais e no Google. Começou pelo Facebook, que em outubro anunciou que deixaria de checar a veracidade de anúncios de políticos. A medida foi duramente criticada e acabou servindo de tabela para que empresas rivais se posicionassem: o Twitter baniu anúncios políticos, a Snap afirmou que verifica todos os da sua plataforma Snapchat e, por último, o Google anunciou que limitará a segmentação demográfica, ou seja, por características do usuário, em anúncios políticos, começando já nas eleições de meio termo do Reino Unido na semana que vem. Qual é a melhor abordagem? Existe alguma melhor?

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O governo deveria proteger seus dados, mas é excelente em expô-los

Toda profissão depende de informação, mas algumas dependem mais do que outras. Um cirurgião, por exemplo, precisa conhecer os novos métodos e equipamentos na sua área, mas a maneira como ele vai operar se mantém mais ou menos a mesma. A informação é importante, mas não é o eixo ao redor do qual a profissão gira.

Existem profissões onde o principal capital é a informação. Jornalismo, por exemplo. Você vive para buscar, contextualizar e reportar informações. Não é a única atividade que segue a regra. Investidores também precisam consumir vorazmente informações para tomar decisões sobre o que fazer com aquela ação — vender por que a perspectiva é uma merda ou comprar mais já que o futuro tende a ser brilhante. Quer outra? Vigaristas, estelionatários e bandidos.

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Startups e fundos se comprometem com a Arábia Saudita; Mastodon e WT:Social: as redes alternativas da vez

No Guia Prático de hoje, Rodrigo Ghedin e os amigos do Gizmodo, Guilherme Tagiaroli e Giovanni Santa Rosa, falam do papel cada vez maior da Arábia Saudita no financiamento das startups e fundos de tecnologia, uma tentativa de diversificar a enorme riqueza extraída das suas reservas de petróleo. A relação é controversa; enquanto startups e empresas de tecnologia prometem salvar o mundo, são financiadas por um regime que manda esquartejar jornalistas, decapita pessoas em praça pública e restringe direitos às mulheres.

No segundo bloco, falamos de Mastodon e WT:Social, novas redes sociais que despontam como alternativas às comerciais, em especial ao Facebook. Parece que todo ano pelo menos uma nova surge com a mesma promessa. Desta vez será diferente? E por que é tão difícil estabelecer uma alternativa às redes comerciais?

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Facebook promete salvar o jornalismo (de novo); A aceleração dos celulares com o Moto G8

No programa de hoje, Rodrigo Ghedin e os amigos do Gizmodo Brasil, Guilherme Tagiaroli e Giovanni Santa Rosa, falam da nova aba de notícias do Facebook, o Facebook News. É mais uma tentativa da rede social de Mark Zuckerberg de “ajudar” os jornais e dissipar a fumaça de desinformação que paira sobre a plataforma. Vai funcionar?

No segundo bloco, voltamos a nossa atenção ao mercado de celulares e à Motorola, que recentemente lançou o Moto G8, a segunda grande atualização em 2019 da sua principal linha de celulares — algo inédito. A aceleração nos lançamentos de novos aparelhos, comum na China, é o novo normal do setor? Não temos todas as respostas a essas perguntas, mas algumas boas teorias. Ouça aí!

Mande o seu recado para o podcast! Pode ser pelo e-mail podcast@manualdousuario.net ou enviando um áudio no Telegram para @ghedin.

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A sina do Brasil é exportar commodity e a internet não vai mudar isso

No final do século XVII, Portugal tinha um problemão nas mãos.

Em 1695, ano da morte de Zumbi dos Palmares, o outrora grandioso, aventureiro e rico Império Colonial Português parecia estar com os dias contados. Sessenta anos de União Ibérica (a fusão com a Espanha por falta de herdeiros do trono português) e quase um século de guerra contra os holandeses haviam dilapidado os recursos, aniquilado o comércio de especiarias no Oriente e reduzido substancialmente a vastidão dos territórios ultramarinos do reino. A economia do açúcar no Nordeste brasileiro (até então a maior fonte de receita na colônia) estava em crise devido à concorrência dos novos engenhos ingleses, franceses e holandeses na região do Caribe. Os preços caíam em virtude do excesso de oferta. Havia também novos concorrentes no tráfico de escravos, atividade na qual Portugal tinha sido virtualmente monopolista até um século antes. Por toda a costa da África despontavam agora novas fortificações e feitorias de outros povos europeus, incluindo até mesmo suecos, dinamarqueses e alemães.

O trecho vem de Escravidão, um livro fundamental em que Laurentino Gomes mergulha no processo que mais profundamente impactou e moldou a sociedade brasileira. O livro deveria ser leitura obrigatória a todos os brasileiros.

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