TikTok é um filme repetido com final ruim

Montagem com um print de divulgação e o logo do TikTok.

Não tenho — nem pretendo ter — conta no TikTok, a rede social do momento. De fora já dá para saber que se trata de um filme repetido, com o mesmo enredo de outras redes sociais estabelecidas que a antecederam. E, spoiler: o final não é feliz.

Para você que tem mais de 30 anos e pouco contato com jovens, o TikTok é uma rede social criada pela ByteDance que lembra o Snapchat e o Vine no sentido de que é composta por vídeos curtos, boa parte deles com ênfase no entretenimento. Como um leitor que tem conta lá resumiu, “não tem nada sério, reclamação, nada, é só bobiça, 24h de bobiça, e TODO MUNDO fazendo bobiça”.

O grande diferencial do TikTok é a aposta pesada em um algoritmo de recomendação de conteúdo. Enquanto redes mais antigas como as do Facebook ainda sustentam um verniz já meio desgastado de que o usuário tem alguma ingerência no recebimento de conteúdo ao seguir pessoas e marcas de sua preferência, o TikTok reduz ao máximo possível esta variável. “Diferentemente do Instagram ou do Facebook, em que a lógica de seguir pessoas ou páginas ainda tem um peso grande no que você vê na sua timeline, no TikTok é a inteligência artificial que determina tudo”, escreveu Fabricio Macias, CEO da Macfor, uma consultoria de marketing digital, em um artigo enaltecendo o TikTok enviado à imprensa.

Do outro lado, a situação também é mais extrema para quem produz conteúdo. Afinal, com a mesma facilidade com que alça aspirantes a influenciadores ao estrelato, o TikTok torna suas estrelas mais descartáveis, deixando todas à mercê de mais um algoritmo opaco e implacável que os pressiona constantemente para produzirem mais e da maneira que lhe convém.


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O TikTok surgiu na China, já acumula 500 milhões de usuários no mundo inteiro e está há mais de um ano entre os apps mais baixados nos Estados Unidos. Este talvez seja o único aspecto original e genuinamente interessante da rede: o sucesso simultâneo em dois mercados que, até agora, se comportavam como água e óleo.

A ByteDance, ao comprar e mesclar o Musically — outro app chinês, só que feito exclusivamente para o Ocidente — ao seu TikTok, conseguiu a façanha de ter um app popular em seu quintal e do outro lado do mundo, nos EUA. (Em geral, apps chineses só fazem sucesso na China e apps bem sucedidos no restante do mundo não têm vez lá.) E como tudo que faz sucesso na terra do Trump reverbera no Brasil, aqui também já tem muita gente assistindo aos vídeos curtos engraçados dos musers (como são chamados os influenciadores do TikTok) e enxergando um grande potencial para negócios no TikTok, como Macias: “Para as empresas, os musers são ótimas soluções quando o assunto é marketing de conteúdo para um público segmentado. À medida que o TikTok aumentou sua base de usuários, as marcas começaram a anunciar na plataforma por meio do marketing de influenciadores.”

O que me leva a pensar se alguma vez aprenderemos com a história. É surpreendente que o TikTok esteja ascendendo com tanta força justo quando meio mundo questiona o papel das redes sociais algorítmicas ocidentais, como Facebook, Instagram e YouTube, pelo papel e influência que elas tiveram em questões centrais da vida em sociedade, das eleições presidenciais a novos surtos de doenças controladas por vacinas, sem falar em sandices como o terraplanismo.

Por que tamanha euforia com uma rede social que é ainda mais dependente de um algoritmo opaco para distribuir conteúdo?

Seria ingênuo acreditar que o TikTok será eternamente um reduto apenas de bobiças. Lá atrás, quando o Twitter servia de megafone para anunciar atividades mundanas aos seguidores (“Acordei, tomando café ☕️”) e o Facebook para aumentar a rede de contatos na universidade ou mostrar fotos dos filhos a parentes distantes, ok. Era terreno novo, ninguém poderia prever que elas se transformariam em armas de inteligência. Agora? Deveríamos saber que passar de uma rede de bobiças para um caos informacional é o caminho natural dessas redes sociais calcadas em algoritmos e exibição de anúncios segmentados e criadas por uma startup que já recebeu mais de US$ 4 bilhões dos suspeitos habituais (bancos e grandes fundos privados) e vale quase US$ 80 bilhões.

Na Índia, onde 50 milhões de pessoas estão no TikTok, a nova rede já foi “armorizada”: partidários de extrema-direita têm publicado vídeos para propagar boataria política. O TikTok incluiu avisos públicos nos resultados da busca para alguns termos políticos indianos a fim de dissuadir a publicação desses vídeos. Sabemos como esses alertas costumam ser pouco eficazes. Outros tipos de boatos, como este sobre tráfico de humanos, e golpes mais amenos comuns em outras redes sociais também estão se proliferando por lá.

Em outra cena batida deste filme repleto de clichês, veículos da imprensa começam a lançar experimentos dentro do TikTok. “O TikTok salvará o jornalismo?”, pergunta-se. Se tudo der certo e o script for seguido à risca, talvez em algum momento sim, mas em seguida, quando a ByteDance for mais poderosa e abrir seu capital e o TikTok se converter em uma força inescapável para gerar audiência aos jornais, a empresa terá um braço que apoia o jornalismo patrocinando eventos da área e distribuindo migalhas do seu faturamento via programas de fomento como uma forma de reparação capenga de todo o estrago que invariavelmente terá causado à confiança na imprensa e à erosão dos já combalidos modelos de negócio do setor.

Até multa às autoridades por abusos ao lidar com dados dos usuários a ByteDance já pagou! Meros US$ 5,7 milhões ao governo dos Estados Unidos por coletar dados de menores de 13 anos ilegalmente (via Musically), mas tudo bem, é assim que começa. Daqui a alguns anos, talvez, eles cheguem às multas bilionárias — porém ainda assim insignificantes — impostas pela União Europeia. Entrar na mira dos órgãos regulatórios europeus é a nova medida de sucesso para empresas de tecnologia.

Alguém poderia argumentar que nem chegamos ao fim do primeiro ato e já estou prevendo o final deste filme. Obviamente, as chances de eu estar errado são grandes — como sempre —, mas há indícios múltiplos de que estamos diante de uma reprise digna de Sessão da Tarde. Além dos influenciadores, o TikTok já exibe anúncios segmentados e está testando uma expansão para exibi-los fora dos seus apps, tipo o Google.

É difícil encontrar algo que falte à ByteDance em qualquer tipo de comparação a empresas ocidentais mergulhadas em problemas e críticas justificadas. A estrutura, os incentivos e os passos dados pela ByteDance até agora pouco se diferem de qualquer empresa de mídias sociais estabelecida. Não há nenhum tipo de ruptura, de modelo de negócio alternativo, zero indício de que os objetivos e os danos colaterais sejam diferentes dos de um Facebook, Google ou Twitter da vida. Novamente: a gente já viu esse filme dezenas de vezes e ele sempre termina da mesma forma.

Diz-se que o jornalismo tem que ir aonde o povo está. A publicidade não espera, ela se impregna onde quer que existam pares de olhos passíveis de serem persuadidos. E é natural, da curiosidade humana, voltar a nossa atenção a aglomerações, mesmo que online — é um dos nossos instintos que parece ter sido capturado com excelência pelas plataformas digitais. Talvez, no fim, não haja escolha e seja de fato necessário ir aonde o povo está, mesmo que esse lugar seja uma armadilha tão óbvia como é o caso do TikTok.

Imagens do topo: TikTok/Divulgação.

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46 comentários

  1. Eu queria, de verdade, entender como funciona o algoritmo de busca dessa gente que toda vez que lê “esquerda” ou “direita” em qualquer texto na internet chega tendo um surto psicótico. Deve ser um negócio super otimizado, tamanha a quantidade e diversidade de conteúdo em que eles aparecem pra encher o saco.

  2. Eu me gabo? Cara… Na boa, não vale a pena. O ódio de vocês precede o raciocínio. Já deu, é perda de tempo.

    Tenho mais o que fazer. Me gabar, de repente.

  3. O TikTok é tão ruim que parte dos comentários daqui virou um debate político… caham…

    De um simples espaço de comentários até grandes redes sociais, tudo é social. Criamos expectativas de que “vamos nos animar, se divertir, aprender, etc” e a realidade nos mostra que gostos individuais são tão variados, mas também ao mesmo tempo tão facilmente manipuláveis que o melhor é tentar seguir à sua maneira para achar uma rede social que lhe agrade.

    Sempre achei esquisito o TikTok (as vezes vejo uns vídeos que a galera vaza no Twitter), mas entendo que é um espaço de cartaste, tal como citado no comentário que ajuda ao iniciar o texto do Ghedin.

    Besteirol por besteirol, no final deixo o aleatório me pegar ao invés de ir atrás de uma audiência efermera… (cof.. cof… assim falou o Vagner Ligeiro, que vive falando besteira no twitter em busca de joinhas…)

  4. Não há problema nenhum em ganhar direito com dados que as pessoas fornecem de livre e espontânea vontade.

    Esperando a cópia do TikTok feita pelo Facebook.

  5. Outro dia mesmo eu troquei uns comentários com um outro leitor sobre o risco de se definir o espectro entre esquerda e direita, inclusive porque o que é “esquerda” em algum determinado ambiente político pode não ser sob um diferente sistema de valores… E ali está a “extrema-direita” indiana, a malvada extrema-direita indiana, lançando seus tentáculos odiosos, cascudos e peçonhentos no TikTok…

    Avisem aos aldeãos.

    1. Porque é, basicamente, nesse terrenos que as ideias da extrema-direita (você pode chamar pelos termos que o americanos usam, eles são mais específicos, e dizer NEOCON ou ALTRIGHT) se propagam como fogo na Amazônia comandada pelo partido NOVO.

      A esquerda está entendendo agora o que passou por cima dela em termos de mídia e guerra de informação e, mesmo assim, toma um pau nas redes sociais e na internet do exército do Bannon.

      Aliás, onde você leu sobre a extrema-direita indiana malvada no texto?

        1. Usei a definição porque foi a adotada pelo The Economic Times da Índia. (Para ser preciso, eles usaram “right-wing proselytizers” no título da matéria.) O texto explica que usuários do TikTok de lá espalham conteúdo nacionalista e de “orgulho hindu” alinhado aos partidos de direita BJP e RSS — até onde sei, uma bandeira notadamente direitista.

          Por que a Índia não poderia ter grupos políticos radicais se organizando via internet como os de países como Estados Unidos e Brasil?

          1. A Índia pode ter direita, pode ter esquerda, pode ter o que quiser. Meu ponto de novo é a forma como a direita está sendo retratada no artigo, como se o extremismo estivesse só de um lado da balança.

          2. Victor, eu simplesmente não consigo entender o que está te incomodando.

            Pode ser mais preciso, por favor?

            Parece-me que caso houvesse de fato uso abusivo da rede por parte de algum grupo do outro lado do espectro o Ghedin teria citado.

            Por favor, indique-nos o problema em falar que a extrema-direita está fazendo direitices?

          3. @Gaf

            Acho que ele quer forçar uma “ferradura” dizendo que ambos os lados tem seus “revoltosos extremistas”.

          4. @ Victor

            Não nego que historicamente existiram casos de extremismo em ambos os extremos do espectro político, mas hoje apenas a extrema-direita abusa da tecnologia para gerar e espalhar desinformação que lhe concede vantagens eleitorais de maneira significativa. Se as forças à esquerda não fazem o mesmo ou se não têm a mesma efetividade nesse campo, de que equilíbrio você fala?

            Há um levante global de extremismo à direita que, sinceramente, não vejo similar do outro lado. Aqui dentro, aliás, nunca vi partidos de esquerda brasileiros pregarem a morte de opositores apenas pela divergência de ideias. Por isso uso o termo “extrema” e variantes, para distinguir partidos de direita, legítimos e que jogam minimamente limpo, desses aí que subvertem as regras do jogo para ganho próprio, caso do atual presidente.

          1. @Ghedin

            É que Narciso acha feio o que não é espelho. A esquerda chegou a tal patamar de hegemonia, que o divergente salta aos olhos, e de forma histriônica. A esquerda gera e espalha desinformação o tempo todo, a todo momento, por todos os canais e poros possíveis. O pensamento conservador está restrito à histeria nos meios em que ainda pode sobreviver. Basta escutar um Guga Chacra da vida, para saber aonde é que está o desequilíbrio de fato.

        2. A questão é que os extremos da esquerda e da direita são díspares. A tentativa é forçar uma falsa simetria entre ambos decorre de uma falta de entendimento do que prega cada um dos lados e, claro, do seu alinhamento ideológico.

          1. Essa é a sua opinião. Mas realmente não há simetria, posto que historicamente já sabemos do que a extrema-esquerda é capaz.

          2. Hmmmm, alguém está sentindo um cheirinho de “nazismo é de esquerda” por aqui?

          3. Resposta ao Victor:

            Ninguém está absolvendo a extrema-esquerda dos seus erros ao concordar que a campanha de desinformação é liderada pela extrema-direita.

            Você está cometendo uma falácia, talvez inadvertidamente, ao tentar enfraquecer a gravidade das atitudes da extrema-direita no cenário atual só porque o outro lado já errou também.

        3. Não, não é a “minha opinião” é um fato documentado. Atualmente a alt-right faz isso e é quem defende os extremismos contra minorias. Não existe relativização de “essa é a sua opinião” quando um dos lados defende “metralhar os petralhas” enquanto o outro lado defende que as pessoas deveriam “não fomentar o ódio”.

          1. Cara, peraí… Então me explica o que foi o Mauro Iasi dizendo que a classe média merece uma boa bala e uma boa cova. Isso pra ficar só num exemplo. Sinceramente não sei em qual bolha vocês estão vivendo.

          2. @ Victor

            Há uma diferença enorme entre um cara dar uma declaração infeliz sobre assassinar rivais políticos e um grupo que sustenta seu projeto político nesta mesma premissa.

            Sempre haverá radicais nos dois lados. Temos um problema quando a maioria de um dos lados passa a dar ouvidos, normalizar e apoiar os radicais.

          3. @Ghedin

            Não restrinja os arroubos totalitaristas e violentos da esquerda às sandices do Mauro Iasi. Vamos ter que falar então do terrorismo praticado pelo MST contra o agronegócio, por exemplo. Vamos ter que falar pelas promessas de derramamento de sangue feito por líderes petistas. Vamos ter que falar do exército do Stédile que prometeu incendiar o país. O problema é que o blefe da esquerda já foi desnudado, e vocês estão balançando a bandeira das merdas que o Bolsonaro fala para carregar nas cores do cenário que se pinta sobre a direita.

    2. Vou entrar no debate.

      O que no Brasil é visto por muitos como “extrema-esquerda” – o esteriótipo de partidos como PSOL e PCdoB (o extremo-do-extremo aqui seria o PCO), os movimentos sociais de defesa de direitos (LGBT+, Sem-moradias, “minorias” (uso as aspas porque é difícil achar o termo exato e perfeito sobre este tema), etc…), na verdade são movimentos de reação a ações anteriormente feitas e que marginalizaram muitos na sociedade. Não são extremos stricto sensu, mas sim movimentos de busca de direitos, dado que o Brasil tem um problema no equilíbrio de direitos de cidadão “desde sempre”. Extremo seria se eles matassem para ter moradia ou responder a situações de preconceito, etc… e mesmo assim dado o contexto, é mais “direito à defesa” (se usar um análogo ao que alguns “direita” dizem) do que mal caratismo.

      Não podemos esquecer que “a vertente esquerda política” é de foco ao social, então o extremo neste caso é mais busca de difusão de direitos do que restrição. Restringe-se egoísmos e atitudes prejudiciais ao coletivo, que é mais uma forma de equilibrar forças do que de concentrar. E ultimamente, quaisquer da esquerda brasileira não chegam muito nisso.

      A extrema direita no caso foca-se no individualismo, na restrição de direitos coletivos e atitudes positivas aos mesmos. O ganho individual é tolerado, quando não recompensado, não importa o peso de como foi a ação para este ganho.

      1. A “extrema-esquerda” nasceu então da negativa de universalidade de direitos. Sim, isso não é nem discutível. A própria esquerda tal como conhecemos hoje teve origem ali, discuta-se os métodos estabelecidos para o alcance desses direitos e o que foi feito desses tais direitos nos países onde a esquerda conseguiu impor sua agenda de forma efetiva – Leste Europeu, Cuba, etc.

        Os polos que você tenta estabelecer, de individualidade “extrema” versus difusão irrestrita de direitos, soam muito bem aos ouvidos mas infelizmente não encontram muito amparo na realidade. A tal “direita” que ascendeu hoje é justamente uma reação de diversos setores da sociedade contra aquilo que a esquerda fez em nome de um projeto de poder – e veja, abro aqui inclusive a distinção entre “esquerda” e “petismo”, porque em muitos pontos eu acredito que a esquerda devia era estar parafraseando um Pica-Pau e gritando “FUI TAPEADO!” a 3×4. E eu não vejo isso, o que é perturbador.

        O fato de que eu não vejo isso, me faz crer que o bom-mocismo da esquerda é também parte da utopia. Você pode até me dizer que “petismo não é esquerda”, e eu vou me imbuir de toda a esperança que me é possível para querer crer – aliás, um outro aí já veio jogando a pedra da questão do nazismo. Isso é meio idiota, diga-se.

        Mas então, o que é a esquerda? Onde esteve esse tempo todo? Onde está a esquerda, que ao invés de participar do processo republicano está preocupada em libertar um criminoso condenado? Claro que o Brasil tem um problema histórico no equilíbrio de direitos, tem sim. Temos uma dívida com os negros, claro que temos. Como nação, temos. Temos uma dívida com os marginalizados, lógico que temos. Onde esteve a esquerda, que em 16 anos pouco ou nada fez? Fazendo pobre andar de avião? O pobre andou de avião, e continua tendo direitos assolapados. E pau que dá em Chico, dá em Francisco. Estamos todos perdendo.

        1. Cara, apenas dando um pequeno comentário, mas como negro, me sinto tendo bem mais direitos do que há 16 anos por exemplo. Claro que é um caminho a percorrer ainda, mas vejo os governos do PT ainda assim como incentivando diferentes politicas que, entre outros, beneficiaram negros como eu, ao acesso de universidades, oportunidades, etc.

        2. Onde estava a esquerda nestes últimos 16 anos? Perguntinha idiota, com o perdão da palavra.

          Corrigindo: onde a esquerda está nestes últimos 30 anos de volta da democracia, você quer dizer.

          Respondo: pessoas “de esquerda” em grande parte continuam sendo pessoas “de esquerda”, seja atuando em seus projetos de militância/ativismo política (Movimentos Sem Terra e Sem Teto, União dos Estudantes, Central Única dos Trabalhadores – este último um sindicato, mas que não deixa de ser também um polo de movimentação política), seja sendo político (Eduardo Suplicy, Heloísa Helena, Jandira Feghali, Manuela D’Ávlia, Fernando Haddad – isso falando em nomes de mídia, dado que tem N nomes por aí que atuam e não tem tanta “mídia”, salvo engano, como Erica Malunguinho,Sâmia Bonfim, David Miranda), gerando novos nomes para melhoras políticas (sinceramente este último tou por fora, não sou junkie político), ou cada um a sua maneira atuando em prol do próximo, seja em coletivos como ONGs e projetos, seja individual.

          Todos, senão ao menos parte deles, muitas vezes politicamente lutando até contra o governo Lula, Dilma, FHC e Temer para poder botar suas pautas e desejos em relevância.

          Viu?

        3. Lula para muitos cientistas políticos é visto como “centro-esquerda”, assim como Dilma o foi também. Apesar das enunciações do mesmo soarem de “esquerda”, no final atendeu desejos de empresariados, investidores e grupos de elite do poder. Falhou nisso, pois poderia ao invés deste ato, ter feito mais mão firme e cobrar posições e melhorias destes.

          Mas não nega-se que desde FHC até Dilma, houve melhorias sociais tremendas. Apenas perdidas tanto pelo fato que Lula errou a mão desde o segundo mandato quanto pelo fato que a elite brasileira adora dar tiro no pé – vide salnorabo.

        4. A esquerda criou o PROUNI, CsF e BF. O primeiro permitiu o acesso de pessoas de baixa renda à universidade (posso trazer relatos pessoais aqui, inclusive), o segundo foi um projeto de longo prazo de internacionalização da pesquisa brasileira que deu alguns frutos bons (tinha problemas) e o terceiro é o maior programa de distribuição de renda do mundo moderno.

          A esquerda também melhorou sobremaneira o SUS com o programa de saúde da família e com as UPA’s espalhadas pelas zonas pobres das capitais e do interior. O projeto mais médicos foi responsável por fechar diversos gargalos de atendimento primário no interior do país.

          A esquerda ainda criou o sistema de “banco postal” via Correios, um dos maiores programas de “bancarização” do país (pessoas sem conta em banco, “desbancarizadas”, são um problema real).

          A esquerda criou o MCMV, que apesar de problemas de inflação de crédito (mas muito mais por culpa da especulação imobiliária, típica do capitalismo) foi o maior programa de acesso à moradia desde o BNH.

          A esquerda mudou a cara do Brasil, quer você queira quer não. Tudo o que você levanta são pontos que são discutíveis mas que você crê que são fatos concretos. O PT e o petismo/lulismo teve muitos problemas, mas ele mudou a cara do país, inegavelmente. Se você não enxerga isso você está cego.

          1. Bolsa Família = Bolsa Escola + Vale Gás da era FHC. A UPA foi obra de Sérgio Cabral, do PMDB. Ainda procurando as melhorias no SUS, que continua como sempre foi. O PROUNI foi um bom programa, não vou discutir.

            Mas achei bacana você ter citado apenas uma estatal – mesmo que seja uma que não funciona. E reduzir os maiores casos comprovados de corrupção da história a “lulopetismo teve muitos problemas”… Invejável poder de síntese.

            Sim, a esquerda mudou a cara desse país. Passaremos 30 anos tentando consertar os estragos.

          2. @pilotti e @Victor

            Vou pegar seu último parágrafo e mexer, Pilotti.

            O PT e o petismo/lulismo teve muitos problemas, mas ele mudou a cara do país, inegavelmente. Ignorar isso é justificar e expor um preconceito outrora enrustido.

            Boa parte da esquerda atual tenta se desvincular do PT, apesar do discurso do “Lula Livre” (erro de estratégia, pois poderia parar de jogar Lula como martir político e apenas se concentrar na comprovação dos erros da Lava Jato – algo que Gleenwald, Demori, Amanda juntos ao Intercept fizeram de forma eficiente, e claro, aliado a sorte de um maluco conseguir as informações necessárias).

            Ninguém da esquerda está desmerecendo as punições aos políticos corruptos, na verdade quer que tal punição seja totalmente justa, dado que se prisão per si resolvesse algo, não teríamos o aumento de criminalidade que hoje temos.

            Os estragos não foram feitos pela esquerda, mas sim pela liderança econômica / empresarial brasileira, que se diz “produtora” mas vive pedido subsídios ao governo, quando não isenção e ajudando com propinas – inegável que a Lava Jato escancarou isso. Lula errou ao não combater com afinco, mas também ao menos não nega-se que houve alguns avanços.

            O problema maior não está no PT ou PSL, apenas. O problema brasileiro é cultural. O “jeitinho”, o “deixa pra depois”, a falta de foco e profissionalismo, e principalmente, a falta de empatia dos bons profissionais em tentar mudar o quadro no país.

            Não adianta trocar governo e não trocar culturas. Para isso precisamos de pessoas que sejam capazes de mudar tais culturas de forma política. Em partes FHC e Lula conseguiram um pouquinho nos tempos atuais. Incentivou-se o combate ao preconceito à todas as formas sociais, criou-se projetos de mudanças econômicas e sociais, com criação de faculdades (que não duvido que de alguma forma direta ou indireta você @Victor possa ter ganho algo).

            Salnorabo no final está voltando a era dos anos 50-80: o classismo cultural, a benesse aos amigos do poder. Com o agravante de que o salnorabo só faz kgd no poder, nas palavras e nas atitudes, totalmente e literalmente kgd.

        5. Desculpa, mas você não sabe muito bem o que fala.

          Muitas coisas que você cita, como eu disse, vem de dados enviesados. O BF não é apenas a junção dos vales do programas pastoral do FHC (que ainda tinha o PRODEA, que era distribuição de cestas básicas no interior do país). O BF é um ruptura com o processo de distribuição de comida em troca de dinheiro com contrapartida (vales não tinha isso) de manter os filhos na escola. Isso muda completamente o cenário em duas frentes: comércio local em bairros periféricos e manutenção das crianças nas escolas (o que as tira das ruas). Só isso já muda completamente a cara do país. Você querer igualar aos programas pastorais do FHC é desonesto demais e mostra como você não está iterado do que ocorreu no país.

          Os Correios são o maior agente integrador nacional que existe. Essa história de “não funciona” é típica reclamação de quem não sabe o papel dos Correios. Eu citei o banco postal e iniciativa de bancarização da população pobre. Mas ainda tem o sistema de malotes nas cidades ribeirinhas das regiões N/NE e o sistema de coleta/entrega nas regiões mais remotas do país – citando de cabeça, Alecrim no RS tem apenas os Correios como saída de documentos oficiais, exames médicos e banco – e isso se repete em inúmeras localidades. E não, a iniciativa privada não tem sequer interesse em atender esse tipo de localidade, tanto que, localidades muito maiores (Gravataí, RM de POA) não é atendida pela maior parte das transportadoras privadas e quando você faz uma compra pela Directlog, por exemplo, eles locam o serviço de entrega dos Correios e usam a rede da estatal para entregar a sua encomenda via “Directlog”.

          Você não faz a menor ideia do que está falando e está apenas regurgitando argumentos relativamente batidos de correntes de Whatsapp e think tanks liberais. Precisa bem mais do que isso pra atacar a mudança radical do país nos anos de PT e muito mais me convencendo que a política neoliberal que levou a Argentina à bancarrota é a saída pro Brasil.

          1. Quem não sabe é você. Se já tivesse ido ver como o bolsa família é concedido, por exemplo, talvez falasse menos besteira na internet. Lamentável.

        6. Não preciso ir atrás pra ver como é concedido. Eu vivo essa realidade todo o dia. A pobreza é a minha vida. Eu sempre fui pobre e sempre morei na periferia. Eu SEI como a coisa funciona, ao contrário de você. O que eu falo é baseado em estudo e vivência, o que você fala é baseado em rancor, ódio e preconceito.

          1. Não, o que eu falo é baseado em mais de cinco anos de vivência em comunidade, em trabalho social, em interação com o poder público, em briga por recurso, etc. Você assume demais e sabe de menos. E a sua realidade não é universal.

            Mas, vai lá, diz aí como é que o Bolsa Família é concedido. Me diz que não é a troco de proselitismo político de esquerda nos CRAS da vida.

          2. Bem, eu já havia respondido mas parece que sumiu. Enfim.

            Não, não me baseio em rancor, ódio ou preconceito. Me baseio em vivência, em cinco anos de trabalho social em favelas, em constante interação com o poder público, que na minha cidade é de esquerda desde 90 e bolinha. Dentre outras coisas. Você assume demais sabendo de menos, e é ofensivo, agressivo enquanto faz isso.

            Mas vamos lá, me diga então como o Bolsa Família é concedido. Me diz que não é nos CRAS da vida, a troco de proselitismo político de esquerda.

        7. Como assim: ” Se já tivesse ido ver como o bolsa família é concedido” ?

          Descreva-nos, por gentileza como é concedido e onde está o erro.

        8. Proselitismo político não tem lado, que eu saiba. Vi todos os espectros políticos passarem na minha cidade e bem, o mecanismo não muda.

          Você que trabalha e aparentemente gaba-se disso deveria explicar melhor como é concedido um bolsa-família.

        9. Proselitismo político? Sério que você está me dizendo que o intuito principal do BF era criar um “exército” de esquerdistas?

          É exatamente por isso que não dá pra levar você a sério. O maior bloco anti-PT na eleição, por exemplo, foi o que se originou nesse grupo (ver a pesquisa da Rosana Pinheiro Machado, do rolêzinho ao bolsonarismo foi um pulo).

          Não vou negar que a minha realidade não é universal. Nem disse isso, ponderei que a minha experiência com todos esses programas foram de quem usa e vive a realidade. A melhora visível no SUS veio com mais recursos destinados aos hospitais, você me diz que está igual, isso só pode se dar porque você não usa o SUS ou porque o SUS no RS é ótimo em relação ao resto do país.

          Você me diz que o BF serve como instrumento de doutrinação (proselitismo político é isso, basicamente) para a esquerda. Não vou me admirar que você não diga que “é apenas populismo”.

          Não vou negar que devem existir N problemas nesses locais. Mas a maioria do programa foi positiva. Os dados estão aí para corroborar isso. O problema é que você pega o seu rancor e o seu preconceito e usa como instrumento pra atacar aquilo que você não gosta. Assim, um problema de um programa como o BF, que vai ocorrer, claro (principalmente levando em conta o tamanho do país) se torna a regra de todo o programa e a partir disso todo um raciocínio torto se forma ao redor para corroborar a sua ideologia e a manutenção do que você acredita como sendo a saída (conservadora) pro país. Você nega avanços nesses últimos 16 anos, nega experiência pessoais, nega dados e se apega em pontos específicos que afagam a sua narrativa pré-determinada sobre o governo e um espectro político.

          A discussão aqui é completamente inútil porque você não se atém à nada que não seja o ataque vazio que dá vazão ao seu rancor pela esquerda a ponto de dizer que o “pensamento de esquerda é hegemônico no Brasil” sendo que somos, notoriamente, um país conservador e religioso (ver Datafolha sobre isso).

          Todos temos ideologia e não somos imparciais quando se trata disso, o problema é que você atingiu o negacionismo do “nós contra eles” que o conservadorismo liberal implantou no Brasil.

          Eu mesmo não tenho vergonha de admitir que muitas ações do FHC foram boas pro país, entre elas o Plano Real (que foi um “cambão” na política do FMI e foi exatamente por isso que não afundamos como a Argentina do Ménem) e as próprias pastorais e o PRODEA. Muitas pessoas comeram por conta disso. Assim como até o micro-governo do Temer teve alguma boa ação (o acordo nacional com a Argentina foi ótimo pro mercado de traduções, por exemplo, e o Brasil nos anos do Temer era o grande centro de localização do mundo).

          Acho difícil que saia qualquer coisa a mais daqui porque a sua leitura de país está saindo de uma visão enviesada do que você quer que ocorra e não do que está ocorrendo; do que você queria que tivesse ocorrido e não do que realmente ocorreu. É complicado que saía algo frutífero do que você coloca aqui quando tantas pessoas já lhe salientaram os problemas do seu argumento e você sequer para pra pensar.

          Vou continuar defendendo a política de sustentação social do PT mesmo sem ser petista e sem ter votado no PT uma única vez porque é isso que o povo quer e precisa. SUS, segurança, educação, PROUNI, MVMC, CsF, BF; tudo isso muda vidas pobres e alimenta o sonho de muitas pessoas. Se os programas tem problemas (eles tem e sempre terão) a ideia é consertar esses problemas e não exterminar os programas como os neocons querem e defendem.

          O próprio Milton Friedman defendia isso quando o liberalismo ainda era humanizado. Hoje, esse pastiche neoconservador neopentecostal, sequer escute o que o maior filósofo do liberalismo disse (e eu sequer sei se você é liberal-conservador, mas você defendeu aqui os mesmo valores que eles defendem e usou as mesmas argumentações/tática que eles usam, por isso o coloquei no bloco, desculpa se não for o caso).

          Não tenho nada mais pra falar depois disso.

          Abs pra vc.

          1. Paulo,

            Vou ser bem claro. Eu não afirmei que o objetivo é criar um “exército esquerdista”. O objetivo é voto. O Bolsa Família, tal como é hoje, tem sido usado para criar currais eleitorais. Aliás, não é nenhuma exclusividade do PT: vários programas sociais são usados para isso desde que o mundo é mundo. Esse é apenas o do PT.

            Acho que o assunto descambou para ofensas, e eu quero quer que há outras formas de se construir diálogo – caso, obviamente, haja interesse mútuo nisso. Em todo o caso peço desculpas se ofendi. Somos pessoas com vivências diferentes e visão de muito diferentes, mas que não necessariamente precisam representar lados opostos em conflito. Acho que nenhuma forma de diálogo é inútil, e hoje de cabeça mais fria consigo ponderar melhor algumas das coisas que você disse.

            Agradeço pela disposição em debater. Abraço.

        10. Pois é cara.

          Quando vários da esquerda fala em “pegar em armas”, regular e imprensa é porque estão lutando pela democracia.
          Quando o Bolsonaro fala alguma coisa contra o PT ou comunismo, é a volta da ditadura! “Democracia está em risco!” e coisas semelhantes.
          A esquerda sempre teve blogs sujos (DCM, Brasil 247, Cafezinho, Carta Maior, Socialista Morena etc.) financiados pelo governo petista espalhando fake news por aí e ninguém se importava ou fechavam os olhos. Fora os perfis do caso “mensalinho do Twitter” que também ninguém se importou.
          O que vemos hoje é um chororô de perdedores que se dizem lutar pela democracia e tolerância mas não aceitam a vitória do outro lado.

          Como bem dizia Millôr Fernandes: “democracia sou eu mandando em você. Ditadura é você mandando em mim.”

          Abs.

          1. Quando vários da esquerda fala em “pegar em armas”, regular e imprensa é porque estão lutando pela democracia.

            Pegar em armas é algo vago, e existe contexto nisso. De canetas até paus e pedras, tudo é arma. Apenas os movimentos sociais de maior atrito, como os de defesa de terra (MSTs) tem uma proximidade com a violência pois infelizmente tem que responder as ações criminosas de fazendeiros, grileiros e pistoleiros (todos apoiadores do salnorabo).

            Quando o Bolsonaro fala alguma coisa contra o PT ou comunismo, é a volta da ditadura! “Democracia está em risco!” e coisas semelhantes.

            Rapaz, a mídia vivia falando em “Volta da Ditadura” na era Lula/Dilma, e bem, quaisquer ato que houve um risco a liberdade da expressão e não fora bem discutido (Como a questão da responsabilidade jornalística e da obrigação da formação jornalística), o governo da época recuara e conversara.

            A esquerda sempre teve blogs sujos (DCM, Brasil 247, Cafezinho, Carta Maior, Socialista Morena etc.) financiados pelo governo petista espalhando fake news por aí e ninguém se importava ou fechavam os olhos. Fora os perfis do caso “mensalinho do Twitter” que também ninguém se importou.

            Hã?

            Mensalinho do Twitter só não foi mais a fundo pois o caso foi na verdade um pus expurgado da esquerda, que se não fosse isso, a guerra das fake news ficaria mais profunda do que o foi.

            O que vemos hoje é um chororô de perdedores que se dizem lutar pela democracia e tolerância mas não aceitam a vitória do outro lado.

            Não, o que vejo hoje é uma renca de “eu avisei”. Daqui a pouco torço que tu Eurico (que vai saber se não ganha dinheiro sendo RP de político com fake news…) tu leva uma na bunda também. A não ser que tu seja alguém amigo do governo atual, aí tu é tão corrupto quanto salnorabo, Moro e políticos presos pela lava jato.

            Como bem dizia Millôr Fernandes: “democracia sou eu mandando em você. Ditadura é você mandando em mim.”

            Millôr socaria sua boca dado o contexto da política atual – iria odiar ver frases dele dita por apoiadores de pseudo-ditadores corruptos.

        11. Aproveitando que todos aqui pedem desculpas, também o peço aos dois, pois sei que incitei uma rixa.

          O ruim de se discutir sobre espectros políticos é justamente a questão de parâmetros.

          Corrupção, todo poder de alguma forma pratica. Corrupção é quebra de regra, não é apenas o conceito por trás de atos políticos negativos e prejudiciais. Se eu prometo algo a ti e não cumpro, é uma corrupção.

          Não vejo o Bolsa Família como “cabresto” – até porque não duvide que muitos votaram no salnorabo porque tinham seus interesses. Sei de casos de corrupção que envolveu o programa, de “jeitinhos” e situações que no final contribuem para fazer o projeto ser visto de forma negativa.

          O ponto aqui é pensar que houve um erro em 2018, principalmente em quem se disse “de direita” ou “de esquerda”, de confiar nas palavras das supostas lideranças, ao invés de conversarem entre si e tentar isolar a contaminação do debate com a polarização. Não deu.

          Desde 2008 se faz um cenário de valorização de políticos “responsivos” – vide CQC que valorizou salnorabo e acabou dando margem de tolerância para crimes políticos, dado que a punição pelo humor amortizou a sensação de punição. Não adiantou o jornalista-humorista tentar correr um risco de vida para ridicularizar um político ou ato feito por algum ente político/governamental (como o caso da TV de doação desviada).

          O ideal é que se entenda que o momento agora não é de ficar “mas e a esquerda?”. Parte dela se pôs em auto-reflexão, apesar de outra parte continuar na militância em prol do Lula. E parte deles foram descreditados pelo “cidadão médio”, o carinha que se diz “desinteressado por política”, mas vai pedir pro vereador uma vaguinha de emprego.

          Precisamos é que as pessoas no BR entendam que a escolha política no salnorabo foi a pior de todas, e que se não houver um movimento para impedir a continuação do governo dele, o risco de haver algum conflito maior intensifica. Não que vai ter guerra civíl, mas só ver os noticiários que já temos um conflito grande, seja com as queimadas, os ataques racistas em alguns lugares, e a violência policial intensificada.

  6. – Tik tok, quem é?
    – Nova rede social.
    – Quê nova rede social?
    – Esquece.. Não precisa se preocupar, Josivaldo, 27 anos, de Pato branco, Centro-direita, educação superior em educação fisica, gosta de sertanejo universitário, Grêmio e de eventualmente assistir filmes pornográficos com travestis.

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