Foxconn de Jundiaí (SP) não libera funcionários na pandemia mesmo batendo recordes de produção

Na guerra contra o SARS-CoV-2, o coronavírus causador da COVID-19, é unânime entre os especialistas a opinião de que o distanciamento social, aquele isolamento voluntário dentro de casa, é a melhor aposta para desacelerar o contágio, achatar a curva e dar uma chance ao sistema de saúde de tratar todos os contaminados. Entre os empresários, essa unanimidade não existe.

Um funcionário da planta fabril da Foxconn em Jundiaí, no interior de São Paulo, enviou ao Manual do Usuário um relato de como tem sido trabalhar lá nas últimas semanas sob a ameaça do coronavírus.

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Sobre empresas que capitalizam suas ações para conter o coronavírus — ou: o álcool gel da AmBev

Já faz algum tempo que Marc Benioff, cofundador e CEO da Salesforce, um titã norte-americano do software corporativo, prega a ideia de um “capitalismo consciente”. Nunca deram muita bola a ele. A pandemia do coronavírus pode ser a ocasião dramática em que, se não sua voz, sua ideia ecoará por aí. Adianto já que não é a conversão de fábricas de cerveja em produtoras de álcool gel que mudará nossa percepção. É mais complicado que isso.

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Na era da auto-exposição exagerada, silêncio não significa incompetência

por Guilherme Felitti

Este Tecnocracia vai contar três histórias diferentes que, à primeira vista, não têm relação entre si. No fim a gente amarra.

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Um rolê de Buser, a “Uber dos ônibus” que não é exatamente como a Uber

O conceito de economia colaborativa ou compartilhada já está bem difundido. Quando menos popular, a maneira mais fácil de explicá-lo era com uma analogia: “tipo a Uber”. A empresa de caronas por aplicativo se tornou paradigma para outras tantas que lhe sucederam e é, até hoje, usada por palestrantes e empreendedores de inovação paradoxalmente parados no tempo.

Nem todas as startups “tipo a Uber” são… tipo a Uber. No Carnaval, experimentei uma dessas: a Buser, uma plataforma que conecta passageiros interessados em fretar um ônibus com um destino comum. Tipo um Uber de ônibus? Quase isso.

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A matemática dos unicórnios

Foi-se o tempo em que unicórnio era apenas o ser mitológico, aquele cavalo com chifre e poderes mágicos dos livros de fantasia. Desde 2013, o termo se desdobra para designar as startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. O clube dos unicórnios vem crescendo e, a partir de 2018, passou a contar com membros brasileiros. O que nos leva a questionar a matemática por trás dos “valuations”, ou o valor de mercado de uma empresa. Quais contas precisam ser feitas para que uma startup se autodeclare unicórnio?

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Vida longa ao celular

Os ritmos da sociedade são muitos e, quando comparados, não raro se revelam descompassados. Seguíssemos à risca o da indústria de tecnologia, por exemplo, todo mundo estaria de celular novo a cada 12 meses. Ainda que a frequência de lançamentos do setor não tenha diminuído — pelo contrário, está acelerando em alguns casos, como o do Moto G —, parece que as pessoas estão passando mais tempo com seus aparelhos antes de sentirem a necessidade de trocá-los. Será só uma impressão equivocada ou esse movimento está mesmo ocorrendo?

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Lugar de realidade virtual é fora de casa

O futuro da realidade virtual (VR, na sigla em inglês) parecia promissor em 2015. O Facebook havia acabado de comprar a Oculus e trazido para dentro de casa seu visionário fundador, Palmer Luckey; os primeiros headsets comerciais avançados de HTC, Facebook/Oculus e Sony estavam prestes a serem lançados; e Google e Samsung atacavam na faixa de entrada, com produtos que, usando celulares como visores, eram vendidos a preços bastante acessíveis.

Em paralelo, as chamadas experiências imersivas em realidade virtual despontavam — afinal, previa-se que em breve haveria uma grande demanda por conteúdo. Alguns chegaram a dizer que em poucos anos os headsets de realidade virtual seriam tão bons e acessíveis que muita gente os teriam em casa e modelos super baratos seriam distribuídos em voos internacionais, junto àqueles fones de ouvido semi-descartáveis. Uns poucos, mais empolgados, chegaram a comparar a vindoura revolução da realidade virtual às ondas avassaladoras de adoção dos computadores e celulares.

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Em 2019, a briga para manter os monopólios se tornou explícita

por Guilherme Felitti

Roger McNamee é um dos sujeitos mais impactantes do mercado de tecnologia de quem você nunca ouviu falar. No seu primeiro trabalho na área, no começo da década de 1980, ele liderou investimentos na Electronic Arts. Quando foi trabalhar em um dos fundos mais tradicionais do Vale do Silício, o Kleiner Perkins, McNamee se envolveu em investimentos feitos em um navegador chamado Netscape e em uma loja online chamada Amazon. Ambos os negócios se tornaram gigantescos, mas é sempre bom frisar que quem começou o frenesi financeiro da internet foi o Netscape, o primeiro navegador gráfico para usuário final da história.

O histórico de acertos do McNamee era tão sólido que ele fez o que qualquer um com naquela posição faz em sua área: para que trabalhar para os outros se eu posso colher os frutos todos para mim? Em 1999, ele fundou a Silver Lake Partners com outros sócios e passou a farejar o mercado atrás de negócios com potencial.

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A sina do Brasil é exportar commodity e a internet não vai mudar isso

por Guilherme Felitti

No final do século XVII, Portugal tinha um problemão nas mãos.

Em 1695, ano da morte de Zumbi dos Palmares, o outrora grandioso, aventureiro e rico Império Colonial Português parecia estar com os dias contados. Sessenta anos de União Ibérica (a fusão com a Espanha por falta de herdeiros do trono português) e quase um século de guerra contra os holandeses haviam dilapidado os recursos, aniquilado o comércio de especiarias no Oriente e reduzido substancialmente a vastidão dos territórios ultramarinos do reino. A economia do açúcar no Nordeste brasileiro (até então a maior fonte de receita na colônia) estava em crise devido à concorrência dos novos engenhos ingleses, franceses e holandeses na região do Caribe. Os preços caíam em virtude do excesso de oferta. Havia também novos concorrentes no tráfico de escravos, atividade na qual Portugal tinha sido virtualmente monopolista até um século antes. Por toda a costa da África despontavam agora novas fortificações e feitorias de outros povos europeus, incluindo até mesmo suecos, dinamarqueses e alemães.

O trecho vem de Escravidão, um livro fundamental em que Laurentino Gomes mergulha no processo que mais profundamente impactou e moldou a sociedade brasileira. O livro deveria ser leitura obrigatória a todos os brasileiros.

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A incrível estupidez da geração que glamourizou o excesso de trabalho

por Guilherme Felitti

Existe um mito na física chamado “máquina do movimento perpétuo”. Uma máquina do movimento perpétuo seria capaz de, após começar, criar sem ajuda externa uma quantidade de energia suficiente não apenas para garantir seu funcionamento, mas também para fornecer o extra para consumo externo. Em outras palavras: uma fonte de energia infinita que não precisa de nenhum estímulo além daquele no começo.

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Gamers e governos são a esperança do setor de PCs brasileiro

O mercado brasileiro de computadores cresceu apenas 0,3% no segundo trimestre de 2019. Em números absolutos, foram vendidos 1,448 milhão de máquinas que geraram receita de R$ 4,1 bilhões, valor 12% maior que o do mesmo período do ano passado. Os números são da consultoria IDC, que também aponta onde se concentra a esperança de crescimento do setor: no governo e nos gamers.

Wellington La Falce, analista de mercado da IDC, deu mais detalhes desse cenário em uma conversa com o Manual do Usuário. O setor vem de dois anos de recuperação — 15% em 2017 e 9% em 2018 — após meia década de quedas brutais — de 15,4 milhões de unidades vendidas em 2011 para 4,5 milhões em 2016.

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Mi MIX Alpha, Galaxy Fold e o paradoxo do consumo de produtos de massa como fator de distinção

Olhe para o seu celular. Ele não é muito diferente do primeiro iPhone de 2007, o aparelho que inaugurou a era dos celulares modernos, ou smartphones. Ambos têm formato retangular, uma tela na frente, câmera atrás e no meio uma placa com alguns chips e uma bateria enorme.

A curva de inovação da indústria perfaz um “S”: começa lentamente, depois passa por um ciclo de desenvolvimento acelerado e, por fim, volta à lentidão. Na dos celulares, esse processo foi muito rápido, em velocidade condizente à sua popularidade inédita na história e aos saltos evolucionários gigantescos obtidos entre uma geração e outra. Em nenhum momento, porém, as mudanças atingiram aquele formato básico de “sanduíche de chips e bateria”. É raro, mas às vezes se acerta de primeira.

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Como o Vale do Silício criou o conto de fadas para adultos

por Guilherme Felitti

Qual é a música mais bonita já escrita no Brasil? Você pode até chutar um monte, mas a minha eu já escolhi. É uma música escrita em parte por um dos maiores brasileiros a ter pisado nessa vida. Paulo Emílio Vanzolini fez uma carreira de enorme sucesso na biologia — médico formado pela USP com doutorado em Harvard e décadas como diretor do Museu de Zoologia da USP, o mais importante do país. Mas você não conhece Paulo Vanzolini por sua carreira de inegável sucesso na biologia. Fora da expediente, Vanzolini compunha músicas baseadas no que observava quando estava em São Paulo ou mergulhado no Pantanal por semanas fazendo seus estudos. Você provavelmente já ouviu Ronda e Volta por cima. (Se não está lembrado, pare de ler este Tecnocracia e vá ouvi-las, de preferência nas interpretações da Maria Bethânia. Uma regra de vida: se a Maria Bethânia cantou, é improvável que você ache uma interpretação melhor.)

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O clube dos fundadores arrependidos

Em 2010, o desenvolvedor alemão Christian Reber iniciou uma busca por parceiros para uma empreitada digital: criar um pequeno aplicativo de listas de tarefas. Um ano depois, com um sócio e investimentos de grupos locais, ele deu à luz o Wunderlist, fruto da startup recém-criada 6Wunderkinder.

O Wunderlist poderia ter sido apenas mais um entre os milhares de apps do gênero que infestam lojas de aplicativos, mas ele se destacou por antecipar recursos úteis ainda raros e pela execução impecável. Em 2015, já com 13 milhões de usuários, a Microsoft comprou o app. O valor exato da transação jamais foi revelado, mas segundo o Wall Street Journal foi algo entre US$ 100 e 200 milhões. Até aquele momento, a 6Wunderkinder havia levantado US$ 35 milhões em capital de risco. Não foi um saída do nível de um Google ou Facebook da vida, mas deve ter rendido uns bons trocados para fundadores e investidores.

As duas partes, Microsoft e 6Wunderkinder, na época garantiram que nada mudaria de imediato no Wunderlist e que a nova casa, com recursos quase infinitos e um batalhão de profissionais de primeira classe, ajudaria a aperfeiçoar o app. Dois anos depois, a Microsoft anunciou que o Wunderlist seria descontinuado para dar lugar a um novo app criado do zero, o Microsoft To-Do, para ser integrado a outros produtos da empresa. Até hoje o já não tão novo app continua pior que o abandonado em muitos aspectos e apesar da sentença de morte dada ao Wunderlist, ele segue — junto aos seus usuários mais fiéis — em uma agonizante espera pelo dia em que um funcionário da Microsoft puxará o fio do servidor que o mantém funcionando.

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Um rolê na loja física do AliExpress no Brasil

A digitalização do varejo barateou custos e expandiu a seleção de produtos disponíveis ao consumidor, vantagens que criaram gigantes do setor como a Amazon nos Estados Unidos e o Alibaba na China, e que têm norteado as decisões das empresas mais antigas que melhor se adaptaram à nova realidade, caso emblemático do fenômeno brasileiro Magazine Luiza. Apesar disso, lojas nativas digitais e bem sucedidas no ambiente virtual têm experimentado, com objetivos diversos, o caminho inverso, materializando-se no mundo físico.

No último sábado (7), fui conferir a recém-inaugurada loja pop-up do AliExpress, o grande marketplace digital chinês e uma das lojas estrangeiras favoritas dos brasileiros. Ela foi montada no Shopping Mueller, no Centro Cívico em Curitiba (PR), cidade escolhida por ser a sede do Ebanx, fintech local parceira que processa todos os pagamentos no AliExpress feitos a partir do Brasil.

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