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ANPD proíbe Meta de treinar IAs com dados pessoais no Brasil

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) enfim mostrou os dentes e determinou que a Meta suspenda o tratamento de dados pessoais para treinar inteligências artificiais.

A proibição, determinada em caráter cautelar, baseia-se em quatro pilares: ausência de base legal para tratar os dados com essa finalidade; falta de informações sobre as mudanças na política de privacidade; dificuldade excessiva aos usuários para negarem o uso de seus dados; e tratamento de dados de menores de idade sem as devidas salvaguardas.

Vale mencionar o “timing” da determinação, como lembrou Carlos Affonso Souza em sua coluna no Uol: na semana em que estavam previstos o lançamento dos recursos de IA do WhatsApp no Brasil e em que o projeto de lei 2338/23, o PL da inteligência artificial, teve movimentações no Congresso.

A Meta se disse “desapontada” com a determinação. Os argumentos da ANPD me pareceram razoáveis — já viu o labirinto para negar o uso de dados pela Meta?

Carlos Affonso acredita que a determinação, ao focar em uma empresa (e das maiores), passe um recado a toda a indústria. Afinal, existem outras além da Meta fazendo o mesmo tipo de treinamento com dados, incluindo os pessoais.

Celular Seguro e Click to Pay vencem o Prêmio Seleção Mobile Time 2024

A convite do Fernando Paiva, tive a honra de compor o júri de 12 especialistas em tecnologia do Prêmio Seleção Mobile Time 2024.

O resultado foi divulgado nesta terça (14). O grande vencedor do júri foi o Celular Seguro, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. (Posso contar que foi o “case” a que atribuí a maior nota? Espero que sim!)

Na premiação aberta ao público, o Click to Pay, da Abecs, levou a melhor.

Nunca me ocorreu tentar o reconhecimento facial pelo celular usando a câmera principal (traseira). A ignorância decorrente do ~privilégio — câmeras frontais costumam ser piores que as principais, uma diferença mais dramática em aparelhos baratos e/ou antigos.

Nesta semana, o aplicativo gov.br ganhou uma nova versão com esse recurso. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, “a medida beneficia diretamente quem tem celulares antigos e também pessoas com deficiência, do espectro autista, com doenças neurodegenerativas e idosos”. Via Agência Gov.

O aplicativo do gov.br mudou sistema de verificação em duas etapas (2FA). Desde esta terça (20), em vez de uma notificação, passou a ser necessário acessar o aplicativo para obter o código temporário.

Nem todo mundo oculta a visualização de notificações na tela de bloqueio. Para esses casos, o novo sistema oferece mais segurança — à custa de alguma conveniência. Via Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

A Senacon, ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, deu 24 horas para Google e Meta removerem anúncios identificados de golpes relacionados ao Desenrola Brasil de suas plataformas, e 48 horas para removerem todos os conteúdos e anúncios do tipo, sob pena de multa de R$ 150 mil por dia em caso de descumprimento. O despacho foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta (26). Via Convergência Digital.

Estelionatários já estão usando o Desenrola Brasil, programa de quitação de dívidas lançado pelo governo federal nesta segunda (17), para aplicar golpes. A Agência Lupa encontrou posts patrocinados no Facebook, com gastos de até R$ 7 mil, que levam a páginas fraudulentas.

Mais uma vez, a Meta (dona do Facebook) lucra com o uso das suas plataformas para a prática de crimes. A responsabilidade solidária das plataformas digitais, que estava prevista no PL das fake news, provavelmente cairá. Percebe-se que é algo necessário. Via Agência Lupa.

O cara marca uma audiência com o presidente e daqui a pouco o presidente está sentado e o cara no celular, conversando com o cara que ele não marcou a audiência. Então, no meu gabinete não entra com celular, celular fica na portaria e nenhuma reunião eu permito celular.

— Luis Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil.

Será Lula leitor deste Manual do Usuário? Via @LulaOficial/YouTube.

Não é só o Congresso Nacional que tenta regular as plataformas digitais. Em paralelo, os outros poderes tentam influenciar o debate legislativo e agir por conta própria.

A decisão proferida pelo ministro Alexandre de Moraes nesta quarta (10), contra o Telegram, parece uma interferência arbitrária. Leia na íntegra (PDF).

Leitura leiga e inicial do texto não encontra fundamentação jurídica. Moraes refere-se a decisões do próprio Supremo, ao famigerado inquérito das fake news que corre no STF e a certa “imoralidade” para justificar a ameaça de suspender o Telegram por 72 horas, caso a empresa não se retrate da mensagem lamentável enviada a seus usuários na terça (9).

Em tons mais republicanos, a presidente do STF, ministra Rosa Weber, pautou o julgamento das ações que contestam a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, o da responsabilidade das plataformas por conteúdo gerado por usuários, para a próxima quarta (17). O resultado pode embolar o meio-campo da votação do PL 2630/20, o PL das fake news, ainda sem data para ir à votação.

O governo federal, por sua vez, tem usado a Senacon (ligada ao Ministério da Justiça) para agir contra as investidas irresponsáveis das big techs, como Google e Telegram. A justificativa da prensa dada no Google, por exemplo, de que ela feriria o Código de Defesa do Consumidor, é classificada por alguns especialistas como “malabarismo jurídico”.

Por fim, o adiamento da votação do PL das fake news, que pegou a todos de surpresa, deixa-nos todos apreensivos. O primeiro fatiamento, anunciado nesta terça (9), que separa o assunto da remuneração dos jornais pelas plataformas, não é ruim — era um tema estranho ao texto original e grande, importante demais para estar no PL 2630/20. Merece, de fato, uma lei própria e um debate à parte. O que virá depois, porém, é uma incógnita. Via Poder360, Folha de S.Paulo.

Senacon determina mudanças em campanha do Google contra o PL das fake news

A Senacon determinou, com base no Código de Defesa do Consumidor, que o Google sinalize como publicidade o link que incluiu na página inicial do buscador contrário ao PL 2630/20, o PL das fake news que deve ser votado esta semana na Câmara.

O texto do Google ora dizia “O PL das fake news pode aumentar a confusão sobre o que é verdade ou mentira no Brasil”, ora “O PL das fake news pode piorar sua internet”, e levava a conteúdos no blog do Google contrários à aprovação do PL 2630/20.

A medida cautelar também prevê multa de R$ 1 milhão por hora em descumprimento e a obrigação de um link de “contrapropaganda”, com conteúdo oposto ao dos materiais do Google, com igual destaque. Leia o texto na íntegra (PDF).

O Google removeu prontamente o link após a coletiva de imprensa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), no início da tarde desta terça (2).

Nos últimos dias, o Google subiu o tom da sua campanha desleal contra o PL 2630/20.

No YouTube, donos de canais se deparam com um link no YouTube Studio para outro post com teor terrorista da empresa.

Em paralelo, o Ministério Público Federal de São Paulo solicitou informações ao Google a respeito de possível manipulação de resultados, favorecendo conteúdos contrários ao PL 2630/20. A empresa tem dez dias para responder.

A Meta também publicou um texto crítico no dia 29 de abril, não assinado, ao PL das fake news. A empresa afirma que a corresponsabilidade pelo conteúdo pago aumentará custos e prejudicará principalmente pequenos negócios. Via @JusticaGovBR/YouTube, G1, Agência Brasil.

Atualização (17h32): Corrigido o link para o PDF da medida cautelar da Senacon e alterado o título que, no original, dizia incorretamente que a Senacon determinou a remoção do conteúdo publicitário do Google.