Não tem game falando de amor. Não tem game falando de educação. É game ensinando a molecada a matar. Eu duvido que tenha um moleque de 8, 9, 10, 12 anos que não esteja habituado a passar grande parte do tempo jogando essas porcarias.

— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil.

Já tem gente associando a fala de Lula ao arroubo do deputado Zé Trovão, que dia desses sugeriu suspender a venda de todos os jogos violentos por 30 dias.

O recorte que Lula faz é correto. Jogos destinados a maiores de idade por retratarem mortes e violência, como os das franquias Call of Duty e Free Fire, são acessados livremente por crianças. Via GE, Veja.

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64 comentários

  1. E em grupos gamers e protótipos de chans, já tem doidinhos de bairro pedindo o impeachment do Lula… 🤦

  2. Ghedin, não vou ler os quase 60 comentários, mas, no LinkedIn você disse que desconhecia “estudos” que afastassem a causalidade entre jogos e violência. Eles existem, eu já postei em outros comentários pra você esses estudos. Posto de novo aqui linkados numa matéria da CNN.

    Sabe o que é mais culpado sobre essa violência? A própria violência do capital. Consumo, individualização, competição em todos os setores da sua vida, cidades segragadas, violência na TV como algo corriqueiro em programas policiais, violência da falta de estado nas periferias onde a figura de autoridade é o traficante, miliciano ou chefe da facção, etc.

    Temos muitas outras questões sobre isso ANTES de nos preocuparmos com sexo na novela, Counter Strike ou qualquer outra coisa.

    A questão aqui, Ghedin, é que você acredita nisso e por isso dá uma megafone pra esse assunto. E não tem nada de errado nisso, mas tem referências psicológicas que vão além do achismo.

    1. Sinto que o debate foi desvirtuado, de “crianças de 9–12 anos estão jogando jogos inadequados à sua idade” para “jogos violentos deixam as pessoas violentas”. É uma pena, porque esse segundo assunto, além de batido, desvia a atenção do que deveria ser o foco.

      Meu argumento não é puro achismo. Existe evidência científica de que jogos violentos aumentam a agressividade em crianças. O que, repito, não significa uma relação causal direta, nem que se abolir jogos violentos não teremos mais massacres perpetrados por adolescentes. É, como você diz (e eu concordo, e a pesquisador citado também), um problema multifatorial. E como todo problema multifatorial, não dá para atacá-lo linearmente, o problema maior antes do menor.

      Vou além: boa parte da pesquisa que descarta a relação entre jogos e violência/agressividade é baseada em cenários raros hoje, de jogadores isolados. O problema agora vai além do jogo em si, com influenciadores e toda uma cultura tóxica, de extrema-direita, cooptando jovens a partir dos jogos. Se a gente debate e aceita a hipótese de que as redes sociais influenciam nesse sentido, por que não os jogos multijogadores, que são praticamente redes sociais interativas?

      1. Como eu disse antes de iniciar meu comentário, não li os outros comentários (que já são mais de 60 agora) e me baseei exclusivamente na fala e na sua nota.

        Dito isso, claro que concordamos que é um fator que não é isolado, mas não é isso que nós somos levados a entender inicialmente. Assim como não somos levados a crer que o que se estava lendo sobre, essa discussão, era o aspecto social dos jogos. Eu concordo em partes, comunidades de jogos são locais de agressividade, misoginia, homofobia e todo o tipo de particularidade que aprendemos a colocar na direita liberal, contudo, esse pensamento pode nos levar pro local errado.

        Explicando: o quanto é que uma comunidade de jogos online serve como catalisador de uma cultura extremista de violência quando comparados com cultos neopentecostais? Ou com think tanks liberais como a Banda Loka, MBL, NOVO, Fórum da Liberdade e outros?

        É uma análise multivariada que não tem um catalisador, chuto eu, e sim uma questão multiculturalista que envolve criação, saúde mental, pobreza e capitalismo. Ninguém fala na competitividade extrema do capitalismo (pro vestibular, pra arrumar emprego, pra entrar no mestrado, para subir na carreira) assim como poucos relacionam as questões familiares com esses ataques (como são os pais dessas crianças e adolescentes? Eles têm histórico de agressão física? Como a família está estruturada?).

        Os games e os chans são os locais de pertencimento desses homens que estão em formação e que não tem um futuro ou aspirações na vida por conta de uma sociedade capitalista que lhes tolheu aquilo que era mais simbólico: ser homem branco. O Silvio Almeida fala sobre isso, sobre esse “salário simbólico” que o WASP/Redneck americano perdeu quando ocorreu a ascenção dos negros dentro dos EUA e em como isso desencadeou um voto massivo do rust belt no Trump (o salário simbólico deles era, exatamente, não ser negro). Os gamers estão vendo uma crescente revolução no modo como o mundo enxerga homens brancos e com isso acham que perderam uma “força simbólica” de ser maiores/melhores do que mulheres e homens negros. Esse sentimento é comum em comunidades e chans e nos leva aos movimentos de red pill, mgtow, incel etc.

        A análise multifatorial que você aponta corretamente, deve fazer a pergunta do que os leva a esses locais e não se esses locais são os causadores dos atos.

        PS: interessante você linkar a matéria de 2022 da Agência Pública sobre os “partidos” de extrema direita estarem usando os fóruns e jogos online como campo de recrutação. Interessante porque eu falei disso (estratégia-Bannon) antes desse tipo de coisa começar a entrar no radar das pessoas. Eu mesmo traduzi um artigo em 2020 sobre o tema.

        Também falei sobre o Kill All Normies antes, bem antes, disso tudo.

        Outra coisa que é bom as pessoas começarem a notar é a saúde mental dos homens (velhos e novos) que está se deteriorando rapidamente por conta do capitalismo, das cobranças e da falta de um apoio emocional por suas partes (esposas, filhos, amigos), assim como a renda média do brasileiro “millennial” que está sendo corroída como ocorreu nos EUA e a informalidade nas periferias que está cada vez maior, jogando as pessoas desses locais direto na teologia da prosperidade. Não é bom esperar esses movimentos estarem completamente assentados para tentar retomar essas pessoas ou pensar em um plano de ação.

        Enfim, esse assunto eu entendo um pouco porque eu me preocupei quando vi meu irmão, na época dos seus 12 anos, tendo esses comportamentos, e não achava que a culpa era dos jogos. Fui atrás de informação e fui atrás de, junto da minha mãe, tratar sobre o tema com ele. Como na maioria dos casos, ele largou mão de ser babaca e se tornou uma pessoa normal, mesmo vindo de um local de fala que seria propício a um massacre: pobreza, família desestruturada, mãe e pai ausentes por conta de divórcio e trabalho, dificuldades na escola por conta de professores com baixa formação, fóruns a um clique de distância e uma comunidade machista tóxica e armamentista que fomentava nele a ideia de “ser homem”.

        PS.1: por sorte na época eu conhecia a professora Rosana Pinheiro Machado e ela estava bem no início da pesquisa sobre as periferias (que depois virou o livro) e ela conversou comigo sobre isso. Agradeço imensamente a ela.

        PS.2: por mais que o MdU queira ser um lugar legal na internet, não adianta, a internet é tóxica.

        1. Resumindo:

          E eu acho que é uma conversa que podemos ter sem morder a isca — porque não se trata do conteúdo dos jogos em si, mas da maneira como a cultura que cerca os jogos oferece um solo particularmente fértil para plantar as sementes do ressentimento que se transformam posteriormente em ódio.

  3. Lendo alguns comentários nesse post, fiquei em dúvida se certos leitores foram acometidos por ingenuidade ou de fato distorceram os argumentos apresentados. Portanto, vou listar alguns argumentos abaixo e oferecer ideias contrárias a eles.

    1. É nítido que a maior parte dos jogos a que as crianças estão expostas são violentos. Na verdade, é mais fácil listar os jogos que são exceções, ou seja, aqueles que não enveredam pelo caminho dos tiros. Condenar o argumento do presidente porque ele disse que são todos os jogos é simplesmente ignorar o principal ponto: as crianças atualmente são expostas a muita violência em vários videogames.

    2. O fato de existir uma classificação etária não invalida a fala dele. Continua sendo verdade que muitas crianças de “8, 9, 10, 12 anos” são expostas a esses jogos. O argumento de “mas existe classificação etária” é só um preciosismo para evitar a verdadeira construção de ideias. Afinal, na prática esse controle do acesso aos jogos (e a outras mídias inclusive) não existe!

    3. Outro argumento muito comum foi sobre outras mídias violentas, como filmes, séries e – pasmem – até mesmo livros. Não entendi como isso invalida a fala citada. Em momento algum foi dito que os jogos são as únicas causas dos problemas – acho que a fala é muito mais para mostrar que eles representam um contexto social de exposição constante a violência. Além disso, é muito nítido que o nível de interação dentro dessas mídias é completamente diferente. Precisa ser muito ingênuo (ou desonesto) para acreditar que a descrição de violência em um livro se equipare a demonstração brutal e ao incentivo da violência em uma mídia digital.

    4. Também vi muito argumento na linha do “eu cresci jogando e não sou violento” ou “milhões de pessoas jogam e não saem matando por ai” – até pessoas mais próximas ao lado ideológico falaram coisas nessa linha. Ora, se alguém concordar com um argumento nessa linha, também assumirei que essa pessoa defende a indústria tabagista ao máximo: “conheço várias pessoas que fumaram a vida toda e não desenvolveram câncer!”. Francamente…

    Em momento algum foi dito que todos que jogarem se tornarão homicidas. Em momento algum foi dito que a solução é proibir videogames. Em momento algum foi dito que essa é a causa dos problemas recentes de violências escolar.

    E sinceramente fico preocupado que a exposição constante de crianças a cenas violentas por meio de videogames já não seja mais considerada um problema.

    Imagina o que vamos normalizar daqui a pouco…

      1. Android no br. Verdade.
        Em android apenas 5 dos 16 jogos mais baixados são “de tiro”.
        Ainda assim falhou se usar a tal de “estatística”, essa coisa inconveniente e complicada.

        Novamente, exagero de um assessor burro para ser polemico, ou… ou tiramos o assessor da frase.

          1. Jogos com algum nível de violência / combate:

            FreeFire, MOBA, PUBG, Roblox (permite criar jogos deste tipo), Clash of Clans (RPGs e Estratégias geralmente tem contexto de guerra / combate, com uso de armas), Pokemón Go (Pokemón é rinha, tá? )

          1. Ia baixar agora o freefire mas vi que ele diz que é 14 anos. Optei por não baixar. Sabia que diz ali na pagina onde baixamos? Honestamente eu não sabia, por isso que fui ver.

            Mas você tem rasão. Acredito que 30% dos videos online são pornografia. Vamos acabar com videos online. É bastante coisa, e por mais que o site coloca “apenas 18 anos” acredite, tem formas simples de clicar no play. Pense nas crianças!!!

          2. Amigo, você está brigando com um moinho de vento. Em momento algum foi aventada a hipótese de banir ou proibir jogos violentos. (Ao menos, não na fala do Lula; isso foi sugerido pelo Zé Trovão.) De onde você tirou isso? Parece-me que você é antipático ao governo, e tudo bem, é do jogo, mas se for fazer críticas, faça-as com embasamento, pelo bem do debate e em respeito aos seus interlocutores.

            O que está sendo debatido, reitero, é se crianças deveriam ter acesso a jogos violentos. E aí, acho que concordamos que alguém de 10 anos não deveria estar jogando games de tiro tipo Free Fire, muito menos vendo pornografia na internet, né?

          3. A critica que tenho é quando algum politico fala coisas que podem me afetar sem embasamento. Não existe relação evidente entre jogos violentos e violência, nunca houve, mas quando alguém como o presidente fala isso pesa. Aqui é o problema. Ele joga números e palavras simplistas para o ar sem pensar, e o povo aceita e entende coisas sem saber a verdade.
            Votei nesse governo, ainda não me arrependi.

          4. Entendo, mas relaxa, não é o fim do mundo. Duvido muito que isso dê em alguma coisa drástica, do tipo “proibir jogos violentos”. O debate em torno do assunto evoluiu muito e o espaço da indústria de games é grande demais para acontecer uma caça às bruxas como ocorria nos anos 1990.

          5. Concordo com o Ghedin. A declaração é muito infeliz, mas não deve TSR efeitos práticos. O que o Lula esta fazendo é política, jogando com suas bases. Como, aliás, ele sempre fez.

          1. Ae concordamos se o seguinte: bloqueia jogos violentos (porque sim, pois não tem relação estatistifica com violência). Bloqueia também porn, porque o que tu falou acima. Bloqueia claro todas as redes sociais por motivos óbvios. E olha bem para o youtube, e novamente por motivos óbvios parece ser melhor bloquear né?
            O que resta, francamente, seria uma internet que eu teria gosto de usar. Mas não sei porque acho que isso não vai acontecer….

    1. Nintendo nem jogos localizados tem, nem sequer uma mísera legenda, sem falar que cada jogo não sai por menos de 400 reais. Eu gosto da empresa mas, ultimamente estou preferindo comprar o console da empresa irmã.

      1. Coisa mais linda eles fizeram comigo: bloquearam minhas compras por cartão de credito – sem motivo, apenas bloquearam e fim. Tentei até procon mas não responderam. O console está OK, posso comprar nos USA qualquer jogo, apenas não no Brasil.
        A solução foi otima. Tenho um console g1, Sabia quão facil é piratear nele?!! Eu não sabia, até a nintendo brasil me bloquear…..

  4. Perdi uns 20 minutos escrevendo um baita textão para lançar uma luz nesse comentário idiota do presidente, mas não foi e acabei perdendo.
    O TLDR é:
    1) Existe jogo de amor e de relacionamento. O lulle que não conhece.
    2) Jogo violento é sempre +18. Então se um “moleque de 8, 9, 10, 12 anos” está jogando, a culpa é dos pais.
    3) Discussão sobre violência nos videogames é muito anos 2000, por favor.
    4) Quanto tempo até o governo do amor proibir ou querer “regular” jogos e viodeogames?
    5) Vai proibir filmes violentos tb? Novelas? Livros? Em que mundo esse lulle vive?

  5. A Daniela e a Julia botaram a luz que precisava. E vou começar a partir deste novo comentário para tentar alinhar aqui tanto algumas respostas que tenho (e devo ao Diego e aos outros) quando para tentar ajudar no raciocínio que estamos chegando aqui.

    Como já dito, jogos tem restrições por idade, ou seja, não dá para deixar alguém -18 jogando Counter Strike, Free Fire ou “de tirinho”/guerra. Na prática sabemos que é complicado controlar, pois culturalmente isso já vem sendo massificado e de certa forma “tolerado”.

    Muitos de nós aqui provavelmente temos entre 30 a 50 anos (Ghedin, me puxa orelha aqui!). Então provavelmente vivenciamos as épocas entre o Atari e o Super Nintendo. E com isso, também as polêmicas. . Mortal Kombat (que literalmente mostrava dilaceração…), Carmaggedon (e o incentivo a violência no trânsito), GTA (que é literalmente a história de criminosos cometendo crimes…).

    E bem, todos nós de alguma forma tivemos contato com eles. Estamos loucos com isso? Err… bem, se “normal” é tolerar histórias de guerras ou violências nos arredores… porque talvez o que os jogos podem nos proporcionar é uma espécie de sensação que “uma violência pode ser normal e tolerada, desde que não seja conosco”.

    Nisso eu aí pego o comentário do Greg e implico só com uma coisa: como se fosse culpa da “extrema direita” pela incitação a violência, não que eu não queira desmerecer isso, mas sim porque relação política é complicada, e as vezes acho que a gente não está conseguindo achar o termo certo para seres que querem usar violência como forma de controle político total. A extrema direita faz parte, mas quando olhamos países totalitários, a forma política (direita ou esquerda) é o de menos, o que ocorre é o totalitarismo com violência/repressão. Mesmo a “direita light” ou a “esquerda esperta” podem usar a violência – na forma do Estado com as polícias e a justiça – para poder impor algum controle. Mas aí é um assunto que não domino bem e na verdade sinto até falta de alguém especializado em sociologia para falar melhor. Por isso paro por aqui e deixo no ar para quem quiser continuar este raciocínio.

    Enfim, divagações longas a parte, sou da ideia que se a gente segue a lógica que “a cultura influencia e é influenciada”, jogos e não só – qualquer produto midiático como séries, animações, quadrinhos – podem ter influência e influenciar para comportamentos que tolerem violências. O ideal é que qualquer mídia que permita isso tenha restrição para quem não compreende isso, sob pena de quem tiver contato acabar absorvendo e tolerando comportamentos. Nisso vale o dito pelo Greg: É NOSSA RESPONSABILIDADE COMO SOCIEDADE evitar que uma criança ou alguém que não discerne sobre tenha contato com este tipo de mídia, incentivando no caso crianças a acharem algo que tenha uma apresentação diferente e lúdica.

    “Ah, mas o maníaco não tem contato com jogos”, e aí cabe um outro ponto – como será então que ele se influenciou a ter comportamento violento? Vizinhança? Jornais? Revistas? O Balanço Geral? O policial vizinho? Ou criminoso vizinho? O desenho do pica-pau maluco?

    Difícil dizer. De alguma forma, pessoas acabam querendo usar um comportamento violento para chamar a atenção de forma midiática. Teria que analisar caso a caso para saber, e como evitar “gatilhos”, ou seja, que alguma mídia funcione de forma a alguém que tenha um desvio comportamental a praticar uma violência, seja contra si mesmo (lembrando que a internet tem os problemas de incentivo a suicídio também) quanto a terceiros (como o caso de ataques as escolas).

    Dar valor as palavras de sociólogos, psicólogos, psiquiatras e psicopedagogos também ajuda a achar um norte para esta situação.

    Só temos que ter em mente o seguinte: uma coisa é tentar imitar o PacMan e ficar comendo bala pela rua fugindo de fantasmas. Outra é pegar uma arma e matar outra pessoa porque pensa que está no Counter Strike…

    1. Muito legal, Ligeiro, bacana esse resumo!

      Sobre a extrema direita, entendo o seu ponto, e acho que dependendo da sociedade/país que você se refira, você está certo. Entretanto, quando fiz meu comentário, estava me referindo especificamente a esse momento atual do Brasil, levando em conta nossa historia recente, mesmo. Analisando o contexto histórico podemos ver que aqui no Brasil, o número de ataques em escolas aumentou drasticamente após a tomada do poder pela extrema direita.

      Como já comentei, no Brasil de 2023, foi a extrema direita que trouxe a violência como política, por excelência. Eles normalizaram (no sentido de “tornarem a norma”, o caminho default). Isso todos nós sentimos. Lembro, por exemplo, da reação espantada da mídia quando voltamos a ter um presidente que dá entrevista, por exemplo, sem insultar os jornalistas (pq a norma até então era violência).

      Quanto a influência dos jogos, acho que esse tipo de associação é pobre. Todo jogo te obriga a um certo nível de suspensão da descrença. Você precisa entrar no clima do jogo e fazer de conta ali na sua cabeça. Também não sou sociólogo, pedagogo ou filósofo para conseguir analisar os limites disso, mas no geral, as crianças tem a capacidade de entender o que é jogo e o que não é. Acredito que jogos tem uma influência muito maior sobre controle de narrativas (como vários jogos de guerra retratando os EUA como mocinhos, e literalmente escrevendo essa história no imaginário da população), mas “ensinar a matar”, a meu ver é uma simplificação tosca.

      Quem ensina a matar são grupos neonazi e de extrema direita, que, sem investigação e coação por parte do Estado (muito pelo contrário) se expandiram muito bem obrigado nesses últimos anos, e se infiltraram nos mais diferentes meios. Esses sim borram a linha entre video game e realidade, pois usam a linguagem dos games para falar da vida real (vide um dos atacantes falando de “pegar kill”). Quem ensina matar são CACs, que abriram clubes de tiro como quem abre bar ou igreja, e quem literalmente leva seus filhos pra atirar. Quem ensina a matar é gente como Paulo Kogos, que fala que criança tem que ir pra escola com arma. Essa, a meu ver, é a raiz do problema que estamos tendo agora, aqui no Brasil. É o mesmo problema das brigas de bar, de trânsito, rixas politicas, etc, que viraram chacinas. Tudo isso acontece mais agora do que antes, porque a extrema direita normalizou o ódio e o extermínio do outro, e deu condições pra esse tipo de coisa acontecer (inclusive facilitando o acesso a armas de fogo).

      Acredito que deva existir um maior cuidado com classificação etária e formas de se empoderar mais pais e educadores com relação a isso, mas isso é uma parte pequena do problema. É preciso voltarmos a uma realidade em que o normal seja a tolerancia, o dialogo, a mediação e a civilidade, e que a violência só ocorra nas telinhas dos games.

      1. Obrigado.

        Então, da questão de “ensinar a matar”. Jogos de tiros são inclusive usados para treinamento. Então usar a desculpa de que “precisa ter descrença” ignora que a mecânica do jogo é feita para crer que está em uma situação de combate. O vídeo que a Daniela trouxe é excelente e explica bem sobre, diga-se. Sugiro ve-lo junto com todo este texto e comentários.

        Quando você pega o Paulo Kogos (que bem, creio que ele é infelizmente uma pessoa que tem seus problemas socioculturais e foi usado como “veículo de propaganda”), você pega um exemplo de pessoa que geralmente é “deixada de lado” na vida devido ao estereótipo e acaba indo de encontro a pessoas que tem problemas similares e ao invés da pessoa ter o conhecimento de sociedade de forma a contribuir ou fazer parte, eles acabam se unindo e vendo parte da sociedade como inimigos. Aqui cabe um ponto na complexidade: quando a gente pega gente que usa dos estereótipos de preconceitos como o pessoal do MBL, que usa de forma dúbia a questão, a gente acaba meio perdido mas ao mesmo tempo entende o interesse dos caras para usar qualquer recurso para ter poder de atenção. Porque é muito aquela cartilha do “self-made”, a pessoa não pode se importar com as ofensas (se for os outros sofrendo ofensa), mas se precisar pode (na visão deles e quando é contra eles ou “parça” deles).

        A extrema direita (e quem interessar) usa este tipo de subterfúgio (as armas e ao combate de estereótipos) para recrutar pessoas para as políticas deles. Esse é um ponto a ser necessário atenção.

        Enfim, só vou reforçar: veja o vídeo indicado pela Daniela: https://www.youtube.com/watch?v=9Sq-EjKYp_Q

        1. Entendi seu ponto. Assisti o vídeo em questão, e achei muito interessante a discussão sobre jogos e a redução de tudo a mecânica de combate.

          Como disse anteriormente, não sou especialista, e não ignoro que possam existir situações limite; que existam pessoas com questões psicológicas que apresentam dificuldade de discernir fantasia de realidade, e o que pessoas com essas questões podem fazer caso expostas a simulacros de violência. Também compreendi que soldados podem usar esse tipo de jogo para treinamento de combate, mas eu mantenho o meu ponto. Estatisticamente, a maioria das pessoas (crianças, inclusive) que forem expostas a jogos violentos saberão que aquilo é um jogo, não vão sair por aí fazendo chacina porque acham que estão dentro de um jogo.

          O tipo de conteúdo que elas precisam ser expostas para passarem a considerar esse tipo de atentado alguma coisa positiva, a meu ver, não tem a ver com a natureza dos jogos, como o próprio tweet do Marcelo Soares que você citou explicita. Os ambientes de jogos são locais onde eles procuram crianças e adolescentes propícios a engolirem a ideologia fascista, pouco importando qual jogo é.

          Compreendi a problemática da violência nos games, e da redução de tudo à violência. Acho que é um problema complexo e que certamente tem um impacto na sociedade. Acredito, entretanto, que esse impacto seja de longo prazo, que a falta de imaginação nos games empobrece a imaginação do mundo. Acho que isso se alinha bastante com o realismo capitalista do Mark Fisher, “é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo”, etc (até pelo comentário feito no vídeo de que a grande maioria dos games se passa em um cenário pós apocalíptico). Acho que, no curto prazo, a violência dos games não é automaticamente transferida para a vida real, é preciso o incentivo de alguém. Justamente o que grupos de extrema direita, incels, red pills e toda essa fauna fascista vem fazendo na Internet, especialmente aqui no Brasil, livremente nos últimos anos, e por isso que eu continuo acreditando que a culpa desses atentados recentes aqui no Brasil é da extrema direita mesmo.

          E sobre o Paulo Kogos, ele é muito menos vítima do que parece. Recomendo esse vídeo do Meteoro Brasil falando um pouquinho mais sobre essa peça.

          1. Quando falo “Vítima”, é porque noto que o comportamento do Kogos é um comportamento social diferente. Como não sou da área de psicologia ou psiquiatria, não me aprofundo, mas tipo, a sensação é que ele tem alguma dissociação social que acabou o enfiando neste “mundinho” na qual ele defende (vi o vídeo do Meteoro por cima pois sem paciência…).

            E isso me faz pensar no quão o mal é deixar as pessoas online sem se aterem a contextos. A sorte (ou azar) de alguma forma é o fato que hoje no final quem é bem leigo caí em vídeo de gatinho, de besteirol online ou da “dica do dia” nas redes de vídeo rápidos.

            Mas voltando a questão dos jogos, ainda acho que jogos (e outras mídias) podem influenciar nem que seja para, como já falei, “tolerar violências”.

  6. No calor do momento escrevi um comentário tão grande que o sistema não aceitou rs, talvez tenha sido algo bom no fim.

    Bom, não tenho mais do que acrescentar do que os comentários aqui já escreveram, é ou um bode expiatório pra culpar algo ou só falta de entendimento.

    Mas, violência nos jogos, essa discussão que existe também no meio de desenvolvimento de jogos, em especial muitos desenvolvedores são contra essa fetichização das armas e militarização dos jogos, mas muitas vezes isso é empurrado por não desenvolvedores.

    Então, sim existe uma discussão válida, já existente há tempos sobre isso, mas não, não é assim que se fará essa discussão e há problemas muito piores e mais relevantes que “pré-adolescentes estão jogando jogo de tiro no celular”, em especial, como temos aqui no Brasil um fetiche e glorificação pela violência muito enraizado na nossa cultura (violência policial por exemplo).

    Além disso, se vamos falar de jogos violentos, então que se fale também sobre os filmes, como John Wick, que é muito mais violento que a maioria dos FPS por aí.

    Enfim, responsabilizar os jogos por isso é um gasto de energia no lugar errado, creio eu. Essa fala infeliz do presidente só está nos fazendo perder é tempo e energia que poderia ter sido melhor aproveitada (como por exemplo, sobre a responsabilidade das redes sociais, MUITO MAIS relevantes nesse contexto).

    Quanto aos pais, cabe a responsabilidade de usar o modo de controle parental, como youtube kids, jogos educativos (e trancar a play store), etc etc, e não deixar assistir o que o algoritmo (no modo não kids) rolar no que bem entender, se pah melhor nem dar o celular pra inicio de conversa. entendo que muitos pais não tenham essa ciência, mas conscientizar sobre isso faz parte também.

    1. a propósito, quem quiser ver mais sobre a relação entre militarismo, violência e jogos, recomendo procurar os conteúdos produzidos pelo Rique Sampaio, ele é jornalista de jogos e pesquisa sobre o tema há uns anos, já escreveu, produziu vídeos e palestrou sobre o temas em algumas oportunidades.

  7. Pelo jeito essa vai ser a pauta do momento mesmo.
    Semana que vem vai ser o que? Filmes? Quadrinhos? RPG?

  8. 1º, o assassino de Blumenau, pelo que eu li, nem jogar, jogava.
    2º, sempre depois dessas tragédias ou qualquer outra polêmica envolvendo jovens, políticos procuram um espantalho e me admira mto o Ghedin cair nessa esparella. Já foi Goethe na virada do século 19 pro XX, já foram os quadrinhos nos anos 50, o rock nos anos 80, e jogos no século 21.
    3º, ninguém inteligente devia cair nessa pataquada, pois não há nenhuma relação provada empiricamente entre jogos e violência, como por exemplo há entre redes sociais e distúrbios de saúde mental.
    4º, se há jogos (ou qualquer outro produto de entretenimento) consumido por crianças sem que seja compatível com a faixa de idade dela, a responsabilidade é pura e simples da família. Mas como brasileiro adora terceirizar responsabilidades, não duvido que em breve vão arrumar alguma proibição estapafurdia.

    1. Pontos 1, 2 e 3 não discordo.

      Ponto 4, discordo totalmente e aponto uma inconsistência. As crianças são responsabilidade de toda a sociedade, e isso é uma premissa internacional, que guiou a criação de instituições como a UNICEF, e que guia uma série de legislações pelo mundo, como o nosso ECA, que diz em seu artigo 4º:

      É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

      Na verdade, quem está se esquivando da responsabilidade é quem simplifica uma questão tão complexa quanto essa, assumindo que na sociedade todos conseguem exercer plenamente a função parental, sem nenhuma interferência do mundo ao redor, e se isenta de fazer parte da criação e da educação das crianças. A responsabilidade de garantir que as crianças tenham uma infância plena e uma educação cidadã é de todos nós. Quando um ataque como esse ocorre, a culpa também é nossa: todos nós falhamos com essas crianças.

      1. Sobre a questão do ponto 4: eu mandei uma resposta anterior citando a questão da falta de acompanhamento dos pais que pode influenciar a situação. Eu não discordo quando você fala que as crianças são de responsabilidade de toda a sociedade. Mas é um fato que os pais tem uma responsabilidade bem maior sob a criação dos filhos, que reside em questões mais imediatas, como alimentação, educação, saúde, e no caso em questão, o “consumo de conteúdo” pelas crianças.

        A sociedade entra aí como um “agente indireto”, atuando através de leis, órgãos e instituições, que verificam, fiscalizam, remediam e até punem, caso haja algo errado ou fora do controle com a formação das crianças. Então não é negar que a sociedade falhou com as crianças; mas também saber que os pais tem uma grande parcela de responsabilidade na formação de um filho. Até porque se os pais não conseguem exercer essa função (o que não é incomum aliás), é aí que a gente deve agir, e não se isentar.

        1. Parei de acompanhar esse tópico pois comentei em outros, e só vi sua resposta agora, me desculpe.

          Quanto à questão específica do “consumo de conteúdo”, acho injusto responsabilizar os pais em primeiro lugar. Pensando em uma sociedade urbana, uma família média com duas pessoas exercendo a função parental, ambas trabalhando, é muito difícil exercer um controle efetivo sobre tais conteúdos. Independente da abordagem escolhida: mais fechada, com maior controle, restringindo acesso, ou mais aberta, com mais acesso e mais diálogo, ou algo no meio, lutar contra o conteúdo infinito e sem limites da Internet é uma tarefa hercúlea para pais. Já ouvi inúmeros relatos de pais e mães que sofrem com essa dificuldade e com esse dilema: proíbe ou libera.

          Acredito que sua hipótese de “agente indireto”, que se baseia que a sociedade deve regular caso “algo dê errado”, ao invés da exceção deveria ser a regra, pois esse tipo de ataque, pelo menos pra mim, é uma prova mais do que cabal de que tem algo muito errado.

          Além disso, essa hipótese tem uma premissa importante que é “a regra geral dá certo e só precisamos agir nos casos desviantes”. Isso parte de uma premissa ainda maior, que é a concepção individualista da sociedade atual: que as famílias são núcleos isolados, com direitos e deveres por família. Cada um no seu quadrado, e se der algo errado o Estado atua para corrigir. Essa concepção tem uma miríade de problemas, que acredito serem tópico para outras discussões, mas, em suma, adoece as pessoas, as desorganiza, as aliena, e assim retira seus poderes. Acredito ser importante voltarmos a pensar mais na coletividade e menos no indivíduo.

  9. Não sou gamer (“até tenho amigos que são” /s), mas achei a colocação do Lula muito infeliz. Com certeza existe esse problema da classificação etária dos jogos, e de crianças pequenas terem acesso a esse tipo de entretenimento, mas a infelicidade para mim é o momento em que ele coloca essa questão, na tentativa de apontar culpados para os trágicos ataques dentro de escolas.

    Entendo que, por ser governo, eles são todos vidraça e precisam criar alguma resposta rápida, para dar a sensação para a população, especialmente pais em pânico, de que algo está sendo feito imediatamente para abordar esse problema. Também não podemos deixar de ressaltar a brutal diferença em relação ao governo passado sobre a resposta a esses ataques. Pelo menos dessa vez estão tentando achar uma solução, mesmo que ruim.

    Mas, infelizmente, apesar de poder haver alguma influência, tais tragédias não são culpa de jogos violentos, nem das plataformas de rede social, a culpa é da disseminação do ódio na sociedade por parte da extrema direita nos últimos anos. A ascensão ao poder da extrema direita (e mesmo antes, graças a conivência da nossa “elite” nojenta), abriu a tampa do esgoto e trouxe para o mainstream o que há de pior em nossa sociedade. As pessoas estão há anos ouvindo sobre “fuzilar”, “mandar para a ponta da praia”, elogios a torturadores e a ditadura militar, ameaças de golpe, incentivos a motins policiais, incentivo a compra de armas (“todo mundo tem que comprar fuzil”), incentivo a prisão, agressão, humilhação, vilipêndio, e até assassinato de opositores políticos, etc e etc. E isso em todo lugar: no congresso, nas ruas, na televisão, na Internet (até em igrejas!). Tudo isso somado a uma rede de propagação de notícias falsas (financiada com dinheiro público!), criando boatos ultrajantes, inimigos imaginários e sempre acirrando os ânimos e incentivando o ódio, o ataque, a morte do outro (e a defecar em prédios públicos)

    Hoje em dia vivemos em um país rachado, mergulhado em ódio e em intolerância. Esses ataques são só mais uma das incontáveis consequências da deterioração da nossa sociedade. Esse governo, que se elegeu como alternativa civilizatória à barbárie da extrema direita, precisa não só criar bodes expiatórios imediatos, mas atacar as verdadeiras raízes desse problema: punir os disseminadores de ódio e de fake news (não só as plataformas); punir exemplarmente os infames militares que gestaram, pariram e criaram o fascismo de dentro de seus clubes militares para o país inteiro; fomentar políticas públicas sobre a memória, relembrar ao povo que essa barbárie é inaceitável. Só assim, a meu ver, temos alguma chance de não seguirmos o triste caminho dos EUA que tem mais de um ataque em escola por dia.

    1. Com certeza, existem muitas discussões que deveriam ser feitas, mas é mais fácil usarem um bode expiatório pra esquivar das raízes reais desses problemas.

  10. Esse é um debate complicadíssimo, mas necessário. Se de um lado tem todo um pânico moral conservador que fica perseguindo os jogos, do outro já houveram várias reportagens denunciando a relação da indústria armamentista com os jogos de tiro. E em cima disso, tem algo que eu acho que é das crianças, de se interessar pelo que “não é adequado pra elas”: um jogo pedagógico/educativo bem feito dificilmente vai despertar o mesmo nível de interesse que um jogo de tiro frenético. O foda é como dialogar todos esses atravessamentos nessa sociedade mega polarizada, né.

    1. Quando eu estava na universidade, estagiei em um projeto que desenvolvia um jogo educativo para adultos – mais especificamente, docentes -. Era comum quando o jogo era apresentado à comunidade externa justamente as crianças quererem jogar, mesmo sem ser o público algo e sem entender o conteúdo ali. Elas gostavam de sentar na frente do computador e tentar acertar as respostas e coletar os itens nos cenários sempre com uma cara muito confusa, mas sem sair dali. Os adultos gostavam de ouvir as explicações e metodologias do projeto, ler os flyers, mas dificilmente tinham vontade de jogar. Acredito que tenha sido pela estética um tanto infantil do jogo e mecânicas simples. Mas achei por bem deixar esse relato, crianças interessadas em um jogo educativo que nem era pra elas. (Imagino que um adolescente não teria paciência pra jogar nem um minuto no entanto)

    1. Eu ia responder ao Rudá, mas sem problemas…

      Aproveitando, isso me faz lembrar que o Wii tinha diversos quizes , mas a maioria em lingua estrangeira, não?

    2. Tem alguns jogos de “simulador de namorada” japoneses, mas não acho que é exatamente nesse tipo de jogo que Lula estava pensando…

    3. O Pop Culture Detective tem um vídeo sobre isso

      O que me vem a mente são basicamente puzzles, com ou sem narrativa. Mas consigo pensar em outros jogos em que existe violência mas ela não é necessária – ou até nem preferível – como Undertale e The Sims. E aí entra a questão também de níveis de violência: no The Sims é um jogo que inclui violência física mas os personagens não matam uns aos outros (o jogador pode), não tem violência sexual, etc. Ou o Untitled Goose Game, que o máximo que vai acontecer é você levar uma vassourada e é um jogo na base do humor.
      Eu concordo com o que a Julia falou, os jogos são fruto da cultura em que estão inseridos e também tem influência nela, tem vieses e mensagens implícitas – e explícitas – seja na arquitetura do jogo ou na narrativa. E cabe aos pais e educadores fazer uma mediação e filtro do que é adequado ou não a cada criança ou cada faixa etária, assim como qualquer outro artefato cultural. Mas não acredito, nem de longe, que sejam a maior influência no comportamento de uma criança ou adolescente.

      1. Fiquei pensando aqui mais um pouco, olhei a minha biblioteca na Steam e lembrei de alguns jogos que tratam de relacionamentos, luto, superação de traumas, solidão… Florence, GRIS, The longing, Night in the woods, Wait! Life is beautiful são alguns que me vem à mente. Tudo indie rs

      2. Vim agradecer de coração a indicação do vídeo! (a quem interessar, está legendado)

        Bem legal de assistir, muito bem explicado e até com números (para quem gosta de “disputar números”) para exemplificar o quanto de jogo com violência tem por aí…

  11. “Não tem game falando de amor. Não tem game falando de educação.”

    Vamos fazer uma thread só de jogos que provam que o presidente está errado? Quem começa?

    1. Apesar de mal colocado, creio que a fala se refira aos jogos que as crianças (ou pelo menos a maioria) estão jogando no momento, e não à totalidade dos jogos existentes. Ainda assim, não creio que isso seja o causador da violência nas escolas das últimas semanas, tá mais para um catalisador. E esse tipo de discurso acaba também gerando um certo “estigma”, coisa que as reportagens da Record costumam fazer.

      1. Olha, vou ser bem sincero: a gente ainda não está sabendo lidar com este assunto pôs tememos mexer com algo que já acostumamos, que são influencias culturais. E como talvez tememos que a resposta possa ser pior, não debatemos do jeito certo.

        1. Eu concordo que as influências culturais nesse assunto pesam bastante. Mas não entendi a questão da resposta, seria pior em que sentido?

          1. É como posto pela Julia e pela Daniela: a pior resposta é a óbvia – jogos são parte de influência cultural e crianças tem contato com elas, algo que a gente PRECISA discutir sobre.

    2. A questão não é haver jogos assim ou assado, é uma criança de 8 anos aprendendo calibre de arma e os estragos que ela faz antes de saber usar corretamente o alfabeto inteiro.

      Esse argumento é tipo dizer que as crianças pequenas veem sexo na novela esquecendo que a dita cuja não é recomendada para menores de 14 anos (ou mais).

      Todo videogame, filme – até livros – tem indicação de idade. Povo anda solenemente pra ela. E sim, videogame influencia. TUDO influencia na formação da criança: da linguagem que os pais usam em casa à maneira como tratam empregados e vizinhos, mulheres e negros, população em situação de rua, os professores da escola dos filhos , passando por tudo o que é consumido em casa, seja livro, música, videogame, filme ou a ausência disso tudo.

      Como alguém disse, essa é uma discussão que a maioria dos gamers não está preparada para ter. É só dizer um ai contra videogame que o mundo vem abaixo, e toda e qualquer discussão imediatamente alcança o raso e morre por falta de oxigênio.

      1. Você mesmo falou: todo videogame tem indicação de idade. Então não entendo a questão de “É só dizer um ai contra videogame que o mundo vem abaixo”. Essa me parece muito mais uma questão de falta de acompanhamento dos pais do que qualquer outra coisa — falta de acompanhamento não só com o que os filhos jogam, mas também com o que eles assistem, lêem, e vêem por aí, principalmente na internet. Coisa que, por sinal, tá bem mais relacionada com essas tragédias nas escolhas do que a questão do videogame.

        1. Então; eu fazia parte de um grupo de discussão com pessoas de todas as correntes, idades e pensamentos, e o mundo caía quando se discutia armas/gênero/videogame/machismo. Era impressionante como não importava a ideologia, os antecedentes familiares, nada: era um tal de NÃO O MEU FILHO, NEM TODO HOMEM, ARMAS NÃO MATAM MAS PESSOAS SIM, RACISMO REVERSO, COTA É SEGREGAÇÃO etc. E a linha de pensamento sobre crianças x videogames violentos era “como assim meu filho de 9 anos não pode jogar Call of Duty se ele joga COMIGO?”

          Deixo aqui um link:
          https://themomedit.com/kids-screens-should-your-child-play-call-of-duty-mature-violent-video-games-online/

          1. Acho que isso passa muito pela questão do tempo de qualidade dos pais com a criança, né? O filho quer jogar videogame com o pai. Aí ao invés de procurar um jogo adequado para a criança (e que seria “chato” para o pai), o pai bota a criança para jogar o jogo que o pai quer jogar, com a desculpa de que estão jogando juntos. Acho que a maioria dos pais (homens) que eu conheço preferem expor a criança a um conteúdo inadequado do que ver algo para crianças com o filho.

    3. Sim, faça essa thread pra mostrar para ele! Aproveita e coloca o número de crianças que jogam esses games. Quando comparar com o número de crianças nos games violentos, ficará nítido que o ponto dele – embora colocado de maneira hiperbólica – segue muito válido.