NewPipe, o melhor (?) aplicativo de YouTube para Android

Ícone do NewPipe: círculo vermelho com um triângulo/seta branca apontando à direita.

O Google subiu o tom de suas investidas contra bloqueadores de anúncios no YouTube. Boa sorte com isso, Google, porque no que depender daqueles que rejeitam o esquema de publicidade à custa da nossa privacidade, os métodos alternativos continuarão de pé por um bom tempo.

O NewPipe é um ótimo app para Android. Leve, de código aberto, sem anúncios e com foco em privacidade, os desenvolvedores ainda fazem um esforço para entregar uma experiência familiar, e melhorada, a quem vem do app oficial do YouTube.

Em outras palavras, o NewPipe é o que o YouTube poderia ser se o maior interesse do Google não fosse sugar até o último centavo dos usuários.

Dadas as suas características, não é surpresa que o NewPipe não está disponível na Play Store. Existem dois métodos para obtê-lo: baixando o instalador (arquivo *.apk) direto do site oficial, ou adicionando o repositório do NewPipe à F-Droid, uma loja de aplicativos Android muito maneira. Recomendo a segunda opção. Se tiver dúvidas, não hesite em perguntar ali nos comentários.

NewPipe / Android / Gratuito

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Google atrasará atualizações de extensões para combater bloqueadores de anúncios do YouTube

A próxima frente de batalha do Google/YouTube contra bloqueadores de anúncios no YouTube é no processo de atualização das extensões.

Reportagem do Engadget diz que sob o Manifest V3, novo formato de extensões que o Chrome adotará no segundo semestre de 2024, as listas de filtros que a maioria das extensões usa para burlar as contra-ofensivas do YouTube só poderão ser atualizadas junto às extensões, um processo que pode demorar entre algumas horas e algumas semanas.

Isso, claro, no Chrome, o cavalo de Troia do Google para controlar a web.

Em outros navegadores fora do seu alcance, o Google utilizará técnicas menos sutis, como introduzir atrasos artificiais no tempo de carregamento do YouTube — o que já afeta alguns usuários do Firefox.

A briga de gato e rato entre YouTube e bloqueadores de anúncios é feroz.

Representantes de empresas que desenvolvem soluções de bloqueio de anúncios disseram ao Engadget que o YouTube já demanda pessoas dedicadas a monitorarem e atualizarem o arsenal anti-anúncios, de tão determinado que o Google está em combater a prática.

Ironia ou não, o esforço do Google/YouTube tem instigado os desenvolvedores a serem mais criativos e, com isso, a melhorarem seus produtos. Esta guerra está longe de acabar. Via Engadget (em inglês).

O momento, com o YouTube declarando guerra aos bloqueadores de anúncios (e usuários), não poderia ser mais oportuno para uma nova versão do PeerTube, um sistema de código aberto para publicação de vídeos e streaming ao vivo na web. A versão 6 traz um punhado de pequenas novidades úteis no dia a dia, como capítulos, proteção por senha e reenvio de vídeos, trabalhadas seguindo sugestões e pedidos dos próprios usuários. Via Framasoft (em inglês).

Os vídeos do Manual são publicados, além do YouTube, em uma instância do PeerTube.

YouTube coloca atraso de 5 segundos a quem usa Firefox e o apocalipse de bloqueadores de anúncios no Chrome

Diversos relatos no Reddit acusam o Google de acrescentar um atraso artificial, de 5 segundos, ao site do YouTube quando aberto pelo Firefox.

Mudando o user-agent para o Chrome, ou seja, “enganando” o YouTube para que o site pense que o acesso é via Chrome, o atraso some.

Questionado pelo site 404 Media, o Google não negou o atraso, mas disse tratar-se de parte da investida contra bloqueadores de anúncios: “Usuários que têm bloqueadores de anúncios instalados podem experimentar um acesso aquém do ótimo, independentemente do navegador que estejam usando.”

Deve ser coincidência que apenas um navegador rival esteja apresentando o “acesso aquém do ótimo”.

Note que não é um problema generalizado, tal qual a blitz anti-bloqueadores de anúncios do Google. Eu tentei reproduzir o problema aqui, sem sucesso. A 404 Media e publicações especializadas em Android, como o Android Authority, também não.

Em nota relacionada, o Google retomou o cronograma do novo formato para extensões do Chrome, chamado Manifest V3, que deve enfraquecer as que bloqueiam anúncios.

A partir de junho de 2024, versões de testes do Chrome trarão a novidade. Nos meses seguintes, a depender dos “dados” obtidos nas versões de testes, o Manifest V3 chegará à versão estável.

Quem usa bloqueadores de anúncios no Chrome terá suas extensões desativadas, caso elas não tenham sido adaptadas, ou convertidas para versões mais simples, adequadas ao Manifest V3.

Talvez seja um bom momento para dar outra/uma nova chance ao Firefox. Ele já é o navegador recomendado pelo uBlock Origin, a melhor extensão de bloqueio de anúncios, e, em breve, essa distinção ficará ainda maior.

(O Firefox adotará o Manifest V3 para fins de compatibilidade, só que sem os limites arbitrários que limitam bloqueadores de anúncios que o Google adotou.) Via 404 Media, Ars Technica (em inglês).

O papel da big tech nas eleições brasileiras de 2022, parte 3

Golpistas de verde e amarelo na Praça dos Três Poderes. Ao fundo, uma bandeira do Brasil tremulando.

por Guilherme Felitti

Este é o terceiro episódio de uma trilogia. Ao contrário de algumas das principais trilogias do cinema, é muito provável que você entenda tudo que eu vou descrever aqui, mas, tal qual em House, embora os episódios funcionem de forma independente, eles se complementam quando unidos. Ao contrário de House, aqui não tem o médico manco tendo uma epifania e criando um “deus ex-machina” lá pelo 36º minuto do episódio para que ele termine com a resolução do problema. Nas eleições brasileiras, tudo que poderia ter acontecido, aconteceu. Ou quase tudo — e não graças à big tech, mas a gente já chega lá.

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YouTube, bloqueadores de anúncios e o bloqueador de bloqueadores de anúncios

Mensagem do YouTube avisando que “Bloqueadores de anúncios violam os Termos de Serviço do YouTube”, com efeitos de glitch.

Nas últimas semanas, aumentou o número de usuários do YouTube e de extensões que bloqueiam anúncios se deparando com uma mensagem do YouTube/Google, na plataforma de vídeos, pedindo ou exigindo a liberação de anúncios para continuar sendo usada.

A imagem varia de acordo com quatro estágios. Na mais branda, há um “X” para dispensar a mensagem e continuar assistindo aos vídeos como se nada tivesse acontecido. Na mais severa, o YouTube impede a visualização a menos que o bloqueador de anúncios seja desativado ou o YouTube Premium — o plano pago da plataforma (R$ 24,90/mês) — seja assinado.

Hmmm… obrigado, mas acho que não.

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Na sexta (27), o ex-Twitter anunciou um plano “Premium+” de R$ 84/mês que remove anúncios. Nesta segunda (30) foi a vez da Meta revelar seus planos pagos para Facebook e Instagram na Europa, por € 9,99/mês. As duas plataformas se juntam ao YouTube, que remove anúncios por R$ 24,90/mês.

É bom que exista a alternativa paga e sem anúncios, mas isso não soluciona o problema. Poucos podem ou querem pagar. A oferta de serviços suportados por publicidade não é, a princípio, nociva. As práticas invasivas das big techs, que devassam a privacidade dos usuários para exibir anúncios segmentados, é que são.

Como baixar vídeos do YouTube pelo Terminal (linha de comando)

Seja por hábito ou por uma necessidade pontual, todo mundo já quis baixar um vídeo do YouTube.

Existem inúmeros sites estranhos infestados de anúncios que prometem executar o trabalho, e aplicativos limitados que só liberam todo o potencial mediante pagamento.

E existe a linha de comando, que nos dá aplicativos super capazes que não custam um centavo sequer. Nesta dica rápida, mostrarei como baixar vídeos usando apenas um comando.

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Mais “escolhas algorítmicas”, mais filtros

O YouTube parou de mostrar vídeos recomendados na página inicial para quem desativa o histórico de visualizações. Na Europa, o TikTok oferecerá uma opção de feed sem personalização algorítmica.

Por pressão regulatória, as big techs começam a nos dar alternativas à recomendação automática de conteúdo. É uma ótima oportunidade de combater a falácia da superioridades dos algoritmos opacos apenas porque passamos mais tempo nessas versões, como se rolar a tela sem ver o tempo passar — ou seja, o vício — fosse sinônimo de preferência ou mesmo algo saudável e/ou desejável.

O Bluesky, apesar dos alertas que sua estrutura corporativa e o envolvimento do ex-CEO do Twitter geram, traz à mesa uma ideia interessante, a da “escolha algorítmica”.

Quem está no Bluesky tem um mercado de feeds à disposição, criados e distribuídos pelos próprios usuários. Os feeds personalizados modulam a organização e apresentação do conteúdo com que o usuário se depara. Tomara que vire tendência.

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Não acho que o problema dos feeds cronológicos seja a ordem dos posts, como alegam as empresas. Pelo contrário: a ordem cronológica é uma vantagem. Ela facilita a orientação.

O feed cronológico tem um problema, que é o excesso de conteúdo. A troca pelo de recomendações algorítmicas, hoje padrão em todas as redes sociais comerciais, resolveu esse problema, sim. Só que não era a única forma de resolvê-lo. Talvez não fosse nem a melhor.

Quando o TikTok levou a recomendação algorítmica ao extremo, mostrando conteúdo de gente que o usuário não segue, livre da amarra das conexões, dos “amigos”, ficou evidente que o intuito do algoritmo não era (apenas) organizar o que importa ao usuário final. Antes disso, é fazer as pessoas passarem mais tempo consumindo conteúdo e anúncios.

Um caminho alternativo para o problema do excesso de conteúdo é o dos filtros.

Nessa proposta, a diferença entre filtros e a “escolha algorítmica” do Bluesky é que o primeiro estaria sob o controle absoluto do usuário, incluindo as fontes do conteúdo, seria transparente e fácil de manipular.

“Posts de quem posta menos de uma vez por dia”; “posts de pessoas, sem empresas” (e vice-versa); “posts de perfis com menos de 10 mil seguidores” (sem influenciadores); “apenas posts originais, sem compartilhamentos/RTs” são alguns exemplos úteis.

Quando as pessoas manifestam que preferem feeds cronológicos, suspeito que o que elas querem dizer é que gostariam de receber o conteúdo de todas (ou da maioria) das fontes/contas/perfis que escolheram acompanhar.

O algoritmo opaco jamais entrega todo o conteúdo. É sempre um recorte que mantém a ilusão de que o melhor ainda está por vir, atrás de só mais um “arrastar e soltar para atualizar”, só mais um, só mais um…

O experimento das redes sociais

Em julho, conduzi um experimento: participei do maior número de redes sociais possível pelo Manual do Usuário.

Planejava fazer uma análise bem objetiva, pautada por dados e estatísticas, ao final desse mês imerso em uma parte da internet que não costumo frequentar.

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Inteligência artificial no banco dos réus

Foto em close do site da OpenAI, destacando o logo da empresa, com um texto institucional embaixo, desfocado.

Um escritório de advocacia da Califórnia, processou a OpenAI e o Google por infringirem direitos autorais e a privacidade no treinamento dos seus chatbots, ChatGPT e Bard.

Em outra ação, a comediante e escritora Sarah Silverman e outros escritores processaram a OpenAI e a Meta pelo mesmo motivo. Aqui, a alegação é de que as empresas usaram cópias piratas de seus livros, de repositórios como Z-Library e Biblotik, para treinarem os algoritmos do ChatGPT e LLaMA.

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Bastou que Elon Musk abrisse a porteira da mesquinharia no Twitter para que outros executivos seguissem o mau exemplo.

Depois do Reddit, agora é a vez do YouTube. A plataforma de vídeos do Google enviou um e-mail ao projeto Invidious acusando-o de violar os termos de serviço da sua API.

(O Invidious é um “front-end” alternativo para o YouTube, mais leve e sem códigos de rastreamento nem anúncios. Veja este vídeo para entendê-lo.)

A mensagem padrão ignora que o Invidious não acessa APIs do YouTube. A resposta de um dos mantenedores do projeto foi bem direta:

Eles não entendem que nunca concordamos com nenhum de seus termos de uso/políticas, eles não entendem que não usamos a API deles.

E agora?

As coisas continuarão normalmente até não dar mais.

Via @iv-org/GitHub (em inglês).

O Google ainda parece estar atordoado com o atropelo da OpenAI e seu ChatGPT. Duas reportagens nos últimos dias mostram desavenças internas e dificuldades em lidar com as novas e sérias ameaças que rondam a empresa nesses tempos de inteligências artificiais.

Em uma, da Bloomberg, a reportagem conversou com alguns funcionários e ex-funcionários do Google para mostrar como o lançamento desastrado do Google Bard ignorou diversos alertas e pedidos por um adiamento, do setor de ética a funcionários comuns.

O Google jogou no lixo anos de trabalho em salvaguardas e cuidados no uso de IA frente a uma ameaça corporativa. Não que seja surpresa, mas o episódio dá uma dimensão do que realmente importa dentro dessas empresas.

A outra, do New York Times, revela o “pânico” que se instalou dentro do Google em março diante da notícia de que a Samsung estaria cogitando trocar o Google pelo Bing, da Microsoft, como motor de busca padrão em seus celulares. Estima-se que essa parceria renda US$ 3 bilhões por ano ao Google.

Bônus: uma música viral, com vocais de Drake e The Weekdn criados por uma inteligência artificial, colocou o YouTube (que é do Google) em um dilema existencial: ao tirar do ar a canção, a pedido da Universal (gravadora que representa Drake), o Google diz implicitamente que trabalhos derivativos de IAs ferem direitos autorais, abrindo um precedente que coloca em risco as suas próprias IAs. Se não fizer nada, compra briga com a indústria fonográfica. No The Vergeum ótimo artigo acerca desse assunto.