É hora de dar uma nova chance ao Firefox

Logo do Firefox contra fundo vermelho e azul.

O Firefox 57 está entre nós. Poderia ser mais uma versão qualquer, com uma ou outra novidade, como acontece todo mês. Não é. Com o codinome Quantum, esta é uma atualização grandiosa, do tipo que mexe até na interface. É uma que traz a esperança (e o potencial) de recuperar os muitos usuários perdidos ao longo dos anos para o Chrome do Google e, principalmente, para a negligência da própria Mozilla, fundação responsável pelo navegador.

Mais da metade das pessoas conectadas à Internet usam o Chrome do Google para acessar a web. Há pouco mais de 10 anos, o Internet Explorer (IE) da Microsoft era o navegador de mais de 90% dos conectados. Mudaram os líderes nesse intervalo, mas nos dois momentos uma variável importante permaneceu: o Firefox.

Em 2004, quando o Firefox foi lançado, ele chacoalhou um segmento estagnado pelas práticas monopolistas da Microsoft anos antes, quando o IE foi incorporado ao Windows. A falta de concorrência congelou a web no tempo e, por um bom tempo, pouco se fez para melhorá-la. Não havia incentivo.

O Firefox tem na sua conta o protagonismo da virada. Surgiu das cinzas do Netscape e, com o trabalho de muitos voluntários e um espírito (e código) livre — e um anúncio gigantesco histórico na edição impressa do New York Times —, deu início à mudança. A web é o que ela é hoje graças a ele.

Atualmente, o Firefox é a voz independente entre os navegadores, a que se destaca num mercado dominado por gigantes da tecnologia que têm a web como acessório, e não seu negócio principal, e interesses nem sempre óbvios ou saudáveis para as demais partes.

Esse tipo de demarcação é tão importante quanto a concorrência que fazia falta há mais de dez anos. Um Firefox funcional e popular — e, consequentemente, com mais usuários — equilibra o duelo de forças com gigantes como Apple, Google e Microsoft, responsáveis por Safari, Chrome e Edge. Faz bem à web ter seu futuro decidido por mais partes, mais ainda quando uma delas é livre de interesses comerciais, caso da Mozilla.

Por outro lado, é compreensível que idealismo não ganhe o usuário no dia a dia, aquele que usa o navegador definido pela TI da empresa e, se duvidar, não saberia distinguir um de outro. A missão da Mozilla é muito inspiradora e o seu papel, imprescindível, mas quando o Firefox trava ou demora mais para abrir que o Chrome, todo esse argumento se torna inútil.

E isso explica, em parte, seu declínio. Enquanto o Google lançou e melhorou incansavelmente o Chrome, a Mozilla gastava tempo, energia e dinheiro no Firefox OS, um sistema para celulares que não foi para frente. Quando ficou mais que evidente que ele não teria espaço num mundo dominado por Android e iOS, a Mozilla o engavetou e voltou sua atenção ao navegador Firefox.

Essa atenção dedicada já se faz sentir. No trabalho, uso o Firefox como navegador principal e são poucas as situações em que me fazem falta o Chrome ou o Safari. O Firefox, nas últimas versões, está rápido e esperto, e não trava com a frequência com que travava até alguns anos atrás.

Manual do Usuário aberto no Firefox Quantum, no macOS.

O Firefox 57 “Quantum”, lançado hoje (14), evidencia esses avanços e traz uma série de outros novos. A interface mudou: está bonita, moderna e com um novo sistema de renderização de fontes que, aos mais detalhistas, é algo que salta aos olhos — principalmente quando comparado ao Chrome. Além disso, a Mozilla diz que o Firefox está duas vezes mais rápido que versões anteriores e consumindo 30% menos memória que o Chrome, melhorias que são sempre bem-vindas.

O único empecilho neste primeiro momento são as extensões. Mudaram a maneira como elas são criadas, o que tornou muitas delas incompatíveis com o Quantum. Levará algum tempo até que todas as mais populares sejam corrigidas, mas o ritmo está bom. Esta página lista as que já funcionam no Firefox 57; note que o número já é bem razoável.

De qualquer maneira, se você não estava sabendo da iminência desta atualização, é bem provável que use outro navegador como padrão. Logo, o legado de extensões não deve ser problema para baixar o Firefox e testá-lo por uns dias.

Você deveria fazer isso.

Há tempos reflito que, em software, ser o melhor deixou de ser o fator determinante do que usamos ou deixamos de lado. Há outros, mais fortes, em jogo. O Firefox é um desses softwares que, independentemente de ser o melhor em sua categoria, representa mais do que a funcionalidade que entrega.

Usar o Firefox transmite uma mensagem poderosa: a de que em um mundo onde o Google fatura tanto saqueando a privacidade dos usuários, há espaço para alternativas que a respeitam. Facilita muito quando essa mensagem vem acompanhada de uma experiência de usuário redonda, e é exatamente isso o que o Firefox 57 entrega: uma experiência redonda. Vale a pena dar uma chance a ele.

O Firefox 57 está disponível para Windows, macOS e Linux; baixe-o aqui. As versões móveis serão liberadas gradualmente nas próximas semanas.

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25 comentários

    1. Mas isso é, realmente, o aspecto mais importante? Faltou RAM para outros apps enquanto o Firefox estava rodando? Se você me perguntasse qual dos navegadores que tenho instalado consome mais RAM, eu não saberia responder :)

  1. Saí do Opera e fui para o Firefox 57

    Fiquei impressionado com a rapidez da nova atualização do navegador da Mozilla. Tive uma experiência não tão boa com versões antigas do Firefox e isso fez com que criasse uma imagem nebulosa do navegador. Entretanto o quantum veio para mudar isso.

    Minha máquina é bem modesta, e mesmo assim o navegador se saiu muito bem – até o momento, estou achando ele mais rápido para abrir páginas em comparação com o Opera.

    Pretendo continuar a usá-lo e acompanhar o desenvolvimento, acredito igualmente que não devemos ficarmos restritos a uma única empresa – no caso, o Google.

  2. Navegador por Navegador, o meu poderia ser o Firefox sem problema nenhum mas hoje isso vai muito além de um mero programa. Eu uso e gosto do “ecossistema” e dos serviços do Google atrelados ao Chrome, como o próprio ChromeOS, o sincronismo no Android, as diversas apps que me quebram um galhão no Linux e a integração com todos os serviços do Google. Dessa forma, sem chance para o Firefox!

  3. Testando aqui. Curti, parece bem melhor e a repaginada no visual fez bastante diferença ao navegador. Vou dar uma chance.

    por outro lado…

    A versão android continua parada no tempo em termos visuais. A impressão é de usar um browser para Android 2.0. Na playstore, a versão não beta continua na 56 até o momento.

    EDIT: atualizou agora. FINALMENTE O FF ficou usavel no Android!

    1. Atualizaram e achei que ficou bom. Mas to com medo do consumo da bateria. O que achou? Pra mim pareceu que gastou demais.

      1. não consegui testar direito ainda… naveguei pouco no celular nesses ultimos dias. Mas ao menos em Standby não percebi nenhuma anormalidade.

  4. No Mac eu simplesmente não consigo abrir mão do Safari.

    Já no PC Windows do trabalho, em que venho usando o Chrome, vou dar uma chance ao Firefox Quantum.

  5. Também acabei de embarcar no Firefox Hype Train… choo choo

    Uma coisa que estava desacostumado era ver a página carregando “em pedaços”. O Chrome parece esperar um pouco mais para renderizar os elementos de forma mais conjunta. Nada que afete muito anyway.

    1. Isso é estratégia para parecer que site carrega mais rápido, a Mozilla acabou copiando alguns desses apelos do Chrome quando a emigração ficou mais pesada.

  6. “e não trava com a frequência com que travava até alguns anos atrás.”

    Esse é o principal motivo de eu não usar o Firefox. Pra um heavy user como eu, que tem dezenas de abas abertas e várias extensões é um saco.

    Não me lembro a última vez que o Chrome travou, e isso diz muito sobre a qualidade do programa.

  7. Voltei a usar o Firefox esse ano, assim que decidir sair das “garras” do google e usando o LastPass junto, saudades zero do Chrome.

  8. Primeiramente, vida longa ao Manual do Usuário o/
    Uso o Firefox como navegador padrão há 2 anos e, devo dizer, que não foi fácil o caminho até a versão Quantum.
    O Firefox só começou a (voltar) ficar bom quando começou a banir o plugin do Adobe Flash player. Quando o foi lançado o Windows 10, a Mozilla corrigiu vários bugs e deu um tapa no visual. Os famosos crahs ficaram no passado após isso, mesmo assim ainda havia uns travamentos aqui e ali (até versão 55 mais especificamente). Testei o Quantum hoje, brevemente, e já me agradou bastante a velocidade e leveza na abertura das páginas. Como uso apenas o Ublock Origin e o Disconnect como plugins, a carência de plugins não me afetou.
    Pena que não posso dizer o mesmo da versão para Android, que consome muito ram e bateria, além de ter uns problemas com travamentos. Pelo que pude perceber, no Android a única mudança foi apenas no visual mesmo, sem previsão das melhorias do desktop chegarem a versão mobile.

    1. A versão Android remete a um app de 6 anos atrás..é ruim demais (versão 56. a Quantum ainda não está aparecendo para não-beta).

      Por outro lado, o Firefox Focus para a mesma plataforma é sensacional. Tenho usado bastante.

      EDIT: atualizou agora. FINALMENTE O FF ficou usavel no Android!

    2. Gostei do Disconnect. Valeu.
      Tenho usado o Firefox há mais de um ano, desde que comecei a advogar e esse é o melhor navegador para acessar os sistemas dos tribunais e para o peticionamento eletrônico. Fora do horário de trabalho costumo usar o Opera.

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