Logo do Firefox contra fundo vermelho e azul.

É hora de dar uma nova chance ao Firefox


14/11/17 às 19h00

O Firefox 57 está entre nós. Poderia ser mais uma versão qualquer, com uma ou outra novidade, como acontece todo mês. Não é. Com o codinome Quantum, esta é uma atualização grandiosa, do tipo que mexe até na interface. É uma que traz a esperança (e o potencial) de recuperar os muitos usuários perdidos ao longo dos anos para o Chrome do Google e, principalmente, para a negligência da própria Mozilla, fundação responsável pelo navegador.

Mais da metade das pessoas conectadas à Internet usam o Chrome do Google para acessar a web. Há pouco mais de 10 anos, o Internet Explorer (IE) da Microsoft era o navegador de mais de 90% dos conectados. Mudaram os líderes nesse intervalo, mas nos dois momentos uma variável importante permaneceu: o Firefox.

Em 2004, quando o Firefox foi lançado, ele chacoalhou um segmento estagnado pelas práticas monopolistas da Microsoft anos antes, quando o IE foi incorporado ao Windows. A falta de concorrência congelou a web no tempo e, por um bom tempo, pouco se fez para melhorá-la. Não havia incentivo.

O Firefox tem na sua conta o protagonismo da virada. Surgiu das cinzas do Netscape e, com o trabalho de muitos voluntários e um espírito (e código) livre — e um anúncio gigantesco histórico na edição impressa do New York Times —, deu início à mudança. A web é o que ela é hoje graças a ele.

Atualmente, o Firefox é a voz independente entre os navegadores, a que se destaca num mercado dominado por gigantes da tecnologia que têm a web como acessório, e não seu negócio principal, e interesses nem sempre óbvios ou saudáveis para as demais partes.

Esse tipo de demarcação é tão importante quanto a concorrência que fazia falta há mais de dez anos. Um Firefox funcional e popular — e, consequentemente, com mais usuários — equilibra o duelo de forças com gigantes como Apple, Google e Microsoft, responsáveis por Safari, Chrome e Edge. Faz bem à web ter seu futuro decidido por mais partes, mais ainda quando uma delas é livre de interesses comerciais, caso da Mozilla.

Por outro lado, é compreensível que idealismo não ganhe o usuário no dia a dia, aquele que usa o navegador definido pela TI da empresa e, se duvidar, não saberia distinguir um de outro. A missão da Mozilla é muito inspiradora e o seu papel, imprescindível, mas quando o Firefox trava ou demora mais para abrir que o Chrome, todo esse argumento se torna inútil.

E isso explica, em parte, seu declínio. Enquanto o Google lançou e melhorou incansavelmente o Chrome, a Mozilla gastava tempo, energia e dinheiro no Firefox OS, um sistema para celulares que não foi para frente. Quando ficou mais que evidente que ele não teria espaço num mundo dominado por Android e iOS, a Mozilla o engavetou e voltou sua atenção ao navegador Firefox.

Essa atenção dedicada já se faz sentir. No trabalho, uso o Firefox como navegador principal e são poucas as situações em que me fazem falta o Chrome ou o Safari. O Firefox, nas últimas versões, está rápido e esperto, e não trava com a frequência com que travava até alguns anos atrás.

Manual do Usuário aberto no Firefox Quantum, no macOS.

O Firefox 57 “Quantum”, lançado hoje (14), evidencia esses avanços e traz uma série de outros novos. A interface mudou: está bonita, moderna e com um novo sistema de renderização de fontes que, aos mais detalhistas, é algo que salta aos olhos — principalmente quando comparado ao Chrome. Além disso, a Mozilla diz que o Firefox está duas vezes mais rápido que versões anteriores e consumindo 30% menos memória que o Chrome, melhorias que são sempre bem-vindas.

O único empecilho neste primeiro momento são as extensões. Mudaram a maneira como elas são criadas, o que tornou muitas delas incompatíveis com o Quantum. Levará algum tempo até que todas as mais populares sejam corrigidas, mas o ritmo está bom. Esta página lista as que já funcionam no Firefox 57; note que o número já é bem razoável.

De qualquer maneira, se você não estava sabendo da iminência desta atualização, é bem provável que use outro navegador como padrão. Logo, o legado de extensões não deve ser problema para baixar o Firefox e testá-lo por uns dias.

Você deveria fazer isso.

Há tempos reflito que, em software, ser o melhor deixou de ser o fator determinante do que usamos ou deixamos de lado. Há outros, mais fortes, em jogo. O Firefox é um desses softwares que, independentemente de ser o melhor em sua categoria, representa mais do que a funcionalidade que entrega.

Usar o Firefox transmite uma mensagem poderosa: a de que em um mundo onde o Google fatura tanto saqueando a privacidade dos usuários, há espaço para alternativas que a respeitam. Facilita muito quando essa mensagem vem acompanhada de uma experiência de usuário redonda, e é exatamente isso o que o Firefox 57 entrega: uma experiência redonda. Vale a pena dar uma chance a ele.

O Firefox 57 está disponível para Windows, macOS e Linux; baixe-o aqui. As versões móveis serão liberadas gradualmente nas próximas semanas.

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