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Hoje este Manual completa 13 anos no ar — das felizes coincidências do caos cósmico, se é que você me entende. Como acontece em todo ano, comemoro a data com uma reflexão do passado recente e outra do futuro próximo.
O último ano talvez tenha sido o de mudanças estruturais mais profundas na nossa história, graças à execução do planejamento feito há exatamente um ano.
Nesse intervalo, o Órbita tornou-se independente no final de julho, o que me liberou para escrever mais aqui, no blog. Sinto-me contente com esse novo arranjo e, reitero, acredito que o Órbita tem potencial para ultrapassar o blog do Manual em popularidade — se a web não morrer primeiro, claro.
Um pouco antes, migramos o blog para o ClassicPress. Ele é o WordPress para quem escreve: sem firulas, mais leve e compatível o suficiente com os plugins básicos de que dependo. Se você tem um site em que o texto escrito predomina e ainda usa WordPress, recomendo ao menos uma olhada no ClassicPress.
Todos os créditos desses esforços ao Renan, que, a essa altura, é quase um CTO do projeto. A nossa parceria tem sido tão boa que a estendemos à Célere, pequena agência de hospedagem e otimização de sites.
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Note que todos esses projetos, mais o PC do Manual, dependem da web. Desde que o ChatGPT surgiu, preocupo-me com o futuro dela e meu. Acreditava estar à margem de possíveis impactos da IA pela natureza mais subjetiva, menos replicável do blog, mas não. O verdadeiro risco é as pessoas se acostumarem tanto às interfaces das IAs generativas a ponto de se esquecerem de que a web existe.
Essa preocupação ganhou contornos nos números do projeto: audiência, inscritos na newsletter e até assinantes estão em queda.
A minha reação tem sido ignorá-los. O que tem seu lado bom — fixar a atenção no mar vermelho da minha planilha tem um efeito devastador no moral —, mas não é como se tirar os olhos dos problemas fosse resolvê-los.
A base de assinantes — o número mais importante para a sustentabilidade do projeto — diminuiu 14,9%, de 329 ativas um ano atrás para 280 até o final de setembro.
As assinaturas continuam representando a maior fatia das fontes de receita do Manual. No “ano fiscal” de 2026 (outubro de 2025 a setembro de 2026), elas responderam por 52% dos R$ 79.103,16 faturados, o que — para a minha surpresa — representa um aumento em relação à receita de 2025, de 4,2%.
Esmiuçando os números, encontrei o “culpado”: as doações que recebi em setembro para custear minha defesa no processo movido pela Folha de S.Paulo. Sem elas, o faturamento cairia para R$ 68.768,47, retração de 9,4%.
Nas saídas, a operação custou R$ 18.343,91 no mesmo intervalo. O gasto com a minha defesa no período foi de R$ 7.227,56. (Incluindo os gastos no “ano fiscal” anterior, o total já pago chega a R$ 10.495,56; e ainda há parcelas pendentes, que serão pagas nos próximos meses.)
O bom desempenho das doações, ainda que com um gancho forte, me levou a olhar com mais carinho para doações pontuais, sem a vinculação da assinatura. Desde ontem (14), alguns posts maiores no blog ganharam uma chamada, no final, para doações avulsas por Pix. Deixarei-a no ar por alguns meses, a título de experimento.
As assinaturas continuam existindo e são um ótimo presente de aniversário que você pode nos dar! Afinal, além de manter o Manual no ar, a pessoa que assina recebe alguns mimos muito legais e interage mais de perto com outros assinantes.
Um Pix avulso também está valendo. O novíssimo QR Code para essa finalidade está no final deste post.
Está com a grana curta? Espalhe a palavra. Encaminhe a newsletter, compartilhe posts no WhatsApp, Signal, Telegram, stories, fale do Manual com quem você acha que gostaria de ler o que sai aqui. O boca a boca sempre foi poderoso; nessa era da IA, sinto que será ainda mais.
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Em maio, montei um conselho consultivo, um grupo de pessoas para me ajudar a pensar o Manual e a tomar decisões.
As trocas com a Ana, Emily, Jules, Márcia e Samuel têm sido muito ricas. Havia me esquecido como é bom pensar junto com outras pessoas.
Em uma das nossas reuniões, os conselheiros apontaram a força da comunidade que criamos em torno do Manual, nos comentários no blog, no Órbita, nas seções participativas do blog (mesas de trabalho, mochilas e celulares) e, principalmente, no grupo de assinantes no WhatsApp, cujo único defeito é estar no WhatsApp (fui voto vencido).
Talvez esse seja o caminho para compensar todos aqueles números murchos mencionados acima. A grande questão, que vamos debater no conselho (e que fica aberta à comunidade, nos comentários ali embaixo), é como apresentar algo tão subjetivo a quem está fora — o senso de camaradagem, os debates ricos e respeitosos, os encontros presenciais que assinantes organizam em São Paulo. Aceito sugestões.
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Dia desses topei com os “Special Projects” do Craig Mod. É como ele chama seu programa de assinaturas. O diferencial é focar em coisas maiores, em livros físicos.
Num grande exemplo de que a grama do vizinho é mais verde, senti uma invejinha da proposta, de produzir menos coisas, mas coisas mais significativas.
Se tomarmos este blog como um “projeto especial”, posso dizer que estamos, eu e Craig, na mesma página, embora não sinta isso no dia a dia. Às vezes sinto que me devo um distanciamento, para ver a floresta (blog) em vez das árvores (posts).
Gosto muito da ideia de um blog mais solto, aberto à experimentação. Publico notinhas, citações, textões, links legais… acho que há algo de único e interessante nesse formato. O que não tenho certeza é se ele ainda ressoa junto aos leitores.
(É nessa hora que você responde nos comentários se sim ou não e, de preferência, com detalhes.)
Nos últimos dois anos, o blog se manteve estável, sem mudanças dignas de nota na linha editorial e na rotina de publicação. Até o leiaute ainda é meio que o mesmo, com exceção da coluna extra que implementei em junho.
A grande pergunta é se essa estabilidade, que anos atrás, antes de alcançá-la, achava que seria benéfica, ainda o é em um mundo que muda cada vez mais rápido.
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Para fechar, uma lista dos meus 13 (!) textos favoritos que escrevi no último ano, em ordem cronológica:
- Ser meio sovina me ajudou a usar menos o celular em situações sociais, 2/12/2025.
- Profissão: criador de conteúdo, 8/1/2026. Aqui eu comecei a experimentar mais com o gênero crônica.
- É possível viver sem WhatsApp no Brasil?, 14/1/2026.
- Comi o dogão de um youtuber famoso, 21/1/2026. Um belo exemplo de texto mais leve e meio bobo (no bom sentido).
- As alegrias e angústias no uso do RCS, evolução do SMS, 5/2/2026.
- Transformei o Kindle no meu jornal particular,25/3/2026.
- Aguentei o Apple Watch por quatro meses, 29/4/2026.
- Um viciado em telas no divã, 6/5/2026. Meu favorito do ano. Meio que “furou a bolha” e suscitou muitas conversas legais.
- Quase fui atropelado, 17/6/2026.
- Boox Go 10.3 (gen II) Lumi: Um tablet Android e, não bastasse isso, com tela E-ink, 22/7/2026.
- Outra semana no Linux, 12/8/2026. Não foi o ano do Linux. Ainda.
- Da “trend” dos anos 1980 ao Apple Watch que espiona conversas, o que está em jogo é a percepção pública, 14/9/2026.
- A escova de dentes elétrica, um ano depois, 9/10/2026.
Os posts de aniversário de um, dois, três, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, 11 e 12 anos. No quarto não teve porque o blog estava em processo de migração para a Gazeta do Povo.
Vida longa ao manual
Rodrigo, parabéns pelo blog, por mais um ano! Tecnologia para mim é como a matemática: a maioria não gosta, mas também não vive sem. Aqui é um espaço de acolhida para quem, como eu, não é muito chegado no tema, mas encontra assuntos que se desdobram para fora das telas. Fico feliz em, de certa forma, fazer parte, já que discorri sobre a mesa de trabalho (operária da palavra) e minha (podre) bolsa. Queria ajudar com dinheiros, mas a operária aqui precisa quebrar mais pedras. Desejo ainda mais sucesso a você! Vida longa e próspera!
Cadê a frase: “Quem ganha o presente é você!” ?