Logo do Manual num monitor Retina.

/ano cinco


15/10/18 às 15h59

Parece que foi há cinquenta, mas faz só cinco anos que o Manual do Usuário existe. Como o tempo passa rápido, não? Hoje é aniversário do blog e, olha.. quanta coisa mudou. Como mudamos. Que bom que mudamos!

Mudaram os gadgets, a influência das redes sociais, as formas como se levam novos produtos ao mercado. A tecnologia está digitalizando o mundo físico, dos carros autônomos que avançam sobre as cidades sem qualquer garantia de que melhorarão o trânsito à Amazon, que quer transformar o mundo em um grande hipermercado aberto 24 horas por dia.

Esse avanço do digital se refletiu na linha editorial do Manual do Usuário. Originalmente, ela se sustentava em um tripé: gadgets e recomendações de compra; dicas e tutoriais para facilitar o dia a dia; e análises mais aprofundadas de como a tecnologia molda as nossas vidas.

Dessas três áreas, a primeira me parece deslocada aqui dentro. Não me entenda mal, é algo que julgo importante. Em uma sociedade extremamente consumista como a nossa, que vende tanta coisa que torna obsoleta num piscar de olhos por nenhum motivo outro que não a busca pelo lucro, é uma área importante de ser coberta. É preciso boa informação para não errar na compra, para não consumir à toa e incentivar processos e empresas mais éticas e cientes de seu papel.

Não é por isso que gadgets e reviews perderam espaço aqui. Foi pela saturação do tema (todo mundo faz “review” hoje), pela limitação de mão de obra (eu!) e, principalmente, pela importância que a terceira área do Manual, a dos impactos da tecnologia em nossas vidas, ganhou no Grande Esquema das Coisas.

Em 2013, ainda havia espaço entre o que acontecia em rede e os reflexos disso na vida real. Ainda se falava em “vida real”. Hoje, não é difícil perceber, o digital se misturou de tal forma com o mundo físico que não dá para mais separá-los. E essa mistura, apesar de trazer progressos, tem sido mais indigesta do que os mais otimistas poderiam prever. O problema, acho, é que estamos com falta de pessimistas, de gente disposta a apontar o dedo para os efeitos colaterais de uma quase tecnocracia.

Isso é chato. Cansa. Nunca quis que o Manual tivesse uma atmosfera pesada, que fosse uma voz ranzinza, mesmo quando o mundo parecesse estar prestes a desabar. Quando comecei a escrever sobre tecnologia de consumo, tudo era festa. Parecia haver apenas pessoas do bem, querendo mudar o mundo positivamente, dispostas a torná-lo um lugar mais legal. Quanta ingenuidade.

Chato ou cansativo, não é como se tivesse escolha. Fechar os olhos para isso seria desonesto com o leitor e comigo mesmo. Ainda há espaço para abordar, com bom humor, os absurdos do cotidiano (oi, Felipe Neto!). Há urgência, porém, para um tom mais crítico, para mais cobrança de quem tem muita responsabilidade e se nega a assumi-la. Façamos isso, pois.

O quinto ano em detalhes

Um detalhe curioso desses cinco anos de Manual do Usuário é que só consegui me dedicar exclusivamente a ele por exatos dois meses, entre fevereiro e março de 2017.

O blog foi criado quando eu estudava Comunicação e Multimeios. Dois meses após a graduação, em janeiro do ano passado, assumi uma vaga de editor na Gazeta do Povo. O jornal exige exclusividade, então, por alguns meses, o Manual ficou sob os cuidados da Emily Canto Nunes. Em novembro, trouxemos ele para a Gazeta e voltei a tocá-lo daqui, da redação, em paralelo ao jornal.

Toda essa movimentação, incluindo uma migração que alterou o domínio do blog1, teve reflexo nas estatísticas de visitação do Manual. Mais que isso, dispersou um pouco a comunidade de leitores que se formou aqui no blog. Compreensível, já que tenho menos tempo para me dedicar a ele.

Apesar disso, há fatores positivos na parceria com a Gazeta do Povo. Ela tira dos meus ombros um punhado de tarefas secundárias que, de outra forma, eu teria que lidar, especialmente a parte de servidores/manutenção e a contábil e de modelo de negócio, uma que, se descarrilar, põe em xeque a existência do blog. Sobra-me pouco tempo para focar no Manual, mas ele é integralmente dedicado ao editorial.

No quinto ano do blog, o podcast entrou em hibernação e voltou em um novo formato; testei um post semanal de melhores apps (ainda instável; semana sai, semana não sai); antecipei para quinta-feira a abertura do post livre, o espaço para debates dos leitores; tentei retomar, sem sucesso, a seção de mochilas; e fixei nas sextas o envio da newsletter e a enviei em quase todas as semanas. Publiquei 202 posts, a maioria com grande satisfação e orgulho. Não houve nada excepcional, mas resistimos bem.

Os posts de aniversário de um, dois e três anos. No quarto não teve porque estávamos em processo de migração para o jornal.

  1. O antigo, manualdousuario.net, continua funcionando e é preferível, pois resistente a eventuais mudanças futuras.

Acompanhe o Manual do Usuário por e-mail (newsletter), Twitter e Telegram.

11 comentários sobre “/ano cinco”

  1. Passando meio atrasado para deixar meus parabéns. ;)
    Vida longa e que a seção de mochilas possa voltar a ser sucesso novamente.

  2. Acompanhando desde WinAjuda, Guia do PC, Gizmodo. É um site que nos induz à reflexão e que nos ajuda a desacelerar.

  3. Parabéns Ghedin! PArabéns Manual!
    E parabéns a todos os leitores, tanto as caras conhecidas, os anônimos, os conhecidos desaparecidos etc.
    Espero ainda visitar aqui durante muito tempo.

  4. O Manual sempre foi exemplo de qualidade, não de quantidade! É expressivo o prazer de ler cada matéria/post que sai aqui, acredito que o Manual do Usuário faz parte de uma vanguarda que busca acima de tudo entregar um conteúdo serio, de qualidade e rico em informação e conhecimento, o jornalismo de tecnologia no Brasil passou de um grupo de entusiastas para um mercado serio e que vale a pena investir, porém graças ao fluxo continuo de informações e consumo de informações acabou entrando na onda do jornalismo desenfreado sem qualidade, poucos site ainda resistem e o Manual do Usuário é um dos melhores exemplos disso!

    PARABÉNS GHEDIN, vida longa ao MdU! :D

  5. Acompanho desde o post nº 1 quando soube que o ghedin tava de saída (do giz?)…enfim, já tive mt bate papo legal nos posts livres. fora as abordagens de alto nível do blog. vida longa e próspera!

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