O meteoro bateu
Não tenho o hábito de acessar as estatísticas da audiência do Manual. Vez ou outra acesso o painel (que é público) para analisar algo específico, e foi numa dessas que reparei, quase por acaso, que a média de acesso dos textos recém-publicados caiu muito.
Não que isso surpreenda. Desde que o Google ativou aqueles resumos de IA no início das páginas com resultados da busca, geral viu os acessos a seus sites caírem. Achismo puro meu, acho também que chatbots de IA, como o ChatGPT, viraram uma chave no público e o acesso aos sites, à web, sofreu um baque por isso.
Faz uma década que repito que números e estatísticas não pautam o que eu faço. Sigo firme nesse princípio, mas mentiria se dissesse que constatar uma redução profunda na audiência do blog não me abalou. Se ninguém lê o que escrevo — ou pior, se apenas robôs “leem” —, o que estou fazendo aqui?
Passei alguns dias angustiado, refletindo sobre esta nova realidade. Sem sucesso. Estou aberto a conselhos e sugestões.
A única ideia saída dessa filosofada existencial foi explorar mais a newsletter. O envio da íntegra dos textões que publico no blog era “opt-in”, ou seja, enviados apenas a quem sinalizava querer recebê-los. A partir de agora, passa a ser “opt-out”, vão para todos, exceto quem sinalizar que *não* quer recebê-los.
Como fazer essa sinalização? No painel do inscrito, também acessível pelo link “Gerencie a sua inscrição” no rodapé de todas as mensagens. (Coloquei uns GIFs animados para destacá-lo melhor.)
Há pouco mais de dois anos, escrevi que via o meteoro metafórico do fim da web no céu. Parece que ele, enfim, bateu.
Sendo sincero, eu salvo muitos informativos que recebo via e-mail e, foram graças a estes disparos de newsletter onde pude conhecer ferramentas incríveis de criação, que sequer pensei um dia usá-las; o site “MMM-page” é um bom exemplo disso.
Eu sou um ávido leitor quando o quesito é newsletter: a minha caixa de e-mail é muito mais movimentada do que qualquer outra rede social que eu faço uso; o blog do Manual e o Órbita se tornaram uma referência ímpar no meu dia a dia, sempre releio as mensagens anteriores e os links mais úteis para mim.
I.A na minha visão, é apenas um produto de apoio que facilita alguma automação de função, não substitui o tato humano nas nuances e só serve para encarecer pentes de memória RAM (brincadeira!).
No mais, sou sortudo ao revelar que o Manual é um dos poucos redutos de conteúdo relevante em que posso confiar.
Acompanho o Ghedin há bastante tempo. Lembro do podcast com o Higa e dos primeiros posts do Manual. Com o passar do tempo, o blog foi mudando, e não somente o layout 😅. E é normal. A gente muda com o tempo, porém sinto falta dessa essência do blog, essa parte mais opinativa. Afinal de contas, queria saber da opinião do Ghedin.
Só que algumas dessas opiniões se tornavam um pouco cansativas, em especial sobre IA generativa. Apesar de trabalhar com TI há vários anos, nunca me empolguei com a dita “IA”. Tem algumas vantagens e desvantagens. Meu uso é muito restrito e, em outros casos, detesto o resultado gerado. Então, me senti um tanto saturado com tanto artigo ou notinhas sobre IA. O que aconteceu também na época do Twitter, ops, X. Não usava e acabava deixando de ler esses artigos. Foi mal, Ghedin 😅.
Também acho que o Órbita acabou ofuscando um pouco o Manual. Tinha posts de notícias e artigos que poderiam ter ido pro blog como um artigo opinativo por exemplo. No início, até gostava mais do Órbita, por me lembrar o finado Post Livre. E era uma seção que eu gostava muito. Gostava de acompanhar os assuntos e ver a interação do pessoal. Fora que tinha uma galera legal e que infelizmente não vejo mais nos comentários. Não sei se pelos temas, algumas confusões que aconteceram ou posicionamento político, o que acho uma pena.
Conviver com pessoas de pensamento diferente sempre me enriquece de um jeito ou de outro. Sei lá, sou do tipo de pessoa que vai ver opinião de outros com pensamentos completamente diferentes. E, a partir disso, tento chegar à minha conclusão do assunto.
No mais, continuo acompanhando o blog, talvez não tanto quando antes.
Passando para deixar meu apoio e relato.
Acesso o MdU desde 2019 e foi crucial na minha “formação internética” e conscientização sobre Big Techs, slow webs e afins.
Acabo não consumindo coisas que acho muito técnicas ou novidades sobre certos sistemas, features etc. Estou mais interessado nas discussões sobre a web/slow web e melhores ambientes, comunidades na Internet.
Acesso o site quase toda semana, sempre procurando um bom longo texto para ler e quando não tem, me contento em olhar por cima das notícias e novidades, sem engajar muito.
Fraterno abraço!
Eu não acesso com tanta frequência por conta da cultura “slow web” do site. Se tem novidades a cada 1, 2 dias, eu fico umas 2 semanas sem acessar e depois leio tudo de uma vez.
Tenho hábito de visitar o site 2x ao dia,gosto do órbita e celular/mochila ,porém não curto muito mudanças no layout .
Uma das coisas que afetou meu interesse em abrir o site são as constantes mudanças no layout. Quando decidiu manter uma paridade com a versão em inglês, por dias o site me direcionava persistentemente à versão em inglês, mesmo clicando na opção em português. Queria sinalizar, de alguma forma, mas não quero ingressar no Órbita, que a meu ver veio tendo uma relevância muito maior que o próprio blog. Até hoje tenho esse problema, principalmente no Safari (meus dispositivos estão todos em inglês). Sabendo do meteoro, faz sentido querer expandir o território, para que a cratera não fique tão grande…
E essa relevância do Órbita, aliás, se percebe em alguns posts, como de links do dia. Já vi algo super interessante, que me lembrava de outra coisa, ia comentar… e cadê a opção de comentar? Não vou abrir um tópico de discussão no Órbita; não faço isso nem no reddit que interajo há quase duas décadas.
Aliás, também deve ser por aí que acompanho seu trabalho, desde a época do WinAjuda. Minha chegada ao MdU há muitos bons anos, provavelmente outra década, veio através de uma busca por seu próprio nome no Google. Gosto do MdU pela sua identidade; comprei vários produtos por me identificar ao conteúdo opinativo. Tecnocracia, por exemplo, já foi pauta de conversa até com clientes em sessões de terapia. Porém, isso parece ter sumido; vejo mais opiniões de outros sendo repostadas — ótimos textos, diga-se de passagem —, mas o Ghedin é autenticidade do blog permanecendo em segundo plano. Os conteúdos sobre IA, também, trouxeram impacto a isso; estão cansativos, pois todo mundo fala sobre a mesma coisa. Aliás, um dos últimos grandes textos interessantes publicados aqui sobre IA… não era seu. Logo depois, fui procurar sobre, veio um vídeo do Átila sobre IA e minha reação foi: “puts, isso, sim, teria dado um ótimo texto no MdU”. Não entendo em que momento saímos do “eu tenho um lado”, como nas eleições, que foram o auge do conteúdo a meu ver, para “leia sobre esse lado”.
Continuo acessando o site diariamente, mas não engajo mais (e não digo no sentido de comentar). Abro, vejo uma coisa ou outra, e saio em menos de 5 minutos, pois não há mais propósito em permanecer por muito tempo.
> Quando decidiu manter uma paridade com a versão em inglês, por dias o site me direcionava persistentemente à versão em inglês, mesmo clicando na opção em português.
Nossa, sim! Isso acontece comigo direto. E não sei como contornar. Talvez pudesse ter algum cookie que fosse setado quando se clica no idioma selecionado.
Obrigado pelo comentário Nicholas! Vou responder por partes.
Como você usa seus sistemas e navegadores em inglês, o plugin puxa daí. Faz alguns dias (ou semanas?), alterei o link lá embaixo, no seletor de idiomas, para forçar o português quando clicado. Tente usá-lo, colocar nos seus favoritos, algo assim: https://manualdousuario.net/?lang=pt
Sim, isso de fato aconteceu. Foi um dos motivos que nos levaram a desenvolver um Órbita standalone. (Até junho está no ar.) O Manual voltará a ser apenas um blog. A minha intenção com esse movimento é priorizar o blog e deixar o Órbita para a comunidade gerir. Seguirei lá, participando, mas mais nos comentários.
Essa é uma mudança em mim que, sem surpresa, reflete no blog. Quando mais novo, eu tinha uma… empáfia, beirando a arrogância, que me liberava para opinar sobre tudo, até do que não tinha muita informação a respeito. E com o tempo, a experiência e alguns tropeços, vi que não era bem assim. Não me era salutar. Estou tentando.
Curioso como não dá mesmo para agradar a gregos e troianos. Você diz que o auge do conteúdo foi as eleições de 2022. Para outros leitores, 2018–2022 foi o ponto baixo na história do Manual, hehe.
Como podemos aceitar que uma ou outra empresa acabe com nossos negócios? Há dois anos, o Google restringiu o site que mantenho com meu pai sem muitos detalhes. Apenas foi lá, meteu bloqueio, notificou pelo Search Console e vimos nossa audiência cair mais de 70%! Melhoramos os dados estruturados, rodamos a ferramenta do próprio Google que ‘varre’ o site em busca de erros e nada foi encontrado. Quase um ano depois, responderam com mensagem genérica e que nada podiam fazer. Provavelmente, encerraremos nossa operação este ano. Estamos pagando para manter o site no ar. Enquanto isso, o Google finge que não vê fakenews, vídeos estarrecedores, conteúdos criminosos, etc. No mundo sempre prevaleceu a lei do mais forte e só.
gosto do MdU justamente pelo que ele é: um blog em grande medida “autoral”, um espaço que foge à pasteurização do noticiário de tecnologia que é tão comum em outros sites que cobrem este campo (como foi dito, inclusive, no podcast). Nesse sentido, vou meio na contramão de vários dos comentários aqui: acho que a graça do MdU está justamente neste caráter de nicho, despreocupado em agradar a gregos e troianos e intencionalmente dedicado a cobrir certos temas em relação a outros.
mas queria falar de outra coisa: até uns dez anos atrás, havia uma espécie de cultura da web que não só era promovida pelos usuários mas também formava os usuários e isso envolvia um certo senso de comunidade naquilo que se costumou chamar de “blogosfera” (com todos os seus problemas). As pessoas estavam acostumadas a frequentar espaços como o MdU e a comentar neles (ou ao menos estavam acostumadas com esse universo de posts e comentários). Com as redes sociais não desapareceram apenas os blogs mas toda essa cultura (e seus protocolos e convenções). Eu acho que as pessoas simplesmente sequer sabem que espaços como o MdU possam existir. Tudo hoje é carrossel ou reel de Instagram.
Eu estou indo na contramão de tudo isso. Inclusive comecei a dar mais atenção para meu site, estou publicando mais lá, justamente pq estou cansado dessa internet rápida e rasa. Não desanime, pois muita gente está justamente procurando conteúdos mais aprofundados.
Pelo que vejo nas pessoas que conheço, quase ninguém entra em sites para ler notícias. A maioria não usa IA para se informar; prefere se informar direto nas redes sociais e a maioria pelo YouTube. Pelo que percebo, as pessoas têm muita preguiça de abrir uma página e ler um texto.
Essa é tambem minha impressão quando olha em volta. Tenho pessoas na familia que usam o reels do Instagram como “fonte de notícias”.
Eu sou leitor/ouvinte desde mais ou menos 2014. Minha sensação é que ao longo do anos o conteúdo do site foi de cada vez ficar menos em “produzir” e mais em criticar tendências da mídia mainstream de tecnologia. O problema não são as opiniões em sim, mas sim a cultura “reclamona” e um pouco “chapéu de alumínio”. No final é uma estratégia que estreita para um nicho cada vez menor e o público reflete isso.
Complementando meu comentario anterior:
Achei interessante aqui o comentário do fulalas sobre o Ghedin ser aficcionado por soluções Apple. Acho que eu nem estava ciente desse aspecto, mas agora que fulalas verbalizou, noto que ja estava sentindo essa possivel “contradição” aqui no Manual:
Um ambiente que apoia o FOSS, a web aberta, a cultura anti-big-tech, mas o lider usa soluções Apple, o quê, na minha visão é uma empresa que representa justamente o oposto da filosofia FOSS e liberdade tecnológica.
Não sei como conciliar isso pois não estou simplesmente julgando os que usam Apple e dizendo que eles deveriam gastar incontaveis horas da vida na infinita batalha pra configurar seu sistema Linux no desktop e mais dezenas de horas pra migrar pro Android…
Eu uso Linux/Android e, embora eu “sonhe” com um mundo onde todos largam Windows/Apple pra usar Linux, tenho que ser honesto o bastante pra até desencorajar o uso do Linux (e outras ferramentas open-source) se o que você precisa é algo que ja funciona fora da caixa.
É uma grande mentira que Linux é gratuito — você vai pagar com dezenas ou centenas de “horas técnicas” pra deixar esse sistema redondinho.
Nesse ponto a Apple ganha de 10 a zero.
Mas isso eu acho ok. Até o Dio do Diolinux usa apple, chromebook e até um windows em dualboot. Acho até que é algo que mantém o manual mais “normal”, acessível.
E gosto como equilibra a “soberania dos dados” com o que é realmente prático para o dia a dia. É algo que eu tenho pensado por aqui desde que migrei pro linux. Isso até tem surgido em alguns posts, assumidamente.
Não tô criticando o comentário não. Só aproveitei o gancho mesmo pra puxar esse ponto de refletir um usuário médio.
Será que essa baixa de acessos é sintoma de alguma mudança mais profunda na Web?
Não sei se isso ajuda a explicar mas, creio que o assunto “IA” tem sugado toda a atenção do mundo e principalmente daqueles ligados à tecnologia.
O que digo é pura especulação e achismo sim, mas acho que tem um pouco de logica: se o publico principal do MdU é amante de tecnologia, esse mesmo publico está sujeito a “cair” no grande buraco de coelho da IA e prosseguir gastando horas diarias consumindo conteúdo relacionado a IA, e uma vez que a quantidade de horas de atenção é limitada, esse publico teria menos tempo para gastar acessando sites como o Manual.
IA esta sugando todo oxigênio da Web, esta sugando todas as horas de atenção.
Olha, eu acesso o MdU porque não tem foco em IA, até porque esse assunto está saturado.
vou ser sincero. Quase todo dia acessava o site. Na época da eleição tive a impressão que o site tomou uma posição, um lado. Então parei de acessar pois nao gosto de misturar politica. Voltei recentemente. Perdão pela minha opinião.
Você não “misturar” política já é misturar política, percebe?
Vou dizer que eu estou indo contra a corrente então. Sou novo por aqui e cheguei justamente porque procurava conteúdos mais autênticos e aprofundados. Quero me afastar desses conteúdos rápidos, hiper fragmentados e pasteurizados por IA, que além da baixa qualidade, vem acabando com a minha capacidade de concentração.
Mas sei que não sou o único com essa preocupação. Embora os conteúdos gerados por IA possam ser os mais consumidos, a parcela insatisfeita com esse modelo não é pequena. Talvez exista aí um público latente que ainda não achou o caminho pro conteúdo que busca.
Eu vim para os comentários na intenção de dizer praticamente isso, rs.
Acompanho o Ghedin há anos também. Entro neste site praticamente todo dia. Ter assumido um posicionamento político mais explícito, em um cenário tão polarizado, pode ter contribuído para isso? Tenho a impressão de que o conteúdo acabou ficando mais restrito a um público que já compartilha dessa mesma visão…
mais um pra estatística: acompanho o teu trabalho desde a época do meio bit e winajuda, e hoje voltei a usar feeds RSS – leio todos os posts pelo feed, mas raramente abro o site em si.
com essa robotização da web num geral, acredito que espaços “restritos” e geridos por humanos reais, como esse blog, vão ter valor cada vez mais especial, possivelmente com uso cada vez maior de RSS.
fazendo esse comentário só pra deixar a mensagem: o que tu faz é cada vez mais importante, então independente de eventuais correções de curso, por favor, continue!
A web tá horrível, mas você ainda tem leitores fiéis, Rodrigo!
Um abraço e parabéns pelo trabalho jornalístico bem feito.
O MdU segue sendo um dos sites que acesso diariamente, mesmo assinando o RSS. Até mesmo como motor de busca (utilizem o [bang](https://manualdousuario.net/duckduckgo-bangs/) `!mdu` em suas pesquisas no DuckDuckGo!).
No meu caso, a IA impactou bastante. Não no sentido em que foi exposto (resumos e chatbots), pois não faço destas ferramentas. Mas sim na elevada quantidade de posts sobre o tema; seja no MdU, seja no Órbita. Acho que o assunto saturou, até mesmo em redes descentralizadas.
Particularmente, tenho zero interesse em IA (desejo sucesso a quem gosta, precisa ou é obrigado a utilizá-la); formei minha opinião com posts pregressos somados à [realidade material](https://newsie.social/@royaards/115999901270876264) e sigo a vida: em regra, ignoro todo e qualquer post sobre o tema, independentemente de a abordagem ser positiva ou negativa.
Também não clico em posts que abordam exclusivamente Windows e Mac. No caso do primeiro, larguei de mão mesmo; já o sistema da Apple, é por falta de acesso. Estou há mais de 3 anos usando apenas GNU/Linux, focando em aplicações FOSS. Com isso, evito soluções proprietárias para não quebrar a cara novamente. A exemplo daquelas que usei por mais de década: Evernote e OneDrive.
> Estou aberto a conselhos e sugestões.
Faço coro ao comentário do klinsmann:
> tem muitas com curadorias de links mas as com opinião diminuíram
Tenho notado isso tanto no MdU e o Órbita. Para mim, tão ou mais importante do que a indicação de algo legal é a opinião que o Ghedin e a galera tem a respeito.
No mais, vida longa ao MdU!
> já o sistema da Apple, é por falta de acesso. Estou há mais de 3 anos usando apenas GNU/Linux, focando em aplicações FOSS.
Pois é! Corro o risco de estar viajando aqui, mas acho que o conceito do MdU pede uma veia mais open source e Linux/Android, porém o Ghedin é claramente um aficionado pela Apple e isso parece afastar mais do que aproximar, até mesmo pela questão financeira, dado que a Apple é um ecossistema mais elitista, especialmente no Brasil.
No mais, acredito que esse baque na audiência que o Ghedin tem sentido deve ser alinhado com a maioria dos sites mundo afora. Não só AI, mas as redes sociais também vêm centralizando a internet nessas grandes plataformas. Vejo até meus amigos geeks se rendendo a esse tipo de comodismo. E um tal de empresa comprando empresa (viram a Paramount comprando a Warner?) que não para mais, centralizando mais e mais rumo à distopia do Biff, em De Volta Para O Futuro 2. :(
P.S.: comentando deslogado porque logado não está indo
Acho que o apego do Rodrigo pela Apple é mais pela qualidade e longevidade dos equipamentos e principalmente pelo “Just works”.
Pessoalmente eu também evito produtos fechados. Estou usando Linux já faz mais de 10 anos sem muitos problemas…. Mas meu uso é basicamente web mesmo, não dependo do outos softwares fechados feitos para outras plataformas.
Uso Apple e Linux. Adoro tecnologia. Sou fã da “ideia” do open source, mas também não tenho preconceitos com sistema proprietário, está tudo bem cada um com seu público. Porém tenho que admitir que a Apple simplesmente funciona, são bem feitos e tem sua beleza. zero dor de cabeça. Vida fica mais fácil. Linux de vez em quando instalo uma distro nova pra testar, faço mil mudanças, gosto do resultado final, mas dá um trabalho enorme e sempre ficam alguns pequenos bugs. São dois mundos que pra mim não são opostos, cada um tem seu público e ok.
Eu penso o mesmo.
E essa fixação dele, compartilhada com muitos usuários daqui com coisas da Apple (e alguns da MS) me deixam um pouco frustrado com o site. O conceito do site pede coisas alternativas, não Apple e MS. Sem contar que eu acabo muitas vezes me irritando com alguns comentários ou até mesmo publicações no Órbita, então prefiro me manter na minha.
Entro algumas vezes ao dia, porém é uma visita rápida, muitas vezes só para ver se tem alguma publicação nova, coisa de 15 segundos e é isso. Às vezes eu leio algo, como algumas postagens interessantes no Órbita, como “Ocupados demais para amar” que tu mesmo publicou.
Eu considero isso um “problema” apenas quando um artigo é sobre, por exemplo, como melhorar a sua privacidade online, onde só tem dicar/configurações para Safari, sendo que poderia ser para o Firefox (eu me lembro que esse foi um exemplo real, comentei no post na época, inclusive).
De resto, é apenas o uso pessoal/profissional. O Ghedin usa Apple faz décadas (provavelmente) e isso cria hábito, costume e pertencimento. Sem falar que usar Apple cria uma dependência das soluções da Apple (esse é o plano de negócios deles) que torna muito complexo e laborioso sair de dentro do murinho.
Meu uso de coisas da Apple é recente. Faz 11 anos que migrei do Windows para o macOS. Adaptei-me muito rápido, talvez porque as coisas aqui são (ou eram) intuitivas. Diria que “criar dependência” não é apenas o plano de negócios da Apple, mas algo da natureza humana. A gente aprende a explorar as vantagens e a lidar com os defeitos das ferramentas que usamos, e esse é um processo contínuo que, quanto mais longevo, mais marcado no cérebro fica. Imagino que alguém que use Windows ou qualquer sabor Linux por tanto tempo também tenha dificuldades ao migrar para o macOS.
Ao Diego e ao fulalas, o “conceito do site” não é esse que vocês sugeriram. Está no “sobre”, há vários anos:
Tecnologias livres me interessam. FOSS me interessa. O macOS me interessa. O Manual é um blog pessoal com foco em tecnologia. Ele é as coisas que me chamam a atenção. É uma conversa em que relato às pessoas aquilo que me empolga, preocupa ou fascina. Nada além disso.
Ghedin, você acha que existe a possibilidade de outros jornalistas e donos de blog chegando à mesma conclusão — de que o modelo atual possa estar em xeque — se juntarem para criar uma espécie de “hub” no qual todos ajudam uns aos outros? A ideia seria tentar ter um público em comum, que é o público que continua valorizando texto artesanal, feito por humanos e para humanos.
Eu vejo você como um líder de uma resistência em língua portuguesa contra o modelo de internet que tentam nos enfiar goela abaixo. Neste momento, em que outros criadores de conteúdo feito por humanos também devem estar se perguntando sobre como será o futuro, de repente uma união proporcione o fortalecimento de uma resistência contra essa investida dessas máquinas de gerar textos pasteurizados.
É isso que venho pensando há um bom tempo também. O jornalismo sempre dependeu de quem pudesse pagar pelos serviços de uma boa e bem acurada informação. Só que infelizmente o jornalismo vem sendo “sentado em cima” pelo marketing.
Quando vejo o Intercept, Pública, Repórter Brasil, dentre outros – operando com doações e por si mesmos, me pergunto se uma espécie de “hub”, “consórcio” ou “sindicato” mesmo poderia servir como salvaguarda de bons jornalistas – dos que sabem perguntar, sabem para quem perguntar e para quem vai servir a informação.
Só tem um ponto também: os “influencers”, dependendo, também acabaram contribuindo para que o jornalismo tivesse este problema.
Explico: não tem só o “influencer midiático”, mas também os “influencers de nicho” – no caso pessoas que tem conhecimento da área e usam as plataformas para servirem como se fossem jornalistas, trazendo informações e muitas vezes até “gerando uma reportagem”. Só que dependendo do tipo do influencer, esta informação pode ter problemas sérios de vieses (ou seja, por mais que ele diga que não tem viés, a informação tem sim) e falhas de apuração.
Só lembrando que um dos poucos jornalistas que questionou esta relação de informação foi justamente o Ghedin.
Mas isso refletiu em inscritos na newsletter e apoiadores? Eu entro muito pouco no manual e tem bastante tempo que considero mais como newsletter do que como blog. Curiosamente tenho até entrado mais desde que comecei a usar o matcha pra cuidar dos rss, mas quando depende de mim, entro muito pouco, sempre pra procurar algo que eu já tinha visto antes ou alguma das sessões como mochilas e mesas (que estão muito escondidas). Mas acho que esses números são mais um sinal de que não tem gente “estranha” vindo do google do que leitores do manual. Só ver o número de comentários em um post de pouco tempo atrás. O lance é entender o que isso significa no longo prazo.
Vendo os comentários dos colegas, parece que tem uma galera que acompanha por RSS (eu incluso) e acaba não sendo contabilizada nessa estatística.
Sim, eu sou uma que dificilmente acesso o site por isso! Vejo que existe um pessoal voltando a usar RSS 🙂
Essa é uma dúvida minha: também acompanho por RSS e por isso raramente acesso o site em si. Talvez uma “solução” seria enviar só o resumo por RSS, o que forçaria os leitores a visitar o site para ler o texto completo, a exemplo do que fazem outros sites.
Pessoalmente prefiro a comodidade de ler tudo no agregador, mas se forçar a visita ao site ajudar de alguma forma a mantê-lo, é um pequeno preço a se pagar.
Ah, isso não. Eu também leio muitos sites via RSS e acho uó quem entrega feed parcial. Sem falar que, hoje, a maioria dos aplicativos de RSS conseguem obter o conteúdo da página e exibi-lo em sua própria interface. Só daria mais trabalho a quem acompanha mais de perto o Manual.
opa… acompanho os feeds (blog, podcast), bsky, telegram, etc. e, eventualmente, entro aqui para interagir com essa audiência caríssima do MdU 🖖🏿☕️
Vivemos tempos em que todos somos servidos o que gostar, o que olhar e o que valorizar. Eu sempre reclamo da forma como comunicamos nosso dia a dia para os outros, “consumo” se tornou a unico verbo que nós usamos para falar de arte, cultura e opnião; E a forma como definimos quem somos, pelo que fazemos, acabo por nos definir. Então agora eles desenvolveram o ultraprocessado do pensamento, em que mastigar é opcinal bem como se engrandecer por esse “consumo”. Deglutidores e devoradores de conteudo.
Eu tenho vivido tranquilamente mas só quando não penso em como a web se tornou hostil para com todos nós.
PS: Eu acompanho as postagens por RSS em parte para centralizar meus habitos em um lugar que não esta predando minha atenção. Uma pena que acaba por não contabilizar pro teu lado :c
Oi Ghedin!
Apenas com a intenção de colaborar com sua pesquisa dos motivos, vou dizer os meus motivos pelos quais venho acessando menos o manual.
Não se trata de IA, resumo da página do google, etc, nada disso.
O Manual ainda é um dos meus 3 sites de consulta diária em tecnologia (junto com o TB e o Macmagazine).
O que acontece é que sou um saudosista do antigo manual, aquele com podcast semanal da época do Higa, da Emily, e da última fase com a co-host (que esqueci o nome).
Além disso, entendo que o tempo das notícias gira diferente aqui no manual, mas vez ou outra entro para buscar alguma opinião sobre assuntos do momento e não encontro nenhum.
Enfim, continuo entrando aqui diariamente para ver o que rola, mas confesso que pouca coisa tem me atraído.
Talvez eu não seja mais o público.. pode ser..
De qualquer modo espero ter ajudado com os meus motivos.
Um abraço!
Obrigado pelo comentário, Kleverson. Essa é outra hipótese que me ocorreu também, a de que o que escrevo não esteja mais ecoando junto à audiência. Se for esse o problema, é um bom problema! Porque aí tem como corrigir, voltar aos trilhos, e só depende de mim.
Concordo com o Kleverson, depois do Órbita, deu uma caída na quantidade de publicações, tem muitas com curadorias de links mas as com opinião diminuíram.
Outro ponto é que – salvo engano – você removeu o site das buscas do Google, não foi? será que isso não prejudicou? muitas vezes eu jogo um termo + manual do usuário no navegador e ele me retorna uma pesquisa do Google e quase nunca consigo encontrar.
Estou na mesma. Não sou tão antigo. Conheci o site pelos podcasts na pandemia em 2020.
Mas os assuntos tratados aqui recentemente não tem mais atraído tanto meu interesse.
Não sei dizer se os assuntos e abordagens mudaram tanto ou se estão meio saturados na minha percepção. Mas não me parece mais tão interessante.
Também sou um leitor que visito o site todos os dias, e igualmente sinto falta da abordagem de mais assuntos, e que tais assuntos sejam abordados com mais opinião, ao invés de simples exposição da notícia.
Por outro lado, creio que não precise, sempre, ser algum “assunto do momento”; o que mais me atrai nas leituras do blog são os artigos em que o Ghedin trata de temas “desapercebidos” ao longo de nossa vida, como este: https://manualdousuario.net/barulho-plugue-protetor-ouvidos/, por exemplo.
Também acredito que determinados assuntos tendem a saturar. P. ex., com o perdão do reducionismo, já entendemos que o Ghedin não gosta de IA; eu também não gosto e não uso, mas chega um ponto em que a opinião sobre tal assunto se torna repetitiva. Talvez seja o caso de dar menos atenção para o tema.
Enfim, penso que o blog ficaria mais atrativo com um combo: notícias simples, links interessantes do dia, mas com um artigo mais elaborado “aqui e ali” tratando de temas interessantes, especialmente se não for sobre IA, rsrs.
Eu sempre acompanho as postagens no blog via RSS.
Dúvida: elas contabilizam nas suas estatísticas?
Não contabilizam, mas está tudo bem: prefiro que as pessoas leiam pelo RSS do que não leiam :)
Por não contabilizar que geralmente eu uso o RSS apenas como aviso de novidade, mas leio no site.
Principalmente pela questão estética do autor, gosto de ver como o espaço de escrita/leitura é imaginado por quem escreve. Até porque sei que a gente gasta tempo fazendo essas escolhas.
Mas sobre como resolver, realmente não sei, até porquê testes em mídias sociais ja foram feitas aqui e também não surtiram efeito.