O que eu uso (2026)

Todo ano, registro neste blog os produtos de tecnologia e softwares que eu uso no dia a dia. É um raio-x que sacia a curiosidade de muitos leitores e, ao mesmo tempo, explica em parte a linha editorial do Manual do Usuário.

Em 2026, estou usando menos coisas e meio que as mesmas do ano passado. Poderia ser só um “Control C, Control V”, mas continue comigo; prometo que será mais interessante que isso.

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Por que a Anthropic não usa o Claude para fazer um bom app do Claude?

O aplicativo para computadores do Claude, da Anthropic, é feito em Electron, uma tecnologia que junta um aplicativo web a uma instância do Chromium em um executável multiplataforma.

Vários apps usam essa tecnologia: Microsoft Teams, Slack, Signal, Discord, Spotify, VS Code. O Electron facilita a criação e manutenção de apps para vários sistemas usando uma linguagem comum, a mesma da versão web desses apps.

Os efeitos colaterais negativos, porém, são tão relevantes quanto. Cada app do tipo aberto consiste em um Chromium a mais rodando, o que pode saturar os recursos do computador, deixando-o lento ou travando. E, embora seja possível fazer adaptações para que o aplicativo “pareça estar em casa” em cada sistema operacional, poucos se dão a esse trabalho. Fica parecendo… um site mesmo, só que numa janela à parte da do navegador.

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Redes sociais afetam adultos também

Existe ainda alguma dúvida de que redes sociais são prejudiciais para crianças e adolescentes? O ano de 2026 encaminha-se para o fim dessa fábula.

A Austrália já baniu o acesso de menores de 16 anos às plataformas sociais.

No Brasil, o chamado ECA Digital, com uma série de novas obrigações para sites e aplicativos a fim de mitigar os perigos da internet a que menores estão sujeitos, está prestes a entrar em vigor — com algumas aberrações perigosas, como a “verificação de idade”.

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A mochila da professora Paloma Gussani

Nesta seção, leitores do Manual mostram o que carregam em suas mochilas no dia a dia. Veja as outras mochilas já publicadas e mande a sua — a continuidade da seção depende de você.

Foto em preto e branco de mulher com cabelos cacheados, sorrindo.
Foto: Arquivo pessoal.
Resolvi finalmente fazer essa tag e juro, a minha eu adolescente está gritando nesse momento!

Eu sempre via esse tipo de post em blogs e pensava: “Quero fazer a minha versão também.” Mas na época minhas bolsas não eram lá essas coisas. E, para ser sincera, eu não queria mostrar material escolar. (Só entre nós, é que quando resolvi criar o blog eu tinha uns 19 anos, e estava fazendo cursinho.)

Contudo, o tempo passou, eu comecei a trabalhar na minha área e, quando pude ganhar relativamente bem, finalmente investi em uma bolsa e uma carteira que eu sempre sonhei.

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Por que tanta gente odeia texto de IA, mesmo quando ele pode ser bom?  cointeligencia.substack.com

Pedro Burgos, analisando a polêmica de uma colunista da Folha de S.Paulo* que admitiu que seus textos são gerados por IA:

Em colunas de opinião, será que o leitor quer ideias — ou quer testemunhar alguém pensando pela escrita? Se for a segunda opção, como deveria ser a sinalização? Existe um nível de transparência que preserva o pacto sem transformar cada texto em bula de remédio?

Eu nunca vi o disclaimer “o Excel foi utilizado nesta análise financeira”. E se entendermos LLMs como “calculadoras de texto”, precisa sinalizar?

Pedro e eu temos visões muito distintas da IA. Ele usa bastante, é entusiasta. Levanto esse contraste para afirmar que, neste caso, estamos meio que alinhados.

Duvido muito que um texto de próprio punho da Natalia Beauty ficasse muito melhor que o amontoado de platitudes que formam suas colunas. E, a julgar pelos comentários ali, os leitores também não se importam. Um ou outro aponta e critica o uso de IAs generativas. Importante lembrar, porém, que as reclamações à ombudsman ensejaram uma resposta dela na edição de domingo do jornal.

Atualização (11h10): A Natalia publicou um texto explicando seu uso de IA na redação das colunas.

É por esse mesmo motivo que, em publicações de negócios, costumo passar batido por textos de opinião escritos por executivos e fundadores. Na posição de quem vê como a salsicha é feita, são textos genéricos escritos por uma assessoria de imprensa e empurrados aos veículos para valorizar o passe do executivo e/ou da empresa. Obrigado, mas não achei minha atenção no lixo.

Textos opinativos são os mais fáceis de sacar quando feitos por IA. Dados trazidos pelo Pedro apontam que são, também, o formato em que a IA é mais usada. Exceções (como esse mesmo texto do Pedro) demandam um esforço considerável — o prompt que ele usou tinha 34% do tamanho do texto final. Para o bem (raro) e para o mal, pouco importa se a IA foi usada para escrever qualquer coisa.

* A Folha de S.Paulo está me processando.

As perdas de emprego são reais, mas a desculpa da IA é falsa

por David Gerard

Ambas as afirmações a seguir são verdadeiras:

  1. Em toda a economia dos EUA, não há um efeito visível da IA sobre contratações e composição dos empregos;
  2. Alguns setores estão absolutamente devastados diretamente pela IA.

Mas também:

  1. Ninguém se importa se foi tecnicamente a IA ou não que tirou seu emprego;
  2. A economia mais ampla já está visivelmente ferrada.

Até a imprensa financeira mais mainstream começa a admitir que alegar que demissões são culpa da IA é uma desculpa falsa para agradar investidores.

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As alegrias e angústias no uso do RCS, evolução do SMS

Em 2024, a Apple fez um gesto de boa vontade a reguladores europeus e abriu o iOS 18 para o RCS, a evolução do velho SMS.

RCS, sigla de Rich Communication Services, é o SMS via internet com todos os benefícios decorrentes dessa mudança, como suporte a imagens de alta qualidade, recibos de leitura, indicadores de digitação e mensagens de áudio.

Em outras palavras, é a “versão WhatsApp” do SMS.

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Comi o dogão de um youtuber famoso

Fui encontrar uns amigos em Maringá (PR) e, sem querer, me vi jantando na lanchonete de um youtuber.

Quem poderia imaginar? O nome do estabelecimento é Rezendog. Imaginei que fosse um funcionário público aposentado, o Rezende da contabilidade, que pôde, enfim, realizar o seu sonho de vender cachorro quente prensado. O que seria algo perfeitamente normal na capital do dogão.

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É possível viver sem WhatsApp no Brasil?

Vamos direto ao assunto: viver sem Instagram, Facebook e Threads (risos) é fácil. Os únicos contratempos que me ocorrem são a privação dos rolos no marketplace do Facebook e o apagão de informações de restaurantes, cafés e clínicas que insistem em reduzir a presença no digital ao Instagram. Inconveniente, mas contornável.

No Brasil, o “chefão” de quem decide se livrar da Meta é o WhatsApp. E como não seria? Algumas pesquisas de hábitos no celular apontam que até 99,1% dos brasileiros maiores de 16 anos usam o app de mensagens. Por aqui, ele é onipresente; o meio de comunicação padrão de muita gente e empresas.

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Pedidos e promessas para 2026

No início de 2025, publiquei neste Manual um “combinado” para o ano que se iniciava. Gostei da experiência, por isso a repito agora, em 2026.

Na verdade, o “combinado” estava mais para uma reflexão com base na pesquisa junto à audiência, que costumo rodar no fim do ano. Mudei o título para refletir melhor o conteúdo. O espírito do post segue o mesmo.

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Profissão: criador de conteúdo

Tremo na base quando alguém me pergunta o que eu faço. O que eu faço? Não sei. Costumo responder “sou jornalista”, definição que está longe de me descrever, apenas para matar o assunto.

“Tenho um blog” é outra resposta a que recorro quando a carga de paciência está cheia. A ela sucedem-se perguntas inevitáveis, como “mas você consegue viver só disso?”, e comentários do tipo “eu já tive um blog, ganhava uns trocados com AdSense”.

A fundação da Célere embolou ainda mais o meio-campo. “Tenho uma pequena agência que presta serviços de tecnologia para jornais digitais.” Correto, mas cansei só de escrever. E, sendo bem pedante, isso não é “o que eu faço”, é “onde eu trabalho”. Parte do tempo. Porque tem o blog ainda.

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Seu celular é uma casa falsa

por Adam Aleksic

Nota do editor: Gosto de encerrar o ano do Manual com um texto mais reflexivo. (O do ano passado é um bom exemplo.) Topei com este do Adam e fiquei comovido. É um ótimo chamado à realidade: mais efetivo que listar dicas e recomendações de como usar o celular e uma leitura mais prazerosa também. Espero que você leve as palavras dele às suas próprias reflexões de fim de ano. Volto do recesso no dia 12/1. Boas festas e feliz 2026! ✨

As escadas de madeira da casa onde cresci tinham um degrau que rangia. Ainda consigo visualizar nitidamente o jeito como ele gemia sob meu peso. Era um som tão alto e revelador que eu costumava saltava esse degrau nas escapadas noturnas até a cozinha. Caso contrário, acordaria a casa inteira.

É preciso uma intimidade extraordinariamente profunda para desenvolver esse tipo de hábito. Quando você começa a conhecer um lugar de verdade, cria suas próprias idiossincrasias de navegação do tipo. Meu colega que mora comigo diz que sempre segurava o corrimão de um jeito particular ao subir as escadas da casa onde que cresceu.

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