IPO da SpaceX funciona como uma fraude de criptomoeda, porém com IA

por David Gerard

colaborou Amy Castor

Já vimos esse filme antes.

Antes da nossa guinada para IA, escrevemos sobre fraudes de criptomoedas. Uma oferta inicial de moedas criptográficas (ou “criptos”) começa com um white paper cheio de baboseiras impossíveis. Ninguém se importa porque toda a proposta de valor é “número que sobe”.

A cripto é lançada, o preço dispara e os insiders fazem uma puxada de tapete (“rug pull”), despejando suas participações nos otários e derrubando o preço, depois sumindo com o dinheiro. Os investidores iludidos terminam segurando a batata quente.

A SpaceX está fazendo uma fraude estilo criptos, mas no mercado de ações real. O documento S-1 é o white paper. O IPO, marcado para meados de junho, é a puxada de tapete.

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A minha mochila no FIB16, em Belém (PA)

Um pedido: Seções como esta, das mochilas, dependem da participação de quem lê o blog. Mande a sua. Não usa mochila? Mande a sua mesa de trabalho e/ou a tela inicial do seu celular. Quer ver mais mesas? Acesse o arquivo.

Durante o Fórum da Internet no Brasil (FIB16), em Belém (PA), carreguei uma mochila ao centro de eventos com itens básicos para passar o dia lá, fazer o trabalho que foi contratado para fazer e, quando sobrou algum tempo livre (o que foi raro), dar uma olhada neste Manual do Usuário.

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O fediverso valoriza a acessibilidade nas descrições de imagens — e isso é bom para todos

por Augusto Campos

Nota do editor: Há quase exatos três anos, em maio de 2023, publiquei um texto meio rabugento reclamando da “polícia da descrição de imagens” no fediverso/Mastodon. Eu sempre defendi a prática e descrevo imagens no blog do Manual há muitos anos. Minha rusga, na ocasião, era com a natureza quase persecutória de alguns participantes proeminentes, incluindo donos de grandes instâncias brasileiras, com quem não descrevia imagens, mesmo que por esquecimento ou desconhecimento.

Dia desses, trocando uma ideia (pelo Mastodon) com o Augusto Campos, ele se lembrou daquele texto meu e pediu para revisitar o tema aqui no blog, contando o que mudou nesse intervalo de três anos e, nas palavras dele, “remover um espinho atravessado na garganta” desde 2023 (o espinho, no caso, a minha opinião). Fiquei feliz com a proposta! Feita essa devida contextualização, segue o texto do Augusto.


Descrever imagens para pessoas com algum tipo de deficiência visual é um recurso de acessibilidade valioso, que demanda pouco esforço e é suportado em boa parte das plataformas sociais da atualidade.

Mas ser suportado não basta: para uma rede ser acessível às pessoas com deficiência visual, a oferta do recurso de acessibilidade precisa ter adesão ampla.

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Nada mudou no Instagram; Meta sempre leu suas DMs

Desde 8 de maio, o Instagram parou de oferecer a opção de mensagens diretas (DMs) com criptografia de ponta a ponta (e2ee, na sigla em inglês). O anúncio foi feito de maneira discreta, em uma página da documentação de ajuda da Meta, o que condiz com a importância desse recurso dentro do Instagram. Ao repercutir a notícia, porém, a imprensa fez um trabalho lamentável, esticando a verdade ou descambando para a desinformação mesmo, inflamando a opinião pública a troco de nada.

Sou o primeiro a criticar a Meta, e é por isso que devemos ser cuidadosos nas acusações, sob o risco de enfraquecermos os reais argumentos contra ela e suas práticas.

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Um viciado em telas no divã

Alguns meses atrás, em uma sessão da terapia, comentei a hipótese de ser viciado em telas. A psicóloga perguntou o que eu faço quando não estou olhando para elas. Consegui elencar poucos itens — todos simplórios, alguns patéticos, como “lavar louça”.

Ela disse que é comum que viciados, ao reconhecerem o vício, se vejam em um vazio existencial. Acho que não há margem para dúvidas em reconhecer “lavar louça” como sinal de um enorme vazio, não?

Dei-me conta desse problema ao ler estes três parágrafos publicados pelo Dave Rupert, que tomo a liberdade de traduzir:

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Aguentei o Apple Watch por quatro meses

Considero-me uma pessoa decidida, embora tenha meus pontos fracos. Gastos substanciais, como o de dispositivos eletrônicos, são sempre uma novela. A do Apple Watch durou alguns anos.

No final de 2025, foi ao ar um capítulo especial com uma grande reviravolta, típica dos melhores novelões. Sem pensar muito, procurei pelo Apple Watch Series 10 mais barato no varejo. Comprei. A minha lógica foi aproveitar a “entressafra” de versões e a desvalorização do modelo anterior, uma boa estratégia neste ano em que o recém-lançado Series 11 trouxe pouquíssimas novidades.

Caixa de 46 mm, cor rosa dourado, pulseira esportiva branca. Comprado. Alguns dias depois, o relógio apareceu em casa. Com outra pulseira, uma loop esportiva roxa. Acabei ficando com ela porque os modelos com a outra que havia pedido estavam em falta. Foi a entressafra…

A novela teve seu (possível?) capítulo final, um abrupto, no último dia 20 de abril, quatro meses após o início da fase em que passei a usar um Apple Watch.

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Limites de uso do Claude Code: A Anthropic aperta os clientes

por David Gerard

A Anthropic — slogan: “somos vice porque pregamos o apocalipse da IA com mais força” — tem um ótimo negócio. Todo programador ruim e aspirante a programador ruim ama o Claude Code, seu amontoado de lixo vibe-codado favorito! A receita da Anthropic está nas alturas!

Exceto pelo pequeno detalhe de que a Anthropic vende o Claude Code com um prejuízo enorme. A Anthropic gasta de US$ 8 a US$ 13,50 para cada dólar que entra.

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Cadê os meus dados, Vivo?

Ainda uso o plano legado do Vivo Easy, aquele em que compra-se dados avulsos que nunca expiram. (Em 2025, a Vivo transformou o Easy em uma assinatura anual, para a tristeza da nação.) Tenho pouco mais de 100 GB acumulados, o que deve durar alguns bons anos antes de eu ter de me preocupar com outro plano.

Ou talvez dure menos…? Em fevereiro, alguns leitores no grupo de assinantes do Manual, também clientes do Vivo Easy antigo, notaram um possível gasto acelerado de dados, incompatível com o padrão de uso.

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Apresentamos o Rolêrama

Assim que bati o olho no Wander, um navegador de blogs pessoais criado pela Susam Pal, pensei que seria legal ter uma versão para blogs em português. E como já temos o Lerama… você já sacou onde vamos parar, né?

Estamos lançando nesta segunda (6) o Rolêrama, um navegador de blogs e newsletters dentro do Lerama. Acesse e caia em uma das mais de 250 publicações cadastradas no Lerama. Aperte o botão Rolêramara e vá a outro blog ou newsletter aleatório.

Já tínhamos um botão “aleatório” no Lerama. Ele ainda existe, em paralelo ao Rolêrama, porque: 1) leva a um post específico; e 2) seu uso não privilegia o “passeio” (ou o rolê), aquele vagar sem rumo nem compromisso por todo o catálogo de blogs únicos e newsletters instigantes.

Aos mais antigos, o Rolêrama é uma espécie de StumbledUpon, só que restrito às publicações cadastradas na plataforma. Aos mais novos, vejam o que tínhamos na web dos bons tempos e trocamos por feeds artificiais do Instagram. Éramos felizes e sabíamos 🥹

Se você tem um blog ou newsletter que ainda não está no Lerama, inscreva-o neste formulário.

***

O Rolêrama é mais um esforço do Manual do Usuário para fomentar e celebrar a web aberta. Desenvolvido por Renan Altendorf, é um software livre e de código aberto (FOSS). Acesse o repositório. O nome foi sugerido pelos leitores Rodrigo e Renan (outro Renan) em nosso grupo de assinantes. Aliás, você ainda não é assinante? Torne-se assinante e ajude a gente a criar mais coisas legais do tipo.

Transformei o Kindle no meu jornal particular

Os dois meses de uso do tablet da TCL me levaram à conclusão de que um tablet meu não precisa ter uma tela com “movimento” fluído. Eu só leio coisas estáticas, textos parados.

Tal revelação me fez ver com renovada atenção um tipo de dispositivo que, até então, sequer cogitava, mas que agora parece perfeito para o que preciso. Refiro-me aos tablets Android com tela E-Ink, fabricados por marcas como Boox, Bigme e Pocketbook. (Infelizmente, nenhuma delas com presença oficial no Brasil.)

O problema? São caros. Os modelos menores, com tela de 7–7,8 polegadas, começam em valores quatro vezes maiores que um Kindle básico. O que eu queria, o Boox Go 10.3, com tela de 10,3 polegadas, parte dos R$ 3 mil — se você encontrar um à venda em solo nacional. E vem com um Android defasado, embora tenha sido informado de que isso não atrapalha, ao contrário do iPad. (Semana passada a Boox lançou a segunda geração do modelo, com Android 15 e uma variante com tela iluminada. Deve ser ainda mais cara.)

Além de caro, eu detesto comprar… coisas. Por isso fiquei contente quando me dei conta de que poderia usar o meu Kindle — aquele mesmo que nunca acessou a internet — para ler artigos, posts e newsletters publicadas na web, sem gastar um centavo a mais e com uma ótima qualidade.

É esse arranjo, resultado de uma semana de novas conexões cerebrais (ou muitos neurônios fritos em algo quase insignificante) que compartilharei contigo.

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Neste texto eu falo bem da IA

“Como desativar todos os widgets do WordPress sem recorrer a plugins?”

“Quais as principais obras — e por onde começar a lê-las — de Theodor Adorno?”

“Qual a melhor rotina de meditação para um sono profundo?”

“Como excluir um contêiner do Docker pela linha de comando?”

“Vinagre e bicarbonato de sódio formam uma boa combinação para limpeza doméstica?”

“Nos EUA, qual a média de espectadores por filme lançado em determinado ano? Usar um ano recente”

“O que significa uma tela com a tecnologia NCVM IPS?”

***

Desculpe as perguntas aleatórias. São algumas que fiz à IA (Duck.ai e Claude) recentemente. Todas foram respondidas pelos modelos gratuitos oferecidos pelas duas empresas, com diferentes níveis de satisfação. No mínimo, elas me indicaram caminhos promissores para aprofundar a pesquisa, fazer testes e, no fim, resolver o meu problema. (Menos a da bilheteria de filmes nos EUA; parece que faltam dados dos filmes de menor audiência.)

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A tela Nxtpaper 4.0 da TCL

Quando compramos um dispositivo eletrônico, o normal (quero acreditar) é escolher o modelo mais equilibrado dentro do valor disponível para adquiri-lo.

Tomemos um celular como exemplo. Não adianta ter a melhor câmera do mundo se o sistema trava ou a bateria não dá conta do perfil de uso. Ou um computador que tem um teclado maravilhoso, mas uma tela péssima.

Em dezembro, comprei um tablet apenas por causa da tela. As outras especificações? Nem olhei. Queria ver com os meus próprios olhos aquela tela, prometida pela fabricante como quase mágica, unindo o conforto visual das telas E-Ink com a velocidade e suavidade do LCD.

Hoje, falarei dele: o Nxtpaper Tablet 11 gen. 2 da TCL e sua tela Nxtpaper 4.0.

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Na tentativa de consolidar poder sobre a distribuição de apps no Android, Google enfrenta resistência

Existem muitas diferenças entre Android e iOS. Uma fundamental é a disponibilidade do código-fonte: enquanto o iOS é fechado/proprietário, ou seja, só a Apple tem acesso, o Android é aberto. Qualquer um pode olhá-lo e modificá-lo.

A gente sempre ouve isso, mas a realidade — como sempre — é um pouco mais complexa. O Android é, de fato, aberto, mas o sistema que a maioria das pessoas usa no dia a dia em seus celulares tem muitas camadas extras de software proprietário do Google. As diferenças são tantas que o Android base, a parte FOSS (sigla em inglês para “software livre e de código aberto”), tem até um nome próprio: AOSP, ou Android Open Source Project.

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O que eu uso (2026)

Todo ano, registro neste blog os produtos de tecnologia e softwares que eu uso no dia a dia. É um raio-x que sacia a curiosidade de muitos leitores e, ao mesmo tempo, explica em parte a linha editorial do Manual do Usuário.

Em 2026, estou usando menos coisas e meio que as mesmas do ano passado. Poderia ser só um “Control C, Control V”, mas continue comigo; prometo que será mais interessante que isso.

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Por que a Anthropic não usa o Claude para fazer um bom app do Claude?

O aplicativo para computadores do Claude, da Anthropic, é feito em Electron, uma tecnologia que junta um aplicativo web a uma instância do Chromium em um executável multiplataforma.

Vários apps usam essa tecnologia: Microsoft Teams, Slack, Signal, Discord, Spotify, VS Code. O Electron facilita a criação e manutenção de apps para vários sistemas usando uma linguagem comum, a mesma da versão web desses apps.

Os efeitos colaterais negativos, porém, são tão relevantes quanto. Cada app do tipo aberto consiste em um Chromium a mais rodando, o que pode saturar os recursos do computador, deixando-o lento ou travando. E, embora seja possível fazer adaptações para que o aplicativo “pareça estar em casa” em cada sistema operacional, poucos se dão a esse trabalho. Fica parecendo… um site mesmo, só que numa janela à parte da do navegador.

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