Cadê os meus dados, Vivo?

Ainda uso o plano legado do Vivo Easy, aquele em que compra-se dados avulsos que nunca expiram. (Em 2025, a Vivo transformou o Easy em uma assinatura anual, para a tristeza da nação.) Tenho pouco mais de 100 GB acumulados, o que deve durar alguns bons anos antes de eu ter de me preocupar com outro plano.

Ou talvez dure menos…? Em fevereiro, alguns leitores no grupo de assinantes do Manual, também clientes do Vivo Easy antigo, notaram um possível gasto acelerado de dados, incompatível com o padrão de uso.

(mais…)

Quer ajudar o Manual? Inscreva-se para o novíssimo conselho consultivo

Muita gente já me ajudou e ajuda a manter o Manual do Usuário ao longo desses mais de 12 anos no ar. As decisões mais sensíveis, porém, foram sempre tomadas por uma pessoa: eu.

É uma posição ambivalente. Por um lado, acho o máximo ter o poder de escolher o caminho a seguir. Por outro, é um tanto solitária e, por vezes, difícil.

Desses dilemas surgiu a ideia de criar um conselho consultivo para o projeto.

Escolherei cinco pessoas para acompanharem e debaterem o planejamento e a tomada de decisões no Manual do Usuário. Faremos encontros bimestrais por videochamada e, entre eles, manteremos contato por outros meios. O mandato é de dois anos (2026–2027), podendo ser renovado por igual período.

As inscrições estão abertas a qualquer pessoa interessada. (O formulário também está acessível ali embaixo.)

Lerei todos os envios e escolherei cinco conselheiros. Darei preferência àquelas que tenham mais experiência em áreas vitais (como editorial) e em que sou fraco (marketing, por exemplo). Uma das vagas será exclusiva para assinantes pagantes do Manual.

Antes de se inscrever, peço que leia o breve estatuto do conselho consultivo. Ali estão todas (espero!) as diretrizes e ações para eventos atípicos. Mais importante, o estatuto prevê as suas atribuições como membro do conselho.

As inscrições serão aceitas até às 23h59 do dia 23 de abril. O resultado será divulgado no dia 30 de abril.

Estou empolgadíssimo com a criação do conselho! Eu adoro falar e pensar o Manual e não vejo a hora de poder compartilhar esse momento com mais pessoas.

(mais…)

Apresentamos o Rolêrama

Assim que bati o olho no Wander, um navegador de blogs pessoais criado pela Susam Pal, pensei que seria legal ter uma versão para blogs em português. E como já temos o Lerama… você já sacou onde vamos parar, né?

Estamos lançando nesta segunda (6) o Rolêrama, um navegador de blogs e newsletters dentro do Lerama. Acesse e caia em uma das mais de 250 publicações cadastradas no Lerama. Aperte o botão Rolêramara e vá a outro blog ou newsletter aleatório.

Já tínhamos um botão “aleatório” no Lerama. Ele ainda existe, em paralelo ao Rolêrama, porque: 1) leva a um post específico; e 2) seu uso não privilegia o “passeio” (ou o rolê), aquele vagar sem rumo nem compromisso por todo o catálogo de blogs únicos e newsletters instigantes.

Aos mais antigos, o Rolêrama é uma espécie de StumbledUpon, só que restrito às publicações cadastradas na plataforma. Aos mais novos, vejam o que tínhamos na web dos bons tempos e trocamos por feeds artificiais do Instagram. Éramos felizes e sabíamos 🥹

Se você tem um blog ou newsletter que ainda não está no Lerama, inscreva-o neste formulário.

***

O Rolêrama é mais um esforço do Manual do Usuário para fomentar e celebrar a web aberta. Desenvolvido por Renan Altendorf, é um software livre e de código aberto (FOSS). Acesse o repositório. O nome foi sugerido pelos leitores Rodrigo e Renan (outro Renan) em nosso grupo de assinantes. Aliás, você ainda não é assinante? Torne-se assinante e ajude a gente a criar mais coisas legais do tipo.

Transformei o Kindle no meu jornal particular

Os dois meses de uso do tablet da TCL me levaram à conclusão de que um tablet meu não precisa ter uma tela com “movimento” fluído. Eu só leio coisas estáticas, textos parados.

Tal revelação me fez ver com renovada atenção um tipo de dispositivo que, até então, sequer cogitava, mas que agora parece perfeito para o que preciso. Refiro-me aos tablets Android com tela E-Ink, fabricados por marcas como Boox, Bigme e Pocketbook. (Infelizmente, nenhuma delas com presença oficial no Brasil.)

O problema? São caros. Os modelos menores, com tela de 7–7,8 polegadas, começam em valores quatro vezes maiores que um Kindle básico. O que eu queria, o Boox Go 10.3, com tela de 10,3 polegadas, parte dos R$ 3 mil — se você encontrar um à venda em solo nacional. E vem com um Android defasado, embora tenha sido informado de que isso não atrapalha, ao contrário do iPad. (Semana passada a Boox lançou a segunda geração do modelo, com Android 15 e uma variante com tela iluminada. Deve ser ainda mais cara.)

Além de caro, eu detesto comprar… coisas. Por isso fiquei contente quando me dei conta de que poderia usar o meu Kindle — aquele mesmo que nunca acessou a internet — para ler artigos, posts e newsletters publicadas na web, sem gastar um centavo a mais e com uma ótima qualidade.

É esse arranjo, resultado de uma semana de novas conexões cerebrais (ou muitos neurônios fritos em algo quase insignificante) que compartilharei contigo.

(mais…)

Neste texto eu falo bem da IA

“Como desativar todos os widgets do WordPress sem recorrer a plugins?”

“Quais as principais obras — e por onde começar a lê-las — de Theodor Adorno?”

“Qual a melhor rotina de meditação para um sono profundo?”

“Como excluir um contêiner do Docker pela linha de comando?”

“Vinagre e bicarbonato de sódio formam uma boa combinação para limpeza doméstica?”

“Nos EUA, qual a média de espectadores por filme lançado em determinado ano? Usar um ano recente”

“O que significa uma tela com a tecnologia NCVM IPS?”

***

Desculpe as perguntas aleatórias. São algumas que fiz à IA (Duck.ai e Claude) recentemente. Todas foram respondidas pelos modelos gratuitos oferecidos pelas duas empresas, com diferentes níveis de satisfação. No mínimo, elas me indicaram caminhos promissores para aprofundar a pesquisa, fazer testes e, no fim, resolver o meu problema. (Menos a da bilheteria de filmes nos EUA; parece que faltam dados dos filmes de menor audiência.)

(mais…)

A tela Nxtpaper 4.0 da TCL

Quando compramos um dispositivo eletrônico, o normal (quero acreditar) é escolher o modelo mais equilibrado dentro do valor disponível para adquiri-lo.

Tomemos um celular como exemplo. Não adianta ter a melhor câmera do mundo se o sistema trava ou a bateria não dá conta do perfil de uso. Ou um computador que tem um teclado maravilhoso, mas uma tela péssima.

Em dezembro, comprei um tablet apenas por causa da tela. As outras especificações? Nem olhei. Queria ver com os meus próprios olhos aquela tela, prometida pela fabricante como quase mágica, unindo o conforto visual das telas E-Ink com a velocidade e suavidade do LCD.

Hoje, falarei dele: o Nxtpaper Tablet 11 gen. 2 da TCL e sua tela Nxtpaper 4.0.

(mais…)

Na tentativa de consolidar poder sobre a distribuição de apps no Android, Google enfrenta resistência

Existem muitas diferenças entre Android e iOS. Uma fundamental é a disponibilidade do código-fonte: enquanto o iOS é fechado/proprietário, ou seja, só a Apple tem acesso, o Android é aberto. Qualquer um pode olhá-lo e modificá-lo.

A gente sempre ouve isso, mas a realidade — como sempre — é um pouco mais complexa. O Android é, de fato, aberto, mas o sistema que a maioria das pessoas usa no dia a dia em seus celulares tem muitas camadas extras de software proprietário do Google. As diferenças são tantas que o Android base, a parte FOSS (sigla em inglês para “software livre e de código aberto”), tem até um nome próprio: AOSP, ou Android Open Source Project.

(mais…)

O que eu uso (2026)

Todo ano, registro neste blog os produtos de tecnologia e softwares que eu uso no dia a dia. É um raio-x que sacia a curiosidade de muitos leitores e, ao mesmo tempo, explica em parte a linha editorial do Manual do Usuário.

Em 2026, estou usando menos coisas e meio que as mesmas do ano passado. Poderia ser só um “Control C, Control V”, mas continue comigo; prometo que será mais interessante que isso.

(mais…)

Por que a Anthropic não usa o Claude para fazer um bom app do Claude?

O aplicativo para computadores do Claude, da Anthropic, é feito em Electron, uma tecnologia que junta um aplicativo web a uma instância do Chromium em um executável multiplataforma.

Vários apps usam essa tecnologia: Microsoft Teams, Slack, Signal, Discord, Spotify, VS Code. O Electron facilita a criação e manutenção de apps para vários sistemas usando uma linguagem comum, a mesma da versão web desses apps.

Os efeitos colaterais negativos, porém, são tão relevantes quanto. Cada app do tipo aberto consiste em um Chromium a mais rodando, o que pode saturar os recursos do computador, deixando-o lento ou travando. E, embora seja possível fazer adaptações para que o aplicativo “pareça estar em casa” em cada sistema operacional, poucos se dão a esse trabalho. Fica parecendo… um site mesmo, só que numa janela à parte da do navegador.

(mais…)

Redes sociais afetam adultos também

Existe ainda alguma dúvida de que redes sociais são prejudiciais para crianças e adolescentes? O ano de 2026 encaminha-se para o fim dessa fábula.

A Austrália já baniu o acesso de menores de 16 anos às plataformas sociais.

No Brasil, o chamado ECA Digital, com uma série de novas obrigações para sites e aplicativos a fim de mitigar os perigos da internet a que menores estão sujeitos, está prestes a entrar em vigor — com algumas aberrações perigosas, como a “verificação de idade”.

(mais…)

A mochila da professora Paloma Gussani

Nesta seção, leitores do Manual mostram o que carregam em suas mochilas no dia a dia. Veja as outras mochilas já publicadas e mande a sua — a continuidade da seção depende de você.

Foto em preto e branco de mulher com cabelos cacheados, sorrindo.
Foto: Arquivo pessoal.
Resolvi finalmente fazer essa tag e juro, a minha eu adolescente está gritando nesse momento!

Eu sempre via esse tipo de post em blogs e pensava: “Quero fazer a minha versão também.” Mas na época minhas bolsas não eram lá essas coisas. E, para ser sincera, eu não queria mostrar material escolar. (Só entre nós, é que quando resolvi criar o blog eu tinha uns 19 anos, e estava fazendo cursinho.)

Contudo, o tempo passou, eu comecei a trabalhar na minha área e, quando pude ganhar relativamente bem, finalmente investi em uma bolsa e uma carteira que eu sempre sonhei.

(mais…)

Por que tanta gente odeia texto de IA, mesmo quando ele pode ser bom?  cointeligencia.substack.com

Pedro Burgos, analisando a polêmica de uma colunista da Folha de S.Paulo* que admitiu que seus textos são gerados por IA:

Em colunas de opinião, será que o leitor quer ideias — ou quer testemunhar alguém pensando pela escrita? Se for a segunda opção, como deveria ser a sinalização? Existe um nível de transparência que preserva o pacto sem transformar cada texto em bula de remédio?

Eu nunca vi o disclaimer “o Excel foi utilizado nesta análise financeira”. E se entendermos LLMs como “calculadoras de texto”, precisa sinalizar?

Pedro e eu temos visões muito distintas da IA. Ele usa bastante, é entusiasta. Levanto esse contraste para afirmar que, neste caso, estamos meio que alinhados.

Duvido muito que um texto de próprio punho da Natalia Beauty ficasse muito melhor que o amontoado de platitudes que formam suas colunas. E, a julgar pelos comentários ali, os leitores também não se importam. Um ou outro aponta e critica o uso de IAs generativas. Importante lembrar, porém, que as reclamações à ombudsman ensejaram uma resposta dela na edição de domingo do jornal.

Atualização (11h10): A Natalia publicou um texto explicando seu uso de IA na redação das colunas.

É por esse mesmo motivo que, em publicações de negócios, costumo passar batido por textos de opinião escritos por executivos e fundadores. Na posição de quem vê como a salsicha é feita, são textos genéricos escritos por uma assessoria de imprensa e empurrados aos veículos para valorizar o passe do executivo e/ou da empresa. Obrigado, mas não achei minha atenção no lixo.

Textos opinativos são os mais fáceis de sacar quando feitos por IA. Dados trazidos pelo Pedro apontam que são, também, o formato em que a IA é mais usada. Exceções (como esse mesmo texto do Pedro) demandam um esforço considerável — o prompt que ele usou tinha 34% do tamanho do texto final. Para o bem (raro) e para o mal, pouco importa se a IA foi usada para escrever qualquer coisa.

* A Folha de S.Paulo está me processando.

As perdas de emprego são reais, mas a desculpa da IA é falsa

por David Gerard

Ambas as afirmações a seguir são verdadeiras:

  1. Em toda a economia dos EUA, não há um efeito visível da IA sobre contratações e composição dos empregos;
  2. Alguns setores estão absolutamente devastados diretamente pela IA.

Mas também:

  1. Ninguém se importa se foi tecnicamente a IA ou não que tirou seu emprego;
  2. A economia mais ampla já está visivelmente ferrada.

Até a imprensa financeira mais mainstream começa a admitir que alegar que demissões são culpa da IA é uma desculpa falsa para agradar investidores.

(mais…)

As alegrias e angústias no uso do RCS, evolução do SMS

Em 2024, a Apple fez um gesto de boa vontade a reguladores europeus e abriu o iOS 18 para o RCS, a evolução do velho SMS.

RCS, sigla de Rich Communication Services, é o SMS via internet com todos os benefícios decorrentes dessa mudança, como suporte a imagens de alta qualidade, recibos de leitura, indicadores de digitação e mensagens de áudio.

Em outras palavras, é a “versão WhatsApp” do SMS.

(mais…)

Comi o dogão de um youtuber famoso

Fui encontrar uns amigos em Maringá (PR) e, sem querer, me vi jantando na lanchonete de um youtuber.

Quem poderia imaginar? O nome do estabelecimento é Rezendog. Imaginei que fosse um funcionário público aposentado, o Rezende da contabilidade, que pôde, enfim, realizar o seu sonho de vender cachorro quente prensado. O que seria algo perfeitamente normal na capital do dogão.

(mais…)