Um dinossauro contempla o fim da web

Em 2023, por diversas vezes me peguei pensando na web, no site do Manual e no que o futuro nos reserva.

A morte da web já foi prevista quase tantas vezes quanto o apocalipse. Talvez ela não morra, mas a essa altura é difícil não encará-la como terra arrasada, destruída por grandes empresas que a sabotam em prol de aplicativos fechados e pela produção em escala industrial de panfletos digitais com o intuito de manipular buscadores e, por tabela, a nós.

O cenário, que já era bem ruim, deverá piorar sobremaneira com a disseminação da inteligência artificial gerativa. Sites legais continuarão a existir, só que cada vez mais isolados e soterrados por montanhas de lixo digital potencializado por SEO.

Sinto-me às vezes como um dinossauro que olha para o céu e vê o meteoro em rota de colisão com o espaço onde escolhi para montar meu puxadinho no digital.

Será que Tim Berners-Lee, quando criou a web no início dos anos 1990, imaginou o cenário que vivemos hoje, 30 anos depois?

Desde muito cedo a web, concebida para ser uma rede aberta de documentos digitais, se desdobrou em plataforma. Talvez esse tenha sido o pecado original que nos trouxe a esse momento fim de festa. Por outro lado, tivesse sido de outra forma, ela talvez não se tornasse relevante a ponto de agora nos preocuparmos com seu futuro.

Para virar plataforma, foi necessário turbinar a web. Com o poder extra, vindo das APIs de navegadores e, principalmente, do desenvolvimento do JavaScript, linguagem de programação que é executada na ponta, ou seja, no navegador, as coisas meio que saíram do controle.

Não quero soar saudosista, “no meu tempo era melhor”, porque não era. Hoje, as possibilidades são muito maiores e é mais divertido lidar com elas. Às vezes gasto mais tempo do que deveria mexendo no site do que escrevendo nele — é esse o nível de diversão da coisa, ao menos para mim.

Por outro lado, me pergunto como seria a web se as empresas não tivessem dominado tudo, se aquela visão inicial, hoje quase ingênua, tivesse se sobressaído. Com o auxílio de bloqueadores de conteúdo, é possível ter um gostinho desse futuro alternativo que nos escapou.

“Bloqueadores de conteúdo” é um termo mais preciso para os comumente chamados bloqueadores de anúncios, porque eles podem fazer muito mais do que bloquear apenas anúncios.

A essa altura, bloquear anúncios na web é um EPI necessário para acessar a web sem se contaminar (ou passar raiva). O nível seguinte é alterar algumas configurações básicas dos navegadores web.

Faz alguns meses que estou nessa, navegando com JavaScript, cookies e fontes externas desativadas por padrão. Tem sido uma experiência curiosa, vez ou outra um pouco incômoda, no geral, muito satisfatória.

Sendo mais específico, a configuração que tenho usado é a seguinte:

  • Scripts carregados de outros domínios que não o acessado (ou seja, de terceiros) são desativados por padrão. Exemplo: se eu entro no site sitelegal.xyz e tem um vídeo do YouTube lá, o vídeo não vai carregar porque depende de scripts do youtube.com (um terceiro, nesse caso).
  • Fontes personalizadas, idem: se elas forem carregadas do próprio domínio, tudo bem; se vierem de fora, como do Google Fontes ou do Adobe Fonts (antigo TypeKit), elas são bloqueadas.
  • Cookies são todos bloqueados por padrão.

Conheço duas formas de fazer uma configuração do tipo, ambas com extensões: a 1Blocker (para Safari; é a que eu uso) e a uBlock Origin (Firefox e Chrome; Firefox recomendado). Entre as duas, a uBlock Origin é melhor em todos os aspectos, e é gratuita e de código aberto. Seu único defeito é não ter versão para o Safari, o que me restringe à 1Blocker.

Os primeiros dias navegando assim são os mais difíceis porque a maioria dos sites, mesmo alguns dos mais simples, exige JavaScript e/ou cookies para abrir direito ou para abrir, ponto.

Mesmo me antecipando a alguns casos óbvios (sites de bancos, redes sociais, o do Manual e de serviços/fornecedores), os casos de quebra aparecem com frequência, o que demanda acréscimos à lista de exceções. E como a interface da 1Blocker não é das melhores, é… um pouco chato ficar lidando com isso.

O JavaScript surgiu como uma espécie de “tempero” para o HTML, suprindo-o com elementos dinâmicos a fim de melhorar a experiência na web. E, para isso, é uma linguagem excepcional — o site do Manual tem vários pequenos scripts que melhoram o manejo do site, ou como dizem lá fora, a “quality of life”.

Com o passar dos anos, porém, o JavaScript virou um monstro. Hoje, é a base de frameworks complexos muitas vezes usados sem necessidade e roda até no lado do servidor, o que é algo contraditório, para dizer o mínimo.

Existem duas explicações para o uso indiscriminado de JavaScript na web: a inexperiência de quem desenvolveu o site ou “necessidades” de negócio, ou seja, de entupir um site com scripts de rastreamento e/ou publicidade invasiva.

Os transtornos com sites quebrados vão diminuindo com o passar do tempo, na medida em que os casos graves são sanados com acréscimos à lista de exceções e, com isso, se tornam raros.

Mesmo que fosse algo mais incômodo, talvez ainda valesse a pena. Quando desativo esse aparato ou vejo alguém acessando a web em navegadores/dispositivos sem qualquer bloqueador de conteúdo, sou lembrado imediatamente da grande vantagem do meu esquema: a web fica muito rápida. Ela voa, ou eu voo nela.

No que quero dizer que, sim, para mim compensa. Para você? Não sei. Muita gente passa mais tempo em aplicativos do que na web. Não é o meu caso.

Falei bastante de JavaScript, pouco de cookies e fontes. Vale uma ou duas palavras.

O lance com os cookies tem mais a ver com privacidade. A menos que eu precise me autenticar em um site ou ter alguma preferência salva, não tem por que ficarem gravando cookies no meu computador. Lembrando que cookies de terceiros são bloqueados por padrão pelos navegadores modernos, exceto no Chrome.

Com as fontes, é um misto de privacidade, desempenho e gosto. O uso de fontes personalizadas (desde que carregadas do próprio domínio) pode resultar em leiautes agradáveis. Para isso, é necessário bom gosto, coisa que não existe em abundância no mundo. Entre más escolhas e as fontes padrões do sistema, eu fico com a segunda opção.

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31 comentários

  1. Acho que você tocou num ponto essencial nesse post.
    Por sugestão de um colega, eu instalei o uMatrix no meu Chrome e Firefox. Ele permite fazer esse bloqueio de scripts de terceiros, cookies e frames através de uma matriz “intuitiva”. Coloco entre aspas, pois para mim é simplíssimo de usar, mas já tive dificuldade de explicar para outras pessoas que acharam complicadíssimo.
    Fica a dica para testar uma hora dessas…

  2. Seu único defeito é não ter versão para o Safari

    é mais um defeito do Safari do que do Ublock…

    Com as fontes, é um misto de privacidade, desempenho e gosto.

    Nunca entendi por que o Decentraleyes/LocalCDN não consegue dar suporte a fontes. A idéia seria que arquivos CSS que apontam para fontes em servidores terceiros obtivessem as fontes direto do seu cache local, evitando enviar essa requisição HTTP para terceiros.

    ponto extra: o Firefox Focus, disponível no Android, tem a opção de desativar JS e Cookies permanentemente. A experiência de usá-lo como navegador padrão é muito boa, sendo que às vezes eu re-abro a página no Firefox normal para poder usar js/cookies (mas com ublock ativo).

    1. O Safari também tem opções para desativar cookies e JavaScript, mas acho essa medida muito inconveniente. Teria que ficar ligando e desligando o tempo todo para contornar sites que não funcionam assim. A vantagem de fazer esses ajustes via extensões é que elas permitem um ajuste mais fino, com exceções.

  3. Eu sou um leitor assíduo do Manual do Usuário. E por conta disso a minha vida digital vem sendo bem mais saudável. Recentemente, por conta do texto “Google paga dezenas de bilhões a rivais para manter buscador como padrão”, eu troquei o Google pelo DuckDuckGo como o meu buscador padrão. Acredito que a Web realmente está terrível por conta dos milhares e milhares de anúncios e pop-ups que aparecem nos sites; mas sites como o Manual do Usuário dão uma ponta de esperança para o futuro.

    A única coisa que me deixa um pouco chateado é que a experiência que eu tenho com a web hoje parece ainda ser algo de nicho. Em outras palavras, algo que não está ao alcance (ou ao conhecimento) de todos. Eu mesmo só tive contato com o Manual do Usuário por conta do Podcast Tecnocracia, que sempre recomendava o acesso ao site. Até que eu dei uma oportunidade e adorei os textos e as interações que aconteciam por aqui. Daí até criar uma conta não demorou muito.

    Às vezes eu fico pensando em quantas pessoas adorariam o seu site, mas não estão por aqui simplesmente porque a informação de que existem sites mais saudáveis na web ainda não chegou para essas pessoas. Sempre que tenho a oportunidade faço propaganda do MdU. rsrs Espero que com o tempo apareçam mais sites como o seu.

    1. Esse é outro efeito colateral da transformação da web em aterro sanitário, Daniel: fica muito mais difícil ser encontrado. O Google ainda é a principal fonte de acessos do Manual, ainda que não seja um canal com bom nível de “conversão”, ou seja, que transforma visitantes ocasionais em frequentadores assíduos.

      Obrigado pela força na indicação do site! Esse boca a boca é imprescindível, ajuda muito mesmo a apresentar o site a mais gente que se identifica e talvez gostasse de acompanhá-lo :)

  4. Não uso ad-blockers a não ser o que vem de padrão em browsers como Firefox ou Vivaldi. O motivo é que não tenho paciência para configurar e acho que vou ficar batendo cabeça com coisas que não vão funcionar em alguns websites. Pelo que li do posts e comentários tem sim um pouco de barreira de entrar e um tempo que tem que se dedicar para que tudo funcione redondo.

    Ao ler o post, veio na minha cabeça a simplicidade do protocolo Gemini e de browsers desenvolvido para o mesmo como o Lagrange que escolhe randomicamente uma cor para o texto da página no Gemini e que você também pode configurar.

    Seria legal se existisse uma extensão assim (eu usaria se o default funciona-se sem necessidade de configuração) que bloqueia tudo e foca apenas no texto, escolhendo um fonte legal e deixando as pessoas escolherem a fonte que mais curtem.

    Já usei plugins “Reader View” e eles são um pouco assim.

    1. Os bloqueadores de anúncios costumam ter configurações padrões bem equilibradas, Antonio, no sentido de que bloqueiam o que é possível sem “quebrar” ou afetar a navegação. Sempre existe o risco de que um caso raro gere quebras, mas são… raros.

      Não sei como é o do Firefox, mas no Safari é possível definir o “reader view” como padrão ao abrir determinado site. Uso essa configuração em alguns que têm o leiaute ruim para leitura. É bem conveniente e lembra mesmo o Gemini!

  5. Ghedin, amo o seu trabalho. Aqui no MdU temos reflexões singulares como essa. Eu tenho pensando no tema do modelo de negócio baseado em propaganda desde que li o 10 Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais. Muitas vezes eu sou levado a pensar que estou sozinho ao me importar com essas coisas, já li esse texto no Newsboat, em um netbook singlecore rodando Debian 32bits.

  6. Bacana sua reflexão, Ghedin. Compartilho das suas frustrações com a direção da web, assim como também me sinto um dinossauro tentando consertar a web pro meu uso pessoal.

    Esse site aqui dá um panorama do que tá rolando ao longo dos anos: https://almanac.httparchive.org/en/2022/page-weight

    Basicamente nos últimos 10 anos o tamanho das páginas (em KB) multiplicou por 5x, sendo que 90% delas tinha em 2022 cerca de 8.5 MB, o que, pra efeito de comparação, é cerca de 2/3 do Windows 95 inteiro!

    Recentemente esbarrei num projeto open source e multi-plataforma chamado youtube-local (https://github.com/user234683/youtube-local/releases). Basicamente é um mini servidor local feito em Python que funciona como um shell para você usar o YouTube de um jeito extremamente minimalista e até bem customizável.

    A velocidade é estúpida e obviamente não tem propaganda; nem mesmo o merchandising interno dos vídeos! Ele transcreve também permite acesso à transcrição do áudio e até fazer busca por texto, além poder fazer download, configurar a resolução e o codec padrões, etc.

    Com relação ao bloqueio de JavaScript com direito a whitelist de scripts e/ou domínio específicos, recomendo o bom e velho No-Script Suite Lite. É meio chatinho de configurar os defaults que funcionam, mas depois é sucesso.

    Eu desenvolvi uma extensão que nunca tornei pública que basicamente pega links de notícias dos mais diversos portais do mundo e em vez de carregá-los, para tudo, baixa apenas o HTML puro e extrai somente o texto, imagens e vídeos. O resultado é uma página sem absolutamente nenhum paywall, poluição visual, distração, lentidão, etc. Os ganhos de performance (e economia de banda!) são colossais. E como rodo no celular o KiwiBrowser, que permite uso de extensões, também usufruo dessa maravilha quando estou fora do desktop. Em muitos casos as páginas caem de 4 MB para 40 KB, hahaha!

    Fiz também uma extensão que gera uma espécie de timeline com os canais do YouTube que eu ‘assino’ (oficialmente não assino nenhum rsrs). Basicamente a extensão pega os últimos 7 vídeos dos canais que escolho e ela gera o conteúdo. A vantagem? Além de muito mais rápido e direto ao ponto, não fico refém de algoritmo de big corp.

    Então, como disse o Alexandre Faustini, hoje há muitas formas de contornar o caos que se tornou a web. Claro, o ideal era nem precisar contornar nada. Mas aí só derrubando o capitalismo rsrs

    1. “Basicamente nos últimos 10 anos o tamanho das páginas (em KB) multiplicou por 5x, sendo que 90% delas tinha em 2022 cerca de 8.5 MB, o que, pra efeito de comparação, é cerca de 2/3 do Windows 95 inteiro!”

      Outra comparação bem esdrúxula: Os instaladores off-line do Office são o triplo do tamanho de todo o Windows XP (o XP tinha 600 MB, e os Offices atuais já estão em 2 GB, ou até mais). Eu brinco que é um “sistema dentro de outro”

    2. Podia disponibilizar os “crxs” dessas extensões pra gente testar aqui. De repente…

      1. OK. Zipei as 2 extensões. Elas estão no formato xpi (pra Firefox), o que na real é um zip mesmo. Pra usar no Firefox ou se usa a versão ESR e/ou se desativa o xpinstall.signatures.required (em about:config) — fiz isso faz tempo e não estou 100% certo mais.

        A webDesentropifier vai criar um ícone ‘O’ vermelho quando instalada e basta abrir um link de notícia de grandes portais nacionais e internacionais (O Globo, Folha, Gizmodo, etc) que já vai funcionar.

        A youtubeTimeline requer que você entre na URL http://www.youtube.com/timeline pra ver a sua timeline. Mandei com uns canais mais pra demonstração. Pra editar tem que ser na unha mesmo: unzipa a extensão, edita o contents.js e coloca os endereços dos canais que você quer (seguindo o padrão que tá lá), depois rezipa e re-instala a extensão.

        Qualquer dúvida/sugestão, pode falar :)

        https://www.mediafire.com/file/z466mmhj2655xna/fulalas-extensions.zip

        1. Obrigado, fulalas, vou testá-las aqui. Por que não as publica para ajudar mais gente?

          1. Porque aí eu teria que melhorar a maneira de configurar (tá cru demais no momento), e também ficar dando suporte. Não tenho essa disposição no momento. Fora que existe a chance de alguma big corp vir atrás de mim, vai saber, hehehe!

    3. Fico me perguntando como é possível fazer uma página web simples, não de aplicação web, com 8,5 MB. A título comparativo, esta página em que estamos agora, com recursos dinâmicos (comentários) e leiaute bonito (eu acho, tá!!), transfere 33,5 KB e, no dispositivo, ocupa 108 KB. O Manual abriria rápido até numa conexão discada, de 56 kbps.

      Sobre o YouTube, o meu uso é ainda mais simples. Assino os canais que quero acompanhar via RSS e, quando tem vídeo novo, uso um script do app Atalhos, da Apple, para baixar o vídeo na melhor qualidade possível em até 1080p (resolução da minha TV). Depois, subo meu servidor do Jellyfin no próprio computador mesmo, e acesso os vídeos do YouTube pelo app do Jellyfin no Roku Express da TV. É sucesso.

      1. É complicado mesmo, Ghedin. Isso é resultado de camadas e camadas de frameworks entrópicos que são enfiados goela abaixo pelos grandes, como Facebook (React), Google (AMP), TypeScript (Microsoft), etc.

        Eu trabalhei pra uma empresa que tava desenvolvendo um protótipo que basicamente era uma formulário single page em React. Não tinha nenhuma animação, nenhum vídeo, nenhuma imagem de alta resolução, absolutamente nada de interessante; algo que poderia muito bem estar funcionando nos começo dos anos 2000. A página no entanto ocupava uns 4 MB (antes de descompactar no lado do usuário!). Um dia parei 1 horinha (sem permissão do chefe) e fui na unha limpando tudo apenas pra provar que era possível. Resultado: sem mudar nada na funcionalidade e nem 1 pixel no layout final pro usuário, a página ficou com menos de 300 KB.

        Galera hoje acha que qualquer página tem que usar framework, e tem um milhão de sabores, versões e combinações de ferramentas pra contornar limitações. Aí depois precisamos de browsers rápidos (…), internet de fibra ótica, CPUs cabulosas, RAM infinita e tudo isso pra desenhar formulários triviais. Hoje navegar na internet gasta mais memória do que o sistema operacional (e olha que os sistemas operacionais modernos já são pesados…). É um pesadelo em câmera lenta mesmo.

        A propósito, sempre achei o Manual um exemplo de como fazer certo. Mesmo fora do Brasil tudo carrega estupidamente rápido, é estável e, como você bem disso, muito elegante e funcional — esse fundo preto em tela OLED dá até gosto, hahaha! Tiro o chapéu! :)

        1. Valeu!

          Acho que é isso mesmo: frameworks acostumam mal os desenvolvedores web, aí qualquer demanda, mesmo as mais simples, padecem desse mal.

  7. Bela analogia Ghedin… fico fantasiando um dia encontrar uma empresa que pense “Gente, ninguém gosta desses anúncios no meio dos vídeos ou músicas, vamos fazer nossa publicidade em outro lugar!”, aí um anúncio no meio de minha playlist de ruído branco me desperta desse sonho, rs…

    Sei que antigamente, escrevi um script em shell que usava o parâmetro “dump” do navegador “lynx” para extrair o texto dos sites e ler sem ruídos. Depois, passei a usar o IceCat, atualmente, uso o modo leitura mesmo, no Firefox…

  8. Esses dias, vi minha mãe abrindo um link de uma “noticia” lá do Facebook. E por padrão, abre naquele visualizador interno do app.

    Mano, sem brincadeira, tinha anúncios de vídeos tapando a “matéria” em todos os cantos, e o texto em si só dava pra enxergar uma linha.

    E isso porque a fonte do celular tem que ficar gigante pra ela enxergar.

    Cara, é horrível.

  9. Também sinto um horror à experiência da web hoje, em termos da falta de foco no conteúdo e usuário e muito mais na busca insana por cliques e visualizações. O que era ruim piorou muito com essas centrais de Ads e aquelas notícias grotescas que aparecem no meio das páginas (“a pílula que queima gordura em 21 dias”, “essa mulher tirou a foto e não percebeu isto”, “pare de jogar na loteria e faça isso…”).

    Eu ativo o modo leitor do Safari para a maioria dos sites e isso melhora muito. Ele limpa toda distração e geralmente acerta ficando só o conteúdo.

    Esse site aqui é uma boa alegoria da nossa experiência atual na web
    https://how-i-experience-web-today.com

    1. O modo de Leitor é bem útil para fugir de alguns sites que exigem que você desative o Adblock.

  10. Eu tenho a impressão que hoje em dia tá mais fácil tornar a web mais limpa e fugir das big techs (a exceção do youtube) do que a dez anos atrás.
    Várias alternativas boas aos serviços maiores, maior facilidade no bloqueio do que não quer. Só me mantenho dos grandes serviços, no youtube e no Windows (isso pq faço questão do gamepass, pq de resto Linux é plenamente viável e tão bom quanto o janelas).

    1. Sim, é mesmo! O próprio Manual é um exemplo disso. O problema é que, embora seja mais fácil, é menos conveniente e mais caro. E os incentivos para fazer sites colados em tecnologias da big tech são muito fortes. O resultado é que, na prática, a web acaba dominada por sites que rezam a cartilha do Google e os que tentam fugir disso ficam soterrados/escondidos porque são em menor número.

      1. Rodrigo, talvez estejam menos aparentes nas buscas, mas já parou para pensar do modo inverso? Que quanto mais conteúdo automatizado e ruim criarem, mais um site como o seu será valorizado por esta escassez criada? Esse é um benefício de um site feito a mão.

        1. Sim! E isso me reconforta/dá esperança. Outra analogia que uso (além da do dinossauro) é a de que sou uma espécie de artesão na Inglaterra do século XIX, testemunhando a ascensão das máquinas a vapor, rs.

          O único problema dessa lógica é que, hoje, a maior parte dos acessos ainda vem de buscadores, em especial o Google, e esse volume vem diminuindo nos últimos anos (salvo quando algo viraliza naquele “Discovery” do Google/Android).

          Talvez isso enseje outra mudança de perspectiva, de valorizar mais os acessos de outras fontes e encarar o que vem do Google como “excedente”, ou menos valioso. (Já é meio assim, talvez sempre tenha sido, né? A maioria cai de paraquedas aqui, lê o que interessa e sai para nunca mais voltar.)

  11. O descontentamento com a web atual vem do fato que já conhecemos uma web mais limpa, onde o foco era conteúdo~usuário. Pra um usuário que conhece o básico da internet, essas medidas de privacidade que você falou são quase extremas, pois vai sair da zona de conforto deles. No final das contas acredito que da pra encontrar um meio termo.

    Infelizmente a maioria dos sites pegou a doença de “portal”. Ao invés de mostrar as notícias e postagens mais recentes, eles entopem a página inicial com imagens e anúncios (vulgo Adrenaline que fez layout novo, mas a home parece que to andando no centro da cidade).

    1. E coloco até mesmo os próprios criadores de conteúdo que surgiram aí com o Facebook e Twitter/X.

      Simplesmente a maior parte desses criadores não conseguem imaginar algo que seja fora dessas plataformas grandes.