Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

No final de 2020, Jack Ma, fundador do Alibaba, desapareceu durante três meses depois que o governo chinês melou os planos de IPO do Ant Group, seu mais recente empreendimento. Dias antes, ele havia feito duras críticas à maneira como o país lida com inovação tecnológica. Via BBC Brasil.

No início de julho deste ano, foi a vez da China promover uma “revisão de segurança” e tirar das lojas de aplicativos os da Didi, a “Uber chinesa”, alegando que a empresa estava coletando dados pessoais dos usuários ilegalmente. Dias antes, a Didi havia aberto capital nos Estados Unidos e levantado US$ 4 bilhões. Após a devassa, o valor dos papéis despencou abaixo do do IPO.  Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Nesta segunda (26), as plataformas de delivery entraram na mira do Partido Comunista Chinês, que passou a exigir que elas ofereçam aos entregadores um salário mínimo, seguro e prazos de entrega mais flexíveis, o que fez sumir em dois dias US$ 60 bilhões do valor de mercado do Meituan, o “iFood chinês”. Via Reuters (em inglês), Bloomberg (em inglês).

A exemplo do que acontece no Ocidente, a China também parece preocupada e agindo para conter o poder da sua Big Tech. Enquanto nos Estados Unidos e Europa essas coisas se arrastam por anos e costumam terminar em multa irrisórias, na China a máquina antitruste é mais eficiente. Em pouco mais de seis meses, o governo local colocou rédeas em quase todas as gigantes de tecnologia do país e em outras várias upstarts. É o equivalente regulatório daqueles vídeos acelerados que mostram pontes ou prédios construídos em poucos dias — não por coincidência, também na China.

Em março, falei do Barinsta aqui, um aplicativo de código aberto para Android que permite acessar o Instagram em uma interface menos tóxica. Nesta segunda (26), o desenvolvedor do Barinsta, Austin Huang, recebeu uma notificação extrajudicial de um escritório de advocacia representando o Facebook exigindo que o projeto fosse descontinuado (leia-a), alegando que o aplicativo infringe os termos de uso do serviço. O sonho acabou. Via @barinsta_updates/Telegram, dica do leitor Tony (valeu!).

Vários serviços do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência federal de fomento à pesquisa, estão indisponíveis desde o último sábado (24). Uma falha em um servidor interrompeu as atividades do órgão e, para piorar, há suspeitas de que não exista backup ou de que a restauração seja complexa. Via Revista Fórum.

Em grupos de WhatsApp, circula o print de um e-mail  (veja) desta segunda (26), supostamente enviado por alguém do CNPq e endereçado à Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), pedindo ajuda para restabelecer o equipamento avariado, um servidor de armazenamento EMC VNX 8000, da Dell. A mensagem informa que “o equipamento encontra-se fora de garantia e não possui contrato de manutenção corrente que permita um reparo imediato”.

Uma mensagem publicada diretamente no WhatsApp, também supostamente de alguém do CNPq, explica que “desde sábado [estamos] tratando de resolver com a Dell um apagão no controlador do sistema de TI. Não se trata de uma placa. Infelizmente, a recuperação da infraestrutura da instituição não tem como ser feita da noite para o dia. Há um ano estamos trabalhando focados na organização institucional, com recursos financeiros administrativos adequados. Obviamente, a pandemia com o trabalho remoto tem atrapalhado”.

Também em grupos do app de mensagens, circula o áudio (ouça abaixo) de uma suposta servidora do CNPq afirmando que diversos serviços da agência, como a plataforma Lattes, e-mail e até a folha de pagamento, estão indisponíveis devido à falha. É nesse áudio que a pessoa fala que “a placa do servidor do CNPq ‘queimou’ e não tinha backup” e que não sabe precisar, em relação ao backup existente, o que se perdeu, “se segundos, alguns minutos, horas, dias…”

Pelas redes sociais, o CNPq informou que está trabalhando junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para restabelecer seus sistemas após “evento que causou a indisponibilidade das plataformas”, que a prioridade é restabelecer o acesso à plataforma Lattes e que prazos estão suspensos e serão prorrogados. O posicionamento oficial omite dificuldades ou problemas com o backup de dados.

Nota relacionada: Em 2021, CNPq tem o menor orçamento do século XXI. Via Poder360.

Atualização (14h45): Em nova manifestação nas redes sociais, publicada às 14h21, o CNPq informou que “o problema que causou a indisponibilidade dos sistemas já foi diagnosticado em parceria com empresas contratadas e os procedimentos para sua reparação foram iniciados” e que “já dispõe de novos equipamentos de TI e a migração dos dados foi iniciada antes do ocorrido. Independentemente dessa migração, existem backups cujos conteúdos estão apoiando o restabelecimento dos sistemas. Portanto, não há perda de dados da Plataforma Lattes.” Disse, ainda, que o pagamento de bolsas não será afetado e reforçou a suspensão e prorrogação de prazos.

Um alerta para quem tem o hábito de arquivar conversas no WhatsApp: a partir da última atualização (no iOS, versão 2.21.140 de 21 de julho), conversas arquivadas permanecem silenciadas e arquivadas mesmo quando novas mensagens chegam. Tem gente perdendo mensagens importantes por essa mudança, que está sendo liberado gradualmente — aqui, por exemplo, ele ainda não chegou.

Felizmente, é possível reverter a mudança de comportamento do WhatsApp indo em Configurações, Conversas e Manter conversas arquivadas.

Quatro meses após anunciar sua saída do mercado brasileiro, a Sony, ou parte dela, retorna via parceria com a Multilaser: a brasileira distribuirá os fones de ouvido da japonesa. Por ora, todos os produtos serão importados. Via Estadão.

Nos últimos anos, esse tipo de parceria tem sido explorado por empresas daqui como a própria Multilaser (além dos fones da Sony, vende os celulares da Nokia/HMD Global e TVs da Toshiba), Positivo (notebooks Vaio) e DL (Xiaomi).

A propósito, a Multilaser abriu capital na B3 semana passada. Estreou valendo R$ 9 bilhões. Via Uol.

O Clubhouse, lembra dele?, ganhou um novo logo, mensagens de texto e, enfim, abandonou a fila de espera e o sistema de convites para novos usuários. Não que isso importe muito, porque, aparentemente, ninguém mais usa o aplicativo — e as nossas previsões de quanto tempo levaria para o Clubhouse afundar, feitas neste Guia Prático gravado dentro do Clubhouse, meio que se concretizaram. Via Clubhouse (em inglês).

O mais interessante é que o Clubhouse virou o elefante da sala minimalista com decoração escandinava dos investidores de risco e futurólogos que, em janeiro, despejaram US$ 100 milhões no app, avaliando-o em US$ 4 bilhões (!), e profetizavam que este seria o novo Facebook porque… sei lá, Marc Andreessen (investidor do Clubhouse), Elon Musk e Mark Zuckerberg usaram o app uma ou duas vezes.

Vale ler esta boa coluna (em inglês) de Ed Zitron, talvez o primeiro obituário do Clubhouse.

O Manual do Usuário é uma das 11 novas publicações da Associação de Jornalismo Digital (Ajor). As atividades da Ajor se estruturam em três eixos: profissionalização e fortalecimento das associadas, defesa do jornalismo e da democracia e foco na diversidade. Lá, em boa companhia, espero que possamos contribuir e aprender para sempre melhorar o Manual e o jornalismo digital feito no Brasil. Via Ajor.

Em seu relatório de transparência do período de julho a dezembro de 2020, o Twitter revelou que apenas 2,3% dos usuários ativos tem a verificação em duas etapas ativada. E, dentro desse minúsculo universo, 79,6% das contas usam o método por SMS, o mais frágil dos três — 30,9% adotam aplicativos OTP e apenas 0,5% as chaves de segurança físicas. Via Twitter (em inglês).

Caro(a) leitor(a) que está no Twitter: faça um favor a si mesmo(a) e ative a 2FA agora mesmo. E repita isso em todos os serviços que oferecem tal recurso, em especial no seu e-mail e sistema operacional (iCloud para Apple, Google para Android).

O DuckDuckGo anunciou um novo serviço gratuito de proteção a e-mails, chamado Email Protection (é, nada original). Ele gera um endereço @duck.com, gratuito, que encaminha mensagens ao seu endereço verdadeiro removendo rastreadores da mensagem, algo parecido com o comportamento do aplicativo Mail, da Apple, no iOS 15 e macOS 12 . Na solução do DuckDuckGo também é possível gerar “aliases”, ou seja, endereços alternativos para cada serviço/cadastro e, caso um deles passe a ser usado para spam, bloqueá-lo. Essa parte é igual ao Firefox Relay e ao vindouro Hide My Email do iCloud+, da Apple.

O Email Protection está em beta. Para candidatar-se ao serviço e, de quebra, reservar um endereço @duck.com, é preciso baixar o aplicativo do DuckDuckGo para Android ou iOS, abrir as configurações, ir em Beta Features, depois em Email Protection e, por fim, clicar em Join the Private Waitlist. Via DuckDuckGo (em inglês).

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Neeraj Arora e Michael Donohue, ex-funcionários do WhatsApp pré e pós-aquisição pelo Facebook, lançaram um novo aplicativo, o HalloApp. (Em novembro de 2020, para ser exato, mas só agora estão aparecendo na imprensa.) Apresentado como “a primeira rede de relacionamentos reais”, é uma espécie de mistura entre WhatsApp e Instagram, mas sem os piores incentivos de ambos. Do blog deles:

Sem anúncios. Sem robôs. Sem curtidas. Sem trolls. Sem seguidores. Sem algoritmos. Sem influenciadores. Sem filtros de fotos. Sem “fadiga do feed”. Sem desinformação se espalhando como fogo em palha.

Os contatos são os da agenda do telefone (igual ao WhatsApp) e é possível criar conversas individuais, em grupos ou publicar fotos e textos para toda a lista de contatos. O visual é agradável, quase minimalista, com opções óbvias e limitadas. Só falta o português como opção de idioma, uma ausência notável dada a popularidade do WhatsApp e de redes sociais no Brasil.

Em junho, escrevi: “Lendo a parte em que o Instagram copia os stories do Snapchat, no livro da Sarah Frier, e o papel que as celebridades tiveram nesse episódio, pensei que seria legal um app de stories só para quem você tem na lista de contatos. Aí lembrei do WhatsApp. Os caras não dão uma brecha.” O HalloApp parece exatamente isso, e mais.

Já baixei e instalei. Pode não dar em nada? Sim, mas a proposta, pelo menos, é muito interessante. Tem para Android e iOS.

A Febraban, em cooperação técnica com o Banco Central, lançou nesta segunda (19) o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB). Na pesquisa para a construção do índice, feita com 5.220 maiores de idade de todas as regiões do país no final de 2020, a nota média dos brasileiros foi de 57 pontos (a escala vai de 0 a 100).

O site do I-SFB tem um formulário que, após preenchido, calcula sua nota e oferece “um diagnóstico individual para identificar vulnerabilidades e personalizar estratégias de educação financeira”. Acesse-o aqui.

Um consórcio de jornais revelou uma lista de 50 mil “pessoas de interesse” de 45 países que podem ter tido seus celulares hackeados pela ferramenta Pegasus, da empresa israelense NSO Group. Há anos o uso da ferramenta é conhecido; a investigação revela a escala da coisa. Via O Globo.

O NSO Group afirma ter 60 clientes em 40 países, mas se recusa a identificá-los, e diz que seus produtos são destinados exclusivamente ao combate ao terrorismo e ao crime organizado. Na lista obtida pelos jornais, porém, há jornalistas, ativistas e políticos. Em alguns países, a definição de terrorista deve ser mais abrangente, a ponto de incluir oposição e imprensa. Esta revelação explicita o perigo de se abrir exceções a sistemas de criptografia.

Em maio, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), que é vereador no Rio de Janeiro, articulou em Brasília, junto ao Ministério da Justiça, uma licitação para adquirir o Pegasus. O Uol, que revelou a negociata, ouviu de fontes que o filho do presidente tentava fortalecer uma “Abin paralela” dentro do governo, jogando para escanteio os órgãos de inteligência convencionais — o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a própria Abin. Via Uol.

A Automattic, empresa por trás do WordPress.com, anunciou a compra do Pocket Casts, um popular aplicativo de podcasts multiplataforma. Embora o anúncio fale em integrações entre os dois serviços, esta aquisição entra no rol das que não parecem fazer muito sentido, mas que aliviam usuários que gostam de pequenas joias independentes que, de fora, pareciam sem alternativas para continuarem funcionando. Antes do Pocket Casts, deficitário e posto à venda em janeiro deste ano, a Automattic já havia comprado Tumblr, Simplenote e Day One. Via Automattic (em inglês).