Celulares Nokia voltam ao Brasil: Os celulares da pandemia

Quatro celulares Nokia 2.3 flutuando; três deles de costas mostrando as cores disponíveis do modelo.

A HMD Global escolheu um domingo para voltar a vender celulares Nokia no Brasil. O Nokia 2.3, modelo de entrada com preço sugerido de R$ 900, não é o melhor que os finlandeses têm a oferecer, mas é o primeiro passo de um retorno que já seria difícil de qualquer maneira, e que ficou ainda mais em meio a uma pandemia.

Lançamentos do tipo não acontecem da noite para o dia. O da marca Nokia ao Brasil, em parceria com a nacional Multilaser, já vinha sendo costurado há algum tempo. A pandemia atrapalha, mas não inviabiliza lançamentos do tipo, e às vezes adiar é mais complicado do que fazer um lançamento adaptado, o que parece ser o caso aqui. Coincidência ou não, as vendas do Nokia 2.3, a princípio, serão feitas exclusivamente via internet.

A investida da HMD Global no Brasil ocorre em um momento de retração sem precedentes de um mercado que já lidava com a estagnação há uns bons dois anos. A IDC, consultoria especializada em tecnologia, deu um vislumbre do quanto o coronavírus está atrapalhando o setor: no primeiro trimestre de 2020, a queda nas vendas de celulares no mundo inteiro foi de 11,7%, a maior da história.

Mesmo vendendo menos, o volume ainda impressiona — em números absolutos, foram comercializados 275,8 milhões de aparelhos no mundo inteiro entre janeiro e março. Celulares quebram, deixam de funcionar, são perdidos. No último post livre, por exemplo, o leitor Filipe Marques pediu indicações de um aparelho de até R$ 1,5 mil. Após mais uma queda, seu Moto G6 Play parou de funcionar.

“Tem sido tudo bem diferente”, diz Filipe em relação ao processo de compra do novo aparelho. “Primeiro que [agora] é tudo virtual. Você não consegue promoções em lojas físicas, nem ir à rua procurar. É bem mais complicado”, diz. A opção de comprar celulares de segunda mão, segundo ele comum em Belo Horizonte (MG), onde mora, foi descartada porque as lojas que fazem essa mediação estão fechadas. “Como eu preciso comprar um telefone novo, e não dá para esperar até a pandemia passar, estou tendo que fazer uma compra mais cara do que gostaria de fazer”.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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Os preços dos celulares e de outros produtos eletrônicos de fato estão mais caros, como o Manual do Usuário já apontou. Filipe subiu um pouco o teto que havia estipulado inicialmente e, quando conversamos, estava se decidindo entre o Galaxy S9+ e o Galaxy A71, ambos da Samsung. Ele, que diz sempre ter tido celulares baratos, mas que estava incomodado com alguns engasgos no desempenho do finado Moto G6 Play os quais, espera, não se repetirão em um modelo mais caro.

O desafio da HMD Global

A HMD Global, empresa criada por ex-funcionários da velha Nokia e que tem os direitos da marca para usá-la em celulares, demorou a desembarcar no Brasil, um mercado enorme, mas muito concentrado em Samsung e Motorola e que, por isso, acaba sendo inóspito a outras marcas, novatas ou veteranas. Pesa a seu favor a nostalgia do brasileiro, que quase meia década após os celulares Nokia sumirem das prateleiras, ainda a guarda com carinho na memória e chega até a colocá-la entre as suas preferidas em votações como esta d’O Globo, de 2019.

O Nokia 2.3 aparenta ser competente pelo que preço que custa. Ele tem como diferencial, além do nome “Nokia” estampado na borda frontal, a certificação Android One, que garante atualizações por pelo menos três anos após seu lançamento. É um atributo objetivamente útil, mas que não chama muito a atenção no ponto de venda — físico ou virtual. A marca deve pesar mais que essa garantia e é, neste momento, a maior aposta da HMD Global para fincar sua bandeira no país.

A estratégia de retorno da HMD Global/Nokia lembra bastante a da segunda tentativa da Xiaomi de penetrar no mercado brasileiro: com um parceiro local (no caso dos chineses, a DL Eletrônicos) e lançando produtos aos poucos, para sentir a temperatura. Ainda não é um modelo validado, mas pelo menos não aparenta estar sendo o desastre que foi a primeira tentativa da Xiaomi por aqui, em 2014. Ambas as marcas, Xiaomi e Nokia, têm grande apelo em parte do público brasileiro, mas é impossível prever se esse apoio se converterá em vendas e as transformará em grandes potências, capazes de morder as grandes fatias de Motorola e, principalmente, Samsung. A conferir.

Além da HMD Global/Nokia, a semana teve outra estreia: a da Philco, que colocou à venda o Philco Hit, aparelho também de entrada (R$ 1 mil) e bem simples. Não dá para dizer se a escolha pelo segmento de entrada teve a ver com o coronavírus ou não, mas com a crise batendo à porta e as demissões se acumulando, eventos que erodem a renda das pessoas, talvez seja uma boa aposta para se lançar neste momento.

Celulares adaptados à pandemia

Detalhe no Touch ID de um iPhone SE branco.
Foto: Apple/Divulgação.

Sem querer querendo, a Apple acabou lançando um iPhone adaptado à pandemia. O novo iPhone SE ressuscitou o Touch ID, sistema biométrico de autenticação baseado na impressão digital. Desde 2018, todos os novos celulares da marca confiavam exclusivamente no Face ID, que usa reconhecimento facial para ser desbloqueado e aprovar pagamentos.

O Face ID é, segundo a Apple, mais seguro e cômodo que o Touch ID, mas não lida bem com as máscaras que, cada vez mais, estão sendo recomendadas e até exigidas por lei em espaços públicos a fim de frear a disseminação do novo coronavírus. O iOS 13.5 trará um ajuste nos modelos de iPhone com Face ID que pulará a tentativa de identificação do rosto quando uma máscara for detectada na tela de bloqueio, levando o usuário direto ao campo de digitação da senha. Fala-se muito que a quarentena mexe com a nossa noção de tempo; voltar a desbloquear o celular como fazíamos em 2012, antes do iPhone 5S, deve ajudar a reforçar essa sensação.

Entre os celulares mais populares, apenas os iPhones modernos e o Pixel 4, do Google e indisponível no Brasil, confiam exclusivamente no reconhecimento facial como sistema de autenticação. A maioria dos celulares Android mais recentes oferece um sensor de impressões digitais sob a tela, solução elegante, ainda que inconsistente, para eliminar bordas frontais e manter a conveniência desse sistema biométrico. Agora, isso vem bem a calhar.

Foto do topo: HMD Global/Divulgação.

Edição 20#15

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4 comentários

  1. Se a Nokia quiser voltar ao mercado de celulares seja bem vinda, mais faça um celular 📱 para competir de igual para igual com o iPhone, isso é, faça uma coisa definitivamente aplausível e que comande o mercado mundial de celulares, porque é isso que seus clientes esperam,

  2. Nokia sempre fazia os melhores aparelhos mas depois que “deixou de existir”, passou a fabricar uns aparelhos meia boca que não valem o custo benefício. Hoje em dia, qualquer mediano chinês tem 64bg e um processador decente. Fora a questão da Assistência. Não voltaria a comprar. Infelizmente.

  3. Eu não compraria um telefone de entrada, mas se desembarcar um Nokia intermediário que seja por aqui, pode ser interessante. Atualizações do Android, principalmente em dispositivos de entrada e intermediários não é bem o forte nem da Samsung e nem da Motorola.

  4. Depois da Apple, a marca de telefones que mais aprecio é a Nokia. Pena que esse modelo chegou um pouco caro… Porém, se eu não puder comprar um iPhone quando for trocar de aparelho, sem dúvida pretendo adquirir um Nokia. #nokiafan

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