Estilo de vida

O escritório em casa de Paulo Pilotti Duarte

Mesa em primeiro plano com dois monitores, teclado e mouse; ao lado/fundo, estante de livros e a segunda mesa, de jogos, com uma TV enorme.

Durante a pandemia do SARS-CoV-2, o novo coronavírus, a seção de mochilas será convertida em escritórios domésticos. Faz mais sentido, certo? Vale para os recém-chegados ao home office e para quem já está nessa há tempos. Mande o seu seguindo estas instruções. Todo o texto abaixo é de autoria do Paulo.


Olá, me apresentando para quem ainda não me conhece dos comentários do Manual, eu tenho 37 anos e sou tradutor. Me formei em 2016 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em Letras e, atualmente, traduzo de três pares de idiomas: inglês, grego e espanhol. Até o final do ano a ideia é estar traduzindo do árabe, mas por enquanto só sei falar alguma coisa religiosa. Na graduação ainda me aventurei na pesquisa em processamento de linguagem natural (se alguém tiver curiosidade, alguns resumos e cartazes estão publicados na plataforma LUME da UFRGS).

Sobre o meu escritório, na verdade ele é o meu quarto também. Me mudei recentemente para um apartamento bem menor do que a casa que eu morava antes e, como moro com a minha mãe e meu irmão, o espaço aqui é reduzido. Depois de um intrincado acordo com meu irmão, eu fiquei com o quarto menor e ele com a dependência de empregada (esse não-local herdado dos tempos de Casa Grande & Senzala) porque ela tinha um pequeno banheiro ao lado. Sorte minha que consegui arrumar tudo de forma pragmática.

A quarentena não me afetou em nada em termos de rotina. Trabalho exclusivamente em casa desde 2016 — tive um breve período de trabalho na Dell em agosto de 2019 onde eu fazia três dias em casa e dois dias na empresa — e já tenho minhas manias e rotinas de trabalho. Não tenho nenhum truque de produtividade, eu apenas pego o tamanho do texto (quantas palavras) e divido pelos dias que eu tenho para entregar e vejo quantas palavras/dia eu preciso fazer. Quando eu cumpro essa meta diária eu desligo do trabalho e vou fazer outra coisa. Agora com a pandemia, o trabalho está muito escasso, claro, então eu tenho muito mais tempo livre, mas normalmente eu trabalho ao redor de quatro horas por dia com a tradução e gasto mais uma hora revisando o trecho que eu fiz nesse dia. Mais do que isso nenhum tradutor aguenta (sério, é muito mais cansativo do que parece, não é raro eu ficar “preso” por mais de uma hora sem saber como traduzir uma palavra ou expressão).

Quando eu publiquei a primeira foto nos comentário do post livre #218, me perguntaram se eu tinha limpado a mesa antes da foto. Na verdade, não. Detesto bagunça, então eu limpo tudo, todos os dias. Passo lustra móveis na mesa de MDF e limpa vidro na mesa de vidro (não recomendo, aliás, mesa de vidro para nada) e depois aspiro o quarto todo. As telas eu limpo com limpa telas ou álcool isopropílico, normalmente antes de começar a trabalhar.

Sobre os equipamentos em si, eu uso três computadores: um Mac mini (mid-2011) que roda o macOS Catalina graças aos patches do DosDude e dois PCs montados na mão, um de jogos (com uma GeForce 1060, SSD de 240 GB,processador AMD FX série 3000 e 16 GB de RAM), outro de trabalho (com um SSD de 240 GB, 1 HDD de 2 TB e com uma placa de vídeo GTX 750 e mais 16 GB de RAM). No Mac mini, modifiquei duas coisas: coloquei um SSD de 128 GB comprado na última Black Friday e uma memória a mais (ele originalmente vinha com 2 GB, mas logo ao comprar eu passei em outra loja e já comprei um pente de 4 GB; como ele tem dois slots, por anos ele ficou com 6 GB) de 8 GB, totalizando 12 GB de RAM. Esse Mac mini é a versão com i5 da época.

Sobre o que tem na mesa, em segundo plano é uma TV de 32 polegadas da Philips, bem antiga, mas com uma tela muito boa, que é onde eu uso o PC de jogo, o Mac mini e o Switch ligados. Em primeiro plano está o PC de trabalho com dois monitores, um ultrawide da LG de 25″ e um LG FullHD de 23″.

No segundo, uso um kit que eu ganhei de presente da Razer (Cyclosa + Abyssus), que não tem nada demais, sinceramente. No primeiro, meu mouse/teclado foram para o espaço e eu estou usando um teclado Red Dragon bem velho e um mouse Razer Deathadder emprestado do meu irmão.

E nos dois eu uso mousepad tamanho XL. Aquele Razer é muito bom porque suja pouco (e foi bem barato, menos de R$ 40 numa promoção da Kabum). O outro é um “OEX Gamer”, que comprei numa loja perto de onde eu moro e foi muito mais pra ajudar o comércio local do que por necessidade (o cara tinha aberto a loja dele fazia duas semanas).

Mesa de jogos, com TV de 32 polegadas, em primeiro plano.
Foto: Arquivo pessoal.

Aquele fone branco que quase não aparece é um Motorola SH004 que funciona muito bem pelo preç. Pendurado na parede eu deixo o backup dele, um JBL C300, que até tem o som melhor, mas a concha é muito pequena e me aperta demais as orelhas. O headset em primeiro plano é um Red Dragon Garuda H101, muito bom e barato, recomendo demais o modelo.

As cadeiras foram as mais baratas possíveis, a primeira tem encosto pra cabeça, o que ajuda na hora de trabalhar, a segunda é bem “furreca” e eu até tirei os braços pra ela poder ficar dentro da mesa secundária.

O livreiro entre as mesas foi presente de uma vizinha que estava reformando o quarto e me deu. Ele está bem conservado e foi uma boa adição ao espaço porque, finalmente, me deu opção de tirar os livros de cima do armário. Esses livros são, inclusive, apenas os que eu trouxe na mudança, principalmente porque são os que ganhei de presente de várias pessoas; na casa anterior, na da minha avó, eu mantive o meu quarto como depósito de tudo o que ficou pra trás. Devo ter mais uns 300–350 livros por lá.

Livreiro separando as duas mesas de trabalho do Paulo.
Foto: Arquivo pessoal.

Os quadros na parede (são muitos) foram quase todos presentes de amigos que são ilustradores ou artistas plásticos. Alguns poucos eu comprei pela internet (como um pôster mexicano do “El Chavo del Ocho”), alguns outros são desenhos antigos do meu pai (dos anos 1970 e 1980) que eu mandei enquadrar. Acima desses quadros ainda tem uma pequena coleção de consoles de videogame e na parede oposta à da foto eu tenho um quadro do Carlos Borges (um pintor relativamente conhecido no círculo artístico de Brasília), uma arte digital que eu ganhei da GGG e uma guitarra jamais tocada decentemente e que hoje serve de decoração.

Edição 20#15

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21 comentários

  1. Sabendo português, inglês, espanhol, grego, árabe e ainda linguagem natural, se os alienígenas do filme A Chegada aterrissarem aqui é capaz de chamarem vc para conversar com eles, cuidado!

    1. I’d rather not, Vanessa.

      Provavelmente eu não conseguiria traduzir algo do grego hoje, não em tempo prático para uma tradução comercial, porque faz 4 anos que eu não faço nada na língua. Árabe eu estou muito no inicio.

      Tentei aprender mandarim na faculdade, na UFRGS tem o Instituto Confúcio que tem cursos muito bons sobre língua e cultura chinesa, mas sendo sincero, a vida é curta demais pra aprender mandarim (e alemão).

      1. Olha, na situação atual eu pediria para os ETs me levarem! ahahah Falando sério, acho sua área muito legal para trabalhar.

        Tinha interesse em aprender árabe. No Rio e em São Paulo tem um curso chamado Abraço Cultural em que os professores são refugiados, a proposta é legal mas todo semestre eu planejo fazer e desisto na última hora. Outro que eu quase comecei foi russo, fiz algumas lições no Duolingo e fiquei surpresa com as semelhanças com o português.

        1. Tem uma certa influência do latim.

          O romeno é bastante semelhante ao PT_BR também. Alguns idiomas dessa região são influenciados (dos anos 90 em diante) pelas novelas brasileiras que são amplamente consumidas. Luxemburgo tem muitos falantes de PT_BR exatamente por isso (em um fenômeno semelhante ao dos falantes de inglês que ocorrem aqui por conta das séries e filmes).

          Árabe é uma língua que sempre me chamou atenção, com a quarentena que tive mais tempo ainda pra conseguir iniciar um estudo de idiomas. Como eu tinha iniciado vários (italiano, alemão, russo, mandarim) e nunca tinha passado do “bom dia” por pura falta de interesse, fiquei meio receoso quando iniciei, mas a verdade é que a escrita e a fala são muito distintas de tudo o que eu sei e isso me deixa vidrado hahaha

          1. Justamente por ser tão diferente que eu pensei em fazer curso de árabe, os outros dá para estudar em casa se tiver disciplina, o que eu não tenho muita e está pior em tempos de isolamento social… Para vc ter uma ideia, me inscrevi no Frantastique (ele está oferecendo um mês gratuito durante a pandemia) e não fiz um dia sequer. Ainda sobre o árabe, eu gosto dos trabalhos usando sua tipografia, ele visualmente é bonito demais.

            Parece que se vc aprender o alfabeto cirílico, vc voa aprendendo o resto. Interessante saber que além do russo, o romeno é semelhante ao pt. Vou ver se volto a estudar um idioma, é sempre um bom exercício.

  2. Já morei em 3 apartamentos que tinham a tal dependência de empregada. O 4o e atual não tem um quarto dedicado, mas tem um banheiro de fundos que possuía até um chuveiro.
    Os mais novos ficavam impressionados com os “quartinhos suítes”. Resquícios de uma época que a burguesia tinha até empregada 24h.
    No mais são apartamentos muito baratos e espaçosos….

    1. Sim, meu irmão ficou maravilhado com a ideia de que ele teria o próprio banheiro se aceitasse o diminuto quarto hahaha

  3. Paulo, passando para agradecer sobre a dica dos patches do DosDude. Ajudou a dar uma sobrevida ao meu iMac de 2009. Valeu mesmo!

    1. Eu até estava tranquilo em ficar no High Sierra (último que é suportado nativamente no meu Mini) mas ele ficou trancado por um bom tempo em uma atualização do Safari e, essa atualização, travava todas as outras do macOS. No final das contas, eu estava sem receber nenhuma atualização porque o pacote de atualização do Safari estava quebrado. Eu já sabia do DosDude desde o Mojave, quando eu me aventurei a primeira vez com os patches dele. Recomendo pra todo mundo que quer testar os novos sabores do macOS mas está com um Mac “desatualizado”.

      1. O último sistema suportado em meu iMac lá de 2009 foi o El Captain, o que me frustrou muito. Ano passado tentei atualizar para o Mojave seguindo um tutorial que encontrei em um site nacional, porém, deu muito problema, principalmente com aquecimento. Seguindo as orientações do DosDude, o Catalina ficou muito bom, rodando relativamente bem em um C2D com 8GB e 1 TB de SSD. Valeu a pena e mais uma vez, grato por compartilhar essa informação.

  4. Sobre os idiomas que você realiza traduções por quanto tempo estudou cada um ao ponto de conseguir traduzir textos ou ter um bom entendimento ? e também fiquei curioso pela opção do idioma grego, qual foi o motivo da aprendizagem ?

    1. Inglês eu estudei 5 anos na faculdade (Letras na UFRGS) pela minha ênfase. grego e espanhol idem, mas eram como línguas eletivas (normalmente quem se forma, ao menos na UFRGS, se forma com uma língua moderna como principal, uma língua moderna como secundária e uma língua antiga [as minhas opções eram latim ou grego]). Comecei com grego por conta do meu projeto de mestrado inicial que era traduzir o livro “Elementos da Geometria” de Euclides direto do original.

  5. uma curiosidade, pq dois PC’s? não é mais prático e ocupa menos espaço ter apenas um? só curiosidade msm, rs

    1. Um pra jogar e outro pra trabalhar. Separar os dois foi uma escolha natural assim que eu pude (consegui $$) para montar um computador rápido pro trabalho com grandes quantidades de texto.

      Sem falar que dando pau em um, eu tenho o outro. O Mac Mini ficou de anos anteriores, hoje ele tem pouco uso.

  6. Obrigado pela dica de Headset. Tenho um da Edifier k550 (não sei se chega a ser headset) , mas é muito pequeno os fones embora ele seja bom.

    Tem muitos livros hein! Já pensou em doar para alguma biblioteca ou escola?

    1. Horríveis de limpar e geladas demais no inverno de Porto Alegre, mesmo quando todo o quarto está quente.

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