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Bloco de notas 20#15: O vice-presidente da Amazon que pediu para sair

Notinhas, impressões pessoais e curiosidades do mundo da tecnologia.


O vice-presidente da Amazon que pediu para sair

Tim Bray era vice-presidente da Amazon Web Services. Era. No último dia 1º de maio, ele abandonou o cargo e saiu da empresa por, segundo explicou em seu blog pessoal [em inglês], discordar da maneira como a Amazon lida com funcionários ativistas dos seus centros de distribuição, demitindo os que cobram melhores condições de trabalho e um compromisso maior da chefia com a causa climática.

“Continuar como vice-presidente da Amazon significaria, na prática, que eu assino embaixo ações que desprezo. Então, saí”, escreveu ele. Oficialmente, a Amazon justifica as demissões dos funcionários com alegações diversionistas [Guardian, em inglês], sempre afirmando que não é por causa da atuação organizada deles.

A decisão de Bray denota um mínimo de consciência social, coisa infelizmente rara entre executivos de grandes empresas.


Riqueza em escala

Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon e o homem mais rico do mundo, ficou ainda mais rico na pandemia: no primeiro trimestre de 2020, sua fortuna cresceu em US$ 33 bilhões [Observer, em inglês], chegando a incompreensíveis US$ 139 bilhões. Quando digo “incompreensíveis”, não é uma hipérbole; nós, seres humanos, realmente não temos a noção de escala necessária para colocar um valor tão alto em perspectiva. Role esta página[em inglês] e veja as comparações feitas pelo caminho. É impressionante.

→ No Brasil, o IBGE divulgou pesquisa de renda referente a 2019 [Folha]. Aqui, o 10% mais rico abocanhava 43,1% da renda total gerada no país. Para ser parte do “1%” no Brasil, alguém precisa ganhar R$ 28.659 por mês.


A suprema corte do Facebook

O conselho supervisor do Facebook, anunciado em 2018, finalmente saiu do papel [Folha]. Os 20 membros — incluindo um brasileiro, o advogado, diretor do ITS-Rio e colunista da Folha Ronaldo Lemos — decidirão casos complexos de abusos na rede social que caem nas áreas cinzentas dos termos de uso. O número de membros deve subir para 40 nos próximos meses.

→ A posição de conselheiro é paga (valor não divulgado, para não colocá-los sob “pressão e influência indevidas”) e cada um se comprometeu a dedicar 15 horas mensais à atividade [@sarahfrier/Twitter, em inglês]. Pela dimensão do desafio, parece pouco tempo.


Apple/Google contra o coronavírus

Apple e Google deram mais detalhes [Reuters, em inglês] da solução embutida no Android e iOS para fazer o chamado rastreamento de contatos, solução tecnológica para conter o avanço do coronavírus. As empresas afirmaram que só será permitido um aplicativo do tipo por país e que, para proteger a privacidade dos cidadãos, ele não poderá registrar dados de localização/GPS.


Demissões em massa

As demissões provocadas pelo coronavírus começam a chegar às grandes empresas de tecnologia. O Airbnb demitiu 1,9 mil funcionários [O Globo], ou cerca de 25% da sua força de trabalho. Já a Uber mandou embora 3,7 mil funcionários [Estadão] (14% do total) e cortou o salário base do CEO Dara Khosrowshahi (US$ 1 milhão/mês) até o fim do ano.


Nokia voltou

Os celulares Nokia voltaram a ser vendidos no Brasil. Digo, por ora, um celular — no singular mesmo. No domingo, a HMD Global, empresa finlandesa que detém a icônica marca no segmento móvel, lançou aqui o Nokia 2.3 [Ztop], um aparelho de entrada com preço sugerido de R$ 900.

→ O retorno da Nokia ocorre em meio a uma pandemia que já está chacoalhando o mercado global de celulares. Aproveitei este gancho para escrever uma análise do cenário [Manual do Usuário].

→ No Guia Prático, conversei com o Henrique Martin, do Ztop e Interfaces, que estava todo nostálgico com a volta da Nokia. Ouça [Manual do Usuário].

Outros conteúdos da edição desta semana:


Quebradeira

Nesta quarta (6), vários apps populares — Waze, Spotify e TikTok, para ficar em alguns — começaram a travar do nada. O culpado, descobriu-se quase que de imediato, era o SDK do Facebook [The Verge, em inglês], o pedaço de código que desenvolvedores usam para incluir recursos do Facebook, como login pela rede social e estatísticas de uso, em seus apps.


Xiaomi de olho na sua navegação web

Pesquisadores independentes descobriram que celulares da Xiaomi coletam quantidades enormes de dados dos usuários. Até aí, nada novo. Entre os dados, eles encontraram endereços de sites acessados pelo “modo anônimo” do navegador [Forbes, em inglês]. Ainda que agregados e anonimizados, a descoberta causou comoção.

→ Em resposta, a Xiaomi se defendeu dizendo que não há nada de errado em sua conduta. Apesar disso, liberou uma atualização [Xiaomi, em inglês]dos seus navegadores web (Mi Browser e Mint Browser) com uma opção para desativar o envio de dados do “modo anônimo”.

→ Você já deve saber, mas é sempre bom lembrar: o “modo anônimo” (ou privado ou, ainda, incógnito) dos navegadores passa longe de ser anônimo[Manual do Usuário] — seja no Mi Browser, seja no Chrome, Safari ou Firefox.


Copiar e colar com realidade aumentada

Fora os filtros do Snapchat/Instagram, a realidade aumentada ainda é uma grande promessa. Este projeto, ainda que não leve à massificação da tecnologia, é bem legal: ele permite “copiar” objetos do mundo real com um celular e “colá-los” no computador. É mais fácil entender assistindo ao vídeo[@cyrildiagne/Twitter, em inglês].


Superlist

No último dia de existência do Wunderlist (5 de maio), o criador do aplicativo, Christian Reber, anunciou um novo: o Superlist[@christianreber/Twitter, em inglês]. Ele fará mais do que listas de tarefas (a promessa é que seja uma espécie de gerenciador de projetos), mas manterá algumas características do Wunderlist, como a elegância da interface e a colaboração. Ainda sem data para sair.

→ Reber criou o Wunderlist em 2011 e, quatro anos depois, vendeu-o à Microsoft. Em setembro do ano passado, ante o descaso da nova dona com o seu antigo projeto, o empreendedor pediu publicamente à gigante norte-americana para que lhe revendesse o app [Manual do Usuário]. O pedido não foi atendido.


Windows 10X

Em um comunicado que parece ter sido escrito por um gerador de lero-lero corporativo, a Microsoft informou que o Windows 10X, anunciado em outubro de 2019 como uma variante do sistema para dispositivos de duas telas, será lançado primeiro em notebooks e tablets comuns, de uma tela só[Microsoft, em inglês].

→ A notícia deu um nó na cabeça de muito gente. O diferencial do Windows 10X era… o suporte a dispositivos de duas telas. Há relatos de que essa versão irá compartimentar porções legadas do Windows e usá-las sob demanda, um movimento que lembra o do malfadado Windows RT, de 2012, mas a real é que ainda não se sabe no que o Windows 10X será diferente do 10 convencional.


Um app: Stack

A web responsiva e as muitas versões de sites para telas de celulares permitiram o surgimento do Stack [macOS, grátis], um navegador web para computadores que permite abrir vários sites em pequenos compartimentos verticais dentro de uma mesma janela — tipo um Tweetdeck de sites — e organizá-los em pilhas — daí seu nome. Uma ideia simples e que poderia ser uma extensão de navegador, mas, como ela não existe, é o que tem para hoje.


Papéis de parede de Inhotim

Print de três papéis de parede de Inhotim com explicações das plantas das imagens embaixo.
Imagem: Instituto Inhotim/Reprodução.

Passou a data, mas o presente ainda vale. Dezessete de abril é o Dia Nacional da Botânica e para celebrá-lo o Instituto Inhotim, de Brumadinho (MG), disponibilizou papéis de parede para celulares de algumas das plantas de seu jardim [Inhotim]. Bonitos.


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Edição 20#15

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1 comentário

  1. a fortuna de bezos equivale a mais ou menos CENTO E SESSENTA ANOS de orçamento da USP (alegadamente a mais importante universidade brasileira)

    160 anos

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