O Facebook compartilhou detalhes de como funcionará o uso do WhatsApp com múltiplos dispositivos (até quatro) independentes do celular. Segundo a empresa, a funcionalidade, muito requisitada pelos usuários, já está em teste público com um grupo restrito deles.
O post é técnico, mas legível para não-programadores. E, evidentemente, simplifica explicações de processos que, na prática, devem ser super complexos. Em linhas gerais, se antes o celular atuava como único ponto de contato capaz da criptografia de ponta a ponta (o que explicava a dependência dele no uso do WhatsApp Desktop/Web e as constantes falhas de comunicação), no novo modelo cada dispositivo confiável tem sua própria chave e está vinculado aos demais. Para o usuário, porém, a única diferença no uso é que, ao cadastrar um dispositivo confiável/independente do celular apontando a câmera para um código QR, o aplicativo do celular exigirá uma autenticação biométrica. Via Facebook (em inglês).
O Facebook também liberou um “whitepaper” (PDF, em inglês) com explicações mais detalhadas do novo modelo de criptografia para múltiplos dispositivos.
O Magazine Luiza anunciou, na manhã desta quinta (15), a aquisição do e-commerce de informática/games Kabum. O valor do negócio é de R$ 3,5 bilhões, incluindo o pagamento à vista de R$ 1 bilhão em dinheiro e transferências pontuais de ações ordinárias até 2024. Via Magazine Luiza (PDF).
Do fato relevante:
Depois da conclusão da aquisição, o Magalu e KaBuM! poderão aproveitar uma série de oportunidades: (i) os produtos do KaBuM! serão oferecidos no SuperApp do Magalu; (ii) os clientes do KaBuM! poderão contar com todos os benefícios da multicanalidade, incluindo a entrega mais rápida do Brasil; (iii) diversos produtos do Magalu, como smartphones e TVs, complementarão o sortimento do KaBuM!; e (iv) produtos financeiros do Magalu, como cartão de crédito e seguros, também serão oferecidos aos clientes do KaBuM!.
Em 2020, impulsionadas pela pandemia, as vendas do KaBuM! mais que dobraram, crescendo 128% em relação a 2019. Nos primeiros 5 meses de 2021, o KaBuM! continuou evoluindo de forma acelerada, com 62% de crescimento comparado ao mesmo período de 2020. Nos últimos 12 meses, o KaBuM! superou a marca de 3,4 bilhões de reais em receita bruta. No mesmo período, com um modelo de negócio altamente eficiente, a KaBuM! obteve lucro líquido de 312 milhões de reais.
Na data desta publicação, eu tinha ações do Magazine Luiza (MGLU3).
Estamos acostumados a ler notícias de app X que adicionou stories à sua interface. Desta vez, a notícia é no sentido contrário: em 3 de agosto, os “fleets”, nome dado pelo Twitter aos stories da plataforma, serão descontinuados. “Desde que anunciamos o recurso globalmente [em novembro de 2020], não tivemos um aumento no número de novas pessoas participando de conversas com Fleets da forma que esperávamos”, justificou Ilya Brown, vice-presidente de produto do Twitter. Via Twitter.
No Twitter, o usuário @bubblegui viralizou com uma postagem denunciando supostas alterações no funcionamento da Uber que, segundo ele, explicariam por que “está tão ruim de usar Uber”. Algumas passagens causaram estranhamento, então fui conversar com a Uber para tentar descobrir o que ali é verdade e o que não é.
@bubblegui, ou gui, com sua foto na praia de óculos escuros e o GIF de um meme na descrição do seu perfil, afirma que “a Uber alterou a forma como cobra e distribui as viagens de algumas semanas pra cá”. Agora, além da região do destino da corrida, os motoristas estariam vendo também “uma estimativa do tempo e distância da viagem”, o que os desestimularia de aceitarem corridas demoradas, mas de curta distância.
A Uber nega ter alterado a distribuição de corridas, mas confirma que os motoristas agora dispõem de mais informações. O texto abaixo é da empresa:
A Uber não alterou o sistema de distribuição de viagens. O que ocorreu é que, recentemente, algumas cidades como o Rio de Janeiro passaram a ter um novo cartão de oferta desenhado para atender pedidos de que o motorista parceiro tivesse mais informações sobre a viagem antes de aceitar. O que ele vê no cartão, agora, é: o valor que ele irá receber pela viagem, a distância e tempo de onde ele está até o passageiro, a duração e a quilometragem estimada da viagem (igual ao usuário) e o destino do passageiro. Com isso, cada motorista parceiro fica mais à vontade para escolher as viagens que fazem mais sentido para a rotina dele.
“Outro ponto é que o dinâmico agora é um valor fixo, então para o motorista é muito melhor quando pega uma viagem curta com dinâmico”, diz nosso amigo do Twitter. Segundo a Uber, meia verdade (ênfase deles):
Não, o preço dinâmico continua sendo ativado, temporariamente, em situações de alto desequilíbrio entre oferta e demanda. O que ocorreu é que em algumas cidades, entre elas o Rio de Janeiro, a multiplicação do preço dinâmico foi recentemente substituída pela adição. Pesquisas com os parceiros que usam esse sistema mostraram que eles não viram mudança em seus ganhos ou viram seus ganhos aumentarem, em comparação com quem usa a multiplicação. Na prática, no sistema de adição o montante extra é somado ao preço final da viagem independentemente do tamanho dela. No entanto, mesmo no sistema de adição, o tamanho desse montante continua, sim, variando conforme a demanda por viagens.
No trecho mais estranho, que colocou em xeque a postagem, @bubblegui afirma que “as viagens passaram a ter preço 100% fechado”, ou seja, que “se o passageiro mudar o trajeto, o motorista não ganha um centavo a mais; se pegar transito, idem”. Segundo a Uber, nada mudou nessa área e a informação, portanto, está incorreta:
Não, o sistema de preços da Uber continua realizando ajustes para mais ou para menos nos casos em que o tempo e a distância finais da viagem variam de maneira significativa em relação ao pedido original.
O usuário do Twitter diz, por fim, que o Uber Promo prejudica o motorista, pois a diferença de preço para o UberX normal seria custeada por quem dirige. Perguntei à Uber se é verdade. Resposta:
Não. O Uber Promo oferece viagens a preços menores, portanto os usuários pagam menos, a Uber ganha menos e os motoristas parceiros também. Os motoristas parceiros são livres para escolher se querem ou não atender essa modalidade, que só fica disponível em algumas horas do dia (fora dos horários de pico, quando a quantidade de chamados de UberX cai e o parceiro fica mais tempo esperando entre uma viagem e outra).
@bubblegui não está de todo errado, mas… né, também não está 100% correto. Talvez ele seja motorista da Uber? Não sei. Eu não morro de amores pela Uber, tenho severas ressalvas à empresa, mas é preciso ser justo, especialmente na crítica.
Este post não alcançará uma fração mínima da repercussão do fio original do Twitter — no momento desta publicação, com 3,9 mil retuítes e 27,5 mil curtidas só no primeiro post. Vida que segue.
Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.
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Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.
Pedro Burgos, jornalista, professor e chapa deste Manual do Usuário, teve uma surpresa desagradável ao tentar acessar sua conta no Dropbox: ela foi excluída pela empresa. Para piorar, o Dropbox tem ignorado ativamente suas tentativas de reaver a conta e até mesmo de entender o que aconteceu.
Ao expor a situação em uma rede social, Pedro afirmou ser cliente do Dropbox há mais de 10 anos. Em privado, disse que desde 2014 paga pelo serviço. Não bastasse o horror de ter seus arquivos apagados, o tratamento “pós-catástrofe” do Dropbox tem piorado a situação: “Fiquei bastante impressionado com o desdém da empresa”, disse ele. “Criei uns quatro tickets lá e nada. Escrevi dois posts na comunidade, o outro canal que eles recomendam, e os posts foram apagados e meus usuários banidos de postar. O outro canal era o Twitter. O @DropboxSupport pede DM com o número do ticket. Mandei e nunca mais eles responderam.”
Os termos de uso do Dropbox preveem cenários que podem ensejar o encerramento de uma conta, como a hospedagem de arquivos piratas, mas Pedro garante que não era seu caso. E, mesmo nesses, o protocolo prevê um aviso prévio.
“Tinha muita coisa de pesquisa”, conta. “Tipo, 87 GB de fake news da eleição de 2018 que outros pesquisadores usavam — a pasta era compartilhada para leitura com outras pessoas. Essa aí eu tenho num HD, mas outras coisas de pesquisas mais recentes eu perdi porque troquei de computador recentemente e não havia baixado tudo.”
Embora não sejam frequentes, casos do tipo sempre aparecem aqui e ali. Hoje foi com o Dropbox, mas há relatos de situações igualmente desesperadoras envolvendo empresas como Apple e Google. Isso não os justifica, muito menos o tratamento péssimo do Dropbox para com Pedro. Eles servem, porém, como lembretes de que esses serviços de sincronia na nuvem não são backups, e que backups precisam ser redundantes.
No Twitter, Pedro disse que pretende processar o Dropbox.
A Polícia Federal (PF) anunciou, na segunda (6), a aquisição do ABIS, um novo sistema de identificação de pessoas por biometria. O ABIS é uma evolução do AFIS, em uso há 16 anos pela PF e centrado na impressão digital. O ABIS, além de expandir a capacidade de registros (para 50,2 milhões em 48 meses, podendo chegar a 200 milhões de indivíduos no futuro), incorpora reconhecimento facial e de íris ao banco de dados da PF. Segundo o site TeleSíntese, o consórcio Iafis Brasil e Idemia é o fornecedor da solução. Via Ministério da Justiça e Segurança Pública e TeleSíntese.
O TeleSíntese pediu a opinião de especialistas em privacidade. Eles manifestaram desconforto com a iniciativa, “uma vez que não há menção a salvaguardas dos dados, não houve debate prévio sobre o tema com a sociedade civil organizada, e a tecnologia de reconhecimento facial é considerada ainda imatura e enfrenta a repulsa de organizações e reguladores de todo o mundo”. Via TeleSíntese.
O Supremo Tribunal Federal (STF) agora tem um perfil oficial no TikTok. Se você, ao ler esta notícia, imaginou Luis Fux e Carmen Lucia dançando alguma música ruim que viralizou no app, não se anime tanto. Os poucos conteúdos já postados contemplam notícias e curiosidades da corte em uma linguagem mais acessível, cheia de GIFs animados. Via @STF_oficial/Twitter.
No Apple Mapas, aplicativo de mapas nativo do iOS, é possível iniciar um trajeto com orientações curva a curva, bloquear o iPhone e continuar recebendo orientações sonoras e visuais na tela. Dica do MacMagazine.
Esse comportamento é ótimo para quem anda de carro seguindo as orientações do GPS, pois caso o celular seja levado por uma daquelas quadrilhas “limpa-contas”, o celular estará bloqueado. Foi exatamente isso o que aconteceu ao vereador Marlon Luz (Patriotas), de São Paulo, quando saída da Câmara na noite de 17 de junho. Seu iPhone estava no painel do carro, com o Waze aberto, quando foi roubado por alguém. Em menos de duas horas, a quadrilha desviou R$ 67 mil das contas de Marlon. Via G1.
Infelizmente, o recurso parece ser daqueles que só a Apple pode usar. O MacMagazine fez testes com o Google Maps e o Waze, e eu, com o HERE WeGo, sem sucesso. O duro é depender do Apple Mapas, que, no Brasil, parece estar ainda está muito aquém dos concorrentes.
A Raia Drogasil, dona das farmácias Drogasil, Droga Raia e Onofre, interrompeu a coleta da impressão digital após ser questionada pelo Idec e pelo Procon-SP. O dado, considerado sensível pela legislação brasileira, era pedido com base nela própria: atendentes das lojas eram orientados a justificar o pedido impressão digital por tratar-se de uma suposta exigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O condicionamento de generosos descontos à cessão da impressão digital deixava muita gente sem alternativa, mesmo sendo “opcional”.
A LGPD prevê situações excepcionais e específicas para a coleta de dados sensíveis em seu artigo 11. Em nota, ao tentar explicar a necessidade de uma farmácia coletar a impressão digital dos clientes, a Raia Drogasil foi evasiva: “O uso da identificação biométrica ocorreu com o único objetivo de garantir a praticidade e a segurança desse processo.” Via Uol Tilt.
Não é todo dia que a Microsoft alerta para uma falha grave no Windows, do tipo “zero-day”, e libera correções até para versões defasadas do sistema, como o Windows 7. A falha batizada de “PrintNightmare” foi divulgada acidentalmente por pesquisadores chineses e permite a execução remota de códigos no Windows via servidor de impressão.
Para versões do Windows que ainda têm suporte, como o Windows 10, basta acionar o Windows Update para baixar a instalar a atualização, identificada pelo código CVE-2021-34527. Para as demais, com Windows 7 e Windows 8 RT, é preciso baixar manualmente o pacote nesta página. Via Lifehacker (em inglês), Bleeping Computer (em inglês).
Um membro de uma gangue “limpa-contas”, preso em novembro de 2020 em São Paulo (SP), revelou à polícia como consegue burlar a criptografia do iPhone. Na real, ele não consegue. Pelo relato, publicado pela Folha de S.Paulo, é mais um golpe de engenharia social do que técnico, aplicado com base no número/chip do celular da vítima. Mais ou menos assim:
Assaltante tira o chip do celular da vítima, coloca em outro aparelho e ativa o número nele.
Assaltante procura o endereço de e-mail da vítima usado como Apple ID (iPhone) ou Conta Google (Android) em redes sociais, como Facebook e Instagram.
Assaltante ganha acesso ao Apple ID/Conta Google.
Assaltante restaura backup da nuvem (iCloud/Google Drive) em um novo aparelho e procura senhas de outros serviços no backup, encontra-as e repassa o aparelho a terceiros que farão a limpa nas contas bancárias.
Algo que não fica evidente é como o assaltante consegue recuperar a senha do iCloud/Google Drive. Uma hipótese é que ele inicia o processo de recuperação de senha, que tanto na Apple quanto no Google envolvem o número de telefone para a recuperação de contas, conforme as imagens a seguir:
Outro detalhe que chama a atenção é a busca por senhas no conteúdo do celular: “Ao baixar as informações da nuvem no novo aparelho, passa a procurar ali informações ligadas a palavra ‘senha’ e, segundo dele, obtém geralmente os números e acesso do celular e das contas bancárias.”
À luz desse relato, uma medida fácil para dificultar esse ataque é alterar/ativar a senha/PIN do seu chip (SIM card). É um código de quatro dígitos que, depois de ativado, passa a ser pedido quando se insere o chip em outro celular.
Este tutorial do TechTudo explica como configurá-lo no Android e no iOS, e apresenta os códigos padrões de cada operadora. Cuidado na hora de alterar o PIN: após três tentativas erradas, ele bloqueia o chip. Caso você já tenha feito a troca e esqueceu o PIN cadastrado, é necessário o código PUK, que vem impresso na embalagem do chip ou, caso não a tenha mais, pode ser requisitado junto ao atendimento da sua operadora.
Outra dica, básica, mas aparentemente ainda não muito difundida, é jamais salvar qualquer tipo de senha em texto puro ou em apps de anotações. Use um gerenciador de senhas decente e ative o segundo fator de autenticação onde for possível.
Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.
Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.
Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.
Em um texto meloso, a Folha de S.Paulo anunciou seu retorno ao Facebook, três anos depois de interromper a publicação de conteúdo na rede social. Segundo o texto, o retorno ocorre porque “[a] plataforma mudou postura e tem agido para valorizar jornalismo profissional e restringir a circulação de notícias falsas”.
Os esforços do Facebook para valorizar o jornalismo, listados em tom laudatório pela Folha, são insuficientes, para dizer o mínimo. Umas contas falsas apagadas aqui, uns trocados doados para projetos jornalísticos.
Decepcionante. Pelo menos essa notícia trouxe algo de bom: lembrou-me de excluir a já abandonada página do Manual do Usuário do Facebook. Feito. Obrigado, Folha?
Atualização (13h56): Na redação original, havia feito uma provocação acusando o jornal de ter usado linguagem típica de publieditoriais para elogiar os feitos do Facebook. A fim de evitar confusões, esta parte foi alterada.
O governo federal quer privatizar 100% dos Correios à iniciativa privada. A informação foi revelada ao jornal O Globo por Diogo Mac Cord, secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia.
A votação da proposta deve acontecer na semana que vem, antes do recesso, segundo o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Pela proposta, quem arrematar os Correios levará também uma concessão para explorar o serviço postal, que compete à União prestar, segundo a Constituição Federal. Nesse desenho, a Anatel viraria Anacom (Agência Nacional de Comunicações) para regular e fiscalizar a atuação nessa área dos Correios privatizado. O serviço de entrega de encomendas, porém, não seria regulado. O leilão está previsto para março de 2022.
Deputados da oposição, via redes sociais, se manifestaram após a divulgação da notícia. “Estamos diante de mais um saldão que o presidente ‘patriota’ faz com uma empresa pública estratégica para o povo e lucrativa para o país. A Oposição estará firme contra essa privatização. Vamos à luta!”, escreveu Alessandro Molon (PSB-RJ).
Essa luta é de todos nós. Não à privatização dos Correios! Via O Globo.