A embalagem do iPhone 13 não virá protegida por plástico. Com essa singela mudança, a Apple deixará de consumir 600 toneladas (!) de plástico por ano cuja única utilidade era criar um efeito sonoro ~satisfatório em consumidores deslumbrados e youtubers de unboxing. Via Apple (em inglês).

A Apple anunciou um monte de novos produtos na tarde desta terça-feira (14):

  • iPhone 13, com entalhe menor, bateria maior, novo chip A15 Bionic, armazenamento mínimo de 128 GB e posicionamento de câmeras diferente apenas porque sim.
  • iPhone 13 Pro, com as mesmas novidades da linha “simples”, mas câmeras melhores (e uma extra) e opção de 1 TB. É o primeiro iPhone com tela de 120 Hz.
  • iPad mini, com novo design similar ao do iPad Pro, tela de 8,3 polegadas e porta USB-C.
  • iPad de 9ª geração, com visual antigo, Touch ID, agora com o chip A13 Bionic e o mesmo preço do anterior (lá fora).
  • Apple Watch Series 7, que visual novo que não tem nada a ver com os dos “vazamentos”.
  • Apple Fitness+ chega ao Brasil, mas os vídeos não serão dublados, só terão legendas. Mindfulness com legenda, baita conceito.

Fotos bonitas e mais detalhes na sala de imprensa, link ao lado. Via Apple (em inglês).

A GearBest, loja de eletrônicos chinesa que exportava para o mundo inteiro e mantinha acordos com youtubers brasileiros, sumiu. O site está inacessível e há indícios de que a empresa dona da marca/loja, a Global Top E-Commerce, está tentando uma recuperação judicial. Via Xataka (em espanhol).

Há poucos anos, a GearBest era popular entre consumidores brasileiros dispostos a importar celulares de marcas chinesas, como Xiaomi e Huawei, devido aos preços baixos provenientes do não pagamento de impostos. A empresa foi pivô do escândalo de youtubers brasileiros que recomendavam esses aparelhos sem mencionar que recebiam dinheiro — da própria GearBest — pelo endosso.

A Intuit comprou o Mailchimp por US$ 12 bilhões. Em 20 anos de história, o Mailchimp jamais levantou capital externo nem distribuiu participação entre funcionários — hoje, 1,2 mil pessoas trabalham na empresa. Segundo o comunicado à imprensa, o Mailchimp tem 13 milhões de usuários, 2,4 milhões deles ativos, e 800 mil pagantes.

Pouco conhecida fora dos Estados Unidos, a Intuit é bastante presente na vida dos norte-americanos. Estão sob seu guarda-chuva o QuickBooks, uma referência em software contábil para pequenas e médias empresas, e o TurboTax, principal aplicativo para declaração do imposto de renda. A Intuit também é famosa por seu lobby agressivo e táticas no mínimo questionáveis para ocultar dos norte-americanos alternativas gratuitas ao TurboTax. Bom para os donos do Mailchimp, não muito para os funcionários (sem participação, eles dividirão um bônus de US$ 300 milhões, ou 2,5% do valor do negócio, cerca de US$ 250 mil cada) e algo inquietante para os usuários do serviço. Via BusinessWire (em inglês).

A Apple liberou atualizações emergenciais dos seus sistemas (iOS, macOS, watchOS) para corrigir a falha do tipo “zero-day” usada pelo grupo israelense NSO Group no spyware Pegasus, usado para infectar e espionar alvos de autoridades e governos autoritários. A falha foi detectada e comunicada à Apple pelo Citizen Lab, grupo de pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, que analisou o iPhone de um ativista saudita infectado pelo Pegasus. As versões com a correção são: iOS 14.8, iPadOS 14.8, macOS 11.6 e watchOS 7.6.2. Via Citizen Lab (em inglês).

Os problemas com os sistemas da companhia aérea Gol começaram no dia 20 de agosto, durante uma manutenção programada que, a princípio, deixaria a empresa offline (incluindo o Smiles) por cerca de 15 horas, até as 11h do domingo (21/8). Via Melhores Destinos.

No dia 26, já cinco dias atrasada com a manutenção dos sistemas, a Gol enviou nota ao site Panrotas dizendo que a manutenção estava “sendo concluída com êxito” e que “estamos enfrentando apenas algumas instabilidades pontuais na disponibilização de nossos produtos para algumas agências de viagens, o que está sendo tratado com prioridade máxima, de forma a minimizar os impactos sentidos pelos parceiros”. Via Panrotas.

Na nota enviada ao Manual do Usuário, em 9 de setembro, a Gol informou que ainda estava com “instabilidades pontuais, que estão sendo prontamente reparadas. O processo de vendas de passagens já está 95% restabelecido em todos os canais”.

Também no dia 9 de setembro, o Panrotas publicou a notícia de que a Gol havia finalizado a migração do sistema de reservas para o fornecido pela empresa norte-americana Sabre Systems. Na divulgação dos resultados prévios de tráfego referentes a agosto, divulgado em 6 de setembro, a Gol informou os acionistas que “reduziu suas operações nos últimos 10 dias do mês para efetuar a migração do seu sistema de serviço ao passageiro para Sabre Systems”. Via Panrotas, Gol.

No contato com o Manual, a assessoria da Gol informou que “em breve a GOL vai comunicar as mudanças”. Aguardemos.

Nesta segunda (13), a plataforma de open delivery desenvolvida pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) começa a funcionar. A iniciativa foi proposta em novembro de 2020. Num primeiro momento, ela será aberta a empresas de software. Em outubro, bares e restaurantes poderão adotá-la. A iniciativa custou R$ 3 milhões, rateados entre as 16 apoiadoras do projeto — entre elas, AmBev, Coca-Cola, Rede, Cielo e Getnet.

O objetivo do open delivery é criar uma plataforma comum e padronizada para intermediar a relação entre bares/restaurantes e aplicativos, com o objetivo de facilitar o trabalho dos bares/restaurantes. Se a ideia vingar e todos os apps de delivery aderirem, um bar/restaurante só terá que cadastrar e manter um banco de dados atualizado (com cardápio, preços, promoções, formas de pagamento etc.). Este seria replicado a todos os apps participantes. O open delivery também tem o potencial de diminuir a barreira de entrada para novos apps, o que pode aumentar a concorrência e diminuir a hegemonia do iFood no setor — a Abrasel lidera uma reclamação de concorrência desleal contra o iFood no Cade.

Os pesos-pesados do setor, iFood, Rappi e Uber, não participam do open delivery da Abrasel neste primeiro momento. O iFood tem um assento no conselho de governança, a convite da associação. Via Valor (espelho na Abrasel), Folha de S.Paulo.

Neste excerto do livro recém-lançado Arriving today: From factory to front door (sem tradução no Brasil), Christopher Mims propõe que o modelo de trabalho nos centros de distribuição da Amazon, onde +750 mil funcionários humanos fazem tarefas repetitivas e enfadonhas, de pé, em turnos de 10 horas, com 30 minutos de almoço e dois intervalos de 15 minutos para irem ao banheiro, auxiliados por robôs e sempre vigiados e guiados pelo algoritmo, representa uma mudança tão profunda quanto as de Henry Ford e Frederick Winslow Taylor promoveram no início do século XX. Para Mims, Jeff Bezos deixará também este legado, ao lado da revolução do e-commerce e da corrida espacial na esfera privada: o Bezosismo. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Saiu a decisão da Justiça dos Estados Unidos no processo movido pela Epic Games contra a Apple (ouça o nosso Guia Prático desse tema). A juíza Yvonne Gonzalez Rogers, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, determinou que a Apple não pode impedir que aplicativos incluam links e botões que levem os usuários a outros meios de pagamento. Pelas regras vigentes da App Store, aplicativos que têm sistemas de pagamentos próprios não podem sequer anunciá-los em seus apps para iOS — o único sistema que eles podem usar é o da própria Apple, que cobra uma taxa de até 30% do valor bruto pago pelo usuário.

Outras demandas da Epic Games, como obrigar a Apple a abrir o iOS para lojas de aplicativos alternativas, não foram acatadas. A Apple comemorou a decisão; a Epic Games disse que vai recorrer.

A implementação da alteração determinada pela Justiça ainda é uma incógnita. Ao mencionar botões e links externos que “direcionem os consumidores a mecanismos de compra em adição às compras in-app”, fica a cargo da interpretação de quem lê (ou de um esclarecimento da juíza Yvonne) se isso significa que os apps poderão processar pagamentos por meios alternativos ou se apenas poderão levar os usuários para seus sites. A conferir. Via O Globo, The Verge (em inglês)

Confusa a comunicação da Uber sobre o reajuste motivado pela alta dos combustíveis, anunciado na noite desta sexta (10). A empresa informou que o valor da tarifa seria reajustado em até 35% na modalidade UberX, mas que ele não afetaria o custo para o usuário. Segundo correções em alguns jornais (Folha de S.Paulo, G1), o repasse afeta os motoristas. O que ainda é nebuloso — quer dizer que os motoristas pagarão o pato? Não também. Segundo a correção do G1, “a informação correta é de que este aumento não será repassado ao passageiro, o que aumenta é o repasse de ganhos para os motoristas do aplicativo”. Então a Uber vai absorver o prejuízo? Pela lógica, sim, mas ainda segundo o G1, “a companhia não detalhou até a última atualização dessa reportagem como o aumento do valor repassado para os motoristas será absorvido pela empresa de forma a evitar uma alta no preço da viagem para o passageiro”.

A situação na 99 é mais simples — pelo menos por ora, ou até fazerem uma correção — e os preços serão reajustados, entre 10% a 25%, para o usuário final. Via G1, Folha de S.Paulo.

A ProPublica publicou uma longa reportagem mostrando os bastidores da moderação no WhatsApp. O assunto nunca está presente no marketing e nas manifestações públicas do Facebook, afinal, o WhatsApp é criptografado de ponta a ponta, certo? Sim, mas isso não significa que seja à prova de bisbilhoteiros. O Facebook contrata pelo menos 1 mil revisores/moderadores para analisar conteúdo do WhatsApp denunciado por usuários, além de sistemas de inteligência artificial que analisam os meta dados (que não são criptografados de ponta a ponta) em busca de comportamentos suspeitos.

A reportagem da ProPublica apanhou por, a princípio, sugerir erroneamente que o sistema de moderação do WhatsApp implicava em uma quebra da criptografia de ponta a ponta. Não é o caso. Quando se denuncia uma mensagem, ela e as quatro imediatamente anteriores (incluindo fotos e vídeos) são encaminhadas ao sistema de moderação, que atua como uma ponta, como se fosse um contato qualquer do aplicativo.

Tecnicalidades à parte, o alerta é importante. Ativistas, insurgentes, jornalistas e outros perfis sensíveis correm riscos ao confiarem irrestritamente na alardeada privacidade do aplicativo do Facebook. A reportagem da ProPublica cita o caso de uma ex-funcionária do Departamento do Tesouro norte-americano que vazou dados de transações suspeitas com a Rússia ao BuzzFeed News, pelo WhatsApp, e acabou identificada pelo FBI graças aos meta dados. Via ProPublica (em inglês).

Não é de hoje que muita gente pede ao Twitter para que identifique robôs na plataforma a fim de melhorar o nível do debate. Infelizmente, existem fortes incentivos para que o Twitter não faça isso. Explicitar que grande parte da sua base de usuários é, na realidade, formada por robôs, não cairia bem junto aos anunciantes — pelo menos enquanto robôs não puderem consumir.

Ainda assim, nesta quinta (9) o Twitter deu mais um pequeno passo nessa direção. Cumprindo uma promessa feita em dezembro de 2020, robôs identificados como tais exibirão um selo público em seus perfis. É “opt-in”, ou seja, identifica o robô e coloca o rótulo quem quiser. O Twitter alega que a medida visa identificar os “bons robôs”, seja lá o que isso signifique.

Na prática, a novidade não atinge aquele tipo de robô que realmente precisa ser exposto: o que se passa por humano para tentar legitimar pautas e pontos de vista por vezes absurdos ou impopulares entre os usuários de carne e osso. Via @TwitterSupport/Twitter (em inglês).

Há semanas, clientes da companhia aérea Gol têm enfrentado problemas sistêmicos com a empresa: sumiço de passagens, aplicativo fora do ar, checkin inacessível (o que levou alguns a terem que fazê-lo no balcão do aeroporto), atendimento fora do ar. Uma rápida consulta em redes sociais revela pessoas iradas com o caos que parece ter se instaurado na Gol.

Perguntei à empresa, via assessoria, o que está acontecendo. A resposta (íntegra abaixo) foi uma “não resposta”. Em nota, a Gol informou que “a manutenção em seu sistema de vendas e atendimento foi concluída”, que ainda enfrenta instabilidades pontuais, mas que as coisas estão voltando ao normal.

Insisti, porque o posicionamento não respondeu à dúvida inicial — qual foi, afinal, o problema. Em resposta, a assessoria disse que “por enquanto só temos este posicionamento” e que “em breve a Gol vai comunicar as mudanças”. Que mudanças?

Não sei até que ponto é interessante a uma empresa de capital aberto fazer tanto mistério em torno de um problema, aparentemente, grave. Nenhum fato relevante ou comunicado ao mercado foi publicado pela GOl nesse período. Seja lá qual for o motivo, o jeito é esperar a “comunicação das mudanças”.

A íntegra da resposta da Gol:

A GOL Linhas Aéreas informa que a manutenção em seu sistema de vendas e atendimento foi concluída. A Companhia ainda enfrenta instabilidades pontuais, que estão sendo prontamente reparadas. O processo de vendas de passagens já está 95% restabelecido em todos os canais – site GOL, aplicativo mobile e agências de viagem – e as operações de voos são realizadas dentro da normalidade. A implementação de diversas melhorias nos processos dos canais digitais e totens em aeroportos, além de uma nova versão do aplicativo mobile, vão contribuir ainda mais para a experiência do Cliente.

O Facebook anunciou, em parceria com a Luxxotica, dona da marca Ray-Ban (e de praticamente todas as outras de óculos), um par de óculos inteligentes chamado Ray-Ban Stories. Notou a falta de algo? Pois é, nenhuma menção a Facebook ou Instagram ou qualquer coisa do tipo. Também tiveram o cuidado de criar um app específico para receber as fotos e vídeos feitos com os óculos do Faceb… digo, Ray-Ban Stories, chamado View. Apesar disso, é preciso logar com o Facebook.

Mark Zuckerberg, homem branco de cabelo curto claro, usando óculos escuros, de frente para a câmera.
Estilera ?. Foto: Ray-Ban Films/YouTube.

Se a ideia de um óculos com câmera do Facebook já soa surreal demais a você, continue comigo. Os Ray-Ban Stories têm um indicador luminoso, próximo à câmera, para alertar as pessoas de que o esquisitão usuário está filmando. Essa luz não pode ser apagada de jeito nenhum, mas a repórter Katie Notopoulos, do BuzzFeed News, recorreu ao bom e velho dedão para tapá-la. Resolve, certo? Calma aí! Alex Himel, vice-presidente de realidade aumentada do Facebook Reality Labs, disse a ela que esconder o LED é uma violação dos termos de uso dos óculos, que proíbem adulterações.

Termos de uso dos óculos.

Óculos com câmera do Facebook.

Em que realidade paralela esse povo vive? Via BuzzFeed News (em inglês), @internetofshit/Twitter (em inglês).

Raoni Lazaro Rocha Barbosa, 34 anos, cientista de dados da IBM, foi preso no último dia 17 acusado de ser integrante de uma milícia em Duque de Caxias (RJ). Segundo Ancelmo Góes, a prisão de Raoni foi decretada com base em reconhecimento facial, a partir de uma foto que, segundo seus advogados, não é dele. Outro detalhe que chama a atenção é que, também de acordo com os advogados, Raoni jamais morou em Duque de Caxias — ele reside em Campo Grande, a ~35 km. O caso está nas mãos da desembargadora Denise Vaccari, da 1ª Câmara Criminal do Rio. Via O Globo.