Youtubers brasileiros recomendam celulares chineses irregulares e sem garantias legais ao consumidor

Montagem do logo do YouTube com as estrelas da bandeira da China e, ao fundo, bandeira do Brasil estilizada.

Nunca tivemos tantos produtos à disposição no mercado, a maioria deles ao alcance de alguns cliques via internet. A farta disponibilidade desnorteia qualquer um, por isso publicações especializadas como blogs e canais de YouTube com análises/reviews despontaram graças à promessa de auxiliar o consumidor na tomada de decisões. Mas quem recorre ao YouTube brasileiro para se informar sobre modelos e preços de celulares pode acabar com uma tremenda dor de cabeça. Recomendações de aparelhos chineses não homologados no Brasil e vendidos por lojas sem presença oficial aqui dominam alguns dos canais de tecnologia mais populares do serviço, representando um risco que é raramente informado ao consumidor.

Qualquer um que acompanhe ou que já se dispôs a buscar informações sobre celulares no YouTube deve ter notado o grande volume de aparelhos de marcas como Xiaomi, Honor, Elephone, Cubot e outras com nomes complicados sendo vendidos por lojas chinesas como Gearbest e Banggood. Esses aparelhos não são encontrados no varejo formal brasileiro.

Os celulares chineses irregulares no país são recomendados pelos youtubers por dois motivos. Primeiro, porque têm um ótimo custo/benefício. Graças a modelos de negócio que não tentam auferir lucro na venda direta, às vantagens geográficas na cadeia de produção e à não incidência de impostos, marcas chinesas conseguem praticar preços impossíveis para as concorrentes que atuam formalizadas no Brasil. Alguns modelos chineses chegam a ser vendidos por até 1/3 do preço dos equivalentes ocidentais.

O outro motivo, tão importante quanto, é que os youtubers ganham comissões das lojas chinesas quando um espectador compra produtos nelas clicando nos links deixados nas descrições dos vídeos. Esse incentivo também é adotado por varejistas brasileiros, mas as comissões dos chineses são mais generosas — em alguns casos, até quatro vezes maiores.


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Para piorar o cenário ao consumidor, os youtubers não deixam claro que as recomendações são comissionadas, dando a entender que são desinteressadas. O Manual do Usuário analisou os vídeos mais recentes de oito dos canais de tecnologia mais populares do Brasil que trabalham com e indicam aparelhos vendidos por lojas chinesas. Em nenhum deles os youtubers fazem essa ressalva.

Além disso, a importação direta via Correios de aparelhos celulares é proibida no Brasil, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O problema se estende a varejistas brasileiros que oferecem marketplaces, ou seja, que funcionam de vitrine para lojistas menores venderem seus produtos. Nesses locais não é difícil encontrar aparelhos não homologados pela Anatel sendo vendidos por lojas pequenas. A homologação é obrigatória para a comercialização em território nacional de dispositivos que emitam ondas eletromagnéticas e consiste em uma bateria de testes de conformidade e segurança definidos pela Anatel. Links da Amazon, que também possui um programa de comissões, apareceram em alguns vídeos analisados pelo Manual do Usuário.

Por fim, o consumidor pode acabar no prejuízo. Como as fabricantes e as lojas chinesas não têm representação no Brasil, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) não vale para essas transações. Em outras palavras, a relação de consumo não tem amparo legal em caso de problemas de qualquer natureza. E problemas acontecem. Como os produtos vêm de longe e o frete é barato ou gratuito, os prazos de entrega costumam ser dilatados (frequentemente, de meses); o acesso à garantia é difícil e tem regras próprias e piores que as brasileiras; e mesmo que a loja ou a fabricante aceite fazer a troca ou o reembolso de um produto defeituoso, o consumidor precisa arcar com os custos da devolução e estar disposto a passar meses sem o seu produto — algo grave em se tratando de um bem tão indispensável como o celular.

A abordagem (e as comissões) das lojas

Print de uma oferta de celular da Xiaomi na Gearbest.
Gearbest é uma das lojas de celulares chineses mais populares entre os youtubers brasileiros. Imagem: Gearbest/Reprodução.

A loja chinesa mais popular entre os youtubers brasileiros é a Gearbest. A empresa aparece na plataforma de comissões da Awin, uma espécie de agregadora que intermedia as relações entre publicações/influenciadores e diversas lojas e aplicativos, e também oferece um programa de comissões direto, sem intermediários, em seu próprio site.

Segundo o descritivo da Gearbest na Awin, as comissões por venda podem chegar a 10% do valor do produto. No programa próprio, a publicidade da empresa diz que as comissões chegam a 12%. Lojas nacionais que trabalham com o mesmo esquema de comissões costumam pagar, na categoria de celulares, em média apenas 3%.

A Gearbest também aborda direta e ativamente influenciadores, convidando-os a ingressarem no programa. E não influenciadores também, como é o caso do Manual do Usuário — aparentemente, basta ter uma pequena audiência e falar de assuntos relacionados aos produtos vendidos na loja para entrar no radar dela. Entre maio de 2015 e julho de 2018, o Manual foi abordado cinco vezes por diferentes representantes da Gearbest. Nas mensagens, eles apresentam a loja e dizem que alguém de lá encontrou o blog, “gostou realmente” dele e que têm interesse em firmar parceria para postar ofertas e promoções.

Print de um e-mail da Gearbest, de 2017, convidando o blog para o programa de comissões.
E-mail da Gearbest convidando o Manual do Usuário para participar do seu programa de comissões.

A Gearbest ainda oferece um “Pro Program”, em que envia gratuitamente produtos a influenciadores para que eles testem e publiquem conteúdo sobre. O envio de novos produtos depende do “desempenho prévio”, ou seja, do potencial de direcionar vendas. No site do programa se lê:

Quais gadgets legais eu posso ter DE GRAÇA?

Tudo depende da sua área de especialização. Vamos analisar sua solicitação de produto e seu desempenho prévio. Se houver uma boa combinação, enviaremos o produto para você DE GRAÇA. Alternativamente, você pode comprar o item com um grande desconto primeiro. Depois que o review for publicado e tiver um bom desempenho, ficaremos felizes em reembolsar o valor total. Desde que estejamos os dois contentes com o programa, enviaremos um e-mail com notícias sobre nossos produtos mais recentes na área escolhida para ver se você gostaria de recebê-lo para análise.

Dos oito canais de YouTube analisados pelo Manual do Usuário, apenas um disse explicitamente ter recebido o celular analisado gratuitamente da Gearbest. Não é possível afirmar se os demais dos vídeos analisados foram recebidos a título gratuito ou comprados pelos youtubers.

A Banggood é outra loja chinesa, com sede em Hong Kong, recorrente nas descrições dos vídeos de youtubers brasileiros. Ela também oferece um programa de comissões que paga até 12% do valor dos produtos a quem os indica, mas diferentemente do “Pro Program” da Gearbest, o “Review Club” da Banggood troca pontos por produtos:

Você recebe 10 pontos por postar uma foto, 10 pontos por escrever um review e 40 pontos por postar um vídeo do produto.

Na análise dos vídeos (abaixo), também apareceram lojas obscuras brasileiras. Nessas, o maior atrativo é o tempo de entrega, mais rápido porque os produtos (em tese) estão no Brasil, e a garantia de que não haverá a incidência de impostos que, na importação, podem ser cobrados pela Receita Federal durante a triagem dos produtos no Centro de Tratamento Internacional dos Correios, em Curitiba (PR), por onde chegam encomendas pequenas do tipo vindas do exterior. Essas vantagens são alardeadas pelos youtubers que, em muitos momentos, parecem mais promotores de vendas do que especialistas analisando criticamente um produto.

Print de vídeo do YouTube exibindo cupom de loja irregular brasileira oferecido por um youtuber.
Youtuber oferece cupom de desconto em loja brasileira que vende o celular Mi Mix 3, da Xiaomi. Foto: YouTube/Reprodução.

Essas lojas brasileiras obscuras também estão em alguns marketplaces, pegando emprestado o prestígio de nomes renomados do varejo nacional para venderem produtos irregulares. É por isso que esses celulares aparecem nas vitrines virtuais de lojas grandes e sérias, como a da Amazon — a única das grandes com atuação no Brasil que tem links nas descrições dos vídeos analisados pelo Manual do Usuário. Curiosamente, a Amazon destaca a marca “Xiaomi”, que até a semana passada não tinha presença oficial no Brasil, na página inicial da sua seção de celulares.

Print da página de venda do Xiaomi Mi 8 Lite no site da Amazon Brasil.
Celular da Xiaomi, não homologado no Brasil, à venda no marketplace da Amazon. Imagem: Amazon/Reprodução.

A pedido do Manual do Usuário, a Amazon do Brasil enviou o seguinte posicionamento a respeito da veiculação desses produtos irregulares em seu marketplace:

As vendas desses dispositivos na Amazon.com.br são feitas pelo sistema de marketplace. Para questões mais específicas, sugerimos contatar diretamente o(s) vendedor(es) do produto.

O Manual do Usuário veicula, nas redes sociais (Telegram e Twitter) e em alguns posts como os das mochilas, links de produtos vendidos na Amazon e nas lojas da B2W com códigos que geram comissão. Os termos desses links são avisados sempre que possível (exemplo). E, obviamente, o Manual jamais indica produtos irregulares ou que representem qualquer risco às garantias legais do leitor enquanto consumidor. Essa é uma das frentes de financiamento do blog, juntamente com projetos feitos em parceira com empresas (ainda fora de funcionamento) e a campanha de financiamento coletivo no Catarse.

“Este eu recomendo!”

O incentivo para vender celulares pelos links comissionados mina a credibilidade dos youtubers. Nenhum aparelho foi classificado como “ruim” nos vídeos analisados. Mesmo modelos de entrada e com características comumente associadas à baixa qualidade, como acabamento todo em plástico e tela com pouco brilho, foram suficientes para que os youtubers desaconselhassem a compra desses aparelhos. Foi o caso do desconhecido Cubot P20 — que não tem relação alguma com o P20 Pro, da Huawei —, analisado e endossado com um link para a Gearbest pelo canal Be!Tech.

Print de vídeo do YouTube em que o youtuber recomenda celulares chineses sem qualquer critério.
Mesmo com características típicas de produtos de baixa qualidade, o Cubot P20 foi endossado entusiasticamente pelo youtuber. Foto: YouTube/Reprodução.

O Manual do Usuário analisou oito dos canais de tecnologia brasileiros mais populares do momento. Somados, eles falam com quase seis milhões de seguidores. Os canais e vídeos analisados foram os seguintes:

  • Dudu Rocha (1,22 milhão de seguidores), vídeo "😯 CADÊ A CÂMERA DELE❓ Xiaomi mi Mix 3 - Review! SÓ TELA e CÂMERA SLIDE! (análise)".
  • Be!Tech (1,12 milhão), vídeo "SERIA ELE a VERSÃO SUPER BARATA do HUAWEI P20!? CUBOT P20!".
  • TukEmperial (1,04 milhão), vídeo "Custa 400 Reais! Parece um iPhone tem tela AMOLED e 128GB parece mentira isso!".
  • EscolhaSegura (866 mil), vídeo "XIAOMI MI 8 LITE vale a pena? | Analise / Review Completo".
  • Geek Antenado (576 mil), vídeo "DESSA VEZ A ELEPHONE ACERTOU EM CHEIO! Elephone A5 - Unboxing e Impressões".
  • brasiliGEEKS (413 mil), vídeo "MI MIX 3 | ANÁLISE / REVIEW | LINDO, PODEROSO E COM TELA SEM BORDAS!".
  • K Tech (334 mil), vídeo "XIAOMI MI 9 ! O maior SUCESSO da XIAOMI - PORTUGUÊS BRASIL".
  • Tech Nerd (266 mil), vídeo "o CELULAR mais ABSURDO da XIAOMI! 😱 Mi Mix 3 (Unboxing)".

A escolha dos canais foi pautada pelo tamanho da audiência e pela presença, nos últimos meses, de vídeos com análises de celulares chineses não homologados pela Anatel e que continham links de comissão de lojas chinesas nas descrições. Dentro do grupo, o vídeo mais recente desse tipo em cada canal foi assistido na íntegra a fim de verificar se:

  1. Há links comissionados na descrição;
  2. Há citações no vídeo aos links da descrição;
  3. É informado que esses links geram comissões ao canal; e
  4. É informada a origem do produto — se ele foi comprado, cedido temporariamente ou doado pela loja.

Em dois vídeos (TukEmperial e Geek Antenado), os apresentadores falam em taxas de importação, o imposto que, se um produto for parado pela Receita Federal no desembaraço ao chegar ao Brasil, é cobrado do importador. Não é possível afirmar, porém, que eles foram comprados ou recebidos a título gratuito. Nos outros seis vídeos, não há menção, sequer indireta, à origem dos aparelhos analisados.

Em outros dois vídeos (Be!Tech e Dudu Rocha), os apresentadores não citam a presença de links de compra na descrição.

Em nenhum vídeo é informado que as compras feitas pelos links da descrição geram comissões aos canais.

Embora não seja possível afirmar categoricamente que os canais recebam comissões, as URLs (endereços dos sites) dos links de lojas nas descrições dão fortes indicativos de que sim devido à presença de parâmetros, complementos que ajudam a loja a identificar a origem dos acessos a partir dos links compartilhados por esses canais. Os da Gearbest, por exemplo, costumam ter o parâmetro ?lkid=XXXXX, onde XXXXX é um número identificador único do youtuber. É dessa forma que a loja consegue atribuir a venda a ele e recompensá-lo com a comissão prometida.

O gráfico abaixo resume as descobertas da análise. No que diz respeito aos links, foram analisados apenas os referentes ao aparelho objeto do vídeo — alguns canais colocam, além desses, listas enormes com links de outros produtos recomendados que levam o espectador às lojas chinesas:

Dois gráficos mostrando a divisão de lojas e marcas citadas pelos youtubers analisados em seus vídeos de celulares chineses mais recentes.
Quais marcas os youtubers brasileiros analisam e para quais lojas mandam os espectadores. Gráficos: Manual do Usuário.

O Manual do Usuário perguntou a todos os youtubers dos canais analisados se eles trabalham com programas de comissões das lojas chinesas que indicam. Essas e outras perguntas estão no final da matéria.

O vídeo do canal TukEmperial indica o celular de uma marca chamada HomeCare que é, basicamente, uma cópia de modelos antigos do iPhone com preço de venda, na loja chinesa, de cerca de R$ 400. Aqui se entra em um terreno perigoso: o dos celulares potencialmente piratas.

Print de vídeo do YouTube em que o youtuber analisa e indica um celular da HomeCare que é cópia do iPhone.
Aparelho da marca HomeCare tem indícios de pirataria, a começar pelo visual: uma cópia quase perfeita do iPhone, da Apple. Foto: YouTube/Reprodução.

Um celular pirata é um que não conta com um IMEI válido, o identificador único que todo celular legalizado possui. A Anatel, em parceria com as operadoras, está em processo de cancelamento de todos os celulares piratas ativos no Brasil. Não é possível averiguar se os da marca HomeCare se enquadram nessa categoria; de qualquer forma, a obscuridade da marca e o fato de o modelo analisado ser uma cópia bastante fiel de um produto de outra empresa estabelecida, a Apple, são características comuns a celulares piratas. Ou seja, é mais um risco a que o youtuber expõe o espectador.

Os riscos ao consumidor

Ao comprar de uma loja de fora do Brasil e/ou de uma fabricante que não tem representação formal no país, o consumidor abdica das garantias previstas no Código de Defesa do Consumidor, como o direito de arrependimento da compra em até sete dias a partir do recebimento e proteções em caso de vício (defeito). É isso o que diz Diogo Moyses, líder do programa de Telecomunicações e Direitos Digitais do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec): “Qualquer reclamação vai ficar prejudicada e você não terá a empresa legalmente constituída aqui para que o consumidor acione os mecanismos legais — e eventualmente judiciais — em caso de um descumprimento de oferta”.

Moyses esclarece que o consumidor pode comprar um celular em outro país que já esteja homologado no Brasil pela Anatel e trazê-lo para ser usado aqui, como um iPhone, um Moto G ou um Galaxy S, por exemplo. Ainda assim, essa importação só pode ser feita pessoalmente, ou seja, quando o consumidor viaja ao exterior. De acordo com a Anatel, a importação por meio dos Correios de produtos de alguns telecomunicações, entre eles o celular, é proibida. Em nota enviada ao Manual do Usuário, a agência informa:

Também é relevante lembrar que a importação de produtos de telecomunicações por consumidores por meio dos Correios é proibida no Brasil. Dessa forma, o consumidor pode trazer um equipamento em mãos ao voltar de viagens internacionais, mas não pode encomendar tais produtos do exterior por correspondência. As importações regulares de equipamentos de telecomunicações seguem legislação específica.

Em novembro de 2018, uma nota de conteúdo similar divulgada no site da agência causou alvoroço ao sugerir que importadores poderiam iniciar o processo de homologação de produtos importados para uso próprio mediante uma taxa de R$ 200 paga à Anatel.

A Anatel esclarece, entretanto, que essa possibilidade está restrita a algumas categorias de produtos, como drones, mouses sem fio, teclados sem fio, fones de ouvido sem fio e relógios inteligentes. Entre os que não estão sujeitos à homologação individual, justamente por terem a importação via Correios proibida, estão os telefones celulares.

Ainda segundo a Anatel, aparelhos não homologados detectados na fiscalização e que “não apresentam condições de regularização” são devolvidos à origem. Na prática, porém, o que costuma acontecer é a Receita Federal cobrar um imposto na ordem de 60% do valor total do produto, condicionando a retirada dele em uma agência dos Correios ao pagamento dele. Em face a essa incongruência, o Manual do Usuário questionou por que celulares importados via Correios, incluindo muitos não homologados pela Anatel, chegam às mãos dos consumidores brasileiros que optam pela importação via lojas chinesas. Até a data da publicação desta matéria, a agência não havia respondido. O texto será atualizado caso a resposta chegue.

Às 10h55, a Anatel enviou resposta ao pedido do Manual do Usuário. A agência diz que “todo o equipamento não homologado não pode ingressar em território nacional, especialmente os de categoria I, como o celular, que são de uso do consumidor final. Os que conseguem burlar a aduana por algum falha administrativa, estarão em situação irregular”.

Existe uma grande possibilidade, dado o nível de qualidade nos processos de fabricação de marcas globais como Xiaomi e Huawei, de que celulares importados não apresentem defeito e passem sem serem importunados pela Receita Federal na triagem realizada nos Correios em Curitiba. Mas mesmo reduzidos, os riscos existem: o de receber um aparelho defeituoso, diferente do pedido ou mesmo quebrado. E também o de ser taxado, o que eleva o custo total do produto em 60%, eliminando uma das maiores vantagens propagadas pelos youtubers, que é o baixo preço dos celulares chineses.

No Reclame Aqui, plataforma que reúne reclamações de consumidores e as conecta às lojas e fabricantes, a nota da Gearbest é 6,4 (de 0 a 10) nos últimos seis meses. A da Banggood, 6,7. Em ambas a principal reclamação é por atrasos na entrega, seguida pela de produtos não recebidos. A título comparativo, algumas lojas nacionais têm notas consideravelmente mais altas: 8,0 para o Submarino; 8,2 para o Magazine Luiza; e 8,4 para a Americanas.com.

Em redes sociais e grupos de entusiastas e consumidores em aplicativos como o Telegram, não é difícil encontrar histórias de consumidores lesados pela importação desses celulares.

A analista de sistemas Lorrene Carolline Nunes Vieira, de Jacareí (SP), comprou um celular Xiaomi Mi Max Prime em julho de 2016 na Gearbest. Pagou US$ 304 e esperou dois meses para receber o produto em sua casa, não sem antes pagar mais R$ 204 à Receita Federal para liberá-lo nos Correios — ela foi taxada. Mesmo com o prejuízo, Lorrene afirma que voltaria a importar da China: “Mesmo com a demora e o imposto a ser pago, ainda é mais barato que comprar um produto similar no Brasil”. Atualmente ela usa um Moto G6 Play comprado no Brasil.

O caso do autônomo Rodrigo Cana, de São Paulo (SP), foi mais grave. Cerca de 40 dias após ter recebido seu Mi A1, da Xiaomi, o celular parou de funcionar. Sequer ligava. “Entrei em contato com a loja [Gearbest] e eles falaram que não tinha mais garantia”, conta. No caso, a garantia prometida pela loja era de apenas 30 dias. “Depois de muito tentar, eles propuseram que eu mandasse o aparelho de volta para me ressarcirem, mas o envio ficava muito caro, mais de R$ 200. Não compensava; havia pagado R$ 700 no aparelho e ainda ia demorar um bom tempo [para voltar à China]. No fim, ressarciram R$ 150 e vendi o aparelho aqui para a retirada de peças”.

Hoje, Cana usa um Moto Z2 Play e não diz que arriscaria outra compra do tipo: “Acho que dei azar; conheço muita gente que deu certo. Mas eu não tenho mais coragem de comprar [de lojas chinesas]. Fiquei com um pé atrás”.

A recomendação dos órgãos de defesa do consumidor é para não arriscar. “O Idec não recomenda fazer esse tipo de compra [importar celular da China] porque o barato sai caro”, orienta Moyses. O caso de Cana ilustra bem isso: fosse no Brasil, ele teria não 30, mas no mínimo 90 dias para reclamar de defeitos de fabricação, e se a loja propusesse qualquer coisa diferente do conserto ou troca, teria ainda o caminho da Justiça para ter sua demanda resolvida. “Se o consumidor quer ter seus direitos respeitados, ele deve prioritariamente comprar de uma empresa registada e com atuação nacional”, finaliza Moyses.

Situação das marcas chinesas no Brasil

Mate 20 Pro, da Huawei, tem a melhor câmera do mercado segundo o site especializado DxOMark. Foto: Kārlis Dambrāns/Flickr.

Celulares de marcas como Xiaomi e Huawei, que têm ações negociadas em bolsas, presença global e volumes de venda enormes, são de boa qualidade. Obviamente, como todo produto manufaturado há sempre o risco de defeito de fabricação, mas no geral ele não difere do de marcas com presença maior no Ocidente e no Brasil.

As marcas chinesas de celulares começaram a se destacar há poucos anos por uma combinação que desafia a matemática: produtos de alta qualidade por preços muito baixos. O Pocophone F1, por exemplo, uma submarca da Xiaomi, tem características similares às do Galaxy S9, que no Brasil custava R$ 4.299 na época do seu lançamento, por um preço final de cerca de R$ 1.100. Como isso é possível?

Renato Meireles, analista de mercado em Mobile Phones & Devices da consultoria IDC Brasil, explica que isso, em parte, se deve ao modelo de negócio dessas empresas. “As empresas gigantes não vivem só de smartphones; elas têm uma gama de produtos muito grande. Através de outras categorias, conseguem subsidiar smartphones, chegando a preços mais acessíveis”. A Xiaomi também vende patinetes elétricos, TVs, drones, notebooks e até óculos especiais, e é notória por vender celulares a preço de custo. Atualmente, é a quinta empresa que mais vende celulares no mundo. Além do subsídio de outras categorias de produtos, o sistema operacional da marca para celulares, chamado “MIUI”, exibe publicidade aos usuários como forma de gerar receita no pós-venda. Chamada muitas vezes de “Apple da China”, por essa estratégia baseada em publicidade alguns analistas já afirmam que a empresa, na verdade, lembra mais o Facebook. Publicações como o Financial Times são bastante céticas em relação à capacidade de geração de lucro a longo prazo da Xiaomi, receio compartilhado pelo mercado — as ações da empresa são negociadas a preços 43% menores que o pico, atingido logo após a sua abertura de capital.

Já a Huawei é a maior empresa de equipamentos de telecomunicações do mundo, do tipo que as operadoras usam para espalhar suas redes 4G. Sua divisão de celulares tem se destacado pelas câmeras de ponta, fruto de uma parceria com a lendária marca alemã de câmeras Leica, e aparelhos que ditam tendências e que, ao contrário da Xiaomi, têm preços similares aos dos topos de linha de marcas mais tradicionais, como Apple e Samsung — ou seja, com margem de lucro. Em 2018, a Huawei superou a Apple como segunda maior fabricante de celulares do mundo e ambiciona destronar a atual líder, a sul-coreana Samsung. Além da Ásia, a Huawei lidera diversos mercados na Europa. Em comum com a Xiaomi, ambas não atuam no mercado norte-americano e têm a antipatia da administração de Donald Trump, em especial a Huawei, que trava uma guerra para se provar digna de confiança no fornecimento de infraestrutura para o 5G.

A Huawei enviou um posicionamento às 19h do dia 20 de março sobre o assunto tratado nesta reportagem. Segue na íntegra: “A Huawei está comprometida em construir um mundo melhor e conectado oferecendo soluções inteligentes por meio de um portfólio competitivo de dispositivos móveis. Com a chegada oficial da marca em maio, no Brasil, a garantia será oferecida àqueles dispositivos que forem homologados pela Anatel e comercializados no país.”

Além disso, prossegue Meireles, as fábricas que desenvolvem os componentes dos celulares estão na China e algumas dessas gigantes, como a Huawei, conseguem fabricar boa parte dos componentes usados em seus próprios celulares. “Isso impacta no preço final. Elas [as marcas chinesas] conseguem reduzir a margem de um produto premium a uma faixa de preço mais acessível”, diz.

Com produtos bons e preços menores que os da concorrência, é compreensível o fascínio de consumidores e youtubers pelos celulares chineses. A possibilidade da não incidência de impostos deixa a oferta ainda mais tentadora, mesmo com todos os riscos e irregularidades já apresentados. Isso pode gerar uma dúvida genuína: por que essas marcas, vendo todo o interesse e boa receptividade que elas geram aqui, não atuam no Brasil?

Elas já tentaram. Em 2015, a Xiaomi desembarcou no Brasil com muita fanfarra. Porém, devido a uma estratégia desastrosa, não adaptada ao mercado local, a incursão por aqui durou menos de um ano. O Manual do Usuário noticiou, com exclusividade, a saída da Xiaomi do mercado brasileiro em maio de 2016.

Neste mês de março, a Xiaomi retornou ao Brasil graças a uma parceria com a fabricante local DL, com sede no interior de Minas Gerais. Os primeiros produtos, devidamente homologados pela Anatel e com garantia de um ano da fabricante, são o Pocophone F1 e o Redmi Note 6 Pro, com preços de R$ 2.999 e R$ 1.999, respectivamente, muito superiores aos cobrados por lojas chinesas — R$ 1.131 e R$ 726 na Gearbest, em consulta feita no dia 17 de março. Mesmo com a incidência do imposto, de cerca de 60% do valor dos produtos, ele ainda custariam praticamente metade do que custam no mercado formal brasileiro — R$ 1.809 e R$ 1.161.

Foto de divulgação do Redmi Note 6 Pro nas quatro cores disponíveis.
Redmi Note 6 Pro, um dos celulares da Xiaomi que lançados no Brasil. Foto: Xiaomi/Divulgação.

A Huawei anunciou em 2018 e reforçou a promessa com uma data mais específica, em entrevista ao Estadão, que voltará a vender seus celulares no Brasil. Já no próximo mês de maio, segundo a executiva entrevistada. (A empresa já atua no Brasil há décadas no segmento de telecomunicações — B2B, sem relação com celulares.) É outra empresa que já tentou o mercado local, por volta de 2014, sem sucesso. Desta vez, porém, ela deve chegar com seus modelos mais caros, que lá fora rivalizam com os melhores da Samsung e Apple.

Marcas menos conhecidas, algumas referendadas nos vídeos dos youtubers analisados como Cubot e HomeCare, não têm previsão de expansão para o Brasil.

Meireles revela que, em pesquisas da IDC feitas junto a consumidores brasileiros do tipo “recall de branding”, ou seja, para detectar quais as marcas mais populares no país, as chinesas amargam resultados sofríveis. Em uma pesquisa do tipo recente, elas foram lembradas por apenas 1% dos 1.200 entrevistados — somadas. Isso denota uma cobertura exagerada dos youtubers brasileiros. E para as marcas da terra de Xi Jinping que estão chegando agora ao Brasil, significa que elas terão muito trabalho para fazer frente à Samsung e à Motorola na mente dos brasileiros.

O que dizem os youtubers

A presença maciça de vídeos com análises favoráveis de aparelhos chineses nos canais de tecnologia mais populares do Brasil, somada à influência do algoritmo do YouTube, que tende a recomendar vídeos similares aos já vistos pelo espectador, criam o cenário perfeito para que os consumidores tomem decisões perigosas sem estarem cientes de todos os riscos — já que os youtubers não costumam falar e, quando sim, o fazem com pouca ênfase e de maneira incompleta.

O Manual do Usuário entrou em contato com os oito youtubers que tiveram seus vídeos analisados durante a apuração desta reportagem. A cada um deles, enviou as perguntas abaixo:

  1. Você tem ciência de que recomenda a seus espectadores produtos irregulares que não poderiam ser comprados no Brasil ou encomendados via Correios de lojas do exterior?
  2. Os links de lojas que constam nas descrições dos seus vídeos são do tipo afiliados, que revertem comissões a você caso algum espectador faça compras por eles?
  3. Em caso positivo, você informa aos espectadores que essas compras geram comissão paga pelas próprias lojas a você?
  4. Você informa aos espectadores a origem dos produtos analisados em seu canal no YouTube (se foram pagos por você mesmo, cedidos a título de empréstimo ou doados)?
  5. As lojas parceiras dão alguma orientação na maneira como as análises devem ser feitas?
  6. Caso exista alguma parceria vigente com lojas que te comissionam, elas já reclamaram de alguma análise publicada por você?
  7. Você já teve algum problema com espectadores que fizeram compras em lojas indicadas pelo seu canal no YouTube e que resultaram em imprevistos tais como atraso na entrega, produto defeituoso ou taxação pela Receita Federal?
  8. Se sim para a pergunta anterior, como procedeu junto ao espectador lesado? Existe um protocolo para responder a esse tipo de reclamação?

Até a publicação desta matéria, nenhum havia retornado o contato com as respostas. Caso isso aconteça, o texto será atualizado.

O Manual do Usuário também pediu uma entrevista com representantes do YouTube Brasil para tratar do tema. A assessoria do YouTube negou a entrevista. Em vez disso, enviou o seguinte posicionamento:

Todo e qualquer conteúdo no YouTube deve seguir nossas Diretrizes da Comunidade. Oferecemos ferramentas para que o usuário denuncie conteúdos que acredite violar alguma de nossas políticas. Quando não há violação clara às políticas de uso, a análise final sobre a necessidade de remoção de conteúdo cabe ao Poder Judiciário, nos termos do Marco Civil da Internet.

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72 comentários

  1. Olha… eu já importei algumas coisinhas, nunca smartphones. E nunca tinha ouvido (lido) sobre ser ilegal a importação desse tipo de aparelho. Que coisa não? Por que será que isso quase não é falado por aí? Se a proibição é justa ou não, aí são outros 500…

  2. Tenho comprado celulares da XIAOMI, e não me arrependo, nos últimos anos em minha família, já compramos 6 unidades e irei comprar mais um nos próximos meses. Nunca comprei nada pelo dos sites do youtubers, não chegam a ser irrelevantes, mas não acho que tenham essa importância toda dada pela matéria.

  3. Quando optei por um Xiaomi Redmi 4X foi em relação a ter um hardware a um preço honesto em relação aos vendidos pelas grandes marcas brasileiras. Não baseei minha opção de compra apenas em vídeos do Youtube, mas da experiência de pessoas que compraram e já utilizavam há algum tempo. E hoje, pela minha experiência com eles, provavelmente fique com a marca – mesmo sabendo dos “inconvenientes” de assistência técnica e garantias em terras brasilis.

  4. Excelente artigo.

    Acho que quem compra está ciente da falta de garantia, e de possíveis problemas (atraso, possível taxação, etc). Acredito que a dúvida de 99,9% das pessoas que pensam em comprar se resume apenas em:

    “será que vou ter SORTE importando um celular “TOP” pelo preço de um popularzinho nacional??”

  5. Não assisto Bottini de YouTube porém estou lendo seu site através do Xiaomi MIA1 comprado na Gearbest a mais ou menos um ano tudo deu por volta dos R$980 incluindo a taxa.
    Para mim usuário final não vejo problema algum, só se a Xiaomi trabalha com o governo me espionando (aí TBM seria síndrome de grandeza da minha parte)

  6. Eu moro na China e algumas informações eu achei um pouco cômico mas enfim. Hoje todos os produtos que eu tenho em minha residência são chineses e a tendência é essa mesma. Não tem choro

  7. Confesso que essa nova pegada dos canais de tecnologia me incomoda um pouco. Por exemplo, no início do canal BeTech ele realmente analisa os produtos, principalmente nas abordagens sobre fones de ouvido, o que me interessava muito. Com o passar do tempo, o crescimento do canal e o possível incentivo $$ das lojas chinesas, ele mudou muito. Enquanto a qualidade de áudio e vídeo cresceram, o conteúdo dos vídeos perdeu em qualidade. Essa polishopzação dos canais techs maiores foi me fazendo desinscrever de todos eles, pois o conteúdo para mim é o mais importante.

    Respeito e compreendo a mudança, pois os caras tem contas a pagar, e a partir do momento que as mudanças refletem em retorno financeiro e crescimento numérico do canal, a tendência é achar que estão no caminho correto, não é mesmo?

    Com a sua licença, posso até citar dois canais que ao meu ver, possuem grande qualidade de áudio/vídeo, fazem propagandas, mas ainda assim realizam excelentes análises sobre os produtos: Tecnoblog e Mind The Headphone.

    Sobre a importação de produtos chineses, já importo há muito tempo. Nunca tive problemas, exceto os de demora no recebimento. E em minha visão ideológica mais liberal, não gosto quando você aponta que para estarmos “seguros”, não deveríamos importar tais produtos. O texto até soou meio que como uma denúncia aos órgãos reguladores, e isso incomodou um pouco.

    Acho que todos, devidamente cientes dos riscos de extravios, taxas (roubos!) e falta de garantia local, podem sim fazer importações!

    Parabéns pelo texto, mesmo discordando de alguns pontos Ghedin.

  8. Parabéns, Ghedin, por nós mostrar que ainda há jornalismo de qualidade na área de tecnologia. Leio seus textos desde o extinto Gemind, e acompanho o que considero cada vez mais o amadurecimento de sua linha editorial.

    Fugir ao senso comum, aprofundar e investigar um tema é algo para poucos, principalmente em tempos que muitos jornalistas se acomodaram e preferem não ir além do “arroz com feijão” da profissão.

    Acredito que esteja recebendo muito ódio gratuito por conta do texto, principalmente se levarmos em conta que tanto as marcas quanto os YouTubers citados carregam não consumidores/público, mas sim uma legião de fãs cegos e apaixonados. Hoje possuo um aparelho da Xiaomi, sim. A marca me atraiu pela relação custo-benefício, mas consigo enxergar perfeitamente onde foram feitos os cortes de custo no dispositivo que uso (acabamento de plástico; software repleto de propaganda, como o Mi Remote, que me vi obrigado a remover pra continuar usando o smartphone em paz; e uma série de outros itens). No entanto, apontar os defeitos de marcas chinesas parece sacrilegio. Me lembra um pouco a febre do Moto G de primeira geração: ai de quem falasse mal do rei do custo-benefício.

    De qualquer forma, acredito que me estendi no comentário, então fico por aqui. Mas, novamente, parabéns pela coragem e pelo trabalho singular com a reportagem!

  9. Comecei a ler e decidi parar no início.
    Julgar os YouTubers por fazerem reviews ou querer saber o modo como eles trabalham…. pra mim não importa.
    Realmente no quesito consumidor perdemos muito na compra de um aparelho sem garantia. Por outro lado. Sera que perdemos tanto assim? Se você é um profissional da area mobile, Você vai ver que no Brasil somos obrigados a pagar a mais por aparelhos de “baixa qualidade” comparados com os aparelhos da China.
    Samsung, Motorola e LG. Haviam formado quase que um cartel. E foi graças aos aparelhos chineses que empresas como essas se mexeram para lançamentos como j8, K11 e Moto one.

    Se os YouTubers ganham os aparelhos ou não, Cara, Eles estão fazendo o trabalho deles. E com todo o respeito é difícil achar um desses vídeos errados pois realmente os smartphones chineses são mais potentes falando em linguagem Mais simples.
    Se tem garantia ou não. A pessoa tbm deve ter a mínima noção ao comprar, pesquisar, E tudo mais. Pessoas com intelecto sabem que não podem confiar apenas em uma fonte.

    Claro que todos tem sua opinião. Mas na minha. O texto é inválido.

  10. Pelo o que as fabricantes oferecem Aki e pelo preço que cobram ,prefiro comprar os chineses sem garantia pela qualidade e preço oferecido com 1500 vc pega um snap da serie 845 dos chineses.enquanto Aki a sanguessuga coloca no seu galak j8 um mero snap 430 por mais de 1000 bolsonaros todo travado .sou a favor do livre mercado e pelo fim dos impostos abusivos e do livre acesso a população a tecnologia.de acordo com a Anatel eh proibido importar celular, é só ela fazer o seguinte pagar a passagem de todo mundo e liberar o visto pra todo mundo trazer na mala e parar de extorquir o povo Brasileiro,o mundo inteiro importa ,a Rússia é um dos maiores clientes do Aliexpress não são roubados igual no Brasil.querem que a gente compre Aki cobrem um valor just,o melhore a qualidade dos nacionais não aguentamos mais essas porcarias que deviam vender na sessão de saldoes e cobram. Rim por eles.

  11. Caramba, não sabia que é proibido importar celulares! Me faz perceber o quanto nosso país é bagunçado. Importei um xiaomi no meio do ano passado, numa promoção de uma dessas lojas citadas. Sabia do risco de ser taxado (e já até tinha colocado o imposto na conta na hora da compra), mas não que estava fazendo algo ilegal. O telefone veio muito bem embalado e, não só passou pela aduana, como passou sem a cobrança do imposto de importação. E sem a taxa de R$15,00 dos correios. Enfim, valeu a pena demais e, nesses quase 8 meses de uso, estou satisfeitíssimo com o padrão de acabamento, com a performance (e não é um high end), com as características gerais.

    Não penso em trocá-lo tão cedo, mas mesmo considerando o imposto e mesmo estando ciente, agora, da proibição e da bagunça que é isso aqui, considero fortemente a via da importação novamente.

    Aliás, por falar na famigerada taxa de R$15,00 dos correios: A proposta era de que seria cobrada de toda e qualquer encomenda e que a ideia era agilizar o serviço e diminuir o tempo de espera. De fato o tempo de espera caiu consideravelmente (ao mesmo tempo em que o valor dos fretes cobrados nas lojas chinesas aumentaram pra caramba), mas o que percebo é que nos vários pacotes que recebi desde o início da cobrança, paguei a taxa para uma fração deles e, ironicamente, esses foram os que mais demoraram a chegar, mesmo eu tendo feito o pagamento tão logo notificado.

  12. Excelente publicação. Fazia muito tempo que eu não me sentia tão fisgado no texto como me senti lento este. Eu sinceramente não sabia que era ilegal a compra de celular importado da China via correios. Só este motivo me basta para eu não comprar um celular importado ou via mercado livre (em que o lojista provavelmente também importou ilegalmente) como eu pretendia. Acho isso uma questão importante, visto que desejo pagar os impostos que são devidos apropriadamente. Obrigado pelo esclarecimento. Eu já havia notado que os reviews estavam mais para propaganda do que analise de fato. Só não tinha percebido que era algo quase que institucionalizado.

      1. Olá Ghedin, eu já sou assinante. E to só esperando arrumar um emprego pra apoiar financeiramente o blog.

  13. Nossa, quanta coragem! Com certeza irá aparecer alguns vídeos-resposta e dezenas de haters logo logo. Mas parabéns pela reportagem, é necessário expôr esse tipo de coisa, por mais que na maioria das vezes seja a saída para muitos brasileiros, deve ficar claro que há pessoas lucrando com isso.

    1. Isso me lembrou uma reportagem que ele fez acho que na época para o gizmodo em que ele denunciava uma empresa que fazia propaganda no SBT.

  14. Sem dúvida nenhuma esse é o melhor texto brasileiro que eu já li tratando sobre esse assunto. Infelizmente para a maioria das pessoas e empresas o lucro ainda está acima de tudo, então, no geral, nem uma loja vai filtrar seus afiliados e nem um Youtuber vai abrir mão de algumas vendas, e isso abre portas para muitos problemas, de diversas proporções. Trabalho com marketing de afiliados e transparência e responsabilidade social são teclas que eu sempre bati, prefiro ter a certeza de ter um consumidor 100% satisfeito do que alguns reais a mais na conta.

    Por sinal, explorar mais o marketing digital brasileiro pode dar anos de pauta pro MdU.

  15. “Você informa aos espectadores a origem dos produtos analisados em seu canal no YouTube (se foram pagos por você mesmo, cedidos a título de empréstimo ou doados)?”

    Meio injusta essa pergunta, não? Pelo que acompanho é uma prática bem incomum no mercado dar essa informação, inclusive os reviews do próprio MdU geralmente não informam isso.

    1. Não acho que seja injusta. Quando o Manual do Usuário fazia reviews (até o final de 2016), o “sobre” do site explicava que jamais ficávamos com aparelhos emprestados. Os que as assessorias e empresas recusavam a devolução eram sorteados entre os assinantes.

      De qualquer forma, não acharia injusto alguém, seja um leitor ou outra publicação, me questionar sobre isso. Por que você acha injusto? Só porque não é uma prática comum no meio?

      1. Claro que o ideal seria que todos deixassem claro essa informação e que, caso não o fizessem, fossem cobrados por isso. O que eu quis dizer foi que achei injusto no sentido de, um veículo como o MdU questionar outro sobre algo que ele próprio não pratica. Ao colocar esse questionamento nessa matéria, fica a impressão de que a possível resposta negativa a essa pergunta seria um problema particular desses youtubers, e não comum a todo o meio, como parece ser.

        De fato, antes de fazer esse comentário, eu fui no “sobre” do site ver se havia algum esclarecimento sobre o assunto e não encontrei nada. Também procurei pelos últimos artigos na seção de reviews, fiz uma ‘leitura dinâmica’ de dois deles (Motorola One, de 2019, e Samsung S9, de 2018) e não achei nada a respeito (por outro lado, um que me chamou atenção foi um de mouse gamer, de de 2018, que já deixava clara a origem logo no título).

        Também, no Tecnocast da última semana, onde explicaram o processo de reviews do site, foi dito que uma questão comum a vários leitores é justamente quanto a origem dos aparelhos que eles analisam. O fato dessa dúvida ser comum também aos leitores do Tecnoblog (que eu imagino ser, junto do MdU, um dos sites que tenham um dos públicos mais ‘esclarecidos’, e que também muitas vezes acompanham outros sites similares) sugere que esse ponto não é suficientemente abordado pelos veículos mais relevantes no mercado.

        1. Ainda assim, a pergunta não é injusta. Pode ser hipócrita, mas isso não a invalida — tanto que você está me questionando aqui e estou respondendo, sem crise.

          Os reviews recentes do Manual do Usuário não trazem links comissionados. Essa é uma diferença importante. Antes de 2017, quando os reviews eram parte da linha editorial e eles incluíam links comissionados de lojas no rodapé, esses eram acompanhados de um diclaimer (exemplo):

          Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

          Ainda assim, há espaço para melhorar a comunicação sobre esse ponto no Manual do Usuário. Conforme coloquei na matéria, sempre que possível informo aos leitores a existência de links comissionados quando os compartilho. Recentemente, incluí no “Sobre”, na parte da política de privacidade, essa informação. E expandirei ela para além da seção de mochilas na forma de um “selo” a ser inserido em todo post que contenha um link comissionado, nem que seja um.

          Novamente: o fato de a indústria não fazer direito não exclui essa responsabilidade. O caso dos youtubers me parece mais grave porque eles ganham em cima de colocar o espectador em risco potencial sem esse alerta. A pergunta que você questiona não era a principal da entrevista; mas não fazia mal inclui-la também, né?

  16. Eu iria opinar que acreditava que a maioria das pessoas que compravam produtos dessa forma estava ciente quanto aos eventuais riscos. Mas pensando bem não há uma métrica para se chegar a esse número, penso eu. Mas mesmo considerando essas pessoas que não tem esse conhecimento dos eventuais riscos, que apenas veem/ouvem/consideram o fator preço, será que mesmo após alertadas elas mudariam a decisão? Acredito que não. Não que isso sirva de justificativa para o que acontece, porque não serve. Razão pelo qual, tal aviso/advertência deveria justamente partir daquele que defende a expertise no assunto e que possivelmente está auferindo lucro com isso.

  17. Belíssimo artigo, muito completo.

    Sobre o assunto da matéria, deixo apenas um “estou ciente e quero continuar”.
    Os aparelhos mid no Brasil são uma piada pelo valor cobrado, e isso leva os consumidores às águas turbulentas da importação.

    Porém, as lojas maiores dão certas garantias. Um Redmi 4 que comprei para a minha mãe veio com com problema, não ligava por nada. Ao entrar em contato com a loja, me ofereceram um reembolso integral, ou envio de outro aparelho. Como ia pegar outro cel mesmo, escolhi outro aparelho e tudo correu normalmente.

    Como sugestão de matéria, nessa mesma linha, deixo o SendIt, que é um serviço de courier que opera no PY, e muita gente aqui do Sul usa para comprar itens usados no eBay e retirar em Foz ou Guaíra.

  18. Olha, eu até entendo o objetivo de alertar os consumidores dos riscos de importar aparelhos da China, porém como proprietário de um aparelho chinês, devo dizer que sabia exatamente o que estava fazendo e já contava com os impostos na hora da compra. Infelizmente a “garantia” que nos é dada em território nacional nem sempre é usada e quando é preciso nem sempre é aproveitada.

    Outro fator seriam os preços absurdos de aparelhos em território nacional. Há pouco vi diversas notícias sobre a chegada de aparelhos Xiaomi no Brasil através de uma loja física. Comentários não foram poucos sobre o preço elevado comprando aqui e não poucos os que afirmaram que importar ainda é o melhor negócio. Eis algo pouco falado: o valor cobrado. Enquanto isso ocorrer, com ou sem riscos, as pessoas continuarão importando, pois para muitas pessoas (e aqui eu me identifico) é burrice pagar mais caro em um celular aqui, sendo que posso pagar mais barato (mesmo com imposto) importando, por causa de uma “garantia”.

    Claro que com relação a aparelhos piratas (diferente de não homologados) eu concordo 100%. É um risco muito grande mas cabe ao comprado buscar a informação pois dificilmente será dito por canais de marketing.

  19. O Ghedin tá conseguindo com sucesso ser a pessoa mais odiada da internet, mas nesse caso em especial não tem como discordar de uma vírgula que ele escreveu.

        1. Olha, acho que seria bem interessante uma matéria sobre a venda de pacotes de assinaturas ilegais de IPTV no Brasil.

          Fica aí a dica pro Ghedin.

          1. A questão é que pelo fato da Anatel fazer parte da GSMA ela acata as homologações realizadas por agências reguladoras de outros países desde que a mesma faça parte da referida associação.
            Eu já realizei homologação de equipamentos na Anatel, na verdade, ela não homologa propriamente nenhum equipamento. Existem laboratórios credenciados pela mesma, eles atestam que as medições estão dentro dos conformes e só.
            Quando referi a IMEI me referia a um terminal, que é o que define se um equipamento é pirata ou não. O fato de ele parecer com um iPhone ou um Orelhão de Rua não importa, o IMEI deve ser legalizado.
            Quanto aos equipamentos emissores de RF, a homologação é obrigatória por parte do fabricante que venda oficialmente no Brasil. Imagino que se forem reter todos os equipamentos de pequeno porte e emissores de rf, não terão onde armazenar e as vezes não compensa fazer nada a respeito.
            Se importam com coisas maiores e mais críticas como rádios piratas e interferências em estações de Telecom.

          2. IPTV entra em uma zona nebulosa e perigosa também.

            Tipo, é que nem jornalista entrar na favela Rio das Pedras…

          3. Seria bem legal MESMO falar sobre isso.

            é algo que tenho curiosidade de saber como funciona.

          1. IPTV não é tão difícil de falar: são nada mais que servidores que transmitem programação, pirateada ou não, para assinantes e não assinantes. É óbvio também que é uma migração dos que antes mexiam com a quebra de criptografia de satélites.

            O difícil nessa história é que lida com “tubarão”, e não com peixe pequeno. Dado que por mais que tentem acabar com ele, acaba só sendo gelo enxugado, e dado também que a discussão sobre pirataria no BR sempre bate no ponto dos valores cobrados pela mídia, vira um tabu.

            Além disso, requer uma investigação bem profunda, dado que tem que saber quem opera, como rola o mercado. E sabemos que nesta parte, propina à fiscalização é o que não falta.

  20. Ghedin! Muito bom o artigo! O trabalho que teve de pesquisa foi imenso. rsrs
    Eu acompanho esses canais e hoje um Xiaomi, mas sabia dos riscos que teria ao comprar esse aparelho. Acredito que alguns ficarão bravos e logo teremos vídeos falando de você. rsrs
    Abs

    1. A pesquisa foi imensa mas faltou saber porque IMEIs “não homologados pela Anatel” são aceitos pela própria Anatel.
      Dica: GSMA.

      Abs

      1. Isso não tem relação com o assunto tratado na reportagem. Não é o IMEI que é homologado, mas o dispositivo — e mesmo aqueles que não contam com um IMEI, como teclados sem fio, precisam ser homologados antes de serem vendidos no país.

        1. Isso que eu iria responder. A questão é que eles emitem radiofrequência e precisam ser homologados pela Anatel. Se fosse homologar por IMEI, todos os aparelhos passariam pela a Anatel.

  21. Se tem uma marca que conseguiria entrar fácil no Brasil, preferencialmente pelos meios legais, é a Nokia. Essa ainda habita o imaginário nacional.

  22. Parabéns ao Ghedin pelo excelente artigo, mesmo eu sendo sendo um consumidor de aparelhos da Xiaomi e cliente de algumas da lojas citadas, essa matéria é muito importante para desmistificar o hype absurdo por trás dessas empresas.

    Eu compro aparelhos e produtos de lojas chinesas há 3 anos, mas sempre fiz consciente dos riscos e prejuízos que poderia ter. Nos grupos de importação que faço parte, é comum ver relatos diários de pessoas que tiveram problemas com as lojas e produtos que chegaram com defeito. Pior, é comum ver relatos de pessoas que não conheciam os riscos e regras de importação, pois compraram por influência de youtubers, e depois tiveram problemas e prejuízos com o produto comprado.

    E não é apenas youtubers que estimulam compras nessas lojas chinesas. Sites famosos de tecnologia, como Tecmundo e TudoCelular, todo dia oferecem links “com desconto” para compra de produtos nessas lojas, sem avisar que é uma publicação patrocinada.

    1. Poizé, um tio meu (que morava junto com a minha família) comprou um telefone chinês desses por indicação de um canal do Youtube. Pagou R$700 na época e achou que era isso. Depois de uns 15/20 dias chegou a carta com a taxação que ele tinha ganhado, se não me engando deu mais R$350 de importação. Ele pagou e uns 2 meses depois a tela do telefone parou de funcionar o touch. Resultado? Mais R$300 para arrumar a tela.

      Se você compra sabendo de todos os riscos, sabendo o que pode ocorrer e se as lojas/canais são transparentes em relação ao que estão anunciando e revisando, não vejo problemas (desde que sejam aparelhos de marcas famosas que seguem padrões internacionais de frequência); problema é que a maioria das pessoas que esses canais pegam são pessoas com pouco conhecimento na área e que compram pelo atrativo preço baixo e porque confiam no youtuber que está falando.

      Eu não sei até que ponto não se poderia responsabilizar legalmente esses canais por propaganda enganosa, crime contra o CDC e alguns outros pormenores da lei de contravenção brasileira. Seria o meio mais “hard” de colocar os canais contra a parede e fazer eles assumirem quando é um vídeo pago, quando tem link afiliado rolando comissão etc.

  23. HAHAHA Parabéns Ghedin, matéria excelente! Espero que essa visão acabe surtindo efeitos positivos no cenário local dos youtubers tech, seja até a incomodar essa cultuação por fabricantes que não “existem oficialmente” em nosso país, ou simplesmente se olharmos melhor veremos que no fim os produtos não são tão bons assim!

    1. Rapaz, se existe uma lista negra dentro da Xiaomi, tenho certeza que o Ghedin tá no topo dela! Hahahahaha

  24. Ótimo artigo, confesso que geralmente tudo que envolve a Anatel e outros órgãos reguladores me da um certo pé atrás, devido a como as coisas funcionam por aqui, onde geralmente eles mais atrapalham do que ajudam o consumidor.

    MAS, achei muito interessante o seu posicionamento e questionamento, “pondo contra a parede” esses youtubers. Queria que tivesse mais conteúdo como o MdU em outras áreas que gosto, como games. Enfim! No aguardo das respostas dos youtubers, isso é, se eles responderem.

    E fico com uma pergunta: até onde é “ok” ignorar órgãos reguladores?

    1. Teoricamente as diretrizes de regulamentação sempre são as melhores possíveis dentro do cenário nacional. Inclusive o Brasil costume ter regulações melhores (mais elaboradas e atuais) do que as que vemos na FCC.

      A questão dos órgãos regulatórios raramente reside nos seus marcos regulatórios e sim nos fiscais (quadros humanos) que são passíveis de corrupção e lobby.

      Como diz o Ghedin no texto, teoricamente marcas grandes e conhecidas não tem problema nenhum, é apenas uma questão burocrática a regulação para o mercado brasileiro. Contudo, marcas piratas ou pouco conhecidas podem ter problemas de interferência em diversas frequências oficiais como aeroportos e ambulâncias. Você não gostaria de estar passando mal e o rádio da SAMU estar com interferência daquele tiozão que comprou um telefone chinês por R$300.

      Antigamente esse problema era ainda maior, não era incomum termos interferência em aparelhos de TV, por exemplo. Hoje em dia isso já está quase exterminado, mas, ainda assim é um risco que se corre ao usar aparelhos desconhecidos.

  25. Bela cutucada.

    “O verdadeiro jornalismo é aquele que noticia algo que alguém não quer que seja noticiado. Todo o resto é propaganda”.

    Não são apenas os youtubers nacionais que fazem isso. Acompanho um ou outro youtuber europeu que promove tais aparelhos chineses.

    Detalhe que estamos a falar apenas dos smartphones, mas seria interessante ver a questão dos tablets e notebooks importados da China.

    1. O pior é que existe todo um mercado, e como foi destrinchado na matéria existe toda uma estrategia por trás para fazerem esses aparelhos ganharam peso no youtube! Enfim, conteúdo excelente, espero que possa surtar efeito nessa mania louca de ficar cultuando fabricantes que não existem e no fim podem acabar pondo em risco o usuário comum e leigo!

    1. Não sei do que está falando, André. Eu assisto a alguns desses canais e conheço um ou outro youtuber citado na matéria. E fiz questão de ressaltar, no e-mail que enviei a eles pedindo a entrevista, que o objetivo não é prejudicar ninguém, mas alertar o consumidor dos riscos, algo vital e que eles próprios, os youtubers, falham em seus vídeos.

      Se você puder apontar uma parte sequer da matéria em que fui injusto ou desleal, agradeço.

      1. Faltou comentar que todos esses canais tem videos falando sobre o tema, como o video de 40 minutos do canaltech “vale a pena importar”. Você assistiu esse video inteiro e acha que eles passam informações erradas? se o video cobre tudo certinho, seu discurso de “youtubers falham ao passar informações para o publico” é um pouco equivocado.

        Os outros temas abordados nessa materia também são cobertos com frequencia por esses canais, por exemplo: o motivo dos aparelhos importados serem mais baratos, porque a xiaomi saiu do brasil, novas lei da anatel sobre celulares pirata, e etc. Todos também com objetivo justamente de informar o publico.

        e essa pergunta: “Você tem ciência de que recomenda a seus espectadores produtos irregulares que não poderiam ser comprados no Brasil ou encomendados via Correios de lojas do exterior?” é um tanto carregada e bem desleal. Se o governo taxa 60% do valor e escolheu deixar passar, esse produto é verdadeiramente irregular? Nenhum desses youtuber está traficando celular para viver. Esse limbo legal de importação é um problema que deve ser resolvido pela Anatel, e que, ao tentar impor esse protecionismo desnecessário, não age de acordo com o interesse da população.

        1. “Faltou comentar que todos esses canais tem videos falando sobre o tema”

          Imagine-se como alguém procurando informações sobre que celular comprar. Você entra no YouTube, faz uma pesquisa e vai vendo os vídeos. Não dá para presumir que a pessoa sabe da existências desses riscos. Ela vai ver um vídeo de cada canal, pois é assim que o YouTube funciona. E convenhamos: não custa nada fazer um disclaimer no vídeo.

          “e essa pergunta: ‘Você tem ciência de que recomenda a seus espectadores produtos irregulares que não poderiam ser comprados no Brasil ou encomendados via Correios de lojas do exterior?’ é um tanto carregada e bem desleal. Se o governo taxa 60% do valor e escolheu deixar passar, esse produto é verdadeiramente irregular?”

          Sim, vide a resposta que a Anatel deu ao meu questionamento, na atualização das 10h55 da matéria.

  26. Sou um feliz proprietário de smaprtphones da marca Xiaomi a cerca de 4 anos, recentemente comprei um MI A2 no ML em 10x de 110. Este modelo participa do programa Android One, funciona muito bem e tem um ótimo custo beneficio. Infelizmente a garantia fica só nos 3 meses do próprio ML.
    No caso dos youtubers seria importante sempre deixar claro se é um review/anúncio patrocinado e não opinião própria…

  27. Mas que BAITA artigo!!!
    Toca em uma ferida já antiga do meio youtuber tech que ninguém, até hoje, teve coragem de fazer, justamente porque muitos portais e canais desse meio lucram com essa sistemática.
    É por essas que blogs independentes como o Manual devem ser apoiados.
    Parabéns Ghedin!

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