Post livre #205

O Manual do Usuário está de volta. Mais ou menos. Na real, as atividades editoriais retornam na próxima quinta-feira (23), mas resolvi antecipar o post livre porque… ora, por que não?

(Aliás, se você ainda não recebe a newsletter gratuita, cadastre-se agora. É a melhor maneira de acompanhar o site.)

Você provavelmente já sabe, mas não custa relembrar: toda semana, publico o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.

Bloco de notas #19

Montagem com Elon Musk ao lado de uma frase do pensador Ranely muito parecida com uma publicada pelo próprio Musk.

Olá,

Esta é a última newsletter e o último conteúdo do Manual do Usuárioem 2019. Como acontece todo ano, tirarei algumas semanas para descansar e planejar o ano que vem. Em 2020, teremos algumas novidades no modo de fazer o site, incluindo testes com um espaço de debates mais organizado que o post livre e mudanças na distribuição do conteúdo. Semana que vem, a capa do site será levemente repaginada para destacar tudo de bom que foi produzido ao longo do ano. No comecinho de janeiro, os assinantes receberão o relatório de dezembro. Ufa!

Continuarei por aqui, caso queira ou precise falar comigo — basta responder este e-mail. E o grupo dos assinantes seguirá ativo também — se ainda não é assinante, considere tornar-se.

Este ano, de retorno à independência e o primeiro em que me dediquei integralmente ao Manual, foi sensacional. Obrigado por me acompanhar e que 2020 seja ainda melhor. Até lá!

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Lugar de realidade virtual é fora de casa

Homem vestindo um headset de realidade virtual e segunda dois controles com as mãos em ambiente escuro.

O futuro da realidade virtual (VR, na sigla em inglês) parecia promissor em 2015. O Facebook havia acabado de comprar a Oculus e trazido para dentro de casa seu visionário fundador, Palmer Luckey; os primeiros headsets comerciais avançados de HTC, Facebook/Oculus e Sony estavam prestes a serem lançados; e Google e Samsung atacavam na faixa de entrada, com produtos que, usando celulares como visores, eram vendidos a preços bastante acessíveis.

Em paralelo, as chamadas experiências imersivas em realidade virtual despontavam — afinal, previa-se que em breve haveria uma grande demanda por conteúdo. Alguns chegaram a dizer que em poucos anos os headsets de realidade virtual seriam tão bons e acessíveis que muita gente os teriam em casa e modelos super baratos seriam distribuídos em voos internacionais, junto àqueles fones de ouvido semi-descartáveis. Uns poucos, mais empolgados, chegaram a comparar a vindoura revolução da realidade virtual às ondas avassaladoras de adoção dos computadores e celulares.

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Bloco de notas #18

Quando relancei a newsletter do site com o nome Bloco de notas, o objetivo era fugir do noticiário e fazer dela uma espécie de bloco de notas mesmo, ou seja, um caderninho com anotações de curiosidades e coisas que chamaram a minha atenção. Em algum momento dos últimos dois meses, perdi isso de perspectiva e, quando me dei conta, estava fazendo aquilo que jamais foi o objetivo: uma curadoria de notícias. Esta edição marca um retorno à essência do Bloco de notas, com menos notícias, mais curiosidades, com a republicação aqui no blog após o envio da newsletter. Espero que você goste.

Campeões da Black Friday

Burger King e McDonald’s conseguiram uma façanha nesta Black Friday: superar lojas virtuais no ranking de reclamações do ReclameAqui. Foram 1.036 reclamações, ou 11,7% do total, motivadas por uma instabilidade no Mercado Pago (5º no ranking) na hora de processar o pagamento das promoções de dois lanches por ~R$ 5. Parabéns? [ReclameAqui, em português]

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Em 2019, a briga para manter os monopólios se tornou explícita

Mark Zuckerberg sentado em uma poltrona em uma sala com um quadro que diz "Os tolos esperam".

por Guilherme Felitti

Roger McNamee é um dos sujeitos mais impactantes do mercado de tecnologia de quem você nunca ouviu falar. No seu primeiro trabalho na área, no começo da década de 1980, ele liderou investimentos na Electronic Arts. Quando foi trabalhar em um dos fundos mais tradicionais do Vale do Silício, o Kleiner Perkins, McNamee se envolveu em investimentos feitos em um navegador chamado Netscape e em uma loja online chamada Amazon. Ambos os negócios se tornaram gigantescos, mas é sempre bom frisar que quem começou o frenesi financeiro da internet foi o Netscape, o primeiro navegador gráfico para usuário final da história.

O histórico de acertos do McNamee era tão sólido que ele fez o que qualquer um com naquela posição faz em sua área: para que trabalhar para os outros se eu posso colher os frutos todos para mim? Em 1999, ele fundou a Silver Lake Partners com outros sócios e passou a farejar o mercado atrás de negócios com potencial.

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Sobrecarga de experiência

Ilustração de duas silhuetas em um fundo branco com losango e linhas retas escuras.

por Benjamin Schneider

Um repórter entra numa loja da Baixa Manhattan para explorar um “experimento curioso em entretenimento público”. Ele é levado a um espaço parecido com um estúdio banhado por luzes coloridas. Música estranha emana de alto-falantes invisíveis enquanto membros da equipe com vestimentas que lembram togas distribuem brinquedos, caleidoscópios e balões, cujo propósito permanece desconhecido. “Estamos tentando derrubar todas as convenções de entretenimento”, proclama o carismático jovem fundador do lugar a título de explicação — com exceção do ingresso superfaturado, o repórter descobrirá mais tarde.

Esta cena não ocorreu no Museu do Sorvete, no Snark Park, no 29 Rooms ou em nenhum dos atuais espaços fotogênicos e multissensoriais de lazer urbano. Na verdade, nem sequer aconteceu neste século. Aconteceu em 1968, quando um repórter da revista Time foi a um evento psicodélico de curta duração no SoHo chamado Cerebrum. Tal qual seus descendentes contemporâneos, o Cerebrum era difícil de categorizar, mas acabou por ser descrito com um termo abrangente hoje familiar. “Qualquer definição que tenha — e talvez não possa ter uma”, escreveu o repórter da Time, “o Cerebrum é uma experiência”.

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Post colaborativo para aproveitar as ofertas da Black Friday 2019

Pessoas correndo para loja que acabou de abrir.

Apesar da fama, a Black Friday brasileira se consolidou como um evento importante no calendário do varejo nacional. Assim, com alguma pesquisa e um pouco de sorte, dá para encontrar bons descontos.

Este post é uma tentativa de organizar e facilitar a busca por essas ofertas que valem a pena. Toda a ação está nos comentários; você pode pedir por descontos de determinado produto ou, se encontrou uma oferta incrível, compartilhá-la.

Para facilitar a organização e o Ctrl + F da galera, sinalize cada comentário escrevendo [PEDIDO] ou [OFERTA] logo no início, ok? Já tem dois exemplos ali nos comentários.

Outro pedido: “limpe” os links. Antes de postá-lo, apague tudo o que aparecer após o ?, salvo se os parâmetros forem imprescindíveis para a obtenção do desconto. Exemplo:

https://www.site-de-compras.com.br/celular-barato?chave=pm_hm_bt_sub_celular_barato_281119

Vira…

https://www.site-de-compras.com.br/celular-barato

E lembre-se: se não comprar nada, o desconto é de 100%. Black Friday é uma ótima oportunidade para conseguir descontos em produtos que já estavam no meu radar. Comprar algo apenas porque está barato não é economia, é consumismo puro e desperdício de recursos.

Boas compras!

Foto do topo: Powhusku/Flickr. Eu amo essa foto!

Post livre #202

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.

Atenção! Hoje (28/11) à noite, publicaremos um post livre especial para a Black Friday. Vamos guardar pedidos e oportunidades para mais tarde, ok?

VPN como fator de segurança: Para que serve e quando usá-la

Túnel rodoviário comum com um carro próximo à saída iluminada.

Estar seguro na internet, hoje, não depende mais apenas do indivíduo, mas ainda assim existem medidas que cada um de nós pode tomar para mitigar os riscos. Uma muito alardeada nos últimos anos é o uso de uma VPN, sigla em inglês para “rede privada virtual”, mas você sabe o que é e para que serve uma?

“Especialistas costumam falar: ‘use VPN para sua segurança’, e muitas vezes a gente não explica ou não entra nos detalhes técnicos que nos levaram a concluir que uma VPN é uma forma segura de você se comunicar”, reconhece Fabio Assolini, pesquisador de segurança sênior da empresa de segurança Kaspersky. Pois bem, vamos falar de VPN, então.

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O governo deveria proteger seus dados, mas é excelente em expô-los

Presidente Jair Bolsonaro segura uma caneta BIC antes de assinar decreto de armas, em janeiro de 2019.

por Guilherme Felitti

Toda profissão depende de informação, mas algumas dependem mais do que outras. Um cirurgião, por exemplo, precisa conhecer os novos métodos e equipamentos na sua área, mas a maneira como ele vai operar se mantém mais ou menos a mesma. A informação é importante, mas não é o eixo ao redor do qual a profissão gira.

Existem profissões onde o principal capital é a informação. Jornalismo, por exemplo. Você vive para buscar, contextualizar e reportar informações. Não é a única atividade que segue a regra. Investidores também precisam consumir vorazmente informações para tomar decisões sobre o que fazer com aquela ação — vender por que a perspectiva é uma merda ou comprar mais já que o futuro tende a ser brilhante. Quer outra? Vigaristas, estelionatários e bandidos.

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Sem saberem, grandes empresas financiam desinformação e intolerância na internet: Uma conversa com Matt Rivitz, do Sleeping Giants

Ilustração de silhuetas de pessoas levantando bandeiras com logo e nome do Sleeping Giants.

Em novembro de 2016, após Donald Trump ser eleito presidente dos Estados Unidos, o redator publicitário Matt Rivitz abriu o site Breitbart News, ligado ao estrategista de campanha de Trump, Steve Bannon, e peça-chave na cobertura da campanha do republicano. Rivitz ficou horrorizado com o que classificou de conteúdo “incrivelmente intolerante, racista e sexista”. Também chamou a sua atenção a presença de anúncios de grandes marcas ao lado desses comentários. Primeiro, Rivitz questionou se as empresas sabiam que suas marcas estavam sendo veiculadas ao lado de conteúdos reprováveis. E, se ao saberem, tomariam alguma atitude. Decidiu, então, expôr o problema.

Nascia ali o Sleeping Giants, uma conta no Twitter inicialmente anônima que Rivitz criou para conscientizar o mercado dos resultados potencialmente danosos à imagem das empresas que a publicidade programática pode gerar. Esse modelo, liderado pelo Google e praticamente padrão na indústria, automatiza a compra de espaços para a veiculação de anúncios. A empresa X que queira anunciar seu produto nos locais e para as pessoas mais propensas a adquiri-lo paga ao Google, não aos sites e apps anunciantes, e o Google faz o trabalho de combinar as peças aos sites, palavras-chaves no buscador e outras propriedades digitais usando todos os dados que coleta rotineiramente dos seus bilhões de usuários. Obviamente, nem todos os sites são iguais e é nessa que marcas renomadas acabam anunciadas em locais que emanam ódio, racismo, misoginia e toda a sorte de conteúdo errático.

O Sleeping Giants detecta e expõe essas situações. É um trabalho que vem dando resultado: de acordo com a Moat Pro, empresa especializada em inteligência em publicidade, entre o início do perfil e junho de 2018, o número de marcas anunciantes no Breitbart News caiu 80,3% (de 3.300 para 649) e o de peças únicas, 83,5% (de 11.500 para 1.902). Apesar do foco inicial nesse site, hoje o Sleeping Giants mira outros veículos intolerantes e, em alguns casos, indivíduos que desfrutam de posições privilegiadas a despeito de condutas e declarações reprováveis.

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