A economia de Axie Infinity, o jogo “earn-to-play” da Sky Mavis, parece ter dado um mergulho para a morte em 2022. (Em agosto de 2021, o Manual mergulhou no jogo para entender e explicar a sua dinâmica.)

Segundo a Bloomberg, o valor das duas criptomoedas atreladas ao jogo, os Axie Infinity Shards (AXS) e as Smooth Love Potion (SLP), derreteram. O AXS, que no topo chegou a valer US$ 165, está sendo negociado a US$ 14 na manhã desta terça (13). A SLP, que bateu US$ 0,40 no pico, vale agora US$ 0,00378 (menos de um centavo de dólar).

A baixa afugentou os jogadores. O número deles, que chegou a ultrapassar os dois milhões em novembro passado, está agora em cerca de 650 mil. Os que ficaram não ajudam as criptomoedas a recuperarem seu valor pelo que o economista Lars Doucet chama de problema do “dragão sonolento”:

Axie está preso no problema do “dragão sonolento”: Toda vez que o valor da SLP começa a subir, os dragões — as pessoas que estão esperando para transformar suas SLP em dinheiro — acordam e liquidam suas fortunas, empurrando de volta o preço para baixo.

Não chega a ser surpresa que um jogo medíocre cujo único incentivo é fazer dinheiro tenha implodido. A Sky Mavis sacou isso, ainda que tardiamente, e agora faz um trabalho para exaltar a porção “play” do “play-to-earn”: removeu referências a ganhos na promoção de Axie Infinity, lançou uma variação do jogo livre do esquema de criptomoedas, Axie: Origin, e tem organizado reuniões públicas com jogadores em que a direção garante que vai ficar tudo bem. Acredita quem quiser. Via Bloomberg (em inglês).

Que o histórico de aplicativos de mensagens do Google é uma bagunça, não é novidade. Que o GTalk, o primeiríssimo (e o mais querido) desses apps, ainda estava ativo, isso sim é uma surpresa.

O Google avisa que o suporte ao GTalk em aplicativos de terceiros, como Pidgin, Trillian e Adium, será encerrado na próxima quinta-feira (16). (O GTalk funcionava no protocolo aberto XMPP, o que permitia acessá-lo de outros aplicativos.)

O GTalk foi lançado em 2005, dentro do Gmail. Em 2013, perdeu protagonismo dentro do Google para o Hangouts, parte do Google+ (lembra?). Os aplicativos oficiais foram descontinuados em 2017 e agora, enfim, sai de cena o suporte a apps de terceiros — o último prego no caixão do GTalk.

Demorou tanto para o GTalk dormir em paz que, agora, o Hangouts nem existe mais (acho). Em seu lugar, o Google agora recomenda o Google Chat, o aplicativo de mensagens do Google Workspace. Via Google, blog do Google (2017), Wikipedia (todos em inglês).

Há algumas semanas, o projeto Thunderbird anunciou planos de desenvolver um aplicativo para Android. Nesta segunda (13), saiu o anúncio de que o Thunderbird para Android será, na realidade, o venerável K-9 Mail, resultado da fusão dos dois projetos.

Àqueles que não o conhecem, o K-9 Mail é um app de e-mail para Android de código aberto — e único, depois do melancólico fim do FairEmail.

O K-9 Mail e seu desenvolvedor, Christian “cketti” Ketterer, agora fazem parte da família Thunderbird e trabalharão juntos para transformar o K-9 Mail em Thunderbird para Android, com paridade de recursos, sincronia e identidade visual alinhada à do Thunderbird para computadores. Via Thunderbird (2) (em inglês).

O engenheiro Blake Lemoine, do Google, acredita que a inteligência artificial LaMDA, apresentada pela empresa em 2021, é senciente. Acredita tanto que causou um rebuliço na empresa e fora dela, quebrando contratos de confidencialidade para provar seu argumento, até ganhar férias remuneradas do Google. A empresa nega que sua IA seja senciente.

LaMDA, abreviação em inglês para “modelos linguísticos para aplicações de diálogo”, é uma tecnologia que o Google emprega em vários dos seus produtos para predizer sentenças que humanos usariam. Não é senciente, é só uma inteligência artificial relativamente boa em regurgitar de forma coerente as toneladas de conteúdo escrito por seres humanos que o Google devora e processa.

A história de Lemoine, contada em ótima reportagem de Nitasha Tiku no Washington Post, envolve crenças transcendentais e alguns questionamentos interessantes. E ecoa o primeiro robô de conversação da história, o ELIZA.

Criado em 1966 por Joseph Weizenbaum, do Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, o ELIZA emulava um terapeuta. Mesmo com uma lógica simples, a ilusão era forte o suficiente para fazer vários estudantes se abrirem com o programa. Via Washington Post (em inglês).

Como manter o computador ligado — sem dormir, suspender ou abrir o protetor de tela

Todo computador oferece uma configuração para apagar a tela e entrar em suspensão após algum tempo de inatividade. Isso é útil para não desperdiçar energia, algo ainda mais importante em notebooks.

Ocorre que às vezes você quer que a tela fique ligada e o computador, ativo. Sim, dá para entrar nas configurações e alterar o comportamento padrão do sistema, mas não seria melhor se houvesse um botão que, ao ser tocado, mantivesse o computador ligado?

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Dwight Schrute no metaverso e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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Pavel Durov, CEO do Telegram, confirmou nesta sexta (10.jun) que vem aí uma versão paga do aplicativo — e ainda neste mês de junho. Em seu canal, Durov disse que em breve será oferecido um Telegram Premium, com “mais recursos, velocidade e funcionalidades” que a versão gratuita.

O executivo citou, de maneira vaga, alguns dos possíveis recursos aos usuários pagantes: envio de arquivos e documentos grandes, e figurinhas, reações e formatos de mídia exclusivos. Os limites atuais do Telegram — que já são bem generosos — continuarão valendo para quem preferir continuar na versão gratuita. Via @durov/Telegram (em inglês).

Quando um computador se torna obsoleto?

Em junho de 2021, a Microsoft deu um banho de água fria em muita gente no anúncio do Windows 11: a nova versão só seria compatível com computadores que têm o Trusted Platform Module (TPM) 2.0, um módulo de segurança que só se popularizou em processadores e placas-mãe comerciais a partir de 2017.

Um ano depois, na última segunda (6), durante a abertura da WWDC, foi a vez da Apple promover ruptura similar, porém sem especificar o motivo. A próxima versão do seu sistema para computadores, o macOS Ventura, é incompatível com qualquer Mac lançado antes de 2017 — e com alguns lançados em 2017, como o MacBook Air.

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O futuro do trabalho é trabalhar menos? Os experimentos com a semana de quatro dias úteis

Em abril, por uma coincidência de datas, o brasileiro teve duas semanas de quatro dias úteis consecutivas. Dois feriados, um na sexta-feira (15, Páscoa), outro na quinta (21, Tiradentes), deram a todos os trabalhadores um gostinho do que alguns profissionais já têm como rotina e que pode virar uma tendência no mundo corporativo.

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Linux 5.19 será grande para chips ARM

por Cesar Cardoso

O Linux 5.19 será um grande kernel para o mundo ARM.

Como sabemos, o mundo ARM é bem diferente do mundo x86; não apenas porque a ARM Holdings não fabrica chips e apenas licencia e avança a arquitetura, mas também porque existem diversos meios de licenciar a arquitetura ARM; um Amazon Graviton, um Ampere Altra, um Apple Silicon, um Snapdragon, um Dimensity, um Exynos, um Google Tensor, um Rockchip RK, um Freescale i.MX, todos eles são ARM… mas são diferentes (e, em muitos casos, bem diferentes) um do outro.

No kernel Linux, isso se refletia com cada fabricante mandando seus próprios patches para serem suportados pelo upstream; o leitor deve imaginar a situação que isso gerava, de tal modo que o próprio Linus Torvalds pistolou violentamente em 2011.

Corta para o kernel 5.19-rc1, em 2022. Nas notas de lançamento, Linus escreve…

Uma coisa a se notar é que o modo como o antigo kernel genérico ARM funciona (“multiplataforma”) está praticamente pronto depois de mais de dez anos. Parabéns a todos os envolvidos. As plataformas StrongARM permanecem com seus kernels separados e espera-se que continuem assim, mas comparado a onde as coisas estavam uma década atrás, este é um grande passo.

Uma excelente notícia para o suporte mainstream ARM no kernel Linux. Multiplataforma, menos patches feios, menos mantenedores sendo xingados pelo Linus. Um mundo melhor.


Pinguins Móveis é uma newsletter semanal documentando e analisando a marcha do Linux por todos os cantos da eletrônica de consumo — e, portanto, das nossas vidas. Inscreva-se aqui.

Eu adoro o meme do iPhone de botão. Ele brinca com a ideia de que os modelos de iPhone com o design antigo, com o botão Home/Touch ID, seriam hoje sinal de pobreza — o oposto do que o iPhone, bem ou mal, ainda representa para muita gente.

Adoro o botão e irei defendê-lo, mas sempre esboço um sorriso (com respeito) quando topo com uma piada de iPhone de botão por aí. Via Terra, Núcleo.

O GitHub anunciou o fim do editor de código Atom. Criado em 2014, ele ficou meio de escanteio nos últimos anos e perdeu espaço, na empresa e entre os usuários, para o Visual Studio Code, da Microsoft — que, lembremos, comprou o GitHub em meados de 2018.

O projeto Atom seguirá ativo até 15 de dezembro deste ano, para dar tempo aos usuários de trocarem e se adaptarem a outro editor. Via GitHub (em inglês).

Post livre #320

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Países da União Europeia e legisladores do bloco chegaram a um acordo nesta terça (7) a respeito da padronização de cabos de recarga de pequenos eletrônicos.

A partir de 2024, será obrigatório o uso do USB-C no bloco. Isso significa mudanças à Apple, única entre as grandes que ainda não abraçou o USB-C. Se quiser continuar vendendo produtos no Velho Mundo, a empresa terá que aposentar o conector Lightning, que equipa todos os iPhones desde o iPhone 5, além de alguns iPads e outros acessórios, como os AirPods.

Outros detalhes da vindoura lei europeia é a opção ao consumidor de adquirir novos produtos com ou sem um cabo, e a extensão da padronização a notebooks, 40 meses após a legislação entrar em vigor. Via Parlamento Europeu (em inglês).

O iPhone não foi a única linha da Apple a sofrer baixas com os anúncios das novas versões dos sistemas operacionais da casa nesta segunda (6), na abertura da WWDC.

O macOS Ventura não será disponibilizado para vários modelos de MacBook (incluindo o adorado early 2015 que este editor usa) e o Mac Pro “lixeira”, de 2013. Na real, todos os Macs anteriores a 2017 ficaram de fora da nova versão.

Parece que a transição dos chips Intel para os ARM da Apple será mais rápida do que se imaginava.

O caso do watchOS 9 é mais curioso. A versão do Apple Watch mais antiga compatível com ele é a Series 4, de 2018. A Series 3, lançada um ano antes, continua à venda como “modelo de entrada”, o que gera um problema (inédito?) na Apple: a empresa está vendendo um produto oficialmente defasado. Via Apple (2) (em inglês).