O Plasma 5.25, nova versão do ambiente gráfico para Linux do pessoal do KDE, chegou na última terça (14) cheia de novidades. Destaques para os gestos no trackpad e novos modos de visualização da área de trabalho, cor de realce automaticamente extraída do papel de parede e ainda mais personalização. No anúncio (link ao lado) tem um punhado de vídeos para demonstrar o que há de novo. Via KDE (em inglês).

HP Dev One e o espaço de notebooks Linux na era do Linux no desktop dos outros

por Cesar Cardoso

Num mundo em que o grande consumidor de PCs são os desenvolvedores (comprando ou recebendo da empresa onde trabalham), os containers Docker são a unidade básica de computação, os containers Docker funcionam bem somente em Linux sob x86, e os dois grandes sistemas operacionais de desktop têm suporte a Linux sob x86 na primeira classe (WSL sob Windows 10/11 e Rosetta 2 sobre macOS Ventura)… qual o espaço dos notebooks Linux puro-sangue?

Já sabemos que a HP e a System76 tentam responder a esta pergunta com o HP Dev One. E por isso estava esperando ansiosamente que brotasse no lab de Michael Larabel e de lá virasse um review.

A HP não inventou, foi direto ao assunto: pegou um setup palatável para todo um enorme espectro de desenvolvedores (a não ser que seu desenvolvimento seja para CUDA, porque não tem Nvidia e sim AMD Radeon) e para os power users que querem um notebook Linux sem muito blob proprietário (sim, não tem Coreboot e sim a boa e velha BIOS/UEFI proprietária, mas as GPUs Radeon não precisam de módulos proprietários para funcionarem etc). Em ambos os casos, com uma distro suportada por padrão (Pop!_OS), mimos que só gente grande consegue dar (tipo a HP trabalhar com a AMD para que o terror de qualquer usuário de notebook Linux, suspend/resume, funcionar direito) a um preço interessante, competitivo com outras máquinas Linux de fabricantes menores e mesmo da Dell+Ubuntu.

No geral, é uma boa ideia de colaboração entre uma OEM grande mas que não tinha nada competitivo (tirando uns notebook ultra especializados para cientistas de dados e desenvolvedores IA) em Linux e um OEM menor, especializado em Linux e que tem sua própria distro. E, o mais importante, abre um espaço para os notebooks Linux puro-sangue no mundo em que é possível rodar apps Linux em praticamente qualquer outro sistema operacional.


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Um memorando da Meta assinado por Tom Alison, responsável pelo Facebook, e vazado pelo The Verge, revelou a próxima grande mudança prevista para o Facebook: mais conteúdo recomendado de perfis e páginas que o usuário não segue. Sem surpresa, a rede social original da empresa ficará mais parecida com o TikTok.

O que poderia dar errado?

Outra novidade, também inspirada no TikTok, é trazer de volta o Messenger para o aplicativo principal do Facebook. (Há oito anos, numa decisão controversa, a empresa separou as duas áreas em aplicativos distintos.)

Nem o memorando, nem Tom especificam quando as mudanças chegarão ao Facebook, mas a julgar pela urgência da Meta em transformar os aplicativos da casa numa tentativa desesperada de conter o avanço do TikTok, não deve demorar muito. Via The Verge (em inglês).

Como a internet nos transformou em máquinas de conteúdo

Como a internet nos transformou em máquinas de conteúdo (em inglês), por Kyle Chayka na New Yorker:

A dinâmica que [Kate] Eichhorn descreve é familiar a qualquer pessoa que use redes sociais com qualquer regularidade. Ela não rompe com a nossa compreensão da internet tanto quanto esclarece, em termos eloquentemente diretos, como ela criou uma corrida brutal ao fundo do poço. Sabemos que o que publicamos e consumimos nos meios de comunicação social parece cada vez mais vazio, e mesmo assim somos impotentes para interromper isso. Talvez se tivéssemos uma linguagem melhor para o problema, seria mais fácil resolvê-lo. “Conteúdo gera conteúdo”, escreve Eichhorn. Tal como com o ovo do Instagram, a melhor maneira de obter mais capital de conteúdo é já tê-lo.

Em novembro de 2021, o Nubank comprou a fintech Olivia, que tinha uma inteligência artificial que ajudava os usuários a conhecer seus hábitos de consumo e a economizar. Agora, o neobanco avisou que o aplicativo e a marca Olivia serão encerrados no próximo dia 15 de julho.

O comunicado oficial ensina a exportar os dados da Olivia num arquivo *.csv. Do lado do Nubank, os dados dos usuários armazenados pela Olivia serão, em grande parte, excluídos — “apenas cerca de 5% dos dados de transações na base da Olivia devem ser anonimizados para estudos internos”.

Sem dar prazos, o Nubank diz que aos poucos o aprendizado obtido com a Olivia será integrado ao seu aplicativos. Via Nubank.

Relacionado: A boa e velha planilha eletrônica para o controle de gastos.

Em 2021, o WhatsApp passou a permitir a migração de contas, incluindo todo histórico de conversas, do iPhone para celulares Android — ainda que, até o momento, de forma bastante limitada, somente em celulares Samsung e Google.

Agora, passa a ser possível o caminho contrário, ou seja, migrar de um Android para o iPhone (veja como fazer). Via @zuck/Facebook (em inglês).

A Microsoft aposentou o Internet Explorer. A partir desta quarta (15), o IE 11, última versão do navegador, não tem mais suporte da empresa.

Ao longo dos próximos meses, usuários que ainda usam o IE serão redirecionados aos poucos para o Edge com o “IE Mode”, uma espécie de “Internet Explorer dentro do Edge” para aplicações legadas que dependem de algum recurso exclusivo do IE. No futuro, uma atualização do Windows desabilitará o IE e removerá ícones dele.

O IE foi pivô do grave processo antitruste que a Microsoft respondeu no final dos anos 1990, quando usou o domínio do Windows para tirar a Netscape do mercado e empurrar o IE aos seus usuários. No início dos anos 2000, o IE 6 era tão dominante que sua estagnação significou a estagnação da própria web. O Firefox começou a mudar esse cenário em 2004, mas foi só em 2008 que o nêmesis do IE surgiu: o Chrome, do Google. Via Microsoft (em inglês).

Post livre #321

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

João Gabriel Santos, da área de TI da startup de segurança Gabriel, criou o Layoffs Brasil, um site que cataloga e contabiliza as demissões em startups no Brasil. Para os RHs, há listas dos profissionais agora disponíveis — e pagando uma mensalidade, ganha-se acesso antecipado, listas tratadas e notificações para novas inclusões. Via Baguete.

A informação de que a Netflix lançará um plano gratuito no Brasil no início de 2023 foi desmentida pela empresa, assinala a coluna atualizada de Cristina Padiglione, que havia dado a notícia em primeira mão.

“Segundo a assessoria de comunicação da empresa, houve um ‘mal entendido’ por parte do vice-presidente de conteúdo da plataforma na América Latina, Francisco Ramos, o Paco, quando ele assegurou que todo o catálogo poderá ser oferecido com gratuidade”, diz Cristina.

Seria estranho, mas compreensível, se apenas um executivo tivesse dado essa bola fora, mas foram dois confirmando a mesma coisa, o que deixa no ar a hipótese de terem soltado a informação antes da hora. A conferir. Via Folha de S.Paulo.

Nós [Netflix] vamos lançar uma assinatura suportada por publicidade. Não sabemos ainda quando: pode ser entre o final deste ano e o começo do próximo

— Elisabetta Zenatti, vice-presidente de conteúdo da Netflix no Brasil.

Ainda de acordo com Elisabetta e Francisco “Paco” Ramos, vice-presidente de conteúdo para a América Latina, o plano gratuito com anúncios da Netflix dará acesso a todo o acervo da plataforma.

Atualização (15/6, às 7h30): A assessoria da Netflix desmentiu dois dos seus principais executivos e disse à Folha de S.Paulo que não há planos para a versão gratuita com anúncios.

Vai aumentar a base de usuários e o faturamento? Certamente. Vai ajudar a Netflix a voltar a crescer consistentemente, como esperam os acionistas? Tenho cá minhas dúvidas. Via Folha de S.Paulo.

A partir desta terça (14), a Proteção Total de Cookies do Firefox passa a vir ativada por padrão no mundo inteiro. O recurso, lançado de maneira limitada no Firefox 86, em fevereiro de 2021, confina cookies de terceiros ao domínio/site que o carregou, impedindo que esses dados sejam cruzados para rastrear o usuário em suas andanças pela web.

Com a Proteção Total de Cookies, diz a Mozilla, “as pessoas podem se beneficiar de mais privacidade e ter as ótimas experiências de navegação que elas esperam”. Via Mozilla (em inglês).

Alternativa chinesa ao GitHub passa a revisar códigos antes da publicação

por Shūmiàn 书面

O GitHub, da Microsoft, se destaca na China por ser um dos únicos sites estrangeiros com espaço para discussão de comunidade que não é barrado pela Grande Firewall. Já comentamos aqui como 10% dos usuários do GitHub são chineses (segundo dados de 2020) e ele acaba sendo um fórum para muito mais do que só discutir código — tem até dicas para sair do país.

Atentos a esse mercado, em 2013, foi criado o Gitee como uma alternativa local. O serviço vem ganhando espaço desde 2020, inclusive num contrato com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China.

Uma matéria de Zeyi Yang conta que no início de maio o Gitee estava fechado e que agora todos os códigos abertos precisariam ser revisados antes da publicação. Em uma nota, o Gitee sinalizou que “não teve escolha”, mas não deu explicação, o que chocou diversos programadores.

Segundo Zeyi, a teoria vigente é de que foi pressão de Pequim e ainda não se sabe quais impactos as novas políticas do Gitee vão causar na comunidade de código aberto, mas não há muito otimismo.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Em abril, a startup californiana Smartlabs, dona da marca de produtos de casa inteligente Insteon, declarou falência. Corta para junho: a Insteon está de volta, comprada por “um pequeno grupo de usuários apaixonados da Insteon”. Apaixonados e endinheirados.

O primeiro ato dos novos donos, segundo comunicado do novo CEO, o investidor Ken Fairbanks, foi religar a conexão dos HUBs da Insteon à internet. “A cada dia, mais clientes estavam perdendo as esperanças, então era crítico restaurar isso o mais rápido possível”, escreveu.

Ainda que uma cara, é uma solução para quando suas quinquilharias de casa inteligente deixarem de funcionar porque a empresa quebrou. O que garante que agora será diferente, porém? Via Insteon, The Register (ambos em inglês).