Claro, Vivo e TIM levaram os lotes nacionais da faixa de 3,5 GHz do 5G, considerada a mais suculenta do leilão que o governo federal faz nesta quinta (4). A faixa de 700 MHz ficou com o Winity II (ligada aos fundos Patria e Blackstone).

Nos lotes regionais de 3,5 GHz, houve disputa nas regiões Nordeste, que acabou com a Brisanet vencendo, e Sul, que ficou com o Consórcio 5G Sul (do qual fazem parte Copel e Sercomtel). A Cloud2U se tornou uma nova empresa de telefonia ao vencer o lote que abrange Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. A Algar levou o último lote regional, que compreende triângulo mineiro, e partes do Mato Grosso do Sul e Goiás.

O leilão segue, com previsão de terminar somente amanhã (5).. Ainda estão em disputa as faixas de 2,3 e 26 GHz. O governo federal espera arrecadar R$ 50 bilhões, sendo que 80% desse valor será utilizado pelas empresas nas obrigações estabelecidas. Mais detalhes e valores pagos nos links ao lado. Via Agência Brasil, Folha de S.Paulo, Teletime.

O impacto do “boom” de banda larga no Brasil profundo

Dezenas de cabos de fibra óptica, com as pontas iluminadas em azul, em um ambiente completamente escuro.

por Guilherme Felitti

No episódio do Tecnocracia sobre a quebra do sistema Telebrás, falei de como aquele leilão ofereceu uma rara porta para um mercado de difícil entrada. O que não expliquei a fundo é que o Ministério das Comunicações criou um mecanismo extra na quebra para estimular a competição nas áreas leiloadas. (Se só houvesse um vencedor por área, então trocava-se um monopólio federal por vários regionais.) Não tinha muito sentido, ainda que tenha sido isso que acabou acontecendo, como o episódio detalhou.

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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou o edital e marcou a data do leilão do 5G para dia 4 de novembro. O Ministério das Comunicações espera que todas as capitais tenham suas redes 5G instaladas até julho de 2022. Via O Globo.

O que foi a quebra do sistema Telebrás

Logo da Telebrás em um fundo azul.

por Guilherme Felitti

Em outubro de 1861, um sujeito conseguiu criar uma máquina que registrava a voz humana, convertia ela em impulsos elétricos e a repassava a outro terminal por meio de um fio de cobre. No outro terminal, os impulsos eram reconvertidos em voz para chegar aos ouvidos de alguém fisicamente distante do locutor. Era um protótipo de uma tecnologia que hoje chamamos de telefone. Qual é o nome deste sujeito?

Você, provavelmente, com uma ponta de orgulho, puxa da memória e crava o nome associado à invenção do telefone no seu cérebro. Mas é bem provável que você tenha errado. Esse sujeito era o cientista e inventor alemão Johann Philipp Reis.

De novo.

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A Anatel abriu uma consulta pública para definir os detalhes da atribuição de número exclusivo para serviços de telemarketing. Pela proposta, formulada em parceria com as operadoras de telefonia, chamadas do tipo partiriam de números iniciados com o código 0303. Segundo a agência, “o uso padronizado dessa numeração será uma ferramenta importante para o consumidor na identificação das chamadas de telemarketing”. As contribuições da sociedade serão aceitas até 29 de setembro. Via Anatel.

Print do novo formulário da Claro, com a opção “Não aceito” ao lado dos itens.
Imagem: Claro/Reprodução.

Após denúncia do Manual do Usuário, a Claro alterou o formulário em que pede permissão a seus clientes para coletar dados de uso de celulares e de geolocalização.

Anteriormente, não existia uma opção para negar a cessão dos dados. Clientes que não quisessem compartilhá-los precisavam tocar no link “Lembrar mais tarde” toda vez que acessavam a área. No novo layout, a opção “Não aceito” aparece ao lado de cada item, permitindo a negativa explícita à cessão dos dados à Claro.

A Azul pretende oferecer Wi-Fi gratuito a todos os passageiros. A iniciativa seria bancada por parceiros publicitários, que pagariam a conta em troca de “publicidade a bordo e por meio de todos os canais de contato com o passageiro”, segundo o site Aeroin, que ouviu a notícia no podcast oficial da Azul.

Com a internet cada vez mais próxima de se tornar ubíqua, será que teremos o autocontrole para nos desconectarmos vez ou outra, ou, ainda, se nos lembraremos de que essa possibilidade existe e que, às vezes, negar a internet pode fazer um bem danado? Via Aeroin.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, enviou um ofício às operadoras móveis que atuam no Brasil sugerindo que elas removam o ícone do 5G da tela do celular de quem já tem acesso ao 5G DSS, uma tecnologia que combina antenas 4G para aumentar a velocidade. Via TeleTime.

Acontece que, como o TeleTime explica aqui, o 5G DSS é 5G segundo os padrões internacionais de telecomunicações. Por que, então, o ícone 5G preocupa tanto o ministro? No ofício, ele mesmo explica:

Assim, a população brasileira é induzida a concluir, erroneamente, que: (i) a tecnologia 5G já foi implantada no Brasil; (ii) não resultou em melhoria significativa da qualidade dos serviços móveis; e (iii) é injustificado o empenho do Governo federal na realização da maior licitação de autorização de uso de radiofrequências da história do Brasil.

Um auxiliar da Presidência da República teria dito que o caminho da Huawei para participar da implementação do 5G no Brasil está liberado. Os custos para trocar os equipamentos em uso da chinesa, somado à derrota de Donald Trump nos Estados Unidos, teriam frustrado o discurso ideológico do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Via Estadão.

Na dúvida, a Huawei fez uma contratação de peso para fazer seu lobby em Brasília: o ex-presidente Michel Temer. A informação é do colunista d’O Globo Lauro Jardim.

TIM, Telefônica (Vivo) e Claro levaram a operação de telefonia móvel da Oi por R$ 16,5 bilhões. Os clientes da Oi serão divididos proporcionalmente entre as três vencedoras do leilão, de acordo com seus DDDs, e terão seus contratos respeitados. Via Folha.

A área técnica da Anatel finalizou a proposta com as regras para o leilão das frequências do 5G no Brasil sem qualquer restrição à participação da Huawei. Via Folha.

As operadoras de telefonia brasileiras estavam tranquilas com a guerra ideológica quixotesca do governo federal contra a participação da Huawei no 5G do Brasil. Cometeram o mesmo erro de muitos: o de acreditar que a loucura cessaria quando a conta ficasse cara. Mas aí não seria loucura, certo?

Acendeu-se o alerta nas operadoras após a famigerada reunião entre diretores da Anatel e membros do Ministério da Comunicação com o presidente Jair Bolsonaro, na última terça (24), aquela que antecedeu o disparate de Eduardo Bolsonaro no Twitter que gerou uma crise diplomática com a China. Agora, o governo prepara um decreto com base em normas recentes do Gabinete de Segurança Institucional que exclua a Huawei sem citá-la, um esquema manjado em fraudes de licitações.

Com a realidade batendo à porta, as operadoras se manifestaram publicamente em defesa da Huawei. E não sem justificativa: algumas estimativas calculam em US$ 200 bilhões o custo de trocar toda a infraestrutura da Huawei em uso no Brasil por equipamentos de outras empresas, sem falar que exclui-la do 5G encareceria e atrasaria ainda mais a chegada da tecnologia. E ninguém, com exceção da ala ideológica do governo federal, quer isso.

Dia desses, por coincidência, li uma bela definição de ideologia escrita por Judith Williamson no livro Decoding Advertisements, de 1978 (tradução livre):

Só é ideologia enquanto não a percebemos como tal. E como ela se torna “invisível”, o que a mantém oculta de nós? O fato de que estamos ativos nela, de que não a recebemos de cima: nós constantemente a recriamos. Ela opera através de nós, não em nós. Não somos enganados por alguém “enfiando” falsas ideias: a ideologia funciona de maneira mais sutil. Ela é baseada em falsas suposições.

Isso ajuda a entender o raciocínio do atual governo, aquele que se elegeu prometendo governar “sem ideologia”.

Os Estados Unidos, a quem o governo federal do Brasil tenta agradar com a oposição à China e outros movimentos de vassalagem, não mede esforços para prejudicar a Huawei sob a alegação — ainda não provada — de espionagem. Que os mesmos Estados Unidos espionavam a presidente do Brasil há menos de uma década, ninguém diz nada. Via Telesíntese (2).

A Anatel abriu uma consulta pública para a revisão do Regulamento Geral de Direitos do Consumidor de Serviços de Telecomunicações (RGC). O objetivo é atualizá-lo às práticas de consumo modernas, como o foco no digital. O conselheiro Emmanoel Campelo destacou a garantia do “downgrade do plano” na revisão, ou seja, facilitar a migração para ofertas com valores mais baixos, algo que algumas operadoras dificultam. Via Anatel.

É uma boa. Em março, a Justiça obrigou a Telefônica (Vivo) a oferecer o downgrade de plano por atendimento eletrônico (app ou site). Já está funcionando. Há pouco mais de um mês, consegui migrar meu plano para um mais simples. A ironia: liguei à central de atendimento e, lá, fui orientado pela atendente a fazer o downgrade pelo app Meu Vivo.

A propósito, uma dica para economizar com o plano de celular: vez ou outra, acesse o site da sua operadora e dê uma olhada nos planos que ela está oferecendo a novos clientes. Compare com o seu e, se houver diferença (mais vantagens e/ou menor custo), ligue no SAC e peça a troca. Fiz isso há algumas semanas e troquei por um mais simples e barato, que não existia quando contratei o meu agora antigo. Com isso, vou economizar ~R$ 180 por ano.

Gráfico em barras da evolução dos planos pré e pós de telefonia móvel no Brasil, de 2005 a 2020.
Gráfico: Guilherme Felitti/Twitter.

O processo de inversão no gráfico de planos pré-pagos e pós-pagos/controle de telefonia móvel no Brasil, que vem se desenhando desde meados de 2015, teve um soluço na pandemia. Em abril, talvez por estarmos usando menos o celular ou para segurar os gastos ante a crise que se avizinhava (ou os dois), o Brasil perdeu 500 mil contas no pós e 170 mil no pré. Em junho, os planos pós voltaram a crescer. Os pré seguem encolhendo. Gráfico do @gfelitti/Twitter com dados da Anatel.