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Google Fotos deixará de ter armazenamento ilimitado em 2021

Um dos grandes diferenciais do Google Fotos é o armazenamento ilimitado de fotos “de alta qualidade” (limitadas a 16 megapixels, mais que suficiente para fotos amadoras/feitas em celulares). Essa vantagem deixará de existir no dia 1º de junho de 2021. A partir dessa data, todas as novas fotos enviadas ao serviço serão descontadas do espaço na nuvem disponível ao usuário — por padrão, 15 GB na conta gratuita.

Qualquer serviço corre o risco de se tornar menos amigável ou mais caro ao usuário; com os gratuitos, o risco é maior. O Google revelou que armazena, hoje 4 trilhões (!) de fotos, e que a cada semana são acrescentadas 28 bilhões de fotos a seus servidores. É muita coisa e não é de graça. Via Google.

As Big Tech vão bem na pandemia, obrigado

Alphabet (Google), Amazon, Apple e Facebook divulgaram nesta quinta (29) seus balanços fiscais referentes ao terceiro trimestre fiscal (quarto, no caso da Apple) de 2020. Todas tiveram crescimento expressivo:

  • Alphabet faturou US$ 46,17 bilhões (aumento de 14% em relação ao ano anterior), com US$ 11,25 bilhões de lucro.
  • Amazon faturou US$ 96,15 bilhões (+37%), com US$ 6,3 bilhões de lucro.
  • Apple faturou US$ 64,7 bilhões (+1,1%), com US$ 12,7 bilhões de lucro.
  • Facebook faturou US$ 21,47 bilhões (+22%), com US$ 7,85 bilhões de lucro.

Consistência contra clareza nos novos ícones do Google

Duas fileiras de ícones do Google. Na de cima, os novos sob a inscrição "O que o Google vê'". Na de baixo, retângulos idênticos, com cores alteradas, com a inscrição "O que eu vejo".
Na linha de cima, “O que o Google vê”. Na de baixo, “O que eu vejo”. Imagem: r/google.

Os apps do Google Workspace (antigo G Suite, antigo-antigo Google Apps) ganharam novos ícones no início de outubro, todos eles com as mesmas quatro cores. Teve quem gostou do design devido à consistência, mas — e isso é só evidência anedótica, embora não só minha — sobram reclamações à dificuldade criada para distingui-los, algo que a brincadeira acima evidencia.

Segundo o Google, “a nossa nova marca do Google Workspace reflete essa experiência mais conectada, útil e flexível, e nossos ícones refletirão o mesmo”. Goste ou não, parece que esses ícones novos também serão usados nos apps dos usuários doméstico — o Gmail do iOS já o adotou. Via r/google.

Mozilla apoia ação antitruste contra o Google, desde que não atinja seu acordo financeiro com o Google

A Mozilla manifestou-se a respeito da ação antitruste contra o Google movida pelo Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos. Em linhas gerais, a Mozilla apoia a iniciativa, mas pede para que o acordo que mantém com o Google, que lhe paga ~US$ 400 milhões por ano (cerca de 90% do seu faturamento) para ser o buscador padrão do Firefox nos EUA, não seja afetado. (O acordo foi citado na ação do DoJ como um exemplo de prática anticompetitiva do Google.) Era questão de tempo para que discurso e prática na empresa Mozilla entrassem em rota de colisão. Agrava a situação o fato de que o caso antitruste não versa sobre navegadores web, mas sim buscadores e publicidade em buscadores. Via Mozilla, The Register (em inglês).

O contexto de redes sociais servindo como amplificadores para idiotas e gente doida não era a nossa intenção.

— Erich Schmidt, ex-CEO do Google

A declaração foi dada em uma conferência virtual do Wall Street Journal. Schmidt comandava o Google quando a empresa adquiriu o YouTube, em 2006. Na mesma fala, o ex-executivo disse que é preciso ter cuidado com a acusação de monopólio contra o Google, porque a empresa ainda não tem 100% do mercado (¿?). Via Bloomberg (em inglês, paywall).

Governo dos EUA abre contra o Google maior processo antitruste em 20 anos

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e 11 estados do país entraram com uma ação antitruste contra o Google nesta terça (20). Eles acusam a empresa de monopolizar os setores de buscadores e publicidade em buscadores, impedindo que outras empresas tenham chances de competir. É uma das maiores ofensivas da história norte-americana contra uma empresa do setor. O caso já é comparativo ao da Microsoft, nos anos 1990, e ao da AT&T, nos anos 1970. Entre outras coisas, a ação acusa o Google de ter se tornado o “porteiro” da internet mediante acordos vultuosos para se colocar como mecanismo de busca padrão em celulares, computadores e outros serviços, o que lhe confere +80% do mercado norte-americano. Via Folha e The Verge (em inglês).

Google Chat ficará gratuito e substituirá o Hangouts

Vem aí mais uma mudança nos apps de mensagens do Google. O Hangouts será substituído pelo Google Chat no primeiro semestre de 2021. Com isso, o Google Chat se tornará gratuito e acessível a usuários domésticos, que não estão no Google Workspace. Lembre-se que, em paralelo, o Google ainda oferece o Google Mensagens (para SMS/RCS), e que nenhum dos dois com criptografia de ponta a ponta. Via 9to5Google (em inglês).

Google tira Zoom como padrão no Gmail para privilegiar Google Meet

A partir de 16/11, o Google tornará o Google Meet, sua solução de videochamadas, a opção padrão para os usuários do Google Workspace (antigo G Suite). A mudança é “opt-out”, ou seja, se uma empresa quiser continuar usando outra solução como padrão nos novos agendamentos, terá que desmarcar um item nas configurações.

O Google Meet ainda come poeira do Zoom, líder no segmento — são 100 milhões de usuários contra 500 milhões do rival. É nesse tipo de comportamento, quando uma empresa usa o poder que tem em um segmento para alavancar seu produto menos popular de outro, que configura o abuso. Via Forbes (em inglês).

Contra as grandes: Como tirar das Big Tech o monopólio do futuro

Edição impressa da revista Zero, aberta na matéria Contra as grandes, contra um fundo em tecido azul.

Nota do editor: Alguns meses atrás, a Laura Castanho, que está se formando em Jornalismo pela USP, entrou em contato comigo para perguntar se eu topava escrever um artigo de opinião para a revista Zero, seu trabalho de conclusão de curso. Topei e, com a ajuda dela, o resultado é o que você lê abaixo. A revista impressa (na foto) ficou sensacional e pode ser comprada aqui. Não deixe de dar uma passada no site, no perfil no Instagram e de assinar a newsletter gratuita.


Quando uma startup dá certo — recebe investimento, cresce vertiginosamente, encontra um modelo de negócio rentável e abre capital —, é difícil preservar os traços dos seus primeiros dias. Um que costuma resistir, ainda que apenas por peso simbólico, autoengano ou como lembrete de uma época que ficou para trás, são os slogans e as missões da empresa.

Nas startups de tecnologia, a megalomania e o altruísmo se confundem em algumas das frases usadas pelas que deram certo de acordo com seus próprios critérios. “Não seja mau”, dizia o mantra do Google, cuja missão é organizar e tornar acessível toda a informação da Terra. O Facebook, nascido em um dormitório de faculdade a partir de um site para ranquear as alunas mais atraentes, com fotos obtidas do diretório acadêmico sem a permissão delas, em algum momento dos seus primeiros anos passou a ser uma ferramenta para “conectar o mundo”.

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O que um app de rastreamento de contatos para combater a COVID-19 precisa ter para não comprometer nossa privacidade

Ilustração de vários notebooks com coronavírus na tela; ao centro, um deles com um olho aberto no lugar do coronavírus.

por EFF

Por Andrew Crocker, Kurt Opsahl e Bennett Cyphers

Em todo o mundo, um eco diverso e crescente tem exigido o uso da tecnologia de proximidade dos celulares para combater a COVID-19. Especialistas em saúde pública e outros argumentam que os celulares poderiam oferecer uma solução a uma necessidade urgente de deteção rápida e generalizada de contatos, ou seja, monitorar pessoas com quem infectados têm contato na medida em que se deslocam por aí. Os proponentes desta abordagem apontam que muitas pessoas já têm celulares, que são frequentemente usados para rastrear a movimentação e as interacções dos usuários no mundo físico.

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Monopólios sempre emperraram a inovação — e não é diferente com as Big Tech

Mascote do jogo Banco Imobiliário à direita contra um fundo branco.

por Guilherme Felitti

Dois mil e dez foi um ano movimentado em tecnologia. A Apple lançou o iPhone 4 e o iPad, comprou a startup Siri (que viraria seu assistente pessoal) e Steve Jobs voltou a aparecer após meses longe dos olhares do mundo. A Microsoft foi atrás da AWS com o Azure e ainda tentava entrar na guerra dos smartphones com o Windows Phone 7. A Amazon já ensaiava atacar outras frentes, mas a venda de livros ainda era seu negócio principal — em 2010, pela primeira vez, os e-books venderam mais que as cópias físicas. A Intel comprou a McAfee, Yahoo, Nokia e HTC eram relevantes e surgiram as primeiras informações sobre o smartphone que o Facebook estava fabricando (três anos depois descobriu-se que era por uma parceria com a HTC). Só o fato de ter o iPhone 4 e o iPad já dariam importância ao ano: o primeiro lançou essa tendências de smartphones “embalados” em vidro, o segundo desengatilhou uma outra tendência — ainda viva, mas de menor fôlego, é verdade —, de tablets como substitutos de notebooks.

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Em 2019, a briga para manter os monopólios se tornou explícita

Mark Zuckerberg sentado em uma poltrona em uma sala com um quadro que diz "Os tolos esperam".

por Guilherme Felitti

Roger McNamee é um dos sujeitos mais impactantes do mercado de tecnologia de quem você nunca ouviu falar. No seu primeiro trabalho na área, no começo da década de 1980, ele liderou investimentos na Electronic Arts. Quando foi trabalhar em um dos fundos mais tradicionais do Vale do Silício, o Kleiner Perkins, McNamee se envolveu em investimentos feitos em um navegador chamado Netscape e em uma loja online chamada Amazon. Ambos os negócios se tornaram gigantescos, mas é sempre bom frisar que quem começou o frenesi financeiro da internet foi o Netscape, o primeiro navegador gráfico para usuário final da história.

O histórico de acertos do McNamee era tão sólido que ele fez o que qualquer um com naquela posição faz em sua área: para que trabalhar para os outros se eu posso colher os frutos todos para mim? Em 1999, ele fundou a Silver Lake Partners com outros sócios e passou a farejar o mercado atrás de negócios com potencial.

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Sem saberem, grandes empresas financiam desinformação e intolerância na internet: Uma conversa com Matt Rivitz, do Sleeping Giants

Ilustração de silhuetas de pessoas levantando bandeiras com logo e nome do Sleeping Giants.

Em novembro de 2016, após Donald Trump ser eleito presidente dos Estados Unidos, o redator publicitário Matt Rivitz abriu o site Breitbart News, ligado ao estrategista de campanha de Trump, Steve Bannon, e peça-chave na cobertura da campanha do republicano. Rivitz ficou horrorizado com o que classificou de conteúdo “incrivelmente intolerante, racista e sexista”. Também chamou a sua atenção a presença de anúncios de grandes marcas ao lado desses comentários. Primeiro, Rivitz questionou se as empresas sabiam que suas marcas estavam sendo veiculadas ao lado de conteúdos reprováveis. E, se ao saberem, tomariam alguma atitude. Decidiu, então, expôr o problema.

Nascia ali o Sleeping Giants, uma conta no Twitter inicialmente anônima que Rivitz criou para conscientizar o mercado dos resultados potencialmente danosos à imagem das empresas que a publicidade programática pode gerar. Esse modelo, liderado pelo Google e praticamente padrão na indústria, automatiza a compra de espaços para a veiculação de anúncios. A empresa X que queira anunciar seu produto nos locais e para as pessoas mais propensas a adquiri-lo paga ao Google, não aos sites e apps anunciantes, e o Google faz o trabalho de combinar as peças aos sites, palavras-chaves no buscador e outras propriedades digitais usando todos os dados que coleta rotineiramente dos seus bilhões de usuários. Obviamente, nem todos os sites são iguais e é nessa que marcas renomadas acabam anunciadas em locais que emanam ódio, racismo, misoginia e toda a sorte de conteúdo errático.

O Sleeping Giants detecta e expõe essas situações. É um trabalho que vem dando resultado: de acordo com a Moat Pro, empresa especializada em inteligência em publicidade, entre o início do perfil e junho de 2018, o número de marcas anunciantes no Breitbart News caiu 80,3% (de 3.300 para 649) e o de peças únicas, 83,5% (de 11.500 para 1.902). Apesar do foco inicial nesse site, hoje o Sleeping Giants mira outros veículos intolerantes e, em alguns casos, indivíduos que desfrutam de posições privilegiadas a despeito de condutas e declarações reprováveis.

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O bloqueio do Mega e o futuro do DNS

Ilustração do site e app do Mega em um notebook e celular.

O site de armazenamento de arquivos Mega (mega.nz) está inacessível para clientes das operadoras Claro, Vivo, Oi e Algar Telecom por força de uma tutela de urgência deferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. (Curiosamente, a TIM não é citada.) Não é possível saber detalhes do processo, como quem pediu o bloqueio, porque ele corre em sigilo.

A decisão foi publicada no último dia 12 de setembro, mas ganhou destaque após o braço brasileiro do Partido Pirata comentá-la no Twitter na última sexta-feira (27). Desde então, clientes das operadoras afetadas têm manifestado nas redes sociais a impossibilidade de acessarem o serviço.

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