Mão segurando o Chromecast de terceira geração do Google.

Chromecast de 3ª geração: objeto de transição


5/2/19 às 7h23

O Google lança nesta terça (5), no Brasil, a terceira geração do Chromecast, acessório que conecta TVs à internet transformando-as em “smart”. O dispositivo já está à venda nas principais lojas do varejo brasileiro pelo preço sugerido de R$ 349. O Manual do Usuário deu uma olhada nele e conta a você o que mudou.

As três gerações de Chromecast lançadas até aqui são visualmente bem diferentes. Saímos do estilo “pen drive” da primeira para um disco pendurado por cabo na segunda. A terceira, lançada no exterior em outubro de 2018 e que agora chega ao Brasil, repete o design da imediatamente anterior, só que com o “G” do Google gravado no disco em vez do ícone do Chrome da geração passada.

Chromecast ao lado de uma caneta BIC.
Comparativo de tamanho: Chromecast ao lado de uma arma de alta periculosidade.

A similaridade visual se repete nas funcionalidades. A maior diferença prática do novo Chromecast é que ele ficou 15% mais rápido e esse ganho permite que o dispositivo exiba vídeos com resolução Full HD a 60 quadros por segundo. Ao abrir um do tipo, você talvez observe imagens mais fluídas e artificiais. Deve fazer diferença a quem assiste a muito gameplay de jogos pelo YouTube. Para os demais, não muito — afinal, filmes ainda são gravados a 24 quadros por segundo.

O novo modelo é compatível com o padrão Wi-Fi 802.11ac, que pode melhorar a qualidade de transmissão caso você tenha um roteador compatível com esse protocolo. Mesmo que sim, o impacto na experiência deve ser ainda menor que o dos vídeos a 60 quadros por segundo.

Tudo isso significa que se você já tem qualquer Chromecast antigo, não precisa trocar pelo novo.

(Atenção: este Chromecast não é capaz de exibir imagens em 4K ou UltraHD! Apenas o Chromecast Ultra, lançado nos Estados Unidos no final de 2016 e que não chegou ao Brasil, consegue fazer isso.)

Detalhe do Chromecast plugado à TV.
No meu caso, é preciso conectar o Chromecast à TV por um cabo USB (que vem na caixa).

A concorrência do pequeno acessório do Google cresceu muito desde que ele chegou ao país, em 2014, tendo nas próprias TVs talvez seu maior risco existencial. Se há cinco anos ainda era relativamente fácil encontrar TVs modernas sem funcionalidade “smart” (leia-se apps de serviços de streaming), hoje, não.

Vejo o Chromecast como um objeto de transição, que deve ser varrido do mapa em alguns anos sufocado pelas próprias TVs na medida em que o consumidor troca as antigas por modelos “smart”, a maioria esmagadora que é produzida hoje. As fabricantes estão investindo em software; já é difícil encontrar hoje um aparelho que não saia de fábrica munido de apps dos serviços de streaming mais populares. Nos Estados Unidos, o diretor de tecnologia da Vizio, Bill Baxter, afirmou em entrevista que sua empresa vende TVs a preço de custo porque consegue lucrar com a coleta e análise de dados dos consumidores, de parcerias com provedores, da venda direta de conteúdo… o que ele chama de “geração de receita pós-venda”. Quando os interesses da indústria, das plataformas de streaming e do consumidor se alinham, não sobra espaço para coisas como o Chromecast.

O único caso de uso que poderia representar uma brecha ao acessório do Google é a privacidade — convenhamos, a declarações do cara da Vizio é assustadora. Mas o Google não é exatamente uma referência nessa área. O Google Home, por exemplo. O aplicativo é necessário para configurar o Chromecast e, por algum motivo que me escapa, durante o processo ele exige acesso aos dados de localização do celular sob pena de não finalizar a configuração. A mensagem diz: “O acesso ao local é necessário para detectar sinais Wi-Fi próximos e determinar sua localização durante o processo de configuração”. Necessário a quem?

Ignorado esse transtorno, há pouco a se reclamar do novo Chromecast. No meu caso, o acessório do Google é muito mais rápido que o seu principal rival, o sistema “smart” da minha TV, tanto para ligar quanto para iniciar vídeos e navegar por eles. A oferta de apps é boa e o Chromecast faz mais do que apenas mostrar vídeos, tendo alguns jogos compatíveis e espelhamento de tela através do Chrome. A única ausência notável é a do Amazon Prime Video — que, justiça seja feita, a minha TV velha de guerra tem.

TV exibindo a imagem padrão ao ligar o Chromecast.
A interface do Chromecast. Você pode personalizar as imagens com o app Google Home.

Os R$ 349 que o Google pede pelo novo Chromecast são um pouco salgados, mas considerando as circunstâncias e as alternativas, pode valer a pena para dar sobrevida a TVs que, com a força cada vez maior do streaming, estariam fadadas ao esquecimento de outra forma. Mesmo economizando muito em uma TV nova, ela custaria no mínimo o dobro do acessório. Só é preciso combinar com a Amazon: por R$ 60 a menos, dá para comprar um Fire TV Stick, que faz o básico (acessar vídeos por streaming na TV) e vem com um controle remoto físico, porém sem um app do YouTube. Lacunas, essa e a do Prime Video no Chromecast, da guerra corporativa entre Amazon e Google.

A unidade do Chromecast de terceira geração testada para esta breve análise foi fornecida gratuitamente pelo Google Brasil ao Manual do Usuário.

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11 comentários

  1. Rapaiz. Comprei um Chromecast de natal pro meu pai e ELE ME DEVOLVEU pois tinha recém adquirido um dessas box piratex que disponibilizam canais de TV a Cabo. Fiquei de cara com o negócio.

    Parece que tem duas que dominam o mercado: btv e htv. Normalmente a UI dessas coisas é cheia de bugs e travada, mas não nesse caso. Controle super intuitivo, UI bem desenhada. E além dos canais tinha uma espécie de Popcorn Time com séries e filmes.

    Acho que vira uma boa pauta em Ghedin

    1. O problema é que esse equipamento que seu pai comprou, recebe esse conteúdo de tv que você mencionou de forma “pirata” é um gato muito bem feito, mas se não é problema…ok

      1. Ah sim, deveria ter mencionado no comentário que sou totalmente contra tal prática (apesar de gastar R$ 240 de TV a Cabo e assistir menos de 2h/semana).

        Mas o aparelho está vendendo que nem água em camelódromos e vindos do Paraguai? Mais um motivo pra virar uma pauta aqui.

  2. Quando ele passar a espelhar o VLC eu compro na hora. Acho um saco ficar conectando meu notebook na tv para assistir os MKVs que baixei…

  3. Tenho o chromecast 2, acho realmente muito bom mas recentemente assinei o prime video e vi essa limitação. É muito podre essa briguinha de amazon e google, e nesse caso me parece que o problema é da Amazon, certo? Afinal, o app é deles, e o suporte ao chromcast é aberto. Assim penso…
    Também tenho o google home aqui. Dois pra ser mais preciso, um mini na cozinha e o normal no quarto. A integração deles com o chromecast é ótima. Controlar a TV por voz é maravilhoso, pq não tem aquela de “aonde está o controle?”. A integração com o netflix também funciona muito bem, basta mandar tocar alguma coisa do catálogo que logo começa na TV.

  4. Em casa tenho um, mas confesso que só uso ele para o HBO go, que não tem app na smart TV. De resto, rodo tudo por lá.

    Já no trabalho temos nas TVs de salas de reunião, é extremamente versátil pra projetar telas dos computadores, sem a dor de cabeça de achar cabo que seja compatível com cada computador, se é PC ou Mac, etc.

  5. Vcs podem testar se este novo chromecast funciona com redes que necessitam de login, como as redes de hotel por exemplo?

    1. Testei no meu trabalho, que pede autenticação via AD pra entrar na rede, e não deu certo. Nesse caso, pegamos o endereço MAC dele e fizemos um filtro.

      Mas entendo sua pergunta, sempre levo o meu pra colocar em TV de hotel, nessas horas não dá certo mesmo.

  6. Eu tenho uma TV de 32′ na sala que é bem antiga – uma das últimas com painel FullHD das 32′, hoje nesse tamanho só 720p – e pretendo trocar porque ela gasta insanos 140W – mas o Chromecast nunca me atraiu exatamente pela necessidade de usar o telefone pra tudo.

    Até pouco tempo atrás que usava uma Apple TV de 3 geração, mas com a mudança ela foi pro quarto da minha mãe e a sala ficou sem nenhuma conectividade (a não ser o Xbox One, mas esse gasta mais uns 100W). O da Amazon me agrada mais pelo controle e pelo fato de que eu jamais vejo Youtube na TV da sala.

    Ainda acho que esses aparelhos vão pro espaço até o final desse ano e só fazem sentido em ocasiões muito específicas e para pessoas que são apegadas a algum eletroeletrônico.