Ajude-me a vencer o processo contra a Folha de S.Paulo!

Google resiste a informar “rótulos nutricionais” de seus apps para iOS

Os principais aplicativos do Google para iOS não são atualizados desde 7 de dezembro de 2020. Coincidência ou não, desde 8 de dezembro todos os novos apps e atualizações dos existentes submetidos à App Store precisam trazer o “rótulo nutricional” de dados que coletam. No início de janeiro, um porta-voz do Google garantiu ao TechCrunch que os apps da empresa seriam atualizados “nos próximos dias.” Duas semanas se passaram e… nada. Todos esperam que a lista de dados coletados dos apps do Google rivalize com a dos apps do Facebook, que escandalizou muita gente. Via MacMagazine.

Google e Apple banem app do Parler das suas lojas; Amazon poderá banir o site da AWS

Google e Apple removeram o aplicativo do Parler, uma rede social alternativa adotada por trumpistas, das suas respectivas lojas de apps. Ambas as empresas alegam que o Parler viola os termos de uso ao não coibir conteúdo ilegal e de incitação à violência. Via Axios e MacRumors (em inglês).

A Amazon, onde o Parler está hospedado, deu um ultimato à empresa. Se não adequarem seus termos de uso até a meia noite deste domingo, o site será banido da Amazon Web Services (AWS). John Matze, CEO do Parler, já admite que o site poderá ficar inacessível por vários dias até ser restaurado em outra hospedagem. Via Buzzfeed (em inglês).

Do nosso arquivo, de 2015, um passeio pelo Gab, outra rede social alternativa adotada por extremistas. O Gab nunca emplacou fora dos círculos próximo a Trump. Hoje, funciona como uma instância do Mastodon, mas quem acessa o Mastodon em outras instâncias bem administradas não corre o risco de topar com seu conteúdo — a maioria das instâncias e até mesmo apps do Mastodon bloqueiam a do Gab.

[Extra] As big techs não são amigas do jornalismo

por Guilherme Felitti

Todo fim de ano, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Farol Jornalismo, startup de conteúdo do Rio Grande do Sul, convidam um grupo de pessoas que analisarão os desafios que o jornalismo enfrentará no ano que começa.

Em 2020, eu fui um dos convidados para escrever sobre o impacto dos monopólios digitais no jornalismo. O texto conversa tão bem com o Tecnocracia que resolvi gravá-lo como uma espécie de episódio extra.

Ele faz parte de um especial chamado O Jornalismo no Brasil. Em 2021 que fala ainda sobre saúde mental, jornalismo científico, a tensão entre transparência e privacidade e a relevância do jornalismo negro e periférico. Te aconselho a reservar um tempo para ler.

O título do texto narrado é As big techs não são amigas do jornalismo. Se preferir lê-lo, siga o link ao lado.

5,05% dos brasileiros baixaram o app que avisa quem teve contato com infectados pelo coronavírus

No início da pandemia, Apple e Google se uniram para criar um sistema de rastreamento de contatos (depois, rebatizado para notificação de exposição) em celulares a fim de ajudar a identificar e isolar pessoas que tiveram contato com infectados pelo SARS-CoV-2, o novo coronavírus. Apesar do esforço, quase um ano depois a sensação geral, aqui e lá fora, é de que a solução “prometeu muito e não entregou” (em inglês).

Parte dessa promessa não cumprida tem a ver com a baixa adesão dos usuários. Estudos apontam que, para ser eficaz no controle da pandemia, pelo menos 60% dos habitantes de um país precisam baixar e usar o app oficial compatível com o sistema da Apple/Google, mas que mesmo adesões mais modestas, na casa dos 20%, ainda têm impacto positivo na luta contra a COVID-19. O problema é que nem mesmo essas porcentagens menores foram alcançadas na maior parte do mundo.

No final de dezembro, pedi ao Ministério da Saúde os números da notificação de exposição no Brasil. (Por aqui, cabe sempre lembrar, o recurso está embutido no app Coronavírus SUS.) Segundo a pasta, até 21 de dezembro o app teve 1,99 milhões de downloads no iOS e 8,7 milhões de downloads no Android, ou seja, 10,69 milhões de downloads (que não é o mesmo que usuários ativos), ou 5,05% da população brasileira.

Questionei, ainda, se havia números relacionados à notificação de exposição no país, como o de alertas emitidos. Em resposta, o Ministério da Saúde informou que “as notificações de exposição aos usuários são realizadas uma vez ao dia”, e que “para manter os usuários seguros, a apreciação do quantitativo de notificações ainda não estão sendo divulgadas.”

Esta é uma daquelas situações que explicitam as limitações da tecnologia ao lidar com problemas complexos de ordem social, neste caso potencializadas pela divulgação tímida do app, talvez fruto do descaso do governo federal no enfrentamento da pandemia. Para piorar, a notificação de exposição tem um impacto severo na autonomia dos celulares — no meu, um iPhone 8 com três anos de uso, ele devora ~17% da bateria.

Uma análise estruturada dos “rótulos nutricionais” da App Store

Alguém com mais capacidade fez uma análise ampla dos “rótulos nutricionais” dos apps mais populares da App Store. (Estou fascinado por este assunto.) Hugo Tunius usou um pouco de magia (leia-se: engenharia reversa) na API da App Store e conseguiu extrair dados estruturados das listas de apps mais populares, pagos e gratuitos, da versão britânica da loja.

Seus achados (em inglês) confirmam algumas suspeitas, como a de que apps gratuitos coletam mais dados pessoais que os pagos, mas não deixam de ser interessantes. Chama a atenção, por exemplo, que os apps do Facebook são os que mais coletam dados: as 12 primeiras posições são ocupadas por eles, todos coletando 128 (!) tipos de dados de 160 possíveis. O LinkedIn, da Microsoft, está em 13º, com 91 tipos de dados coletados. Só faltaram dados de jogos, área que Tunius ignorou na análise — talvez a única com potencial para superar o Facebook nesse aspecto.

Em tempo: o Google, que parou de atualizar seus apps para iOS no dia 7 de dezembro, coincidentemente véspera da obrigatoriedade dos rótulos nutricionais, prometeu que os atualizará esta semana. Via TechCrunch (em inglês).

Funcionários do Google criam sindicato nos Estados Unidos

Pouco mais de 200 funcionários da Alphabet, a holding do Google, anunciaram nesta segunda (4) a criação de um sindicato. Batizado de Alphabet Workers Union, o objetivo do sindicato é um pouco diferente daqueles clássicos: este pretende estruturar e dar base para o ativismo crescente dentro do Google, já visível em casos como a paralisação de 20 mil funcionários contra denúncias de assédio sexual dentro da empresa em 2018 e a manifestação pública após a controversa demissão da cientista de dados Timnit Gebru, em dezembro. O sindicato dos funcionários do Google pode se tornar paradigmático em um ambiente (Vale do Silício) e setor (tecnologia) sempre avesso à sindicalização. Tomara que a moda pegue. Via New York Times (em inglês), tradução na Folha.

Google tem acesso às conversas dos usuários no WhatsApp?

Na ação antitruste dos dez estados contra o Google, um trecho faz referência ao WhatsApp. Lê-se nele: “O Google também violou a privacidade dos usuários de outras maneiras flagrantes quando era conveniente ao Google. Por exemplo, logo após o Facebook adquirir o WhatsApp, em 2015, o Facebook assinou um acordo exclusivo com o Google, garantindo ao Google acesso a milhões de mensagens de WhatsApp criptografadas, fotos, vídeos e áudios de norte-americanos.”

O parágrafo contém várias partes omitidas, o que dificulta entender os detalhes. Uma hipótese é que esse acordo se refira ao backup de mensagens do WhatsApp em celulares Android, feito no Google Drive e que, ao contrário das mensagens que ficam nos aparelhos, não é criptografado de ponta a ponta. (O mesmo problema ocorre no iOS/iCloud.) Se o Google realmente estiver bisbilhotando backups do WhatsApp para extrair informações de consumo dos usuários Android, temos um grande escândalo aqui.

A ação pode ser lida neste link (em inglês).

10 estados norte-americanos acusam o Google de monopólio no mercado de anúncios online

O Google enfrenta mais uma ação antitruste nos Estados Unidos, desta vez apresentada por procuradores-gerais de dez estados. Além da acusação óbvia, de que a empresa controla todas as etapas do mercado e abusa desse poder para conseguir condições vantajosas, chama a atenção o conluio com o Facebook, apresentado via documentos internos das duas empresas. Juntas, Alphabet/Google e Facebook dominam o mercado de publicidade online nos EUA (54%). Via New York Times (em inglês).

As empresas que nos colocaram nessa enrascada não nos tirarão dela

Telão de uma das audiências no Congresso com CEOs da Big Tech. Na tela, Zuckerberg, Bezos, Pichai e Cook.

por Guilherme Felitti

Criar um serviço online onde as pessoas interagem, como uma rede social, não é fácil. Ao oferecer ferramentas para que seres humanos publiquem qualquer coisa com o intuito de interagir na internet, você é confrontado(a) com algumas questões sérias que quase nunca têm respostas fáceis ou óbvias.

(mais…)

Os termos mais buscados no Google em 2020

Listas de mais buscados, o que é e personalidades do Google.
Imagem: Google/Reprodução.

No último Guia Prático, comentamos — eu e Jacque — que a retrospectiva do ano no Google traria muitos termos relacionados à pandemia. Estava fácil, essa: a busca do ano foi “Coronavírus”, seguida por “Auxílio emergencial”, e no ranking das dúvidas (perguntas do tipo “O que é?”), o pódio inteiro foi do coronavírus — lockdown, quarentena e pandemia. Veja todas as listas aqui.

Google lança serviço de assinaturas de apps e jogos para Android no Brasil por R$ 9,90/mês

O Google lançou no Brasil, nesta segunda (7), o Play Pass, um serviço de assinatura de apps e jogos para Android. Custa R$ 9,90 por mês ou R$ 89,99 por ano, e dá acesso a +650 apps e jogos — sem anúncios nem compras in-app. Essa assinatura pode ser compartilhada com até cinco pessoas do grupo familiar.

O Play Pass é parecido com o Apple Arcade, mas inclui apps e os jogos não são exclusivos. Aliás, há títulos muito renomados no catálogo, como Monument Valley, Terraria e Stardew Valley, e o Google inclui novos jogos e apps todo mês. Via Google.

Google demite cientista de dados por artigo crítico à empresa

O Google demitiu Timnit Gebru, cientista de dados com um amplo trabalho na crítica a vieses discriminatórios em sistemas de inteligência artificial. A demissão ocorreu por um artigo, que ela assinou com outros cinco pesquisadores, a respeito das limitações e impactos dos modelos de linguagem de inteligência. O MIT Technology Review deu uma olhada no artigo; especialistas acreditam que o artigo traz verdades inconvenientes relacionadas à atuação do Google. Um abaixo-assinado em apoio a Timnit já conta com +1,6 mil assinaturas de funcionários do Google e +2,5 mil de acadêmicos e profissionais. Via Estadão, @timnitGebru/Twitter (em inglês).

Mais um exemplo de que o termo “algoritmo”, às vezes, também pode ser traduzido como “decisões baseadas nos vieses de quem tem poder decisório nas empresas.”

Extensões do Chrome serão proibidas de transferir ou usar dados dos usuários para fins controversos

A partir de 18 de janeiro de 2021, as extensões do Chrome exibirão, na Chrome Web Store, detalhes de quais tipos de dados elas coletam “em linguagem clara e fácil de entender”, parecido com o que já rola nas lojas de apps para celulares. Outra mudança importante é que passa a ser proibido usar ou transferir dados dos usuários para personalizar anúncios, fazer análise de crédito e repassá-los a qualquer espécie de data broker.

São medidas tardias, mas bem-vindas. O histórico de navegação web contém dados muito sensíveis; é possível inferir muita coisa apenas com base nele. Além do impacto no desempenho do navegador, a instalação de extensões abre brechas à privacidade — um alerta que fiz no último Guia Prático.

Note que é bastante difícil ao Google aplicar as novas diretrizes que impedem os donos de extensões de transferirem ou usarem dados do usuário para fins proibidos. Na dúvida, a recomendação é instalar o mínimo possível de extensões. Via Chromium Blog/Google (em inglês).

Google não exigirá mais AMP para destacar resultados na busca

Pressão funciona? Sem alarde, o Google anunciou recentemente que a partir de maio de 2021 deixará de privilegiar a páginas AMP nos resultados da busca. “Toda página que estiver de acordo com as Políticas de conteúdo do Google Notícias será qualificada, e priorizaremos páginas com ótima experiência, implementadas usando AMP ou qualquer outra tecnologia da Web, conforme classificamos os resultados”, diz o anúncio.

AMP, ou Accelerated Mobile Pages, é um padrão criado pelo Google que limita os tipos de código que um site pode usar na construção de páginas e passa todas elas pelo cache do Google, o que gera acessos quase instantâneos. (Se estiver com tempo, leia este ensaio maravilhoso para entender o problema.) Até agora, apenas páginas AMP apareciam naqueles carrosséis de notícias nos resultados do Google, uma medida controversa e que tem cheiro, aparência e gosto de anticompetitiva. Via Google.

YouTube colocará anúncios mesmo em vídeos de canais que não querem veiculá-los

Somente canais de parceiros do YouTube, canais com uma quantidade mínima de inscritos e horas visualizadas e que sinalizam interesse no programa, veiculavam anúncios na plataforma de vídeos do YouTube. Isso mudou. Uma atualização dos termos de serviço publicada nesta quarta (18) informa que, aos poucos, o YouTube passará a inserir anúncios mesmo em canais que não são monetizados — e sem dividir a receita gerada por eles com seus proprietários.

O YouTube diz que esta medida “é parte dos nossos investimentos contínuos em novas soluções que ajudem os anunciantes a alcançar, com responsabilidade, a escala total do YouTube para se conectarem com suas audiências e aumentarem seus negócios”.

Uma semana depois de anunciar o fim da gratuidade do Google Fotos, o Google faz outro movimento similar no YouTube. Via Social Media Today, YouTube (em inglês).