Google+ (2011–2019)
Nesta terça-feira (2), o Google+, a malfadada rede social do Google, dá adeus à internet. Ela ficou no ar por mais de sete anos, um dado que, isoladamente, pode dar a entender que foi um sucesso. Só que não, porque o Google+, lançado em 28 de junho de 2011 como um lençol que cobriria todos os serviços e produtos do Google a fim de combater o Facebook e extrair, antes do rival, ainda mais dados das pessoas, na maior parte da sua existência foi a incômoda prova material do maior fiasco da história de uma empresa que, sim, erra muito, mas quase sempre em iniciativas baratas e discretas — o oposto completo do que foi o Google+.
O Google+ foi a quarta e mais ambiciosa tentativa do Google de dominar as relações pessoais na internet, sucedendo Orkut, Friend Connect e Buzz. A motivação da investida, como provaram os anos seguintes, era acertada — hoje, o Facebook é a única empresa com quem o Google divide uma fatia generosa do multibilionário bolo da publicidade digital. O brilhantismo da direção do Google, porém, ficou só na análise das ameaças externas. Todo o restante da história do Google+ foi um desastre proporcional ao tamanho das expectativas depositadas no projeto.
A primeira versão do Google+, restrita por convites, trazia diversos recursos já convencionados pelo rival azul, só que com a roupagem “clean” do Google. O único verdadeiro diferencial eram os círculos, uma maneira visual de organizar contatos a fim de que o usuário pudesse compartilhar conteúdos específicos para cada grupo a que ele pertencia — amigos, familiares, colegas de trabalho etc. O Facebook não demorou para copiar e melhorar a ideia, com a geração de grupos automáticos a partir do confronto dos dados do usuário com os dos seus contatos. Foi uma reação instintiva e temporal, mas que acabou revelando-se desnecessária. Passada a euforia inicial, os círculos foram rapidamente esquecidos junto com o próprio Google+.

Em 2011, o Google já era um colosso da internet, então não demorou muito para que o número de usuários da sua rede social, por menos inspirada que ela fosse, chegasse às dezenas de milhões. No mesmo ano de seu lançamento, já contava com 90 milhões acessando-a pelo menos uma vez por mês. Não era o bastante. O plano para acelerar o crescimento consistia na inclusão de elementos da rede social em todas as propriedades do Google, forçando a adoção dela mesmo por aqueles que não estavam interessados em participar de outra rede social.
A agressividade com que o Google+ contaminou as propriedades do Google não passou batida pelos usuários. Do cadastro da Conta Google que passou a criar automaticamente um perfil no Google+, à desastrosa conexão com o YouTube que tentou impor uma política de nomes verdadeiros vinculados a perfis do Google+ no site de vídeos, passando pelo fim do Google Reader e o inócuo botão “+1”, que o Google dissimuladamente jamais confirmou nem negou ter impacto no ranking de páginas do buscador, é difícil lembrar de algo que tenha agradado à base de usuários.
Não demorou para que a fragilidade desta estratégia de crescimento ficasse escancarada, tanto empiricamente — como definiu o New York Times em 2014, o Google+ parecia “uma cidade fantasma” —, quanto objetivamente — já em janeiro de 2012, a comScore revelou que os usuários do Google+ passaram apenas 3,3 minutos interagindo no site, enquanto o tempo gasto no Facebook fora de 7,5 horas.
Em novembro de 2018, um ex-funcionário do Google confirmou o que muitos suspeitavam: que os times de produtos da empresa eram agraciados com adicionais que chegavam a triplicar o bônus anual se integrassem recursos do Google+. “Uma tonelada de dinheiro para arruinar o produto que você estava criando com lixo pesado que ninguém queria. Ninguém gostava disso”, relembrou Morgan Knutson, que na época trabalhava no Chrome. “Mas as pessoas engoliam esse ki-suco mesmo assim, em grande parte porque ele era verde e feito de papel [dinheiro]”.
A derrocada do Google+ começou em abril de 2014, quando Vic Gundotra, o executivo responsável e maior entusiasta da rede social, deixou o Google. A lacuna na liderança gerou um esvaziamento do status da rede social na empresa grande o bastante para ser notado mesmo do lado de fora.
Um ano mais tarde, o Google+ passou por uma reformulação visual que destacou as comunidades. À maioria, funcionou como um lembrete de que a rede ainda existia.
Em outubro de 2018, o Google informou que encerraria o Google+ em agosto do ano seguinte devido ao baixo engajamento — 90% das visitas duravam menos de cinco segundos. Enterrado no anúncio, também confessou uma falha grave em uma API que expôs dados pessoais de dezenas de milhões de usuários e que foi mantida em sigilo pela empresa por mais de um ano. Horas antes, porém, o Wall Street Journal já havia antecipado a notícia — com o devido destaque. Em dezembro, outra falha em API encurtou a sobrevida do Google+. A nova data, 2 de abril de 2019.
O Google+ não deixará saudades a ninguém. A rede social foi um dos maiores símbolos da opulência e arrogância das grandes empresas de tecnologia e talvez a investida mais mal disfarçada de captura dados de usuários pelo lucro em uma roupagem de “conectar as pessoas”, “unir o mundo”, aqueles mantras cansativos e cada vez mais descolados da realidade comuns no Vale do Silício. Para o Google, foi uma distração cara, mas que não o tirou do caminho para se tornar umas das empresas mais valiosas do mundo e das mais vorazes na coleta de dados pessoais para fins de segmentação de anúncios. Seria legal poder dizer que a derrocada do Google+ representou uma vitória contra esse modelo de capitalismo de vigilância. Infelizmente, o fim do Google+ não teve nada a ver com isso.
O google+ vai me deixar saudades sim.
Votos: 0Lá tinha as melhores comunidades de smartphones. No facebook tem várias, mas são todas poluídas.
Lá tbm tem as melhores comunidades de ícones, wallpapers, personalização de android e fotografia. Tudo sem a poluição do facebook e sem o haterismo do Reddit.
Saudades, Orkut!
Votos: 0já vai tarde
Votos: 0aguardo ansiosamente pelo fim do facebook tb
Nunca me acostumei com a interface e olha que desde de 98 navego por cada coisa mal desenhada…
Votos: 0Deixando de lado as imposições do Google e a questão da privacidade, foi, de longe, a melhor rede social já criada.
Votos: 0Era mais que isso: um lugar para adquirir e receber conhecimento.
O espaço mais bem frequentado da internet.
Difícil não existir uma comunidade para algum assunto, principalmente sobre tecnologia.
Sempre recorria ao G+ pra me inteirae sobre diversos assuntos. Foi lá que surgiu a comunidade DuDroid, que se converteu no canal Dudu Rocha só YT, um dos melhores para reviews.
Fará falta…
**adquirir e compartilhar conhecimento
Votos: 0Queria que todas as redes sociais copiassem os círculos na cara dura! Uma das melhores coisas do G+.
Confesso que gostava de entrar lá de vez em quando, mesmo só vendo posts meio antigos. Quem sabe o Google não investe em outra rede social no futuro. Como o Inbox: começa pequeno, vai crescendo aos poucos, só no boca a boca. Sei lá…Mas duvido que o Google deixaria viver por muito tempo. Se não faz sucesso em algum tempo eles já matam, então…
Votos: 0Mas lhe faço uma pergunta: há espaço para outra rede social?
Votos: 0Realmente… Não sei se tem espaço pra mais uma.
Votos: 0“Como o Inbox”, que fechou as portas também, para meu desespero! :(
Votos: 0Pois é :(
Votos: 0Excelente, parabéns pelo artigo. Acompanhei essa linha do tempo desde o início como entusiasta, em parte porque me faltava um componente crítico em relação ao Google no que diz respeito às questões de privacidade.
Vale citar que as comunidades do G+ se tornaram importantes canais para desenvolvedores de aplicativos. Diversos apps pra Android por ex mantinham comunidades para acompanhamento do desenvolvimento, sugestões, reporte de bugs e etc. Diferentes dos odiosos grupos do Facebook, algumas comunidades do G+ reuniam um público específico e engajado.
Votos: 0Eu até gostava do Google +porque havia comunidades sobre algumas custom roons alternativa à original da Samsung. Com conjuntos de ícones e protetores de telas. Mas só. Depois que mudei pro Oneplus não vi mais necessidade.
Votos: 0Gosto sim do g+
Votos: 0Amei! Parabéns! G+…
Votos: 0Sinceramente, Esse mercado saturou!!
Já não vejo nenhuma novidade…
-háa mas surgiu o prendedor de roupa digital!!!
Ainda assim não é mais visto como novidade, dado uma semana saturara tambem!!
Mercado digital? tudo copia!!!
Quando vejo propaganda de algum aplicativo penso, poxa só mais um entre muitos que não obtiveram sucesso, é apenas mais um disposto a perder tempo para criar algo já não mais bem aceito….
Votos: 0Saudades da gongre +
Votos: 0Assim como foi com o Orkut e seu apelo virtual, o que me fazia interagir nessa rede era o fato de contar com comunidades e os usuários faziam dessa versatilidade uma ferramenta útil e divertida. Google tentou recapturar o espírito da finada rede que era febre pós 2004, aquela que foi uma das poucas que se ainda existisse hoje em dia eu talvez fizesse uma exceção frente a modinha Facebook que no quesito comunidade/grupo perde feio (para mim, sempre foi uma tentativa de copiar características do Orkut no auge de seus primórdios, porém com o passar do tempo não fez nada além de me estimular a largar). Um dos maiores problemas que eu vejo é o monopólio e políticas duvidosas que tais empresas adotam. Note que Zuckerberg além de controlar o Caralivro também comprou o Zap.
No final quem usava Google Plus vinculando o perfil se ferrou, porque ficou ruim de logar novamente através dele (opção de botão G+ integrado removido) e retorna como cadastro inexistente, seja em sites ou aplicativos, a menos que tenha trocado o login antes.
Votos: 0