Gamers e governos são a esperança do setor de PCs brasileiro

O mercado brasileiro de computadores cresceu apenas 0,3% no segundo trimestre de 2019. Em números absolutos, foram vendidos 1,448 milhão de máquinas que geraram receita de R$ 4,1 bilhões, valor 12% maior que o do mesmo período do ano passado. Os números são da consultoria IDC, que também aponta onde se concentra a esperança de crescimento do setor: no governo e nos gamers.

Wellington La Falce, analista de mercado da IDC, deu mais detalhes desse cenário em uma conversa com o Manual do Usuário. O setor vem de dois anos de recuperação — 15% em 2017 e 9% em 2018 — após meia década de quedas brutais — de 15,4 milhões de unidades vendidas em 2011 para 4,5 milhões em 2016.

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TIM democratiza o post pago

Andy Warhol ficaria surpreso se vivo fosse em 2019. Não só todos temos nossos minutos de fama ininterruptos nas redes sociais — muito mais que os 15 minutos profetizados por ele —, como agora qualquer um pode ser pago para influenciar amigos e familiares no ambiente virtual.

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Distinguindo celulares piratas e não homologados — e qual pode ser bloqueado pela Anatel

O brasileiro descobriu o celular chinês e viu que era bom.

É compreensível o fascínio que marcas como Xiaomi e Huawei despertam — principalmente quando a compra é feita em lojas virtuais chinesas, onde os celulares chegam a custar menos da metade de modelos equivalentes ou idênticos vendidos no varejo brasileiro. Essa diferença no preço final é absorvida pelas marcas que atuam formalmente por aqui — e que perdem vendas — e pela Receita Federal, que só em 2019 deve deixar de arrecadar R$ 2 bilhões devido a importações irregulares e contrabando, segundo reportagem d’O Globo.

A consultoria IDC estima que 2,7 milhões de celulares não homologados junto à Anatel serão vendidos no Brasil em 2019, um aumento de 233% em relação ao ano passado. Isso representa 6% dos 45 milhões de celulares que devem ser comercializados no país este ano.

Todos esses números refletem a reputação crescente dos celulares chineses. Ainda pouco conhecidos do grande público, eles vêm conquistando espaço na base do boca a boca e com um empurrãozinho da propaganda velada e incessante dos maiores youtubers de tecnologia do Brasil, consolidando-se como opções mais baratas e, em alguns casos, melhores que modelos manjados de iPhone, Galaxy e Moto G.

Como um Xiaomi qualquer pode custar a metade do preço que, por exemplo, a Samsung cobra em um Galaxy S10 com configurações similares?

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Um rolê na loja física do AliExpress no Brasil

A digitalização do varejo barateou custos e expandiu a seleção de produtos disponíveis ao consumidor, vantagens que criaram gigantes do setor como a Amazon nos Estados Unidos e o Alibaba na China, e que têm norteado as decisões das empresas mais antigas que melhor se adaptaram à nova realidade, caso emblemático do fenômeno brasileiro Magazine Luiza. Apesar disso, lojas nativas digitais e bem sucedidas no ambiente virtual têm experimentado, com objetivos diversos, o caminho inverso, materializando-se no mundo físico.

No último sábado (7), fui conferir a recém-inaugurada loja pop-up do AliExpress, o grande marketplace digital chinês e uma das lojas estrangeiras favoritas dos brasileiros. Ela foi montada no Shopping Mueller, no Centro Cívico em Curitiba (PR), cidade escolhida por ser a sede do Ebanx, fintech local parceira que processa todos os pagamentos no AliExpress feitos a partir do Brasil.

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Algoritmo do YouTube impulsionou canais de extrema-direita nas eleições de 2018

O YouTube tem uma área nobre em sua interface para promover vídeos que estão viralizando. Chamada “Trending” lá fora, aqui no Brasil ela atende por “Em alta”. Os critérios para que um vídeo seja destacado ali são vagos, resultado da opacidade do algoritmo que monta as listas de vídeos automaticamente. Uma análise inédita do Manual do Usuário e The Intercept Brasil mostra como o YouTube contribuiu para o sucesso de candidatos de extrema-direita nas eleições brasileiras de 2018. Além disso, ela revela incongruências entre os vídeos promovidos e as políticas do próprio YouTube.

A empresa de data analytics Novelo analisou todos os mais de 17 mil rankings “Em alta” veiculados pelo YouTube no Brasil durante o segundo semestre de 2018. (O YouTube libera um novo ranking do tipo a cada 15 minutos.) Os resultados mostram que dos dez canais que mais cresceram no total de aparições nos rankings “Em alta”, metade era de extrema-direita e de apoio ao candidato que viria a eleger-se presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).

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A tecnologia prometia diminuir a desigualdade entre brancos e negros, mas periga aumentá-la ainda mais

por Guilherme Felitti

Este Tecnocracia começa com uma explicação básica para quem não viveu a era da fotografia analógica: nas câmeras do tipo, a foto era “impressa” pela luz em um filme fotográfico, que ia se enrolando a cada pose tirada num tubinho. Os filmes não eram praticamente infinitos como os cartões de memória de hoje; cada um tinha entre 12 e 36 fotografias. Acabadas, o fotógrafo tinha que tirá-lo da câmera e deixá-lo em um estúdio fotográfico, que usaria máquinas caras na época para “transformar” aquele filme em imagens de papel.

Basicamente, as máquinas liam a imagem no filme, imprimiam ela no tamanho que você queria e um sujeito, por fim, colocava as fotos em um pequeno álbum. Procure na casa dos seus pais ou avós e você deverá achar um monte desses álbuns com capas medonhas (a Fototica, uma época, colocava uns peixes lisérgicos na capa) e uns adesivos constrangedores para colar nas fotos.

Esse foi o modelo que durou mais de 50 anos. A partir da década de 1940, quem quisesse montar um estúdio fotográfico precisava comprar os equipamentos e o papel fotográfico onde o filme seria impresso. Junto com o filme fotográfico, a Kodak, maior empresa do setor e case da líder que foi destruída pela própria petulância, mandava também um cartão colorido chamado Shirley Card. O Shirley Card estampava uma mulher sorridente e maquiada, olhando para a câmera, cercada de quadrados com mais de dez cores, dos tons de cinza às cores primárias. Era com ele que os donos de estúdios calibravam as máquinas que faziam a revelação — era preciso fazer pequenas alterações para garantir que o amarelo que saía nas fotos era o amarelo mais vivo possível.

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Linha do tempo revela falhas na narrativa que atribui vazamentos da Lava Jato a hackers paulistas

Nunca houve tamanha preocupação com segurança digital no Brasil como agora, resultado dos respingos flamejantes da divulgação de conversas comprometedoras via Telegram entre membros da força-tarefa da Lava Jato e o ex-juiz federal Sergio Moro pelo The Intercept Brasil (TIB) desde o início de junho.

Em sua atabalhoada estratégia de defesa, Moro, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro, apressou-se em atribuir a supostos hackers, presos pela Polícia Federal nesta terça-feira (23), a origem do vazamento obtido pelo TIB. Editores da publicação relembraram, via redes sociais, que nunca disseram que a fonte era um hacker. Esta não é a única incongruência na narrativa de Moro.

Uma linha do tempo expõe muitas falhas na argumentação do ministro.

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Ressalvas ao site para bloqueio de telemarketing das operadoras, o Não Me Perturbe

Foi lançado nesta terça (16) um site das operadoras de telefonia e TV brasileiras para que consumidores que não quiserem ser importunados por telemarketing dessas empresas de cadastrem. O bloqueio só se aplica ao telemarketing das próprias operadoras que integram a iniciativa (Algar, Claro/Net, Nextel, Oi, Sercomtel, Sky, TIM e Vivo), não valendo para empresas de outros segmentos.

O Não Me Perturbe, nome dado ao novo banco de dados, pode ser acessado aqui:: https://www.naomeperturbe.com.br, um .com.br registrado pela ABR Telecom.

O cadastro pede os seguintes dados: nome completo, CPF e e-mail, além dos números telefônicos (até cinco) a serem incluídos na lista de opt-out. O bloqueio passa a valer 30 dias após a solicitação.

A política de privacidade do site Não Me Perturbe (não tem link direto; está no rodapé do site) tem algumas cláusulas que chamam a atenção negativamente:

  • 3.1. Os dados poderão ser usados também para processos administrativos — não só judiciais, como é praxe.
  • 3.6. Pessoas (autorizadas, mas ainda assim) poderão acessar diretamente os dados.
  • 5.1. Retificação e exclusão do cadastro só pode ser feita por e-mail ou formulário de contato. O termo “exclusão” aparece no título da cláusula, mas não no texto.
  • 6.1. Alterações na política de privacidade só serão comunicadas na página inicial do site (para que pedir o e-mail, então?).

Então, a lógica é que devemos fornecer mais dados em outro banco de dados apenas para que as operadoras parem de nos incomodar. Não faz sentido. Isso deveria ser opt-in, ou seja, partir da premissa de que não é permitido ligar sem autorização e só fazê-lo àqueles que expressamente permitirem esse tipo de coisa.

Não foi (só) por causa de Bolsonaro que o WhatsApp limitou o encaminhamento de mensagens

Nesta sexta-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro disse em uma live que a limitação a cinco destinatários do encaminhamento de mensagens do WhatsApp seria uma tentativa de censurá-lo. “Uma maneira de me cercear foi diminuir o alcance do WhatsApp”, alegou, justificando que “há censura em cima disso. Temos que lutar contra isso”. Ele também reclamou da diminuição de seu alcance no Facebook.

É importante retrocedermos um pouco para evitar mal entendidos e acabarmos com o temor de Bolsonaro de que teria sido ele o responsável pela mudança nas regras do WhatsApp. Em parte, talvez sim: suspeita-se que sua campanha tenha usado e/ou se beneficiado de impulsionamentos ilegais de mensagens no WhatsApp, o que teria colaborado para a sua eleição à Presidência. (Pesa sobre o PT a mesma suspeita, obviamente com desfecho diferente.) Só que o mundo é maior que o Brasil e outras situações pretéritas tiveram mais impacto na decisão do Facebook/WhatsApp.

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O gosto cada vez mais amargo do hambúrguer pedido por aplicativo

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Em maio, o Guilherme gravou a coluna mais ouvida do Tecnocracia até agora: Os apps de transporte criaram uma dinâmica de trabalho de Robin Hood ao contrário. Ele fez uma análise visceral do entortamento das dinâmicas trabalhistas que aplicativos da chamada “economia dos bicos”, como os de transporte individual (Uber, 99) e entrega de refeições (iFood, Rappi), têm causado.

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MEC solicita exclusão do verbete do ministro Abraham Weintraub na Wikipédia

A assessoria de comunicação do Ministério da Educação (MEC) solicitou à Wikipédia a exclusão do verbete do ministro Abraham Weintraub nesta segunda-feira (1).

De acordo com o e-mail, transcrito na íntegra pelo moderador da enciclopédia que o recebeu em uma página em que ele e outros moderadores debatem a melhor maneira de responder a solicitação, o pedido foi feito porque “a página contém informações não confirmadas com a pessoa pública ora em destaque, contribuindo para interpretações dúbias” e devido à “impossibilidade de edição por este órgão governamental”.

Por telefone, uma assessora do MEC confirmou o pedido e a autenticidade do e-mail ao Manual do Usuário. Embora tenha se negado a especificar quais partes do verbete teriam motivado a solicitação, ela citou uma das consideradas problemáticas: a abordagem dada pelo texto ao percentual do contingenciamento das universidades públicas federais, anunciado no final de abril pelo ministro Weintraub, de 30% das despesas discricionárias ou 3,4% do orçamento total. (O episódio motivou uma explicação pra lá de esquisita do próprio ministro usando chocolates em uma “live” do presidente Bolsonaro.) A assessora reforçou que há outros pontos de discórdia no texto da enciclopédia, mas não os apontou, e que a iniciativa de solicitar a exclusão do verbete foi da assessoria do MEC — o ministro Weintraub apenas foi informado da medida.

A Wikipédia é uma enciclopédia online colaborativa e, como tal, jamais cria informação, apenas a reproduz de outras fontes consideradas confiáveis pelos seus moderadores. Qualquer pessoa pode editar os verbetes, mas o de Weintraub encontra-se “protegido” desde o dia 2 de junho por “vandalismo excessivo”. Isso significa que até 17 de julho apenas usuários identificados podem alterá-lo.

Na discussão motivada pelo e-mail do MEC, os moderadores debatem a pertinência de manter controvérsias em verbetes biográficos e cogitam encaminhar a solicitação à Fundação Wikimedia, responsável legal pela Wikipédia e sediada nos Estados Unidos.

Foto do topo: Agência Senado/Flickr.

Migração 2.0: Os profissionais que mudam de cidade para trabalhar nas empresas mais modernas do país

por Manual do Usuário

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Não está fácil conseguir um emprego no Brasil. O último dado do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao trimestre encerrado em abril, apontou 13,2 milhões de desempregados no país. A economia não engrena e, com isso, novos postos não são criados. Alguns setores, porém, remam contra a maré e sofrem para preencherem vagas.

Esses bolsões, onde sobra emprego, se encontram em setores em franca expansão e onde boa qualificação é pré-requisito — embora este nem sempre seja o fator mais importante para a contratação. O de tecnologia, por exemplo: em 2018, as empresas do setor fizeram 28 mil contratações e, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia (Brasscom), esse número só não dobrará este ano por falta de pessoal qualificado.

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O que a Anatel diz sobre os produtos da Xiaomi supostamente não homologados à venda no Brasil

No último domingo (16), o site Mundo Conectado noticiou que a Xiaomi estaria vendendo produtos não homologados pela Anatel em sua loja física, no Shopping Ibirapuera, em São Paulo. Todo produto que emite sinais eletromagnéticos precisa ser homologado pela Anatel antes de ser colocado à venda no Brasil.

Pelo Twitter, entusiastas que vasculham o Sistema de Certificação e Homologação (SCH, onde a Anatel torna público os produtos homologados) questionaram a reportagem do Mundo Conectado. Os produtos supostamente não homologados aparecem no autocompletar da busca do SCH, indício de que a homologação está em processo de tramitação.

Na tarde desta quarta (19), o Manual do Usuário falou com a assessoria da Anatel a respeito deste caso. Por e-mail, a agência informou que “tem o conhecimento da venda de produtos não homologados e está apurando os fatos que foram denunciados”, com a ressalva de que “a Xiaomi possui produtos homologados e estes estão aptos à venda no território nacional”.

Apesar disso, a venda de produtos sem o selo da Anatel, também denunciada na reportagem original, constitui uma violação às regras vigentes, conforme o artigo 39 da resolução 242/2000 da agência. Ainda na mensagem que me foi encaminhada, a Anatel diz que “o fato de um equipamento homologado não portar o selo é uma irregularidade administrativa, passível de ser sancionado pela Anatel”.

O Manual do Usuário solicitou entrevista com um porta-voz da Anatel, mas a agência declinou afirmando não ter um disponível no momento.

Vale lembrar que o Mundo Conectado, a despeito do furo, reiteradamente publica posts com ofertas de produtos da Xiaomi e de outras fabricantes chinesas que não são homologados aqui em troca de comissões generosas de lojas como a Gearbest, situação idêntica à dos canais de YouTube brasileiros denunciados em reportagem do Manual do Usuário publicada em março.

Nem todas as coisas “inteligentes” são digitais: a história do Caderno Inteligente

Empresas e assessorias inundam redações de jornais com bloquinhos de papel. É um mimo relativamente barato e que continua útil a jornalistas mesmo após a profunda digitalização das redações. São tantos que muitas vezes eles sobram, mas vez ou outra um do tipo se destaca. Recentemente chegou a mim um desses especiais: o Caderno Inteligente.

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Como as conversas da Lava Jato no Telegram podem ter sido vazadas ao The Intercept Brasil

Neste domingo (9), o site The Intercept Brasil publicou uma série de reportagens revelando diálogos em que o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol, e o ex-juiz federal Sergio Moro trocavam informações e colaboravam nos bastidores quando integravam a força-tarefa da Lava Jato. A origem das conversas, desenroladas no aplicativo Telegram, teria sido uma fonte anônima, e o material, segundo o jornalista e fundador da publicação, Glenn Greenwald, é vasto — “um vazamento muito maior do que o do caso Snowden”, disse à Folha.

Como a fonte conseguiu acesso a esses dados? O The Intercept Brasil, obviamente, não divulga detalhes. Pelas características das matérias publicadas até aqui, é possível fazer algumas conjecturas.

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