Na era da auto-exposição exagerada, silêncio não significa incompetência
Este Tecnocracia vai contar três histórias diferentes que, à primeira vista, não têm relação entre si. No fim a gente amarra.
Este Tecnocracia vai contar três histórias diferentes que, à primeira vista, não têm relação entre si. No fim a gente amarra.
Após os estragos causados pelo impeachment de Dilma Rousseff (2016) e as últimas eleições presidenciais (2018), grupos de WhatsApp do Brasil inteiro estão prestes a passar por mais uma prova de fogo: a quarentena provocada pelo SARS-CoV-2, o novo coronavírus. É como se nós, sobreviventes ainda se recuperando dos estragos de duas grandes guerras (de informação), estivéssemos prestes a enfrentar um poderoso furacão. Mas, apesar do tempo fechado, alguns raios de Sol despontam no horizonte.
O conceito de economia colaborativa ou compartilhada já está bem difundido. Quando menos popular, a maneira mais fácil de explicá-lo era com uma analogia: “tipo a Uber”. A empresa de caronas por aplicativo se tornou paradigma para outras tantas que lhe sucederam e é, até hoje, usada por palestrantes e empreendedores de inovação paradoxalmente parados no tempo.
Nem todas as startups “tipo a Uber” são… tipo a Uber. No Carnaval, experimentei uma dessas: a Buser, uma plataforma que conecta passageiros interessados em fretar um ônibus com um destino comum. Tipo um Uber de ônibus? Quase isso.
O início dos anos 2010 nos encheu de esperança, com o setor de tecnologia dando fortes sinais do seu potencial revolucionário. De um lado, as redes sociais eram o motor de levantes populares; de outro, modelos criativos da economia colaborativa colocavam em xeque o poderio das grandes empresas. Uma década depois, aquele potencial não se realizou. Em vez disso, hoje notícias como as que revelam como plataformas de delivery exploram entregadores e restaurantes parceiros nos chocam. Quando foi que aquela esperança virou esse show de horrores?
Os ritmos da sociedade são muitos e, quando comparados, não raro se revelam descompassados. Seguíssemos à risca o da indústria de tecnologia, por exemplo, todo mundo estaria de celular novo a cada 12 meses. Ainda que a frequência de lançamentos do setor não tenha diminuído — pelo contrário, está acelerando em alguns casos, como o do Moto G —, parece que as pessoas estão passando mais tempo com seus aparelhos antes de sentirem a necessidade de trocá-los. Será só uma impressão equivocada ou esse movimento está mesmo ocorrendo?
Notinhas, impressões pessoais e curiosidades do mundo da tecnologia.
Sempre achei meio boba aquela história de que as pessoas compram iPhone apenas pelo status. Histórias como esta, porém, reforçam o estigma.
Uma loja que atua no Mercado Livre está vendendo “kits de atualização física” para modelos de 2018 do iPhone (XS e XR) que os “transformam” em iPhone 11 e iPhone 11 Pro. O kit é composto por uma chapa de metal que deve ser colada no conjunto de câmeras, deixando os modelos de 2018 visualmente parecido com os de 2019. Não há qualquer vantagem funcional na “atualização física”, é uma alteração meramente estética. Na data da publicação desta coluna, 67 kits já tinham sido vendidos. Cada um custa R$ 49 [Mercado Livre] e acompanha uma capinha transparente que, segundo a descrição do vendedor Pedro, da loja Vem Barato,
Longe dos holofotes que empresas como Google, Tesla e Uber ganham da mídia especializada com suas iniciativas autônomas, a startup brasileira Hitech Electric anunciou, nesta quinta-feira (30), o primeiro carro elétrico autônomo do Brasil. Estive na sede da Positivo, uma das parcerias da startup, para dar um rolê na variante autônoma do e.coTech4.
O grande filósofo da nossa geração, Alexandre Magno Abrão, o Chorão, já alertava no final dos anos 1990 que o jovem no Brasil nunca é levado a sério. Então, quando a atriz e fenômeno teen Larissa Manoela resolveu tocar em temas como a cultura dos influenciadores digitais e o vício em celulares em seu novo longa metragem, Modo Avião, o mínimo que alguém interessado nesses assuntos poderia fazer era prestar atenção. Assim o fiz.
Toda profissão depende de informação, mas algumas dependem mais do que outras. Um cirurgião, por exemplo, precisa conhecer os novos métodos e equipamentos na sua área, mas a maneira como ele vai operar se mantém mais ou menos a mesma. A informação é importante, mas não é o eixo ao redor do qual a profissão gira.
Existem profissões onde o principal capital é a informação. Jornalismo, por exemplo. Você vive para buscar, contextualizar e reportar informações. Não é a única atividade que segue a regra. Investidores também precisam consumir vorazmente informações para tomar decisões sobre o que fazer com aquela ação — vender por que a perspectiva é uma merda ou comprar mais já que o futuro tende a ser brilhante. Quer outra? Vigaristas, estelionatários e bandidos.
No último sábado (2), a jornalista Gabriela Valente tomou um susto ao abrir o aplicativo da Grin, marca de aluguel de patinetes elétricos da empresa Grow, e descobrir uma corrida em curso que já estava em mais de R$ 110 mil. Seu comentário em uma rede social com um print da cobrança ainda em andamento viralizou. O Manual do Usuário conversou com a Grow para saber o que aconteceu.
No final do século XVII, Portugal tinha um problemão nas mãos.
Em 1695, ano da morte de Zumbi dos Palmares, o outrora grandioso, aventureiro e rico Império Colonial Português parecia estar com os dias contados. Sessenta anos de União Ibérica (a fusão com a Espanha por falta de herdeiros do trono português) e quase um século de guerra contra os holandeses haviam dilapidado os recursos, aniquilado o comércio de especiarias no Oriente e reduzido substancialmente a vastidão dos territórios ultramarinos do reino. A economia do açúcar no Nordeste brasileiro (até então a maior fonte de receita na colônia) estava em crise devido à concorrência dos novos engenhos ingleses, franceses e holandeses na região do Caribe. Os preços caíam em virtude do excesso de oferta. Havia também novos concorrentes no tráfico de escravos, atividade na qual Portugal tinha sido virtualmente monopolista até um século antes. Por toda a costa da África despontavam agora novas fortificações e feitorias de outros povos europeus, incluindo até mesmo suecos, dinamarqueses e alemães.
O trecho vem de Escravidão, um livro fundamental em que Laurentino Gomes mergulha no processo que mais profundamente impactou e moldou a sociedade brasileira. O livro deveria ser leitura obrigatória a todos os brasileiros.
O céu é azul, a chuva é molhada e o iPhone no Brasil é caro. Em 2019, porém, o iPhone 11 chega ao país mais barato que o XR, do ano passado. Uma queda singela, mas que devolve o celular da Apple a patamares históricos quando considerados valores em dólar.
No final de julho, centenas de milhares de brasileiros se ligaram no YouTube para assistir a uma mesma transmissão ao vivo na plataforma. Em dado momento, quase 800 mil pessoas acompanhavam, simultaneamente, a grande final de um campeonato de Free Fire, uma das maiores audiências da história da plataforma no Brasil, superior à de jogos de futebol badalados como a partida entre Corinthians e Racing pela Copa Sul-americana, que juntou 438 mil espectadores simultâneos no início do ano. Free Fire é um joguinho de celular.
Se você sempre quis colocar microfones super sensíveis e sempre ativos de uma mega corporação estrangeira dentro da sua casa, tenho uma boa notícia: a Amazon lançou nesta quinta-feira (3) a Alexa em português do Brasil e, junto com ela, colocou em pré-venda no país seus alto-falantes com microfones da linha Echo.
O site de armazenamento de arquivos Mega (mega.nz) está inacessível para clientes das operadoras Claro, Vivo, Oi e Algar Telecom por força de uma tutela de urgência deferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. (Curiosamente, a TIM não é citada.) Não é possível saber detalhes do processo, como quem pediu o bloqueio, porque ele corre em sigilo.
A decisão foi publicada no último dia 12 de setembro, mas ganhou destaque após o braço brasileiro do Partido Pirata comentá-la no Twitter na última sexta-feira (27). Desde então, clientes das operadoras afetadas têm manifestado nas redes sociais a impossibilidade de acessarem o serviço.