iPhone 11 brasileiro fica mais barato, mas ainda é bem caro

iPhone 11 em várias cores, molhados, com destaque para a câmera dupla nas costas.

O céu é azul, a chuva é molhada e o iPhone no Brasil é caro. Em 2019, porém, o iPhone 11 chega ao país mais barato que o XR, do ano passado. Uma queda singela, mas que devolve o celular da Apple a patamares históricos quando considerados valores em dólar.

O iPhone 11 será lançado no Brasil no próximo dia 18 de outubro custando a partir de R$ 4.999. Na mesma data, chegam os iPhone 11 Pro e iPhone 11 Pro Max, por R$ 6.999 e R$ 7.599, respectivamente. O MacMagazine tem tabelas com os preços de todas as versões. Os modelos Pro são de uma categoria acima, inaugurada em 2017 com o iPhone X e que, portanto, não tem comparação com quaisquer outros lançados antes disso. A tradicional análise anual de variação de preços do Manual do Usuário foca no modelo “principal”, aquele que sempre rondou, nos Estados Unidos, a faixa dos US$ 600–700.

Aos números! Em valores absolutos, o iPhone 11 é 3,8% mais barato que o iPhone XR, ou R$ 4.999 contra R$ 5.199. O gráfico abaixo mostra a evolução do preço desde o iPhone 4S, de 2011:

Gráfico mostrando a variação do preço do iPhone brasileiro desde 2011.
Gráfico: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

De acordo com o Banco Central, entre agosto de 2011 e agosto de 2019, a inflação acumulada pelo IPCA foi de 56,6%. Aquele iPhone 4S, corrigido apenas pela inflação, custaria hoje R$ 3.288,21. A diferença dos preços dele em 2011 (R$ 2.099) e do recém-anunciado iPhone 11, porém, é de 138,2% — mais que o dobro.

Esta é apenas a segunda vez que uma nova versão do iPhone cai, em valor absoluto, comparado à anterior. Na outra — os 12,5% de redução no preço de lançamento do iPhone 7 de 2016 — havíamos acabado de passar pelo auge da crise e vínhamos do maior aumento já registrado (até então), o do iPhone 6S, que chegou às lojas custando 25% a mais que o modelo anterior. O dólar é um indicador útil para entender essa dinâmica de preços: na época do lançamento do iPhone 6S, ele rondava os R$ 3,80 (novamente, até então o maior patamar da série histórica). Um ano depois, quando o iPhone 7 chegou ao país, o dólar custava R$ 3,20.

Entre o iPhone XR e o iPhone 11, o dólar saltou 3%, de R$ 4,03 para R$ 4,151. A inflação acumulada dos últimos 12 meses até agosto, medida pelo IPCA, caiu 18,1%, de 4,19% em 2018 para 3,43% em 2019. Considere, ainda, que o aumento no preço do iPhone XR foi o maior da história, 30% em relação ao preço do iPhone 8. Em outras palavras, um novo aumento seria meio inexplicável2.

Converter os valores dos iPhones para o dólar cotado na ocasião dos lançamentos nacionais nos dá uma perspectiva melhor. Veja:

Tabela com preços e variações em real e dólar do iPhone brasileiro desde 2011.
Tabela: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

Sob este critério, a estranheza do iPhone XR se destaca: nenhum iPhone antes ou depois dele tinha quebrado a barreira dos US$ 1,3 mil. O iPhone 11 de R$ 4.999 reverte a tendência de aumento a patamares conhecidos. Na conversão pela cotação desta quarta-feira (9), R$ 4,083, ele custava US$ 1.225,25, valor praticamente igual ao do iPhone 6 de 2014, segundo mais caro em dólar.

A tendência de reversão não se restringe ao Brasil. Nos Estados Unidos, em 2018 a Apple puxou o preço do iPhone XR para US$ 749, mas voltou atrás este ano e está cobrando pelo iPhone 11 os mesmos US$ 699 que cobrava, dois anos atrás, pelo iPhone 8.


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A título de curiosidade, o preço norte-americano do iPhone 11 convertido diretamente ao real se transforma em R$ 2.854,72. Considere, porém, que o preço anunciado nos EUA não inclui os impostos, que são somados no ato da compra e variam de estado para estado. Se tomarmos por base 10% de impostos, mais os 6,38% do IOF incidente nas compras com cartão de crédito, o preço final a alguém que viaje aos EUA para buscar o celular fica em R$ 3.337,26. Comparado ao preço com desconto à vista brasileiro (10%), a diferença é de 25,8%.

(De qualquer forma, não é uma boa comprar iPhone nos EUA porque os modelos comercializados lá não são plenamente compatíveis com o nosso 4G.)

Todos esses números servem apenas para dizer que, sim, o céu ainda azul, a chuva segue molhada e o iPhone, comprado no Brasil ou fora, continua caro — como sempre foi.

Foto do topo: Apple/Divulgação.


  1. Valores referentes ao último dia útil de setembro de 2018 e 2019.
  2. Não que a política de preços para o Brasil da Apple tenha alguma lógica, mas para tudo na vida há limites.
  3. Maior valor registrado na série histórica. Cadê meu dólar a R$ 1,99!???? 😆

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7 comentários

  1. acho a variação de preços dos iPads ainda mais bizarra

    em 2013 era possível comprar o iPad mais recente por algo em torno de 1700 reais (~700USD à época para um preço original nos EUA que, se não me engano, era algo em torno de 600USD). O modelo equivalente hoje imagino que seja o atual iPad “simples” (não-mini, não-air, não-pro), que custa oficialmente 3000 reais (com os incríveis mesmos 32gb daquela época). Ou seja, ele continua custando um pouco mais de ~700 USD no Brasil… mas o preço original dele é de 330 USD!

    1. Verdade.
      Paguei R$1500 no meu primeiro iPad 2 numa promoção da iPlace aqui de POA. Em 2012.

    2. Isso foi bem no começo da Lei do Bem, do dólar relativamente baixo e da fabricação nacional dos iPads aqui.
      Os ~importadores independentes~ até desistiram de vender iPad nessa época porque era difícil concorrer com o valor da Apple.

      Lembro que o teto da Lei do Bem é de R$2.500 (acho que não mudaram) pra tablets, que na época cobria toda a linha da Apple.
      Com o dólar mais alto e a Apple desistindo de fabricar iPads aqui (iPhone PARECE que ainda fabricam) o incentivo fiscal caiu.

  2. E tem galera nos comentários do MacMagazine dizendo que o preço está “excelente”! hahahahahaha
    O amor é mesmo cego.

  3. Como já faz alguns anos que os iPhones americanos não contam com suporte às redes brasileiras, a Europa acabou virando minha referência de preços para compras. Nesta geração o país com os preços “mais” em conta que encontrei foi a Alemanha, onde o iPhone 11 64gb custa a partir de 800 euros (em torno dos R$3.750). Com trade in por um iPhone 7+ 128gb eles dão 200 euros de “desconto”, que fica com preço parecido que sites como Brused pagam.

    Mas o que me chama a atenção é quanto os iPhones de gerações anteriores são caros! O Xr custa 700 euros (R$3.290) e o 8+ incríveis 650 euros (R$3.050) – não valem a pena nem a porrete.

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